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Fotos: Desfile da Ilha no Carnaval 2020

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Eugênio Leal analisa o desfile da União da Ilha 2020

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Evolução atrapalha melhor desfile da Grande Rio desde 2010 e acaba com pretensão de brigar pelo topo

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Por Guilherme Ayupp. Fotos de Allan Duffes, Isabel Scorza e Magaiver Fernandes

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Os sambistas clamaram, a Grande Rio demorou, mas atendeu. A escola optou por resgatar o seu DNA de enredos mais culturais como nos seus primeiros anos. O desfile da agremiação na madrugada deste domingo de carnaval deixou bastante claro que a escolha foi acertada. Cantando com a alma, evoluindo como há anos não se via e com uma plástica de extremo bom gosto, mesmo com um enredo denso.

Mas nem tudo foram flores. Se a escola evoluiu bem no aspecto da espontaneidade dos componentes, cometeu diversos erros de andamento, deixou abrir buracos e para tornar a situação ainda mais preocupante entrou com o seu abre-alas desacoplado na pista. Mesmo sem estar acoplado a escola ficaria com seis alegorias, já que levou cinco. Porém, o início tenso desembocou em uma evolução irregular, que pode afastar a escola do sonhado título. A Grande Rio se apresentou com o enredo ‘Tatalondirá: o canto do caboclo no Quilombo de Caxias’. A tricolor foi a quinta a desfilar e usou 68 minutos para sua apresentação.

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Comissão de Frente

Proposta complexa, porém bem executada da dupla Hélio e Beth Bejani. A apresentação buscou sintetizar o rito mestiço diversificando o culto aos orixás, inquices e os caboclos. E um primeiro momento os dançarinos estavam reunidos na forma de Iansã e Oxóssi, os orixás que regiam a cabeça do célebre Pai de Santo. Eles estavam em pequenos elementos alegóricos, que em um segundo momento eram transformados em ‘ocas’, de onde saíam índios caboclos. No fim esses índios subiam no tripé e faziam um evolução com forte traço corporal, sobre a água. Um pajé nas cores da escola complementava a apresentação que era finalizada com a inscrição ‘Respeita o meu axé’. Uma forte apresentação.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Notória evolução da dupla Daniel Werneck e Taciana Couto. Mais entrosados, com os movimentos muito bem feitos e grande cumplicidade entre eles. As três apresentações nos cinco módulos de julgamento transcorreram sem erros. O casal reverenciou Exú, com figurinos que dialogam com o poema de Abdias Nascimento, mesclando elementos de Exu-Barra e Exu-Catiço. A roupa possuía um minucioso trabalho em búzios e miçangas.

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Enredo

O desfile se iniciava com os delírios que conduziram um menino do interior baiano, nascido na cidade de Inhambupe, à visão fantástica de um homem coberto de penas, o Caboclo da Pedra Preta, guia e fio condutor do enredo. Na sequência da narrativa, João deixa a pequena Inhambupe e chega à mítica Salvador, cidade solar, cintilante, que festeja os caboclos, no 2 de julho; cidade onde Pai Jubiabá desafiava outros candomblés, promovendo ritos “impuros”, mistura de orixás, inquices e caboclos.

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O desfile mostrou, na sequência, que João desembarcou no Rio de Janeiro e fincou as suas raízes na Baixada Fluminense, Duque de Caxias, transformando a “Nova Gomeia” em um cenário de festa e fartura. Baixavam os caboclos na Baixada, sob a proteção de Pedra Preta, no transe do Juremá. O rito do candomblé de Joãozinho misturava a matriz Angola, o culto da jurema sagrada (praticado nas regiões Norte e Nordeste) e as especificidades do candomblé de caboclo.

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A relação de Joãozinho com o carnaval foi abordada no setor 4, ‘A rua: carne de carnaval’. Em seguida narrativa chegou a outro momento do enredo, dedicado aos palcos. João reinou nos grandes teatros e brilhou nos maiores cassinos. Para finalizar, o desfile entoará um canto de tolerância, em defesa da liberdade religiosa e da diversidade cultural.

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Não é simples defender na avenida um proposta tão densa. Afinal é preciso estar atento ao fato de que muitas pessoas desconhecem certas especificidades das religiões de matriz africana. Foi por isso que os carnavalescos optaram por figurinos bem didáticos, principalmente nos setores iniciais. Depois que o desfile chegou nos aspectos mais conhecidos do homenageado a compreensão se tornou mais facilitada.

Alegorias e adereços

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Conjunto imponente, como pedia o enredo. Na primeira alegoria estavam representadas as raízes ancestrais afro-ameríndias de Joãozinho da Gomeia. As soluções estéticas apresentadas foram muito felizes. Um xirê no terreiro da Gomeia foi representado na segunda alegoria do desfile. Para a terceira alegoria o conceito utilizado foi a transformação do terreiro da Goméia em uma aldeia indígena. Em seguida veio o quarto carro, com homenagem à diversidade de Joãozinho na relação com o carnaval. O encerramento foi com uma alegoria pedindo o fim da intolerância, com a presença de líderes de diversas religiões.

Fantasias

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Extremo bom gosto de Leonardo Bora e Gabriel Haddad. Em uma noite que contou com Rosa Magalhães, Tarcísio Zanon, Marcus Ferreira, Leandro Vieira e João Vítor Araújo, a dupla de carnavalescos da Grande Rio deu nome e sobrenome. As alas possuíam requinte e bom gosto, aliando leitura e o emprego de diversos tipos de materiais.

Evolução

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O calcanhar de Aquiles da Grande Rio em 2020. Ficou a sensação que este quesito pode comprometer o sonhado campeonato. Primeiro, a escola teve extrema dificuldade para colocar o abre-alas na avenida, ocasionando um buraco nos primeiros metros da pista. Mais à frente no segundo módulo um novo buraco e no setor 10, de novo um clarão. A escola provavelmente perderá décimos nos cinco módulos de julgamento.

Harmonia

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Com grandes escolas desfilando na noite, a Grande Rio, que foi a quinta, até então apresentou a melhor harmonia do desfile. Alas passaram cantando o samba com uma força que a Grande Rio não apresentava há alguns anos. No final do desfile a agremiação foi ovacionada pelos setores finais.

Samba-Enredo

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Cotado como obra mais completa da safra deste ano, o samba da Grande Rio superou todas as expectativas. Rendeu muito bem do início o fim. Mérito da atuação de gala do intérprete Evandro Malandro. Certamente foi a melhor atuação de sua carreira.

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Outros Destaques

A bateria levantou a Sapucaí com um ritmo alucinante, com bossas muito criativas. Fafá incorporou o personagem. Ele veio caracterizado como Ramsés. Isto porque Joãozinho usou essa fantasia no baile do Municipal no ano de 1962.

Eugênio Leal analisa o desfile da Grande Rio

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Abre-alas da Ilha retrata o cotidiano e a diversidade das favelas

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A União da Ilha do Governador foi a penúltima agremiação a desfilar na noite deste domingo, com o enredo “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas; a sorte está lançada; salve-se quem puder!”. O desfile é uma reflexão sobre os principais problemas que afetam as camadas mais pobres da população, que acaba se instalando em comunidades nas periferias das grandes cidades.

No entanto, o foco da escola insulana não foi os diversos problemas que as favelas cariocas têm em comum, e sim a superação através da solidariedade, da amizade, da força de vontade e determinação. Apesar de tantos pesares, a população da periferia aprendeu a ser feliz, transformando pequenos momentos de alegria em grandes festas, como é o carnaval. O abre-alas da Ilha mostra a favela e a diversidade de sua gente de fé, que é protegida por São Jorge, o Santo Guerreiro, que veio no alto do carro.

A alegoria foi batizada com o mesmo nome do primeiro setor da escola: Entre becos, ruas e vielas. São dois carros acoplados que formam uma grande favela, repleta de barracos, em meio a fios, roupas penduradas e muitas pessoas. Integravam o carro personagens cotidianos como manicures, vendedores, traficantes, donas de casa e até mesmo helicópteros da polícia com os dizeres “Agentes da Paz”, reproduzindo a realdade das comunidades cariocas. “É a nossa realidade atualmente. A favela propriamente dita com o seu dia-a-dia”, contou Katia Silene, de 48 anos, que há três anos desfila na Ilha.

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A outra parte do abre-alas veio com vários carros e motos remetendo ao intenso fluxo das favelas. Quando Ito Melodia, o intérprete do samba dizia: ‘Senhor, eu sou a Ilha!’, os figurantes do carro batiam no peito para expressar o amor pela escola.

“O carro está retratando realmente a vivência do carioca e do pobre, de nós negros… Acho muito importante. Espero que os políticos entendam o recado do nosso carnaval, que a gente fez pra mostrar pra eles que com ou sem dinheiro a gente faz o carnaval”, alfinetou Bruna Montenegro, de 28 anos, que saiu pela primeira vez na Ilha.

Mangueira recria calvário de Cristo crucificando minorias da sociedade

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Denominada de “O Calvário”, a quarta alegoria da Estação Primeira de Mangueira retratou a crucificação de Cristo. Uma gigantesca cruz no alto da alegoria revelou a figura de Jesus crucificado. Na parte superior, onde na cultura cristã ficam as iniciais “JNRJ”, foi colocada a palavra “Negro”. Justamente para levar a reflexão das políticas raciais e sociais.

Os tons escuros predominaram a alegoria, devido a associação inspirada nas partes mais trágicas dos evangelhos da bíblia.

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As múltiplas cruzes da alegoria carregavam pessoas crucificadas, fazendo uma crítica a forma como a sociedade trata as minorias. O componente André Bento, 38 anos, explicou o que representavam as composições da alegoria.

“São 10 cruzes, representando a classe LGBT, mulheres, negros, índios e os catulados que são as religiões de matrizes africanas”. André ainda completou que sua fantasia representava a classe homossexual e o motivo da representação. “É a classe crucificada todos os dias. Morta seja pela intolerância ou por não aceitação da orientação sexual alheia”.

Com 12 anos de Mangueira, Fernanda Porrio, 47 anos, afirmou que enredos polêmicos estão agradando muito a comunidade mangueirense.

“O carnavalesco retratou como se Jesus nascesse novamente, mas agora, como menino um de nossos meninos de Mangueira. Enredos polêmicos estão conquistando toda nação mangueirense”, finalizou.

Grande Rio homenageia desfile de 1970 da Imperatriz em fantasia da velha guarda

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A Acadêmicos do Grande Rio foi a quinta escola a entrar na avenida, com o enredo “Tatalondirá, o canto do caboclo no quilombo de Caxias”. A escola narrava a história de Joãozinho da Gomeia, o rei do candomblé. A ala 20, nomeada de “Realeza Nagô – Imperatriz Leopoldinense, ‘Oropa’ França e Bahia, 1970”, trouxe a velha guarda da escola em fantasias nas cores verde e branco, que faziam alusão ao desfile da Imperatriz Leopoldinense de 1970, quando João da Gomeia interpretou o Rei Nagô.

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Carlos Alberto Nascimento, de 71 anos, tem 30 anos só de Grande Rio. O presidente da velha guarda da escola, achou a fantasia bonita e elegante. “O enredo está bonito, a mensagem está linda e a fantasia também. Com isso tudo a gente volta campeã se Deus quiser”, contou o baluarte.

Com mais de vinte desfiles em Caxias, Claudia Bertolina afirmou estar acostumada a vir luxuosa, mas entendeu a proposta dos carnavalescos para esse ano.

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“Apesar de levinha é bem quente. Achei linda e dentro deste enredo que é maravilhoso”, finalizou.

Desfile da Ilha mostra ônibus lotado como forma de crítica ao transporte público

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Sexta escola a desfilar na noite de abertura do Grupo Especial, a União da Ilha veio falando das favelas e de seus moradores. “Nas encruzilhadas da vida, entre becos, ruas e vielas; a sorte está lançada; salve-se quem puder!” é o título de um enredo que foca nos caminhos enfrentados diariamente pela população das periferias. O foco da abordagem da escola não é apenas nos problemas enfrentados pelos moradores de favela, mas também na superação das dificuldades que essas pessoas são obrigadas a passar para seguirem os seus caminhos. Um dos caminhos que o povo da favela tem em comum é a saga do transporte público.

A angústia do ir-e-vir para o trabalho, numa sociedade violenta e de economia instável é vivida no interior de um ônibus, onde os trabalhadores precisam se espremerem em total desconforto. O segundo carro da Ilha trouxe exatamente essa dificuldade para a Avenida. Era literalmente uma lotação carioca, nas cores cinza e azul, com adesivos da escola.

Clarissa Waldeck, de 34 anos, fez sua estréia na Ilha e falou sobre a sua representação na passarela do samba. “Na verdade esse carro vem com o nosso dia-a-dia. Todo mundo fantasiado da gente mesmo. Tô pegando um ônibus na Presidente Vargas que de repente vira e entra na Sapucaí”.

Para essa alegoria a escola preparou uma encenação especial. Mateus Alves, de 22 anos, era o condutor que recebia os passageiros, liberava a passagem. “É como se o ônibus passasse pela Avenida Presidente Vargas, errasse o caminho e entrasse dentro da Sapucaí”.

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Mateus ressaltou a importância que o samba tem em dar voz ao povo da favela. “O samba historicamente tem essa coisa de representar as minorias, os negros, os direitos. Esse samba também vem trazendo essa força. A favela descendo pro asfalto. A voz do povo que trabalha todo dia, pega ônibus lotado, passa por várias coisas e ainda assim tem que ser feliz”.

Em relação ao transporte público da vida real, o motorista da condução insulana faz suas críticas. “O transporte público da cidade não evolui tanto quanto poderia. O preço aumenta a cada ano que passa, mas a qualidade mesmo a gente percebe que é um pouco precária. Poderia ser melhor”.

Clarissa, que interpretava uma passageira do ônibus também reclamou da qualidade do transporte oferecido à população. “Acho que falta estrutura, conforto, segurança. Acho que falta bastante coisa”. Luna Garcia, de 21 anos, foi outra passageira da lotação tricolor que deu opinião sobre o assunto. “Às vezes o transporte da cidade deixa a desejar, aparecem umas baratas no ônibus… No verão tá muito quente, nem sempre tem ar condicionado”.

Componentes da Mangueira comentam sobre as faces do Jesus verde e rosa

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Desde que chegou em Mangueira, Leandro Vieira propôs enredos que fazem o amante do carnaval refletir o sentido da festa. Seja de maneira mais sutil com Maria Betânia sob os olhos de Oyá, ou com “A verdade vos fará livre”, enredo da Estação Primeira em 2020.

O carnavalesco mostrou no desfile o mesmo Jesus misericordioso e amável que a bíblia retrata, mas lhe deu novas faces. Retratou Ele como pobre, negro, favelado, LGBT, mulher ou índio. Apresentou-o das formas e nas classes onde as pessoas da nossa sociedade mais sofrem preconceito e discriminação.

Depois de 13 anos desfilando na Mangueira, o componente Ronaldo Santos, de 52 anos, demonstrou felicidade ao ver o Jesus verdadeiramente mangueirense.

“O Jesus da Mangueira é esse Jesus que o Leandro colocou na avenida. É um Jesus que desceu nosso morro pedindo mais respeito e menos intolerância, preconceito e racismo. A Mangueira é pobre, é negra, é mulher, ela sofre e é perseguida. Tenho certeza que a mensagem foi dada”, declarou emocionado.

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Ronaldo desfilou na ala 18, a do bate-bola. A ala representava a ressurreição de Cristo em um ambiente festivo e alegre. A fantasia retratava os famoso bate-bolas, que já são figuras famosas e marcantes da folia. Com o rosto de Jesus estampado na camisa e com uma fantasia nas cores da escola, os componentes portavam também balões.

Para Sophia Travesedo, 23, a escola quebrou um tabu e o enredo foi revolucionário. “Mangueira veio quebrando um tabu, quebrando os preconceitos em um período de intolerância muito grande. Ela veio revolucionar o carnaval no Rio, veio revolucionar o conceito que a gente tem do que é o verdadeiro Cristo.”

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A ala 4 apresentou a popularidade de Jesus junto ao povo por realizar milagres. Jonanthan Mendes, 22, contou que a fantasia representava o milagre da multiplicação dos peixes, uma das celebres realizações de Jesus. Para ele, o palco da Sapucaí é o local ideal para abordar esse assunto. “É um enredo muito necessário, fala de um Jesus que não estamos acostumados a ouvir e ler. Nada melhor que o carnaval para levar essa nova face de Jesus para o mundo. E aqui é o palco do povo, é o palco dos sonhos. É o lugar onde todas as raças, tribos e tudo se misturam”, finalizou.

Grande Rio relembra participação de Joãozinho da Gomeia no Império Serrano de 1969

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O homenageado da Grande Rio, Joãozinho da Gomeia, é considerado o ‘Rei do Candomblé”, no entanto, o babalorixá foi também uma das personalidades mais midiáticas dos anos 50 e 60, inclusive por desfilar em diversas escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 1969, João encarnou o personagem Ganga Zumba, que é tio de Zumbi e foi o primeiro grande líder do Quilombo de Palmares no desfile do Império Serrano, esse feito foi representado na ala 18 da escola, intitulada “Ganga Zumba – Império Serrano, “Hérois da Liberdade”.

Além do Império Serrano, Joãozinho desfilou em três agremiações com cores verde e branco, representado no costeiro da fantasia da ala 18. Essas escolas foram Império Serrano, Império da Tijuca e Imperatriz. A fantasia em sua estrutura seguiu a proposta estética dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para a escola inteira, com materiais alternativos e mais artesanais do que os convencionais.

Em toda a sua extensão foi estruturada com listras brancas com um tecido leve, no entanto, a fantasia é pesada pelas sobreposições de texturas com as palhas. O costeiro é de qualidade com o desenho de triângulos que mesclam entre as cores verde e preta em um fundo branco e envolto por uma listra dourada e outra verde. O chapéu grande seguiu a mesma estética do costeiro em sua base e com as listras brancas em sua ponta e apontadas para o alto, com inspiração nos elementos decorativos que Fernando Pamplona na decoração do baile do Theatro Municipal em 1959, com a temática “afro”.

A parte inferior da fantasia era dourada e com círculos brancos e dourados e palha na borda para representar fielmente os materiais que eram usados nos desfiles daquela época, uma mistura de ráfia, palha e etaflon. Além dessa composição, a fantasia apresentou um escudo afro estilizado com qualidade de detalhes entre triângulos crescentes e uma haste dourada em forma de tridente para ser levantada.

Edson Jesus, 33 anos, esteve em seu sexto desfile pela escola caxiense e disse ter gostado do enredo, da fantasia e declarou seu amor à Grande Rio.

“Eu gostei do enredo e também da proposta desta ala, muito interessante, bem diferente de todos os anos em que eu já desfile. A fantasia está boa, não achei 100% porque está machucando um pouco, mas por amor à escola a gente faz de tudo. Estou amando, de coração, é meu sexto ano. A nossa escola deu uma ‘mudada’ esse ano e estamos felizes com isso. Mesmo com todas a dificuldades de conseguir verbas, por conta do nosso prefeito, ninguém pode falar que a Grande Rio está feia, porque a escola está muito linda e fico feliz em ver isso” declarou.

Cláudio Fagundes, 40 anos está em seu sétimo desfile pela escola caxiense. Contou ter gostado da fantasia, pontuou o chapéu grande mas revelou estar feliz com o enredo da escola.

“É uma fantasia bem bonita, gostei bastante. A única questão mesmo que eu poderia pontuar dela é a cabeça, achei muito grande. Mas no geral, tudo bem. Nosso enredo está bonito, falando muito bem da cultura do Joãozinho da Gomeia, a ala também. É uma fantasia grande, mas pelo menos não está quente aqui dentro”. declarou.