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Portela 2027: samba da parceria de Samir Trindade

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Compositor: Samir Trindade
Intérpretes : Marquinhos Art Samba e Gera

PEGUEI PAPEL E CANETA
POUSEI SEU CHAPÉU SOBRE A MESA
ILUMINOU A MINHA INSPIRAÇÃO
MESTRE, A NOSSA HISTÓRIA NUNCA VAI TER FIM
FALAR DE VOCÊ, É FALAR DE MIM
TE ESCREVO COM DEVOÇÃO
LEMBRO O MOLEQUE, O MENINO
A LARANJA NO PÉ, NAS MÃOS MEU DESTINO
AH QUANTA SAUDADE, TE VEJO DE NOVO
MINHA CANDEIA É SUA LUZ
VEM NA POESIA, JUNTO AO NOSSO POVO
DEFENDER OSWALDO CRUZ

CORAÇÃO EM DESALINHO
A PAIXÃO AFLORA
VEJO O PAI AO VER O FILHO
CAVAQUINHO CHORA
E A DOR SE ESQUECEU EM CANÇÕES TÃO BELAS
DAÍ MANDE UM BEIJO MEU PRA PAULO DA PORTELA

SEGUIR, NA ELEGÂNCIA DO FARDÃO
GARBO, TRADIÇÃO E SABEDORIA
ORGULHO PORTELENSE MEU COMPOSITOR
QUANDO MÃE CONVOCOU
ESTAVA LÁ A FIDALGUIA
NA IMENSIDÃO DESSE ENREDO
BRILHA O AZUL QUE TE ETERNIZOU
UM DIA HAVERÁ REENCONTRO…
OLINDA SEU GRANDE AMOR
MONARCO TEU LEGADO JAMAIS VAI EMBORA
PRA SEMPRE EM MINHA MEMÓRIA
AO ESPÍRITO SANTO ENTREGO O PANAMÁ
FAÇO ESSA CARTA MAS
HOJE NÃO VOU TERMINAR

ERA A FORMA DE ANDAR
DE COMPOR E VESTIR
NO CANTAR, NO SENTIR, SOU A PORTELA
TAÍ VELHA GUARDA, PRO SAMBA ENTENDER
ME FIZ MAJESTADE NO JEITO DE SER

Portela 2027: samba da parceria de Noca Neto

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Compositores: Noca Neto, Queiroga, Maralhas, Luciano Gomes, PC Lopes e Filipe Zizou
Intérprete: Rodrigo Tinoco

MESTRE, QUE ESTA CARTA TE ENCONTRE EM BOM LUGAR
É UMA HONRA O TEU NOME EXALTAR!
SOPRA O VENTO DA MEMÓRIA DE UM MENINO,
SIMPLICIDADE E DESTINO
MONACO, ÉS “FRUTO” EM UM QUINTAL DE POESIA
O TEMPO PASSA E O COMPASSO TE CONDUZ
AO SOLO SAGRADO DE OSWALDO CRUZ

VAI À LUTA NUM GRITO DE LIBERDADE
FAZ DA VIDA ESTANDARTE PRO SAMBA FLORESCER
MADRUGADA, “RAINHA” E COMPANHEIRA
TEM FESTA EM MADUREIRA ATÉ O AMANHECER

“AGORA” EM MEU ALTAR SE FEZ ACALANTO
A ARTE “ENXUGA O PRANTO” PRA “RETUMBANTE VITÓRIA”
GLÓRIA COM TEU POVO AZUL E BRANCO
TUA VOZ É O ENCANTO PARA O MUNDO “VADIAR”
DE CHAPÉU PANAMÁ PRA IR ALÉM… POR JACARÉ, VILA VINTÉM…
TU ÉS FAROL DESSA FAMÍLIA
O “SANGUE”, A “FÉ” E EMOÇÃO
O AMOR DE OLINDA … TEU LEGADO É ORGULHO DESSE CHÃO
LÁ LAIA…LÁ LAIÁ LAIÁ LAIÁ
SE EU FOR FALAR DE TI NÃO VOU TERMINAR
“JURO QUE NEM POSSO ME LEMBRAR”
SE EU FOR FALAR DE MONARCO NÃO VOU TERMINAR

SALVE A VELHA GUARDA SALVE O NOSSO SENTINELA
“CORRE PRA VER”, TUA PORTELA!
ETERNA É A MINHA DEVOÇÃO
AO MESTRE, COM CARINHO E GRATIDÃO

Portela 2027: samba da parceria de Valtinho Botafogo

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Compositores: Valtinho Botafogo, Madalena, Xande de Pilares, Savanna, Cardosinho, Dinny Peçanha, Bernini
Intérprete: Evandro Malandro

MEU MESTRE! NOSSO AMOR É POESIA
UM RIO QUE DESAGUA EM MELODIA
ABRO A JANELA DO MEU CORAÇÃO
NOS VERSOS DA SAUDADE
VEJO NO BRANCO DA PAZ
O AZUL INFINITO DA ETERNIDADE
SOPRA O VENTO DA MEMÓRIA
OS RECANTOS DA BAIXADA
NOS QUINTAIS DA TUA INFÂNCIA
OS ACORDES QUE ENCANTAVAM
E NO RÁDIO AS CANÇÕES
SUA ALMA INSPIROU
DANDO ASAS AO DESTINO
DO MENINO SONHADOR

NAS ANDANÇAS, NUMA ESTRADA DESSA VIDA
SE APAIXONOU POR ESSE MANTO QUE RELUZ
EM CADA OLHAR UM BRILHO DE FELICIDADE
PORTELENSE DE VERDADE QUE DEFENDE OSWALDO CRUZ

O SAMBA TE ACOMPANHOU
NA LUTA DO DIA A DIA
NA FEIRA A VOZ ANIMOU A FREGUESIA
NO CAVAQUINHO DEDILHOU TANTOS AMORES
PARTIDO ALTO, ALA DE COMPOSITORES
TERNO DE LINHO, PISANTE, LENÇO E CHAPÉU PANAMÁ
A ELEGÂNCIA, VELHA GUARDA
EM OUTROS PAVILHÕES
MOMENTOS DE PRAZER
O TEU AMÉRICA JAMAIS VAI TE ESQUECER
SANTO ANTONIO ABENÇOOU
UM AMOR ALÉM DA VIDA
SUA LINDA FLOR OLINDA

VOA MINHA ÁGUIA MOSTRA A ESSA GENTE
QUE “MONARCO DA PORTELA” ESTÁ PRESENTE
EM MADUREIRA FLORESCEU SUA RAIZ
O FILHO DA MAJESTADE ”HILDEMAR DINIZ”

 

Portela 2027: samba da parceria de Dudu Nobre

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Compositores: Dudu Nobre, Rubens Gordinho, Rafa Cria, Mario Presida, Bruno Dallari, André Ricardo Katar, Minuetto Moreira
Intérpretes: Negô, Carlos Júnior e Thiago Britto

TE ESCREVO ESSA CARTA…OI
E MAREJA O MEU OLHAR SÓ DE LEMBRAR
DE VOCÊ QUASE MENINO, POR VONTADE DO DESTINO
VEIO PRA ME ENCONTRAR
NUM TEMPO BORDADO DE POESIA
O SAMBA TÃO PURO SE REVELOU
E NA PRIMEIRA MELODIA, TEU CANTO ME ENCANTOU

E VOCÊ COMPOSITOR / VIROU MESTRE NO CAMINHO
TE ABRACEI, DEI COLO DE MÃE E CARINHO
ENSINEI E APRENDI
QUE TODA ÁGUIA TEM QUE VOLTAR PRO NINHO

OUVI TUAS HISTÓRIAS
MEMÓRIAS DE OSWALDO CRUZ
NA TUA OBRA TANTOS SAMBAS IMORTAIS
A VELHA GUARDA É FAROL QUE CONDUZ
POETA ELEGANTE, INSPIRADO
TAL QUAL OS VERSOS, TEU EXEMPLO É UM LEGADO
TE AGRADEÇO, NÃO É SEGREDO
UM GRANDE AMOR SEMPRE DÁ BOM ENREDO
VALEI- ME NA LUZ QUE ME GUIA
AS BENÇÃOS DA VIRGEM MARIA, SENHORA DA CONCEIÇÃO
NAS CORES DA MINHA BANDEIRA TEU MANTO
FAZ DESSA NOITE O MEU SAMBA PROCISSÃO

PRO FILHO DA MAJESTADE QUE VEM MATAR SAUDADE
UM FORTE ABRAÇO… SAUDAÇÕES NA PASSARELA
MONARCO É O TEU NOME, ASSINO MEU SOBRENOME
PORTELA, PORTELA, PORTELA

Portela 2027: samba da parceria de Toninho Geraes

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Compositores: Toninho Geraes, Paulo César Feital, Eli Penteado, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Marcéle Sàlles e Juninho Luang
Intérpretes: Dowglas Diniz e Igor Vianna

POETA
EM SEUS ACORDES MAIS BONITOS
NO AZUL DO INFINITO
RECEBA A CARTA QUE SEU POVO LHE ENVIOU
NELA EM PALAVRAS DE CARINHO
CORAÇÕES EM DESALINHO
TRANSBORDAM DE PAIXÃO E DE SAUDADE
ENCONTRO COM A VELHA FAMÍLIA
HOJE SEM RÁDIO DE PILHA
SINTO O AROMA DOS LARANJAIS
VERSOS DE UMA INFÂNCIA PERFUMADA
POR OLORES DA BAIXADA E O LABOR DA LAVADEIRA
A FILOSOFIA RITMADA, NO CAIXOTE À BATUCADA
NUM CANTINHO LÁ DA FEIRA

CAIU NO SAMBA IÁIÁ E A ÁGUIA CHAMOU
BOTOU CHAPÉU PANAMÁ, “OH LINDA” HISTÓRIA DE AMOR
POESIA NO QUINTAL, BRINCOU O CARNAVAL
COM A BENÇÃO DE NATAL EM MADUREIRA

EM MADUREIRA, VITÓRIAS AJUDOU A BORDAR
E NOSSA QUADRA VIROU SALA DE ESTAR
DE COMPOSITORES, PASTORAS, PASSISTAS
BAIANAS E RITMISTAS QUE O MANTO CONSAGROU
E DA VELHA GUARDA, SENTINELA
DOS VALORES DA PORTELA QUE PAULO NOS ENSINOU
MESTRE, “A COR DO NOSSO PAVILHÃO”, NOS CONDUZ
É “A COR DO NOSSO CORAÇÃO”, É A LUZ
COMUNHÃO DE GENTE BAMBA
A FÉ EM NOSSA SENHORA E SÃO SEBASTIÃO
EMBALA TODA GRATIDÃO
NOS BRAÇOS DA MAJESTADE DO SAMBA

ENXUGUE O PRANTO, DIGA A DEUS E VEM EMBORA
TRAGA SEU LENÇO PRA ESSA GENTE QUE LHE ADORA
VIVA MONARCO! PORTELA CANTA FELIZ
ETERNAMENTE HILDEMAR DINIZ

Portela 2027: samba da parceria de Jorge do Batuke

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Compositores: Jorge do Batuke, Márcio Carvalho, Luiz Matos, João Menna Barreto, Lucas Alves, J. Ferreira e
Araguaci
Intérpretes: Zé Paulo Sierra

NA FÉ, RENASCE BRAVAMENTE O PORTELENSE
NO SAMBA, TE REFAÇO NOVAMENTE
NUM LUGAR QUALQUER DE OSWALDO CRUZ
LHE ESCREVO FELIZ, HILDEMAR DINIZ
RECEBA MINHA CARTA COM AMOR
JUNTO AO SENTIMENTO AZUL E BRANCO, DE ALEGRIA ROLA O PRANTO
QUE NEM POSSO ME LEMBRAR
DO MEU ALTAR EM MADUREIRA
SALVE O ¨TEMPO DA JAQUEIRA, DO TAMANCO E PANAMÁ¨
Ô, IAIÁ! ARGEMIRO FIRMAVA O PANDEIRO
NO TERREIRO, A LUA ME FEZ VADIAR
UM QUITANDEIRO CARREGADO DE TEMPERO E FLORES PRA PERFUMAR

A TABAJARA NO ALVORECER
MEU POVO CANTA: CORRI PRA VER!
PARA VER QUEM ERA A FORÇA ANCESTRAL
TE FIZ POETA NO MEU QUINTAL

DAQUI, SIGO ESCREVENDO A QUEM ME INSPIROU
PASSADO DE GLÓRIAS, QUE TANTO CANTOU
DE PAI PARA FILHO, TEU MUNDO É ASSIM
OLINDA, O AMOR NÃO TEM FIM
É SANGUE QUE CORRE NAS VEIAS, LOUCA VERMELHA PAIXÃO
NO PEITO, JACAREZINHO
DOIS PONTOS, EXCLAMAÇÃO!
NOS MEUS DESALINHOS, ME LEMBREI
TEM MAIS UM SAMBA IMORTAL
EM 9 DE FEVEREIRO, TE AMO MONARCO, SEM PONTO FINAL

CHAMEI CASQUINHA PRA VERSAR UM BOM PARTIDO
MESTRE CANDEIA PARA NOS ILUMINAR
⁠OS BATUQUEIROS DE MARÇAL SÃO ATREVIDOS
DEIXA A PORTELA PASSAR
ALÔ, PAULINHO! METE A MÃO NESSA VIOLA
LÁ VEM A ÁGUIA DE PAULO E NATAL
COM MANÁCEA APRESENTANDO A VELHA GUARDA
DA MAIOR CAMPEÃ DO CARNAVAL

Império Serrano anuncia saídas do mestre de bateria Felipe Santos e do intérprete Vitor Cunha

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

O Império Serrano anunciou, nesta terça-feira, o desligamento de dois integrantes da equipe artística para o Carnaval 2027. A escola informou o encerramento dos vínculos com o mestre de bateria Felipe Santos e com o intérprete Vitor Cunha, que atuaram pela verde e branca no ciclo do Carnaval 2026.

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Em comunicado divulgado nas redes sociais, a agremiação confirmou a saída de Felipe Santos do comando da bateria “Sinfônica” do Samba. O Império agradeceu “todo empenho, dedicação e trabalho ao longo do ciclo do Carnaval 2026” e desejou sucesso ao profissional na sequência de sua trajetória.

A escola também comunicou o fim da parceria com o intérprete Vitor Cunha. Na publicação, o Império Serrano agradeceu os serviços prestados durante o Carnaval 2026 e desejou êxito ao cantor em seus próximos desafios profissionais.

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Até o momento, a diretoria da escola não anunciou os substitutos para os cargos de mestre de bateria e intérprete oficial para o Carnaval 2027.

Tucuruvi cria enredo inédito sobre a sociedade Ògbóni e revela detalhes da narrativa para 2027

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A Acadêmicos do Tucuruvi detalhou a construção de “Ogbodirin Ogboni”, enredo que levará ao Sambódromo do Anhembi no Carnaval 2027. Durante explanação realizada na Fábrica do Samba, o carnavalesco Nicolas Gonçalves e o enredista Cleiton Almeida apresentaram os principais conceitos da narrativa, explicaram a divisão do desfile em quatro setores e falaram sobre os desafios de transformar a tradição da sociedade Ògbóni em um enredo de escola de samba. O CARNAVALESCO acompanhou a explanação e reúne os principais pontos apresentados pela equipe responsável pelo desenvolvimento do tema.

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Informações prévias

Entrevistado no PodCarnavalesco SP #13, Nicolas já tinha informado ao mundo do samba alguns detalhes sobre o enredo. Um deles foi um panorama geral de temática tão densa: “A sociedade Ògbóni é milenar, veio da Nigéria e vai se modificando a cada dia por ser algo vivo. É um enredo encantador, e eu lembro que, logo de cara, quando o Delduque me propôs esse enredo, eu não queria: é muita responsabilidade e muito difícil. Mas ele sabe mexer comigo e me desafiar – nós somos motivados pelo desafio. Vai ser muito desafiador e muito interessante. Primeiro você se inicia em Ifá para, depois, se iniciar em Ògbóni. A Tucuruvi já se iniciou em Ifá e, agora, vai se iniciar em Ògbóni. Tudo está se encaixando. A gente sabe o que foi Ifá e Ògbóni vai ser tão especial quanto”, destacou.

nicolas tucuruvi

Ao falar sobre como tal temática foi aparecer na escola, ele respondeu com bom humor e franqueza: “Ògbóni é um enredo que já existia na escola. Eu chego na escola e ele está lá. Quando a escola desenvolveu Assojaba, pensávamos que não era o momento de Ògbóni – assim como, no Grupo de Acesso I, não era a hora. Quando retornamos ao Grupo Especial e o Delduque me faz o pedido para desenvolver Ògbóni, dou o braço a torcer e percebi que era o momento de realizar esse enredo. Apesar de ter similaridades, é claro, a gente não parte da premissa que vamos continuar Ifá”, destacou.

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O marcante desfile de 2024 da Acadêmicos do Tucuruvi, por sinal, se fará presente na apresentação de 2027 – mas não tão explicitamente quanto muitos podem pensar: “Ifá está em Ògbóni, é uma parte do enredo de fato. Vai ter uma ala que é Ifá, por exemplo. Na sinopse, contamos como o Edan é trazida através de Ifá para a Terra. Está tudo interligado, apesar de serem histórias distintas e essa vai ser uma das magias desse enredo. Não é uma parte dois, é um spin-off”, brincou.

Na prática

A explanação do enredo para os compositores trouxe, de maneira mais concreta, como será o desenvolvimento do enredo na avenida. Cleiton explica: “A gente foi pela divisão dos setores que a gente tem no desfile, naturalmente – no Grupo Especial, precisa ali de quatro. Dentro dessas quatro principais temáticas que a gente teria que abordar, a gente escolheu aquelas que são princípios muito fundamentais pra Ògbóni. A gente começa com a Terra, que é a principal divindade, o principal culto. Depois, vai para o segundo setor, que é o princípio da fundação, o motivo pelo qual que Ògbóni existe – algo que é fundamental abordar. O terceiro são esses mistérios, outros espíritos que fazem parte e que estão muito englobados nesse lugar do segredo – o segredo também é sagrado para Ògbóni. E, por fim, esse pilar da sabedoria que está na própria palavra e que a gente escolhe trazer no final por ser essa mensagem que a gente quer espalhar, do que a gente aprende com Ògbóni e do que que a gente pretende ensinar como escola de samba”, comentou.

enredistas tucuruvisinopse

A sinopse consiste, basicamente, em quatro saudações, o que torna a setorização bastante óbvia:
– Saudação a Ilè
– Saudação ao Fundamento
– Saudação ao Mistério
– Saudação à Sabedoria

Toda a sinopse, por sinal, foi escrita em oriki, espécie de poesia oralizada muito comum no Oeste da África.

O carnavalesco resgatou a sequência citada pelo enredista e aproveitou para falar um pouco sobre a dinâmica de trabalho entre eles: “O meu processo e o do Cleiton é um casamento antigo. A gente vai criando essas divisões e vou passando para ele, assim como ele vai pesquisando e vai passando para mim. A gente foi pensando numa linearidade histórica que não é tão explícita para a gente poder abrir esse leque. Mas, se a gente for entender que, para Ògbóni, o Ilê é importante e é o princípio de tudo, não à toa que a gente começa com o Ilê. No segundo setor a gente explica o surgimento de Ògbóni. A gente sempre vai estar voltando ao Ilê, porque surge Ògbóni e tem esse Edan – que também é filha de Ilê. É quase que uma linha explicativa. Quando a gente está no segundo setor, como surge Ògbóni, a gente vai para o terceiro falando um pouco sobre eles, explicando sobre alguns ritos, alguns funcionamentos, como é que eles faziam. E chega no último setor saudando esses princípios que seguem até hoje. Se a gente for pensar, é quase uma linha cronológica – mas a gente vai com recortes diferentes para, também, não ser algo muito histórico”, refletiu.

Recortes

O terceiro setor, que terá entidades ligadas à sociedade Ògbóni, chamou atenção da reportagem – e, quando indagados, a dupla destacou que tal momento trouxe uma série de desafios. Nicolas começou: “O terceiro setor foi o que a gente mais demorou, foi o último setor que a gente conseguiu fechar de fato. Até no processo que a gente já está de desenvolvimento, foi um setor que a gente mexeu até poucos dias atrás. É o setor que não atua, é um mistério. Foi o que a gente mais teve dificuldade de pesquisa porque, normalmente, colocam Ògbóni como uma sociedade secreta, mas não é nesse sentido: é uma proteção deles. Como eles têm essas decisões, eles tinham que fazê-las num ambiente fechado. As tradições também ficam difíceis de ser acessadas por isso. Fora que, claro, por ser uma associação tão antiga, foi mais difícil entender esses mistérios – mas foi muito interessante a gente acessar algumas coisas e selecionar algumas delas. Foi o que a gente faz nesse setor. A gente selecionou as que a gente julgou principais para o entendimento de toda essa complexidade deles. É um setor que realmente foi o nosso calcanhar de Aquiles, mas tenho certeza que, como o próprio Tucuruvi tem essa mania, de quanto mais difícil para a gente, mais a gente gosta, vai ser ótimo. A gente estava até folheando visualmente, já com o projeto desenhado, e a gente falou que esse setor vai ser muito bonito”, comentou.

Cleiton confirmou: “É um setor muito forte. A gente aborda energias muito poderosas. Também tivemos essa questão na escrita, de como trazer essas divindades, esses espíritos que são tão poderosos e misteriosos. Algumas não podem nem ser vistas por quem não é de Ògbóni. Como que a gente escreve sobre isso? Teve que ter muito respeito na hora de pensar esse terceiro setor. Ele é muito poderoso”, comentou.

Unidade

Quando perguntado qual é o grande trunfo do desfile de “Ogbodirin Ogboni”, Nicolas respondeu pela dupla: “O nosso grande ponto forte é o conjunto. Foi um pouco do que a gente conversou no PodCarnavalesco SP: hoje, o Tucuruvi é uma escola muito alinhada em todos os seus setores – e isso tem sido um diferencial. Não à toa a gente percebe a quantidade de pessoas da comunidade que vieram hoje pra querer entender o enredo. Isso é muito legal! É uma escola que está muito alinhada com seus enredos, as escolhas são muito conscientes do que as pessoas querem ouvir e é um trabalho nosso, também: entender o que a comunidade quer cantar, o que a comunidade quer ouvir. Quando a gente pega Ifá, que foi tão importante para a escola; e, nesse retorno ao Grupo Especial, ter Ògbóni, ter essa potência e esse saudosismo é ótimo. Quando a gente se torna a última escola a desfilar, é quase que um ciclo espiritual se fechando. A gente vem com uma escola mais forte, mais organizada e eu tenho certeza que vai ser esse conjunto que vai nos levar longe. Se tudo der certo, eu tenho certeza que vai dar um bom samba. Hoje, a gente tem quadros fortes de quesito na escola – e, novamente, eu estou preparando, junto com a equipe, um estilo muito diferente de se apresentar. A gente brinca que é um enredo afro, com muitos parênteses, mas é um enredo afro diferenciado: Ògbóni não foi explorado ainda. A gente traz alguns elementos (como as iyamis) que já estiveram presentes, mas o próprio Ògbóni é algo muito novo no Carnaval. Está sendo muito especial conseguir trazer essa novidade. E é o que a gente gosta, também. O Tucuruvi abraçou esse lema de ser a diferentona e vamos, novamente, fazer esse enredo de forma diferente, que vai despertar essa curiosidade pra fazer o público ficar até o amanhecer com a gente no Anhembi”, encerrou.

Palavra do gestor

presidente tucuruvi

Rodrigo Delduque, presidente da Acadêmicos do Tucuruvi, sintetizou o enredo e também destacou o quanto ele se liga a Ifá: “Ògbóni é uma sociedade de matriz africana religiosa, vamos dizer assim. Ifá é o começo de tudo, Orunmilá é quando, para nós, se forma o universo – e, logicamente, Ògbóni vem na sequência, dando essa pitada de energia, de ancestralidade e de irmandade para esse enredo”, comentou.

A profundidade da pesquisa feita por Nicolas e Cleiton também foi comemorada pelo gestor: “Nós, desde a iniciação em Ifá, temos trazido bastante ancestralidade para dentro do Tucuruvi. Graças a Exu, o Nicolas rapidamente atendeu nosso pedido e se aprofundou bastante na pesquisa – que não é uma pesquisa tão fácil. É uma sinopse totalmente bem estruturada, bem feita por eles porque, se tratando de Ògbóni não tem em qualquer Google. E deu certo! Graças a Deus, tenho certeza que todo mundo vai gostar do que está escrito. O compositor, de uma certa forma, vai nos ajudar a trazer, em forma de samba, essa sociedade e todo o povo do Carnaval vai conhecer e ver melhor o que é Ògbóni”, finalizou.

Sidnei França projeta Mangueira mais leve e arrojada para o Carnaval 2027: ‘Quero consolidar meu estilo’

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Sidnei França chega ao seu terceiro carnaval à frente da Estação Primeira de Mangueira sem intenção de ruptura. Após “Mestre Sacaca”, em 2026, e “À Flor da Terra”, em 2025, o carnavalesco prefere falar em “progressão de acomodação”, uma evolução gradual dentro de um estilo que considera já estabelecido, a anunciar mudanças no modo de trabalho. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou sobre o desejo de manter a identidade de enredos potentes, capazes de reafirmar a verde-e-rosa como uma “contadora de Brasil”. Para 2027, Sidnei quer aprofundar a estética: fantasias cada vez mais leves e carros alegóricos mais vazados e menos totêmicos.

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“Cada vez mais quero consolidar o meu estilo de carnaval arrojado, carros mais vazados, menos totêmicos para entregar uma Mangueira cada vez mais conectada com o seu futuro, olhando para frente além de olhar para o passado”, declarou. Sidnei também declarou que a tendência por fantasias mais leves não é só sua: “todo o carnaval tem debatido sobre isso”.

Oyá Por Nós: um enredo catarse

Para o Carnaval 2027, a Estação Primeira de Mangueira levará para a Avenida o enredo “Oyá por Nós”. Embora Oyá não faça parte da ancestralidade fundadora da Mangueira, Sidnei reconhece que o enredo fala da aproximação entre a Orixá e a escola.

Para ele, essa relação se intensificou nos últimos anos a partir de três fatores: o enredo de 2016, “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, que tornou Iansã uma presença cada vez mais frequente no imaginário da escola; o histórico feminino e matriarcal da Mangueira; e a eleição de Guanayra Firmino à presidência, “uma mulher preta de Oyá”, nas palavras de Sidnei.

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“Uma escola tão feminina, de um matriarcado tão forte, e que tem uma comunidade que se autodenomina combativa, aguerrida, apaixonada e de luta, aos poucos [essa ideia] foi colando”, disse o carnavalesco.

Para Sidnei, emoção é o tom do que a Mangueira quer levar para a Marquês de Sapucaí no próximo ano. “Será um desfile primeiro para sentir, depois para entender”. A escolha do enredo, segundo ele, tem relação direta com o momento da escola. “Faz sentido trazer para a Mangueira, no pré-centenário, já um enredo quente, um enredo potente, que entrega a Mangueira em alta temperatura”, disse.

Mangueira 2027: leia a sinopse do enredo

Unidos da Tijuca 2027: samba da parceria de Henrique Badá

Compositores: Henrique Badá, Jailson Taroba, Fernando Mesquita, Marcelo Oliveira e Dionísio

CABRA DA PESTE, MENINO ARRETADO
MÃOS CALEJADAS DO TRABALHO NA LIDA
“APERRIADO, VÁ BUSCAR SEU DESTINO”
DISSE MAINHA EM TUA PARTIDA
SEGUIU A TUA JORNADA COM FÉ E DEVOÇÃO
NA MALA, ESPERANÇA DANADA QUE SÓ
ADEUS, JUAZEIRO, SAUDADE AMARGA QUE NEM JILÓ
UM RELICÁRIO DE FÉ, SEGREDOS A DESVENDAR
O ANDARILHO NO SERTÃO A CAMINHAR

O SOL QUENTE A LHE CAUSAR DELÍRIOS
DEVANEIOS DA IMAGINAÇÃO
O DESERTO VIROU MAR, AZULZINHO
VIXI MARIA, VÁ DE RETRO, CRAMUNHÃO

FOGO NO CÉU PRA FESTEJAR SÃO JOÃO
O TI-TI-TI SE ESPALHOU POR CARIDADE
“DUM”, ENVIADO DOS CÉUS NA REGIÃO
FEZ SIMPATIA DE AMOR, UNIU MARIDO E MUIÉ
PROFETA ENGANADOR, ENRIQUECEU BRINCANDO COM A FÉ
O CONFIDENTE OUVIDOR DOS AMARGURADOS
ERGUEU SUA CATEDRAL NA MENTE DE UM SANTO DESCABEÇADO
SE ARREPENDEU, BUSCOU REDENÇÃO
A VELA ACENDEU, CUMPRIU A MISSÃO
E O MENINO ANDARILHO CONCEDEU O SEU PERDÃO

ABRE O LIVRO PRA CONTAR, TIJUCA
A HISTÓRIA DO MENINO SAMUEL
E NA QUARTA-FEIRA VER COMEMORAR
A COMUNIDADE DO MORRO DO BOREL