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Milton Cunha: ‘Carta de intenções para a fundação de uma Associação dos Passistas de Samba do Brasil

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Milton Cunha: “Esta semana o mundo do samba iniciou o ano com a Fundação do APASB – Associação dos Passistas do Brasil “Ciro do Agogô”. Encomendei aos quatro fundadores queridíssimos Nilce Fran, Dhu Costa, Aldione Senna e Bruno Teté um texto declaração de intenções e propostas.

Os passistas representam um importantíssimo segmento do Episteme Ziriguidum, pois seus corpos vibram o tambor. Vida longa para esta Associação”.

Carta de intenções para a fundação de uma “Associação dos Passistas de Samba do Brasil”

Nilce Fran, Decana do Samba no Pé, legítima representante das tradiçõeS da Portela, e Dhu Costa, jovem Passista Internacional e ex-passista da Beija Flor de Nilópolis, juntos com Aldione Senna, decana premiada com reconhecida carreira entre os Passistas de Vila Isabel (ex coordenadora da Ala de Passistas da Escola) e Bruno Tete, duas vezes presidente da Ala de Passistas do Imperio Serrano, lançam a idéia (várias vezes ventilada, sem nunca conseguir sair das intenções declaradas) de Fundação da Associação dos Passistas de Samba do Brasil.

A união, sem pretender causar disputas de egos, lança luz sobre os laços de afeto que caracterizam as famílias que se juntaram em Grêmios Recreativos Escolas de Samba. O samba é amor, união, resistência (pois reconstrução de saberes e valores),  para as comunidades de gente humilde e talentosa das bordas da cidade do Rio de Janeiro, que espalhou esse modelo democrático de conviver no mundo, pelos quatro cantos do Brasil, e agora do planeta.

Dentre os objetivos deste grupo temos: incentivar a documentação e sistematização do saber simbólico que o samba no pé, é; reverenciar a ancestralidade e contextualizar a experiência diaspórica da negritude, que propiciou o surgimento desta manifestação que é símbolo da Nação; o amparo fraterno aos que se dedicam a este segmento; divulgação desta arte de Samba no Pé, no Brasil e no globo, construindo um processo de valorização destes artistas no mercado de trabalho, e criando espaços de convivência, troca de informações e representatividade junto a esta união, que é sinônimo de força.

Temos já a Liga das Escolas, as Associações de Velhas Guarda, Baianas, e achamos que chegou a hora de colocar esta pedra fundamental na união do povo que risca o chão com o samba no pé.

Nestes tempos de apagamento e invisibilidades, a necessidade de salvaguardar a dança do samba se mostra urgente. Não deixar esquecer o miudinho do malandro, o requebro da cabrocha, e fazer pontes humanistas para que este glorioso passado dialogue com modernas expressões do Samba no Pé, representadas pelos moderníssimos Passistas Vedetes, LGBT+  e outros, num mundo que não para de se reconstruir em democracia e respeito.

Como o Dossiê de reconhecimento do Samba está aprovado pelo Ministério da Cultura do Brasil, a fundação da Associação de Passistas setoriza a contribuição e importância desta categoria dentro e fora das Escolas, que são decisivos para a continuidade e constante exercício de atualização do Manifesto Sambista. Foi esta capacidade de diálogo e adaptação, constante negociação, que trouxe a potência Samba até aqui.

Todos são bem vindos, para somar. A mudança pretendida, real e benéfica, será resultado desta junção de forças dos vários pensares.

A hora é chegada, dos Passistas do Samba honrarem o legado dos fundadores, que correram da polícia, injustamente perseguidos, e nos inspiraram hoje a correr atrás do reconhecimento, valorização e representatividade.

Assinam: Nilce Fran e Dhu Costa, articuladores da Fundação; com participação de Aldione Senna e Bruno Tete, Conselheiros articuladores da causa.

E cada um dos fundadores ressaltou uma opinião particular, escrevendo um paragrafo para esta coluna OBCAR no CARNAVALESCO.

Dhu Costa – “Somos passistas, somos corpos que lutam e resistem

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a qualquer intempérie, nossa dança, nossa musica, nosso gingado e rebolado são a personificação da nossa maior arte: a dança do samba no pé. O nosso segmento é diverso e democrático, nele pode chegar quem quiser, ha espaço para todos e todes. Somos milhares de passistas pelo brasil e pelo mundo que honram o legado de quem veio antes, de quem riscou o chão para poder hoje, muitos de nos, usufruir dessa manifestação cultural. O segmento tem dançarinos nascidos e criados na comunidade, os passista com escola, e também existem os passistas sem escola , e ambos defendem com amor e respeito a dança do samba”.

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Aldione Senna – “A emoção de fazer parte dessa Associação é realmente grande, pois eu e Nilce testemunhamos nos anos 1990 a vontade que Ciro do Agogô tinha de organizar os passistas. Um sonho que carrego a herança dos que nos antecederam, a tenacidade de Ciro, que deve estar muito feliz. Nossos desafios são muitos, principalmente sensibilizar os dançarinos populares de que a Uniao faz a forca, não adianta lutar individualmente. Viva o samba e salve os passistas que ha décadas vêm trazendo alegria e o riscado do samba no pé”.

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Nilce Fran – “Mestre Ciro do Agogô. O passista de duas bandeiras, Vila Isabel e Mangueira; um apaixonado pelo samba, sempre atento, dedicado e sonhando com o melhor para o segmento Passistas. Vivi na 28 de Setembro, em várias quadras de escolas de samba ao lado dele e riscando o chão com ele. É mais que uma homenagem, é a certeza do dever cumprido. Associação dos Passistas do Brasil “Ciro do Agogô”. Nossos respeitos, mestre”.

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Bruno Teté – “Faltava uma Associação de Passistas, nos moldes das que ja existem, como as de baianas, de diretores de Harmonia, de Velha-Guarda. O samba é associativismo, porque os iguais vao recriando os laços de afeto e sociabilidade através destes grupamentos. Estamos muito satisfeitos com esta conquista, que é de todos os Passistas. Temos muito trabalho pela frente, mas os passistas, são antes de tudo, guerreiros. Vamos à luta”.

Lugar de Fala: ‘Quem não gosta de preto é porque tem inveja’, desabafa mestre Vitinho, do Império Serrano

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Ao contrário do que muitos internautas dizem pelas redes sociais, não existe uma bolha do carnaval. Caso houvesse, essa bolha seria diferente da realidade convencional. Não haveria preconceito de cor, sexualidade, religião e etc. No que chamam de bolha, o racismo permanece diariamente. Basta fazer aquela tradicional pergunta. Quantos carnavalescos assinam negros assinam carnaval no Grupo Especial? Quantos presidentes são negros? A maior festa popular do planeta tem em quase totalidade, nos cargos de alto escalão, o predomínio do homem branco e hétero, assim como na sociedade brasileira. O primeiro passo para se combater qualquer mazela é assumir que ela existe. Porém, isso não acontece no Brasil. O brasileiro bate no peito e esbraveja pra todo mundo que não é racista, mas, segundo o IBGE, negros tem quase três vezes mais chances de morrer assassinado do que uma pessoa branca. Somente no Rio de Janeiro, 1800 pessoas foram vítimas de intervenção policial. Delas, 1400 eram negros. Os dados assustam, machucam e nos fazem refletir.

O site CARNAVALESCO começa a partir dessa semana uma série de matérias cujo os protagonistas serão os criadores da folia. “Lugar de Fala” pretende por meio de um bate papo com os entrevistados ouvir histórias, desabafos, desafios e conquistas dos negros dentro e fora do carnaval. Para dar início, ouvimos um jovem que carrega toda herança negra verde e branca de sua família e hoje ocupa o cargo máximo da Sinfônica do Samba, bateria do Império Serrano.

Estreante para o próximo carnaval à frente de uma das baterias mais conceituadas do Brasil, mestre Vitinho é um rosto conhecido do sambista carioca. Negro, de dreads e sempre com sorriso no rosto, de 31 anos, é neto e filho de ex-mestres de bateria do Império. Não poderia ser diferente. Nasceu em berço sambista, começou a tocar muito cedo e as conquistas foram fruto de muito trabalho.

“Nasci no samba. Meu avô e meu pai foram mestre de bateria do Império Serrano. A minha mãe conheceu meu pai dentro da quadra. Nasci em 90, logo em 94 já sentia vontade de entrar para bateria, ficava fazendo barulho em tudo o que via pela casa. 97 foi meu primeiro ano no Império do Futuro, onde toquei até 99. Em 2000 meus pais se separaram e eu parei de frequentar. Voltei em 2004 quando comecei a andar sozinho e surgiu o desejo de desfilar. De início não fui muito bem aceito no Império, porque a bateria era bem fechada. Então fui pra Portela. Onde comecei de fato a escrever minha história como ritmista. Já estive como mestre em várias escolas do acesso como Favo de Acari, Acadêmicos de Madureira, Arranco, Ponte e agora, se Deus quiser, estarei à frente da sinfônica no próximo carnaval”, resumiu o mestre.

Apesar de hoje o mestre ser bastante resolvido e consciente do que sua cor representa, Vitinho é enfático quando o assunto é racismo e declara que no fundo, todo racista tem inveja da origem do povo preto.

“Antes de mais nada a gente tem que ter muito orgulho da nossa cor. O mundo que a gente vive requer que tenhamos bastante força, liderança, força de vontade e acima de tudo alegria. Nós do carnaval levamos a paz para vida das pessoas. Por muitas vezes quando eu tocava na noite, recebia elogios de muitas pessoas afirmando estar mal, e até desistindo da vida, porém depois de assistir o show teve forças para continuar. Eu tenho muito orgulho da minha cor. Sou o tipo de pessoa que não ligo muito para o que as demais pessoas acham e tem preconceito com a gente que é preto. Nós negros temos que ter muito orgulho de onde viemos. Eu entendo que muita gente fica com raiva, mas a minha opinião é que temos que cagar pro preconceito. Lógico que dá raiva, mas temos que nos sentir premiados pela cor que temos. Os racistas têm inveja da nossa raça, da nossa herança, do nosso povo”, desabafou.

Assim como nas religiões de matriz africana, que deram origem ao samba que conhecemos hoje, o Império Serrano é uma das escolas que mais respeita seus antepassados. Antiguidade, na verde e branca, continua sendo posto. O mestre conta que desde que chegou tem aprendido muito com os mais velhos e que a ancestralidade está presente o tempo todo nos ensinamentos.

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“Graças a Deus no Império os baluartes estão muito presentes. Se você der um vacilo eles já vêm e te dão puxão de orelha. Lá, você não da aperto de mão para quem é mais antigo, e sim pede benção. Isso é respeitar a ancestralidade e tudo o que conquistaram até aqui. A herança e a energia que a Sinfônica carrega não é algo fácil. Quando você é criado ouvindo a frase que é preciso respeitar os mais antigos, você quer levar esse respeito para frente. Respeitando e cultivando toda a cultura do Império. Com muita humildade eu ouço meus mais velhos e também os mais novos. Não dá pra chegar longe sem respeitar a antiguidade”.

Diariamente centenas de jovens são vítimas de preconceito. Seja no ônibus, lojas de conveniência, shoppings, ou em bancos, racistas insistem em espalhar o ódio. Vitinho contou uma de suas experiências que lidou de frente com o racismo e agiu de igual pra igual.

“Uma das vezes que sofri racismo foi na Caixa Econômica Federal. Fui receber um dinheiro na boca do caixa e o rapaz que estava atendendo não quis pegar o documento da minha mão. Mandou colocar em cima do balcão. Na hora de pagar ele jogou o dinheiro perto do balcão, com desdém. Quando percebi ri da cara dele e perguntei se ele estava com nojo. Agi com naturalidade e no fundo quem ficou com nojo dele foi eu. Na rua várias pessoas atravessam quando veem o neguinho vindo. Quando estou de moto então, acham que é assalto. Infelizmente, estou acostumado, minha atitude é manter o sorriso no rosto e seguir em frente”.

Quiseram os deuses do samba que o mestre tivesse em sua família dois ex-baluartes do Império, com isso Vitinho tem muito o que se inspirar em sua herança familiar. Porém, ele sabe que não é assim com todos, e que precisa servir de exemplo para crianças e adolescentes que iniciaram cedo, assim como ele.

“Assim como me fiz de espelho do meu avô e do meu pai, mestre Nilo Sérgio ajudou muito meu desenvolvimento. Não só como mestre, mas também como homem. Tenho total noção de quanto o samba e a escola de samba para um adolescente representa. Estar no Império, uma escola de raça, negra, que tem bastante raiz para mim é uma satisfação. As comunidades no entorno tem muitos jovens que precisam ter em quem se inspirar. O Império foi a primeira a ter uma escola mirim, o Império do Futuro. Uma das primeiras a ter projetos sociais. É muito bom servir de exemplo para outros meninos, o que posso fazer por eles eu faço. E pretendo fazer muito mais, assim como meu pai fez”.

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Além da sua inspiração dentro de casa, o mestre também encontrou no samba pessoas para se espelhar, e deseja ser para os mais novos uma inspiração.

“Ser mestre de bateria é algo que acontece, você não escolhe. Vem por mérito do seu trabalho. Cinco anos atrás eu pensei em desistir de tudo, foi quando perdi minha mãe. Estava sendo muito difícil pra mim, porque tinham minhas irmãs e meus filhos e o samba nos consome muito. Só que amo isso, nasci dentro disso. Não é tão fácil desistir. Percebi que a galera gostava do meu trabalho na Intendente, onde trabalhei por vários anos. Em 2018 quando me convidaram para Série A fiquei assustado, vendo o que eu queria ser realizado. Meu primeiro ano foi uma grande realização na minha vida particular e dentro da escola de samba. Ano de diversas conquistas e principalmente aprendizado. Fui um dos primeiros mestres da Intendente Magalhães a ir para Marquês de Sapucaí. Hoje estou na escola onde meu avô e meu pai passaram, é algo que não se compra. Não dá pra pedir pra ser mestre, isso é feio. A magia tem que acontecer, tem que sentir o poder de conseguir. Estou na minha casa muito feliz e tenho certeza que minha diretoria também está. Eu moro em Madureira, conheço muita gente, mesmo com esse momento de pandemia os projetos estão seguindo, cuidamos muito bem das nossas crianças, já que comecei pequeno como eles”, finalizou.

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Personalidade do ano, Tia Surica agradece premiação e diz que não se arrepende de ter xingado o bispo Crivella

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Tia Surica ganhou a categoria Personalidade do Ano no prêmio “Destaques do Ano” do site CARNAVALESCO. O feito veio por virar assunto mais comentado no Twitter ao declarar seu voto para Eduardo Paes (DEM) e atacar Marcelo Crivella (Republicanos) durante live para comemorar seus 80 anos. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a baluarte agradece a premiação e diz que não se arrepende de ter xingado o bispo e agora ex-prefeito do Rio.

“Fiquei muito feliz com a premiação. Queria agradecer a todos que votaram em mim, principalmente a família portelense, eles são minha segunda família. Queria agradecer também a vocês do site pela lembrança. Desejo a todos um feliz 2021 e que o Eduardo Paes faça uma boa gestão pra chegar a governador”, dispara Surica.

Questionada se faria tudo de novo, Surica diz que não se arrepende da postura que teve naquele dia.

“Olha, foi uma coisa assim inesperada. O Eduardo veio falar comigo e eu falei aquilo, que ele seria nosso prefeito e que o outro lá aquele filho da p*** não ia ganhar. Foi espontâneo, mas deu um ibope danado! Mas não tem arrependimento, não. Eu te pergunto o que o Crivella fez pelo Rio de Janeiro? Pela Educação? Pela Saúde? Nada! Deixou o Rio zerado”, frisa a sambista.

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Para quem não se lembra em novembro de 2020, pouco antes do segundo turno da eleição para prefeito no Rio, um comentário feito por Tia Surica viralizou na internet. Na ocasião, a integrante da Velha Guarda da Portela comemorava seus 80 anos com uma live feita na quadra da agremiação e, ao ver Eduardo Paes (DEM) – até então candidato à prefeito -, não resistiu e declarou seu apoio de um jeito singular.

“No segundo turno você vai ser o nosso prefeito, porque Deus é poderoso, aquele filho da p*** não pode ganhar!”, disparou Surica ao vivo para o mundo inteiro ver. A fala de Tia Surica repercutiu no país, virou um dos assuntos mais comentados no Twitter. Por esse motivo a equipe do site CARNAVALESCO indicou a sambista para ser uma das personalidades do ano na premiação. Surica ganhou por ter sido a vencedora no voto popular. Teresa Cristina foi a mais votada entre os jornalistas convidados e Junior Bill, criador das paródias das comissões de frente, foi o eleito entre a equipe do site.

Opinião sobre carnaval em julho

O carnaval do Rio foi adiado para julho, mas o prefeito Eduardo Paes e a Liga das Escolas de Samba (Liesa) não bateram o martelo se os desfiles irão mesmo acontecer nos dias 11 e 12, aguardam autorização das autoridades sanitárias e do poder público. Na opinião de Tia Surica a folia deve ser adiada para o ano que vem.

“Por mim, Tia Surica, não teria, mas quem sou eu? A Portela tem um dos melhores enredos e para vir capenga, sem condições de fazer carnaval, acho melhor não fazer. Deixa para 2022. Outra coisa, até julho essa vacina não está bem. Deixa para 2022. Em fevereiro, nos dias de carnaval vou ver os desfiles antigos da Portela pra matar a saudade”, adianta a baluarte.

Em julho de 2020, a Portela anunciou seu enredo para o próximo carnaval. Assim que for possível, a agremiação apresentará na Avenida “Igi Osè Baobá”, desenvolvido pela dupla de carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage. O enredo conta a história dos baobás, árvores milenares e gigantescas que têm origem na África.

Passarela do Samba: ‘O Carro Ligado’

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O Carnaval de 1984 foi uma grande confusão. Tudo era novo, a começar pelo Sambódromo, que ainda cheirava a cimento fresco. Uma obra monumental erguida em 110 dias, apenas, com estruturas pré-moldadas. Os oposicionistas do governador Leonel Brizola espalharam o pânico, afirmando que a construção desmoronaria.

Pela primeira vez, os desfiles do Grupo Especial, até então realizados exclusivamente no Domingo, foram divididos em dois dias, com metade das Escolas se apresentando na Segunda-Feira. As três primeiras de cada dia voltaram a desfilar no Sábado, em disputa do Supercampeonato – vencido pela Mangueira.

Foi criada a Praça da Apoteose, inventada pelo vice-governador Darcy Ribeiro, deixando as Agremiações confusas, sem saber o que fazer na parte final do desfile. A Mangueira, última a desfilar no Sábado, foi a única a se aproveitar da novidade: deu a volta e retornou à Concentração, para delírio do público. A manobra passou a ser proibida pelo Regulamento, mas entrou para a coleção de feitos da Estação Primeira.

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Para que as alegorias não atravancassem a área de dispersão, os organizadores combinaram com os representantes das Escolas que todos os carros seriam guardados na garagem da Comlurb, no Catumbi, bem atrás da Apoteose. E só seriam retirados na manhã seguinte, após a passagem da última Agremiação.

A Caprichosos foi a terceira a desfilar no Domingo. Terminada a apresentação, guardou as alegorias na garagem. Atrás dela veio o Salgueiro, que fez a mesma coisa. Pouco depois, um diretor salgueirense voltou à pista para procurar os diretores da Caprichosos, pois haviam esquecido o abre-alas ligado.

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Era um bonecão do Chico Anysio, homenageado com o enredo “A visita da nobreza do riso a Chico Rei, num palco nem sempre iluminado”, de Luiz Fernando Reis. De longe dava para ver a cabeça do boneco girando, de um lado para o outro. Um dos empurradores saiu correndo até a garagem. Lá chegando, deu duas ou três batidas na saia do carro e gritou:

– Alô, Tião! Pode parar que o desfile já acabou!

O movimento do boneco era feito por um colaborador que empurrava uma alavanca de um lado para o outro, girando o eixo, mas sem visão da área externa. Foram todos embora e esqueceram de avisá-lo.

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Autoridades de São Paulo descartam carnaval em julho, informa jornalista da CNN

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As autoridades do governo estadual de São Paulo descartaram a possibilidade da realização do Carnaval ser feito em julho de 2021. Segundo informações da jornalista Daniela Lima, da CNN, o avanço da Covid-19 e a capacidade de atendimentos nos hospitais foi fundamental para a decisão.

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A jornalista da CNN informa ainda que o governador João Dória vai entrar em contato com representantes do Rio de Janeiro, Salvador e Recife para uma ação ampla.

Até o momento, as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo não se pronunciaram sobre o assunto e nem a Liesa e a Liga-SP. Todas ainda trabalham com a previsão de julho de 2021, com a campanha de vacinação ativa em todo o país.

Ao vivo: divulgação dos vencedores do prêmio Destaques do Ano

Acordo! Tuiuti anuncia saída do diretor Junior Schall

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O Paraíso do Tuiuti anunciou na tarde desta terça-feira a saída de Junior Schall, diretor de carnaval da agremiação. Segundo publicação nas redes sociais da escola, o desligamento foi em comum acordo. Veja abaixo o texto.

“O Paraíso do Tuiuti agradece imensamente o trabalho desempenhado pelo diretor de carnaval Junior Schall, no último desfile. Entretanto, em comum acordo, a diretoria do Tuiuti e o profissional firmaram a rescisão desse trabalho para o próximo desfile. O Paraíso do Tuiuti deseja sucesso ao futuro de Schall. Obrigado, diretor!”

Acordo! Tuiuti anuncia saída do diretor Junior Schall

 

Com prevenção contra a Covid-19, São Paulo começa a receber artistas de Parintins nos barracões das escolas de samba

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Janeiro é o mês que marca o início da contagem regressiva para o próximo Carnaval, com ensaios técnicos, ensaios turbinados dentro das quadras e outros eventos que aquecem o público para os desfiles das escolas de samba. Na preparação para o Carnaval 2021, entretanto, todos os processos já amplamente conhecidos tiveram que passar por adaptações, por causa da pandemia de Covid-19, motivo pelo qual o evento foi adiado para julho. Nos próximos meses, profissionais de Parintins (AM) chegam a São Paulo para trabalhar na execução das alegorias. Diante do cenário pandêmico, as escolas de samba tomarão medidas de precaução contra o Coronavírus, junto com a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo, que oferecerá os exames que detectam o vírus.

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Ao chegarem à capital paulista, os artistas parintinenses que vão trabalhar nos barracões serão submetidos a uma quarentena, pelas escolas de samba que os contrataram. O período de reclusão é usado para observar se realmente não há contágio por coronavírus e evitar a propagação de covid-19, em casos assintomáticos. Para garantir a segurança na construção do Carnaval 2021, a Liga-SP disponibilizará os testes de covid-19 para os profissionais, a fim de garantir que o processo artístico inicie com segurança.

Até janeiro de 2021, as agremiações ajustaram os trabalhos ao home office ou moldaram seus eventos de acordo com as medidas preventivas recomendadas pela OMS. É importante ressaltar, portanto, que o trabalho dentro dos barracões será feito com o uso de máscaras, álcool em gel e distanciamento social.

O intercâmbio artístico entre Parintins e São Paulo não é novidade. Todos os anos, profissionais de diversas vertentes vêm para a capital paulista, para trabalhar na execução das alegorias que desfilam no próximo Carnaval. Em 2021, com todas as ressalvas e incertezas, é necessário garantir também a proteção dos artistas envolvidos no espetáculo, a começar pelo trabalho dos barracões.

O desfile das escolas de samba deve ocorrer em julho de 2021, havendo vacinação para a população e de acordo com a posição da capital no Plano São Paulo, que determina a reabertura econômica de todos os setores, considerando a disponibilidade de leitos de UTI e o ritmo de contágio da covid-19, bem como as diretrizes que devem ser seguidas para que aglomerações sejam evitadas. A transferência de data foi uma decisão pensada junto com a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado, diante do cenário pandêmico em 2020.

Podcast ‘Eu estava lá’: mestre Casagrande relembra o desfile da Tijuca em 2010

O site CARNAVALESCO começa hoje o podcast “Eu estava lá”. Para abrir o primeiro convidado do programa é mestre Casagrande, comandante de bateria da Unidos da Tijuca. Ele contou histórias que viveu durante o desfile campeão de 2010, o inesquecível “É o segredo”. Ouça abaixo o depoimento de Casão.

Artigo: ‘Economia Criativa do Carnaval em Tempos de Pandemia’

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Por Sérgio Almeida Firmino

O Carnaval não é somente festa: a visão do Carnaval como Economia Criativa do Carnaval e Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro. O Carnaval para os brasileiros não é apenas uma festa de quatro dias. Obediente ao calendário religioso, a efeméride, que atravessou o Oceano Atlântico vindo da Europa, traduz o alento necessário, tanto para a população que o ama, quanto para aqueles que desejam apenas o  descanso dos dias da Festa. Para os que adoram, brincam nos Blocos de Enredo, Boi Pintadinho, Escolas de Samba, ou seja, para o folião, há muita diversão, pessoas animadas nas ruas, turistas, que  ajudam a incrementar os números das estatísticas econômicas apresentadas após os dias de Momo.

John Anthony Howkins é um autor e pesquisador inglês, que teve a ideia de nomear como “economia criativa”, tudo o que possa ser criado, produzido e depois negociado com resultado financeiro. Howkins desenvolveu a Economia Criativa. Com efeito, para os brasileiros envolvidos no segmento Samba, Escolas de Samba e Carnaval, a criatividade é um conceito natural. Por essa razão, o Governo do Estado do Rio de Janeiro criou a Economia Criativa do Carnaval dentro da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. Nada mais justo, essa ação governamental precede a preocupação com as dificuldades do porvir, sem a realização do Carnaval (pelo menos em fevereiro de 2021) por causa da pandemia do Covid19.

Mas qual é a atribuição da Economia Criativa do Carnaval? Neste momento trabalha na condução de políticas públicas, na busca de parcerias com a iniciativa privada para o firme propósito em auxiliar as famílias que vivem da cultura criativa do Carnaval. Entidades não governamentais, do direito privado, como o Instituto Cultural Cravo Albin, também são bem vindas e estão ajudando a criar parceria com a Câmara dos Vereadores do Município do Rio de Janeiro e convida empresários a formarem um mutirão ou “vaquinha”; com objetivo de suavizar a crise. Numa ação popular de ajuda aos artífices do carnaval, que sofreram tanto em 2020 quanto as incertezas sobre o Carnaval 2021, que sabemos que não vai acontecer em fevereiro, podendo (caso a pandemia já tiver acabado, e se for possível com todas as medidas sanitárias) ocorrer em julho de 2021.

Em tempos de paz, sem a maldita guerra invisível do Covid19, a Economia Criativa do Carnaval tem como objetivo principal asseverar os números das pesquisas da FGV, RioTur, Ministério do Turismo, CNC, entre outras, no âmbito do Carnaval no Rio de Janeiro, através de ações e políticas públicas que contribuam e possam incrementar essas estatísticas.

De fato, diante do investimento de 70 milhões de reais, dos quais a prefeitura disse ter introduzidos na realização do Carnaval em 2020, houve uma movimentação financeira em torno de  4 bilhões, segundo os dados das siglas mencionadas, ou seja, quase 57 vezes mais. Imaginar que a movimentação econômica do carnaval do Rio é um terço de todo o Brasil para as festas de Momo nos incentiva a trabalhar políticas públicas eficazes, das quais ajudem a multiplicação desses números aqui no Rio de Janeiro. No carnaval 2020, mais de dois milhões de turistas vieram para o Rio de Janeiro, contribuindo com essa forte movimentação econômica.

O ponto alto do Carnaval se concentra nos desfiles das Escolas de Samba, onde se oferece a essência da criação, pungente, rico processo criador encontrado nos barracões, conduzidos pelos seus artistas.

O Carnaval está em todas as Cidades do Rio de Janeiro ou pelo menos na sua historiografia, está viva nos 92 municípios, por menores que sejam. O que precisam é de entendimento das autoridades, para que haja um mínimo de apoio e incentivo, retornando ao passado, na intenção de se resgatar essas joias culturais, que nesses tempos de Covid-19 ajudariam com certeza em trabalho e renda as populações no estado.

As 103 Escolas de Samba do Estado do Rio de Janeiro poderiam estar em pé de igualdade com as Escolas de Samba do Grupo Especial, agremiações da Liesa, produzindo cada uma dessas ligas, nos respectivos municípios, capacitação, trabalho e renda, ajudando no desenvolvimento econômico das regiões.

Tomemos como um excelente exemplo a Cidade de Teresópolis: o Senhor Paulo Lima é o presidente da Liga das Escolas de Samba da Cidade e assevera que o município perdeu muito nesses dez anos sem desfiles. As fotos e filmagens provam o que o velho sambista nos ajuda a entender. Artistas, artífices do Carnaval, ficaram sem trabalho: artesões, figurinistas, costureiras, aderecistas, desenhistas, bordadeiras, serralheiros, marceneiros, estão desempregados, claro e evidente que este problema foi agravado pelo vírus Covid-19, mas também por conta da falta de políticas públicas eficazes que deveriam ter sido realizadas no passado.

Vamos imaginar que cidades como Nova Iguaçu, com suas 22 Escolas de Samba, poderiam desfilar na sua cidade e em seu próprio Sambódromo. A riquíssima  Baixada Fluminense, independente e com seus 4 milhões de cidadãos, população estimada ser igual a do Uruguai, depende somente de diálogo entre os gestores das cidades adjacentes, que compõem a Região e também com a iniciativa privada e representantes das Secretarias de Cultura dessas cidades. Os empresários terão seu lucro garantido de volta, com um viés ou contrapartida sócio-cultural, que a Lei de Incentivo impõe.

O Rio de Janeiro está sendo monitorado culturalmente e principalmente no âmbito da economia do Carnaval. Uma nova e inédita leitura da indústria criativa cultural do Carnaval está sendo idealizada no governo de Cláudio Castro e já se trabalha para depois que a população for vacinada. Espera-se que o Estado do Rio de Janeiro se desenvolva rapidamente, assim como já vinha crescendo nos dois últimos anos (2018 e 2019), após a recessão de 2014/16 e antes da grave crise mundial de 2020, segundo Marcel Grillo Balassiano, economista especialista da FGV. Precisamos voltar aos números de antes da pandemia, acertar o passo e trabalharmos para melhores resultados no pós-vacina.

O Carnaval, como sempre, está aí para contribuir enormemente para o desenvolvimento econômico do Estado, indústrias, comércio em geral. Geradores de empregos diretos e indiretos apostam na retomada implacável do nosso Carnaval e no retorno significativo da economia fluminense. Caso haja condições sanitárias, o carnaval em julho de 2021 será um sucesso, após o trágico período marcado pela pandemia.

Sérgio Almeida Firmino é assessor de economia criativa do Carnaval da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e diretor do Instituto Cravo Albin

Referências: Artigos e reportagens de Marcel Grillo Balassiano.