A Colorado do Brás realizou um grande evento em seu novo espaço, localizado na Arena Canindé, em parceria com a Portuguesa de Desportos. Batizada de “Arraiá do Brás”, a festa marcou a celebração junina da escola, com comidas típicas, atrações musicais e apresentações de quadrilhas ao longo da tarde. À noite, foi a vez da bateria e da ala musical assumirem o protagonismo da festa. O intérprete Léo do Cavaco apresentou sambas que marcaram a trajetória da agremiação e, na sequência, teve início o lançamento oficial do enredo para o Carnaval 2027. A apresentação contou com uma encenação criativa, conduzida pela coreógrafa da comissão de frente, Paula Gasparini. Em um cenário inspirado na cultura nordestina, o espetáculo foi encerrado com a revelação de um banner contendo a logomarca do tema “O Homem que Desafiou o Diabo: Ojuara”, desenvolvido pelo carnavalesco David Eslavick. O CARNAVALESCO conversou com David Eslavick, responsável pela concepção e pelo desenvolvimento do enredo da escola para o próximo carnaval.
Tema de superação
De acordo com o artista, trata-se de um enredo profundamente brasileiro, que tem em Ojuara um personagem capaz de transmitir mensagens de superação e autoconhecimento.
“É um enredo que, para mim, é muito brasileiro, porque dialoga com o povo nordestino e transmite uma mensagem extremamente positiva de autoconhecimento. A partir do momento em que a pessoa passa a acreditar em si mesma, ela consegue vencer seus medos e chegar onde quiser, superando qualquer tipo de dificuldade. Esse enredo vem para mostrar que todos aqueles que são oprimidos ou enfrentam situações complicadas na vida podem conquistar aquilo que desejam se acreditarem em si. Ojuara sonha em chegar a um lugar de fartura, onde as pedras são de rapadura e o leite corre em rios como mel. É algo muito lúdico, bonito e genuinamente brasileiro. Será uma mensagem muito positiva, em um carnaval bonito e diferente, assim como foi no ano passado. E acredito que conseguirei apresentar um carnaval ainda melhor”, disse.
Misturando o lúdico e o real
David Eslavick explicou que o desfile irá combinar elementos tradicionais da cultura nordestina com o universo fantástico proposto pela narrativa de Ojuara.
“Será uma mistura de situações, porque o enredo transita entre o imaginário e o real, sendo essencialmente lúdico. Vou trabalhar essa combinação entre os elementos nordestinos, o universo fantástico e manifestações como o xaxado. Costumo fugir do convencional e buscar formas diferentes de transmitir a mensagem por meio das fantasias e alegorias. Acredito que, quando você desenvolve um trabalho, as pessoas precisam conseguir identificar e compreender aquilo que está sendo apresentado. Caso contrário, algo não está funcionando da maneira ideal. Por isso, vou procurar mostrar o nosso enredo de forma clara e envolvente para o público”, declarou.
Tentativa de superar o próprio trabalho
A Colorado do Brás chamou a atenção no último carnaval pela força visual apresentada na avenida. Questionado sobre a expectativa de repetir ou até superar o nível do desfile de 2026, o carnavalesco preferiu evitar promessas, mas garantiu empenho máximo para entregar um espetáculo ainda mais grandioso.
“É muito difícil fazer promessas, porque isso pode elevar a expectativa das pessoas e, no fim, o resultado não corresponder ao que elas imaginavam. Mas vou me esforçar ao máximo para apresentar algo ainda melhor do que mostrei no ano passado. Sou suspeito para falar, mas adorei o carnaval que apresentei em 2026. Acho que o enredo da Bruxa foi incrível; se pudesse, eu o reeditaria. Este novo enredo também dialoga com o universo lúdico, de que gosto muito. Vou me dedicar ao máximo para superar o carnaval do ano passado”, afirmou.
Expectativa por um grande samba
Após dois anos, a Colorado do Brás voltará a realizar eliminatórias para a escolha de seu samba-enredo. Para David Eslavick, o modelo amplia as possibilidades criativas e pode resultar em uma obra ainda mais identificada com a proposta do desfile.
“Eu gosto desse formato porque me dá mais opções. No ano passado, como o samba foi encomendado, trabalhamos a partir de uma proposta específica. Desta vez, terei a oportunidade de explorar ideias e caminhos diferentes. Essa eliminatória será muito interessante, porque permite a apresentação de propostas inovadoras. Além disso, podemos chegar a um samba forte, com o qual as pessoas se identifiquem facilmente. É exatamente esse tipo de samba que está voltando à Colorado. O samba da Bruxa foi muito bom, mas tenho certeza de que o de Ojuara será ainda melhor”, concluiu.
A Feijoada da Torcida Jovem, realizada neste sábado na quadra da agremiação, na região do Aricanduva, Zona Leste de São Paulo, teve momentos bastante especiais. A posse do novo segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, Marcos Guilherme e Madu Vasconcelos; o reencontro com a comunidade; e o lançamento do enredo para o Carnaval 2027. A agremiação terá como tema “Porto de Santos, O Mundo Se Encontra Aqui”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval – formada por Leonardo Santos (Bambu), Sérgio Roberto Nonato (China), André Vinícius (Deko), Evandro Guedes, Jefferson Silvano e Fernando Senattori (Raposa). Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou duas eminentes figuras da Torcida Jovem para saber mais sobre a escolha do maior porto da América Latina como enredo.
Associação óbvia
A Torcida Jovem é uma escola de samba oriunda da torcida organizada do Santos Futebol Clube – e que, mesmo acompanhando o clube da Baixada Santista, foi fundada em São Paulo. A cidade de Santos é conhecida mundialmente pelo porto, o maior da América Latina e do hemisfério Sul, de acordo com dados da Lloyd’s List – publicação que é referência do setor portuário.
Não precisa ser um gênio, portanto, para entender que o Porto de Santos é importante para toda a cidade e para todos que, de alguma maneira, estão ligados à Baixada Santista – algo que, naturalmente, acontece com a Torcida Jovem.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Evandro Guedes, integrante da Comissão de Carnaval e Diretor de Carnaval da escola, destrinchou os motivos da escolha de tal enredo: “A ideia é antiga e quase foi à prática em 2024, quando a gente subiu para o Grupo de Acesso I. Foi uma ideia que veio de um assessor do prefeito de Santos e não foi para frente. Diante das dificuldades que a gente tem para levar o Carnaval para a avenida, a gente voltou a se falar novamente em 2026, assim que acabou o Carnaval. Passou uma semana, ele já falou que um enredo sobre o Porto daria bom. O interessante é o porto fica na cidade de Santos, o time da Torcida Jovem é de Santos e a gente nunca procurou falar do porto. Dessa vez, surgiu a ideia de falar do Porto de Santos, um dos portos mais importantes do mundo e o maior da América Latina. Através desse enredo, tentamos arrumar uns patrocínios aí, uns contatos ali, algo que ajuda muito”, confessou.
Jefferson Silvano, presidente da Torcida Jovem, foi pela mesma linha: “Referente à escolha do enredo, já é uma vontade um pouco antiga nossa. A gente já vem há alguns anos falando que a gente gostaria de falar do porto. Nesse ano, a gente achou que era o momento correto, um momento bom para falar do Porto de Santos – que tem uma história muito rica, não só do Porto em si, mas a história de como tudo começou, da cidade de Santos e até do próprio Santos Futebol Clube. Tudo está envolvido. A gente acha que tem tudo para fazer um ótimo Carnaval, de grande qualidade, para colocar o desfile na avenida. Quem vem acompanhando os nossos últimos carnavais vê que a gente em um ano é campeão, no outro cai, depois é por um décimo perdendo o Carnaval. Estamos sempre fazendo carnavais bem competitivos, com muito respeito a todas as outras coirmãs. Na nossa visão, era o momento certo de encaixar esse tema para esse ano. Vocês podem ter certeza que a cada ano que passa é o Carnaval mais importante da história da Torcida Jovem. Todos vão se surpreender muito na avenida”.
Jé, como é popularmente conhecido o presidente, foi ainda além e revelou que a temática era desejo do grande nome da história da agremiação: “A gente já fala desse enredo há muitos anos, mesmo. Inclusive, quem falava isso era o nosso número um aqui da entidade, Cosmo Damião Freitas Cid, o fundador. Ele que é o culpado por tudo isso aqui! A gente já escutava muito ele falar que gostaria muito de falar do Porto de Santos. A gente ficou martelando vários anos, e mesmo depois do falecimento do seo Cosmo a gente sempre teve a vontade de fazer esse enredo. Agora, entendemos que esse ano é o ano para falar do porto – e, se Deus quiser, vamos fazer um grande Carnaval e a Torcida Jovem vai subir para o Grupo de Acesso I”, disse.
Fundador da TJ, seo Cosmo, falecido em setembro de 2023, foi homenageado logo no início do vídeo que apresentou o enredo na quadra da escola:
Cronologia respeitada
Antes da revelação do enredo, a comissão de frente da Torcida Jovem fez uma apresentação para facilitar o entendimento de todos. Um vídeo também antecedeu a aparição do logotipo da temática, e algumas dicas foram dadas por meio de tais momentos. Evandro foi didático a respeito de tudo que o enredo tratará: “A gente vai começar falando do porto antigo, por chegaram os imigrantes e pela exportação do café – que, na época, era o ouro do Brasil. A gente vai trabalhar do porto antigo até chegar no porto atual – já com os containers, os navios cargueiros, os navios de cruzeiro e etc. Também não tem como falar do Porto de Santos, que fica em Santos, sem falar do Santos Futebol Clube. A gente vai ter uma palhinha de Santos e do Pelé, a gente vai ter uma palinha de Iemanjá – que tem tudo a ver com a praia. A ideia é juntar tudo. A gente vai quebrar um pouco a cabeça, porque a gente já tem tudo em mente – mas sabe como é o Carnaval: vai chegando e vão surgindo novas ideias. O Porto de Santos está do lado, a gente está mais em Santos do que em São Paulo, e por isso vai ser fácil adquirir pesquisa para trabalhar melhor ainda – fora o que a gente já pesquisou, é claro”, disse.
Sem medo
Nos últimos anos, a Torcida Jovem notabilizou-se por sempre trazer temáticas que envolvem temas afro. Em 2023, a escola foi campeã do Grupo de Acesso I exaltando Iemanjá; em 2024, o Brasil Bantu foi a temática; e, em 2026, a cultura afro-baiana teve vez. A mudança aparentemente acentuada na direção de enredo da TJ, entretanto, não é algo que tira o sono de ninguém na escola: “Essa mudança no enredo não nos preocupa porque é uma transição boa! Querendo ou não, tem uma palhinha de Iemanjá muito bem elaborado – orixá que nos deu o tema para o título do Grupo de Acesso II em 2023, ela vai abençoar nosso enredo. É uma transição legal e diferente, porque a gente vem há carnavais seguidos vindo com enredos afros. A gente acaba sentindo o público: eu sei que o carnaval tem tudo a ver com afro, só que o povo que a gente conversa, não só o santista e o TJ, tem uma vontade de mudança. O pessoal que tem outra religião, que não seja candomblé ou umbanda, tem um certo receio de desfilar com a gente por conta disso. Mas nada que desabone o tema, é um tema bom, é um tema rico, é um tema que tem a ver com a Jovem. Agora é trabalhar até chegar o dia 30 de janeiro para estar nos trinques, pronto para ser campeão”, vislumbrou.
Participação
Jé fez questão de destacar que, na Torcida Jovem, comunidade de escola de samba e associados da torcida organizada não apenas se confundem como fazem parte do mesmo ideal – e isso começa por ele próprio: “Nós somos uma escola de samba oriunda de uma torcida organizada, por isso a gente tem essa responsabilidade tanto na arquibancada quanto na escola de samba. Eu sou um presidente que gosto de estar atuante nessas duas áreas. É extremamente importante até para você estimular o seu povo, incentivar, ter o seu povo do lado. É mais do que justo a gente dar esse exemplo de participação para a nossa comunidade, para a gente realmente ter uma comunidade aguerrida que abrace as nossas propostas. Todo mundo realmente está envolvido de cabeça e a gente fez as coisas acontecerem hoje e ao longo de todo esse tempo”, finalizou.
Este último sábado foi marcado por mais um dia de CONASAMBA, realizado pela primeira vez na cidade de São Paulo, na Fábrica do Samba. Mais uma vez, a organização da FENASAMBA promoveu debates e momentos de imersão voltados à troca de conhecimentos entre as diferentes praças carnavalescas. Desta vez, o CARNAVALESCO acompanhou de perto o Encontro Nacional dos Diretores e Diretoras de Harmonia. Mediado por Demis Roberto, o painel reuniu especialistas que compartilharam suas visões sobre a função, sobretudo os desafios de liderar uma equipe de harmonia e de lidar da maneira adequada com os componentes.
História de um diretor de harmonia
Lenda viva do carnaval paulistano e uma das maiores referências do quesito, Raimundo Mercadoria relembrou as dificuldades enfrentadas por quem desejava chegar ao cargo de diretor de harmonia.
“Para ser diretor de harmonia naqueles anos (e muitos aqui acompanharam esse período da história do Carnaval e das escolas de samba), era uma função muito ingrata. Pelo menos aqui em São Paulo, o diretor de harmonia precisava exercer várias funções. Primeiro, tinha que saber tocar todos os instrumentos da bateria. Também precisava saber cantar e, popularmente falando, ‘dar no pé’. Ou seja, todas as funções existentes em uma escola de samba. Na nossa época, ninguém se tornava diretor de harmonia de um dia para o outro, como acontece hoje. No mínimo, para chegar a esse cargo, era preciso começar lá embaixo e passar por todos os setores da escola. Você era ajudante de chefe de ala, depois chefe de ala; auxiliava a bateria, carregava instrumentos e ajudava a prepará-los. Naquele tempo, nem existiam as baquetas industrializadas. Nós mesmos as fabricávamos, utilizando bambu e madeira. Portanto, o diretor de harmonia precisava conhecer e vivenciar todas as funções da escola de samba. Era uma formação construída na prática, ao longo dos anos”, comentou.
Técnica para formar uma equipe de harmonia
Ao entrar em aspectos mais técnicos da função, Carlos Pires, popularmente conhecido como Carlão, explicou a importância de o diretor de harmonia conhecer profundamente os demais setores da escola e destacou como ocorre o processo de formação de novos integrantes da área.
“É importante tomar conhecimento do que aconteceu no passado para saber o que deve ser preservado e levado adiante. Essa é a primeira questão. A segunda é entender quem está transmitindo esse conhecimento e como ocorre esse processo de formação. É preciso explicar como funciona o trabalho dentro da escola, desde a construção do desfile até os quesitos de julgamento. O diretor de harmonia precisa conhecer tudo isso. Como você vai conversar com o mestre de bateria sobre algum problema técnico se não entende minimamente do assunto? A primeira reação será ele questionar sua autoridade para falar sobre aquilo. Formar um diretor de harmonia é um processo. Muitas vezes, as pessoas não querem passar por todas as etapas necessárias. Existe a questão da disciplina, da liderança e da capacidade de comandar uma equipe. O diretor de harmonia lidera um grupo, orienta pessoas e dá direcionamento ao trabalho.”
Carlão também comentou como avalia sua equipe. Segundo ele, a forma de comunicação e as aptidões individuais são determinantes para definir as funções de cada integrante.
“Particularmente, nos cursos de formação que realizo, promovemos encontros frequentes para discutir todos esses temas. Também ouvimos novas ideias e trazemos profissionais experientes, inclusive de outras escolas, para compartilhar conhecimento. Sempre enxerguei isso como uma troca. O principal é que a pessoa tenha interesse, amor pela escola e vontade de aprender. Com o tempo, ela se desenvolve e demonstra seu potencial. Também procuro identificar as habilidades de cada integrante da equipe. Alguns têm facilidade para se comunicar com a comunidade; outros entendem mais de barracão, fantasia ou organização. Ninguém domina tudo. Por isso, distribuímos responsabilidades de acordo com as competências de cada um. Quando você forma um grupo com diferentes qualidades, consegue atender a todas as áreas da escola. Afinal, ninguém consegue estar em todos os lugares ao mesmo tempo”, afirmou.
Empatia pelo componente
Diretor de harmonia da Dragões da Real, Rogério Félix abordou o lado humano da função e ressaltou que a missão da harmonia é servir à comunidade e proporcionar as melhores condições para que o componente tenha um bom desempenho no desfile.
“Para mim, a harmonia é a arte de servir. Se você não está disposto a servir ao próximo, esse não é o seu departamento. Servimos nossa comunidade durante o ano inteiro para que ela nos represente em um único dia: o desfile. Não há como cobrar das pessoas algo que você mesmo não faz. Harmonia é liderança, não chefia. A liderança se constrói pelo exemplo. Não adianta falar e não fazer. As pessoas se espelham nas suas atitudes. Se você limpa o chão da quadra, independentemente do cargo que ocupa, mostra que é apenas mais um trabalhador daquela comunidade. Eu uso o mesmo uniforme da minha equipe porque não sou maior do que ninguém. Somos todos iguais no dia a dia e no trabalho”, afirmou.
Ainda dentro desse aspecto, Félix destacou que os diretores de harmonia da nova geração precisam buscar conhecimento sobre liderança, empatia e comportamento humano, especialmente diante do aumento das demandas relacionadas à saúde mental.
“Quando me perguntam como escolho um diretor de harmonia ou um integrante da equipe, a resposta é simples: pela paixão. Se a pessoa é apaixonada pela escola, ela pode aprender o restante. Eu não meço o tamanho de uma escola de samba pelos seus recursos, mas pela quantidade de pessoas apaixonadas que ela possui. São essas pessoas que fazem carros alegóricos, costuram fantasias, reaproveitam materiais e transformam sonhos em realidade. Além disso, o diretor de harmonia da nova geração precisa estudar liderança, perfil comportamental e empatia. Cada vez mais convivemos com pessoas que enfrentam dificuldades emocionais e desafios de saúde mental. É preciso compreender o componente, ouvir suas necessidades e saber acolhê-lo”, declarou.
Importância de conhecer o quesito e da uniformização adequada
Representante do carnaval capixaba, Wesley Dedanai enfatizou a necessidade de diferenciar os quesitos Harmonia e Evolução, que ainda são frequentemente confundidos dentro das escolas de samba. Ele também detalhou o papel desempenhado pelas equipes ao longo da preparação para o desfile.
“Temos tomado bastante cuidado para deixar claro que harmonia e evolução são quesitos diferentes. Muitas pessoas ainda confundem os dois. A harmonia está diretamente ligada ao canto da escola. Harmonia e evolução são responsáveis pela condução dos ensaios de quadra, dos ensaios técnicos e de todo o processo de preparação para o desfile. Também procuramos superar uma visão antiga do diretor de harmonia como alguém de postura fechada ou autoritária. Liderança não tem relação com arrogância. Trabalhamos com pessoas que frequentam a quadra por amor à escola. Muitas vezes, elas vão ao ensaio apenas para receber um aperto de mão ou um abraço e sentir que fazem parte daquele projeto”, disse.
Dedanai também ressaltou a importância da uniformização das equipes, tanto pela organização quanto pela identificação visual da liderança dentro da escola.
“A uniformização também é importante. O diretor de harmonia é uma referência visual dentro da escola. Quando alguém precisa de orientação, sabe exatamente a quem recorrer. Além disso, o diretor representa o pavilhão, que é o maior símbolo da escola de samba. Costumamos dizer que a escola de samba é um importante equipamento sociocultural. Ela transforma vidas, especialmente em territórios de maior vulnerabilidade social. A cultura abre oportunidades e oferece novos caminhos. O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais do planeta. Por isso, quem veste as cores de uma escola e representa sua comunidade precisa compreender a responsabilidade que carrega ao defender esse patrimônio cultural”, ressaltou.
O encerramento das mesas e debates no segundo dia do CONASAMBA (Congresso Nacional das Escolas de Samba), que está sendo realizado na Fábrica do Samba, em São Paulo (SP), entre os dias 4 e 7 de junho, teve como tema um painel sobre o Carnaval nos estados localizados nas regiões Sul e Sudeste do país. O bate-papo reuniu gestores, diretores e articuladores desses carnavais, a fim de entender os desafios, as similaridades, as adversidades e as propostas para o Carnaval brasileiro. O encontro foi dividido em duas partes por conta da quantidade de representantes, e o CARNAVALESCO esteve lá para ouvir e trazer quais foram os passos e obstáculos desta conversa. O primeiro ponto de destaque trata de quanto o CONASAMBA é fundamental, porque a maior parte dos posicionamentos durante o painel girou em torno das dificuldades para se fazer o carnaval e, de modo geral, a sociedade que vive em lugares onde a folia está estruturada financeira e culturalmente, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, sequer percebe as circunstâncias de adversidade que um carnaval descentralizado enfrenta. O Congresso Nacional das Escolas de Samba pôs luz e lupa neste tema e, com a democracia e a liberdade como pilares do Carnaval, dá para dizer que “sobrou para todo mundo” durante as colocações.
A mediação deste debate inter-regional ficou por conta de Éverton Pugliesi, vice-presidente da Região Sul da Federação Nacional das Escolas de Samba (FENASAMBA), e o primeiro a falar foi o presidente da UESPA (União das Escolas de Samba de Porto Alegre e Região Metropolitana), Juarez Guiterrez. Ele refletiu sobre a trajetória do carnaval porto-alegrense ao longo dos anos e fez um recorte mais específico a partir de 2022, quando houve a retomada mais plena das atividades pós-pandemia, que culminou em uma crescente na situação atual do carnaval gaúcho.
“Hoje, o Carnaval de Porto Alegre, através das duas ligas que fazem o seu gerenciamento, produção e execução, busca mostrar a importância para o poder público (…), de pautar exatamente a busca pela qualidade”, relatou.
Em um segundo momento-chave e sincero, Juarez reflete sobre as dificuldades financeiras nas gestões das agremiações: “Buscando uma conscientização a partir de cada gestor, de que o restabelecimento das próprias contas internas das entidades, daquilo que ‘ficou para trás’, também tem que ser revisto. O reconhecimento individual de um sucessor que assume após a eleição de uma entidade e acaba sempre tendo o mesmo discurso: ‘mas eu já peguei do jeito que estava’; então, é uma transferência de responsabilidade. (…) Se nós, dirigentes de liga, conseguirmos levar essa interlocução e conseguirmos convencer as nossas afiliadas de que esta é a pauta que deve ser discutida e restabelecida, trazendo mais saúde para as finanças da escola”, completou.
A continuidade do painel contou com a fala do presidente da Liga RJ, Deo Pessoa. O carioca explicou o redesenho da Liga RJ e a luta pela valorização do carnaval. O dirigente avalia que são necessários avanços mais robustos, principalmente para as séries Ouro, Prata e Bronze. Contudo, na relação com o poder público, o dirigente avalia que houve resultados positivos e usou a Fábrica do Samba para o Grupo de Acesso como uma dessas conquistas significativas.
“É um projeto que surgiu há 12, 14 anos, como promessa do Carnaval do Rio de Janeiro, e que, graças a Deus, vai se concretizar no próximo ano. Isso vai trazer dignidade para as agremiações da Série Ouro. (…) Muitos de vocês não conhecem os espaços físicos onde é construído o nosso espetáculo (atualmente). São locais insalubres que não trazem a mínima dignidade para o profissional de carnaval, os dirigentes e os componentes. A conquista desse espaço é uma luta antiga nossa!”, celebrou.
Anfitrião geográfico do CONASAMBA deste ano, o presidente da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), Nenê Teixeira, afirmou que “não dá para fazer carnaval sem política” e contou como estão as relações da UESP com o poder público e quais são os projetos mais próximos de ganharem vida: “Estamos construindo um projeto junto com a Câmara Municipal, alinhado com o presidente da Câmara dos Vereadores, Ricardo Teixeira (UNIÃO), para construirmos um polo de desfile na Vila Esperança. Passaríamos a ser a primeira cidade do Brasil e do mundo a ter dois sambódromos. (…) Começamos a bater na Câmara Municipal porque também teríamos o Legislativo do nosso lado. Já estamos até chamando de bancada do samba”, comentou.
O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial de Vitória (LIESGE-ES), Edson Neto, deu continuidade às exposições junto com o presidente do Grupo de Acesso e trouxe uma curiosidade que envolve a construção do sambódromo onde acontece o carnaval capixaba. Segundo Edson, o nome da passarela ser “Sambão do Povo” deve-se ao fato de que faltavam 30 dias para o carnaval e a empresa responsável não conseguiria terminar a obra dentro do prazo previsto. Foi aí, então, que o povo do samba desceu o morro e finalizou o sambódromo em 1987. Ele também comentou a importância de existir unidade entre as ligas e grupos para o bem do carnaval de cada região: “A gente também se uniu como liga. (…) A gente bate junto em todas as secretarias para buscar recurso”, afirmou
O mediador Éverton Pugliesi anunciou a próxima integrante do debate, a quem concederia a palavra, como uma presidente forte. O discurso da presidente da UECEGAPA (RS), a gaúcha Kelly Ramos, fez jus à apresentação prévia. Ela trouxe uma série de situações complexas para quem constrói um carnaval descentralizado. Em um desabafo político e cultural sobre o carnaval porto-alegrense e a relação com o poder público, a jovem denunciou o problema de repasse de recursos para as escolas de samba e apontou o Estado como o responsável. De forma dura, ela chama de “piada” o carnaval receber um edital de R$ 3 milhões, sendo que o estado gaúcho é composto por 497 municípios. Ainda segundo ela, o sambódromo de Porto Alegre até hoje não possui arquibancada e banheiro. Além disso, a jovem cobrou a FENASAMBA em busca de respostas mais concretas: “A gente continua aqui sem as respostas. Mais do que uma carta, precisamos de uma devolução da carta. (…) Até quando nós, presidentes de liga, até quando nós, presidentes de escola de samba, vamos ficar batendo na porta de gabinete, dependendo de A ou de B para ajudar nossas escolas e para ajudar as nossas ligas? Até quando isso?”, questionou.
A segunda parte do debate começou com a fala de Ricardo Nodari, presidente da LIEJHO, que revelou os desafios para o carnaval no interior de Santa Catarina. De acordo com ele, a maior dificuldade é a linha de financiamento, e a solução para fortalecer o Carnaval brasileiro institucionalmente está na superação do modelo político que o poder público usa para se relacionar com a festa: “Se a gente transformar o carnaval em uma política de Estado, e não uma política de governo, nós vamos poder figurar no orçamento da União. (…) A partir de uma lei, e essa lei aprovada no Congresso Nacional. A FENASAMBA deveria partir agora para uma política de Estado do carnaval”, citou.
Na sequência, o presidente da ASSESGRU (RS), Pedro dos Anjos, comentou sobre sua perspectiva dentro da associação de escolas de samba de Uruguaiana, cujo carnaval tem crescido e se aprimorado. A visão de construir melhorias para o carnaval através da relação democrática e política foi o principal ponto trazido por Pedro: “Antes era bem mais difícil fazer carnaval. Eu quero agradecer ao prefeito municipal Carlos Delgado (PROGRESSISTAS). Eu quero agradecer ao prefeito anterior, Ronnie Melo (NOVO), porque a gente vem há bastante tempo movimentando e resgatando o carnaval de Uruguaiana”, contou.
Em seguida, Maria Elisa Abreu, presidente da Liga MG, defendeu que, antes da organização do desfile, está o fortalecimento do carnaval como um todo. O trabalho de fazer do Carnaval uma política pública constante, e não um evento sazonal, atravessa este entendimento de diálogo com todos os setores que compõem e querem compor o carnaval de Belo Horizonte: “A nossa missão na Liga hoje é construir pontes. Pontes entre as escolas de samba e o poder público. Pontes entre os fazedores de cultura e a sociedade. (…) Porque o desfile acontece uma vez por ano, mas as escolas de samba trabalham o ano inteiro”, complementa.
O carnaval de Florianópolis também esteve presente. A presença de Joel Costa Junior, presidente da Associação das Ligas do Estado de Santa Catarina (ALIESSSC-SC), foi mais uma fala combativa em defesa do Carnaval brasileiro, com disposição crítica sobre a maneira como parte dos setores da política catarinense se comporta com os articuladores da folia. Em contrapartida, o dirigente deu um “puxão de orelha” nos setores do carnaval que, na visão dele, deveriam abandonar essa conduta subserviente para com o poder público: “Nós temos que estar preparados para oferecer e solicitar alguma coisa. Chegar na frente do poder público e chegar na frente de um grande patrocinador, de mãos vazias, sem discurso, sem histórico, sem algo apresentável, é um trabalho anticarnaval”, defendeu.
Com a frase “O carnaval de Curitiba precisa de ajuda”, Jeferson Pires, da LIESC – Curitiba (PR), foi o último convidado do painel a colocar seu ponto de vista. O relato é impactante, à medida que o dirigente sustenta que posições político-ideológicas quase acabaram com o carnaval de Curitiba. A perseguição política esbarrou no carnaval e impossibilita a chance de reconhecimento, crescimento e estrutura para os trabalhadores do setor: “A questão sempre foi política lá. A extrema-direita é muito forte em Curitiba. A bancada evangélica em si. (…) Teve um vereador que fez um PL (projeto de lei) para tirar o direito que as escolas de samba têm de receber o dinheiro. Para vocês terem uma ideia de como está Curitiba”, denunciou.
A eleição para a presidência do Império Serrano, que estava prevista para ocorrer neste domingo, foi suspensa por decisão da Justiça. A medida reconheceu a existência de questionamentos relacionados à regularidade do processo eleitoral. Em manifestação pública após a decisão, integrantes da chapa “Avisa aos Navegantes que o Império vem aí” afirmaram que defendiam a necessidade de esclarecimento das dúvidas levantadas sobre a condução da eleição antes da realização do pleito.
Segundo o grupo, havia preocupações relacionadas à transparência do processo e à segurança jurídica para os associados aptos a votar. A chapa também declarou que a suspensão da eleição permitirá que as questões apresentadas sejam analisadas antes de uma nova votação. No comunicado, os representantes da candidatura destacaram que o Império Serrano possui uma trajetória histórica que, segundo eles, deve ser preservada por meio de processos considerados legítimos pelos associados.
A chapa também registrou posicionamento favorável à decisão judicial, afirmando que a medida busca assegurar o respeito às garantias democráticas no processo eleitoral da agremiação.
O Conselho Diretor da entidade se posicionou. Veja abaixo.
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A suspensão da Assembleia Geral de Eleição decorre do cumprimento de decisão liminar proferida pelo Poder Judiciário em ação ajuizada pela Sra. Paula Maria. Neste momento, cabe a esta Presidência cumprir integralmente a determinação judicial, sem prejuízo da adoção imediata das medidas recursais cabíveis para sua revisão.
Entendemos que a referida ação foi fundamentada em alegações que não refletem integralmente os fatos. Entre os pontos que serão oportunamente esclarecidos ao Juízo, destaca-se que a autora integrava o Conselho Diretor da entidade e que sua situação de inelegibilidade decorre de circunstâncias previstas no Estatuto Social, incluindo questões relacionadas ao exercício de função pública e aos requisitos estatutários para participação no processo eleitoral.
Também será demonstrado que o Edital de Convocação da Assembleia foi regularmente publicado em jornal de circulação, fato que poderá ser comprovado documentalmente perante o Juízo. Além disso, o referido edital foi afixado no quadro de avisos da escola, em observância aos princípios da publicidade e da transparência que regem os atos da administração da entidade.
Lamentamos que o processo eleitoral tenha sido interrompido neste momento, especialmente após todos os esforços empreendidos para garantir sua regularidade e ampla participação dos associados.
Reafirmo que todas as providências necessárias serão adotadas para resguardar os interesses do G.R.E.S. Império Serrano, bem como os direitos de seus associados, sempre com observância ao Estatuto Social e à legislação vigente”.
A pouco menos de um mês para as apresentações no Festival de Parintins, o Boi Caprichoso mantém o rigor técnico para assegurar o padrão artístico já conhecido da nação azul e branca no espetáculo “Caprichoso, Brinquedo que Canta seu Chão”. Na manhã desta sexta-feira (05), o presidente Rossy Amoedo, acompanhado por membros do Conselho de Arte, realizou mais uma vistoria nos setores alegóricos do bumbá para os ajustes finais das obras que ocuparão a arena do Bumbódromo em 2026.
O objetivo do encontro semanal é assegurar que cada detalhe esteja dentro do “Padrão Caprichoso” de acabamento e estética. Durante a inspeção, o diálogo direto com os artistas de ponta foi o ponto central, permitindo que o conselho ouvisse as necessidades dos galpões e ajustasse questões logísticas e artísticas em tempo real.
Para o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, o Boi vive um momento de transição visual importante. Segundo ele, boa parte das alegorias já superou a fase de revestimento, concentrando esforços agora na pintura e na montagem decorativa. “Atuamos diretamente com os artistas, mas respeitando a liberdade criativa para que eles possam expandir as possibilidades sobre o projeto inicial. O boi é um trabalho em rede, toda essa construção se une para fazer o Caprichoso campeão”, destaca Nakanome.
O diretor de arena, Edwan Oliveira, reforça que essa fiscalização semanal é o segredo da superioridade estética do bumbá azul e branco. Para Edwan, o contato frequente permite “afinar” a característica final de cada módulo. “Nós vamos consertando pontos, elogiando e, às vezes, até retirando excessos. É isso que faz o nosso padrão ser inigualável”, pontua.
O presidente Rossy Amoedo, que traz em seu DNA a experiência de artista alegórico, destacou que a presença da diretoria nos galpões serve para dar respostas rápidas a qualquer adversidade nesta reta final. Rossy não escondeu o entusiasmo com o que viu e assegurou que o planejamento está estritamente dentro do cronograma.
“O Caprichoso está na fase de finalização: pintura, acabamento e decoração. Compreendemos que temos o maior boi de todos os anos. Ver o galpão cheio de alegorias gigantescas e com tanta beleza nos dá a certeza de que vamos lutar pelo título com um espetáculo grandioso”, afirma o presidente.
A visita desta sexta-feira contou com a presença especial do levantador de toadas Patrick Araújo. O item 02 do bumbá fez questão de acompanhar o progresso das alegorias, reforçando a unidade entre os setores artístico e musical. Para Patrick, ver a grandiosidade do que está sendo preparado nos galpões aumenta a responsabilidade e o brilho do espetáculo que será defendido na arena.
No segundo dia do Congresso Nacional das Escolas de Samba (CONASAMBA) 2026, realizado na Fábrica do Samba, em São Paulo (SP), um debate com profissionais, artistas e empreendedores do Carnaval brasileiro possibilitou reflexão e diálogo acerca dos principais desafios para a comunidade envolvida diariamente com a folia, também conhecida como trabalho. O CARNAVALESCO esteve presente para registrar os principais momentos das exposições desse painel repleto de pluralidade. Comandado por Célia Domingues, o debate iniciou-se com a fala de Vanessa Alves, musa da União de Maricá. A nutricionista trouxe para o centro da conversa o empreendedorismo feminino, o cuidado com o corpo para as mulheres e o resgate da autoestima. Ao ser perguntada sobre melhorias para as trabalhadoras e os trabalhadores no Carnaval, a musa apresentou uma defesa potente da necessidade de valorização das mulheres sambistas, incluindo propostas efetivas para esse fim, como transformar o samba das musas, madrinhas e rainhas em quesito.
“A gente pode fazer com que as escolas de samba valorizem essas meninas, as musas. A partir daí, se for exigido que seja quesito, a gente não vai ter mulheres que não são da nossa arte usurpando lugares de meninas da comunidade (…). Eu não estou dizendo que uma menina não pode vir a ser do Carnaval. Mas ela vai ter que aprender a história do Carnaval, a nossa ancestralidade e a nossa dança. Ela vai aprender a cumprimentar o pavilhão (…). Já passou da hora de a gente profissionalizar as meninas do samba: rainhas, musas e integrantes da ala de passistas. A gente tem um coordenador da ala de passistas que recebe; mas e as meninas?”, disse Vanessa.
Após a abertura da musa e rainha Vanessa Alves, foi a vez do cantor e compositor Sandro Ferraz, dez vezes campeão do carnaval gaúcho. Filho do Carnaval, o intérprete escolheu uma argumentação voltada para o fundamento cultural de pertencimento, acolhimento e construção de caráter e valores que emergem do que a escola de samba é em sua essência.
“Um grande amigo meu dizia que as escolas de samba são os quilombos urbanos que nós temos nos dias de hoje. Então, lá se discute a drogadição, se discute a menina que engravidou muito precocemente, se discute a comida que não se tem na mesa. (…) Escola de samba é um local de acolhimento. Mas, acima de qualquer coisa, escola de samba é lugar de aprendizado”, afirmou Sandro.
Antes de encerrar suas contribuições e partindo da lógica da agremiação como lugar de aprendizagem, Sandro Ferraz trouxe um ponto de vista mais concreto sobre a ampliação das capacidades formativas das escolas. Segundo ele, um dos caminhos poderia ser formar pessoas que tenham condições de escrever projetos e buscar encaminhamentos para trazer recursos públicos ou privados para dentro das escolas.
No sentido legítimo do Carnaval como cidadania, trabalho, política pública e profissão, o carnavalesco e enredista mineiro Felipe Diniz trouxe uma abordagem sobre as barreiras do preconceito que ainda perduram no entendimento da sociedade em torno dessa legitimidade. Ao expor, com exemplos, as ilações às quais os profissionais do Carnaval estão submetidos por uma parcela preconceituosa da população, que sequer reconhece esse labor como “trabalho”, o mineiro retrata o tamanho da luta contra o preconceito em lugares em que o Carnaval possui porte considerado médio no país, como é o caso de Belo Horizonte. Ele também aponta dificuldades ao afirmar que a verba é liberada faltando apenas 20 dias para o desfile. Por isso, os conceitos que ajudam a quebrar esse estigma são necessários.
“É importante esse reconhecimento. Esse empreendedorismo carnavalesco. Não só para a gente, mas para o Carnaval como um todo. É a nossa ancestralidade. (…) Se fosse ruim, ninguém copiava. Então, acho que o nosso produto tem que ser respeitado. As nossas profissões têm que ser respeitadas”, defendeu Felipe.
O dilema em que o carnaval transita entre empreender e aprender, compor ou resistir, e a defesa da cultura e da ancestralidade em um território suscetível às demandas pragmáticas do mundo dos negócios mostrou-se um excelente desafio para o painel e para o que nascerá dele. O compositor da Baixada Santista, Rubens Gordinho, abordou, de forma cordial e firme, a defesa instransponível da importância de preservar a memória e a história do Carnaval e das pessoas que o construíram em tempos muito mais miseráveis e persecutórios para os sambistas. Em sua abordagem, defendeu que o futuro não pode se esquecer do passado.
“Eu tenho certeza de que esse debate sobre empreendedorismo é muito interessante, porque fomenta o futuro da escola de samba. (…) É muito importante também a preservação da memória, da história do samba e dos nossos sambistas. (…) É preciso empreender na preservação dessa história, para não acontecer um apagamento”, destacou Rubens.
Para encerrar o conjunto de convidados previstos para o painel, o empresário Renato Cândido trouxe para a conversa sua experiência em captação de recursos para o Carnaval. Os recursos e as necessidades, tanto das escolas de samba quanto de seus integrantes, costumam ser inadiáveis, assim como ocorre para a maioria dos brasileiros. Com uma visão mais pragmática, Renato organizou seu ponto de vista de forma didática, ao brincar sobre equiparar a captação de recursos para o Carnaval a um quesito tão crucial quanto qualquer outro. “É o décimo quesito”, brincou.
A sustentação de que a formação de captadores de recursos dentro das próprias comunidades é central para que a cultura, que também é produto, aconteça e cresça foi um dos pontos defendidos por ele: “Alguém tem que pagar a conta. Esse profissional tem que estar preparado para falar da sua agremiação. É ele quem tem que saber qual é a conduta e quais são as cores do projeto. (…) O cliente está do nosso lado. O cliente é a padaria que conhece sua mãe, seu pai e você. (…) Isso é captação de recurso”, complementou.
O painel, que misturou conflitos capazes de caminhar juntos e alicerçar avanços reais para o carnaval brasileiro, ainda reservou tempo para uma manifestação de Sandro Santos, coordenador-geral do Sistema Nacional de Cultura (MinC), sobre a importância do debate e o panorama relacionado à descentralização dos recursos atuais do Ministério da Cultura:
“Está sendo descentralizado para a Política Nacional Aldir Blanc, que vai para os estados e municípios. Então, temos que fazer a discussão com os municípios, que realizam a relação operacional. Com os estados, fazer a discussão tática; e, cada vez mais, o Governo Federal fica com a decisão estratégica. Portanto, compreender essas discussões e nuances da política cultural é importante”, afirmou Sandro Santos.
Apesar do nome, o Congresso Nacional das Escolas de Samba (CONASAMBA) 2026 abriu espaço, pela primeira vez, para outra importante manifestação carnavalesca do Brasil: os blocos de rua. A primeira mesa da sexta-feira, intitulada “O Futuro do Carnaval de Rua no Brasil: Governança, Financiamento e Impacto Territorial”, teve participação de uma série de eminentes nomes ligados a tal prática cultural – que fizeram questão de pontuar o quanto os blocos e as escolas de samba fazem parte do mesmo universo e só têm a ganhar quando trabalham em cooperação. Cobrindo a CONASAMBA 2026, o CARNAVALESCO traz um panorama de tudo que foi discutido na ocasião.
Participantes
Presencialmente, eram cinco palestrantes:
– Carla Wendling, coordenadora administrativa da Associação Carioca de Blocos e Bandas Folia Carioca e diretora do Departamento de Blocos e Bandas do Carnaval de Rua da FENASAMBA (RJ)
– Bell Xavier, vice-presidente da UBCRESP (União dos Blocos do Carnaval de Rua do Estado de São Paulo
– Elisa Santos, gestora cultural, produtora executiva, pesquisadora da cultura e presidenta da Sambúrbio Produções
– José Claudemir Martins, vice-presidente da União dos Blocos Carnavalescos da Cidade de Porto Alegre
– Kitanji Nogueira, presidente da Liga dos Cordões e Blocos Carnavalescos da Cidade de Pelotas
Três convidados enviaram vídeos para colaborar com a discussão:
– Lucas Moraes, representante da Liga Belorizontina dos Blocos de Rua
– Jairo Araújo, gestor e produtor cultural/articulador dos blocos de rua do Carnaval do Piauí
– Messias Júnior, sociólogo e coordenador do movimento THE CARNAVAL, dedicado à salvaguarda da folia em Teresina
A mediadora foi Renata Masf, empresária, formada em Relações Internacionais com atuação em Comércio Exterior e Projetos e diretora executiva da UBCRESP.
Divisão em questões
A primeira pergunta levantada por Renata foi “Qual é o principal desafio para o fortalecimento do Carnaval de rua e como ele impacta os blocos e os fazedores de cultura e a população?”. A partir de tal indagação, os convidados foram falando a respeito – sempre dando um panorama dos territórios abraçados.
Carla destacou que os blocos de rua do Rio de Janeiro sempre foram muito ligados à tradicionalidade, mas que a tecnologia soube se integrar à festa: se, antes, nem todos os blocos tinham sequer um sistema de som; hoje em dia, os chamados megablocos (como os de Ivete Sangalo, citado pela palestrante) possuem um aparato gigantesco.
Representante de uma cidade que tem blocos há mais de 110 anos, Kitanji destacou a união entre as instituições de rua e agremiações que ocupam sambódromos e/ou avenidas: “Carnaval de concurso fortalece o carnaval de rua e vice-versa. Não pode existir dicotomia”, comentou.
Ela foi acompanhada pelo também gaúcho José Claudemir, que traz uma queixa frequente de quem acompanha desfiles: “Não podemos falar do carnaval de blocos sem antes falar do carnaval de escolas de samba. O pessoal que sai regrado nas escolas de samba vai para os blocos se divertir”, comentou. O porto-alegrense, por sinal, destacou que a Prefeitura da capital do Rio Grande do Sul permite que as instituições consigam captar quantias por meio do Orçamento Participativo – que, entretanto, deveria ser muito maior, na visão dele. O representante complementou, falando de governos em geral, que “Por mais que o poder público faça, eles não sabem fazer como a gente faz – e eles não querem que a gente faça. Não vamos pedir dinheiro para o governo, vamos pedir o retorno dos impostos que nós pagamos”, disse.
Elisa seguiu na mesma linha de José Claudemir: “A maioria das ligas ligadas ao Carnaval de rua sobrevivem de editais. “Nesse ano, para o Sambúrbio, os recursos chegaram quinze dias depois do Carnaval”, lamentou. Ela prosseguiu: “Nossa grande barreira é a respeitabilidade do poder público. Os governos só querem estatísticas. Temos que nos fortalecer e nos unir porque juntos somos muito mais fortes”, disparou.
À distância, Jairo colaborou com uma frase marcante: “O primeiro desafio é a ausência de apoio público: isso tem que ser política de estado, não de gestor”, disparou.
Futuro
A segunda perguntada levantada por Renata foi “O que deve acontecer para que o cenário seja modificado e para que aja a valorização do Carnaval de rua em cada um dos territórios representados na mesa?” – indagação que trouxe mais uma série de reflexões para a mesa.
Elisa trouxe o norte – e foi aplaudida: “Temos que buscar caminhos e diretrizes para sermos reconhecidos e respeitados. “Nosso lugar não é de subserviência”, disse.
José Claudemir destacou que a movimentação para criar pontes de diálogo é um ótimo início, mas é possível ir além: “O que precisa fazer já está sendo feito, por isso estamos aqui: temos que continuar fazendo”, ilustrou.
Bell relembrou que é preciso pensar em uma espécie de fonte de recurso de financiamento nacional (e não apenas municipal), também colaborando com fortes pensatas: “É necessário ampliar a participação dos fazedores de Carnaval para ajudar na defesa do Carnaval de rua. Se somos vitrines do mundo, temos que estar amparados”, afirmou.
Por fim, Kitanji novamente colocou o dedo na ferida e comparou a organização dos blocos de rua com grandes eventos: “Edital não é forma de colaborar com o carnaval: não vejo Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos passando isso”, finalizou.
O Dia Mundial do Meio Ambiente também marca mais um passo inovador para o carnaval brasileiro. A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) anunciou, durante o CONASAMBA 2026, a abertura nacional das inscrições para o Curso de Economia Circular e Sustentabilidade Aplicada ao Carnaval. Fruto de uma parceria com o SENAI-SP, o projeto visa a capacitação gratuita de participantes de todo o país voltada para práticas mais sustentáveis dentro do Carnaval.
O anúncio reuniu representantes da Liga-SP, da UESP, da FENASAMBA e do Núcleo de Sustentabilidade do projeto Carnaval Sustentável SP. Primeiro curso do Brasil desenvolvido especificamente para aplicar os conceitos de economia circular à realidade do Carnaval, a formação foi construída por especialistas e profissionais do setor, reunindo exemplos e desafios presentes no cotidiano das escolas de samba, blocos e organizações carnavalescas.
“É motivo de muito orgulho ver este curso ganhar alcance nacional. Acreditamos que conhecimento e capacitação são ferramentas fundamentais para fortalecer as escolas de samba e preparar o setor para os desafios e oportunidades do futuro. A parceria técnica com o SENAI-SP e institucional com a UESP e a FENASAMBA foi essencial para ampliar esse alcance e levar essa formação para organizações carnavalescas de todo o país, principalmente porque a sustentabilidade é uma pauta cada vez mais valorizada por parceiros e patrocinadores”, afirmou Renato Remondini, presidente da Liga-SP.
O conteúdo aborda temas como reaproveitamento de materiais, gestão de recursos, inovação, sustentabilidade e boas práticas, conectando conceitos técnicos à realidade dos barracões, quadras e comunidades que fazem o Carnaval acontecer. A proposta também valoriza práticas historicamente presentes na cultura carnavalesca, como a reutilização de fantasias, estruturas e materiais.
A ação é mais uma entrega do Carnaval Sustentável SP, programa coordenado pelo Núcleo de Sustentabilidade da Liga-SP, sob liderança de Lúcia Helena. Dentro deste núcleo, Diego Carbonell, especialista em sustentabilidade, é um dos integrantes da equipe do projeto que promove ações de capacitação, conscientização e desenvolvimento de práticas sustentáveis voltadas ao fortalecimento do Carnaval como agente de transformação social, cultural e ambiental.
“Mais do que oferecer uma capacitação, construímos, em parceria com o SENAI-SP, uma formação desenvolvida especialmente para a realidade das escolas de samba e demais instituições carnavalescas. Não se trata de um curso de prateleira adaptado ao setor, mas de um conteúdo criado a partir de exemplos, desafios e situações práticas vividas pelo próprio carnaval, um trabalho que começou com foco em atender as escolas da Liga-SP e foi ampliado por meio da parceria com a UESP e que com o apoio da FENASAMBA poderá ampliar o número de instituições em todo o país, contribuindo para fortalecer a sustentabilidade, a economia circular e a profissionalização do carnaval brasileiro”, destacou Diego Carbonell, integrante do Núcleo de Sustentabilidade da Liga-SP.
A partir de 8 de junho, interessados de qualquer região do Brasil poderão se inscrever gratuitamente por meio dos canais oficiais da Liga-SP e do SENAI-SP. Os participantes terão acesso à plataforma educacional do SENAI-SP e receberão certificação após a conclusão da formação.
Na última quinta-feira, em um feriado gelado na capital paulista, aconteceu a abertura do Congresso Nacional das Escolas de Samba 2026 (CONASAMBA). O evento foi realizado na Fábrica do Samba, com uma estrutura impecável. Desde a entrada, marcada pela bela alegoria da Mocidade Alegre, até o galpão onde serão realizadas as palestras, tudo foi preparado para receber os participantes. O espaço também conta com stands de diversas empresas ligadas ao carnaval, que aproveitam a ocasião para apresentar seus produtos e serviços. Ao longo dos próximos dias, diversas personalidades irão discursar.
Organizado pelo órgão maior, a Fenasamba, o objetivo da CONASAMBA é promover debates sobre temas fundamentais para o futuro do carnaval, além de abrir espaço para que representantes de diferentes localidades apresentem suas culturas e experiências. A programação inclui discussões sobre a atuação da imprensa no carnaval, encontros de mestres-salas e porta-bandeiras, importância das mulheres, entre outros muitos assuntos relevantes. A proposta é proporcionar aos participantes uma rica troca de conhecimentos, ampliando ainda mais a compreensão sobre a maior festa popular do país. Esta é a primeira vez que São Paulo recebe o congresso. A cerimônia de abertura contou com a presença de representantes do poder público municipal, além do presidente da Liga-SP, Tomate, e do presidente da UESP, Nenê. A noite foi encerrada com uma apresentação da atual campeã do carnaval paulistano, a Mocidade Alegre. O CARNAVALESCO acompanhou de perto os discursos que marcaram a abertura deste primeiro dia de evento.
Troca de experiências
O presidente da Liga-SP, Tomate, abriu os discursos enaltecendo a realização do congresso na cidade de São Paulo e destacando a importância da troca de experiências ao longo dos dias de evento. “É um prazer enorme para o carnaval de São Paulo receber a CONASAMBA na Fábrica do Samba. Quero agradecer aos sambistas, que são a razão deste encontro e lutam conosco em todas as causas. Esta é uma oportunidade de receber um evento dessa grandeza, que representa o Brasil diante do mundo. Agradeço também ao prefeito Ricardo Nunes por, mais uma vez, apoiar o carnaval de São Paulo. Para a Liga Independente das Escolas de Samba, é um privilégio receber vocês em nossa casa. Que possamos viver dias maravilhosos, com muita troca de conhecimento, e que possamos evoluir cada vez mais”, disse.
Resistência do carnaval
Em um longo discurso, o presidente da Fenasamba, Ricardo Kaxitu, exaltou as diferentes manifestações do carnaval brasileiro, desde os grandes espetáculos até os blocos e desfiles realizados nas comunidades. “Os desfiles das escolas de samba vão muito além dos grandes espetáculos dos grupos especiais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em cada cidade, em cada bairro e em cada comunidade, milhares de escolas de samba mantêm acesa a chama de uma tradição que atravessa gerações, formando artistas, preservando memórias e fortalecendo identidades. Nós somos do tempo do samba sem grana e sem glória. Do barracão improvisado, não dessa estrutura maravilhosa que vemos aqui. Da fantasia costurada madrugada adentro. Da vaquinha para comprar tecido. Do ensaio iluminado pela esperança. Do tempo em que o aplauso mais importante vinha da própria comunidade. E é justamente essa memória que orienta o nosso compromisso com o futuro”, comentou.
O dirigente afirmou que um dos objetivos da entidade é oferecer suporte às escolas de samba de todo o país e promover o intercâmbio de experiências, propósito que também norteia a realização da CONASAMBA. “A Fenasamba defende políticas públicas permanentes que garantam a qualificação dos profissionais do carnaval, ampliem o acesso aos mecanismos de financiamento e promovam o intercâmbio de experiências capazes de fortalecer as estruturas das escolas de samba em todas as regiões do Brasil. Nosso olhar está voltado, sobretudo, para as pequenas e médias entidades. São elas que sustentam as raízes dessa árvore centenária e fazem acontecer, em cada ‘Sapucaizinha’, em cada ‘Anhembizinho’ e em tantos outros espaços pelo Brasil, um encontro marcado com a própria história. São elas que guardam os tambores, as histórias e os sonhos. São elas que transformam dramas em enredos, escassez em criatividade e resistência em desfile”, ressaltou.
Ao encerrar sua fala, em tom metafórico, Kaxitu destacou que o mais importante é garantir a sobrevivência do samba, independentemente do tamanho dos espetáculos realizados. “Não queremos uma Sapucaí ou um Anhembi em cada estado. Queremos, isso sim, milhares de Intendentes Magalhães e de Vilas Esperança espalhadas pelo país. Queremos ruas onde o samba nasça da vizinhança, e não da vitrine. Queremos quadras e terreiros cheios de crianças aprendendo os primeiros passos. Velhas guardas transmitindo suas memórias. Compositores transformando a vida em poesia. E comunidades reconhecendo a si mesmas no espelho de suas escolas e se perguntando se existe algo mais bonito do que elas próprias. Queremos um carnaval que não aparece na televisão, mas que não permite que a cultura brasileira se cale. Queremos um carnaval que floresce no asfalto quente dos bairros, nas pequenas cidades, nos subúrbios, nas periferias, nos becos e vielas, porque o futuro do samba não será construído apenas sob os refletores dos grandes espetáculos. Ele será tecido, como sempre foi, pelas mãos anônimas de quem ama essa cultura sem esperar recompensa. O samba sempre será resistência e ancestralidade. Sempre será quilombo. Sempre será favela. Sempre será senzala; nunca casa-grande. Como cantou a Unidos de Vila Isabel em 1988, no samba-enredo de Luiz Carlos da Vila: ‘Que a força da cultura tenha arte e bravura, um bom jogo de cintura para valer seus ideais. A beleza pura dos seus rituais'”, concluiu.
São Paulo de braços abertos
Em nome da União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), o presidente Alexandre Magno, popularmente conhecido como Nenê, celebrou a realização da CONASAMBA 2026 na capital paulista. “Trazer para São Paulo o encontro do carnaval mundial é uma grande conquista. A Fenasamba nos proporcionou a alegria de realizar, na cidade de São Paulo, um movimento tão importante para a cultura carnavalesca. Fico muito feliz e honrado. Aproveito para agradecer, desde já, a parceria construída entre a Federação Nacional das Escolas de Samba, presidida por Kaxitu; a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, presidida por Renato Remondini, o Tomate; e a União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP), que tenho a honra de representar. Agradeço também a presença dos presidentes e das presidentas que estão aqui, que acreditaram neste projeto, reconheceram a importância do congresso e compreenderam a necessidade de mostrar não apenas São Paulo para o mundo, mas também a riqueza da nossa cultura carnavalesca”, afirmou.
Poder público presente na cultura carnavalesca
Representando o prefeito Ricardo Nunes e o secretário municipal de Cultura, Totó Parente, o secretário-adjunto Rodrigo Massi discursou destacando a importância das escolas de samba para a cultura nacional. “Recebo e transmito aqui os cumprimentos do nosso prefeito e do secretário Totó, neste espaço tão emblemático da cidade de São Paulo, que é a Fábrica do Samba. Quero dar as boas-vindas a todos os participantes, não apenas da capital paulista, mas também de diversas cidades do Brasil e do mundo. Ontem, Kaxitu e eu recebemos, na Secretaria Municipal de Cultura, uma delegação de Barranquilla, liderada pelo secretário de Cultura daquela cidade. Essa visita demonstra muito bem o tema desta edição: ‘Escolas de Samba para Todos e Todas: Construindo Pontes com o Mundo’. É um exemplo das conexões que a cidade de São Paulo promove e desse trabalho em rede, não apenas em São Paulo e no Brasil, mas também internacionalmente, em favor do fortalecimento das práticas carnavalescas. E quero compartilhar uma notícia muito importante. Em maio, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo aprovou o reconhecimento das práticas carnavalescas como patrimônio imaterial da cidade. Portanto, não estamos falando apenas de economia criativa. Estamos falando de saberes, memória, identidade e patrimônio cultural. Isso é muito importante para todos nós”, declarou.