A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) registrou uma verdadeira avalanche de acessos durante a nova abertura das vendas para dos ingressos para o Rio Carnaval 2026. O sistema contabilizou mais de 15 milhões de acessos, com pico superior a 2 milhões de usuários simultâneos, número que evidencia a dimensão do interesse do público pelo maior espetáculo da Terra. Em poucas horas, todas as arquibancadas foram esgotadas, confirmando o sucesso absoluto da comercialização. As frisas também esgotaram, mas a Liesa fará nova abertura de venda para o espaço.
No próximo sábado, 25 de Outubro, das 9h às 14h, a Escola de Samba Acadêmicos do Tucuruvi recebe atendimentos de saúde, vacinação, cidadania, orientação jurídica, beleza e bem-estar, além de atrações culturais abertas a toda a comunidade. A Tucuruvi comprometida com ações de responsabilidade social e promoção da saúde, entende o seu papel de transformação no território e reafirma o seu comprometimento com a comunidade, mobilizando múltiplos serviços e promovendo a integração entre poder público, sociedade civil e setor privado, consolidando assim, a ação Outubro Rosa como um momento de valorização da comunidade e de fortalecimento do vínculo social.
O evento, totalmente gratuito e aberto ao público feminino, reúne uma ampla rede de parceiros institucionais, entidades sociais e órgãos públicos para oferecer serviços essenciais, atendimentos, orientações e atividades culturais.
Organizado pelo Departamento Social da agremiação, o evento será realizado na nova quadra, localizada na Rua Manoel Gaya, nº 206 – Vila Nova Mazzei.
Durante o evento, a população poderá contar com os seguintes serviços:
Ações de Saúde
• Orientação de Prevenção do Câncer de Mama e Colo de Útero
• Ação de Vacinação – Vacinação de Sarampo, COVID, Febre Amarela e Influenza
• Verificação de Pressão Arterial
• Orientação Nutricional para Mulheres
• Avaliação de IMC
• Orientação Odontológica – Entrega de Kit Saúde Bucal
Ações de Cidadania
Orientações de Defesa e Conveniência da Mulher:
• Apoio a mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade.
• Atendimentos voltados para a proteção, apoio e empoderamento das mulheres
Centro de Cidadania Luana Barbosa – LGBTQIA+:
• Atendimento jurídico, psicológico e assistência social.
• Apoio para vítimas de discriminação, violência e preconceito.
• Programa Transcidadania: focado em travestis, transexuais e pessoas trans em situação de vulnerabilidade. Oferece educação (fundamental, médio), oficinas de qualificação profissional etc.
SOS Advogados:
• Orientação Jurídica para Mulheres:
• Áreas: violência doméstica (Lei Maria da Penha), pensão alimentícia, guarda de filhos, divórcio, direitos trabalhistas e benefícios sociais.
GPS – Serviços
Vagas de Emprego – Recrutamento para recolocação da mulher no mercado de trabalho – Somente vagas para mulheres. Recepcionista, Controladora de Acesso, Auxiliar de Limpeza e Copeira.
Ações de Beleza e Bem-Estar
Estação da Beleza:
• Exaltação da beleza feminina através de corte, penteado e maquiagem de forma gratuita.
Estação de Prática Integrativa de Saúde e bem-estar:
• Barras de Access – Práticas de bem-estar, relaxamento e expansão de consciência – Silvia.
• Auriculoterapia – Terapia que utiliza pontos específicos na orelha para tratar diferentes condições físicas e emocionais.
Estação de Recreação Infantil:
• Espaço Kids – Diversão e entretenimento para as crianças, para que as mamães possam aproveitar o seu dia especial.
• Brincadeiras, Contação de história
• Oficina de Bobbie Goods e Pintura Facial.
A União de Maricá viveu um final de semana inesquecível. Na Bahia, a escola participou do lançamento do tema do Ilê Aiyê para o Carnaval 2026, realizado no Largo Quincas Berro D’Água, no Pelourinho, em Salvador, na noite do último sábado. O evento reuniu expressões da cultura afro-brasileira e celebrou a união entre Bahia e a cidade da agremiação, destacando o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, que o bloco vai apresentar na folia baiana.
Matheus Santos, presidente da União de Maricá, celebrou essa parceria entre a União de Maricá e o Ilê Aiyê. Ele destacou a importância de fazer com que a escola possa atingir novos públicos, mostrando a força do samba.
“Estar ao lado do Ilê Aiyê é motivo de orgulho para a União de Maricá. Estou muito feliz porque estamos levando o samba da nossa cidade cada vez mais longe. Agradeço ao Vovô do Ilê pelo carinho, pela amizade e por proporcionar esse intercâmbio cultural conosco”, afirmou Matheus Santos.
O lançamento do tema contou com apresentações da anfitriã Band’Aiyê, da banda Orisun e da União de Maricá, que levou seus segmentos liderados pelo intérprete Zé Paulo Sierra para uma grande celebração no Pelourinho.
A relação entre o Ilê Aiyê e a União de Maricá tem se fortalecido desde junho, quando o bloco afro participou do lançamento do enredo da escola carioca. A parceria com a cidade se estende através do projeto “Ilê in Maricá”, uma iniciativa que promove oficinas e cursos gratuitos de cultura afro-brasileira em comunidades de Maricá, com aulas de dança, percussão, tranças e turbantes.
Compositores: Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão
Sou eu, Brasil
Da retinta matriz africana
Ascendente que a arte proclama
No palco do meu carnaval
Descerrada a cortina
A dança ilumina ao terceiro sinal
É o samba de novo, e a força do povo
A estrela divina, negra bailarina
Quitutes e cores, Maria Baiana
Acordam tambores! Desperta Aruanda!
Ibarabo o terreiro ganhou platéia
Ecoou o batuque dos ancestrais
Quem consagrou foi Joãozinho da Goméia
Rei Nagô, resistência dos rituais
É farra do côco, ladainha
Cenários, ensaios, livraria
Tem frevo rasgado de sombrinha
Musical Dramaturgia
Calunga, Maracatu, louvado seja Exu
Bahia de felicidade
Ninguém calou nossa voz, a história fala por nós
Requintes de Brasilidade
Lança teus “Caboclos”
Que o amor se manifesta
Desce a ladeira!
Zum zum zum tem capoeira
Gira mundo e faz a festa
A ribalta alumiou
Nossa trupe vai passar
Preto velho abençoou
O legado popular
No cordão de Acari
Ela é soberana
O teatro é aqui
Viva Brasiliana
A União do Parque Acari apresentou, na noite do último domingo, o samba-enredo que embalará o desfile de 2026. A obra, encomendada aos consagrados compositores Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão, dá voz ao enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão. A proposta mergulha na essência da cultura nacional, reafirmando o compromisso da escola da Zona Norte com a valorização da arte brasileira e a representatividade no carnaval. O evento, que reuniu a comunidade e toda a equipe da agremiação, marcou o início de uma nova jornada de preparação para a Série Ouro, mantendo o tom de crescimento que tem caracterizado a trajetória da Acari na Sapucaí.
Carnavalesco da escola, Guilherme Estevão destacou que o enredo é resultado de um projeto guardado por anos e que agora encontra o momento certo para vir à avenida.
“O enredo sobre o Brasil é um projeto que tenho em mente há muito tempo. É um tema que me é muito caro, guardado para um momento especial. Acredito que este é o momento ideal, pois representa a consolidação da escola na Série Ouro”, explicou.
O artista, que vem recebendo elogios pelos trabalhos anteriores, enxerga em “Brasiliana” uma continuidade da identidade construída pela Acari: um carnaval cultural, educativo e profundamente ligado às raízes brasileiras.
“A escola de samba é um projeto educativo, um espaço de construção de conhecimento. O enredo deve cumprir esse papel. A parceria com o Moacyr Luz, o Fred Camacho e agora com o Gustavo Clarão representa a continuidade de um projeto bem-sucedido. Considero o samba deste ano o melhor da história da escola na Sapucaí”, afirmou Guilherme.
Sobre a parte plástica do desfile, o carnavalesco adianta que o público pode esperar um espetáculo vibrante.
“Será um desfile muito colorido, ainda mais bonito do que o do ano passado. Os carros continuarão com bastante movimento, mas serão maiores e mais volumosos. As fantasias mergulharão no universo do espetáculo brasileiro”.
Novo casal de mestre-sala e porta-bandeira: sintonia e emoção
A noite também marcou a apresentação do novo casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acari, Renan Oliveira e Amanda Poblete.
Renan falou sobre o encerramento da antiga parceria e a empolgação com o novo desafio: “A notícia de que não seguiria dançando com Laís foi inesperada, mas o carnaval é um ambiente profissional. A amizade e o respeito permanecem. Agora, iniciar o trabalho com Amanda está sendo maravilhoso. Ela é uma porta-bandeira experiente e nossa conexão foi imediata”.
Amanda, por sua vez, revelou que quase ficou fora da avenida. “Sim, considerei não desfilar em 2026. Foram dezesseis anos de experiência, e a ideia de não dançar novamente me abalou. Mas o convite da Acari me devolveu a alegria. Dissemos ‘sim’ imediatamente”.
O casal já recebeu o desenho da fantasia e se mostrou encantado com o que vem por aí. “Foi uma surpresa muito positiva. Fiquei muito feliz com o desenho, é simbólico e emocionante”, contou Amanda.
Renan complementou: “O samba nos trouxe confiança. É um grande samba, e estamos entusiasmados para dançar com ele”.
Presidente Dudu: ‘Entramos na avenida para vencer’
À frente da escola, o presidente Dudu celebrou os resultados de 2025, amplamente elogiados, mas afirmou que a busca por evolução é constante.
“Reconhecemos que, sendo uma escola em crescimento, ainda há muito a aprimorar. Mas com a equipe que temos, o casal, a comissão de frente, a bateria, harmonia e o trabalho do Guilherme Estevão, estamos corrigindo detalhes e mirando um carnaval ainda melhor”.
O dirigente reforçou o sonho de alcançar o Grupo Especial. “Nossa comunidade é apaixonada pelo carnaval. Entramos na avenida para vencer e competir em igualdade de condições. Somos adversários, não inimigos. Vamos buscar o título com garra, força e trabalho sério”.
Sobre a escolha do samba encomendado e o perfil cultural, Dudu foi direto: “O Brasil é rico em cultura, e o carnaval reflete isso. A encomenda com nomes como Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão garante um samba de altíssimo nível. É uma decisão que reforça nossa identidade”.
Apesar das dificuldades financeiras comuns às agremiações da Série Ouro, o presidente acredita na força do trabalho coletivo: “O apoio público poderia ser maior, mas com patrocínio, dedicação e muito esforço, conseguimos realizar um grande carnaval”.
Entrosamento e emoção: a dupla de intérpretes Tainara e Leozinho
A dupla de intérpretes Tainara Martins e Leozinho Nunes também comentou sobre a repercussão positiva do desfile de 2025 e a expectativa para o novo ciclo.
“O enredo foi belíssimo e o samba encantou o público. Agora, esperamos repetir o sucesso com ‘Brasiliana’, que tem tudo para emocionar novamente”, disse Tainara.
Leozinho destacou a parceria e a relação fraterna com a cantora: “Dudu me presenteou com uma irmã mais velha. Temos uma amizade sincera, com muito respeito e diversão. Essa sintonia reflete no palco e no carro de som”.
Tainara retribuiu o carinho: “É fácil cantar com o Leozinho. Ele tem quase vinte anos de carreira e me ensina muito. Nossa parceria é de respeito e aprendizado constante”.
Sobre o perfil cultural da escola, Leozinho enfatizou: “Acari tem sete anos de existência e precisa firmar sua identidade. As encomendas de sambas e enredos culturais ajudam nisso. O público da Sapucaí já demonstra muito carinho pela escola, que vem se tornando querida e respeitada”.
Direção de Carnaval reforça foco e união
Os diretores de carnaval, Cida e Yago, também avaliaram o último desfile e revelaram os planos para 2026. “Identificamos alguns erros de harmonia que já estamos corrigindo. Tivemos um bom resultado, com o oitavo lugar, mas queremos mais. Esteticamente, evoluímos muito e vamos seguir nessa linha”, contou Cida.
Yago adiantou que os ensaios de rua começam em novembro: “Vamos reunir canto, harmonia e evolução, trazendo nossa comunidade ainda mais para perto. Pretendemos desfilar com cerca de 18 alas e entre 1500 e 1800 componentes. O barracão já está a todo vapor”.
Coreografia e emoção na Comissão de Frente
O coreógrafo Fábio Batista, responsável pela Comissão de Frente, celebrou o convite e destacou a identificação com o enredo. “Estou emocionado por participar desse projeto. O enredo fala sobre o ‘Brasiliano’, considerado o primeiro teatro dançado e dramático do país, algo que dialoga diretamente com a minha trajetória como artista negro. É uma responsabilidade enorme”.
Segundo ele, o trabalho está em fase de criação, mas o samba já inspira novas ideias coreográficas. “Recebi o samba há duas semanas, e já começo a imaginar as cenas. Quanto mais cedo o samba chega, melhor para a dramaturgia da comissão”.
Força da bateria sob comando de Daniel e Erick
Os mestres Daniel e Erick mantêm o ritmo do sucesso da bateria da Acari. Em 2025, conquistaram a pontuação máxima e agora buscam repetir o feito. “Foi um trabalho árduo e muito gratificante. Estamos motivados a alcançar novos objetivos em 2026”, disse Daniel.
Erick complementou: “O enredo nos inspira a explorar ritmos afro e novas sonoridades. Vamos trazer referências dos teatros negros e traduzir isso na batida da bateria”.
A dupla reforçou ainda a importância da parceria com os intérpretes. “Tainara e Leozinho já estão entrosados com a gente desde 2024. Essa união é essencial para manter a força da escola”, concluiu Daniel.
Renascimento de Luciana Ppicorelli: a rainha da superação
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a apresentação da nova rainha de bateria, Luciana Ppicorelli. Após 14 anos afastada do carnaval, ela retorna em grande estilo.
“Passei por momentos difíceis, com depressão e burnout. Disseram que meu tempo tinha passado. Mas decidi provar o contrário. Toda mulher pode alcançar seus objetivos”, afirmou emocionada.
Luciana contou que foi recebida com carinho pela comunidade: “Quando recebi o convite da Acari, fiquei muito feliz e honrada. A escola é acolhedora, o presidente é maravilhoso, e já me sinto parte da família. Agora, estou ansiosa e pronta para brilhar novamente”.
A Liga RJ divulgou nesta segunda-feira o calendário oficial dos ensaios técnicos das escolas de samba da Série Ouro para o Carnaval 2026. As apresentações acontecerão no Sambódromo, no Centro do Rio, entre os dias 23 e 25 de janeiro, reunindo as 15 agremiações que desfilam no grupo em três dias de programação. O primeiro dia de ensaios começará às 21h, enquanto as atividades de sábado e domingo terão início às 18h.
Na sexta-feira (23/01), vão atravessar a Sapucaí as seguintes escolas: Unidos do Jacarezinho, Em Cima da Hora, Unidos da Ponte, Acadêmicos de Vigário Geral e Unidos de Padre Miguel. No dia seguinte, sábado (24/01), será a vez de Botafogo Samba Clube, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, União de Maricá e União da Ilha realizarem seus ensaios. Inocentes de Belford Roxo, Arranco, Império Serrano, Unidos do Porto da Pedra e Estácio de Sá encerram o final de semana no domingo (25/01).
Presidente da Liga RJ, Hugo Junior afirmou que a divulgação antecipada do cronograma foi pensada para favorecer o planejamento das escolas e o envolvimento de suas comunidades.
“A ideia de antecipar o calendário é permitir que cada agremiação se organize com tranquilidade, mobilizando seus segmentos e componentes para que possam aproveitar ao máximo os ensaios na Sapucaí. Será um novo formato em 2026, com todas num final de semana, agitando a cidade que já vai estar respirando o Carnaval desde cedo”, afirmou.
Os ensaios técnicos são uma etapa fundamental da preparação das escolas para os desfiles oficiais. Assim como nos demais anos, eles terão entrada franca. Em 2026, as escolas da Série Ouro vão desfilar nos dias 13 e 14 de fevereiro.
Compositores: Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio
Sou eu, a Flor do Mulungu
Brilham os olhos d’Água! Orayeyê! É de Mamãe Oxum!
Sou Ponciá Consagrada
Entregue às palavras
E ao axé das ancestrais
Se tempos atrás
Ecoavam vozes do porão
Hoje reescrevo a história
poesia a despertar nas pretas mãos
Nos becos da minha memória
Meu verbo é ouro de aluvião
Meu verso é barro de artesão
Pra Folia de Reis, chamo vô e chamo tio
Na Folia de Reis, vou vivendo por um “fio”
Ô lê lê, lá vem batuque, pra congada começar
Angorô, vira menino! Angorô, não vou virar!
Não é fácil emergir nesse contraste
Benevuto, a maldade, não quer me ver sorrir
No refúgio desses becos e vielas
De mãos dadas com Sabela
Eu só quero ser feliz
O Rio que me acolheu me ensinou também a florir
Vi muita gente de lá no rosto negro do povo daqui
Sou eu quem dá voz à caneta que silencia o fuzil
Me torno imortal no Livro Brasil
Malungo! Que Negro- Estrela possa ser reconhecido
Sem o choro de um futuro interrompido
Por todo preto, escreviver!
“A gente combinamos de não morrer!” (Combinamos de não morrer!)
Chamei Maria, preta velha jongueira…
Vovó Joana, pra benzer Madureira
Busquei Ivone pra matar essa saudade
O negro é raiz da liberdade!
É Kizomba de preta literatura!
É escrita sem censura no Império a florescer!
Casa de Preto também é Academia
Serrinha… Ponciá Yalodê!
O Império Serrano definiu, na manhã deste domingo, o hino que vai embalar a comunidade da Serrinha na busca pelo título da Série Ouro no Carnaval 2026. Após uma noite de grande festa, o resultado foi anunciado às 6h, consagrando a parceria formada por Hamilton Fofão, Dudu Senna, Leandro Maninho, Cláudio Russo, Lico Monteiro, Jorginho da Flor, Silvio Romal e Marco Aurélio como vencedora da disputa. O samba dará voz ao enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, homenagem à escritora mineira Conceição Evaristo, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteves. A obra promete unir a força da literatura negra à tradição imperiana, celebrando a escrevivência e o poder transformador da palavra que nasce da favela e floresce no mundo.
Fotos: Marcos Marinho e Matheus Vinícius/CARNAVALESCO
Conceição Evaristo celebra o poder da literatura no samba
Emocionada com a homenagem, a escritora Conceição Evaristo destacou a importância simbólica de ver sua trajetória literária se transformar em samba-enredo.
“É uma alegria muito grande pensar que eu chego aqui por causa de um texto literário. Pensar que a literatura tem esse poder de convocação, para mim, vale mais do que qualquer prêmio. Eu tenho certeza que vou encontrar o aplauso do povo. Antes, quando eu entrava na avenida, as pessoas já gritavam meu nome, e agora será ainda mais emocionante. Vai ser um momento de encontro muito grande entre o público, a literatura e o samba”, afirmou.
Conceição também ressaltou a relevância da representatividade no desfile: “O que não pode ficar de fora é o fato de eu ser uma mulher negra. Isso tem uma importância muito grande pra gente. O enredo não pode esconder a nossa identidade”.
Samba vencedor emociona compositores e comunidade
Para os compositores da parceria campeã, a vitória coroou uma noite de celebração e pertencimento. Lico Monteiro falou com gratidão pela conquista: “Não tenho palavras para agradecer à parceria pelo convite. Ganhar no Império Serrano é um sentimento inesquecível, porque aqui é uma escola diferente. Tenho certeza de que a comunidade vai cantar muito esse samba”.
Já Hamilton Fofão, cria da Serrinha e sobrinho-neto do lendário Silas de Oliveira, não conteve a emoção.
“É um sonho. Sou nascido e criado no Morro da Serrinha. Comecei no Império do Futuro, fiz tudo como um imperiano apaixonado faria. Estou dando continuidade a essa corrente maravilhosa que é o Império Serrano. Esse é o meu primeiro samba-enredo campeão na escola, e a emoção é indescritível”.
Ele ainda destacou seu trecho preferido da obra: “A parte que mais me toca é ‘É Kizomba de preta literatura! É escrita sem censura no Império a florecer! Casa de preto também é academia! Serrinha! Ponciá Yalodê!’. É uma linda homenagem à nossa grande escritora Conceição Evaristo”.
Renato Esteves exalta sinergia e confiança na comunidade
O carnavalesco Renato Esteves, responsável pelo enredo e pela parte plástica, destacou a maturidade artística conquistada nos últimos anos e o envolvimento profundo com a comunidade imperiana.
“O Carnaval de 2025 foi um grande aprendizado. Foi o que reafirmou meu amor pelo Império Serrano, por essa festa e pelo ato de fazer carnaval. Aqui é quintal de casa. Fico super à vontade. A comunidade e a diretoria me abraçam. É um casamento perfeito”, refletiu.
Renato revelou que o enredo nasceu de um desejo antigo e que a escolha de Conceição Evaristo aconteceu de forma natural: “Eu já tinha esse enredo guardado e calhou que Dona Conceição nos escolheu também. Foi sinergia, foi o que tinha que acontecer e está acontecendo de maneira muito bonita”.
Sobre os preparativos no barracão, garantiu: “Os protótipos já estão finalizados, e estamos iniciando a reprodução. O ritmo é muito bom”.
Presidente Flávio França: ‘Império está focado em fazer um carnaval grandioso’
O presidente Flávio França comemorou a escolha do samba e reforçou o propósito coletivo que move a comunidade imperiana:
“A comunidade está unida e focada em fazer esse grandioso carnaval. Dona Conceição é uma mulher preta que representa a nossa comunidade. A literatura e a cultura têm um diálogo importante que pode impactar a juventude. Estamos consolidados, com um planejamento que tem foco e qualidade”.
França também explicou a escolha do tema: “Eu já pensava em levar um tema literário que dialogasse com a cultura. A história da Dona Conceição é perfeita. Sou amante da literatura e faço parte do movimento negro, do Jongo da Serrinha. A escrevivência dela conversa diretamente com a minha vivência”.
Sobre o desenvolvimento visual, ele mostrou confiança: “O Renato (Esteves, carnavalesco) acertou a mão. Já começamos a fase de reprodução no barracão. Agora é colocar o carnaval na avenida sem medo de errar”.
Intérprete Vitor Cunha: 35 anos de história e emoção renovada
O intérprete Vitor Cunha falou sobre o orgulho de representar o canto imperiano: “Cheguei aqui em 1992, com 12 anos. Meu pai, Carlinhos da Paz, foi intérprete da escola, e desde então o Império Serrano faz parte da minha vida. É uma história de amor e resistência. Estamos montando o carro de som, e agora teremos um formato mais minimalista, com menos cantores e fones de ouvido. É uma nova fase, um novo estilo, mas com a mesma emoção”.
Sobre a parceria com a bateria, destacou a tradição e o talento do novo mestre: “A bateria sempre foi um xodó. O mestre Sopinha é cria da casa, herdeiro de grandes nomes. O Império sempre teve a melhor bateria do Rio, e isso continua”.
Mestre Sopinha mantém essência e promete surpresas
O jovem Felipe Santos (Sopinha) elogiou o trabalho herdado e garantiu que a bateria manterá sua identidade: “A bateria está muito boa. Era o trabalho do mestre Vitinho, que dispensa comentários. Não mudei muita coisa, porque o time é o mesmo”.
Ele confirmou que o agogô seguirá como instrumento símbolo da escola e adiantou que algumas bossas já estão desenhadas, mas fez mistério: “Já temos algumas bossas prontas, mas é segredo. O agogô é a identidade do Império Serrano”.
Diretor de carnaval: ‘Estamos resgatando o brilho dos imperianos’
O diretor de carnaval Jeferson Carlos lembrou os desafios enfrentados pela escola e a recuperação da autoestima da comunidade após o difícil ano de 2025: “Viemos de um momento doloroso, mas estamos reconstruindo e resgatando o brilho dos imperianos. Hoje, com a quadra lotada, mostramos que seguimos fortes. O Renato (Esteves, carnavalesco) conseguiu interligar a história da Conceição Evaristo com a história do imperiano. Plasticamente, o desfile está belíssimo”.
Jeferson também revelou planos para os ensaios e números de componentes: “Devemos ter entre 2.500 e 3.000 componentes. Os ensaios de rua começam na primeira semana de dezembro, sempre às terças. A ideia é fortalecer o canto e o chão da escola”.
Casal celebra nova fase
A porta-bandeira Maura vibrou ter o mestre-sala Matheus como parceiro de dança: “Foi uma felicidade imensa. Já dançamos juntos e ele é um parceirão. Ele tem uma dança tradicional, malandra e muito dele. É maravilhoso dançar com ele”.
Ela elogiou o carnavalesco: “O Renato superou as expectativas. A fantasia está linda, exatamente como eu sonhava. Ele conseguiu traduzir tudo o que imaginei”.
O mestre-sala Matheus retribuiu o carinho e destacou a harmonia da dupla: “A Maura é uma porta-bandeira clássica, delicada e forte ao mesmo tempo. É difícil encontrar essa mescla. Estamos ensaiando muito para garantir nota máxima”.