Figura marcante do carnaval, Tati Minerato é a nova musa da Grande Rio. A influenciadora e modelo será ela irá ser apresentada à comunidade de Caxias no próximo ensaio, na terça-feira por David Brasil. Apaixonada pelo carnaval, ela agora encara o novo desafio na agremiação de Duque de Caxias. “A palavra hoje é Gratidão. Grata ao convite, grata ao respeito que todos tiveram por mim e grata pelo reconhecimento. Estou muito feliz. A Grande Rio é uma escola linda que eu sempre admirei. Sempre assistia as musas e as rainhas. Hoje, estar no time me dá frio na barriga. Apesar de tantos anos no carnaval, parece a primeira vez. Me sinto pronta pra esse desafio. Estou animada pra conhecer a comunidade, as outras musas e é claro nossa rainha Virgínia. Caxias, estou chegandoooo”, avisa.
Tati foi passista pela primeira vez aos 12 anos e, aos 16, se tornou musa da Gaviões. Em seguida assumiu o posto de rainha de bateria, se tornando um dos maiores destaques no Carnaval Paulistano. No Rio, foi rainha de bateria da Porto da Pedra da Porto da Pedra por três anos e no último carnaval foi rainha de bateria da Estácio e musa da Mocidade.
Em 2026, a Grande Rio apresentará um enredo sobre o manguebeat, movimento de contracultura que surgiu no Recife, Pernambuco, em 1991, liderado por Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, misturando ritmos regionais como o maracatu com o rock, hip hop e a música eletrônica.
A Unidos do Jacarezinho promove neste sábado, mais uma edição da sua tradicional feijoada mensal. O evento será especial. A agremiação coroará a sua nova rainha de bateria Karen Lopes. Entre as atrações, a branco e rosa do Jacaré receberá a coirmã,Grande Rio, além de shows completos do Grupo S.E.R – Samba-Enredo de Raiz, do cantor Bill Bem Mais e encerramento de Dudu Nobre. Durante o evento a escola definirá os sambas finalistas do concurso de samba-enredo do carnaval 2026.
A agremiação rosa e branco do Jacaré abre às portas de sua quadra às 14h. A feijoada será servida por apenas R$ 20,00. Quem quiser adquirir mesa no valor promocional de forma antecipada, basta acessar o site Sympla. As mesas com 4 lugares e feijoada inclusa custam R$ 150,00 e também podem ser adquiridas através do WhatsApp da escola 21 98821-3456. O ponto alto da festa é a coroação da rainha de bateria, Karen Lopes.
Apresentadora, empresária, influenciadora digital e musa da Grande Rio, Karen Lopes tem brilhado no mundo do samba, e agora chega para reinar à frente da Bateria Show Mil da Unidos do Jacarezinho, no retorno da escola à Série Ouro, representando com samba no pé e elegância o pavilhão da única rosa e branco do Carnaval carioca. Com o samba correndo nas veias desde a infância, Karen soma nove anos como musa do carnaval do Rio pela Acadêmicos do Grande Rio, onde se destaca por sua beleza, carisma e dedicação. Mais do que um rosto conhecido, ela simboliza uma nova geração de musas: engajada, autêntica e atuante nos bastidores e ensaios. Ao longo desses nove anos, construiu uma relação genuína com o público, misturando glamour com autenticidade. Seu comprometimento com os projetos sociais ligados ao samba e, principalmente, com a valorização da mulher no Carnaval, é parte essencial da sua trajetória.
A Unidos do Jacarezinho abrirá os desfiles da sexta-feira de carnaval, dia 13 de fevereiro, com o enredo “O ar que se respira agora agora inspira novos tempos”, uma homenagem ao compositor, cantor e ator Xande de Pilares, filho da comunidade.
A quadra da escola fica localizada na Avenida Dom Hélder Câmara nº 2233.
O Concurso da Corte Real 2026 segue a todo vapor! Na última sexta-feira, o segundo dia de eliminatórias colocou os segundos grupos para competir. Com oito candidatos a Rei e 23 a Rainha, o evento promoveu uma disputa acirrada, com direito à muitas histórias, vivências e, claro, samba no pé. Entre os postulantes do dia, classificaram-se os candidatos Alexandre Fernandes (11), João Pedro Drummond (10), Jonata dos Santos (12), Márcio Paulo (16) e Rey Jerônimo (13).
Pelo lado das candidatas, as escolhidas foram Ana Carolina Antunes (28), Aninha Paula (33), Caroline Xavier (29), Daniele Alves (38), Dany Oliveira (31), Gabriela Carvalho (42), Ingrid Ferreira (34), Malu Mercês (44), Ruanda Monteiro (23) e Verônica Jacominn (24). Ao lado dos classificados de quinta (9), todos irão disputar as semifinais, que acontecem na próxima sexta-feira (17/10).
Com a apresentação de Wilson Neto, o Rei Momo de 2022, e Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, o evento teve início às 19h, na Cidade do Samba, com entrada gratuita.Assim como no dia anterior, a banca de jurados contou com Cinthia Camillo, dançarina e designer de moda, Quitéria Chagas, rainha de bateria da Império Serrano, além da cantora Dorina e da vice-presidente da Portela, Nilce Fran.
As adições da vez foram George Louzada, diretor artístico e coordenador de ala da Mocidade; Bruno Chateaubriand, jornalista e júri do Estandarte de Ouro, e Selminha Sorriso, grande porta-bandeira da Beija-Flor. Além disso, também fizeram parte da mesa o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o vice-presidente Luís Monsores e o diretor de operações Flávio Teixeira.
“Cada candidato que sobe ao palco mostra o quanto a Corte do Rio é feita de paixão, técnica e entrega. Está sendo um ano muito disputado, e isso só engrandece o concurso e a nossa festa.”, disse Fellows.
Além do concurso, o evento foi dominado por apresentações especiais: os tradicionais ‘Samba da Alvorada’ e ‘Samba da Volta’, queridinhos do público carioca, são sucesso absoluto nos fins de semana do Rio. Ambos aqueceram os ânimos e fizeram a abertura e o encerramento da noite, respectivamente. Junto, o espetáculo ‘Rio Samba Show’ conduziu a maior parte do evento, incluindo as apresentações dos candidatos. Além disso, as gigantes Portela e Mocidade levaram todos ao delírio com seus passistas e sambas históricos, que são eternos na cultura popular.
A segunda noite homenageou outro grande nome da história do carnaval: a carnavalesca Márcia Lage. Aluna da Escola de Belas Artes (EBA), Lage teve passagens históricas por escolas como Mocidade, Salgueiro e Império Serrano. Ao lado de seu marido, Renato Lage, a carioca participou de desfiles lendários, como o tricampeonato da escola de Padre Miguel nos anos 90 (90, 91 e 96), e veio a falecer em janeiro de 2025, enquanto assinava o desfile da mesma agremiação.
Como parte da homenagem, Renato subiu ao palco para celebrar a memória de sua companheira. “É uma feliz surpresa essa homenagem para minha rainha. Tivemos 32 anos de parceria, filhos e muitos trabalhos, e agora, tenho que seguir sozinho, e procuro fazer de tudo para honrá-la”. O carnavalesco lembrou o desfile de 1999 da Mocidade, intitulado “Villa-Lobos e a apoteose brasileira”, que foi assinado pelos dois como forma de celebrar a paixão de Márcia pela música. “Ela era musicista. Tocava o piano que tenho em casa até hoje. E era apaixonada por Villa-Lobos”.
Compositores: Babby do Cavaco, Rafael Gigante, Marcelo Adnet, Hélio Porto, Jefferson Oliveira e André do Posto 7
Intérprete: Zé Paulo
Nêga da Ladeira do Pelô
Tens o som de Salvador
E a magia que fulgura
Revolucionar é seu papel
E a arte do cinzel
Tu carregas na cintura
Junto ao tabuleiro nas manhãs
Há o sonho das irmãs
Que anseiam liberdade
Ecoa toda Nzinga de Matamba
A mandinga e a demanda
Realeza, identidade
Balanço que lembra meu adarrrum
Na armadura de Ogum, memória ancestral
Adorno que guardo no meu ilê
Herança dos Malês… é forja do metal!
Santa luz da rebeldia que moldou o Livramento
Somos joias da princesa, filhas do empoderamento
Penduricalho que te entrego de lembrança
Guarda a fé, o fogo e o talho… resplandece a esperança
Eu peço aos meus orixás
Entrego todo axé
A nêga pode e vai ter o que quiser
Tantas pretas consagradas
Meu espelho com orgulho
A quem renega a mulherada:
Vá dormir com esse barulho!
Balangandãs, berenguendéns
Canta Maricá o que a baiana tem
Pertencimento que reluz no amuleto
Claro, tinha que ser preto!
Compositores: Chacal do Sax, Gustavinho Oliveira, Marquinhos Beija-Flor, Gabriel Simões, Raphael Gravino, Brayan Sá, Valtinho Botafogo, Mateus Pranto, Serginho Aguiar, Naval, Alexandre Reis, Renne Barbosa Leozinho Nunes, Jhonatan Tenório Léo Freire e Gigi da Estiva
Intérpretes: Thiago Brito e Matheus Gaúcho
Nascido e criado nos berços da África
Venci as mazelas, trilhei o caminho.
Essência que luta e resiste
Sou filho valente do “Afrobeat”
Tentaram suprimir a minha voz
A batida é negritude, tem fundamento
Na ginga, dancei Lundu
No Maxixe me requebrei,
Na força do Black onde o negro é rei
Pega a visão, meu irmão
Não venha afrontar, fechar na vacilação
A gente vai bater de frente e o baile vai rolar
Tenha consciência que pobre tem o seu lugar!
Vai, varar a madrugada até o dia amanhecer
O nosso morro tem voz e poder
É dia de graça pra tantos irmãos
Vem botar abaixo a segregação
Nossa arte estampa os muros
Tem charme no viaduto
Ninguém resiste ao nosso som
Minha estrela sempre vai brilhar
Não vou esquecer minha raiz
“Sou mais um Silva”, eu só quero é ser feliz
Paredão já tá formado, quem quiser poder chegar
Todo mundo convidado a “funkear”
150 BPM acelerado
No tamborzão da Ponte, ninguém fica parado
Compositores: Thiago Vaz, Jefinho Rodrigues, W. Correa, Richard Valença, Miguel Dibo e Cabeça do Ajax
Intérprete: Bruno Ribas
QUEM VEM LÁ?
É A UNIDOS DE PADRE MIGUEL
A CHAMA DA IRA TERRENA, QUE EVOCA O SAGRADO DO CÉU
GIRANDO INICIA O TORÉ, HERANÇA DOS MEUS ANCESTRAIS
O PASSO MARCADO, NAS MÃOS MARACÁS
VIRADO NO MEU JUREMÁ
PAJÉ REVELOU A MISSÃO
A MATA É DE CLARA CAMARÃO
KUNHA ETÉ, SOBRENOME RESISTIR
SANGUE URUCUM AS MARGENS DO POTENGI
SENHORA MÃE D’ÁGUA DESPERTA A FINA FLOR
POTI, POTIGUARA EM NOME DO AMOR
QUANDO ECOA O TAMBOR, VIBRA A ALMA DA FLORESTA
NESSE SOLO DE GUERREIROS, O CORPO SE MANIFESTA
FIRMA O PÉ, EMPUNHA A LANÇA, QUE A JUSTIÇA VEM À TONA
A NOSSA ALDEIA AVISA: ESSA TERRA AQUI TEM DONA!
NATIVA, LIDERA MULHERES EM TANTAS BATALHAS
MURALHA INVISÍVEL QUE O TEMPO DESPIU
BRASIL, NA TUA JUREMA QUE HABITA O SACRÁRIO
LEÃO É INVASOR, REI É O POVO ORIGINÁRIO
Ê CABOCLA DA PELE MORENA
TEM DOÇURA, TEM ENCANTO, NO ENTANTO NÃO TEM PENA
DAS ÁGUAS SAGRADAS AOS SERES DE LUZ
ENTREGO O CAMINHO A QUEM ME CONDUZ
É “CLARA” ESSA FORÇA QUE FAZ IR ALÉM
INCORPORADA NO POVO DA VILA VINTÉM
VAI MEU BOI VERMELHO, HONRE A TUA HISTÓRIA
E SEJA A FLECHA VIVA DA MEMÓRIA
QUANTAS VEZES FOR PRECISO, HAVERÁ RENASCIMENTO
PRA QUE A VERDADE NÃO CAIA NO ESQUECIMENTO
Fevereiro ainda está longe no calendário, mas já é possível sentir o clima de Carnaval no ar, graças ao início do Concurso da Corte Real do Carnaval 2026. Na última quinta-feira, os primeiros grupos, com oito candidatos a Rei e 22 a Rainha se apresentaram pela primeira vez, onde cinco postulantes a rei e dez a rainha foram classificados para a semifinal, que acontece no dia 17.
Após um sorteio que definiu a ordem dos 102 candidatos inscritos para a disputa, chegou a hora do momento divisor de águas: as eliminatórias! Divididos em dois grupos cada, os candidatos a Rei e Rainha se apresentam na primeira fase de classificação, que teve início na noite desta quinta-feira, e segue nesta sexta, na Cidade do Samba. Nesta noite, com a presença de Milton Cunha, diretor artístico da Corte, e a apresentação de Wilson Neto, o Rei Momo de 2022, e Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, classificaram-se os candidatos a rei Anderson Matheus (7), Danilo Viera (2), Dferson Mendes (6), Pablo Jales (3) e Lucas Eduardo (8). Pelo lado das candidatas à rainha, classificaram-se Ana Luiza Carneiro (8), Flavia Ribeiro (20), Guilia Pascoal (1), Jéssica Almeida (9), Juliana Reis (17), Lalih Branco (19), Lorrany Motta (3), Luana Fernandes (2), Samara Trindade (13) e Thays Busson (22).
O palco da noite foi a Cidade do Samba, com início às 19h e entrada gratuita. Com a presença de um público engajado na torcida por seus candidatos, os participantes desfilaram todo seu charme, carisma e presença, mostrando muito conhecimento e samba no pé. A banca de jurados contou com nomes de peso, como as dançarinas Cinthia Camillo e Quitéria Chagas, a cantora Dorina, a ex-porta bandeira Babi Cruz e Nilce Fran, coordenadora de ala e vice-presidente da Portela. Compondo a mesa, estiveram presentes o presidente da Riotur Bernardo Fellows, o vice-presidente Luis Monsores e o Diretor de Operações Flávio Teixeira.
“Hoje começa mais uma etapa desta grande celebração do nosso Carnaval. O Concurso da Corte Real é uma das tradições mais bonitas e democráticas da folia carioca, que celebra o carisma, o talento e a alegria do nosso povo. Desejo boa sorte a todos os participantes e que vença quem melhor representar o espírito do Carnaval do Rio.”, disse Fellows.
Além do concurso, o evento também contou com apresentações especiais, começando com o grupo Um Amô, formado por quatro mulheres que unem instrumentos do carnaval à música popular. Depois, a escola de samba Viradouro trouxe toda a sua força e tradição para levantar o público com seus grandes sambas em uma grande mostra de dança. Já o encerramento foi com o Rio Samba Show, espetáculo que celebrou a alegria do carnaval carioca através de sambas clássicos.
Assim como outras as datas desta edição, a primeira noite homenageou um grande nome da história do carnaval: a escritora Lygia Santos, fundamental no movimento de preservação das raízes do samba. Filha do pioneiro Donga, a pesquisadora atuou na Secretaria Municipal de Cultura do Rio, na FUNARJ e no Museu de Imagem e Som. Além disso, teve uma forte contribuição literária para estudos de samba e carnaval, foi membro do júri Estandarte de Ouro e comentarista de desfiles. Santos faleceu em 1 de junho de 2025, aos 91 anos.
O comentarista Milton Cunha emocionou ao falar sobre a proposta das homenagens realizadas em cada dia das eliminatórias da Corte do Carnaval 2026 do Rio de Janeiro, que neste ano ganharam um novo significado. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele explicou que a ideia surgiu após um período marcado por grandes perdas no mundo do samba e que a intenção é transformar a saudade em celebração e reconhecimento da ancestralidade que sustenta a festa.
Segundo Milton, a concepção nasceu de uma reflexão profunda. No ano anterior, ele havia sido responsável pela última noite do evento e, ao ser convidado novamente, propôs um formato que destacasse figuras importantes que já partiram, especialmente mulheres que marcaram a cultura popular.
“Foi um período de muitas perdas, como Preta Gil, Rosa Magalhães, Márcia Lage… Diante disso, propus uma celebração da ancestralidade”, contou.
Ele destacou ainda a importância de resgatar a essência do carnaval, valorizando quem vive e faz a festa de dentro, sem ostentação ou distanciamento da realidade das escolas de samba.
“Antes eu sentia vergonha, porque parecia desconectado do universo do desfile. Agora, com esse novo olhar, sinto orgulho. A Corte é o desfile. Eles nasceram e foram criados nesse contexto. O que importa é a essência, a dedicação e o esforço de quem vem das comunidades”, afirmou.
Milton Cunha com Thuanne Werneck, rainha do Carnaval 2025
A primeira homenageada desta edição, celebrada no dia 9 de novembro, foi Lygia Santos, filha de Donga, compositor de “Pelo Telefone”, música registrada na Biblioteca Nacional em 1916 e amplamente considerada o primeiro samba gravado no Brasil. Lygia se tornou uma sambista marcante nas décadas de 1970 e 1980, fundando o Clube do Samba ao lado de Clara Nunes, Martinho da Vila e João Nogueira. Para Milton, iniciar o ciclo de homenagens com uma mulher negra de tamanha relevância é simbólico.
“Que honra! Começar com uma mulher negra que faleceu aos 90 anos é uma forma de demonstrar que a negritude é intelectual, estudiosa e pesquisadora. Ela era professora, filha de Donga, e trouxe ancestralidade para esse espaço de expressão, o que é muito bonito”, destacou.
Milton também ressaltou o valor educativo e cultural desse novo formato. Para ele, as homenagens vão além da emoção e se tornam um instrumento de aprendizado e consciência.
“Embora a tristeza se faça presente, há também raízes e história. É uma celebração. Utilizar o concurso para abordar a cultura negra africana e compartilhar isso com a juventude é de extrema importância. É como se disséssemos: ‘Seu pai, seu avô, seu bisavô, todos estão aqui celebrando esses sambistas’”, concluiu.
Com emoção e respeito, Milton Cunha transforma a Corte do Carnaval em um palco de memória e reverência, onde o samba reconhece seus mestres e reafirma a força de sua ancestralidade.
Comemorando uma década à frente da “Swing da Leopoldina”, o mestre Lolo vive um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. Após conquistar os 40 ponto, ele foi homenageado pela Liesa com o título de Benemérito. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre fala sobre o orgulho da conquista, os planos para o desfile de 2026 e a sintonia com o intérprete Pitty de Menezes, que, segundo ele, deu uma nova energia à Imperatriz.
O que representou para você receber o título de benemérito da Liesa?
“Para mim, é a maior satisfação. Vindo de escola mirim, da comunidade, ser agraciado com o título de benemérito da Liesa é a realização de um sonho de sambista. Eu nasci lá de baixo e hoje tenho a honra de receber uma das maiores homenagens do carnaval”.
Qual a sua análise sobre a bateria no desfile de 2025?
“Para mim também foi um sonho realizado. Era o nosso décimo desfile, e justamente conquistamos os 40 pontos. Além disso, fomos premiados. Foi só felicidade”.
O enredo deste ano pede alguma batida diferente ou a inclusão de novos instrumentos?
“Não, nada diferente. Vamos usar apenas os instrumentos da bateria, mas faremos algumas variações no samba. Ainda não há nada definido, porque precisamos trabalhar o samba primeiro, especialmente, por ser uma junção”.
Qual será o destaque principal da bateria em 2026?
“A bateria como um todo será o destaque. Vamos trabalhar bem cada naipe para que tudo esteja bem equalizado no desfile”.
Como você recebe os elogios de que a Imperatriz é um sucesso graças à sua parceria com o Pitty?
“Deu um ar jovem para a escola, que era mais séria, e graças a Deus estamos fazendo um trabalho legal. A comunidade abraçou a gente, e eu estou muito feliz”.
O clima na Vila Isabel é de pura empolgação. Desde que o enredo sobre Heitor dos Prazeres foi anunciado, a quadra da escola do bairro de Noel se transformou em ponto de peregrinação para sambistas, torcedores e admiradores do carnaval carioca. À frente do projeto, os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora vivem dias de alegria e emoção com a resposta apaixonada do público. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla refletiu sobre o momento especial que a agremiação atravessa, o reencontro com o enredista Vinícius Natal e o andamento dos trabalhos rumo ao Carnaval 2026.
“Olha, a gente está um pouco impressionado, na verdade. Quem está aqui dentro vê festa, mas quando dá um pulo ali fora a porta da quadra está lotada, todo mundo querendo entrar. Isso é muito importante e muito bonito pra gente. É um movimento em torno de um grande enredo, que fala de Heitor dos Prazeres, do Carnaval de rua, da formação da África Pequena – da África em miniatura, como Heitor chamava. É a história da nossa cidade, do Carnaval carioca, das escolas de samba… e todo mundo quer participar. É um resultado que nos deixa muito felizes, fruto do nosso trabalho diário”, admitiu Gabriel Haddad.
Seu parceiro de criação, Leonardo Bora, reforçou o sentimento de gratidão e orgulho: “É difícil mensurar alegria, mas o Gabriel definiu bem esse sentimento: é muito bonito ver um enredo trabalhado com tanto cuidado, carinho e respeito. Pode parecer algo forçado, mas é justamente o contrário, é caloroso, próximo. Isso gerou uma safra de sambas maravilhosa. Quando tem samba, tem gente, tem alegria, tem vida. Estamos vendo uma final histórica: lotação máxima, todo mundo comentando a beleza do momento da Vila Isabel. Dá até um certo espanto diante de tanta força, mas ficamos muito felizes, porque é sinal de que o pré-carnaval está sendo construído com cuidado e foco. Vamos levar isso até fevereiro”.
Reencontro de parceiros e a força da amizade
Além do enredo vibrante, um dos pontos marcantes deste novo ciclo na Vila Isabel é o reencontro da dupla com Vinícius Natal. Para Bora, o trabalho conjunto tem sido natural e afetuoso.
“É um trabalho muito orgânico, porque o Vini é um grande amigo, um irmão, um parceiro não só de trabalho, mas de vida no Carnaval. Ele foi parte integrante da primeira comissão de Carnaval da qual nós também fizemos parte, em 2013, no Santa Marta. É uma amizade profunda. Então não é apenas o contato com um pesquisador, mas com um amigo. O trabalho acontece de forma natural, horizontal, já que nós três somos apaixonados pelo Carnaval e estudiosos das escolas de samba. Esse reencontro chega em um momento de mudança nas nossas vidas, mas é como se a conversa nunca tivesse sido interrompida. É uma alegria enorme construir essa narrativa com o Vini, que é neto da dona Ivanísia, uma compositora fundamental para a história da Vila Isabel”.
Samba e enredo: um diálogo vivo
Os carnavalescos destacam que a escolha da obra que embalará o desfile influencia diretamente o desenvolvimento do projeto visual. Para Gabriel Haddad, o diálogo entre compositor e carnavalesco é o que dá vida ao enredo.
“Em toda a nossa trajetória como carnavalescos, desde o Santa Marta até agora na Vila, o samba influencia diretamente. Quando o compositor pensa na estrutura narrativa e na melodia, nós já estamos desenvolvendo fantasias, roteiro, alegorias. Quando aparece uma imagem poética forte no samba, levamos para as alegorias e fantasias. É uma troca. Existe a interpretação do compositor e a nossa do enredo, e esse diálogo é fundamental. Se for necessário adaptar algo para se encaixar melhor ao samba campeão, fazemos sem problema”.
Barracão a todo vapor
O trabalho no barracão segue firme. Leonardo Bora garante que a estrutura da Vila Isabel impressiona pela organização e pelo compromisso da equipe.
“Toda mudança exige adaptação, mas encontramos na Vila uma escola extremamente organizada e estruturada, seja na comissão de carnaval, direção de barracão, direção de fantasias ou direção artística. A equipe é muito coesa, o cronograma está sendo cumprido, os protótipos de fantasias estão prontos, as alegorias seguem nas etapas planejadas. O torcedor vila-isabelense pode ter certeza: a escola vem muito competitiva para brigar pelo título”, afirmou.