InícioGrupo EspecialPassarela do Samba: 'O Carro Ligado'

Passarela do Samba: ‘O Carro Ligado’

O Carnaval de 1984 foi uma grande confusão. Tudo era novo, a começar pelo Sambódromo, que ainda cheirava a cimento fresco. Uma obra monumental erguida em 110 dias, apenas, com estruturas pré-moldadas. Os oposicionistas do governador Leonel Brizola espalharam o pânico, afirmando que a construção desmoronaria.

Pela primeira vez, os desfiles do Grupo Especial, até então realizados exclusivamente no Domingo, foram divididos em dois dias, com metade das Escolas se apresentando na Segunda-Feira. As três primeiras de cada dia voltaram a desfilar no Sábado, em disputa do Supercampeonato – vencido pela Mangueira.

Foi criada a Praça da Apoteose, inventada pelo vice-governador Darcy Ribeiro, deixando as Agremiações confusas, sem saber o que fazer na parte final do desfile. A Mangueira, última a desfilar no Sábado, foi a única a se aproveitar da novidade: deu a volta e retornou à Concentração, para delírio do público. A manobra passou a ser proibida pelo Regulamento, mas entrou para a coleção de feitos da Estação Primeira.

Para que as alegorias não atravancassem a área de dispersão, os organizadores combinaram com os representantes das Escolas que todos os carros seriam guardados na garagem da Comlurb, no Catumbi, bem atrás da Apoteose. E só seriam retirados na manhã seguinte, após a passagem da última Agremiação.

A Caprichosos foi a terceira a desfilar no Domingo. Terminada a apresentação, guardou as alegorias na garagem. Atrás dela veio o Salgueiro, que fez a mesma coisa. Pouco depois, um diretor salgueirense voltou à pista para procurar os diretores da Caprichosos, pois haviam esquecido o abre-alas ligado.

Era um bonecão do Chico Anysio, homenageado com o enredo “A visita da nobreza do riso a Chico Rei, num palco nem sempre iluminado”, de Luiz Fernando Reis. De longe dava para ver a cabeça do boneco girando, de um lado para o outro. Um dos empurradores saiu correndo até a garagem. Lá chegando, deu duas ou três batidas na saia do carro e gritou:

– Alô, Tião! Pode parar que o desfile já acabou!

O movimento do boneco era feito por um colaborador que empurrava uma alavanca de um lado para o outro, girando o eixo, mas sem visão da área externa. Foram todos embora e esqueceram de avisá-lo.

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