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Bar do Zeca Pagodinho decide adiar shows neste fim de semana

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Em virtude do cenário em que se encontra o Rio de Janeiro e no intuito de manter firme os cuidados sanitários com o público, funcionários e artistas, o Bar do Zeca Pagodinho optou por adiar os shows Ao Vivo programados de 7 a 10 de Janeiro. Com isso, as apresentações de Xande de Pilares, Júlio Estrela, Sambinha do Primeiro Amor, Tok Raro, Grupo 100%, Roberta Espinosa, Feijoada do Leandro Sapucahy e Samba da Gota serão reprogramadas para novas datas.

Mas, até lá, o Bar vai continuar a todo vapor e prosseguindo com a tradição de divulgar a boa música. O lugar será tomado pelo o melhor do samba, através de som ambiente, com repertório dos artistas que marcaram presença no palco da casa. Além disso, os frequentadores podem continuar saboreando a comida de Boteco feita pelo craque do gênero, Toninho do Momo que também é responsável pela famosa Feijoada. O prato irá marcar, como de costume, presença no cardápio do fim de semana. Tudo, cercado de muita responsabilidade.

Seguindo todos os protocolos, a entrada só é permitida com o uso de máscaras, o local disponibiliza álcool em gel na recepção, toillets e balcões. As mesas são higienizadas a cada troca de cliente e todos têm sua temperatura medida na entrada do shopping. O público pode acessar o cardápio digital através do QR Code e a capacidade do estabelecimento está reduzida em 50%.

O Bar do Zeca Pagodinho acredita, coopera e torce pela saúde e alegria da população.

Viradouro com o lema: ‘honrar compromissos e não acumular pendências’

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Entre todas as incertezas que a pandemia trouxe para o mundo, uma delas foi e ainda é o carnaval. Quem é sambista, viu com preocupação as escolas fechando suas portas, cancelando seus eventos e parando suas atividades de barracão. Na incerteza de quando o carnaval vai para a avenida e como produzi-lo, as agremiações param para olhar dentro delas mesmas, para sua equipe e para sua comunidade. Um desfile não brota do nada. As escolas de samba têm contas a pagar, funcionários para manter e projetos para andar.

Nesse olhar para dentro das agremiações, o site CARNAVALESCO apresentará como as escolas de samba do Grupo Especial viveram e estão vivendo a pandemia. Os prejuízos, as ações, como estão as equipes e como projetam o futuro. Para começar, a campeã Viradouro, com pé no chão e contas em dias, mostra que boa gestão faz uma escola parar e não entrar no tom nada bom do vermelho.

Logo que a “infinita quarentena do carnaval” foi anunciada, o céu de repente ficou nublado na Sapucaí. As escolas começaram uma empreitada para se manterem ativas na internet. Os funcionários viveram momentos de incertezas, até que as informações oficiais foram chegando e, nem sempre, deu para salvar todo mundo. No salve-se quem puder do samba, a questão era manter as equipes ou fechar as contas.

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Reconhecida por ter as finanças sempre em dia, nesta gestão, a Viradouro precisou tomar decisões. Como muitas empresas mundo afora, era hora cortar custos. Com o lema “honrar compromissos e não acumular pendências”, o presidente Marcelo Calil projetou que, desligando alguns funcionários, eles poderiam se manter por alguns meses com suas recisões e seguros desemprego. E explicou:

“Os funcionários essenciais ao momento da escola (de reconstrução de parte do barracão e reparos na quadra) foram mantidos. Os outros tiveram suas demissões efetivadas, e, posteriormente, conversaríamos novamente sobre a readmissão ou ajuda, dependendo, obviamente, da data do próximo desfile”, explicou Calil.

Quanto aos profissionais de desfile, o presidente da escola do Barreto explicou que seguiu com todos eles, com o acordo de pagar 50% do que havia sido combinado na contratação de cada um.

A Viradouro da responsabilidade social

E por falar nesses profissionais, enquanto a diretoria da vermelha e branca planejava o ano de perdas inevitáveis, o intérprete Zé Paulo Sierra, também lamentava o período que o mundo estava passando. Responsável por dar voz, ao lado de sua equipe, aos sambas da escola nos desfiles, o cantor precisou guardar o microfone e sentir o gosto amargo de não poder comemorar o título que acabaram de conquistar. Não foi só a instituição Viradouro a afetada pela pandemia, Zé Paulo contou que o baque com as notícias foi muito grande e explicou o quanto foi atingido pela pandemia:

“Afetou não só a mim, mas também aos colegas. A Viradouro, no que pode, tem nos dado suporte. Mas, eu fui diretamente atingido. Tinha mais de 10 shows pelo Brasil e não consegui realizá-los. Tinha uma viagem internacional para fazer um evento em Portugal, o Mega Samba, e cancelaram”.

Sobre a comunidade, esta não foi desamparada.

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A escola de Niterói não deixou de lado sua comunidade e quem esteve ao seu lado. A agremiação montou uma super ação de distribuição de máscaras para a sua cidade e também São Gonçalo. A ideia da diretoria era ajudar os ateliês que prestam serviços à escola. Assim, a eles ajudariam essas empresas no primeiro momento da pandemia.

“Procuramos nessas ações atender não só a comunidade da escola, mas das cidades em geral, além de hospitais, asilos, etc. À comunidade da escola, foram dadas cestas básicas aos de extrema necessidade, em que alguns, inclusive, nem tiveram alcance ao auxílio emergencial”, afirmou Marcelo Calil.

As ações da Viradouro foram rápidas e a escola foi uma das primeiras a se mobilizarem em prol da comunidade, o que gerou repercussão em diversas mídias pelo país e o reconhecimento de seus componentes.

O sambista, os riscos e a Covid-19

Ainda sobre os impactos da pandemia, é de se imaginar que um profissional que vive de eventos tenha sofrido com a quarentena. Ainda com as quadras fechadas, a situação fez com que os artistas do mundo do samba procurassem se ocupar para não cair no ócio. Enquanto Marcelo Calil pensava em ajudar a comunidade e não deixar Viradouro parar por completo, mantendo ativos os ateliês, Zé Paulo mergulhava nas lives e colocava projetos pessoais em prática. Ele gravou uma música, a “Ninguém tem razão”, a qual se orgulha da repercussão e compôs um samba, ao lado de Dudu Nobre e Diego Nicolau. Samba esse que acabou indo para o Unidos de Vila Maria.

Quanto ao mestre de bateria, Ciça, este precisou se preservar. Pertencendo ao grupo de risco à Covid-19, Ciça não teve outra escolha que não fosse se cuidar mais que muita gente. Há 9 meses sem atuar pelo carnaval, ele lamenta o tempo parado e declara saudade.

“Eu tive até pensando em fazer alguma coisa nesses meses parado, mas não deu, porque eu faço parte do grupo de risco. Então, quase não fui para rua. Mas, o que me acalmava um pouco, era conversar com o pessoal da bateria. Eu senti muito. E você ficar sem fazer aquilo que você gosta, acaba sendo afetado. A saudade dos ritmistas é imensa”, falou Ciça.

O cantor Zé Paulo, ainda que declarando estar se cuidando, foi infectado. Mas, ele comemora o fato de ter passado pela doença sem grandes problemas. Apesar de agradecer de estar vivo, ele alinha seu discurso ao de Ciça para desabafar sobre o período de pausa indesejada:

“A gente é afetado profissionalmente, psicologicamente, fica com medo de fazer as coisas até para não se contaminar ou receber um julgamento que, geralmente, vem de uma forma muito depreciativa, sem saber os motivos que a pessoa tá fazendo aquilo. Tem muita gente passando necessidade de verdade. E o músico vive da música. Vive de eventos. Então, não tendo eventos, acaba complicando demais”, desabafou o intérprete falando ainda do que fez durante o tempo em casa: composições, iniciação científica na OBCAR e montou um workshop que, em breve será lançado.

A incerta volta, a vacina e os desfiles

Quando as escolas de samba vão voltar a pulsar não se sabe, mas vontade é o que não falta. Ciça, está louco para voltar a fazer o ama, Zé Paulo Sierra, espera a vacina e a comunidade junta de novo, e Calil mantém a calma de um presidente que projeta um futuro responsável.

Para manter os ateliês ativos, Calil deixou o barracão fazendo os protótipos para o desfile. Ele confessa que apostava em carnaval apenas em 2022 e abrir os trabalhos de confecção de alegorias em julho de 2021, mas com a data dos desfiles marcada justamente para julho de 2021, ele promete que os trabalhos irão começar já no mês que vem, fevereiro (2021).

“Seguiremos os protocolos utilizados nesse tipo de ofício e buscaremos, juntamente a liga, maiores informações que nos ajudem, no decorrer desses meses, a manter o padrão que sempre tivemos”, explica o presidente.

O intérprete, só pensa na vacina. Ansioso para voltar a ver a quadra cheia, Zé Paulo pensa em missão dividida quando o assunto é festejar a volta:

“Acho que o encontro com a comunidade vai ser um pouco mais a frente, depois da imunização, mas como eles, eu também estou com saudade. Então, eu desejo isso com muita vontade, porque já vai fazer um ano que cantei pela última vez”, lembrou o cantor.

Os ensaios ainda não começaram, embora o mestre Ciça esteja louco para voltar. Ele espera pôr a mão na massa logo, mas teme o tempo curto e pela falta de ritmo dos integrantes da bateria. Para ele, os componentes precisam do ensaio para não perder a pulsação.

“Ainda não começamos. Vamos sentar para conversar e vamos devagarzinho, dependendo da diretoria da escola. Os ensaios fazem muita falta. Se o carnaval for em julho, com certeza o tempo é muito curto. Mas, a gente vai dar um jeito, afinal a gente é sambista”, conta o otimista Ciça.

E o discurso entre presidência, carro de som e bateria, além de ter se alinhado no desfile que deu título a Viradouro, também está sincronizado no desejo de estar de volta ao carnaval, com a quadra cheia e todos imunizados para finalmente comemorar o carnaval de 2020. Ansiosos por esse momento, a escola está na missão de projetar o Carnaval 2021, que pode pular para 22, sem ao menos ter saboreado 20. Nesse dilema, o que se sabe até aqui, é que a vermelha e branca do Barreto tem um encontro, até então, marcado com a passarela do samba. No dia 11 de julho, ela será a quinta escola a desfilar com o enredo “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria”.

Passarela do Samba: ‘Retrato Falado’

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Para provar a existência de Tereza de Benguela, figura central do enredo “Uma rainha negra no Pantanal”, Joãosinho Trinta conseguiu que o então Prefeito de Cuiabá, Dante de Oliveira, fretasse um vôo para os sambistas da escola e jornalistas da crônica carnavalesca. Os sambistas fariam um show na Universidade de Cuiabá e os jornalistas conheceriam as ruínas do Quilombo do Quariterê, onde Tereza reinou. Aconteceu em novembro de 1993. Glória Maria desceu de helicóptero no Rio Cuiabá, onde gravou matéria para o Fantástico; nós fomos no avião com a Escola, ao lado de Albeniza Garcia, Salete Lisboa, Solange Duart, Denise Ribeiro, Jorge Marinho e outros colegas.

O show na universidade pegou fogo. Ao final, o público invadiu a quadra para sambar ao lado de passistas e baianas, ao som da bateria. As socialites cuiabanas ficaram loucas com os integrantes da comissão de frente, formada por negros tipo NBA.

Na manhã seguinte, um senhor compareceu à portaria do hotel onde a delegação estava hospedada. Nervoso, dirigiu-se à recepcionista, mostrando uma foto:

– Por acaso, você viu esta senhora passar por aqui?

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A recepcionista balançou, pensando em confusão com a polícia:

– Não vi, não. Por que?

– É a minha mulher. Saiu ontem à noite para assistir um show da Viradouro e ainda não voltou.

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O enredo da Viradouro inseriu Tereza de Benguela na História do Brasil

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Milton Cunha: ‘Carta de intenções para a fundação de uma Associação dos Passistas de Samba do Brasil

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Milton Cunha: “Esta semana o mundo do samba iniciou o ano com a Fundação do APASB – Associação dos Passistas do Brasil “Ciro do Agogô”. Encomendei aos quatro fundadores queridíssimos Nilce Fran, Dhu Costa, Aldione Senna e Bruno Teté um texto declaração de intenções e propostas.

Os passistas representam um importantíssimo segmento do Episteme Ziriguidum, pois seus corpos vibram o tambor. Vida longa para esta Associação”.

Carta de intenções para a fundação de uma “Associação dos Passistas de Samba do Brasil”

Nilce Fran, Decana do Samba no Pé, legítima representante das tradiçõeS da Portela, e Dhu Costa, jovem Passista Internacional e ex-passista da Beija Flor de Nilópolis, juntos com Aldione Senna, decana premiada com reconhecida carreira entre os Passistas de Vila Isabel (ex coordenadora da Ala de Passistas da Escola) e Bruno Tete, duas vezes presidente da Ala de Passistas do Imperio Serrano, lançam a idéia (várias vezes ventilada, sem nunca conseguir sair das intenções declaradas) de Fundação da Associação dos Passistas de Samba do Brasil.

A união, sem pretender causar disputas de egos, lança luz sobre os laços de afeto que caracterizam as famílias que se juntaram em Grêmios Recreativos Escolas de Samba. O samba é amor, união, resistência (pois reconstrução de saberes e valores),  para as comunidades de gente humilde e talentosa das bordas da cidade do Rio de Janeiro, que espalhou esse modelo democrático de conviver no mundo, pelos quatro cantos do Brasil, e agora do planeta.

Dentre os objetivos deste grupo temos: incentivar a documentação e sistematização do saber simbólico que o samba no pé, é; reverenciar a ancestralidade e contextualizar a experiência diaspórica da negritude, que propiciou o surgimento desta manifestação que é símbolo da Nação; o amparo fraterno aos que se dedicam a este segmento; divulgação desta arte de Samba no Pé, no Brasil e no globo, construindo um processo de valorização destes artistas no mercado de trabalho, e criando espaços de convivência, troca de informações e representatividade junto a esta união, que é sinônimo de força.

Temos já a Liga das Escolas, as Associações de Velhas Guarda, Baianas, e achamos que chegou a hora de colocar esta pedra fundamental na união do povo que risca o chão com o samba no pé.

Nestes tempos de apagamento e invisibilidades, a necessidade de salvaguardar a dança do samba se mostra urgente. Não deixar esquecer o miudinho do malandro, o requebro da cabrocha, e fazer pontes humanistas para que este glorioso passado dialogue com modernas expressões do Samba no Pé, representadas pelos moderníssimos Passistas Vedetes, LGBT+  e outros, num mundo que não para de se reconstruir em democracia e respeito.

Como o Dossiê de reconhecimento do Samba está aprovado pelo Ministério da Cultura do Brasil, a fundação da Associação de Passistas setoriza a contribuição e importância desta categoria dentro e fora das Escolas, que são decisivos para a continuidade e constante exercício de atualização do Manifesto Sambista. Foi esta capacidade de diálogo e adaptação, constante negociação, que trouxe a potência Samba até aqui.

Todos são bem vindos, para somar. A mudança pretendida, real e benéfica, será resultado desta junção de forças dos vários pensares.

A hora é chegada, dos Passistas do Samba honrarem o legado dos fundadores, que correram da polícia, injustamente perseguidos, e nos inspiraram hoje a correr atrás do reconhecimento, valorização e representatividade.

Assinam: Nilce Fran e Dhu Costa, articuladores da Fundação; com participação de Aldione Senna e Bruno Tete, Conselheiros articuladores da causa.

E cada um dos fundadores ressaltou uma opinião particular, escrevendo um paragrafo para esta coluna OBCAR no CARNAVALESCO.

Dhu Costa – “Somos passistas, somos corpos que lutam e resistem

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a qualquer intempérie, nossa dança, nossa musica, nosso gingado e rebolado são a personificação da nossa maior arte: a dança do samba no pé. O nosso segmento é diverso e democrático, nele pode chegar quem quiser, ha espaço para todos e todes. Somos milhares de passistas pelo brasil e pelo mundo que honram o legado de quem veio antes, de quem riscou o chão para poder hoje, muitos de nos, usufruir dessa manifestação cultural. O segmento tem dançarinos nascidos e criados na comunidade, os passista com escola, e também existem os passistas sem escola , e ambos defendem com amor e respeito a dança do samba”.

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Aldione Senna – “A emoção de fazer parte dessa Associação é realmente grande, pois eu e Nilce testemunhamos nos anos 1990 a vontade que Ciro do Agogô tinha de organizar os passistas. Um sonho que carrego a herança dos que nos antecederam, a tenacidade de Ciro, que deve estar muito feliz. Nossos desafios são muitos, principalmente sensibilizar os dançarinos populares de que a Uniao faz a forca, não adianta lutar individualmente. Viva o samba e salve os passistas que ha décadas vêm trazendo alegria e o riscado do samba no pé”.

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Nilce Fran – “Mestre Ciro do Agogô. O passista de duas bandeiras, Vila Isabel e Mangueira; um apaixonado pelo samba, sempre atento, dedicado e sonhando com o melhor para o segmento Passistas. Vivi na 28 de Setembro, em várias quadras de escolas de samba ao lado dele e riscando o chão com ele. É mais que uma homenagem, é a certeza do dever cumprido. Associação dos Passistas do Brasil “Ciro do Agogô”. Nossos respeitos, mestre”.

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Bruno Teté – “Faltava uma Associação de Passistas, nos moldes das que ja existem, como as de baianas, de diretores de Harmonia, de Velha-Guarda. O samba é associativismo, porque os iguais vao recriando os laços de afeto e sociabilidade através destes grupamentos. Estamos muito satisfeitos com esta conquista, que é de todos os Passistas. Temos muito trabalho pela frente, mas os passistas, são antes de tudo, guerreiros. Vamos à luta”.

Lugar de Fala: ‘Quem não gosta de preto é porque tem inveja’, desabafa mestre Vitinho, do Império Serrano

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Ao contrário do que muitos internautas dizem pelas redes sociais, não existe uma bolha do carnaval. Caso houvesse, essa bolha seria diferente da realidade convencional. Não haveria preconceito de cor, sexualidade, religião e etc. No que chamam de bolha, o racismo permanece diariamente. Basta fazer aquela tradicional pergunta. Quantos carnavalescos assinam negros assinam carnaval no Grupo Especial? Quantos presidentes são negros? A maior festa popular do planeta tem em quase totalidade, nos cargos de alto escalão, o predomínio do homem branco e hétero, assim como na sociedade brasileira. O primeiro passo para se combater qualquer mazela é assumir que ela existe. Porém, isso não acontece no Brasil. O brasileiro bate no peito e esbraveja pra todo mundo que não é racista, mas, segundo o IBGE, negros tem quase três vezes mais chances de morrer assassinado do que uma pessoa branca. Somente no Rio de Janeiro, 1800 pessoas foram vítimas de intervenção policial. Delas, 1400 eram negros. Os dados assustam, machucam e nos fazem refletir.

O site CARNAVALESCO começa a partir dessa semana uma série de matérias cujo os protagonistas serão os criadores da folia. “Lugar de Fala” pretende por meio de um bate papo com os entrevistados ouvir histórias, desabafos, desafios e conquistas dos negros dentro e fora do carnaval. Para dar início, ouvimos um jovem que carrega toda herança negra verde e branca de sua família e hoje ocupa o cargo máximo da Sinfônica do Samba, bateria do Império Serrano.

Estreante para o próximo carnaval à frente de uma das baterias mais conceituadas do Brasil, mestre Vitinho é um rosto conhecido do sambista carioca. Negro, de dreads e sempre com sorriso no rosto, de 31 anos, é neto e filho de ex-mestres de bateria do Império. Não poderia ser diferente. Nasceu em berço sambista, começou a tocar muito cedo e as conquistas foram fruto de muito trabalho.

“Nasci no samba. Meu avô e meu pai foram mestre de bateria do Império Serrano. A minha mãe conheceu meu pai dentro da quadra. Nasci em 90, logo em 94 já sentia vontade de entrar para bateria, ficava fazendo barulho em tudo o que via pela casa. 97 foi meu primeiro ano no Império do Futuro, onde toquei até 99. Em 2000 meus pais se separaram e eu parei de frequentar. Voltei em 2004 quando comecei a andar sozinho e surgiu o desejo de desfilar. De início não fui muito bem aceito no Império, porque a bateria era bem fechada. Então fui pra Portela. Onde comecei de fato a escrever minha história como ritmista. Já estive como mestre em várias escolas do acesso como Favo de Acari, Acadêmicos de Madureira, Arranco, Ponte e agora, se Deus quiser, estarei à frente da sinfônica no próximo carnaval”, resumiu o mestre.

Apesar de hoje o mestre ser bastante resolvido e consciente do que sua cor representa, Vitinho é enfático quando o assunto é racismo e declara que no fundo, todo racista tem inveja da origem do povo preto.

“Antes de mais nada a gente tem que ter muito orgulho da nossa cor. O mundo que a gente vive requer que tenhamos bastante força, liderança, força de vontade e acima de tudo alegria. Nós do carnaval levamos a paz para vida das pessoas. Por muitas vezes quando eu tocava na noite, recebia elogios de muitas pessoas afirmando estar mal, e até desistindo da vida, porém depois de assistir o show teve forças para continuar. Eu tenho muito orgulho da minha cor. Sou o tipo de pessoa que não ligo muito para o que as demais pessoas acham e tem preconceito com a gente que é preto. Nós negros temos que ter muito orgulho de onde viemos. Eu entendo que muita gente fica com raiva, mas a minha opinião é que temos que cagar pro preconceito. Lógico que dá raiva, mas temos que nos sentir premiados pela cor que temos. Os racistas têm inveja da nossa raça, da nossa herança, do nosso povo”, desabafou.

Assim como nas religiões de matriz africana, que deram origem ao samba que conhecemos hoje, o Império Serrano é uma das escolas que mais respeita seus antepassados. Antiguidade, na verde e branca, continua sendo posto. O mestre conta que desde que chegou tem aprendido muito com os mais velhos e que a ancestralidade está presente o tempo todo nos ensinamentos.

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“Graças a Deus no Império os baluartes estão muito presentes. Se você der um vacilo eles já vêm e te dão puxão de orelha. Lá, você não da aperto de mão para quem é mais antigo, e sim pede benção. Isso é respeitar a ancestralidade e tudo o que conquistaram até aqui. A herança e a energia que a Sinfônica carrega não é algo fácil. Quando você é criado ouvindo a frase que é preciso respeitar os mais antigos, você quer levar esse respeito para frente. Respeitando e cultivando toda a cultura do Império. Com muita humildade eu ouço meus mais velhos e também os mais novos. Não dá pra chegar longe sem respeitar a antiguidade”.

Diariamente centenas de jovens são vítimas de preconceito. Seja no ônibus, lojas de conveniência, shoppings, ou em bancos, racistas insistem em espalhar o ódio. Vitinho contou uma de suas experiências que lidou de frente com o racismo e agiu de igual pra igual.

“Uma das vezes que sofri racismo foi na Caixa Econômica Federal. Fui receber um dinheiro na boca do caixa e o rapaz que estava atendendo não quis pegar o documento da minha mão. Mandou colocar em cima do balcão. Na hora de pagar ele jogou o dinheiro perto do balcão, com desdém. Quando percebi ri da cara dele e perguntei se ele estava com nojo. Agi com naturalidade e no fundo quem ficou com nojo dele foi eu. Na rua várias pessoas atravessam quando veem o neguinho vindo. Quando estou de moto então, acham que é assalto. Infelizmente, estou acostumado, minha atitude é manter o sorriso no rosto e seguir em frente”.

Quiseram os deuses do samba que o mestre tivesse em sua família dois ex-baluartes do Império, com isso Vitinho tem muito o que se inspirar em sua herança familiar. Porém, ele sabe que não é assim com todos, e que precisa servir de exemplo para crianças e adolescentes que iniciaram cedo, assim como ele.

“Assim como me fiz de espelho do meu avô e do meu pai, mestre Nilo Sérgio ajudou muito meu desenvolvimento. Não só como mestre, mas também como homem. Tenho total noção de quanto o samba e a escola de samba para um adolescente representa. Estar no Império, uma escola de raça, negra, que tem bastante raiz para mim é uma satisfação. As comunidades no entorno tem muitos jovens que precisam ter em quem se inspirar. O Império foi a primeira a ter uma escola mirim, o Império do Futuro. Uma das primeiras a ter projetos sociais. É muito bom servir de exemplo para outros meninos, o que posso fazer por eles eu faço. E pretendo fazer muito mais, assim como meu pai fez”.

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Além da sua inspiração dentro de casa, o mestre também encontrou no samba pessoas para se espelhar, e deseja ser para os mais novos uma inspiração.

“Ser mestre de bateria é algo que acontece, você não escolhe. Vem por mérito do seu trabalho. Cinco anos atrás eu pensei em desistir de tudo, foi quando perdi minha mãe. Estava sendo muito difícil pra mim, porque tinham minhas irmãs e meus filhos e o samba nos consome muito. Só que amo isso, nasci dentro disso. Não é tão fácil desistir. Percebi que a galera gostava do meu trabalho na Intendente, onde trabalhei por vários anos. Em 2018 quando me convidaram para Série A fiquei assustado, vendo o que eu queria ser realizado. Meu primeiro ano foi uma grande realização na minha vida particular e dentro da escola de samba. Ano de diversas conquistas e principalmente aprendizado. Fui um dos primeiros mestres da Intendente Magalhães a ir para Marquês de Sapucaí. Hoje estou na escola onde meu avô e meu pai passaram, é algo que não se compra. Não dá pra pedir pra ser mestre, isso é feio. A magia tem que acontecer, tem que sentir o poder de conseguir. Estou na minha casa muito feliz e tenho certeza que minha diretoria também está. Eu moro em Madureira, conheço muita gente, mesmo com esse momento de pandemia os projetos estão seguindo, cuidamos muito bem das nossas crianças, já que comecei pequeno como eles”, finalizou.

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Personalidade do ano, Tia Surica agradece premiação e diz que não se arrepende de ter xingado o bispo Crivella

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Tia Surica ganhou a categoria Personalidade do Ano no prêmio “Destaques do Ano” do site CARNAVALESCO. O feito veio por virar assunto mais comentado no Twitter ao declarar seu voto para Eduardo Paes (DEM) e atacar Marcelo Crivella (Republicanos) durante live para comemorar seus 80 anos. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a baluarte agradece a premiação e diz que não se arrepende de ter xingado o bispo e agora ex-prefeito do Rio.

“Fiquei muito feliz com a premiação. Queria agradecer a todos que votaram em mim, principalmente a família portelense, eles são minha segunda família. Queria agradecer também a vocês do site pela lembrança. Desejo a todos um feliz 2021 e que o Eduardo Paes faça uma boa gestão pra chegar a governador”, dispara Surica.

Questionada se faria tudo de novo, Surica diz que não se arrepende da postura que teve naquele dia.

“Olha, foi uma coisa assim inesperada. O Eduardo veio falar comigo e eu falei aquilo, que ele seria nosso prefeito e que o outro lá aquele filho da p*** não ia ganhar. Foi espontâneo, mas deu um ibope danado! Mas não tem arrependimento, não. Eu te pergunto o que o Crivella fez pelo Rio de Janeiro? Pela Educação? Pela Saúde? Nada! Deixou o Rio zerado”, frisa a sambista.

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Para quem não se lembra em novembro de 2020, pouco antes do segundo turno da eleição para prefeito no Rio, um comentário feito por Tia Surica viralizou na internet. Na ocasião, a integrante da Velha Guarda da Portela comemorava seus 80 anos com uma live feita na quadra da agremiação e, ao ver Eduardo Paes (DEM) – até então candidato à prefeito -, não resistiu e declarou seu apoio de um jeito singular.

“No segundo turno você vai ser o nosso prefeito, porque Deus é poderoso, aquele filho da p*** não pode ganhar!”, disparou Surica ao vivo para o mundo inteiro ver. A fala de Tia Surica repercutiu no país, virou um dos assuntos mais comentados no Twitter. Por esse motivo a equipe do site CARNAVALESCO indicou a sambista para ser uma das personalidades do ano na premiação. Surica ganhou por ter sido a vencedora no voto popular. Teresa Cristina foi a mais votada entre os jornalistas convidados e Junior Bill, criador das paródias das comissões de frente, foi o eleito entre a equipe do site.

Opinião sobre carnaval em julho

O carnaval do Rio foi adiado para julho, mas o prefeito Eduardo Paes e a Liga das Escolas de Samba (Liesa) não bateram o martelo se os desfiles irão mesmo acontecer nos dias 11 e 12, aguardam autorização das autoridades sanitárias e do poder público. Na opinião de Tia Surica a folia deve ser adiada para o ano que vem.

“Por mim, Tia Surica, não teria, mas quem sou eu? A Portela tem um dos melhores enredos e para vir capenga, sem condições de fazer carnaval, acho melhor não fazer. Deixa para 2022. Outra coisa, até julho essa vacina não está bem. Deixa para 2022. Em fevereiro, nos dias de carnaval vou ver os desfiles antigos da Portela pra matar a saudade”, adianta a baluarte.

Em julho de 2020, a Portela anunciou seu enredo para o próximo carnaval. Assim que for possível, a agremiação apresentará na Avenida “Igi Osè Baobá”, desenvolvido pela dupla de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage. O enredo conta a história dos baobás, árvores milenares e gigantescas que têm origem na África.

Passarela do Samba: ‘O Carro Ligado’

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O Carnaval de 1984 foi uma grande confusão. Tudo era novo, a começar pelo Sambódromo, que ainda cheirava a cimento fresco. Uma obra monumental erguida em 110 dias, apenas, com estruturas pré-moldadas. Os oposicionistas do governador Leonel Brizola espalharam o pânico, afirmando que a construção desmoronaria.

Pela primeira vez, os desfiles do Grupo Especial, até então realizados exclusivamente no Domingo, foram divididos em dois dias, com metade das Escolas se apresentando na Segunda-Feira. As três primeiras de cada dia voltaram a desfilar no Sábado, em disputa do Supercampeonato – vencido pela Mangueira.

Foi criada a Praça da Apoteose, inventada pelo vice-governador Darcy Ribeiro, deixando as Agremiações confusas, sem saber o que fazer na parte final do desfile. A Mangueira, última a desfilar no Sábado, foi a única a se aproveitar da novidade: deu a volta e retornou à Concentração, para delírio do público. A manobra passou a ser proibida pelo Regulamento, mas entrou para a coleção de feitos da Estação Primeira.

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Para que as alegorias não atravancassem a área de dispersão, os organizadores combinaram com os representantes das Escolas que todos os carros seriam guardados na garagem da Comlurb, no Catumbi, bem atrás da Apoteose. E só seriam retirados na manhã seguinte, após a passagem da última Agremiação.

A Caprichosos foi a terceira a desfilar no Domingo. Terminada a apresentação, guardou as alegorias na garagem. Atrás dela veio o Salgueiro, que fez a mesma coisa. Pouco depois, um diretor salgueirense voltou à pista para procurar os diretores da Caprichosos, pois haviam esquecido o abre-alas ligado.

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Era um bonecão do Chico Anysio, homenageado com o enredo “A visita da nobreza do riso a Chico Rei, num palco nem sempre iluminado”, de Luiz Fernando Reis. De longe dava para ver a cabeça do boneco girando, de um lado para o outro. Um dos empurradores saiu correndo até a garagem. Lá chegando, deu duas ou três batidas na saia do carro e gritou:

– Alô, Tião! Pode parar que o desfile já acabou!

O movimento do boneco era feito por um colaborador que empurrava uma alavanca de um lado para o outro, girando o eixo, mas sem visão da área externa. Foram todos embora e esqueceram de avisá-lo.

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Autoridades de São Paulo descartam carnaval em julho, informa jornalista da CNN

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As autoridades do governo estadual de São Paulo descartaram a possibilidade da realização do Carnaval ser feito em julho de 2021. Segundo informações da jornalista Daniela Lima, da CNN, o avanço da Covid-19 e a capacidade de atendimentos nos hospitais foi fundamental para a decisão.

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A jornalista da CNN informa ainda que o governador João Dória vai entrar em contato com representantes do Rio de Janeiro, Salvador e Recife para uma ação ampla.

Até o momento, as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo não se pronunciaram sobre o assunto e nem a Liesa e a Liga-SP. Todas ainda trabalham com a previsão de julho de 2021, com a campanha de vacinação ativa em todo o país.