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Renascer de Jacarepaguá: conheça o samba-enredo para o Carnaval 2020

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Compositores: Cláudio Russo, Moacyr Luz e Diego Nicolau
Intérprete: Leonardo Bessa

Rezadeira, dá licença mãe senhora
Esta dor que sinto agora
Não me deixa outra saída
Dói no peito, a inspiração perdida
Num pedido que implora pelo santo amor à vida
Eu tô pra baixo, mais caído que espinhela
Requenguela sem um facho de razão
Já mandei fechar a porta e a tramela
E pus cancela no meu coração
Pro mau olhado, só um galho de arruda
Peço ajuda à folha de manjericão
Oh minha santa benzedeira me acuda
“Ocê” me cuida e me dá proteção

Aroeira, senhor, aroeira
Sentada à mesa, mãe da brandura
Aroeira, senhor, aroeira
É vela acesa, copo d’água e reza pura

Rogo a ti toda a graça da bondade
Faz surgir anjos da dignidade
Para o combate do espinho com a flor

Oh preta velha, meu Brasil quer tua cura
Pra tirar a amargura deste povo sofredor

Benza Deus, meu caminhar
Joga no mar toda feitiçaria
Sou Renascer de Jacarepaguá
Em nome do pai e da Virgem Maria

‘Samba Didático’: Salgueiro exalta o protagonismo negro

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Por Diogo Sampaio

Ator, escritor, diretor, produtor dançarino, compositor, cantor, palhaço e negro. Nascido no ano de 1870, em Cidade do Pará, nas Minas Gerais, Benjamim de Oliveira já veio ao mundo livre. Filho do capataz da fazenda, que capturava escravos fugidos na mata, e da negra cativa, que servia e fazia companhia aos senhores e senhoras da casa grande. Com apenas doze anos, atraído pelo fascínio e magia do circo, o Moleque Beijo, apelido dado pelo pai, fugiu de casa e partiu em viagem junto a caravana da trupe Sotero.

Tendo seu destino escrito nas estrelas de um céu de lona, Benjamim galgou seu espaço no picadeiro, conquistou plateias e teve seu talento reconhecido. Até o presidente da recém-criada República o aplaudiu. E mesmo com a cara pintada de branco, fez história ao tornar-se o primeiro palhaço negro do Brasil.

O Salgueiro, pioneiro como Benjamim, dono de uma vasta galeria de enredos com protagonismo negro, reafirma suas raízes e traz, para o carnaval de 2020, o Moleque Beijo para a Sapucaí. “O Rei Negro do Picadeiro” é o terceiro trabalho consecutivo do carnavalesco Alex de Souza na Academia do Samba, e terá como trilha-sonora o samba assinado por Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino.

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O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens intitulada “Samba Didático” entrevistou os compositores Fred Camacho e Marcelo Motta, além do diretor cultural Eduardo Pinto, para saber mais sobre os significados e as representações por trás de alguns versos e expressões presentes no samba salgueirense. Confira abaixo, a análise feita pelos entrevistados de alguns versos e trechos do samba:

‘Na corda bamba da vida me criei’

“Com pano de fundo da vida do Benjamim utilizamos a todo momento palavras do cotidiano circense. Nesse momento do samba, falamos da infância dele, vivida sempre em situações de incerteza e esperança, a corda bamba da vida”, explicou o compositor Marcelo Motta.

“O Benjamim de Oliveira é um personagem brasileiro que nasce no período da escravidão. Apesar de já ser livre, é criado naquele contexto e consegue chegar onde ele chegou. Não foi fácil, e ‘na corda bamba da vida me criei’ se refere a essa trajetória de vida do próprio Benjamim”, defendeu Eduardo Pinto.

‘Mas qual o negro não sonhou com liberdade?’

“Na corda bamba da vida, na corda bamba do circo, ele se criou apesar de todas as dificuldades. Mas qual o negro não sonhou com liberdade? Muita gente se identificaria com isso no século passado, ou no século retrasado, com toda essa dificuldade de se aventurar no mundo artístico, que até hoje ainda existe. E o Benjamim foi um desbravador para a negritude nessa área”, pontuou o compositor Fred Camacho.

“Esse verso representa, dentro da história do Benjamim, a vontade por uma liberdade. Não aquela fake que a gente aprendeu nos livros da escola, mas uma liberdade total. E o Benjamim consegue essa liberdade através da arte circense. É possível também fazer um paralelo com os dias atuais: desse negro que, até hoje, não tem seu espaço, não tem o seu protagonismo, principalmente na arte. Então, podemos dizer que esse verso faz uma ponte, entre aquele momento do Benjamim, até o momento atual que a gente vive”, destacou o diretor cultural salgueirense.

‘Mambembe Moleque’

“Os compositores colocam nesse verso o Benjamim ainda criança, adjetivam essa situação com o ‘mambembe’, que é aquele que não gosta de ficar parado, que gosta de estar sempre mudando, sempre viajando, e volta a história do Benjamim: Que sempre pulou de galho em galho, passando de um circo para o outro, até chegar e se estabelecer”, ressaltou Eduardo Pinto.

O compositor Marcelo Motta revelou uma curiosidade: “O ‘moleque’, que finaliza o verso, emenda com o próximo que inicia com ‘Beijo’. Neste caso o verso acaba por ilustrar o apelido de Benjamim, dado por seu pai, de ‘Moleque Beijo’”.

‘Beijo o picadeiro da ilusão’

“O ‘picadeiro da ilusão’ representa o Benjamim cheio de sonhos no circo, olhando para aquele palco e, trabalhando com o imaginário, fazendo em sua cabeça a imagem dele próprio dando os seus saltos para o mundo”, declarou Camacho.

“Além da brincadeira e da junção com o ‘moleque’ do verso anterior, é também uma reverência a essa arte, que vai fazer o Benjamim se tornar uma pessoa conhecida e de talento. É como se ele beijasse realmente o picadeiro, que é esse local onde ele vai se projetar. E a ‘ilusão’ é aquela que o Benjamim tinha de conseguir chegar aonde ele gostaria, mas também a do circo, da coisa feliz, da alegria”, disse Pinto.

‘Fazer sorrir quando a tinta insiste em manchar’

“A lição maior desse nobre palhaço é a de que, mesmo com a alma triste, seu oficio era refletir no sorriso o bem à sua plateia. Mesmo se a lágrima insiste em manchar, ele estar pronto para fazer sorrir”, frisou Motta.

Já seu parceiro de samba, o compositor Fred Camacho, destacou: “O artista quando pisa no palco, ele tem que fazer sorrir, ele tem que emocionar, ele tem que encantar. Seja ele palhaço, cantor ou ator. Então, com esse verso, a gente explica bem isso. Você pode estar em um momento de tristeza, mas quando você sobe no palco, tem de incorporar um personagem, pedir a Deus aquela luz teatral, e trazer a sua verdade enquanto artista, para fazer os outros se emocionarem”.

‘O rosto retinto exposto’

Sobre esse verso, o pesquisador Eduardo Pinto explicou: “O rosto retinto, o rosto negro, exposto depois da tinta manchar, em uma referência ao verso anterior (‘Fazer sorrir quando a tinta insiste em manchar’), que é quando ele se expõe como pessoa. O que tem uma consequência a partir dos outros versos: ‘reflete no espelho/na cara da gente um nariz vermelho/num circo sem lona, sem rumo, sem par’. Quer dizer, ele se vendo no espelho, depois da tinta escorrida, se enxerga como um brasileiro refletido no espelho. E a partir daí, faz-se uma crítica aos problemas atuais: um país onde não temos rumo, nem esperança e que o povo fica em segundo plano”.

O compositor Fred Camacho ainda complementou: “Quando o artista acaba a apresentação, ele vai para o camarim e lá ele tira a maquiagem. No caso do Benjamim de Oliveira, era hora que ele via, frente ao espelho, o rosto negro dele, retinto, exposto. E como diz o verso seguinte, ‘na cara da gente um nariz vermelho’, ou seja, ele vê que é mais um palhaço nesse circo sem lona. Ele é mais um brasileiro que está em meio a turbulências, vindas de todos os lados”.

‘Há esperança entre sinais e trampolins’

“Percebemos que atualmente existem vários pequenos artistas que preferem, através da arte, ganhar a vida nos semáforos das grandes cidades. Seriam Benjamins do mundo atual? Estão lá, entre o triste palco das ruas e a esperança do reconhecimento”, ponderou Marcelo Motta.

“Nesse verso, fazemos uma alusão ao João Bosco, que fez uma música chamada ‘Malabaristas do sinal vermelho’. Toda vez que a gente passa em um sinal de trânsito, um semáforo, é possível ver artistas, malabaristas… E a gente se espelhou nisso: de ver os jovens que já tem aptidão para o circo”, completou Fred Camacho.

‘E a certeza que milhões de Benjamins’

“Esse verso precisa da sequência ‘Estão no palco sob as luzes da ribalta’ para entendermos que cada vez que um artista negro sobe ao palco e ganha as luzes da ribalta, vemos ali o legado de Benjamim”, apontou Motta.

“Nesse verso, nós estamos dizendo que todos esses jovens que tem essa aptidão, esse dom para o circo e a atividade circense, são Benjamins também. São frutos do que ele cultivou e plantou lá atrás”, afirmou Camacho.

‘Salta menino!’

“O ‘salta menino’ eu vejo como o Benjamim dizendo para os jovens, que estão aí aprendendo a arte do circo, que estão na batalha como ele esteve a vida toda: ‘Vai lá, menino! Salta! Corre atrás. Não desiste, como eu não desisti’. É uma forma de incentivo, do Benjamim, com essa juventude que hoje tenta um lugar ao sol”, avaliou Pinto.

“O enredo nos faz perceber que em cada etapa da vida de Benjamim, foi necessário um salto, sempre pra frente, ainda que fugindo de quem o oprimisse. Foram vários saltos. E hoje, o nosso grande artista, do alto de sua majestade, brada em incentivo aos novos Benjamins: Salta, menino!”, relatou Motta.

‘Sorrir é resistir!’

“’Sorrir é resistir’ é uma frase muito falada na sinopse. Ela sintetiza grande parte do enredo. Temos de manter nossos sorrisos, porque eles são demonstração de força também. O sorriso mostra alegria, positividade, mas também que nos mantemos de pé”, argumentou Camacho.

“É uma chamada para os dias atuais, em que a arte está sendo massacrada e perseguida. Então, dentro da arte circense, da arte do palhaço, sorrir é uma forma de resistência. É uma visão contemporânea, uma visão atual, dos tempos que a gente está vivendo”, salientou o diretor cultural do Salgueiro.

“Um grito de resistência em favor do sorriso, que mesmo quando a arte não encontra parceria, um sorriso encorajador pode ser uma eficiente arma contra a opressão e o descaso”, completou Motta.

‘Aqui o negro não sai de cartaz/ Se entregar, jamais!’

“O verso mais emblemático desse samba. Apesar das adversidades que tem a vida, a gente não pode nunca deixar de sonhar, de tentar realizar nossos sonhos. ‘Aqui o negro não saí de cartaz’, é uma frase em que nós, compositores, fomos muito felizes. Trazemos o Salgueiro com uma das suas grandes identidades: a de uma escola que sempre homenageou a negritude. Seja ‘Chico-Rei’, ‘Xica da Silva’, ‘Quilombo dos Palmares’, tanta história e enredo bonito, exaltando o negro, o Salgueiro fez. Esse trecho do samba é uma exaltação a raça negra e uma reafirmação de que o Salgueiro vai falar de negritude sempre”, relatou Fred Camacho.

“O Salgueiro é notoriamente conhecido por dar rosto, voz e significado à grandes personagens negros importantes para a história desse país. Nada mais justo que dizer que na Academia do Samba, eles sempre estarão em cartaz. Podem tentar diminuir a relevância da arte, do negro, mas nós jamais nos curvaremos”, ressaltou Marcelo Motta.

“Em 2020, mais uma vez, fazemos um enredo onde o negro é o protagonista. ‘Se entregar jamais’ é outro brado desse samba para os tempos atuais, mostrando esse lugar que o negro hoje ainda não ocupou, de protagonista nas artes, e que a proposta é de sempre lutar, como Benjamim sempre lutou”, finalizou Eduardo.

Mensagem final do samba

Ainda durante o bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO, os compositores Marcelo Motta e Fred Camacho falaram sobre qual a mensagem que a parceria quis deixar através da obra composta para o Salgueiro em 2020:

“Nosso samba vem exaltar a história e a vida de um verdadeiro herói. O maior pioneiro negro da comédia em nosso país. Celebrando assim, ao mesmo tempo, a importância da cultura, da liberdade e da arte, que precisa ser valorizada, pois ela muda vidas. Assim como a do nosso Benjamim”, afirmou Motta.

Mais sucinto, Camacho respondeu de forma direta: ‘Uma mensagem de otimismo, superação e de resistência”.

Salgueiro 2020

Na busca pelo seu décimo campeonato, o Salgueiro levará para Marquês de Sapucaí o enredo “O Rei Negro do Picadeiro”, do carnavalesco Alex de Souza. A vermelha e branca da Tijuca será a terceira escola a passar pela Avenida, na segunda-feira de carnaval.

Imperatriz contrata cantor Preto Jóia para fazer dupla com Arthur Franco

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preto

Na tarde desta segunda-feira o presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luiz Pacheco Drumond, acertou o retorno de Preto Jóia ao carro de som da verde e branco.

O cantor fará dupla com o intérprete Arthur Franco no desfile de 2020, quando a escola reeditará o samba-enredo “Só dá Lalá”, que deu o bicampeonato gresilense em 1981.

Liesa recebe mais de 300 pedidos de reservas de camarotes e abre comercialização das frisas

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    sambodromo

    A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) recebeu no dia 31 de outubro de 2019 mais de 300 pedidos de reservas de Camarotes para os desfiles do Carnaval Rio 2020 e a relação dos contemplados já está disponível pelo telefone (21) 3190-2100. Quem não foi contemplado no setor desejado ou porventura perdeu a data para enviar seu pedido, poderá contatar a partir do dia 14 de novembro, diretamente com a Central Liesa de Atendimento pelo telefone: (21) 3190-2100.

    FRISAS

    A Liesa receberá, dia 14 de novembro (quinta-feira), os pedidos de reservas de frisas para os desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2020. As apresentações acontecerão no Sambódromo, domingo de Carnaval, 23/02/2020; segunda-feira, 24/02/2020; e no Sábado das Campeãs, 29/02/2020.

    Os interessados deverão encaminhar seus pedidos através do site www.reservaliesa.com.br – O horário de recebimento é de 9h às 13h. O atendimento se dará pela ordem cronológica da chegada dos pedidos (intercalados entre os dois sistemas de recebimento, internet e Fax 21-3032-0099) conforme o Termo de Compromisso assinado com o Ministério Público do Rio de Janeiro, de acordo com o limite de capacidade de cada Setor da Avenida dos Desfiles.

    Quem tiver a reserva confirmada dia 29 de novembro deverá efetuar o pagamento, à vista, nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, na Central LIESA de Atendimento (Rua da Alfândega, nº 25 – lojas B / C), no horário bancário.

    Para o Carnaval de 2020, assim como em 2019, as frisas de quatro lugares do Setor 13, além das filas A e B, também serão disponibilizadas as fileiras C, D, E, F e G. Com isso não haverá mais Cadeiras Individuais no Setor 13.

    ARQUIBANCADAS ESPECIAIS E CADEIRAS INDIVIDUAIS DO SETOR 12

    Venda via CARTÃO DE CRÉDITO – Previsão 2ª quinzena de novembro.

    Venda por TELEFONE/presencial – Previsão 1ª quinzena de fevereiro.

    Beija-Flor assumiu parte de dívida da Mocidade com Louzada, revela carnavalesco

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      jorge joao louzada

      O carnavalesco Alexandre Louzada, hoje na Beija-Flor, revelou em uma mesa de debates promovida pelo Observatório de Carnaval da UFRJ (OBCAR), que a azul e branca nilopolitana assumiu um terço da dívida que a Mocidade tem com ele depois de sua última passagem na agremiação. Em um depoimento duro e sincero, Louzada falou que a maioria das escolas são mal geridas e elogiou sua atual escola nesse aspecto. (Fotos de Amanda Alves)

      “As escolas passaram a existir como empresas. E tem aquelas que são bem ou mal administradas. O Carnaval não está em crise por responsabilidade dos artistas. O projeto administrativo que deu errado. Hoje estou em uma escola que prima pela organização administrativa. Uma agremiação que honra R$ 4 milhões de folha de pagamento independente de patrocínio, subvenção. Quando acertei com a Beija-Flor, Anísio se comprometeu com um terço da dívida que eles têm comigo. A parte do combinado era essa. A torcida da Mocidade é exigente, reclama muito, mas muita gente não sabe o que se passa ali dentro. Eu jamais desisti, pois eu tenho um nome no carnaval”, criticou.

      O ciclo de debates promovido pelo OBCAR recebeu outros carnavalescos que falaram sobre o empreendedorismo na festa mais popular do planeta. João Vítor Araújo, atualmente no Paraíso do Tuiuti, relembrou seus tempos de Rocinha e também deu um forte relato sobre a gestão da escola.

      jorge joao

      “Quando fechei com a Rocinha em 2017, muitas pessoas me falavam que eu não conseguiria, não por mim mas pela situação da escola. Fazer aquele carnaval foi a minha reinvenção, minha transformação. Era um recomeço, recebi pouco. Tinha acabado de fazer a Portela com o Paulo Barros. Tínhamos R$ 1,4 milhão para fazer o carnaval. Eu mesmo tracei um orçamento com a metade desse valor. Isso fez com que eu conseguisse. Na reta final do desfile eu estava sem receber. Terminou o carnaval eu recusei a renovação mesmo com a promessa de pagamento. Eu não sou sozinho, existe uma equipe”, disse.

      trio obcar

      Também convidado a participar do debate, Jorge Silveira da São Clemente usou a sua fala para fazer críticas à Liesa. Na opinião de Jorge, a entidade máxima do carnaval ignora os carnavalescos e os artistas que fazem a festa ficam distantes do poder de decisão.

      “Os carnavalescos têm uma relação muito distanciada das decisões do carnaval. A gente não tem oportunidade de ir na Liesa debater os desfiles. As cabeças que criam o carnaval precisam conversar com aquelas que decidem. E só fomos chamados para debater iluminação. Uma falsa democracia. Fomos apenas comunicados de uma possibilidade. De concreto nada aconteceu”, reclama.

      ‘Eu devo muito a Acadêmicos do Tatuapé’, diz Leci Brandão

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      Conceituada e exemplo de sambista, Leci Brandão não esconde carinho especial com a Acadêmicos do Tatuapé. Durante a gravação do Clipe para o carnaval de 2020, ela fez questão de comparecer e cantou o samba-enredo ao lado do intérprete oficial, Celsinho Mody.

      Momentos antes da gravação, Leci comentou que não teve tempo para decorar o samba todo pelos problemas pessoais que passou recentemente, mas garantiu esforço máximo. Durante o breve discurso da cantora, componentes se emocionaram, revelando a importância e respeito com a cantora.

      Ao site CARNAVALESCO, Leci Brandão comentou sobre a forte ligação com a escola e recordou a época no grupo de acesso.

      “A Tatuapé foi a primeira escola do Brasil a fazer uma homenagem pra mim, minha família desfilou, a Tatuapé na época ainda estava no acesso, e isso foi em 2012. Ela ficou em segundo lugar, trouxemos a escola pro especial e a partir daí foi só alegria”.

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      A artista também revela o carinho que tem com a comunidade.

      “Eu devo muito a Acadêmicos do Tatuapé, desde o presidente até os componentes que me pedem bênção. Sempre digo pra Deus abençoar o Mestre Higor e à toda comunidade, peço benção as baianas e velha-guarda. Eu devo muito a essa gente toda”.

      No dia 26 de julho, a mãe da cantora Leci Brandão faleceu aos 96 anos, vítima de problemas cardiorrespiratórios. A cantora não esconde a dor, em toda trajetória dentro da música sempre destacou sentimento, inclusive em forma de canção, como; “Eu sou a filha da Dona Lecy” e “As coisas que mamãe me ensinou”. Leci demonstra força ao comentar e assegura que mãe continua protegendo.

      “A gente sabe que não é fácil, pouco a pouco nós vamos melhorando, mas a Dona Lecy está lá de cima olhando por nós”.

      A Acadêmicos do Tatuapé traz pra avenida o enredo: “”O ponteio da viola encanta… Sou fruto da terra, raiz desse chão… Canto Atibaia do meu coração”, sobre a cidade de Atibaia”, desenvolvido pelo carnavalesco Wagner Santos. A escola será a quinta a desfilar no Sambódromo do Anhembi na sexta-feira.

      Estudo do enredo: Unidos da Tijuca 2020

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      Tijuca Enredo

      Tijuca, unida pelo sonho de um Rio de sonhos

      Nome do enredo: “Onde moram os sonhos”
      Carnavalescos: Paulo Barros, Helcio Paim e Marcus Paulo

      Para o carnaval de 2020, a Unidos da Tijuca levará para avenida o enredo “Onde moram os sonhos” desenvolvido pela comissão de carnaval composta por Hélcio Paim, Marcus Paulo e Paulo Barros. O desfile marcará o retorno a escola do já consagrado carnavalesco Paulo Barros, após cinco anos longe da agremiação. Tendo como pano de fundo eventos importantes da área de arquitetura e urbanismo e que terá o Rio de Janeiro como sede no ano que vem, como por exemplo o 27° Congresso Mundial de Arquitetura e o Fórum Mundial de Cidades, a escola do morro do Borel terá a missão de representar na avenida uma das mais antigas profissões: o arquiteto.

      A sinopse é assinada pelo próprio Paulo Barros e mais três pesquisadoras da Casa da Ciência da UFRJ, Isabel Azevedo, Ana Paula Trindade e Simone Martins. O texto é muito claro e mostra uma história linear que vem desde as grandiosas construções egípcias, passando pelas cidades e castelos da era feudal, até chegarem aos dias atuais com os prédios inteligentes erguidos no meio do deserto.

      Paulo Barros para 2020 é o grande arquiteto dos sonhos na Marquês. Barros traduz na
      narrativa elementos líricos que emocionam pela simplicidade, apesar da grandiosidade
      do tema. Sonho, aliás, que percorre toda a mística do texto. O sonho da moradia, o
      sonho da paz nas comunidades, o sonho de um lugar mais sustentável para se viver, o
      sonho do ordenamento social.

      Além dos sonhos, a sinopse apresenta também um grande teor crítico. Questões como
      desmatamento, poluição dos rios e mares, enchentes, descarte irregular do lixo, falta de
      planejamento urbano, entre outras questões, estarão presente no desfile de 2020 na
      Tijuca.

      Grosso modo, a construção dessa sinopse está toda embasada na relação do homem com
      o espaço/natureza, ou seja, na necessidade do homem em buscar abrigo para realizar suas atividades e proteção das condições adversas, seja construindo grandes sarcófagos
      para abrigarem os corpos dos faraós, vistos como divindades pelos seus súditos ou
      erguendo muralhas e castelos para proteger-se dos invasores, ou levantando templos e
      igrejas monumentais para cultuarem os seus deuses. Tudo isso compõe o primeiro de
      três pilares que sustentarão o desfile: o passado. Nele podemos enxergar um grandioso
      legado arquitetônico deixado pelas antigas civilizações e que servirão de base para as
      atuais construções.

      O segundo pilar trata do presente. Aqui chegamos nos dias atuais onde crescimento
      desordenado das cidades atrelado a falta de planejamento urbano desemboca num
      grande cenário caótico e com danos talvez irreversíveis para natureza: desmatamento,
      enchentes, falta de saneamento básico, poluição do ar, da terra, das águas. Neste setor,
      os carnavalescos trabalharão o lado crítico do desfile, batendo em teclas atuais e que
      podem gerar boas discussões e reflexões.

      Finalizando o desfile, o terceiro pilar fica por conta do futuro. Intitulado na sinopse
      como “a cidade que pode ser maravilhosa”, nos traz a ideia de uma cidade planejada e
      totalmente sustentável, um contraponto a todo esse caos em que vivemos no presente.
      Nessa cidade, há muito verde, não há trânsitos, nem poluições ou violência, todos têm
      acesso a moradias dignas e confortáveis, sem risco de desabamento e serviços públicos
      de qualidade, ou seja, uma cidade totalmente planejada e arquitetada em comunhão com
      a natureza. Entretanto, para se chegar a esse status é necessário que o homem repense
      suas atitudes e se torne um alicerce fundamental para construir um novo amanhã.

      No que se refere a parte plástica do desfile, penso que é quase um consenso não esperar
      menos que algo grandioso, tendo como referência os grandes desfiles que o
      carnavalesco fez na Unidos da Tijuca nos anos anteriores. Um enredo leve e de fácil
      compreensão pode fazer o sonho da Tijuca acontecer novamente. Tentando dar vida a
      um possível desfecho de desfile, imagino que essa cidade que pode ser maravilhosa e
      sustentável, livre de todas as tensões do presente seja a representação do próprio Morro
      do Borel.

      Paulo Barros e a Tijuca arquitetam um grande sonho carnavalesco. Prestam homenagem
      aos criadores no ramo da construção civil, lamentam a intervenção humana no meio
      ambiente e consagram o Rio como o melhor lugar arquitetado pelas mãos do criador
      maior.

      Por fim, é notável que o sonho da tijuca mora na vontade de ser campeã e que o título
      virá como um novo sol que iluminará todo morro do Borel. Sendo assim, desejo que a
      Unidos da Tijuca “desfile seu canto de amor e luta” e provoque em nós, foliões, um
      movimento de renovação dos sonhos e também um processo que nos conecte ao
      passado de legados arquitetônicos, nos faça analisar o presente a partir dos alertas da
      ação do homem que degrada o meio ambiente e que nos leve a um futuro de
      desenvolvimento sustentável e de igualdade social entre os povos.

      Feliz Sonho, Tijuca!

      Autor: Yuri Alves – E-mail: [email protected]
      Ciências Sociais/UFRJ
      Membro Efetivo/OBCAR/UFRJ
      Leitor orientador: Mauro Cordeiro
      Doutorando em Antropologia e Sociologia/UFRJ e
      Tiago Freitas
      Doutorando em Linguística/UFRJ
      Doutorando em História da Arte/UERJ
      @observatoriodecarnaval_ufrj

      Cante com a Mocidade: samba-enredo para o Carnaval 2020

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      O site CARNAVALESCO segue a série de vídeos ‘Cante com a escola’. A 11ª escola é a Mocidade. A escola apresentará em 2020 o enredo “Elza deusa Soares”.

      Ouça aqui o samba-enredo da Mocidade para 2020

      LEIA MAIS

      Respeitando qualidade da obra, Mocidade grava samba com identidade de sua bateria

      Fotos das fantasias das alas comerciais da Mocidade

      A proposta dessa nova série do site é trazer o samba-enredo com os componentes cantando, sem percussão e cordas, apenas no gogó e palma da mão. É a hora de conhecer a obra da Mocidade (compositores: Sandra de Sá, Igor Vianna, Dr. Márcio, Solano Santos, Renan Diniz, Jefferson Oliveira, Professor Laranjo e Telmo Augusto). Veja no vídeo abaixo.

      Coroada por Babi, nova rainha de bateria da Mocidade enaltece comunidade de Padre Miguel

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      A Mocidade Independente de Padre Miguel festejou na noite deste sábado os seus 64 anos de fundação, completados neste domingo. Para celebrar mais uma primavera a verde e branca, seis vezes campeã do carnaval carioca, promoveu a coroação de Giovana Angélica como nova rainha da bateria Não Existe Mais Quente. A turismóloga, musa da escola até o desfile deste ano, assumiu um dos postos mais cobiçados da folia, substituindo Camila Silva, que reinou à frente dos comandados de mestre Dudu entre 2017 e 2019.

      Giovana foi coroada por Babi Cruz, ex-porta-bandeira da Mocidade e esposa de Arlindo Cruz. A nova rainha estava bastante e emocionada. Ao ser chamada, ela cruzou toda a quadra e passou no meio da bateria, acenando para a comunidade. A rainha falou ao sobre a emoção da coroação.

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      “Ser rainha de bateria da Mocidade é uma honra que poucas mulheres tiveram. A escola que inventou este posto, e tem uma bateria sagrada. Sempre fui Mocidade. Fui criada aqui na região, participei da escola. Estou muito focada em fazer um grande desfile com a minha escola. Quero esse campeonato”, disse.

      Mestre Dudu falou ao site CARNAVALESCO sobre a nova rainha. Comemorando aniversário junto com sua escola de coração, ele celebrou a chegada da musa ao posto máximo à frente da bateria da Mocidade e revelou que estão ensaiando uma surpresa entre ela e a bateria para o desfile.

      “A Giovana é uma querida amiga e merece tudo que está vivendo. Eu conversei com ela hoje mais cedo e falamos sobre a emoção que ele iria sentir. Ela já é da casa e todos os ritmistas gostam muito dela. Nossa bateria tem por DNA essa coisa da inovação. Estamos ensaiando uma surpresa junto com ela, mas estamos guardando esse segredo por enquanto”, desconversou Dudu.

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      Além da coroação da rainha, a Mocidade não deixou a data de seu aniversário passar em branco. No início dos festejos um padre fez a benção da quadra e dos pavilhões da escola. O torcedor independente, Luiz Roberto Velho, que morreu neste sábado foi homenageado com um minuto de silêncio. Um grande bolo foi colocado na quadra e se tornou um ponto de muitas fotos do público. A noitada de samba teve show de abertura do cantor Alex Ribeiro, filho do inesquecível Roberto Ribeiro.

      Galeria de fotos: coroação da rainha de bateria da Mocidade para o Carnaval 2020

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