

Compositores: Dudu Senna, Diego Nicolau, Richard Valença, Renan Diniz, Orlando Ambrósio, Lucas Donato, Lico Monteiro, Marcio de Deus, Jefferson Oliveira, Domenil, Denilson do Rozário e Telmo Motta
Intérprete: Igor Vianna
Ah! Saudade ressoou o meu tambor
Num pedaço de terra consagrado na memória
Ôô eu sou um Griô
Viaja o tempo nos rumores da história
Nesse chão debrucei toda força de um rei
Um ébano elo com a natureza
Mas a traição me tornou o alvo
Escravo de quem era minha certeza
Mar me leva, dor no mar
Sou o par da angústia
Tanto irmão à minha volta
Na revolta da maré
Nego tem que ter fé…
Ê… nego tem que ter fé
Sou eu, a mão que assina a própria sorte
Resistindo a natural pena de morte
Um dia fui escravo da tristeza
Hoje realeza livre do açoite
No samba fiz morada
Refúgio feiticeiro, a tez da noite
Na desfaçatez da madrugada
Guerreiro, Ogã ou Rainha
Juiz, defensor dessa gente
Na luta a vitória é minha
Nos braços não pesam correntes
Ie ie ê alafiá
Ie ie ê alafiá
Meu sangue é a retinta majestade
Eu sou Bangu, o Ilê da liberdade

A Mancha Verde, atual campeã do carnaval paulistano, optou em 2020 por um enredo com forte crítica social. ‘Pai! Perdoai, eles não sabem o que fazem!’ vai traçar um paralelo entre a vida de Cristo e as mazelas sociais que afundam o Brasil em uma crise que parece interminável. Ao site CARNAVALESCO, Jorge Freitas, responsável pelo desenvolvimento do enredo, fala sobre a temática e destaca que basta assistir aos telejornais diariamente para observar o enredo da escola.
“É uma filosofia da escola enredos com cunho social e político. Nosso desfile terá um paralelo da vida de cristo com a sociedade atual. As pessoas mudaram nesses anos todos mas os sentimentos ruins são os mesmos. Toda semana eu acrescento detalhes ao meu enredo vendo os telejornais. Tudo que está acontecendo vai estar no carnaval da Mancha. O amor pode mudar o mundo”, revela.
Organizado, Jorge Freitas se transformou no maior papa-títulos da história recente do carnaval de São Paulo. Contratado para o desfile deste ano, deu à verde e branca seu primeiro campeonato no Especial. O carnavalesco fala sobre o cronograma para o desfile de 2020, quando a Mancha lutará pelo bi.
“Começamos bem mais cedo. Dia 01 de junho apresentamos os nossos pilotos na Crefisa, que pe nossa parceira. Nosso cronograma está sendo seguido e em meados de janeiro estaremos com o carnaval pronto. Todos os setores estão trabalhando muito para que tenhamos um grande espetáculo em 2020”, explica.
Indagado sobre a parceria com a Crefisa, empresa que apoia a agremiação financeiramente, Freitas destaca que as escolas que querem ser competitivas precisam apostar em parcerias para investir em seus desfiles. Ele argumenta que nem sempre o aporte financeiro pode ser simplesmente apontado como gasto.
“Analisa-se muito o total, a quantia final. Há investimentos também ao longo do ano, para que o desfile ocorra bem. Ensaio por exemplo, há um aporte, mas não é gasto, é investimento para você ser mis competitivo. As escolas podem buscar parcerias que vão além da subvenção pública. Criar parcerias e projetos que durem todo o ano”.

Na retomada dos enredos culturais dos anos 1990, a Grande Rio promete um grande desfile misturando a temática afro, religiosa e ao mesmo tempo falando de sua própria terra. Não se pode esquecer que o líder religioso Joãozinho da Gomeia estabeleceu um terreiro em Duque de Caxias valorizando a cultura e as religiões de matriz africana. O samba vencedor para 2020 ficou a cargo dos compositores Derê, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro e Toni Vietnã.
“Achei o enredo maravilhoso pois Joãozinho da Gomeia se tornou filho desse chão por adoção e levou a cultura, o axé para várias pessoas”, disse Robson Moratelli.
A parte mais comemorada pela parceria é a que faz um pedido pelo fim da intolerância religiosa ressaltando a diversidade de crenças presentes no Brasil: “Pelo amor de Deus, pelo amor que há na fé, eu respeito o seu amém, você respeita o meu axé”.
“A parte que mais curtimos foi o refrão principal pois damos um salve para o candomblé e mandamos uma mensagem ao mundo pedindo mais tolerância religiosa, respeito e harmonia entre as religiões respeito com a fé do próximo”, conta Robson Moratelli.
Robson também revelou que os compositores tiveram um cuidado para falar sobre Joãozinho de uma forma mais lírica, não tanto histórica e narrativa.
“O processo de confecção foi da seguinte forma: procuramos contar a história do Joãozinho da Gomeia de uma forma mais poética e não muito descritiva. Também tivemos o cuidado em não colocarmos demasiadamente palavras em yorubá para não dificultar o canto”.

Qualquer indivíduo é capaz de identificar a sonoridade da bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel a léguas de distância. E quem for ouvir a faixa da escola no CD do Grupo Especial de 2020 vai se deparar também com essa inconfundível característica. A escola gravou as bases de ritmo para o CD sob o comando de mestre Dudu, que ao CARNAVALESCO disse ter buscado respeitar a identidade da bateria, valorizando a qualidade do samba escolhido.

“Ficamos muito felizes com esse samba. O CD é para comercialização. A nossa criatividade o público vai conferir na avenida. Tentei criar algumas coisas na nossa faixa, que o samba pedia. Coisas antigas até. Não vejo muita necessidade de implementar muitas coisas, mas as pessoas irão se surpreender ao ouvirem a nossa obra. Botamos a identidade das caixas, para dar a nossa cara. Gravamos em 140 BPM (batidas por minuto)”, afirma.
O intérprete Wander Pires participou da gravação colocando a voz-guia, que serve de referência para os ritmistas tocarem. Caminhando para o seu quarto desfile seguido pela Estrela Guia, enalteceu as figuras de Sandra de Sá, uma das compositoras da obra e da homenageada no Carnaval 2020, Elza Soares.

“Deus me deu mais uma vez a bênção de cantar um samba lindo, composto por uma grande cantora, a Sandra de Sá, em homenagem a outra grande voz de nosso país, a Elza Soares. Conversamos com o maestro sobre o tom, e mantivemos o mesmo da gravação dos compositores. Promete ser um dos sambas que pilota o CD das escolas de samba esse ano. Nossa diretoria nos dá total autoridade e autonomia para conduzir os trabalhos. Esse era o samba que a comunidade queria e foi um enorme acerto a sua escolha”, avaliou Wander.

A faixa da Mocidade recebeu o arranjo feito pelo experiente Alceu Maia, que há 25 anos participa como arranjados do álbum do Grupo Especial. Alceu destacou as nuances musicais do samba independente e revelou já ter feito trabalhos musicais com Elza Soares.

“É uma honra ser o maestro da faixa da Mocidade. Fui arranjador do primeiro disco do Wander Pires, na Polygram. Uma escola de muita tradição, a bateria fantástica. Foi fácil criar coisas pois o samba é muito bom. Eu trabalhei com a Elza várias vezes. Produzi recentemente o DVD da Joice Cândido, com participação da Elza. A cantora todo o Brasil conhece, mas a pessoa é muito especial. Uma homenagem muito merecida”, afirma.

O diretor de carnaval Marquinho Marino acompanhou de perto todas as etapas da gravação e destacou que sua principal preocupação foi não mexer em nada no samba que causasse algum estranhamento em sua divulgação posterior.
“Tentamos fazer a gravação da mesma maneira que o samba se consagrou. A bateria gravou dentro de suas características respeitando as características da obra. Wander Pires deu toda a sua qualidade à essa gravação. Não precisa fazer muita coisa. É respeitar a qualidade do sambando às características do intérprete e da bateria. E trabalhar”.

Em plenária realizada na noite desta segunda-feira, na sede da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, os presidentes das agremiações manifestaram apoio para a escola de samba Independente Tricolor, que teve o seu barracão atingido por um incêndio de grandes proporções na Fábrica do Samba 2, e vão emprestar materiais e bases para a reconstrução do carnaval. Com isso, a Liga-SP informou que a agremiação vai desfilar em 2020.
Segundo a Liga, nos “próximos dias, será feito um novo levantamento sobre os prejuízos causados pelo incêndio, para, assim, definir como será a avaliação da Independente pelos jurados”.
A Independente Tricolor trará para o Anhembi o enredo “Utopia — É Preciso Acreditar”, desenvolvido pelo carnavalesco Fabio Gouveia, e desfilará pelo grupo de Acesso no domingo, 23 de fevereiro de 2020.
A São Clemente deu a vitória em sua disputa de samba para a obra composta pela parceria encabeçada pelo humorista e apresentador Marcelo Adnet. Com um samba bastante irreverente, alegre e crítico, os compositores exaltaram principalmente a liberdade para a realização do trabalho.

Da parceria vencedora, apenas Gustavo Albuquerque e Camilo Jorge já haviam ganhado na escola. Outros estão começando a fazer composições. É o caso do advogado Luiz Franca, que explicou para a reportagem do CARNAVALESCO, durante a gravação do samba no estúdio Companhia dos Técnicos em Copacabana, sobre o processo de produção da obra.
“Foi um trabalho bem cuidadoso mesmo, eu já tinha alguma experiência, porque eu faço música para bloco de carnaval, mas escola de samba em geral não tem um tema tão livre como você tem em bloco. A gente teve o trabalho de tentar mesmo amarrar o tema do Jorge (Silveira, carnavalesco), lemos a sinopse e fomos ao tira dúvida, anotamos e gravamos e tivemos todo cuidado de colocar cada destaque do desfile dele no nosso samba para que o nosso samba contasse a história do desfile dele”.
O samba tem muito do DNA da São Clemente, alegre e para frente, e, acima de tudo, muito brincalhão, os compositores celebraram a parte anterior ao refrão principal que fala “Brasil compartilhou nem viu, sambou, caiu na Fake news”, em uma clara crítica a divulgação de notícias falsas de propósito em muitos casos para acarretar vantagens políticas e eleitorais.
O compositor Gustavo Albuquerque celebrou a liberdade que a escola deu para que fosse trabalhado estes temas.
“Fazer samba pra São Clemente, principalmente, no contexto em que você vê o país, é a alegria de todo o compositor porque a gente pode colocar na letra e na melodia um pouquinho dessa linguagem crítica para de alguma forma comover a sociedade em momento tão difícil para a própria sociedade. A São Clemente da a chance para a gente criar de uma forma livre um enredo que hoje é tão atual”.
A São Clemente vai abrir a noite de desfiles de segunda-feira em 2020.
Ilha dos Morros, Ilha de Jorge, Ilha da Mãe Negra: Filhos Insulanos da Esperança

Nome do enredo: Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas, a sorte está
lançada: salva-se quem puder!
Nome do carnavalesco: Fran Sérgio, Cahê Rodrigues, Larrisa Pereira, Anderson Netto,
Allan Barbosa e Felipe Costa.
Este texto é um ensaio livre de possibilidades da Ilha para o Carnaval 2020, visto
que a agremiação não divulgou seu texto mestre para a próxima edição dos desfiles na
avenida Marquês de Sapucaí.
Por ser um ensaio, a preocupação que me comove é o de analisar a propositura
do enredo por meio das suas condições de produções, a saber: a entrada de Laila nos
quadros da Escola, logo do enredo e a letra do samba que ecoará em seu desfile.
Laila com toda sua força e história de importância no Carnaval carioca, nos
últimos anos, vem empregando esforços para emplacar novidades nos desfiles, algo de
ruptura, que seja sua marca nesta era tecnológica de espetáculo na Marquês de Sapucaí.
Para 2020, Laila inovou propondo que os compositores tivessem liberdade no processo
de composição do samba, e com isso, a agremiação não entregou uma sinopse de enredo
para a comunidade do samba.
A logo de enredo disponibilizada pela Escola alcança uma propositura de texto
misto (linguagem verbal e não verbal), dando voz a uma mulher negra e grávida, tendo
um de seus seios pintados com as cores da Ilha, o que se repete, nos mesmos tons, em
um de seus dos braços e também na barriga. A jovem está em meio a uma janela de um
“barraco” em uma comunidade e ao seu lado estão dois senhores e dois meninos sob um
céu luminoso que serve de fundo para a escritura do nome do enredo. Ao fundo desta
cena está o cenário pobre de uma comunidade com seus casebres. Sob este cenário se
posiciona o nome da Escola em um céu estrelado perante a lua de São Jorge, com ele
representado em seu cavalo.
Com estas informações da logo, como analista do discurso, recebo sopros de
interpretações. A União da Ilha apresenta a negritude como elo central de sua narrativa.
O deslizamento de sentido opera em metáforas. A Ilha se mostra como mulher grávida
de esperança (do título), no aguardo da criança (do título que está gestando), que vai
alimentar (gerenciar/cuidar) e carregar no colo (exibir para todos), com amor o tão
desejado nascer de um campeonato. A favela é o seu lugar de pertencimento. Na Ilha
que se cerca de crianças (o futuro) e de idosos (os griôs), a fé é guardiã e São Jorge é o
seu padroeiro. Se ainda está noite e está tudo triste nas trevas e na escuridão, o samba
explode dizendo que “é hoje, o dia da comunidade, um novo amanhã, num canto de
liberdade”.
E por falar em samba… a obra musical assinada por Márcio André, Márcio
André Filho, Rafael Prates, J. Alves, Daniel e Marinho também confirma que a
agremiação é uma mulher grávida, isso se revela no trecho “senhor, eu sou a ilha e no
meu ventre essa verdade que impera”….e também em “sou mãe, dignidade é meu
destino, rogo em prece meus meninos…”.
O samba-enredo aponta uma agremiação pronta para denunciar em suas
alegorias, fantasias, comissão de frente e em diversos setores a discriminação, a morte
de crianças e jovens moradores das comunidades do Rio de Janeiro, assassinados em
conflitos, vítimas do perigo, vítimas do abandono e vítimas do desalento. Isso fica
nítido no trecho “inocentes culpados, são todos irmãos, esse nó na garganta, vou
desabafar, o chumbo trocado, o lenço na mão nessa terra de Deus dará”.
O enredo da União da Ilha 2020 apresenta-se em duas vertentes, uma mais de
cunho interno, que trabalha a motivação do insulano, grávido de esperança do título, e o
outro de cunho mais social, político, com viés de denúncia em tom de emoção. Ambos
retratam mães negras.
Se a Ilha apresenta uma proposta maternal, a agremiação nos deixou cheios de
orfandade ao não lançar a propositura de um texto mestre. Válido ressaltar que o nome
do enredo da Escola é o maior de sua história, e isso se tornou característica nas
agremiações em que Laila tem desenvolvido suas atividades carnavalescas. Como
linguista sinto que o ótimo nome neste enredo – interpretado como gesto meu -, não
dialoga em sua totalidade com a propositura, dando margem a interpretações múltiplas e
talvez essa tenha sido a estratégia do artista – obra do criador – e isso deve ser
respeitado.
É um Carnaval para se aplaudir porque como diz o samba “será justiça de quem
esperou, o morro desce o asfalto e dessa vez esquece a tristeza”. A Ilha espera justiça
querendo ser campeã do Carnaval e também cantando, clamando para que os humildes,
moradores das comunidades e que pedem com fé (para São Jorge) vençam as agruras
diárias das batalhas urbanas.
Senhor, eu sou Laila e a Ilha também! É hora do show, baterilha! É hora do
show, insulanos!
Autor: Tiago Freitas
Doutorando em Linguística/UFRJ
Doutorando em História da Arte/UERJ
Coordenador Geral/OBCAR
[email protected]
Instagram: observatoriodecarnaval_ufrj

A Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil, a Liesb, anuncia Leandro Augusto como seu o novo diretor de carnaval para o Carnaval 2020 da Intendente Magalhães.
Leandro entrou no carnaval em 2000 a convite do Simões Gama, ex presidente da Unidos de Padre Miguel, sendo vice da agremiação e posteriormente assumindo a presidência da escola. A sua experiência na folia resultou no convite pelo Presidente Clayton Ferreira, da Liesb.
“Agradeço o presidente Clayton pelo convite e confiança. Iremos sentar com a equipe para iniciar o planejamento. A entidade possui grandes profissionais competentes então juntos faremos um belo trabalho”, revelou o novo diretor.
Os desfiles de 2020 da Intendente Magalhães acontecem nos dia 23 de Fevereiro, com o Grupo de Acesso, 24 e 25 com o Grupo Especial.