TIJUCA O LUAR DO MEU SERTÃO
ALUMIA A ESCURIDÃO DO CAUSO QUE EU VOU CONTAR
PELAS VEREDAS LÁ VOU EU EM DEVANEIO
NESSE APERREIO O PAVÃO VAI ME GUIAR
SOU SAMUEL, O FILHO DE MARIINHA
UM CABRA QUE NADA TINHA, SÓ HERDEI UM RELICÁRIO
E A PROMESSA DE REZAR NO SANTUÁRIO
PARTI DE CARIRI, UM DESCRENTE PEREGRINO, SOL A PINO CHÃO RACHADO, NA POEIRA DO DESTINO
SERÁ MIRAGEM OU COISA DO CRAMULHÃO O SERTÃO VIROU O MAR E O MAR VIROU SERTÃO
EU VIM NA SECA, ENCONTRAR MINHA VERDADE
BEBER NA FONTE QUE ME LEVA À CARIDADE
VIXE MARIA, NUNCA TINHA VISTO ISSO
A CIDADE EM REBULIÇO, UM TREMENDO QUIPROCÓ
E QUEM DIRIA POR ASSOMBRO QUE PAREÇA TEM UM SANTO SEM CABEÇA ERA UM FUXICO SÓ
EU VI… UM POVO EM DEVOÇÃO AO PADROEIRO
SEM PARADEIRO NUMA GRUTA ADORMECI,
ERA O JUÍZO DO SANTO CASAMENTEIRO,
ONDE PRECES E DESEJOS EU OUVI
AMEAÇADO DOS CASTIGOS DE ANTÔNIO
FALSO PROFETA FUI FAZENDO MATRIMÔNIO
ARREPENDIDO COM MAINHA NA LEMBRANÇA
SUBI O MONTE E PAGUEI MINHA PROMESSA
PRO PADIM CIÇO E SÃO FRANCISCO EU REZEI
FUI PERDOADO, O POBRE HOMEM PERDOEI
NO AMOR DE ROSÁRIO MEU CALVÁRIO SE DESFEZ
AGORA É A NOSSA VEZ!
RODEIA, RODEIA, RODEIA É HORA DE LUTAR (TIJUCA)
RODEIA, RODEIA, É TEMPO DE SONHAR
VALEI-ME SANTO ANTÔNIO, OLHAI PELO BOREL
NAS PELEJAS DESSA VIDA, SOMOS TODOS SAMUEL
A CORAGEM FAZ VENCER, O MILAGRE HÁ DE CHEGAR
BOTA FÉ NO CORAÇÃO E “A CABEÇA NO LUGAR”
Compositores: Rafa Hecht, Shumacker Rocha Jr, Dudu Seixas e Kaleo Augustus
SE ACHEGUE, MOÇO! TOME TENTO, CABRA MACHO
NESSA TERRA DE MEU DEUS, ATÉ SANTO VIRA CAUSO
(PÉ NA ESTRADA) LÁ VAI ELE NO SERTÃO
É PROMESSA DE MAINHA VIVA NO SEU CORAÇÃO
FEITO PAVÃO MISTERIOSO GANHA O MUNDO
O VENTO LEVA A LEMBRANÇA NA POEIRA
COM A SAUDADE, COMPANHEIRA, SEGUE O RUMO
SE APRUME, VÁ EM BUSCA DAS VEREDAS DA ILUSÃO
E NO RELICÁRIO, TRÊS SANTOS VÃO ALUMIAR
EM CREDO E CRUZ, CLAREIA O BREU
NA VISAGEM, O TINHOSO APARECEU
VADE RETRÔ, DEIXA O CABRA CAMINHAR
A MIRAGEM FAZ MARÉ, EM SEU OLHAR!
“DE LÁ DE LONGE” UMA CIDADE CLAREOU
TINHA SINO, BANDEIROLA, CANTORIA E BURBURINHO
E O POVO, LOGO, APERREADO PERGUNTOU:
-TU PERDEU, FOI A CABEÇA, OH MEU SANTINHO?
TODA NOITE AQUELA GENTE SE “AJUNTAVA”
PRA OUVIR UM ENSINAMENTO QUE O PADROEIRO SOPRAVA
QUEM PEDIU AMOR, GANHOU SEU PAR
E A CONSCIÊNCIA VENCE O DESATINO
NÃO QUIS FAZER CARIDADE, NEM SER CONSELHEIRO
LARGOU DA CABEÇA DE SER MILAGREIRO
SEGUIU ENCONTRO A SEU DESTINO
QUANDO A ÚLTIMA VELA, ENFIM ACENDEU
NO OLHAR DO PASSADO, SE RECONHECEU
NA FLOR DE ROSÁRIO, SENTIU O AMOR
E A ESPERANÇA FLORESCEU!
A TIJUCA VAI CANTAR, A POEIRA VAI SUBIR
RODEIA A MIM, MEU SANTO ANTÔNIO, RODEIA
NA MINHA FÉ, ESCOLHI ACREDITAR
O MILAGRE MORA NA CORAGEM DE SONHAR!
Compositores: Arlindinho Cruz, Fred Camacho, Bruno Dallari, Igor Leal e Diego Nicolau
LÁ NAS ENTRANHAS DO SERTÃO DO MEU CEARÁ
NASCEU A HISTÓRIA DE UM MENINO SONHADOR
AS CICATRIZES QUE A VIDA TEIMOU ME DAR
VIRARAM MARCAS QUE A ALMA NÃO CUROU
SEM SORTE, SEM EIRA NEM BEIRA
ERRANTE, DISTANTE DO QUÊ?
O PEITO VAZIO CALADO NO SOL DE ARDER
PROMESSA E PÉ NA ESTRADA … LALAIÁ LALAIÊ
“VISAGI” NO MEI DO NADA … LALAUÊ LALAIÁ
NESSA PELEJA APERREADO DE SAUDADE
DEI COM OS “ZÓI” EM CARIDADE
NOS FESTEJOS DE ANTÔNIO
ACHEI UM CANTO “BÃO” PRA ESTICAR “OS PÉ”
E ACORDEI COM AS “MUIÉ” ME PEDINDO MATRIMÔNIO
JOANA QUERIA JOSÉ
MAS ZÉ SÓ PENSAVA EM MARIA
MARIA NÃO SABE O QUE QUER
NEM COM QUEM SE CASARIA
FOI TANTO CAUSO DE AMOR QUE APARECEU
NO FIM DAS CONTAS VI QUE O SANTO ERA EU
UM MATUTO AFORTUNADO
PRISIONEIRO DA ILUSÃO
ENTRE O CERTO E O ERRADO
CLAREOU A DECISÃO
TOMEI UM RUMO PRA CUMPRIR UM JURAMENTO
DE PAINHO, O ALENTO, A DIVINA REDENÇÃO
A FORMOSURA DE UMA FLOR
ERA ROSÁRIO O AMOR
QUE VAI COMIGO ATÉ ONDE DEUS QUISER
E CORRE CHÃO A ROMARIA
CHEGA UM PUNHADO DE ALEGRIA
E SÓ NÃO CHEGA SE ACABAR A NOSSA FÉ
Ê RODEIA Ê
AMANSADOR DE BURRO BRABO DO SERTÃO
Ê RODEIA Ê
FAZ ESSE CONTO ENCANTAR MEU PAVILHÃO
(VEM COMIGO VER!)
ÊTA CADÊNCIA ARRETADA
ESCOLA DANADA DO MEU CORAÇÃO TIJUCA
VEM E ME VIRA A CABEÇA
QUE SANTO ANTÔNIO ABENÇOE O PAVÃO
Compositores: Gabriel Machado, Julio Pagé, Hélio Porto, Serginho Motta e Orlando Ambrósio
LAMENTO, SOL À PINO, INQUIETUDE
QUANDO A VIDA SE FAZ RUDE, DEVANEIA O PENSAMENTO
ME EMBALA O COLO DE MÃE MARIINHA
UM XODÓ, HISTÓRIA MINHA, ABRASANDO O SENTIMENTO
PAPEL NO BOLSO, BOCA SECA NO SERTÃO
DE PÉ DESCALÇO, VAI MENINO NESSE CHÃO
CONFUNDIDO PEREGRINO FOI BUSCANDO CARIDADE
NO SEU PEITO, INCERTEZA
VELA ACESA PRA SANTÍSSIMA TRINDADE
RODEIA, RODEIA
VAGUEIA NO “APERREIO” DA ILUSÃO
RODEIA, RODEIA
“CABRA DA PESTE” NUNCA TEME A CRAMULHÃO
MEU SANTO ANTÔNIO PEQUENINO, AUÊ!
AMANSADOR DE BURRO BRABO, AUÊ!
CASAMENTEIRO, ENTRE VOZES E CLAMORES
TRAZ A CURA PARA AS DORES
FAZ O SONHO ACONTECER
ENTRE CHEGANÇAS QUE CAUSARAM REBULIÇO
CONFESSEI A PADIM CIÇO O DESEJO DE MUDAR
PELA GANÂNCIA ME PERDOA SÃO FRANCISCO
POIS NÃO VALE A PENA O RISCO DO MEU POVO “ARRUDIAR”
HOJE O PEREGRINO SAMUEL
DE JOELHOS PEDE AO CÉU
PRA MANTER A CHAMA ACESA
O PERDÃO É LIBERTÁRIO
SEU MILAGRE É ROSÁRIO
PRA QUE O CORAÇÃO AQUEÇA
O AMOR SE ENCONTRA NA FÉ
ONDE A HISTÓRIA TEM PÉ E CABEÇA
DO SANTO VEM A LUZ A NOS GUIAR
JÁ FIZ SINAL DA CRUZ, BENZI MEU CAMINHAR
PRA CUMPRIR NOSSA PROMESSA, REZA QUE A VITÓRIA VEM
E A TIJUCA DIZ AMÉM
MINHA HISTÓRIA É SERTANEJA
BRASILEIRA FEITO TANTAS POR AQUI
TIPO GENTE DO MORRO
QUE PEDE SOCORRO PARA O SANTO ACUDIR
MAIS UM FILHO DE MAINHA
MARIA FEITO TANTAS POR AÍ
EU DESCRENTE DE ORAÇÃO
ME EMBRENHEI POR ESSE CHÃO
NA ESPERANÇA DO SANTO ME ACUDIR
UMA VELA PROS SANTINHOS
UMA CHAMA DE SAUDADE
ATÉ LOGO JUAZEIRO VOU BUSCAR POR CARIDADE
JESUS CRISTO NA POEIRA DA ESTRADA PEDE O PÃO
QUE O TINHOSO AMASSOU
MAS TEM UM SOBRENOME QUE ME TRAZ O MEDO
O HOMEM QUE POR DESPREZO NÃO DEU NOME A CERTIDÃO
CÉU, AREIA, SOL E MAR
SE É MIRAGEM OU HORIZONTE, SERÁ QUE EU VOU CHEGAR?
CÉU AREIA, SOL E MAR
PEÇO A DEUS NÃO ME ABANDONE MESMO SEM ACREDITAR
EU VI AS PORTAS DO PASSADO SE FECHANDO
NUM ZUM-ZUM-ZUM DE TREZE DIAS DE FESTEJO
E ME DEI CONTA NUM CANTINHO DESCANSANDO
TAVA NO QUENGO DE TÔINHO PADROEIRO
OUVI A VOZ DE UM POVO SOFREDOR
A MESMA FÉ QUE UNIU DESTINOS ME ENVERGONHOU
TÃO PEQUENINO EU SUBI A PÉ
AI MEU PADI CIÇO, O MEDO ME ENCONTROU
AO PERDOAR, ME LIBERTEI
CABEÇA E O CORPO SE ABRAÇARAM
REVI ROSÁRIO, MILAGRE QUE ACREDITEI
Ê SANTO ANTÔNIO, EM TEU COLO A ESPERANÇA
QUE É TODA CRIANÇA DO SERTÃO E DO BOREL
SOU TIJUCA, VAI TER SAMBA E LADAINHA
NO TERREIRO OU NA IGREJINHA, LÁ NA RUA SÃO MIGUEL
Compositores: Paulo Cesar Feital, Franco Cava, Zeca do Cavaco, Jorge Mathias e Rafa Cria
PARIDO DO BARRO DO CHÃO NO SERTÃO BRASILEIRO
DO VENTRE DIVINO E OFENDIDO DE MÃE MARINHA
POR LÍNGUAS CRUÉIS E PROFANAS, LÁ DE JUAZEIRO
RESOLVE QUE UM DIA ELE HÁ DE CUMPRIR SUA SINA
CRESCEU, PEGOU NA MÃO O SEU DESTINO,
TORNOU-SE UM POBRE PEREGRINO,
EXAUSTO, SE VÊ ENTRE A FOME, O TRIDENTE E A CRUZ,
E ASSIM, É SAMUEL, ATORMENTADO,
O CÃO SE MOSTRA DISFARÇADO: É SATANÁS EM JESUS!
EM CARIDADE, DISSE O SENHOR, NÃO SE ESQUEÇA,
VÁ SE HOSPEDAR NA CABEÇA, NOS PENSAMENTOS, NOS SONHOS
SIRVA TEU POVO, SAMUEL, SE COMPADEÇA.
CUMPRA, POR DEUS, AS PROMESSAS, DA ORDEM DE SANTO ANTONIO
COM O TEMPO A MULTIDÃO SE ALASTROU,
E O FARSANTE VIROU CASAMENTEIRO
NO TEMPLO CHORANDO LIVROU-SE DO SEU CALVÁRIO
TORNOU-SE CONFESSIONÁRIO DAS DORES, E DOS TORMENTOS
MILAGRE E VIU SEU PAI EM PLENO PRANTO
SAIR DA ESTÁTUA CORPO SANTO, A IMPLORAR O SEU PERDÃO
E AS BEATAS ENTOANDO UM LINDO CANTO
LHE COBRIRAM COM O MANTO DA REDENÇÃO!
SANTO ANTÔNIO NOS DÁI AMOR!
SÃO FRANCISCO ABENÇOAI!
COM A LUZ DE PADIM CIÇO LÁ NO CÉU
SOU A TIJUCA CABEÇA E CORPO DO BOREL
O presidente da Superliga, Luiz Vinícius Macedo, anunciou importantes definições para os desfiles das séries Prata e Bronze na Intendente Magalhães em 2027. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o dirigente detalhou mudanças no cronograma, metas de reestruturação dos grupos e o panorama das negociações de verba para as agremiações. A principal novidade para o próximo ano é a alteração na ordem dos dias de desfile, retornando ao modelo utilizado em 2023. Segundo Macedo, a decisão foi tomada em plenária para atender a demandas internas.
“Os dias foram trocados. Nossos desfiles oficiais serão domingo (Grupo de Avaliação), segunda e terça-feira (Série Bronze), e sexta e sábado das campeãs (Série Prata). Recebemos pedidos dos presidentes da Série Prata para valorizar (o grupo)… a maioria dos presidentes entendeu que isso era o ideal”, citou.
Para garantir a fluidez do evento em via pública e o bem-estar do público, os desfiles começarão às 18h. O presidente da Superliga ressaltou que a medida é necessária por questões logísticas da Intendente Magalhães.
“Eu começo cedo para acabar cedo… a gente está em via pública e tem ali a passagem de ônibus. Queremos que as famílias possam curtir e, começando mais cedo, não prejudicamos ninguém”.
A Superliga mantém o plano de reduzir gradativamente o número de agremiações para os próximos anos, com a meta de diminuir quatro escolas por ano até 2027. O novo regulamento deve ser divulgado em breve. “Isso vai ser debatido em plenária no próximo mês para que a gente possibilite às escolas de falar. Acho que até meado de agosto já vamos estar soltando o regulamento. Todo ano a gente debate… eu não vejo como grandes mudanças, nada muito drástico, mas pode ter alguma alteração e aí todo mundo será informado. No carnaval não tem nada oculto”.
Quanto aos recursos para o Carnaval 2027, a Superliga mantém um diálogo estreito com a Prefeitura do Rio. Macedo confirmou uma reunião agendada com o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD): “Eu sempre vou estar lá para pedir aumento e melhoria para as escolas. Isso é um dever meu”. A situação com o Governo do Estado, no entanto, apresenta desafios devido ao cenário de transição política. “Hoje temos um governador interino que é desembargador… a mudança vai estar muito em cima do carnaval. Estamos conversando e acreditamos que vai ter o aporte, mas pode ser num formato diferente por conta da transição. Nossa briga é sempre por aumentar e trazer melhorias”.
A Unidos da Tijuca iniciou oficialmente a caminhada rumo ao Carnaval 2027 apresentando a sinopse de “A Cabeça do Santo”, enredo inspirado na obra da escritora Socorro Acioli. Por trás da adaptação para a Avenida estão os enredistas Thayssa Menezes e Leandro Thomaz, responsáveis por transformar a narrativa literária em uma história capaz de emocionar compositores, comunidade e público. Embora o livro já fosse conhecido pelos pesquisadores, a aproximação com a obra ganhou força durante o processo de elaboração das propostas apresentadas à direção da escola. Thayssa revelou que a leitura definitiva aconteceu justamente quando o projeto começou a ser desenvolvido para o carnaval.
“Eu já tinha comprado o livro, mas ainda estava na minha fila de leitura. Quando começamos a pensar nas propostas para apresentar à escola, chegou o momento de mergulhar nessa história. A partir daí, começou todo o processo de adaptação, porque uma coisa é a linguagem literária e outra é a linguagem do carnaval”, explicou.
A escolha do enredo abriu caminho para uma imersão que foi além das páginas do livro. Em busca de autenticidade, a equipe realizou uma pesquisa de campo em Caridade, município cearense que inspirou a narrativa criada por Socorro Acioli e onde está localizada a famosa estátua inacabada de Santo Antônio.
A experiência marcou profundamente os pesquisadores. Segundo Leandro Thomaz, o contato direto com os moradores reforçou a certeza de que a escola estava seguindo o caminho correto.
“A cada casa que visitávamos e a cada pessoa com quem conversávamos, tínhamos a confirmação de que estávamos contando uma história que precisava ser contada. Nosso compromisso é representar esse povo com verdade, respeito e carinho, para que eles se reconheçam quando virem o desfile na Marquês de Sapucaí”, afirmou.
Na adaptação desenvolvida pela escola, Samuel, personagem central da obra, deixa de percorrer uma cidade fictícia para caminhar pela própria Caridade. A decisão aproxima ainda mais a narrativa do universo real que inspirou a escritora e fortalece o elo entre literatura, fé e identidade popular.
Os enredistas destacam que o grande desafio agora será ver toda essa atmosfera transformada em samba-enredo. Mais do que referências ao livro ou aos personagens, a expectativa é que as obras concorrentes consigam traduzir os sentimentos despertados pela jornada vivida durante a construção do enredo.
“O que não pode faltar é emoção. A mesma emoção que sentimos lendo o livro, escrevendo a sinopse e visitando Caridade. Essa história tem encantamento, tem fé, tem realismo fantástico e tem humanidade. Acho que tudo isso precisa aparecer nos sambas”, destacou Thayssa.
Entre milagres, encontros, despedidas e redescobertas, a Unidos da Tijuca aposta em uma narrativa que fala sobre esperança, pertencimento e coragem para seguir em frente. Uma história que nasceu na literatura, ganhou vida nas ruas de Caridade e agora se prepara para atravessar a Sapucaí, conduzida pela força da imaginação popular e pela fé de um povo que nunca deixou de acreditar.
A Acadêmicos do Grande Rio fará a Sapucaí atravessar o Atlântico apresentando o enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, que contará a história da comunidade Tabom, fundada por africanos escravizados que, após conquistarem a liberdade, retornaram para o continente africano, mais precisamente para Acra, capital de Gana. O carnavalesco Antônio Gonzaga, que idealizou o projeto, afirma que era um desejo da comunidade um enredo que tratasse de debates da atualidade.
“Eu já tinha alguma pesquisa sobre a comunidade de Tabom, sobre os retornados. Era um desejo da comunidade tratar sobre negritude, sobre pertencimento, sobre africanidade. Reconectar com essas raízes da Grande Rio era um movimento importante, principalmente depois do último resultado. A gente analisou vários caminhos possíveis, mas tanto eu quanto a diretoria da escola entendemos que esse era o melhor caminho para o desfile”, disse o carnavalesco.
Visando manter o compromisso e o respeito com a história que será contada, a agremiação tem realizado viagens ao país de Gana e mantido um diálogo direto com os descendentes e atuais integrantes da comunidade Tabom.
“A gente está conversando com muita gente, principalmente com o pessoal da comunidade de Tabom, que são esses brasileiros retornados, para entender essa mistura dos ritos que partiram daqui do Brasil para lá e se misturaram com algumas festividades, com alguns traços culturais dos povos de Gana. Cria-se uma nova cultura. Entender essas peculiaridades para fazer também um desfile que seja coerente com a verdade”, contou Antônio.
Além da influência afro-brasileira, a cultura em Gana é formada por diferentes povos, permitindo que o carnavalesco tenha diversas referências visuais para explorar e aplicar nas artes plásticas do desfile.
“A gente trabalha com vários povos que formam Gana. Cada um tem seus traços culturais, sua forma de se vestir, sua forma de comer, sua forma de estampar um tecido. Essas referências visuais vão estar muito presentes no decorrer do desfile inteiro. É um enredo que fala sobre uma comunidade em Acra, mas que tem os traços de brasilidade. Contar as influências da cultura brasileira lá permite uma diversidade enorme de figurinos, de estampas e de formas”, afirmou o carnavalesco.
Refletindo as lições que seu primeiro ano assinando o carnaval da escola trouxe, Antônio Gonzaga afirma que manterá o mesmo ritmo de trabalho, mas destaca que haverá uma maior atenção da equipe de produção para garantir o bem-estar dos componentes.
“O empenho e a forma de trabalhar são os mesmos. A gente entende algumas coisas que não deram tão certo no último ciclo. Ano passado, a gente teve o Carnaval com muito calor e, com o peso das fantasias, isso foi uma demanda da escola. É uma escola que é acostumada a vir grande, a vir muito vestida, mas o calor está cada vez maior, então também é preciso dosar isso. Eu acho que, de uma forma geral, o enredo é o que direciona todos os movimentos da escola”, destacou o carnavalesco.
A agremiação quer ir além da disputa técnica, visando conquistar a emoção do público, sobretudo de sua comunidade. O ponto principal do enredo está na forma de pertencimento a um local, de carregá-lo consigo onde quer que se vá, tendo consciência de que ele permanecerá quando se quiser retornar.
“O mais importante, mais importante do que qualquer detalhe da história em si, é captar a emoção do enredo. Entender que é um enredo que fala sobre pátria, sobre terra, sobre pertencimento, sobre sair da sua terra natal, mas continuar carregando-a dentro de você. Transmitir essa emoção do narrador, eu acho que isso garante um excelente samba”, concluiu Antônio.
Na noite deste sábado, a Liga-SP realizou, mais uma vez, a tradicional Festa Julina, reunindo diversas atrações, como apresentações das escolas de samba e outros estilos musicais, entre eles o sertanejo. Novamente, o evento contou com um bom público, principalmente atraído pelo show do renomado Péricles. O espetáculo do cantor de pagode durou quase duas horas, e as pessoas presentes se divertiram bastante. Além disso, a festa contou com apresentações das campeãs dos Grupos de Acesso 1 e 2, Acadêmicos do Tucuruvi e Morro da Casa Verde, além da grande campeã do Carnaval, a Mocidade Alegre. Outra atração que chamou a atenção do público foram as quadrilhas das escolas de samba, divididas em dois momentos. Na primeira parte, apresentaram-se Unidos de Vila Maria, Dragões da Real, Barroca Zona Sul e Estrela do Terceiro Milênio. Após o show de Péricles, foi a vez de Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai e Acadêmicos do Tucuruvi encerrarem as apresentações. O CARNAVALESCO ouviu algumas pessoas que prestigiaram o evento.
Vale destacar também a variedade de comidas típicas, a venda de produtos ligados ao carnaval e o espaço kids. Outro aspecto que chamou a atenção foi a estrutura. A Liga-SP caprichou ainda mais na ambientação, utilizando esculturas de alegorias de escolas de samba que abordaram temas nordestinos para decorar o espaço. Para entrar no evento, o público precisava doar um casaco em bom estado ou 1 kg de alimento não perecível. Diferentemente dos outros anos, a festa teve apenas uma edição, realizada neste sábado. Nas edições anteriores, o evento também acontecia no domingo. O presidente Tomate comentou sobre a decisão.
“Esse ano a gente teve a questão da Copa do Mundo. Além disso, teve a questão da agenda dos artistas também, que estava muito complicada. A gente optou por fazer em um dia, com uma grande atração, que é o Péricles, e também as escolas de samba, sertanejo, forró e quadrilhas. Tem programação para todos os gostos. A gente estendeu um pouco o horário. Começou um pouco mais cedo e vai acabar um pouco mais tarde”, disse o presidente da Liga-SP.
Organização e comida boa
Securitária, de 47 anos, Camila Soares esbanjou felicidade ao falar da comemoração, pois é fã de carteirinha das festas julinas. “É bem bacana. Festa julina, por mim, a gente comemorava todos os finais de semana, porque essa mistura é muito bacana, é muito gostosa. A integração com todo mundo, a gente estar todo mundo junto, integrando, compartilhando, é muito gostoso isso, porque são várias culturas. Os sambas-enredo já falam de várias culturas, então não tem lugar melhor para ter essa diversidade do que a Fábrica do Samba”, declarou.
Securitária, de 47 anos, Camila Soares esbanjou felicidade ao falar da comemoração, pois é fã de carteirinha das festas julinas
Ela, que também faz parte da equipe de Harmonia do Morro da Casa Verde, elogiou a estrutura e a decoração preparadas pela Liga-SP. “Ficou bem interativo mesmo, para tirar fotos. O pessoal que gosta de postar no Instagram vai adorar. Eu achei o tema show, com elementos regionais. O público vai curtir, e as crianças vão amar, porque tem bastante coisinha divertida aqui para elas”, disse.
Camila também elogiou o fim das longas filas que existiam nas edições anteriores e destacou os doces da festa. “Eu comi muito doce, porque eu sou uma formiguinha. Comi doce de leite com chocolate. Estava muito bom, muito gostoso. Esse ano fizeram uns cartõezinhos, que facilitaram muito para a gente comprar as coisas. Eu achei que estava tudo muito gostoso, muito organizado. Diferentemente das outras vezes, quando tinha muita fila, dessa vez foi tudo bem rápido. Você ia lá, pagava rapidinho e já resolvia”, completou.
Diversidade cultural
Questionado sobre a combinação entre samba-enredo e sertanejo, o professor Eziel Duarte, de 30 anos, não vê problemas na união dos estilos, já que, segundo ele, o brasileiro é festivo por natureza. “Acho que combina, sim. A Festa Junina é vivida de formas diferentes em cada região do Brasil. Eu nasci na Região Norte, então lá o carimbó é uma presença muito forte nessa época. Cada lugar adapta a festa à sua cultura, e isso é o mais bonito. O brasileiro gosta de fazer festa, e a Festa Junina representa muito bem essa diversidade”, afirmou.
Questionado sobre a combinação entre samba-enredo e sertanejo, o professor Eziel Duarte, de 30 anos, não vê problemas na união dos estilos
O professor participou das apresentações das quadrilhas, integrando a Unidos de Vila Maria e a Estrela do Terceiro Milênio, e aprovou a experiência. “Eu participei de duas quadrilhas. Na Unidos de Vila Maria, como integrante, e na Estrela do Terceiro Milênio, como narrador. Tivemos ensaios nas quadras para organizar a narrativa da história e toda a coreografia da dança. Foi uma experiência muito legal”, contou.
Eziel foi outro participante que exaltou a estrutura proporcionada pela Liga-SP. “Gostei bastante. A cada ano a festa evolui, e, nesta edição, a cenografia ficou muito bem trabalhada. A equipe de arte da Liga está de parabéns”, ressaltou.
Participação de crianças, jovens e famílias
Vanesa Magalhães, de 39 anos, destacou a proposta de unir as duas culturas que, segundo ela, vêm se perdendo ao longo dos anos. “Estou adorando. Acho essa proposta muito interessante porque mantém viva uma tradição que, infelizmente, está se perdendo em muitos lugares, principalmente nas escolas. Ver essa união entre o universo do Carnaval e a cultura das festas juninas é muito especial. É uma forma de valorizar diferentes manifestações culturais e reunir pessoas de todos os estilos em um mesmo ambiente”, afirmou.
Vanesa Magalhães, de 39 anos, destacou a proposta de unir as duas culturas que, segundo ela, vêm se perdendo ao longo dos anos
A estudante de Educação Física também enalteceu a estrutura e a decoração preparadas pela Liga-SP. “Está tudo muito bonito. A cenografia ficou incrível e dá para perceber o cuidado em cada detalhe. Quem não veio realmente perdeu uma festa muito bonita, bem organizada e preparada para receber o público”, disse.
O acolhimento e a presença de pessoas de todas as idades foram os aspectos que mais chamaram a atenção de Vanesa. “O que mais gostei foi ver tantas famílias reunidas. Tem crianças, jovens, adultos e idosos aproveitando juntos. Além disso, a festa é acessível e acolhedora, o que faz toda a diferença. É um ambiente em que todo mundo consegue participar e se divertir”.
Questionada sobre o que mudaria para a edição do ano que vem, Vanesa afirmou que gostou de tudo, mas gostaria de ver mais escolas participando das quadrilhas. “Sinceramente, achei que a festa está muito completa. A única coisa que eu gostaria de ver é a participação de ainda mais escolas de samba. Acho que isso deixaria o evento ainda mais bonito e representativo”, completou.
Porta de entrada para o carnaval
Ana Clara Dantas, estudante de 18 anos, demonstrou felicidade ao prestigiar a festa.
“Está sendo ótimo! Tudo muito bem organizado, muito bonito, bem legal e gostoso. Também estou achando bacana as atrações da festa. Estou me divertindo hoje”, celebrou.
Ana Clara Dantas, estudante de 18 anos, demonstrou felicidade ao prestigiar a festa
A estudante também elogiou a gastronomia da Liga-SP. “A comida está maravilhosa, bem temperadinha, e a bebida está muito boa, no jeitinho. Estão de parabéns!”, disse.
Perguntada sobre a principal atração da noite, Péricles, momentos antes do show, ela afirmou estar ansiosa para assistir ao cantor de pagode. “Com certeza! Eu amo o Péricles, e minha música favorita dele é ‘Até que Durou’. Estou ansiosa para o show”, declarou.
Vale destacar que eventos como esse também servem como porta de entrada para o carnaval, e é exatamente isso que está acontecendo com a jovem. “Eu estou chegando agora ao carnaval. Não desfilo ainda, é tudo muito novo para mim, mas vou desfilar no Vai-Vai e na Tom Maior”, concluiu.