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Mancha Verde comemora 30 anos, apresenta novo mestre-sala e homenageia Marcelo Silva

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A Mancha Verde completou 30 anos no último sábado e comemorou com sua comunidade em um evento que se tornou histórico não apenas pela data simbólica, mas também por conta de uma importantíssima mudança nos quadros da agremiação. Desde 2014 como mestre-sala da escola, Marcelo Silva despediu-se da comunidade e, literalmente, passou o bastão para Thiago Bispo, que estará à frente do quesito ao lado de Adriana Gomes. Presente em todos os eventos de alta magnitude do samba paulistano, o CARNAVALESCO acompanhou a celebração, que também marcou o primeiro ensaio da Mancha Verde para o Carnaval 2026, quando a agremiação reeditará o enredo “Pelas mãos do mensageiro do axé, a lição de Odu Obará: a humildade”, apresentado originalmente em 2012.

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tomada de decisão

Perguntado sobre quando decidiu deixar de ser mestre-sala, Marcelo abriu o coração: “Eu costumo falar que não foi quando eu tomei a decisão de parar, eu falo que foi quando eu tive coragem. Eu já venho amadurecendo essa ideia desde o pós-Carnaval de 2023, e, em 2024, aconteceu tudo o que aconteceu. Acho que não foi por acaso, foi providencial e eu só não tinha coragem. Quando comecei a pensar em me despedir, senti que era o fechamento de um ciclo, graças a novos ciclos que se abriram na minha vida: em relação ao trabalho, à continuidade dos meus estudos, a novas responsabilidades. Eu teria que aceitar as novas oportunidades da minha vida ou deixar algumas coisas”, comentou.

Antes da decisão, muita reflexão aconteceu: “Pensei em várias situações e na minha história no Carnaval de São Paulo, que eu considero muito bonita. Por tudo isso, eu venho amadurecendo a ideia. Em 2025, voltei a desfilar e desfilei com muito orgulho. Após o Carnaval, conversando com o presidente e com a Adriana, tive coragem de tomar essa decisão. Não foi nada ligado a chateação, cobrança ou pressão, muito pelo contrário. Já são 32 anos de Carnaval, eu não poderia ir para o meu 33º ano sem me dedicar como me dediquei nos 32 anteriores”, disse.

Lembranças

A noite da sexta-feira de Carnaval de 2024 foi marcante por uma série de motivos. Um deles foi a notícia de que Marcelo estava vetado do desfile por ter contraído dengue. Para substituí-lo, Thiago foi destacado e conseguiu a nota máxima no quesito.

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É claro que tal situação foi lembrada por Marcelo ao ser perguntado se a escolha da Mancha Verde por Thiago, então segundo mestre-sala, foi óbvia: “A escolha pelo Thiago foi óbvia não apenas pelo Carnaval de 2024: ela foi óbvia pelo gabarito do Thiago, pelo mestre-sala que ele é. Ele vem crescendo desde lá de trás, quando começou com a gente. Mesmo se não tivesse acontecido o que aconteceu em 2024, se ele não tivesse assumido e trazido as notas, com certeza o óbvio também seria o Thiago. Não tinha por que ser outra pessoa, sendo que a gente tem alguém na casa com condição de assumir o primeiro cargo. Não seria justo da minha parte nem da escola trazer alguém de fora se há uma pessoa preparada”, afirmou.

Marcelo seguiu desenvolvendo o raciocínio: “Eu estou aqui para passar o bastão para o Thiago, e o fato de a escolha ser óbvia tem a ver com eu não saber se aceitaria passar o pavilhão para alguém de fora. Não como desrespeito a quem vem de fora, não é isso. É porque eu sou um mestre-sala de tradição. Em todas as escolas pelas quais passei, recebi um bastão para assumir aquele posto. Uma das histórias mais lindas da minha vida é ter recebido o bastão das mãos do Gabi e da Vivi, o Casal do Milênio do Carnaval de São Paulo. Se fosse alguém de fora, eu daria meu apoio, mas não me sentiria tão bem quanto estou me sentindo hoje, passando o pavilhão para alguém da escola e que, agora, ficou óbvio que tinha que ser ele”, frisou.

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Thiago relembrou como foi ser o primeiro mestre-sala naquele desfile: “Em 2024, a gente foi pego de surpresa. A gente não tinha a mínima ideia de que isso ia acontecer, e não gostaria que acontecesse. Primeiro ponto: a gente sabe que o Marcelo e a Adriana têm uma garantia de nota, uma segurança muito maior. Segundo ponto: a gente teve um dia e meio (e olhe lá) para fazer um trabalho. Eu e a Adriana dançávamos em eventos aqui e ali, mas nunca com essa responsabilidade. Tivemos dificuldades naquele desfile, mas, graças a Deus, conseguimos superar”, relembrou.

“Se a gente pegar aquele mini trabalho de menos de 48 horas para cá, é outra dança. Estamos fazendo um preparo diferenciado, colocando mais energia, trabalhando bastante sincronismo. Demanda mais tempo, até porque a Adriana e o Marcelo tinham um estilo de dança e uma forma própria de pensar. Quando troca a parceria, é uma nova linha de raciocínio. A gente está criando a nossa dança, e espero que seja agradável para todo mundo. Eu, particularmente, estou gostando. É um trabalho novo, muito diferente. Como o Marcelo falou, é uma nova mentalidade. Quando você é segundo mestre-sala, tudo é mais rápido; como primeiro, já é diferente: você tem tempo para elaborar, precisa ter mais qualidade nos movimentos para que tudo saia perfeitamente. Estou adorando e espero que vocês gostem quando verem”, completou.

Concordâncias

Agora com novo mestre-sala, Adriana Gomes, porta-bandeira da Mancha Verde, concordou com o antigo companheiro: “A gente fala muito que está numa escola de samba. E, quando a gente está numa escola de samba, tem aquela comunidade, o ensinamento. Eu acho que sim, era óbvia a escolha pelo Thiago. E faz parte da história de uma escola de samba um passar para o outro e é isso o que está acontecendo. A história que o Thiago construiu dentro da Mancha Verde foi de crescimento e de construção, para chegar até onde ele chegou. Em um Grêmio Recreativo e Cultural, você aprende e ensina; a gente passa e aprende também. Essa troca é o que faz chegar ao resultado final”, destacou.

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O presidente da instituição, Paulo Serdan, foi pelo mesmo caminho: “Foi uma decisão óbvia, sim. Até porque seria desleal, por parte da entidade, se não fosse. O tempo todo que ele se dedicou à escola, quando a gente teve o Marcelo com dengue e ele pulou, se entregou, ensaiou e se dedicou demais. O Thiago tem o mesmo perfil de caráter do Marcelo. Na minha cabeça, sempre foi um pensamento reto de que o Thiago ia ter a vez dele”, comemorou.

Data especial

Além do aniversário da própria escola, Thiago lembrou que o 18 de outubro é especial por outro motivo que também tem a ver com a “Mancha Guerreira”: “Antes de vir para cá, em casa, eu estava pensando sobre toda a minha trajetória. Exatamente hoje eu completo 11 anos de escola: nessa data, fui apresentado como terceiro mestre-sala. E eu sou uma pessoa privilegiada por ter um primeiro casal como o Marcelo e a Adriana, prestando todo o apoio, suporte, carinho e dicas que a gente vem recebendo durante anos. Você vai aprendendo um pouco a cada dia. Receber esse bastão do Marcelo, para mim, é muito gratificante. É uma forma de coroar tudo que a gente vem trabalhando desde os quatro anos de idade. Saber que uma pessoa tão gabaritada e multicampeã tem esse carinho, esse gesto, é essencial. Fico extremamente feliz”, declarou.

Mentalidade

Outro tema recorrente nas entrevistas realizadas pela reportagem foi o quanto assumir o posto de primeiro mestre-sala exige psicologicamente de um componente. Marcelo explicou:

“Quando a gente passa de segundo para primeiro casal, muita coisa muda. Tenho certeza de que ele já deve ter percebido isso. Até o psicológico muda! E ele é uma pessoa que tem condição para essa mudança. A condição de mestre-sala ele tem, sempre teve, independente de 2024. O óbvio está aí: é o Thiago. E não foi apenas uma decisão, foi também uma conversa com o presidente e com a Adriana e todos achavam isso óbvio”, disse.

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Em outro momento, o antigo mestre-sala voltou a citar a parte mental como importante: “Ele tem a história bonita dele como mestre-sala e vai continuar com uma nova responsabilidade. Como eu disse, a cabeça fica completamente diferente, mas tenho certeza de que ele será e já é um grande mestre-sala. Agora, ele vai se consolidar como o grande mestre-sala que já é”, afirmou.

Adriana também destacou que, para ela, o novo companheiro exige adaptações: “Não é porque eu tenho mais experiência que vai ser do meu jeito. Um casal é uma construção, que tem que ser feliz para todo mundo. Se dançar sem estar feliz, não adianta, não tem dança bonita. Eu não sou automática, eu sou emoção. A dança tem todos os balizamentos, mas eu preciso ter emoção. Tenho que prestar atenção nisso: trazer essa mentalidade para ele, fazer com que entenda que, agora, ele é o centro das atenções. Eu assumi o primeiro pavilhão na minha vida há 23 anos, em 2003. Nesse processo, a gente tem que entender qual é o nosso lugar, o nosso caminho e a nossa posição. Eu tenho que ser a que abraça, que acolhe, que dá o caminho. Mas esse caminho eu tenho que construir junto com ele, senão, não faz sentido”, frisou.

Aos mestres, com carinho

Thiago fez questão de exaltar as qualidades do, agora, antigo primeiro casal da Mancha Verde, a começar por Marcelo: “Em 2024, antes de a gente entrar na pista, eu conversei com o Marcelo e peguei todas as dicas possíveis, todas as informações. A gente precisa entender nossa necessidade e aprender com quem tem conhecimento. Eu faço questão de estar com o Marcelo: mesmo ele não desfilando como mestre-sala, queremos ele próximo, é importante isso”, destacou.

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Depois, foi a vez de Adriana: “A Adriana é uma porta-bandeira que eu conheço desde que me conheço como mestre-sala. E eu vou falar: ela me pegou no colo! Eu fico muito contente porque, além de ser uma das maiores porta-bandeiras do Carnaval de São Paulo  e a história dela é inacreditável, ela também é uma amiga, uma pessoa que sempre esteve comigo. Mesmo em outras entidades, antes de chegar à Mancha, ela sempre esteve próxima, sempre frequentou minha casa, sempre teve muito carinho comigo e com a minha família. Fica difícil falar sobre a Adriana”, disse.

E, para encerrar, palavras que valem para ambos: “A única coisa que quero é agradecer a eles. O pessoal fala da elegância do Marcelo e ele é assim 24 horas. É uma pessoa sensacional, sempre teve um carinho incrível comigo. A gente sempre teve um quadro muito unido e conectado. E a Adriana é uma guerreira, aquela pessoa que a gente sabe: ela entra na pista e o mundo para para vê-la. Eu só tenho a agradecer”, comentou.

Outras questões

Adriana refletiu sobre a experiência e sobre tantos nomes históricos que passaram pelo segmento no carnaval paulistano: “Tem que ensaiar sempre! Mas, como ele falou, é uma diferença de estilos. São 28 anos que eu estou dançando e vi várias gerações. Peguei Dona Gilsa, Vivi, Gabi, Nenê, Sônia, Simone, Maria Inês… a cada hora eu vou construindo uma nova história que se alinha muito bem com a anterior. A gente está com quase quatro meses de ensaio e quatro quilos a menos. Está um processo muito coeso, com uma troca muito boa”, disse.

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Por fim, Paulo Serdan revelou que, embora contasse com toda a confiança da presidência, a sucessão no cargo de mestre-sala nunca foi uma questão na Mancha Verde: “Até o anúncio do Marcelo, a gente nunca tinha conversado sobre o Thiago ser o primeiro mestre-sala. Nunca. E eu também nunca prometi nada para ele, até porque a gente tinha o Marcelo e a Adriana. Ele é muito correto. Estamos muito bem servidos, porque, além da dança, temos que preservar o que há de mais importante aqui: os seres humanos. Eu tinha certeza de que um dia seria ele e o dia dele chegou”, finalizou.

Noite estrelada

Intitulada internamente como “Bailar das Estrelas”, a noite teve direito a Parabéns a Você cantado em plena quadra por Fredy Vianna, intérprete da Mancha Verde, e bolo oferecido às crianças da comunidade. Antes das homenagens a Marcelo, a escola realizou o primeiro ensaio rumo ao desfile de 2026, com excelente resposta do público a um samba-enredo eternizado na história não apenas da agremiação, como também do carnaval paulistano, considerado por muitos o melhor da história da escola.

A homenagem a Marcelo também teve espaço para lembrar Mirian Acedo, antiga segunda porta-bandeira da agremiação e companheira de Thiago, vítima de um câncer no cérebro em 2024. Antes da roda de pavilhões com representantes de várias agremiações do Carnaval paulistano, o mestre-sala que se despediu da função bailou com porta-bandeiras de Unidos de São Lucas, Pérola Negra, Camisa Verde e Branco e Barroca Zona Sul, pavilhões que defendeu ao longo da carreira. Tudo isso sob o olhar de grandes nomes da história do samba paulistano, como o Casal Soberano (Gabi e Vivi), Raimundo Mercadoria e Ednei Mariano.

Após a passagem do bastão, evento tradicionalíssimo resgatado pela Mancha Verde para marcar a mudança de casal de mestre-sala e porta-bandeira, Paulo Serdan presenteou Marcelo com um pavilhão da escola e chamou Marcos Aurélio e Wender Luciano, coreógrafos da comissão de frente, para anunciar uma surpresa: a partir daquela data, Marcelo passaria a integrar o grupo responsável pelo segmento algo que ele já havia manifestado disposição para assumir.

Novo pavilhão

Para encerrar os marcantes 30 anos da Mancha Verde, Paulo Serdan anunciou oficialmente a mudança no pavilhão da escola: agora, a agremiação terá também duas estrelas alusivas aos títulos do antigo Grupo de Escolas de Samba Desportivas. Elas serão prateadas e ficarão centralizadas entre as vermelhas — que representam os dois títulos do Grupo Especial.

Corte Real 2026: definidos os finalistas que disputarão um lugar na realeza do Carnaval Carioca de 2026

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Está chegando a hora das grandes finais! Na última sexta-feira foi realizado o segundo dia das semifinais, dedicado à disputa dos reis e rainhas, em um dia marcado por muita agitação, casa cheia e celebração. Com uma disputa de 20 candidatas a Rainha e 10 a Rei, apenas metade de cada foi selecionado para a final do dia 24. Entre os postulantes do dia, classificaram-se os candidatos a Rei Anderson Matheus (7), Danilo Vieira (2), Djeferson Mendes (6), Jonata dos Santos (12) e Pablo Jales (3). As candidatas a Rainha foram Ana Carolina Antunes (28), Ana Luiza Carneiro (8), Caroline Xavier (29), Gabriela Carvalho (42), Ingrid Ferreira (34), Jéssica Almeida (9), Luana Fernandes (2), Rhunda Monteiro (23), Samara Trindade (13) e Thays Busson (22).

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Foto: Alexandre Macieira/Divulgação Riotur

Wilson Neto, o Rei Momo de 2022, e Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, realizaram a apresentação da noite com muita energia e emoção. O evento teve início às 19h, na Cidade do Samba, com entrada gratuita, e quem esteve lá, presenciou uma verdadeira noite de dedicações de amor ao samba.

A banca de jurados, formada a cada edição por representantes, amantes e estudiosos do nosso samba e da nossa cultura, contou com presenças ilustres, como Tia Surica, figura lendária e matriarca da Portela; Lucinha Nobre, Porta-Bandeira multi-campeã e Estandarte de Ouro; Mari Mola, embaixadora e Rainha do Carnaval em 2023; Bárbara Ferreira, jornalista e escritora; Nilce Fran, vice-presidente da Portela e Célia Fernandes, presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil. Também fizeram parte da mesa o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, o vice-presidente Luís Monsores e o diretor de operações Flávio Teixeira.

“Ver tantos candidatos dedicados à Corte Real é uma prova de quanto o Carnaval move corações e desperta sonhos. Cada um tem sua história, seu brilho e seu jeito único de representar o Rio. Que todos possam aproveitar esse momento com alegria e orgulho. Boa sorte aos finalistas, o importante é celebrar juntos a força da nossa festa!”, disse Bernardo Fellows.

Como não podia faltar em um dia de celebração do carnaval, o samba foi forte no palco. O grupo Moça Prosa, formado por mulheres que participavam de uma oficina de percussão feminina na Pedra do Sal, abriu os trabalhos com excelência, recebendo todos que chegavam com muita animação. Após o tempo dedicado à homenagem para Rosa Magalhães, o Salgueiro, sua ex-escola, entrou no palco para fazer jus à sua memória. Com cores fortes e sambas mais ainda, a vermelho e branco encantou o público ao apresentar seu samba-enredo de 2026, que é dedicado à grande carnavalesca.

Com a condução do Rio Samba Show, a disputa foi tomada por diversos candidatos fortíssimos, que deixaram suas histórias de vida, posicionamentos e dedicação no palco. O espetáculo foi encerrado com a apresentação do Terreiro de Crioulo, roda de samba que viaja diversas cidades do Brasil, mas que tem sua raiz fincada na Zona Oeste do Rio, e é um sucesso absoluto entre os eventos da cidade.

O dia foi dedicado à lendária Rosa Magalhães, um dos maiores nomes da história do carnaval. Formada na “Revolução Salgueirense” dos anos 60, Rosa detém o recorde de mais títulos conquistados no Sambódromo, sendo cinco pela Imperatriz (1994, 95, 99, 2000 e 2001), um pela Vila Isabel (2013) e, antes da avenida, conquistou o último título do Império Serrano em 1982. Magalhães faleceu em 2024 e será o enredo do Salgueiro no desfile de 2026.

“Eu tô muito emocionada de estar aqui, porque isso registra que, de alguma maneira, passar por esse palco, além de coroar a gente no ano que ganhamos, nos transforma em um marco na história do nosso Carnaval, e isso é muito importante. É cada vez mais importante que meninas que são crias de comunidade e de escola de samba, fiquem marcadas na história do carnaval.”, disse Maria Mola, Rainha do carnaval de 2023.

Sapucaí recebe asfalto novo para o Carnaval de 2026

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A Secretaria de Conservação do Rio iniciou esta semana o recapeamento da Marquês de Sapucaí para o Carnaval de 2026. O serviço será realizado em etapas para respeitar o cronograma de eventos do Sambódromo. Da Praça da Apoteose até a Avenida Salvador de Sá, o processo foi iniciado na quarta-feira com a fresagem da pista, que consiste na retirada do asfalto antigo. Na noite da última quinta-feira, o asfalto novo começou a ser aplicado.

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Fotos: Hector Santos/ Secretaria de Conservação

“Depois das obras que prepararam a Marquês de Sapucaí para modernização do sistema de som, agora, a Conservação realiza o recapeamento completo da Avenida. Na noite desta quinta-feira, foram aplicados dez caminhões de asfalto no Sambódromo. O serviço é alinhado com a Riotur para não comprometer a agenda de eventos no Sambódromo. Nosso compromisso é deixar a Avenida nova para os ensaios e o Carnaval 2026”, explicou o secretário Diego Vaz.

O presidente da Riotur, Bernardo Fellows destaca a relevância da Sapucaí para o Carnaval. “O Carnaval é o maior evento cultural e turístico do Rio, e a Sapucaí é o seu principal palco. O recapeamento é mais uma demonstração do compromisso da Prefeitura em garantir uma infraestrutura à altura da importância da festa. Esse cuidado com o Sambódromo beneficia não só o espetáculo, mas toda a cadeia produtiva do Carnaval, que movimenta a economia e projeta o Rio para o mundo”, diz Bernardo Fellows, presidente da Riotur.

O último recapeamento completo da Sapucaí foi realizado pela Prefeitura do Rio em 2022.

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Reformulação do sistema de som

A Prefeitura do Rio prepara a Marquês de Sapucaí para o processo de reformulação no sistema de som do Carnaval. A Secretaria de Conservação construiu dez dutos transversais na Passarela do Samba em toda a sua extensão. As estruturas, além de abrigar os cabos de som, também vão contemplar os condutores de elétrica e iluminação cênica, acabando com os cabos expostos na pista. Os novos dutos foram construídos em valas rasas para conectar o novo sistema de som do Sambódromo. As valas são fechadas com concreto armado e, em seguida, asfaltadas. As dez canaletas têm 14 metros de extensão, e cada uma delas contém três dutos de 100 mm.

Ouça o samba-enredo do Jacarezinho para o Carnaval 2026

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COMPOSITORES: PAULINHO BANDOLIM, TOMATE SHOW, RODRIGO JACOPETTI, BRUNO DALLARI, GODOI, GUTO CACHAÇA, DODÔ ANANIAS E RAFA CRIA

O VENTO QUE SOPROU NO TURANO ANUNCIA
LÁ NO MORRO NASCEU OUTRO CRIA
DE REPENTE, MAIS UMA POESIA
POR “ANDAR AÍ”, VIU GERALDO E MAGALHA
FEZ DOS VERSOS SUA ARMA DE BATALHA
COM CAVACO E REPIQUE…
HERANÇA DE ARLINDO, GUINETO E DO CACIQUE
CANTANDO A VIDA… SAMBISTA IMORTAL!
NO JACAREZINHO DEU NÓ NA TRISTEZA
E FEZ DA VIDA CARNAVAL!

A VOZ DO MORRO É QUEM DIZ
UM BAMBA SABE DE COR
“PILARES” DESSA RAIZ
O TEU ORGULHO MAIOR
TORRÃO AMADO, TE FEZ GENTE COMO A GENTE
NEM MELHOR, NEM PIOR, APENAS DIFERENTE

PINTOU DE ROSA E BRANCO A INSPIRAÇÃO,
DO VENTRE QUE DESPERTA A CRIAÇÃO
BATIZADO PELOS MENESTRÉIS…
E SALGUEIRENSE DA CABEÇA AOS PÉS!
REVELA PARA OS PALCOS BRASILEIROS
O TALENTO VERDADEIRO…
DE QUEM DEIXOU ACONTECER NATURALMENTE
SÃO NOVOS TEMPOS E A TRILHA É O AMOR
LEGADO QUE DOZINHA GUIOU
PATENTE ALTA DO SAMBA!
PLANTOU A SEMENTE DE BAMBA
TEU CORAÇÃO RADIANTE NÃO DEIXA NEGAR
É DEUS QUEM APONTA A ESTRELA QUE TEM QUE BRILHAR!

SAPUCAÍ VAI TREMER QUANDO A SIRENE TOCAR…
JACAREZINHO, TACA FOGO NO CONGA!
VAI TER PAGODE E SAMBA-ENREDO NESSA FESTA
CHAMA XANDE DE PILARES PRA SER COROADO NA FAVELA!

Jacarezinho escolhe samba de Paulinho Bandolim e parceiros para homenagear Xande de Pilares na volta à Sapucaí

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A noite da última sexta-feira foi de festa e emoção na quadra da Unidos do Jacarezinho. Em uma final marcada por alto nível e forte participação da comunidade, a escola da Zona Norte do Rio escolheu, já com o dia amanhecendo, o samba-enredo que defenderá no Carnaval 2026, quando retorna à Marquês de Sapucaí após 12 anos. O resultado foi anunciado por volta das 6h da manhã, consagrando a parceria formada por Paulinho Bandolim, Tomate Show, Rodrigo Jacopetti, Bruno Dallari, Godoi, Guto Cachaça, Dodô Ananias e Rafa Cria. O samba embalará o enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, que contará a trajetória do cantor, compositor e ator Xande de Pilares, um dos maiores nomes da música popular brasileira e filho da comunidade.

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Emoção do homenageado Xande de Pilares

Profundamente ligado às origens do Jacarezinho, Xande de Pilares falou com emoção sobre o convite para se tornar o enredo da escola que o viu crescer.

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Fotos: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

“Por ter residido na comunidade, compreendo as diversas dificuldades inerentes à experiência humana, e por elas também transitei, nos âmbitos musical, social e psicológico. A possibilidade de ser homenageado pela escola de samba da minha própria comunidade gerou em mim uma certa hesitação inicial em aceitar, pois considero que ainda há um longo percurso a ser trilhado”, revelou o cantor.

O artista explicou que o vínculo afetivo com a agremiação foi o que o levou a aceitar o convite: “O fato de ter morado aqui foi decisivo. Figuras como meu tio Nonô, pai do Guará, Monarco, Seu Dedão, Macambeira, Gilson Bernini e Jorge Jacarezinho foram determinantes na minha formação. São essas memórias que consolidaram minha determinação”.

Sobre a expectativa para o desfile, Xande afirmou que o principal desejo é que o samba funcione na avenida. “O essencial é que o samba impulsione a escola a um desempenho notável na Sapucaí. O que importa é ver o Jacarezinho brilhar. E podem ter certeza: meu coração vai se emocionar como poucas vezes antes”.

Compositores comemoram a vitória

A parceria vencedora celebrou intensamente o resultado e exaltou o significado de compor um samba que homenageia um ícone do samba nacional.

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“É com imensa alegria, pois, acima de tudo, nutrimos um profundo respeito por esta comunidade. O Jacarezinho é um grande celeiro cultural e um berço de talentos. Xande é um dos mais proeminentes sambistas da atualidade. Nosso refrão tem grande apelo popular e reflete a verdadeira essência do Jacarezinho”, afirmou Paulinho Bandolim

Tomate Show, também da parceria campeã, ressaltou o orgulho em participar do projeto. “Sinto-me profundamente emocionado, pois tenho raízes nesta comunidade. Trabalhei na bateria do Jacarezinho e sempre fui muito bem recebido. O desfecho desta competição foi notório. A concorrência precisará reconhecer a força do Jacarezinho”, disse.

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Já o compositor Bruno Dallari, de São Paulo, destacou a alegria de conquistar o primeiro título no Rio. “Nós, que somos de São Paulo, há muito tempo almejávamos ter um samba aqui. É uma grande honra homenagear uma figura que é símbolo do samba e do carnaval. O refrão ‘Sapucaí vai tremer’ é impactante e mobiliza o público. Esse é o diferencial do nosso samba”.

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Olhar do carnavalesco Bruno Oliveira

Responsável por desenvolver o enredo sobre Xande de Pilares, o carnavalesco Bruno Oliveira explicou que a ideia nasceu de uma proposta do presidente da escola e que o projeto carrega uma continuidade conceitual com o desfile anterior.

“A ideia originou-se a partir do presidente, que concebeu essa abordagem como uma sequência do trabalho feito no ano passado. Desta vez, a jornada do Xande se faz presente, e ele tem ressonância em muitas partes do mundo. De Jacarezinho, ele seguiu sua trajetória de sucesso e conquistas. Há um forte sentimento de pertencimento e reconhecimento em relação a ele aqui”, contou o artista.

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Bruno revelou ainda que o cantor participou das conversas sobre o desfile, mas lhe deu liberdade criativa. “Xande apontou alguns momentos relevantes de sua vida, que prefiro manter em sigilo, mas me deu total liberdade para decidir o que incluir. Já incorporei essas situações, pois este desfile é um presente para ele”.

Sobre o visual da escola, o carnavalesco adiantou que o público pode esperar um carnaval vibrante e de forte identidade popular. “Estou desfrutando imensamente da criação. Será um desfile impactante, com formas diversificadas e alto nível de qualidade, dando continuidade ao padrão de excelência que o Jacarezinho apresentou no último carnaval”.

Retorno à Sapucaí, segundo o presidente Matheus Gonçalves

De volta ao Sambódromo após mais de uma década, o Jacarezinho promete um desfile histórico. O presidente Matheus Gonçalves ressaltou o peso simbólico desse retorno.

“Uma escola que retorna à Sapucaí após mais de uma década possui sua inegável importância. O Jacarezinho é uma instituição tradicional da Zona Norte, com mais de sessenta anos de história. Há uma grande responsabilidade e um sentimento de orgulho coletivo. Posso assegurar que será um desfile marcado por alegria e entusiasmo”, afirmou.

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Matheus também comentou o processo de convite a Xande e as mudanças para o Carnaval 2026. “Quando o convite surgiu, ele demonstrou certa apreensão, talvez sem perceber a dimensão de sua grandeza. Mas, enquanto eu estiver à frente da presidência, nossas homenagens serão em vida. Xande morou mais de quinze anos em nossa comunidade, e sua história merece ser contada agora”.

Sobre os desafios financeiros, o dirigente foi realista. “Manter um barracão na Série Ouro é desafiador, mas o trabalho não pode parar. Contamos com o apoio integral da Liga RJ, que tem sido fundamental para as escolas. Seguimos com planejamento rigoroso e busca constante de recursos”.

Direção de carnaval aposta na força da comunidade

Para o diretor de carnaval, Aridio de Oliveira, o trabalho de mobilização da comunidade será essencial para o sucesso do desfile.

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“É uma responsabilidade considerável. Estamos preparados, embora mobilizar a comunidade seja desafiador. As dificuldades serão superadas com dedicação”. O dirigente confirmou ainda que o primeiro ensaio de rua está marcado para novembro e que o desfile contará com cerca de dois mil componentes distribuídos em 28 alas.

“O Jacarezinho está vibrante. Temos grande confiança na revitalização do grupo, e o ambiente da escola é prova disso. O retorno será triunfal”, completou.

Casal de mestre-sala e porta-bandeira estreia na Sapucaí

O primeiro casal da escola, Maycon Ferreira e Lorenna Brito, fará sua estreia na Marquês de Sapucaí como titulares e demonstrou emoção com o desafio.

“É uma grande honra para nós. Este é o nosso primeiro ano como casal principal na Sapucaí, e a emoção é ímpar. A comunidade espera um desempenho exemplar, e isso nos inspira ainda mais”, contou Lorena.

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Maycon ressaltou a parceria e a sintonia com sua porta-bandeira. “Dançar com Lorena é uma imensa honra. Ela é um presente da vida e dos orixás. É uma parceria que ultrapassa o Carnaval. Trabalhar com alguém que admiro tanto é uma bênção”.

O casal revelou que iniciou os ensaios em maio e que agora, com o samba escolhido, intensificará o preparo. “Com o samba definido, podemos moldar a coreografia e aprimorar nossa performance para entregar o melhor na avenida”, completou Lorena.

Batida de mestre Pelezinho

Estreando como mestre de bateria na Série Ouro, mestre Pelezinho destacou a responsabilidade e o simbolismo de comandar os ritmistas da escola.

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“É uma grande responsabilidade representar a escola. Meu primeiro ano como diretor de bateria foi no Jacarezinho, e agora retorno para essa missão. A expectativa é imensa”, afirmou.

O mestre adiantou que o ritmo de Xande de Pilares influenciará diretamente o trabalho percussivo. “É impossível falar de Xande sem incluir o pagode na bateria do Jacarezinho. Aguardamos a escolha do samba para criar os arranjos de acordo com sua melodia”.

Força da voz: Ailton e Thiago, os intérpretes da emoção

O retorno à Sapucaí também marca a união de duas gerações de intérpretes: Ailton Santos e Thiago Acácio. Para Ailton, o momento é de celebração e reconhecimento.

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“É um sentimento indescritível. São treze anos de persistência e dedicação. Retornar com o Jacarezinho é imensamente gratificante. Xande é um ícone da música brasileira, e tê-lo como enredo é uma honra imensa”, declarou.

Thiago destacou o privilégio de dividir o microfone com o veterano. “Cantar ao lado do Ailton é uma oportunidade de aprendizado e crescimento. Ele é generoso e acolhedor. Essa troca é valiosa e representa o espírito do Jacarezinho”.

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Sobre o enredo, Thiago completou: “Falar de Xande é falar de um dos nossos. Ele representa o sonho de todos nós, sambistas. É um artista completo e merece ser celebrado em vida.”

Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara exalta enredo dos Gaviões e escolas de samba

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A Festa dos Protótipos dos Gaviões da Fiel para 2026 teve uma presença ilustre: Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, estava presente na sede da Torcida Que Samba, no Bom Retiro, no Centro de São Paulo, para conferir como estavam as fantasias da agremiação. O motivo é pertinente à pasta chefiada por ela: no próximo Carnaval, a escola terá como enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, que trata de temáticas ligadas aos primeiros habitantes do país. Presente na apresentação das fantasias da escola para o carnaval do próximo ano, o CARNAVALESCO entrevistou com Sônia Guajajara para falar não apenas sobre o evento, o enredo e o samba-enredo dos Gaviões da Fiel para a 2026: também foi perguntado como a ministra enxerga a profusão de temas indígenas realizados por escolas de samba.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Exaltação aos Gaviões

Ilustre visitante, a ministra Sônia Guajajara fez questão de elogiar o enredo da agremiação do Bom Retiro: “É uma forma de trazer o debate sobre a pauta indígena para o centro do debate público. E é, também, uma forma de mostrar para a sociedade como nós somos e como nós vivemos. Infelizmente, ainda somos muito desconhecidos pela sociedade em geral. E, por meio do samba e do carnaval, de forma alegre e descontraída, a sociedade nos conhece – e, assim, passa a nos respeitar mais”, afirmou.

Outro ponto valorizado pela ministra é o fato do desfile dos Gaviões destacar que o universo dos povos indígenas é muito mais plural do que a grande maioria das pessoas acredita: “É uma forma de valorizar a presença e a identidade indígena no Brasil enquanto povos originários desse país. Esse enredo fala da diversidade de povos, já que muita gente ainda acha que ‘é tudo índio’, mas nós somos povos indígenas que têm culturas e tradições diferentes. Esse enredo demonstra isso: essa diversidade de povos, cada um deles com a respectiva cultura”, comentou.

Valorização dos povos indígenas

Alguns dos grandes desfiles de escolas de samba da história do carnaval tinha a temática indígena como pano de fundo. “Lendas e Mistério das Amazônia” (Portela, 1970) e “Pará – O mundo místico dos caruanas nas águas do Patu-Anu” (Beija-Flor de Nilópolis, 1998), mais do que conquistarem o título nos respectivos concursos (no segundo caso, empatado com a Estação Primeira de Mangueira), entraram para o imaginário popular. “Tupinicópolis” (Mocidade Independente de Padre Miguel, 1987) é lembrado não apenas pelo desfile e pelo samba-enredo marcantes, mas pelo delírio de imaginar um mundo em que a cultura dos povos indígenas era majoritária.

Mais recentemente, outros tantos desfiles também tiveram ótima repercussão falando de temáticas ligadas aos primeiros habitantes do país. No Rio de Janeiro, “Guajupiá, Terra Sem Males” (Portela, 2020), “Nosso Destino É Ser Onça” (Acadêmicos do Grande Rio, 2024) e “Hutukara” (Acadêmicos do Salgueiro, 2024); em São Paulo, “Aysú – uma história de amor” (Tom Maior, 2024), “Assojaba – A Busca pelo Manto” (Acadêmicos do Tucuruvi, 2025) e “Krenak – O Presente Ancestral” (Mocidade Unida da Mooca, 2025) são alguns deles.

Sônia Guajajara destacou que valorizar um grupo étnico que, durante tanto tempo, esteve distante das principais pautas levantadas pela sociedade é uma grande vitória: “Para nós, é muito importante, é muito significativo, é muito mais que simbólico. É muito significativo porque, por muito tempo, nós ficamos à margem do processo, sempre fomos marginalizados pelo sistema. E, agora, você vê que muitas dessas escolas referenciam, valorizam os povos indígenas”, comentou.

Logo depois, a ministra destacou um pouco do quanto colocar questões indígenas nas escolas de samba e em outros tantos locais de fala faz com que mais políticas públicas surjam: “Esse reconhecimento crescente por parte da sociedade (algo que as escolas de samba fazem parte) faz com que aumente essa necessidade de se construir políticas públicas de Estado para atender essas distintas realidades. Muita gente ainda pensa que só tem indígenas na Amazônia – e nós temos indígenas no Brasil inteiro, em todos os estados. Por meio do carnaval, a gente vai conseguindo trazer o conhecimento para a sociedade como um todo. Essa valorização e esse reconhecimento facilitam, também, essa aceitação em todos os espaços”, pormenorizou.

Defesa do governo

Para encerrar, a ministra Sônia Guajajara destacou o trabalho que o governo federal faz em prol das causas indígenas: “A gente tem avançado bastante já na ocupação de espaços. Hoje, temos um ministério, nunca existente antes na história. Embora tardio pensando na história do país, o presidente Lula teve a coragem de criar esse ministério de povos indígenas. Em 57 anos de FUNAI, é a primeira vez que temos uma presidenta indígena. É o momento em que, realmente, marca essa mudança de povos indígenas enquanto ocupação de espaço no Estado brasileiro”, destacou.

Além da própria criação do Ministério dos Povos Indígenas, em 2023, também foi citada a mudança na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), presidida por Joênia Wapichana.

Antônio Gonzaga celebra nova fase e voo solo na Grande Rio: ‘É o momento de experimentar coisas novas, em outra linguagem’

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Antônio Gonzaga, artista responsável pelo carnaval da Grande Rio em 2026, conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre o novo desafio de comandar o desfile da escola de Duque de Caxias. Ele, que retorna à agremiação em nova função, agora como responsável máximo pela criação, destacou a motivação em abraçar o projeto e a conexão afetiva que mantém com a comunidade.

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Foto: Matheus Vinícius/CARNAVALESCO

“O que me motivou foi o desafio. A Grande Rio é uma escola que eu já tinha trabalhado antes, já tinha sido assistente aqui. É uma escola que eu tenho muitos amigos, gosto muito da comunidade, conheço a quadra. Quando a Grande Rio me chamou, eu entendi que também era o momento de experimentar coisas novas, experimentar fazer carnaval com outra linguagem, e acho que vai dar muito certo”, contou Gonzaga.

O carnavalesco ressaltou que, apesar da mudança de bandeira (estava na Portela), a essência de seu trabalho segue a mesma, ainda que adaptada ao perfil e à identidade de cada escola. Após dois carnavais à frente da Majestade do Samba, ele explicou como vem moldando o projeto visual da tricolor de Caxias.

“Da minha forma de trabalhar, não tem diferença. Óbvio que, ano passado, com o André Rodrigues, nós dividíamos nossas responsabilidades, a criação, mas era tudo muito feito em conjunto. Óbvio que hoje eu conto com a minha equipe que me ajuda a pensar o carnaval da Grande Rio, a estudar e pesquisar. Mas a responsabilidade de pensar um carnaval, tocar um carnaval, é exatamente a mesma”, destacou.

Segundo Gonzaga, compreender a alma da escola é essencial para construir um desfile com identidade e coerência.

“Uma diferença que é importante é entender as características de cada escola. No passado e no anterior, eu pensava um carnaval propondo uma visualidade para as características da Portela e agora eu analiso e penso para as características da Grande Rio. O que ela gosta de vestir, o que ela gosta de cantar, qual é o estilo que ela gosta de fantasia e de alegoria. Isso é importante na hora da escola comprar o que a gente está propondo”.

A preparação da escola segue em ritmo avançado, e Gonzaga garantiu que o barracão já está em plena atividade, com as alegorias tomando forma.

“Finalizamos os protótipos, apresentamos para a diretoria. Agora está em processo de reprodução, processo que está com um andamento bem bacana. Alguns carros já estão colocando madeira. Já está começando a fazer projeto de decoração. Está bem confortável, bem tranquilo”, revelou.

Encerrando a conversa, o carnavalesco demonstrou confiança e entusiasmo com o que vem sendo construído para o desfile de 2026. “A Grande Rio está num momento muito bom. A comunidade está engajada e feliz. É um trabalho de muito respeito, carinho e entrega, e eu estou muito animado com o que vamos mostrar na Sapucaí”, completou.

Portela recebe Mangueira nesta sexta para abertura da temporada do ‘Portela Convida 2026’

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A Majestade do Samba receberá, nesta sexta-feira, a partir das 22h, a Estação Primeira de Mangueira na estreia da temporada do Portela Convida de 2026. A abertura do evento ficará por conta da anfitriã, que promete um grande espetáculo com sua bateria Tabajara do Samba, casal de mestre-sala e porta-bandeira, passistas, baianas, galeria da velha guarda e demais segmentos. A apresentação, criada pelo diretor artístico Jan Oliveira para marcar o início da temporada, trará sambas antológicos da Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira na voz do intérprete Zé Paulo Sierra.

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Foto: Magaiver Fernandes/Divulgação Portela

Para dar sequência à noite, direto do Morro de Mangueira, o pavilhão da Verde e Rosa vai agitar o palco da Portela com um show repleto de sambas históricos, do jeito que todo sambista gosta.

A quadra da Portela fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. Para mais informações sobre ingressos no site Bilhete Digital ou na bilheteria da agremiação.

Serviço:
Portela Convida Estação Primeira de Mangueira
Data: Sexta-feira, dia 17 de outubro
Hora: A partir das 22h
Endereço: Rua Clara Nunes, 81 – Madureira.
Ingresso: A partir de R$ 40,00
Mesa com quatro lugares: R$ 100,00 (entradas já incluídas)
Ingressos pelo site Bilhete Digital

Imperatriz dá início aos ensaios de comunidade e segmentos para o Carnaval 2026 nesta sexta

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Rumo ao Carnaval 2026, a Imperatriz Leopoldinense realiza nesta sexta-feira seu primeiro ensaio, na quadra da escola em Ramos, Zona da Leopoldina do Rio, ao lado de sua comunidade e segmentos. Este será o primeiro contato dos componentes da verde, branco e dourado com o hino da escola para o próximo desfile, após a grande final de samba-enredo realizada no mês passado.

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Foto: Nelson Malfacini/Divulgação Imperatriz

“Já estamos muito ansiosos para o reencontro com nossa comunidade. A escola está feliz, porque temos um samba feliz, livre e com a essência do nosso enredo. Ney Matogrosso merece essa homenagem, e tenho certeza que a Imperatriz, por meio daquela que faz a escola ser a potência que é, a comunidade, vai realizar um grande carnaval. Estamos trabalhando muito por essa décima estrela. Espero todos na sexta”, afirma a presidente Catia Drumond.

Em 2026, a Rainha de Ramos levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, idealizado pelo carnavalesco Leandro Vieira, que celebra o artista, a obra e a virtuosidade performática de Ney Matogrosso, intérprete de sucessos como “Sangue Latino”, “Rosa de Hiroshima”, “O Vira”, “Homem com H” e “Metamorfose Ambulante”.

A agremiação será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 15/02. A quadra da Imperatriz Leopoldinense fica na Rua Professor Lacé, 235, em Ramos.

‘Estamos no caminho certo para voltar ao Grupo Especial’, afirma o carnavalesco Nicolas Gonçalves sobre o Carnaval 2026 da Tucuruvi

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A quadra da Acadêmicos do Tucuruvi foi palco de uma noite de emoção e expectativa. Em uma festa reservada apenas à comunidade, a escola da Zona Norte apresentou oficialmente os pilotos de fantasias do enredo “Anti-Herói Brasil”, que promete um desfile crítico, sensível e profundamente ligado à identidade nacional.

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Foto: Roberto Batista/Divulgação Tucuruvi

O carnavalesco Nicolas Gonçalves, responsável pela concepção artística ao lado do enredista Cleiton Almeida, expressou a satisfação com o resultado da apresentação e o engajamento dos segmentos da escola.

“Mostrar nosso trabalho para o mundo dá sempre um frio na barriga, mas todo o projeto foi aprovado pela escola e com certeza estamos no caminho certo de realizar um grande Carnaval e voltar para o Grupo Especial”, declarou Nicolas.

O artista destacou ainda o retorno positivo da comunidade após a apresentação das fantasias.

“Após a apresentação, pude receber o carinho dos segmentos comentando sobre as fantasias dos seus setores e, no final, foi tudo positivo. Agora é seguir firme rumo ao desfile”, completou.

O enredo “Anti-Herói Brasil” convida o público a refletir sobre a figura do brasileiro comum — aquele que, entre contradições, desafios e resistências diárias, revela a verdadeira força do país. A proposta da Tucuruvi para 2026 busca dar voz à bravura e à humanidade do “herói imperfeito” que habita o cotidiano nacional.

Durante o evento, também foi entregue o pavilhão do enredo ao casal de mestre-sala e porta-bandeira Gustavo Oliveira e Camila Pacini, simbolizando o início oficial da caminhada rumo ao próximo Carnaval.

A Acadêmicos do Tucuruvi será a terceira escola a desfilar no domingo, 15 de fevereiro de 2026, pelo Grupo de Acesso 1, no Sambódromo do Anhembi. A agremiação promete emocionar o público e reafirmar seu compromisso com um samba de resistência, identidade e orgulho brasileiro.