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Agora é lei! 24 Horas de Samba entra para o calendário de eventos da cidade de São Paulo

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A Mocidade Alegre conquistou uma das maiores vitórias de sua história. O evento 24 Horas de Samba, iniciado pelo fundador da agremiação, Juarez da Cruz, nos anos 1970, agora faz parte do Calendário Oficial de Eventos da Cidade de São Paulo (Lei 18.924, de 10 de setembro de 2025). Mais do que um triunfo da Morada do Samba, trata-se de uma conquista para todas as agremiações do carnaval paulistano. Desde 1972, diversas escolas participam da festa, levando grandes shows ao público. Sendo assim, qualquer reconhecimento do poder público deve ser celebrado pelos sambistas da capital. O CARNAVALESCO conversou com dois integrantes da direção de carnaval, que relembraram histórias e comemoraram o feito.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Reconhecimento de um trabalho árduo

Membro da direção de carnaval, Dudu Teixeira falou sobre o esforço da Mocidade Alegre para manter a festa viva e acolher o público com qualidade.

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“Não é apenas para a escola, mas para o samba e para a nossa cultura. É a valorização de quão importante é um evento como esse para a cidade e, principalmente, para a nossa escola, que realiza essa festa. Ela não é fácil de organizar, dá muito trabalho. As pessoas pensam que são apenas 24 horas de samba, como se fosse um dia simples. Mas não é assim: são 24 horas intensas de dedicação. Nada mais justo do que valorizar e coroar o trabalho que a Mocidade consegue manter durante todo esse tempo. Se pensarmos friamente, é quase impossível manter uma festa como essa. Já deixou de ser apenas uma tradição. Agora é oficial”, celebrou.

Dudu destacou ainda a parceria da vereadora Sandra Santana, responsável por apresentar o projeto na Câmara Municipal.

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“A escola tem uma grande amiga, a vereadora Sandra Santana, que encaminhou o projeto para que virasse lei. Primeiro, o trâmite seguiu o processo normal, mas acredito que, por acompanhar de perto a nossa escola, ela percebeu o quanto era importante transformar essa data em algo oficial e marcante para a cidade de São Paulo”, declarou.

Ao recordar suas memórias na festa, ele relembrou sua estreia na Mocidade e destacou sua principal lembrança do evento.

“Foi a minha primeira experiência nas 24 Horas em 2016, porque eu vinha de outra escola de samba. Já estava no carnaval há algum tempo, mas nunca tinha vivido isso. Aquela edição me marcou, porque eu não acreditava que fosse possível realizar algo assim. Quando terminou, foram 26 ou 27 horas de festa. Eu dizia para os meus pares: ‘Vocês são malucos!’. É algo impressionante. Pouquíssimas pessoas ficam realmente as 24 horas. Já quem organiza, vive um mês inteiro de preparação. Hoje, quase 10 anos depois, estou aqui, vivendo isso, e é muito bacana”, comentou.

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Vitória do carnaval de São Paulo

Outro diretor de carnaval, Ricardo Sonzin, destacou que a oficialização não é apenas uma conquista da Mocidade Alegre, mas de todo o carnaval paulistano.

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“Não é uma conquista apenas da Mocidade Alegre, é do carnaval de São Paulo como um todo. É muito gratificante saber que a nossa escola tem esse reconhecimento, importância e valorização dentro da cultura popular da cidade. Sem dúvidas, é fundamental para o nosso samba”, declarou.

Talvez a maior característica do evento seja receber várias coirmãs para apresentações. Só nesta edição, serão oito escolas abrilhantando a festa, sendo duas do Rio de Janeiro – as mais tradicionais da cidade: Portela e Mangueira. O diretor comentou sobre essa troca de amizades que a Mocidade Alegre coleciona.

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“É extremamente enriquecedor para o nosso carnaval e para a nossa escola, que se sente cada vez mais vaidosa e respeitada, valorizando as nossas conquistas. Estar aqui, 24 horas falando de samba, homenageando sambistas, abrindo as portas para outras escolas dançarem no nosso terreiro, no nosso palco, e fazerem parte da nossa festa é algo muito especial”, afirmou.

Com 21 anos de Mocidade, Ricardo guarda muitas lembranças, mas aponta como inesquecível a homenagem que será feita em 2025 ao carnavalesco Sidnei França.

“Vou antecipar qual será a minha melhor memória. Nós vamos homenagear e entregar o título de ‘Sambista Imortal’ para o Sidnei França, uma pessoa por quem tenho um carinho imenso. Trabalhamos juntos por muito tempo aqui na Mocidade, construímos muita coisa e acredito que esse será um dos momentos mais marcantes da minha trajetória”, concluiu.

Vídeos das apresentações

Alberto João traz análise das finais e dos sambas do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2026

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Beija-Flor celebra Cosme e Damião com carreata solidária em Nilópolis

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A manhã do último sábado foi de fé, festa e solidariedade em Nilópolis. A Beija-Flor realizou uma carreata em celebração a Cosme e Damião, passando por comunidades como Novo Horizonte, Morro da Mina e Nova Cidade, onde foram distribuídas 3.500 cestas básicas e doces para crianças e famílias. A ação, que já faz parte do calendário social da agremiação, mobilizou integrantes da escola e moradores. Além dos tradicionais saquinhos de doces oferecidos às crianças, as famílias também receberam alimentos.

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Foto: Eduardo Hollanda/Beija-Flor de Nilópolis

O presidente da Beija-Flor, Almir Reis, ressaltou a importância da iniciativa. “Essa é uma tradição da nossa escola e um compromisso permanente junto da comunidade. Além dos tradicionais doces de Cosme e Damião, pensamos também nas famílias e, por isso, entregamos cestas básicas. É a forma da Beija-Flor reafirmar seus laços de fé, solidariedade e cuidado com o povo de Nilópolis”, afirmou.

A celebração contou ainda com a presença de Gabriel David, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), de Caio David, presidente do Instituto Beija-Flor, de Mestre Rodney, comandante da bateria da escola, Marco Antônio Marino, diretor de Carnaval, além de outros componentes que acompanharam o cortejo solidário.

Reconhecida como uma das principais referências culturais do Carnaval carioca, a Beija-Flor mantém, ao longo dos anos, o vínculo com sua cidade de origem por meio de ações sociais, reforçando o papel da escola não apenas na avenida, mas também no dia a dia da comunidade.

Em dia de Cosme e Damião, Instituto Imperatriz Leopoldinense distribui 3 mil doces para crianças do Complexo do Alemão

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A manhã do último foi doce para as crianças do Complexo do Alemão e de todas as comunidades que fazem parte da Zona da Leopoldina. No tradicional dia de São Cosme e São Damião, a Imperatriz Leopoldinense e o Instituto Imperatriz fizeram a festa da criançada com a distribuição de 3 mil saquinhos de doces. E além das famosas guloseimas, a Rainha de Ramos também realizou a doação de iogurtes para os presentes.

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Foto: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

Por volta das 10h30, a quadra da Imperatriz, em Ramos, Zona da Leopoldina do Rio, já estava lotada e com fila dando volta no quarteirão. O presidente do Instituto Imperatriz, João Drumond, ressaltou a importância da data e de cada vez mais ações voltadas às famílias da região.

“É uma tradição do carioca, e a Imperatriz já realiza a atividade há muitos anos. É maravilhoso ver a alegria de cada um que chega aqui cedo, aguarda e sai sorrindo com o seu saquinho de doce. A gente adoça a vida de uma criança e também das famílias que vivem em situações difíceis, e isso é muito especial. Não importa a ocasião: seja Natal, Páscoa ou neste dia, o Instituto Imperatriz tem como objetivo fazer o próximo sorrir e colaborar para a qualidade de vida de todos. Salve a Ibejada”, afirmou João.

A presidente da Imperatriz, Catia Drumond, também participou da ação e destacou o prazer em proporcionar a clássica comemoração:

“É sempre um prazer. Todo ato transforma a vida de muitas famílias. E estamos falando do futuro dessas crianças. Então, a gente espera que todas elas tenham um futuro muito doce. Se cada um fizer sua parte, a lembrança desse momento será pra sempre”.

O Instituto Imperatriz Leopoldinense é uma entidade sem fins lucrativos, que tem como finalidade única promover cidadania, empatia, oportunidade e amor ao próximo.

Águia de Ouro apresenta samba-enredo com refrão popular e fantasias luxuosas

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Segunda escola a se apresentar na segunda noite do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, o Águia de Ouro apresentou de maneira oficial o samba-enredo que embalará o desfile de “Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária”, assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada, neste sábado (27 de setembro), na quadra da agremiação. A canção é composta por Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Salgado Luz, Lucas Donato, Marcos Vinícius, PH do Cavaco, Duda Juarez, Leandro Flecha, Fábio Gonçalves, Wagner Forte, Cabide e Chico Maia. Presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou personagens importantes para a produção do desfile da azul e branca da Zona Oeste paulistana e traz opiniões e o panorama do evento em geral.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Dinâmica diferenciada

Toda escola tem um processo próprio para escolher o samba-enredo que será cantado pela comunidade. O do Águia de Ouro é ainda mais particular: toda a eliminatória é feita internamente, com a escola apenas anunciando a parceria campeã por meio das redes sociais.

Um dos compositores da obra, Aquiles da Vila, detalhou como aconteceu em 2026: “O Águia de Ouro é sempre um processo diferente, a gente sabe que é diferente. E a gente entendeu que precisava fazer um samba muito específico para o enredo sobre Amsterdam. A escola deixou muito claro que era para falar de uma terra libertária, que falava de diversidade, arte, liberdade de orientação sexual, liberdade com relação à rua da prostituição, uma série de coisas”, destacou.

Para Aquiles, se livrar de um estigma que muitos tiveram quando o enredo foi anunciado foi uma das chaves para que a obra pudesse ser bem recebida pela comunidade e pelo universo do samba paulistano: “Mais do que se apegar ao fato de ser um chamado enredo CEP [ou seja, que fala de uma cidade, um estado ou um país], a gente fez questão de entender as características do que está sendo falado. A gente está falando de um lugar que tem muita liberdade de expressão. Não existe um lugar que combina e conversa mais com o carnaval, um lugar mais democrático do que o nosso carnaval de escola de samba. A gente entendeu dessa forma. Tanto que fazemos um paralelo, no verso do ‘o rei daqui e o rei de lá’. O samba conta essa história: o homem que tem a chave de Amsterdam na mão se abraça com quem é rei na folia. Eles estão de mãos dadas e fazem uma grande festa. O grande pretexto, o grande mote desse enredo é esse”, frisou.

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Ar noventista

Muitos dos que tiveram a oportunidade de conhecer a obra antes do anúncio oficial elogiaram a obra por alguns motivos em específico. A canção, bastante animada, tem letra simples e um verso que extravasa a irreverência da maior festa popular do planeta logo no refrão: “Eu vou ficar bem louco nesse carnaval”. A obra inteira, entretanto, lembra sambas-enredo antigos.

Aquiles destacou que, nas reuniões com integrantes da própria escola durante o processo interno para escolha da canção, o objetivo da agremiação era bastante claro: “A gente se reuniu e pensou que o que cabe para esse tipo de tema é uma melodia extremamente leve, gostosa e popular para ser cantada. Era assim que a escola queria e foi assim que a gente levou para as finais. A escola fez um corte, eliminou praticamente metade das peças e, a partir dali, o Águia pediu que fizesse um polimento do samba. A gente fez esse polimento, fizemos uma devolutiva muito rápida e eu acho que a gente acabou sendo muito feliz em relação a isso, atendendo de fato todos os pontos que a escola pediu e que Amsterdam merece”, comentou.

Salgado Luz, outro compositor entrevistado, complementou: “Era exatamente isso que a escola queria. Era isso mesmo: resgatar esse carnaval de antigamente. O enredo pedia isso e a comunidade estava precisando de um samba como esse, daquele tempo do Águia de Ouro quando ensaiava embaixo do Viaduto Pompeia. Foi essa a intenção do nosso time”, relembrou.

Antes de inaugurar a atual e suntuosa quadra, na avenida Avenida Presidente Castelo Branco (uma das pistas laterais da Marginal Tietê), o Águia ensaiava onde hoje está a rua José Benedito Boneli, a cerca de quatrocentos metros de onde atualmente está localizado o Allianz Parque.

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Unanimidade

Quando perguntados sobre a parte favorita do samba, todos eles destacaram o refrão de cabeça. Para explicar o motivo pelo qual citou tal trecho, Aquiles relembrou uma das faixas que fizeram a história do gênero samba-enredo – “Festa Profana”, canção eternizada pela União da Ilha do Governador em 1989: “É difícil arriscar, mas eu acho que o refrão de cabeça conta toda a história. É assumir, de fato, o lance do ‘ficar bem louco’, é assumir de fato uma postura da folia. A gente já teve um samba clássico dos anos 1980 no Rio de Janeiro que ‘eu vou tomar um porre de felicidade’, que toca em tudo que festividade hoje. O Águia aposta nisso e não é aleatório: é com o enredo de um lugar que de fato é libertário e aposta na individualidade, na liberdade humana, nas próprias escolhas. A gente vai trazer um ótimo resultado com esse tipo de solução de linguagem de música. É isso que o Amsterdam pede e que o Águia de Ouro vai vestir de fato”, afirmou.

Além de concordar com o parceiro de composição, Wagner Forte revelou um sentimento maior que a gratidão pelo Águia ter escolhido a obra também composta por ele: “São os dois primeiros versos do refrão, mesmo. É o que o Aquiles falou: eu acho que a gente, pensando no samba como um todo, partiu dos dois primeiros versos, que são fundamentais e que resumem o enredo todo. Nós vamos ficar bem louco de carnaval, mesmo. A gente já está louco de felicidade de ter ganho esse samba. Essa escola, para mim, significa muito. A primeira vez que eu desfilei numa escola de samba foi numa comissão de frente do Águia de Ouro, há dez anos. Ganhei a disputa de samba-enredo de 2019 e, agora, ganhei mais um com essa parceria maravilhosa. É fantástico! Eu já estou louco, não sei o que falar, mais. Nem precisa de carnaval, já estou louco desde hoje”, brincou.

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Diversão aprovada

Todos os ouvidos pela reportagem tiveram sensações semelhantes em relação ao samba – e isso vai muito além da aprovação da obra. Sidnei Carrioulo Antonio, presidente do Águia de Ouro, abriu a série de impressões: “Eu, particularmente, gostei. Eu não sou de achar que sempre o que é meu é melhor, não. São casos e casos de samba. Eu acho que esse samba é um samba gostoso, é um samba que resgata um pouco a coisa do samba enredo divertido. Para a gente falar desse assunto, o foco não é só Amsterdã: o foco também é liberdade e felicidade. A música nos transporta a esses dois assuntos: liberdade e felicidade. Das pessoas que já ouviram o coro que nós montamos, todo mundo está feliz. Agora, vamos tirar a prova dos nove, na hora que a gente apresentar para toda a comunidade”, destacou.

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Carnavalesco da agremiação, Alexandre Louzada deu a entender que a canção pode ganhar todo o carnaval paulistano: “Eu participei de cada pedacinho da escola. Quando eu ouvi pela primeira vez, depois de gravado e depois do samba todo ajeitado, eu fiquei muito encantado. Me fez lembrar os sambas de antigamente, os sambas mais empolgados. A gente vai trazer uma alegria muito grande não só para o Águia de Ouro, mas para o Carnaval de São Paulo”, prometeu.

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A tradicionalíssima dupla de intérpretes da escola foi pelo mesmo caminho. Douglinhas Aguiar falou pelos dois: “A gente gostou demais. Eu acho que esse samba resgata a brincadeira do carnaval. É um samba que vai tratar de um assunto que é Amsterdã, uma cidade libertária, uma cidade livre, onde os pensamentos são livres, as pessoas são felizes. Para representar essa cidade, a gente não podia vir com o samba sisudo, para baixo. É um samba muito explosivo e muito alegre”, comentou.

Serginho do Porto complementou com uma analogia repleta de recordações: “É um samba que tem a cara daqueles sambas dos anos 1990, em que você botava o LP ou o CD para tocar, ia embora para a rua, ia para os outros lugares e o samba ficava na sua memória. Esse é o samba do Águia de Ouro para o Carnaval 2026”, finalizou.

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Além do samba-enredo

Se o lançamento da obra que embalará o desfile de 2026 era a cereja do bolo, o evento inteiro teve uma série de atrações pertinentes para o mundo do samba. A apresentação das fantasias também era muito aguardada – e trouxe elogios proferidos na quadra, sobretudo quando as alas em específico eram citadas. Também houve apresentações com segmentos da agremiação e, para encerrar a noite, um show com a banda Casa Nossa.

Mestra! Salgueiro junta parcerias de Rafa Hecht e Marcelo Motta e sonha com a décima estrela brilhando em Rosa Magalhães

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Por Guibsom Romão, Matheus Vinícius, Carolina Freitas e Marcos Marinho

O Salgueiro definiu o samba-enredo que vai embalar seu desfile no encerramento da terça-feira de carnaval em 2026. Com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que ao tinha medo de bruxa, de bacalhau e nеm do pirata da perna-de-pau”, assinado pelo carnavalesco Jorge Silveira e pelo enredista Leonardo Antan, a escola optou pela junção das parcerias de Rafa Hecht e Marcelo Motta. O samba campeão reúne uma verdadeira constelação de compositores: Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico, prometendo emocionar a Marquês de Sapucaí.

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Fotos de Guibsom Romão, Carolina Freitas, Matheus Vinícius e Marcos Marinho/CARNAVALESCO

O compositor Rafa Hecht mal conseguia conter a emoção ao falar sobre a vitória. Para ele, estar na Sapucaí com um samba da própria autoria era um sonho se tornando realidade:

“Eu estou anestesiado. Eu realizei o sonho da minha vida. É o dia mais feliz. Eu não imagino alguém que seja mais feliz do que eu hoje. Ver o Salgueiro desfilando com um samba que eu e minha parceria escrevemos é inexplicável. Eu não tenho nem palavras para te explicar o que eu estou sentindo. Eu acho que, apesar de ser o meu sonho, nenhum sonho nunca vai ser maior do que é melhor para o Salgueiro. Se a escola entende que com a junção o Salgueiro vai ter um grande samba, é junção. Eu já estou gritando ali no palco: ‘O lê lê lê, Ô lá lá’”.

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O compositor Marcelo Motta, veterano da escola, descreveu a emoção de conquistar a décima vitória no Salgueiro, um marco histórico em sua trajetória.

“É o décimo título, a décima estrela. A décima estrela que, se Deus quiser, vem para o nosso Salgueiro. A décima estrela que brilha em Rosa Magalhães. É sempre a mesma emoção da primeira vez. É sempre a maior emoção da minha vida. E dessa vez com amigos. É uma junção feliz e que vai levar o Salgueiro ao título. Com esse são 10 sambas no Salgueiro, felizmente, a décima estrela, uma coincidência feliz. A minha é a décima estrela, meu é o décimo título. E a décima estrela que brilha em Rosa Magalhães é a décima estrela que vai trazer o título do Salgueiro, eu tenho certeza disso”.

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Samir Trindade celebrou a vitória destacando a essência tradicional do samba presente na parceria e a importância de homenagear Rosa Magalhães.

“A emoção é sempre nova. Ganhar em uma escola do tamanho do Salgueiro, com um samba que sou apaixonado, é indescritível. Há anos venho tentando emplacar um samba que resgate a essência antiga, aquela melodia bonita que aprendemos a amar no carnaval. Tenho certeza que o Salgueiro fará um grande desfile com esse samba, cantando Rosa Magalhães, e será uma homenagem àquela geração que viveu o carnaval dos anos 1990”.

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Sobre a junção: “Fiquei feliz porque reconhecemos a força do outro refrão. Nosso samba tinha algumas críticas quanto ao refrão, mas o Salgueiro tomou a decisão certa. A junção trouxe o melhor do nosso samba com o refrão arrebatador da parceria do Marcelo Motta. Vai ser, na minha opinião, um dos top 3 sambas do carnaval”.

O compositor Deco destacou a importância da junção e a força do samba para o desfile: “A emoção de vencer é indescritível, ainda mais ganhando em uma escola grande como o Salgueiro. A junção foi muito bem feita e o samba está bonito. A escola tem tudo para arrebentar com esse enredo, e o samba vai representar muito bem o que a escola precisa para alcançar a décima estrela. O samba já caiu na boca do povo e na Sapucaí será ainda mais potente. Com certeza, será entoado alto e com energia pela torcida”.

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Jonathan Tenório viveu uma estreia memorável como compositor, exaltando a importância de Rosa Magalhães e a emoção da junção: “A sensação é indescritível! Meu primeiro ano como compositor e já ganhar na escola do tamanho do Salgueiro é incrível. Falar sobre Rosa Magalhães é uma emoção imensa. A junção foi maravilhosa, o todo agradou a todos, e vamos bombar na avenida”.

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Presidente André Vaz: ‘O Salgueiro vai vir mais luxuoso’

O presidente do Salgueiro, André Vaz, destacou a qualidade da safra de sambas deste ano e a disputa acirrada até a final. “Desde que recebemos os sambas inscritos, sabíamos que, dos 18, oito estariam disputando tete a tete. Depois ficaram cinco, que eram os favoritos. Então, com certeza, a gente sabia que essa final ia ser aberta, bem disputada”, comentou.

Vaz também adiantou que o desfile de 2026 será marcado pelo luxo. “De todos os anos que estive à frente do Salgueiro, o Salgueiro vai vir mais luxuoso, em termos de fantasias e de carros alegóricos. Será um Carnaval grandioso que o Jorge Silveira desenhou para gente”.

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O dirigente elogiou a parceria com o carnavalesco Jorge Silveira: “É um cara capacitado, que desenha tudo e tem uma equipe muito competente. Confio muito nele e tenho certeza que vai ajudar o Salgueiro a levar esse título tão sonhado”.

Além disso, André confirmou a volta da temporada de ensaios do “Salgueiro Convida”, que estreia em 11 de outubro, recebendo a Portela. Depois, Acadêmicos de Niterói e Império Serrano também participam.

Jorge Silveira: ‘É o maior conjunto de fantasias que já desenhei’

Responsável pelo desenvolvimento do enredo em homenagem à obra de Rosa Magalhães, o carnavalesco Jorge Silveira ressaltou a emoção e a responsabilidade de traduzir a trajetória da artista.

“É o carnaval de maior emoção e de maior compromisso coletivo. O Salgueiro este ano é uma grande plataforma para abraçar o sentimento coletivo sobre a obra da Rosa Magalhães. Estamos lidando com uma memória de grande responsabilidade e tratando isso com muito carinho, pesquisa e compromisso”, afirmou.

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O carnavalesco revelou a grandiosidade do projeto visual: “São 42 figurinos no chão, é roupa para caramba. É o maior conjunto de fantasias que já desenhei na minha vida. Também teremos um conjunto de alegorias imenso, interativas e dinâmicas, com texturas diferentes. A professora vai ficar orgulhosa”.

Leonardo Antan: ‘Um enredo muito rico’

O enredista Leonardo Antan ressaltou a dimensão da pesquisa que fundamenta o desfile, mencionando o novo site da UERJ que disponibiliza mais de 4 mil imagens de acervo da carnavalesca.

“Qualquer pessoa pode acessar mais de 30 anos de desenhos da Rosa. É um material riquíssimo que nos ajudou a pensar o enredo”, explicou.

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Leonardo também valorizou a parceria com Jorge Silveira: “Trabalhamos juntos há quatro carnavais, com uma afinidade muito grande. Nosso processo criativo é coletivo e colaborativo, mas tudo ganha a cara do Jorge, que tem um traço muito forte”.

Sobre a concepção do enredo, resumiu: “Somos apaixonados por Carnaval e nos formamos vendo Rosa Magalhães. Esse é um enredo muito afetivo, com mais de 50 carnavais da Rosa que vamos tentar referenciar e traduzir da melhor forma”.

Wilsinho Alves: ‘O Salgueiro terá alegorias maiores’

Wilsinho Alves, diretor de carnaval, comentou as mudanças propostas pela Liesa na dinâmica dos desfiles, com a retirada de uma cabine de julgamento. “A ideia da cabine espelhada surge porque o desfile de 2025 parou demais. Com uma cabine a menos, a dinâmica melhora e a evolução tende a ficar mais fluida”.

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O diretor também confirmou o crescimento da escola em 2026: “São 3.000 componentes no chão, além de alegorias muito maiores. O Salgueiro cresceu em todos os aspectos”.

Sobre o desfile de 2025, Wilsinho foi enfático: “Foi o mais organizado que eu fiz. Todo mundo saiu da avenida com o sentimento de um grande carnaval, mas os jurados não viram dessa forma. O Salgueiro foi injustiçado”.

Intérprete Igor Sorriso: ‘Hoje é um novo ciclo’

O cantor oficial Igor Sorriso celebrou a escolha do samba como marco de um novo momento. “2025 foi um ano produtivo e importante pra minha trajetória. Infelizmente, não voltamos nas Campeãs, mas fizemos um trabalho legal. Hoje é o novo ciclo, escolher o nosso hino pra retomar os trabalhos do carnaval de 2026. Pode ter certeza que vai ser um ano ainda mais incrível para o Salgueiro”.

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Ele exaltou a parceria musical dentro da escola: “O Alemão é meu irmão, ensina demais e agrega muito. Temos que aproveitar a convivência com pessoas renomadas. Além disso, tenho uma relação de amizade antiga com os mestres da ‘Furiosa’, o que torna tudo mais fácil”.

Alemão do Cavaco: ‘Nosso time só tem craques’

Diretor musical do Salgueiro, Alemão do Cavaco destacou a excelência da equipe. “Desde que cheguei, nosso time de carro de som sempre tirou nota máxima. Eu sou apenas o maestro, mas nosso time só tem craques. A gente se respeita muito, e por isso entregamos não só a nota na avenida, mas também grandes eventos”.

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Ele explicou o processo de trabalho: “Pegamos o samba, criamos a harmonia e valorizamos os arranjos, efeitos e respirações para trazer um canto bonito e garantir a nota. Esse ano tivemos três grandes sambas na disputa, qualquer um deles daria tranquilidade para levar”.

Laboratório para a cabine 360º

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Sidclei e Marcella, fez um balanço positivo de 2025 e projetou expectativas para o próximo carnaval. Ele ressaltou: “Foi maravilhoso! A escola cumpriu tudo o que estava previsto e fez um grande desfile. Infelizmente, ficamos de fora em alguns quesitos, mas 2026 vai ser um ano maravilhoso”.

Marcella complementou: “Toda a proposta coreográfica que ensaiamos foi executada com maestria. Nossa fantasia trouxe materiais diferentes e efeitos inéditos. Mas como somos exigentes, já começamos o trabalho para 2026, focando nas novidades, cabine 360° e tudo mais”.

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Ambos elogiaram o trabalho de Jorge Silveira: “Ele acertou em cheio nosso perfil de fantasia, não precisávamos alterar nada. Foi um presente novamente”, disse Marcella. Sidclei acrescentou: “Jorge conseguiu entrar na nossa essência, no que queremos e gostamos, e está de parabéns não só pelo casal, mas por todos os carros alegóricos e quesitos que ele carrega”.

Sobre a cabine espelhada, o casal explicou: “Estamos fazendo um laboratório, estudando movimentos e coreografias para que a proposta do 360° aconteça de forma tradicional, respeitando a essência do do quesito, atendendo a todos os cantos da Sapucaí”, comentou Marcella.

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Mestres da ‘Furiosa’, Guilherme e Gustavo: ‘Sequência de notas máximas’

Mestre Guilherme celebrou os resultados de 2025: “Graças a Deus conseguimos mais um ano de 40 pontos. Cada ano é sempre uma novidade, um novo samba, novo enredo, novos ritmistas, mas mantemos 90% da bateria do último carnaval. Vamos para mais um ano de nota máxima”.

Mestre Gustavo complementou sobre o desafio do ano: “Trouxemos instrumentação externa, amigos músicos e percussionistas que vieram desfilar conosco. Foi um ano de desafio, mas deu tudo certo”.

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Diretor de Harmonia: ‘Trabalho em sintonia com o carro de som’

Paulo Dimitri, um dos membros da direção de harmonia, elogiou a parceria entre a equipe. “São três cabeças pensando, mas sempre chegamos a um consenso rápido. Parece que um já sabe o pensamento do outro. Vamos para o terceiro ano assim, com muito entrosamento”.

Ele reforçou a preparação antes dos ensaios de rua: “Trabalhamos primeiro dentro da quadra, forçando o canto com a comunidade. Só depois levamos para a rua”.

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Sobre a relação com Alemão do Cavaco, concluiu: “É um grande profissional, muito detalhista. No olhar já nos entendemos. Temos certeza que vamos nos dar bem”.

Como passaram os sambas na final

Parceria de Rafa Hecht: A obra de Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco foi a primeira a se apresentar na final. Marquinhos Art’ Samba e Leonardo Bessa comandaram os microfones principais. O público começou a cantar o samba ainda na passagem de som. O refrão: “Professora volta pra Academia / Traz Pamplona e Arlindo pra celebrar / Não esquece João, é desse terreiro / Revoluciona outra vez, Salgueiro!” levantou o público todas as vezes que foi cantado, mostrando uma potência notável. Quando o samba ficou a cargo da torcida, sem bateria nem cantores, o canto se manteve sólido e de alto nível. O trecho: “Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar? / Naveguei sem sair do meu lugar / Aportei no dia 22 de abril / À sombra de um pau-brasil” sacudiu o público a cada passagem. Foi uma belíssima apresentação, que não se mostrou tímida por ser a primeira da noite. O samba se mostrou pronto e forte candidato a se tornar o hino salgueirense de 2026. Ao fim, a obra recebeu gritos de “É campeão”.

Parceria de Marcelo Motta: O samba de Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico foi conduzido pelos intérpretes Tinga e Pitty de Menezes. A apresentação foi boa, e o refrão:
“O LELÊ! EIS A FLOR DOS AMANHÃS / A DÉCIMA ESTRELA BRILHA EM ROSA MAGALHÃES / ONDE O SAMBA É PRIMAVERA, QUE FLORESCE EM FEVEREIRO / NEM MELHOR, NEM PIOR… SALGUEIRO!” funcionou muito bem, com as bossas da Furiosa, fazendo a quadra inteira levantar. Quando o canto ficou apenas com a torcida, o samba foi bem executado. No entanto, após isso, a recepção da quadra se mostrou mais regular. O desempenho no palco foi excelente, mas, longe do refrão, a quadra, em algumas passadas, não correspondia à altura. A torcida ainda cantou o refrão duas vezes após o encerramento da apresentação. Em suma, foi uma boa apresentação, mas levemente contida.

Parceria de Marcelo Adnet: A lenda Wander Pires foi o intérprete da obra dos compositores Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, André Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva, que se apresentou por último na noite. Com uma letra rica em referências a Rosa Magalhães, a apresentação foi boa. O refrão: “Deixa meu povo festejar / Lembra, sou eu… O seu carnaval / No meu jardim quem te viu primeiro / Ó linda Rosa, foi o Morro do Salgueiro” funcionou com o público, mas ficou atrás em comparação com os dois anteriores. Quando só a torcida cantou, o desempenho foi excelente, assim como o dos concorrentes. Em suma, foi uma boa apresentação, mas não apresentou a consistência de uma obra campeã.

Galeria de fotos: final de samba do Salgueiro para o Carnaval 2026

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Fotos de Guibsom Romão, Carolina Freitas, Matheus Vinícius e Marcos Marinho

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Galeria de fotos da final de samba da Mangueira para o Carnaval 2026

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Mangueira chama o povo daqui e junta o povo de lá para escolher samba da parceria de Pedro Terra para o Carnaval 2026

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Por Allan Duffes, Matheus Morais, Luan Costa e Juliana Henrik

A Estação Primeira de Mangueira definiu na madrugada de sábado para domingo, por volta de 5h20, o seu samba-enredo para o Carnaval 2026. A parceria de Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal, levou a melhor na disputa e será o Hino da agremiação na Marquês de Sapucaí. A Estação Primeira de Mangueira levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2026 o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, que mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país a partir das vivências de Mestre Sacaca. O enredo é assinado pelo carnavalesco da agremiação Sidnei França. E dá início ao triênio do centenário da agremiação. * OUÇA AQUI O SAMBA PARA 2026

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“Temos um samba campeão e um samba grandioso como foi a história de Mestre Sacaca”, avalia Sidnei França, carnavalesco da Estação Primeira de Mangueira. “Nossa samba faz jus à grandiosidade do nosso enredo e de todo esse processo que começou no Amapá e que confirma essa vocação que a Mangueira tem, de contar os Brasis, de trazer à tona as histórias invisibilizadas”.

O compositor Pedro Terra destacou a ligação profunda entre sua trajetória e a Estação Primeira. Emocionado, lembrou que já são nove anos concorrendo na Verde e Rosa, com duas vitórias e cinco finais. Para ele, o samba vencedor carrega o DNA da Mangueira e, ao mesmo tempo, exalta o Amapá e a figura de Mestre Sacaca.

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“A Mangueira é tudo na minha vida, minha inspiração. Quando a gente faz um samba, coloca o coração e o sangue verde. Trouxemos uma galera do Amapá para abraçar a gente, e vamos abraçar o povo do Amapá com a nossa garra. A Mangueira é uma árvore negra, fruto de resistência. Assim como a floresta preservada, ela é história de pé, preserva cultura, identidade e símbolos. Nosso samba une a preservação do Amapá com a identidade da Mangueira”.

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“Foi a minha oitava vitória na Estação Primeira. Na maior escola de samba do planeta. É uma emoção que não tem explicação. Eu vou me doar o máximo. Eu vou fazer de tudo para a Mangueira ser campeã no carnaval, em 2026. Pois nós temos hoje o melhor samba do carnaval”, garantiu o compositor Igor Leal.

Estreante nas disputas da Estação Primeira, Herval Neto não escondeu a emoção de já conquistar sua primeira vitória. Ele ressaltou a simbologia do samba dentro da preparação da escola para os 100 anos que serão celebrados em 2028.

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“É um samba que prepara a Mangueira para o centenário. Quando a gente fala “árvore mulher Mangueira quase centenária”, a emoção vem demais. Que Benedita de Oliveira, mãe da nossa história, continue abençoando todo o povo da Mangueira e o povo do Amapá, que foi tão bem-vindo. Eu amo a Mangueira. É o primeiro samba que eu disputo e eu ganhei, estou muito feliz”.

Aos 74 anos, Paulo Cesar Feital viveu na quadra da Mangueira uma emoção que descreveu como “um presente de Deus”. Experiente compositor de festivais e concursos, ele afirmou que vencer na Verde e Rosa foi comparável à sensação de sua primeira conquista ainda adolescente.

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“Conservar o espírito jovem é essencial. Ganhar na Mangueira me emocionou como se eu tivesse 18 anos. Embora o corpo envelheça, o espírito precisa se manter jovem. Essa emoção, especialmente vindo de uma escola tão tradicional e grandiosa, é gratificante demais”.

Sobre o processo de criação, Feital destacou a força do grupo e o impacto do refrão principal.

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“A composição foi muito fácil porque é um grupo de grandes compositores. Acredito que o refrão “A magia do meu tambor” seja particularmente impactante. A letra é primorosa e não digo isso por mim, mas pelo todo. Tivemos adversários à altura, mas a totalidade do nosso samba é o que mais me inspira e me comove”.

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Dudu Azevedo: ‘Vem uma plástica muito bonita da Mangueira’

O diretor de carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo, fez uma avaliação positiva do trabalho realizado em 2025 e destacou que a base será mantida para o desfile de 2026. Ele ressaltou o planejamento conjunto e a importância da estrutura que a escola conseguiu levar para os ensaios.

“A gente fez um trabalho muito de equipe. Toda segunda-feira, depois do ensaio na Visconde de Niterói, a gente sentava pra bater um papo e acertar. A condição que a presidente deu pra gente ensaiar em uma rua do tamanho da avenida, com recuo no mesmo padrão, trouxe organização que levamos para a Sapucaí. Isso deu muito certo. A continuidade para 2026 é exatamente em cima do que deu certo em 2025. A Mangueira vai desfilar com três mil componentes e cinco alegorias, sendo uma acoplada”.

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Sobre a parte plástica, Dudu ressaltou a felicidade de Sidnei França, carnavalesco da escola: “Vendo o Sidnei feliz, a gente sabe que vem uma plástica muito bonita da Mangueira”.

Dudu também comentou a adaptação às cabines de jurados espelhadas no Sambódromo: “Comissão de frente, casal e demais segmentos estão ensaiando estratégias para os dois lados. O trabalho é justamente esse: preparar para continuar buscando a excelência e a nota máxima”.

Dowglas Diniz: ‘Cantar na Mangueira é o amor da minha vida’

Promovido a cantor oficial solo da Mangueira, Dowglas Diniz falou da emoção ao receber a notícia diretamente da presidente Guanayra Firmino. “Foi repentino, da forma como aconteceu. A presidente me chamou, disse que confiava em mim, que a escola confiava em mim. Fiquei surpreso, mas aceitei com muita felicidade. Estou preparado, tenho estudado e me dedicado muito. Vai ser gratificante honrar tantas pessoas na grande Mangueira”.

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Cria do Morro da Mangueira, Dowglas não esconde a responsabilidade de suceder nomes históricos. “Assumir o microfone por onde passou Jamelão dobra a responsabilidade. Mas, por ser cria daqui, apesar da cobrança, também tenho apoio intenso da comunidade. No fim, é tranquilo, porque cantar na Mangueira é o amor da minha vida”.

Ele também ressaltou a sintonia com os mestres de bateria. “É uma irmandade. Nós fomos formados juntos na Mangueira do Amanhã. Eu vim da bateria, tudo fica mais fácil. Essa troca e consultoria em conjunto é muito grande, e facilita muito nosso trabalho”.

Abordagem inovadora na construção do enredo

Os enredistas da Mangueira, Felipe Tinoco e Sthefanie Paz, exaltaram o amadurecimento do desfile de 2025 e a escolha inovadora do enredo de 2026, que homenageia Mestre Sacaca, figura emblemática do Amapá. “O enredo de 2025 evoluiu em paralelo à compreensão da comunidade. Foi um trabalho de consolidação e comunicação da escola, com destaque para o Manifesto Reabanta, lançado na véspera do carnaval”, disse Tinoco.

Sobre a escolha do tema de 2026, Sthefanie explicou: “Buscávamos um enredo que refletisse a identidade da Mangueira e trouxesse uma nova perspectiva. Sacaca é uma figura afro-indígena do Amapá que incorpora elementos das culturas afro e indígena. Mantivemos a essência da Mangueira, mas introduzimos uma abordagem inovadora”.

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A dupla destacou a troca cultural com o estado do Amapá: “Foi muito enriquecedor. Estivemos lá diversas vezes, e eles também vieram participar dos nossos eventos. Conhecemos familiares e pessoas próximas a Sacaca. Fizemos pesquisa bibliográfica e imersão cultural. Foi uma experiência gratificante”, ressaltou Tinoco.

Sobre a parceria com o carnavalesco Sidnei França, Sthefanie destacou a sintonia da equipe: “É uma relação de sinergia e diálogo constante. Eu, Tinoco e Sidnei estamos sempre alinhados no que precisamos entregar”.

Tinoco completou: “Sidney formou uma dupla apaixonada pela Mangueira, dedicada ao barracão e a cada fase do projeto. Nosso trabalho é movido por profissionalismo e paixão”.

Casal diz: ‘Vocês podem aguardar uma roupa linda, emocionante’

O casal “Furacão”, formando por Matheus e Cintya, fez fez um balanço do último carnaval e destacou o aprendizado que a experiência trouxe para a dupla. “Cada carnaval é um carnaval, cada samba é um samba. O de 2025 foi um grande aprendizado para todos nós, e encerramos esse ciclo com lições importantes”.

“Foi muita dança, muito furacão e, acima de tudo, Mangueira entendendo que a gente fez o melhor. A despontuação não estava na nossa dança, esteve na fantasia, na bandeira. E a gente entender que o nosso trabalho foi entregue, como a maioria, na pontuação, entregue, foi muito bem feito”, avaliou o mestre-sala.

Sobre a fantasia que o casal apresentará em 2026, a porta-bandeira adiantou que será um dos pontos altos do desfile: “Vocês podem aguardar uma roupa linda, emocionante. É uma fantasia que vai encantar a todos, já encantou a mim, ao Matheus e também à nossa presidente Guanayra Firmino. Mas, junto da beleza, vem muito trabalho. Fizemos uma imersão no estado, conhecemos o marabaixo e podem aguardar que terá um pouquinho dessa dança em nossa apresentação. Não vamos exagerar, mas esse toque estará presente tanto na quadra quanto na avenida”.

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O samba escolhido, segundo Cintya, também será um aliado para o casal na Sapucaí: “É um samba que fala do Mestre Sacaca, que empolga, que traz alegria e a energia da Mangueira. Ele também dialoga com o marabaixo, que é um dos pontos fortes desse enredo. Isso nos ajuda muito a transmitir emoção na avenida”.

Cintya também comentou o desafio da nova cabine de jurados espelhada no Sambódromo: “Vai nos tirar da zona de conforto, com certeza. Sempre trabalhamos voltados para um lado, e agora precisamos pensar nos dois. Mas acredito que a cabine dupla veio para mostrar a capacidade de todos os casais, não só o da Mangueira. Podem aguardar uma linda apresentação”.

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“Repertório, acho que é o mais importante para o casal furacão, é ter repertório, independente de cabine espelhada. A gente entende que tem repertório para dançar tanto na espelhada como na normal. O mais importante é que a gente entende que isso não é um desafio. Isso faz parte do nosso repertório, que é o mais importante pra gente. Não vamos ver como um desafio, mas sim como algo a mais para nossa dança. Estamos muito felizes com essa mudança e com o poder de transformar isso em trabalho”, contou Matheus.

Vai ter Marabaixo na bateria da Mangueira

Os mestres de bateria Rodrigo Explosão e Taranta Neto fizeram um balanço positivo da atuação da Mangueira em 2025, apesar dos ajustes que ainda precisam ser feitos para o próximo Carnaval. “O último desfile da Mangueira, pra gente, foi muito satisfatório. Pegamos o samba, que era desacreditado. Conseguimos trabalhar e deixar ele em alta. Graças a Deus, deu tudo certo. Isso é tudo construção junto com trabalho. E, no final de tudo, foi um dos mais ouvidos do Carnaval. Assim, o último Carnaval para a gente foi perfeito. Agora vamos pra 2026”, afirmou Rodrigo. Já Taranta destacou a necessidade de corrigir alguns pontos internos: “Acho que o desfile do ‘Amém’ 25 da Mangueira foi muito bom. Tivemos mais pontos positivos do que negativos, só que os negativos fizeram a gente parar lá atrás, sem voltar nas campeãs. É coisa que a gente precisa acertar dentro de casa. Barracão, quesitos… mas acredito que já estamos nesse caminho de acertos”.

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Pensando no samba escolhido para 2026, ambos confirmam que o trabalho de criação já começou. “A gente estava trabalhando os quatro sambas. Já tínhamos algumas ideias em mente. Agora é continuar ouvindo para a melodia ficar mais natural, entrar no sangue, e terminar de encaixar as bossas no samba, para ser mais um carnaval grande para a Mangueira”, explicou Rodrigo. Taranta complementou: “A única ideia concreta que já tínhamos era o marabaixo, que colocaríamos em qualquer samba que ganhasse. Agora, com o samba escolhido, começamos imediatamente a trabalhar porque já temos a gravação marcada. Nossa vida passa a ser aqui na quadra até o desfile”.

Vitor Art destaca evolução musical e parceria com Digão no carro de som 

O diretor musical da Mangueira, Vitor Art, que divide a função com Digão do Cavaco, avaliou positivamente o trabalho desenvolvido em 2025. Segundo ele, a escola conseguiu implantar ideias antigas e amadurecer processos. “Coisas que imaginávamos há 10 anos, hoje conseguimos executar porque o processo exige tempo. Não é de um carnaval para o outro que se tem evolução. Muitas vezes pensamos, executamos, erramos, ensaiamos, voltamos. Às vezes não fica da maneira que acreditamos, então tiramos, repensamos e buscamos novas possibilidades. Acho que estamos numa crescente, evoluindo para chegar onde realmente queremos”, afirmou.

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Entre os pontos destacados, Vitor ressaltou a convivência com o intérprete Dowglas. Para ele, o entrosamento é fruto de uma relação construída desde os tempos da Mangueira do Amanhã. “De modo geral, é muito fácil e muito bom, porque nos conhecemos há muito tempo. Sabemos nossas qualidades e defeitos, e isso ajuda muito no trabalho. Trabalhar com o Dowglas é ainda mais tranquilo porque acompanhamos a trajetória dele desde a escola mirim. Hoje, tê-lo como voz principal, dividindo com o Marquinhos, foi muito importante nessa transição de responsabilidades. É gratificante ver o crescimento dele desde o início”.

Harmonia em equilíbrio

Integrante da comissão de harmonia, Valber Frutuoso explicou como a equipe divide suas responsabilidades. “Somos sete na comissão, cada um com funções específicas: montagem do roteiro, relação palco-bateria, arregimentação de segmentos. É um trabalho coletivo, com todos envolvidos. A gente faz o trabalho inicial aqui, quinta-feira, com a comunidade aprendendo o samba. Assim, quando vamos para a rua, todos já dominam o canto e os detalhes”.

Valber também falou da relação com o diretor de carnaval: “O Dudu é extremamente competente, organizado e dialoga muito. É um super parceiro, nosso grande coordenador. E a presidente é nossa grande mestra”.

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Por fim, comentou sobre o julgamento do quesito harmonia: “O equilíbrio é fundamental. Não se pode cobrar de quatro mil componentes a mesma precisão vocal exigida do carro de som. O importante é que os julgadores tenham bom senso, equilíbrio e coerência, para que o trabalho da escola seja avaliado da forma mais justa possível”.

Como passaram os sambas na final

Parceria de Alexandre Naval: O primeiro samba a entrar na disputa da grande final foi assinado por Alexandre Naval, Wendel Uchoa, Ronie Machado, Giovani, Marquinho M. Moraes e Ailson Picanço. Logo de cara, a defesa contou com a potência e a experiência de Wantuir, que fez uma apresentação de impacto. Mas, antes mesmo de os intérpretes subirem ao palco, já era possível sentir a força da obra: o público puxou os versos com entusiasmo. A torcida veio preparada. Além da quantidade impressionante de bandeiras, muitos levantaram luzes que simulavam velas, criando um clima especial e diferente. O resultado foi uma recepção calorosa do público que acompanhava a final. Um dos momentos mais marcantes foi a chegada do trecho final: “Canta! No terreiro oração se dança! / No toque de caixa ligeiro / A bandaia se faz entender / Samba! / No Laguinho, rei sentinela / Com os crias da favela / A floresta vai vencer!”. Esses versos abriram caminho para o refrão principal com intensidade, trazendo a sensação de que a obra ganharia ainda mais corpo logo adiante. Durante o período em que apenas o público segurou o canto, o samba não perdeu força nem ritmo, mostrando consistência e firmeza.

Parceria de Pedro Terra: O segundo samba da noite veio da parceria de Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal, com uma interpretação brilhante de Tinga. Cercado de grande expectativa pela trajetória que construiu ao longo da disputa, o samba atraiu todos os olhares na quadra e correspondeu plenamente: foi uma apresentação de nível campeão, com força, emoção e empolgação na medida certa. Em nenhum momento houve queda no rendimento; pelo contrário, a obra cresceu ao longo dos 25 minutos, inclusive no trecho de coro da torcida. O ponto alto ficou por conta do refrão final: “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá / Na Estação Primeira do Amapá”. Essa parte caiu de vez no gosto da galera e foi entoada de forma animada e coesa a cada passada. A sintonia era tanta que foi possível ver diversos segmentos da escola cantando com entusiasmo.

Parceria de Francisco Lino (Amapá): A terceira parceria da noite veio diretamente do Amapá e marcou presença na final. A obra, assinada por Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato e Bruno Costa, chegou acompanhada de uma torcida animada. No entanto, o samba acabou sendo recebido de forma tímida pela quadra, com pouca adesão do público. O ponto de maior destaque ficou por conta do refrão: “Mangueira chamou: ‘Sacaca!’ / Minha voz ecoou na mata! / O meio do mundo é a nossa aldeia / Incorporou! A Amazônia é negra!”, que ganhou mais força e vibração ao longo dos 25 minutos de apresentação. Vale destacar que essa recepção não esteve ligada ao desempenho dos cantores, que fizeram uma apresentação segura e satisfatória.

Parceria de Verônica dos Tambores (Amapá): Assim como a anterior, a última parceria da noite também veio do Amapá. A obra, assinada por Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antônio Neto, Clóvis Junior e Marcelo Zona Sul, conquistou a atenção total do público, que parou para acompanhar e recebeu a apresentação com entusiasmo genuíno, algo que chamou bastante a atenção. Um ponto importante foi a condução firme e vibrante por parte dos intérpretes. A expectativa era alta e, no fim, ficou a sensação de dever cumprido. Apesar de contar com uma torcida reduzida, a apresentação foi excelente e muito animada, com o público da quadra abraçando a obra e contribuindo para o clima. Entre os momentos de destaque, brilhou o refrão do meio: “É de manhã, é de madrugada / É de manhã, é de madrugada / Couro de sucuriju no batuque envolvente / Quilombola da Amazônia jamais se rende!”. Esse trecho sacudiu a quadra e funcionou muito bem em todas as passadas. Mesmo nos momentos em que o canto ficou centrado no público, o rendimento se manteve estável. No balanço geral, foi uma apresentação consistente, que reafirmou o favoritismo da parceria amapaense.

Salgueiro 2026: ouça como ficou o samba-enredo após a junção

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Compositores: Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico

Eu viajei nos rococós da ilusão
Arte que me inspirou
Reencontrei, no mundo de imaginação
Memórias que você criou
Dos livros revi personagens
Barrocas imagens de tantas lembranças
Na mesa, o alto luxo da nobreza
Rei, princesa e a imperatriz
Ao visitar meus sonhos de faz de conta
Me desenhei criança, voltei a ser feliz

Que ti-ti-ti é esse pelo mundo a me levar?
Naveguei sem sair do meu lugar
Aportei no dia 22 de abril
À sombra de um pau-brasil

Assim descobri meu país
Fauna e flora, pelo seu olhar
Os donos da terra brasilis…
Um jegue me fez balançar…
Nas prateleiras do lado de cá do Equador
Devorei a nação
Andar na Ouvidor virou caso de amor
Pro meu coração

Mestra, você me fez amar a festa
E eu virei carnavalesco
Sonhei ser Rosa, te faço enredo
Mestra, você me fez amar a festa
Tantos alunos por aqui
Segue o legado na Sapucaí!

O LELÊ! EIS A FLOR DOS AMANHÃS
A DÉCIMA ESTRELA BRILHA EM ROSA MAGALHÃES
ONDE O SAMBA É PRIMAVERA, QUE FLORESCE EM FEVEREIRO
NEM MELHOR, NEM PIOR… SALGUEIRO!