A chuva que caiu no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira modificou o local de ensaio da Estácio de Sá. A vermelha e branca do morro de São Carlos realizou seu treino no interior da quadra para não perder tempo na preparação, faltando 40 dias do seu desfile oficial, no domingo de carnaval.
O destaque ficou a cargo da bateria Medalha de Ouro, que sustentou o ensaio ao seu estilo, com um andamento mais valente e muita criatividade nas bossas. O treino contou com os olhares atentos do presidente Leziario Nascimento. Antes do começo o diretor de carnaval, Marcão Selva, agradeceu o empenho dos componentes de comparecer mesmo com mau tempo. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Zé Roberto e Alcione, não participou do treino.
Samba-Enredo
A comunidade e o carro de som demonstraram que se depender deles o samba vai crescer durante o desfile, mesmo com críticas a qualidade da obra. O samba possuiu uma melodia boa e seduz o componente. Ela ajuda principalmente no quesito evolução, favorecendo a criação de coreografias. Muito mérito do carro de som sob o comando do experiente Serginho do Porto. O refrão principal é o momento em que a obra se destaca.
Harmonia
Quesito onde a escola precisa intensificar a atenção e o treinamento. Boa parte das alas canta o samba em um nível satisfatório de desfile. Entretanto há muitas pessoas ainda com a letra do samba. É um recurso que toda escola usa para a fixação correta da letra. Mas há tão pouco tempo do desfile é um fato a ser destacado.
“Para os componentes foi maravilhoso. Preparamos tudo muito melhor com a intensificação do canto, as divisões corretas. São Pedro mandou chuva, mas a gente cantou muito dentro da quadra”, disse Serginho.
Evolução
Dentro da quadra a análise do quesito fica sempre um pouco limitada. Foi possível observar os componentes bastante soltos durante as quase 2 horas de ensaio. Brincando, se movimentando e fazendo coreografias na medida certa.
Bateria
Grande atuação da Medalha de Ouro. Chuvisco parece ter nascido para ser o mestre da Estácio. Bossas e convenções muito bem executadas. A afinação e o andamento também chamaram a atenção, ajudando a impulsionar os quesitos que dependem do desempenho da bateria. Estão prontos para garantir boas notas no desfile nessa volta ao Especial.
“Se fosse na rua seria muito melhor para a sonoridade mas a chuva não deixou. Eu tenho sentido as bossas saindo mais limpas e com mais precisão. Nesse pouco mais de um mês que resta para o nosso desfile é trabalhar em cima de nossos erros para alcançar as notas na quarta-feira de cinzas”, afirmou mestre Chuvisco.
Vice-campeã da Série A de 2019 e ganhadora do Estrela do Carnaval como melhor desfile do ano, a Acadêmicos do Cubango fez seu ensaio de rua na noite de domingo, no coração da cidade de Niterói, na Avenida Amaral Peixoto. O que se pode ver foi uma entrada triunfal com uma comissão de frente imponente e emocionante, assim como uma bateria beirando à perfeição, mas, para a escola ganhar o tão sonhado título é preciso aprimorar o canto dos seus componentes.
Comissão de Frente
A chegada de Patrick Carvalho para ser coreografo na comissão de frente da escola foi acertada, quem esteve no ensaio pode perceber uma coreografia forte, com perfeitas expressões faciais e uma dramaticidade cênica de arrepiar. Quinze componentes negros mostraram em sua dança que a abertura da Cubango será impactante.
“Um enredo afro e espetacular e um samba que nem se fala, mais uma vez nós vamos vir com uma comissão que vai impactar. Na Cubango eu estou muito feliz e me divertindo muito”, disse Patrick Carvalho.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos do Cubango, Diego Falcão e Patrícia Cunha, apresentaram o bailado com os movimentos em harmonia e sincronismo. Diego Falcão conversou com o site sobre a fantasia que virão e a dança que apresentarão na avenida: “Já vimos o desenho da fantasia e digo que os carnavalescos foram felizes, encaixando bem no que nós gostamos e queremos usar. Quanto a dança teremos uma dança tradicional com alguma coisa moderna, pois temos que inovar”.
Harmonia e Samba
A comunidade que compareceu ao ensaio pode melhorar no seu canto, com uma harmonia oscilante, algumas alas, por exemplo, tinham componentes com o panfleto da letra do samba na mão, prejudicando também a evolução. Já nas alas mais próximas a bateria viu-se um diferente rendimento, estes sim, cantaram com força e vibração, fazendo gestos e tendo uma evolução à altura da Verde e Branca de Niterói.
O excelente samba fez bem o seu papel no ensaio de rua, mas ainda assim nota-se que os refrões são mais bem entoados, tendo suas estrofes com menor rendimento do que o esperado. Ponto mais que positivo para o excelente carro de som, com uma ótima performance do intérprete Thiago Brito, este que a todo momento adentrava nas alas animando os componentes, ele nos falou sobre o vice-campeonato e o entrosamento com a comunidade.
“O vice-campeonato fez a escola acreditar que pode, acreditar muito mais do que ela
acreditava, pelo que a gente tem visto aqui nos ensaios aos domingos, tem tudo para dar certo este ano, nós somos uma escola que tem quesitos. Eu cheguei e a escola me abraçou, porém, depois desse ano, quem tinha alguma desconfiança já não tem mais, isso só dar força e ânimo para a gente continuar trabalhando”.
Evolução
Iniciando às 22h05 e terminando aproximadamente às 22h51, a comunidade evoluiu com irregularidade no que tange empolgação, mas muito bem em organização: com as alas bem demarcadas, sem embolação, e sem os famosos clarões. Além disso, os componentes que sabiam o samba cantaram com gesticulações e garra. Ponto positivo para o samba no pé dos passistas, muito bem ensaiados por Marluci Azevedo. Outra novidade da escola de Niterói será no recuo da bateria: a bateria ultrapassa o recuo, os passistas ficam dentro da bateria e depois a bateria retorna para o recuo e o espaço vazio na pista fica preenchido com os passistas que estão se evoluindo com muito samba no pé.
Bateria
A bateria “Ritmo Folgado”, comandada pelo mestre Demétrius, mostrou que o quesito está afiado, com uma cadência beirando a perfeição, assim como bossas e paradinhas dentro do samba, empolgando a escola. A bateria mostrou que a escola não está para brincadeira. Destaque também para rainha Maryanne Hipólito, que mostrou simpatia e samba no pé. “A Cubango tem a cara do enredo Afro, pois a Cubango é quilombola, vamos mais uma vez levar esse enredo com muita força e muita garra”, comentou com empolgação Maryanne.
Outros Destaques
Presentes no ensaio também estava a dupla de carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel. Eles falaram sobre a missão de substituírem a dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora e disseram que o padrão será mantido.
“Nós estamos mantendo o padrão, o Cubango virá com uma força não só de plástica, mas também de comunidade e a comissão de Frente será um ponto muito forte da escola”, afirmou Alexandre.
Já Raphael colocou que o enredo é o que a comunidade sabe fazer de melhor: “O enredo é uma pegada muito a cara da Cubango, a escola é bem raiz e de negritude, então, o Cubango volta com a pegada afro”.
Não é segredo para ninguém que as escolas estão sofrendo com a falta de aporte financeiro e Alexandre sintetizou o motivo de continuar acreditando: “O amor. O amor pelo carnaval supera tudo”.
O Cubango é a quinta escola a desfilar pela Série A, na sexta de carnaval, com o enredo “A Voz da Liberdade”, sobre o patrono da abolição Luiz Gonzaga Pinto da Gama, dos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel.
Pelas mãos de Djeferson Mendes da Silva o carnaval do Rio está oficialmente aberto. O novo Rei Momo da cidade foi coroado neste domingo, durante o evento de abertura da folia, organizado pela Riotur, na Praia de Copacabana. A missão de Djeferson esse ano será ainda maior com o novo projeto da prefeitura de um carnaval com 50 dias, começando a partir deste 12 de janeiro. Como ressalta o novo Rei Momo emocionado após sua coroação.
“Serão 50 dias de festa e de muita folia. O carnaval é o maior patrimônio histórico do Rio de Janeiro e convido a todos para que venham curtir conosco essa grande festa. A minha primeira ordem minha como Rei Momo é realizar um grande e belíssimo desfile e proporcionar um excelente carnaval e um ótimo reinado” conta Djeferson com entusiasmo e emoção.
A chave da cidade é um dos símbolos mais tradicionais do carnaval, o objeto que foi desenhado pelo ex-funcionário da Riotur, José Geraldo de Jesus, conhecido como Candonga, é o mesmo desde 1976 quando foi confeccionada. Candonga morreu em 1997, mas deixou para os seus herdeiros a tarefa de entregar ano a ano a chave da cidade aos novos coroados. Djeferson se diz lisonjeado e orgulhoso de poder receber essa chave das mãos de um representante da família tradicional de Candonga.
“Ser Rei Momo representa uma tradição, a cultura viva da nossa cidade. Como eu falei durante a minha apresentação, eu sempre frequentei o Terreirão e a Apoteose, desde criança, algo tradicional para mim. E, hoje eu estou aqui, porque confiei e acreditei que eu poderia conquistar isso. Estou aqui com essas lindas meninas, a rainha e as princesas e podendo ser o novo Rei do carnaval do Rio. Esse momento de receber a chave da cidade foi muito especial para mim já que também venho de uma família tradicional. Receber a chave de alguém como eu mostra que nós somos capazes de conquistar tudo o que sonhamos”.
Em seu discurso de apresentação, Djeferson recitou o poema “Às vezes me chamam de negro”, de Carolina Soares, que fala sobre empoderamento negro e ainda deixa um recado para quem ainda não apoia o carnaval.
“O carnaval é a maior festa que tem e o que falta é que as pessoas possam confiar verdadeiramente no carnaval. Nós que somos cariocas e sambistas isso já vem de berço, eu que moro na Praça Onze lembro quando minha mãe me levava para o Terreirão do Samba para poder pular carnaval e ver os outros concursos quando ainda eram lá. É a melhor festa que nós temos, o grande símbolo do Rio de Janeiro”.
Djeferson assume sua paixão pela escola de samba Estácio de Sá e diz desfilar todo ano, mas que nesse irá honrar a oportunidade de desfilar com sua corte.
“Como o Rei da Folia, não faltará da minha parte, sangue, samba no pé e muita folia. Estamos aqui para poder representar o nosso carnaval e a nossa cidade da melhor maneira possível, com muito fôlego, e, afirmo, estamos todos preparados”.
Representatividade! É isso que Camila Silva pretende com o posto de Rainha do Carnaval 2020. Já em sua primeira participação no concurso, a paulista conquistou o coração do júri carioca e o posto máximo da corte na folia deste ano.
“Me sinto privilegiada de estar aqui sendo rainha do Rio, sendo representatividade de muitas meninas negras, de comunidades, que um dia, como eu teve o sonho de estar aqui e, hoje, estou realizando. E, espero que um dia, essas meninas também realizem esse sonho”, disse a majestade ao ser coroada, na tarde de domingo perante um público de 300 mil pessoas, na Praia de Copacabana.
Por falar em representatividade, a corte para o Carnaval 2020 composta pela rainha Camila Silva, Djeferson Mendes da Silva, eleito Rei Momo, e, Deisiane Jesus e Cinthia Aparecida Martins de Oliveira, como Primeira e Segunda Princesas do Carnaval, respectivamente, formam uma corte 100% negra, o que no cenário atual, em que a sociedade brasileira luta por direitos iguais, faz toda a diferença.
Desde a primeira fase da disputa, Camila Aparecida da Silva já despontava como uma das favoritas. Apesar de almejar o posto, a beldade contou que esse foi um sonho recente, que foi crescendo com o carinho dos cariocas.
“Nunca me imaginei sendo rainha de bateria no Rio. Em 2013 fui convidada e vim. Amei! Fui muito bem recebida e almejei, sim, ser rainha do carnaval, batalhei para estar aqui. Algumas pessoas falavam ‘você já foi rainha do carnaval de São Paulo, rainha de bateria no Rio, precisa ser Rainha do Carnaval do Rio? E eu disse; precisa, sim”, brincou a majestade, que não esconde a emoção de ter alcançado o sonho.
“Muitas pessoas não sabem, mas não cheguei no Rio agora, cheguei em 2013, fui rainha de bateria, em 2017 também, 2018 e 2019, na Mocidade Independente de Padre Miguel. Cheguei respeitando todos os sambistas e como eu falo; sambista conhece sambista, cheguei devagarinho e fui mostrando que eu também fazia parte desse mundo e hoje me sinto privilegiada de estar aqui sendo rainha do Rio, sendo representatividade de muitas meninas negras, de comunidades, que um dia, como eu teve o sonho de estar aqui e hoje, estou realizando”, desabafa Camila com olhos marejados. Após uma pausa ela continua.
“Espero que um dia, essas meninas também realizem esse sonho. Pra mim está sendo maravilhoso, incrível ser rainha da maior festa cultural e popular do Brasil”, disse Camila que já deu o seu primeiro decreto para os próximos ’49 dias de carnaval’.
“Meu decreto é que seja um carnaval de paz e amor ao próximo. Precisamos muito disso, mas não só no carnaval, o mundo todo precisa disso”.
A Beija-Flor não costumava realizar ensaios de rua em Nilópolis e utilizava apenas seus treinos na quadra para se aperfeiçoar para os desfiles. Isso mudou desde o ano passado. Neste domingo a azul e branca realizou o segundo ensaio de rua dessa temporada na Mirandela, no coração do município, que se confunde com a própria Deusa da Passarela.
A reportagem do CARNAVALESCO marcou presença e pode observar dois aspectos principais. O primeiro foi que o quesito evolução foi aquele que mais evoluiu desde a visita de dezembro. O segundo é que no desfile, entre a comissão de frente e o casal Claudinho e Selminha Sorriso, existirá uma ala coreografada.
Comissão de Frente
Sem a presença do coreógrafo Marcelo Misailidis, os 15 integrantes da comissão de frente fizeram uma coreografia que provavelmente é o oficial de desfile. Com bastante sincronia de movimentos o grupo cantou o samba o tempo todo e demonstrou grande entrosamento, aproveitando para treinar apresentações para cabines de julgamento.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Após a comissão de frente, uma ala coreografada distanciou o casal Claudinho e Selminha dos dançarinos. Algo que acontecerá no desfile e não causou qualquer problema para a evolução do lendário casal da Beija-Flor. Eles apresentaram a coreografia oficial de desfile e treinaram exibição para os julgadores.
“Eu acho que a busca pelo aperfeiçoamento deve ser constante para o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Até o dia do desfile temos que buscar metas para a melhor apresentação. Estar aqui na rua com o povo me ajuda muito, pois além dessa energia maravilhosa, nos traz toda a noção de marcação de tempo e espaço”, analisou a porta-bandeira Selminha Sorriso.
Harmonia
Excelente o rendimento da comunidade da Beija-Flor no ensaio deste domingo. Praticamente todas as alas passaram cantando o samba, já com a obra sob total domínio dos componentes, sem a necessidade de acompanhamento com a letra. Até setores distantes do carro de som conseguiram sustentar o canto sem atravessar.
Evolução
Ponte de atenção na análise do site CARNAVALESCO na primeira visita a Nilópolis, a Beija-Flor demonstrou melhorias no quesito em quase duas horas de ensaio. Alas organizadas e sem embolar umas nas outras, brincando, se mexendo, abrindo braços e evoluindo com excelente movimentação.
“Estamos alcançando aos poucos o nível de canto e evolução necessários para um grande desfile. Por isso além dos ensaios tradicionais das quintas-feiras e os de rua mensais, fazemos treinos por setores para passar a importância do canto e da dança. Eu costumo pedir para os componentes para seduzir o cara que está na calçada para também cantar o samba-enredo”, avalia o diretor de carnaval Dudu Azevedo.
Samba-Enredo
Um dos sambas do carnaval demonstra toda a sua pegada de desfile ao vivo. Seu rendimento é constantemente forte sem caídas em qualquer parte. A presença de Neguinho da Beija-Flor no ensaio traz todo um diferencial. Caminhando para os seus 45 anos de escola se arriscou com risadas como caco no momento que o samba atinge o ponto da saudação Laroyê.
Bateria
Novamente desempenho de gala dos comandados de mestre Rodney. A bateria da Beija-Flor valoriza demais a afinação e o andamento, pilares da sustentação do ritmo na avenida. Com esses conceitos na cabeça deram sustentação ao canto e evolução no ensaio técnico.
“Falo muito com os meus ritmistas que aqui a manutenção do ritmo e sua sustentação são os referenciais de nosso trabalho. Estamos nos aproximando daquilo que consideramos ideal”, analisou o mestre Rodney.
Na luta pelo título, depois do feito histórico com o vice-campeonato no carnaval de 2019, a Viradouro conseguiu unir em seu ensaio de rua neste domingo a emoção e a técnica. Com uma harmonia total entre todos os segmentos, a vermelho e branco demonstra muita vontade e garra para ir em busca do lugar mais alto do carnaval carioca e sem deixar a técnica em nenhum momento.
“O ensaio foi muito bom, excelente. Tentamos aliar a parte técnica do ensaio, que foi impecável, com a emoção. Temos que ser técnicos mas sem esquecer da energia, da vibração. A escola está pulsando na Amaral Peixoto e isso é o que estamos fazendo desde outubro, gradualmente, para que pudéssemos chegar em janeiro nessa crescente que vai terminar num espetáculo no domingo de carnaval. Nós vamos continuar trabalhando dobrado para estar brigando pelo título neste carnaval”, disse o presidente Marcelinho Calil.
Samba-Enredo
O samba pegou. O “ensaboa” dá um gás a mais no samba que segue numa crescente na voz do Zé Paulo Sierra. O trecho que antecede o refrão principal do samba é o momento em que o componente canta com mais vibração dançando e fazendo coreografias. A obra tem como aliado o clamor da comunidade.
Harmonia
Cantando muito da primeira a última ala, a escola tem hoje uma das melhores harmonias do carnaval. A comunidade apaixonada de Niterói abraçou e canta o samba a plenos pulmões. Zé Paulo comanda o carro de som com maestria, chamando o componente para dentro do treino. O carro de som e a bateria se encaixam muito bem, até mesmo nas bossas mais elaboradas de mestre Ciça.
“O ensaio foi bom, sabemos que temos coisas para pontuar e corrigir, mas o ensaio reflete o bom momento que a escola está vivendo de total harmonia entre todos os segmentos”.
Evolução
No ensaio deste domingo pode-se ver uma escola alegre e empolgada. Dançando e fazendo coreografias durante o treino a escola fez um ensaio técnico porém cheio de emoção. É visível uma escola organizada onde cada um sabe sua função e executa de forma correta. Não é perceptível nenhum erro da escola.
Comissão de frente
Coreografada por Alex Neoral, a comissão de frente da Viradouro para 2020 é composta apenas por mulheres. Simulando a presença de um elemento cenográfico a comissão ensaiou o que parece ser parte da coreografia oficial para o desfile. Bem entrosadas, com passos fortes e bem marcados as bailarinas fizeram um ensaio em alto nível.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Em seu décimo terceiro ano juntos, Julinho e Rute vivem um grande momento na agremiação de Niterói. Fazendo uma coreografia forte e encantadora o casal confirmou o entrosamento. Rute com toda garra presente em sua dança fez um ensaio majestoso ao lado do seu par, Julinho, que com toda sua elegância dança sem sequer tirar os olhos da porta-bandeira. O casal parece estar feliz e confiante.
Bateria
A bateria de mestre Ciça foi o ponto mais alto do ensaio, com uma bossa em que timbais são erguidos por um elevador a bateria levou o público que assistia e a comunidade ao delírio. O mestre vai levar para Sapucaí 4 bossas com um andamento de 147 BPM (batidas por minuto).
“O elevador é nossa grande surpresa, claro, ele vai vir muito diferente na avenida. Estamos trabalhando para fazer um grande desfile e se ganharmos será consequência desse trabalho”.
A Pérola Negra realizou neste domingo seu primeiro ensaio técnico para o carnaval de 2020 no Sambódromo do Anhembi. O treino foi marcado pela forte chuva, mas isso não impediu a comunidade da Vila Madalena de fazer um bom ensaio, pelo contrário, a escola passou segura e não cometeu erros que possam comprometer o desfile. Destaque para a comissão de frente, que apresentou um grande repertório nesta noite.
“O ensaio foi positivo, por causa da chuva a gente achou que as pessoas fossem recuar, porque choveu muito em São Paulo hoje, mas acabou vindo muita gente. Temos muita coisa para melhorar, mas para mim foi um ensaio positivo. A partir de hoje nós vamos reestruturar o que vimos que está errado para poder vir no próximo com mais segurança”, declarou a presidente Sheila Mônaco.
Samba-Enredo
A obra se destaca mais por sua letra do que pela melodia. O intérprete Daniel Collete, que está indo para seu vigésimo ano no carnaval paulistano, conduziu muito bem a escola e mostrou um grande entrosamento com a bateria do mestre Neninho. A ala musical acompanhou bem as bossas no cavaco e violão e não deixou que os componentes confundissem a letra após sua execução. Vale ressaltar que nestes primeiros ensaios, a comunidade se baseia apenas no carro de som para o canto, pois as caixas de som ainda não estão disponíveis.
“A nossa escola está muito feliz por reunir os componentes, a escola está em reconstrução. Fomos campeões do acesso em reconstrução e hoje bateu todos os recordes de componentes aqui na avenida. O diretor veio falar para mim: ‘Daniel, estou a 29 anos na escola e nunca vi tanta gente no ensaio do Pérola Negra’, e é nosso primeiro, nós viemos de um réveillon, nós tivemos apenas um ensaio e conseguimos juntar todo mundo aqui legal, cantando, a ala musical tem a senha. Nós temos estúdio na semana que vem para poder acertar as coisas, estamos no caminho e nós queremos pancada na cabeça, quero todo mundo falando que está ruim para podermos abrir os olhos e consertar. A gente quer que critique para poder consertar cada vez mais”, disse o intérprete Daniel Collete.
Bateria
A bateria do mestre Neninho é mais uma que está se adaptando ao novo regulamento que prevê mais criatividade, as famosas paradinhas. Neninho está à frente da “Swing da Madá” desde 2018 e só tirou nota 10 desde então. No título do Acesso em 2019, a bateria da escola foi um dos quesitos destaque do desfile e uma das melhores do grupo.
“O entrosamento da bateria com a ala musical está perfeito, eu ganhei um intérprete que além de mestre de bateria, diretor de harmonia e excelente intérprete, ele entende muito bem de ritmo e é um cara que o que ele me pede eu procuro fazer e o que eu peço para ele, ele procura me atender também, e a ala musical nos cavacos e violões são todos companheiros de noite. Ao meu ver está tudo certo e eles estão fazendo as bossas junto com a gente, está tudo legal. Sobre a bateria eu sou muito crítico e acredito eu que precisa sim arrumar alguns detalhes, porém a chuva veio para abençoar, então acredito que foi bom. Vou conversar com meus diretores, fazer uma reunião, o ritmo foi o andamento que eu queria, 146 BPM (batidas por minuto) e consegui distinguir todos os meus naipes. Agora é limpar as quatro bossas e ir para a pista”, comentou mestre Neninho.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Por causa da forte chuva, inevitavelmente a evolução e o bailado do casal foram afetados. A porta-bandeira Eliana Sales teve que trocar as sapatilhas no meio do ensaio e eles só conseguiram executar a dança rápida no final, quando a chuva deu uma trégua.
“Nós estamos ensaiando desde abril, e agora quando chega nessa reta final de dezembro, janeiro e começo de fevereiro, é ensaio todos os dias, para trazer os 40 pontos e permanecer no especial, que é o objetivo da escola”, disse a porta-bandeira Eliana Sales.
“O ensaio foi positivo, a gente ensaia muito, mas também temos que lembrar que acontece imprevistos. A chuva veio para fortalecer, para lavar a alma, para ver nossa coreografia como se encaixa e graças a Deus deu tudo certo, viemos com garra, determinação e estamos trilhando um caminho legal”, falou o mestre-sala Arthur Santos.
Harmonia
A harmonia da escola foi muito bem no primeiro setor, mas teve uma queda considerável no último, alguns componentes não cantavam com a mesma determinação e alguns aparentemente nem sabiam a letra. Mas no geral, são coisas pequenas a serem corrigidas neste quesito.
Evolução
Apesar da tempestade, a evolução da escola surpreendeu e não apresentou tantas falhas. A agremiação está apostando muito em alas coreografadas, que foram separadas por camisas diferentes, algumas usando bexigas e outros com adereços de mãos, e para correção, deve-se arrumar melhor o alinhamento entre as fileiras das alas.
Comissão de Frente
Foi o quesito destaque desta noite. Os componentes da ala não se intimidaram com a chuva e executaram muito bem sua dança, intercalando coreografia do samba com uma apresentação teatral. A comissão de frente usou um tripé, onde os integrantes entravam e saíam de dentro durante a coreografia.
Buscando sua permanência no Grupo Especial do carnaval paulistano a Pérola Negra abrirá a noite de desfiles do sábado com o enredo: “Brasil Tcherain. A estrela cigana brilha na Pérola Negra”, uma homenagem aos ciganos, desenvolvido pelo carnavalesco Anselmo Brito.