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Prêmio ‘Destaques do Ano’: Beija-Flor vence na categoria Responsabilidade Social

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A Beija-Flor de Nilópolis é muito mais que uma escola de samba. A Deusa da Passarela é referência nas atividades sociais com sua comunidade. Na categoria “Responsabilidade Social”, a Azul e Branco foi a vencedora na votação popular e entre a equipe do site CARNAVALESCO. Entre os jornalistas convidados, a Grande Rio foi a vencedora.

“Essa premiação é diferente de tudo no carnaval. É um prêmio muito legal de receber. O reconhecimento do trabalho social da Beija-Flor não é feito somente agora na pandemia. A escola há muito tempo tem diversas ações sociais para população de Nilópolis. Durante a pandemia, foi mostrado mais das nossas atividades. Um dos pilares da Beija-Flor é cuidar da sua comunidade, com escolinhas de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, distribuindo comida na rua, dando cestas básicas. É bom ser valorizado pela imprensa. O Almir Reis, nosso vice-presidente, é o cara que se dedica muito também na parte social da Beija-Flor. Temos o compromisso com o mundo do samba que vamos continuar sempre fazendo nossas ações sociais”, disse Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

Conheça alguns dos projetos da Beija-Flor:

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Desde da década de 1980, a Beija-Flor faz ações sociais com crianças, jovens e adultos. Segundo a escola, são mais de 1500 famílias impactadas por ano, com 40 mil jovens formados.

O Educandário Abrão David, fundado em 1987, atende mais de 900 alunos, de 6 aos 16 anos, no espaço que conta com três prédios onde estudam até o 9º ano.

“Acompanhava o desenvolvimento das atividades da Creche, quando vi que, passados os anos, as crianças que estudavam lá desde pequenas estavam ameaçadas de ver seu desenvolvimento educacional suspenso. Até aquele momento, o futuro delas era sair da Creche e serem ‘jogadas’ na rede pública de ensino, que na época era bastante ruim. Para que o trabalho da Creche tivesse uma continuidade, criamos o Educandário. Lá (no Educandário), as crianças estudam até a oitava série”, relembra Anizio.

A creche Júlia Abrão David, criada em 1980, atende 276 crianças entre seis meses e seis anos de idade, em 2 turnos com 4 refeições por dia (Café da manhã, almoço, lanche e jantar). Para atender com qualidade as crianças matriculadas na Creche – e seguindo as recomendações da Secretaria de Educação – as crianças de cada turma são divididas em dois grupos: no turno da manhã o primeiro grupo estuda na sala de aula, enquanto o segundo grupo fica no pátio com as recreadoras em atividades livres, mas educativas. No turno da tarde, a situação se inverte.

O projeto profissionalizante “Talentos da Beija” atua com 1 mil pessoas. Nessa iniciativa, os alunos (crianças, adolescentes e adultos) recebem aulas de Jiu-Jitsu, tênis de mesa, futebol, natação, dança, dentre outras.

Conheça os participantes do reality show ‘Carnaval Wall’

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A organização do primeiro reality show do samba, o “Carnaval Wall”, divulgou os nome dos 14 participantes. As personalidades participarão de provas e atividades na casa. O grande vencedor irá ganhar uma viagem de cruzeiro com acompanhante, R$ 5 mil em dinheiro e um prêmio surpresa. A atração começa em fevereiro e o site CARNAVALESCO é o o canal de notícias e terá o canal de notícias.

A dinâmica do reality contará com provas individuais e em grupos no sistema de pontos corridos, isto é, os participantes vão somando pontos no decorrer do programa e os 04 que acumularem maior pontuação, irão para grande final, que irá definir o ganhador através de votação online no site CARNAVALESCO.

O local escolhido é uma casa totalmente rústica, construída com pedra, madeira e vidro; para contrastar com o luxo do carnaval e trazer uma experiência totalmente diferente aos participantes.

Localizada em Mairiporã/SP a casa é ampla e confortável, conta com uma infraestrutura completa, com diversos quartos, amplo living e salas confortáveis. Além do lazer completo como lareira, churrasqueira, piscina, redes de descanso, salão de festas e academia.

Conheça abaixo quem vai estar na casa do carnaval:

rafa wall rodolfo wall jhonata wall sergio wall joao wall kaka wall daniel wall ruhanan flavia wall brunetty wall bruna wall waleska wall isadora wall roberio wall

 

Item ‘Performance’ do regulamento de bateria acelera o crescimento do carnaval de São Paulo como espetáculo

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O último ano de desfiles do carnaval de São Paulo contou com uma novidade. Além da escola de samba Águia de Ouro dividir o palco entre as campeãs do Grupo Especial, 2020 também mudou a forma que muitas baterias consideravam a receita perfeita pra garantir a nota máxima no quesito. No começo do ano passado, a Liga-SP  apresentou publicamente mudanças e a inserção do item “Performance”. A intenção era estimular variantes de ritmos das baterias durante a passagem na cabine do julgador. Variante, no caso, pode ser considerada como bossa, arranjo ou paradinha, com mais de 16 compassos pra que atingisse a nota máxima.

Pouco menos de um ano após os desfiles, já podemos fazer balanços e análises dos pontos ocasionados pela mudança. O principal, e inegável, é que a mudança retirou a bateria da zona de conforto. A realização de variantes longas expõe a bateria ao erro, o que exige um amadurecimento rítmico. A sensação de apreensão de dentro, provocou um êxtase, empolgação e interação de quem assistia, por exemplo, nas apresentações de baterias como da Mocidade Alegre, Vila Maria, Tom Maior. É um caminho traçado na direção do carnaval também voltado para o espectador simples.

Para nos ajudar a compreender o cenário através do ponto de vista do Mestre, conversamos com o Rodrigo Moleza, Mestre de bateria da Unidos de Vila Maria, sobre a interação com o público.

“A festa é feita pro povo, ele precisa interagir com a bossa, coreografia. A gente precisa sustentar o samba-enredo, mas também transmitir alegria e emoção para a arquibancada. Ver a interação da plateia dá uma sensação de dever cumprido. Tem dado certo, a galera vem gostando e a ideia é continuar fazendo arranjos desse tipo”, afirmou.

Podemos dizer que de fato o item performance funcionou, mas não significa que a aprovação foi absoluta entre as pessoas que estão envolvidas diretamente no trabalho de baterias. Um ponto levantado é se o grau de dificuldade de uma bossa seria considerado pelo jurado, afinal, o regulamento “valoriza a melhor performance musical com ousadia”.

Após as reuniões de esclarecimentos, notou-se que a “ousadia” seria aquilo apresentado fora do convencional. Ou seja, independente se a paradinha é complexa ou se apenas zerou os surdos, a bateria é considerada pelo item.

Mestre Moleza opina sobre o critério e considera que a boa execução privilegia o julgamento.

“A performance veio pra valorizar a criatividade, ousadia e, ao contrário do que muitos pensam, acaba privilegiando a boa execução das baterias como um todo. Foi o início de uma mudança necessária, e com isso conseguimos evoluir ainda mais no julgamento”, finalizou.

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Para que estruturemos um pensamento que leve em consideração o grau de dificuldade, automaticamente direcionamos a discussão para a subjetividade. Apenas o jurado poderá responder se a determinada execução é complicada ou não.

Em todo exercício de reflexão, é necessário considerar os mais diversos pontos antes de definir uma linha de pensamento. No caso de um regulamento de escola de samba, existem pontos implícitos a serem considerados antes de qualquer mudança. Na minha visão, o mais grave é o aumento da disparidade entre agremiações. Limitar a opinião ao Grupo Especial, é ignorar o trabalho de agremiações em níveis inferiores. O trabalho coletivo, como é o caso da bateria de escola de samba, exige tempo, esforço, estrutura e, o principal, presença constante do ritmista. Por falta de tempo de trabalho, acabam optando por uma linha de apresentação mais simples e segura, o que não seria o bastante para a nota máxima. É necessário traçar linhas de pensamentos que partem de diferentes pontos de vistas.

A real pergunta é: Como exigir mais complexidade sem que dispare a diferença estrutural de uma bateria?

Um fator que demonstra progresso é a maior aceitação de diferentes ritmistas e projetos de formação para crianças da comunidade. Com a crescente de participações e frequência nas atividades da bateria, conseguimos traçar linhas ainda mais técnicas para o julgamento.

Mestre Marcel Bonfim, da bateria do Morro da Casa Verde, exemplifica a afirmação através da própria evolução do trabalho na escola.

“A gente participou do Grupo de Acesso 2 durante quatro carnavais, e no primeiro a escola não obteve um resultado legal. Porém, no ano seguinte a escola ficou em terceiro lugar, o pessoal foi acreditando no trabalho e criamos a escolinha. Colhemos alguns frutos, fizemos parcerias. Hoje 70% da bateria frequenta”, relatou.

Ouça abaixo o podcast:

Cláudio Vieira: ‘No velório do Dicró’

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O fotógrafo de O Dia se encontrava na capela do Jardim da Saudade, em Mesquita, trabalhando na cobertura do velório de Dicró. Perambulava pelos arredores à procura de um personagem engraçado que lembrasse a curiosa galeria criada pelo sambista.

Caminhava pela calçada, onde foi surpreendido por um carro da polícia, que encostou mais adiante. Do interior do veículo desceram três PMs fardados, bem à vontade. O mais velho, um sargento barrigudo, chamou o fotógrafo:

– O que você tá fazendo aí?

– Cobrindo o velório, ora. – respondeu o rapaz.

O PM esbanjou autoridade:

– Mas o velório é lá dentro e você tá aqui fora, “filmando” tudo. Sabia que você tá numa área de milícia?

O fotógrafo se assustou:

– Não, senhor.

O sargentão engrossou a voz, prosseguindo:

– Quem é que você tá procurando?

O fotógrafo foi obrigado a contar a verdade:

– A “loura do pentelho preto”.

Cubango anuncia Pixulé como intérprete e manutenção de mestre Demétrius

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A nova presidente do Cubango, Patrícia Cunha, acertou a contratação do intérprete Pixulé para o comando do carro de som da escola no próximo desfile. Com 43 anos de carreira, sendo 27 na Marquês de Sapucaí, Pixulé fará a estreia na “mais querida de Niterói”.

“Posso dizer que esse namoro com a Cubango é antigo, e agora já virou casamento. Estou muito ansioso para conhecer a minha comunidade, em subir o Morro, encontrar meus novos colegas. Estou com uma alegria imensa em cantar nessa escola maravilhosa. E, se depender de mim, o samba-enredo vai ser o melhor do carnaval”, afirmou o cantor.

Na próxima folia, o Cubango desfila com o enredo “Onilé Cubango”, dos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel.

Mestre de bateria renovado

Prata da casa, Mestre Deéetrius vai permanecer na escola pelo quinto ano consecutivo. O mestre de bateria aguarda ansiosamente o início dos preparativos para o desfile.

“Carnaval só com a vacina. Então já fiquei mais esperançoso quando vi as primeiras pessoas sendo vacinadas. E quero agradecer aqui à diretoria da agremiação por confiar em mim por mais um ano. Estou desde os meus 15 anos na ‘Ritmo Folgado’”, disse Mestre Demétrius.

Liesb anuncia chegada de diretor de marketing para os desfiles na Intendente Magalhães

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A Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil, a Liesb, anunciou Sandro Capadócia como como diretor de marketing da entidade e chega para somar no time operacional que administra os desfiles na Intendente Magalhães.

Capadócia assumiu em 2017 a Direção de Marketing da Associação da Velha Guarda das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, além de ter sido o idealizador e apresentador da Live da Lierj, realizada no início da pandemia da Covid-19.

“Estive reunido com o presidente Clayton com o objetivo de buscarmos uma revitalização do carnaval da Intendente Magalhães e assim eu recebi o convite para integrar a equipe. Estaremos trabalhando pautados na segurança do folião em primeiro lugar. Daremos um valor especial a Intendente. Dali saem os campeões que estarão na Marquês de Sapucaí, eles merecem todo o carinho e condições para se preparem quando conquistarem este acesso”, revelou Sandro.

Sandro Capadocia

O empresário já trabalha há 23 anos em projetos, além de ter a sua própria empresa. Na cultura, Sandro elaborou o Bloco “Rival sem Rival”, no Teatro Rival, onde já homenageou nomes como Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila, Tia Surica e Diogo Nogueira.

Paes diz que adoraria vacinar agora Nelson Sargento e Tia Surica, mas que campanha seguirá Plano Nacional

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A Prefeitura do Rio de Janeiro detalhou como será o plano de vacinação contra Covid-19 no município. Neste primeiro momento, a cidade terá 110 mil doses da CoronaVac, da Sinovac (China) com o Instituto Butantan, de São Paulo. Ao falar sobre os primeiros vacinados nesta etapa, o prefeito Eduardo Paes afirmou que adoraria vacinar agora Nelson Sargento e Tia Surica, mas que a campanha seguirá Plano Nacional.

“Eu adoraria, até por gostos pessoais, vacinar o Nelson Sargento, a Tia Surica, o Monarco, enfim, um monte de gente mais idosa que eu conheço. Mas a prioridade está naquilo que está definido no PNI”, disse o prefeito.

O Rio de Janeiro terá 236 salas de vacinação na capital, espalhadas em Clínicas da Família, centros municipais de Saúde e policlínicas. Serão 10,5 mil profissionais envolvidos na operação. A previsão é vacinar em todas quatro fases mais de dois milhões de cariocas.

Os primeiros vacinados serão os trabalhadores de saúde que atendem diretamente pacientes com Covid-19 e aqueles que estarão envolvidos na campanha de vacinação. Também serão priorizados neste primeiro momento idosos e pessoas com deficiência que vivem em instituições de longa permanência, além dos trabalhadores desses estabelecimentos. As demais fases da vacinação, voltadas a outros grupos prioritários definidos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, serão realizadas conforme novas remessas de vacina forem recebidas na cidade.

De acordo com o número de doses disponíveis da CoronaVac no Brasil neste momento e os planos de distribuição do Ministério da Saúde, caberá à cidade, inicialmente, 231 mil doses da vacina, sendo que 110 mil serão entregues numa primeira remessa. Devido a esse número restrito inicialmente, a SMS decidiu priorizar os profissionais da linha de frente, que somam 102 mil pessoas, e pessoas acima de 60 anos que vivem em abrigos, representando outros 8 mil cidadãos e que serão vacinados nos próprios abrigos e asilos onde vivem.

Oficial! Prefeitura do Rio decreta ponto facultativo na segunda-feira de carnaval

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O Diário Oficial do município do Rio de Janeiro traz a informação que a Prefeitura do Rio decretou ponto facultativo na segunda-feira de carnaval, dia 15 de fevereiro. Na terça-feira, dia 16, será ponto facultativo federal, segundo a portaria 430, do Ministério da Economia. Não haverá ponto facultativo na sexta-feira e nem na quarta de cinzas. O mesmo ficou decretado para todo o Estado.

“O ponto será facultativo nas repartições públicas municipais no dia 15 de fevereiro de 2021, excluídos desta previsão os expedientes nos órgãos cujos serviços não admitam paralisação”, informa o Diário Oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Vale lembrar que os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial e Acesso não vão acontecer em fevereiro. Eles foram adiados para julho, caso tenha autorização sanitária para realização, devido à pandemia da Covid-19.

O presidente Jair Bolsonaro já tinha dado a posição do governo federal sobre o carnaval em fevereiro.

“Aqui tão perguntando se vai ter feriado durante o carnaval. Esse feriado é uma lei federal. Então, a ideia nossa é logicamente não criar nenhum óbice e manter o feriado. Agora se o cara vai pular ou não o carnaval, se vai ter carnaval ou não é outra história. E nós pretendemos manter que é um carnaval religioso, é isso mesmo? Segunda e terça é feriado. Nós vamos manter e cada um é responsável pelos seus atos”, afirmou Bolsonaro.

O deputado federal Dr. Luizinho (Progressistas-RJ), segue com o Projeto de Lei 5129/2020 para criar um feriado de carnaval em julho de 2021. Assim, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife fariam suas festas fora de época, obviamente, com a vacinação sendo feita em todo o país. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o deputado federal falou sobre o andamento do projeto na Câmara para um carnaval fora de época no mês de julho. Ele não cancela o período do carnaval tradicional, que é uma data religiosa.

Carnaval em julho

O calendário de datas oficiais do Estado do Rio de Janeiro acaba de ser alterado, incluindo no mês de julho de todo ano o “CarnaRio – Carnaval fora de época”, para estimular o turismo. É o que define a lei 9.174/20, do deputado Dionísio Lins (PP), que foi sancionada pelo governador em exercício, Cláudio Castro e publicada no Diário Oficial.

De acordo com o texto, a medida estimula o aquecimento da economia com a criação de postos de empregos e venda de produtos e serviços. A organização das comemorações relativas à data deverá contar com a participação das ligas, agremiações e blocos carnavalescos, e ainda da Secretaria de Estado responsável pela pasta da Cultura.

Superação! Grande Rio enfrenta a pandemia da Covid-19 com equipe mantida e ajuda para a comunidade

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Se ser comunidade é uma questão de responsabilidade social, a Grande Rio tirou nota máxima nesse quesito. A escola de Duque de Caxias arregaçou as mangas e montou um programa de ajuda aos que foram afetados economicamente pela pandemia do novo Coronavírus. Com cautela e confiante em um carnaval sanitariamente seguro, quando for possível, o próximo desfile está sendo organizado com o projeto artístico já pronto e uma escolha de samba-enredo em andamento.

Qual, afinal, é o papel de uma escola de samba mediante a sua comunidade? Muita gente, que vive o carnaval ou não, já fez essa pergunta em alguma roda de conversa. Talvez, uma resposta objetiva fuja a quem tenta responder. Por isso, às vezes é melhor se basear em situações práticas para esclarecer tal dúvida. No mundo encantado das escolas de samba, não faltam histórias que definem o papel delas, e, a partir daqui o site CARNAVALESCO vai contar mais uma.

Eram meados de março e o vice-campeonato ainda estava sendo comemorado lá pelas bandas de Caxias. Embora, a Grande Rio estivesse com as suas atividades paradas, como faz todos os anos por 30 dias após o carnaval, o sentimento era de orgulho entre aqueles que amargaram dois resultados ruins consecutivos. De repente, a alegria virou apreensão. Havia um vírus que chegou para virar o carnaval 2021 de cabeça para baixo, a ponto de tirar ele do verão e ser realizado possivelmente no inverno. Internamente, um ponto de interrogação e um pouco de espera, devidas as informações desencontradas. Fora da quadra, uma comunidade necessitada.

Giram presidentes, curvam-se as rainhas e os ogans batuqueiros

A primeira dúvida que pairava pela escola era nas equipes. A diretoria, logo sanou essa questão anunciando que toda equipe seria mantida, sem que seus vencimentos fossem afetados. O anúncio trouxe tranquilidade para quem havia perdido a sua renda com o fechamento do comércio e parada das atividades, ainda que a cidade de Caxias tenha relutado em estabelecer alguma medida de isolamento no comércio e nos serviços.

Como o fechamento das escolas de samba aconteceu enquanto a Grande Rio normalmente está parada, a diretoria teve tempo para se preparar. Com o passar do tempo, foi possível verificar a situação da comunidade e realizar um plano de ajuda. A tricolor fez uma grandiosa ação de distribuição de cestas básicas e não se limitou a quem desfila pela escola. As famílias caxienses, que passavam por dificuldades, também foram ajudadas, conforme a necessidade de cada um.

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“É um programa que ainda continua. Agora, no Natal, fizemos de novo, a bateria toda recebeu cestas básicas. Então, é uma grande ação que ajuda as pessoas que estão passando por problemas financeiros. A distribuição das cestas foi feita de acordo com a necessidade da comunidade. Intensificamos quando algumas pessoas ficaram completamente sem renda e depois, fomos avaliando as condições de cada um”, contou Thiago Monteiro, diretor de carnaval da Grande Rio.

Assim como a maioria dos profissionais, durante a pandemia, mestre Fafá também enfrentou cancelamento de seus compromissos. Mas, ele não cancelou a vontade de ajudar. Também ajudou na arrecadação de cestas básicas, que seriam distribuídas para a comunidade e, pessoalmente, foi entregar algumas àqueles que não poderiam ir até o local de distribuição.

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“Às vezes, eu chegava à quadra 8h e saía 22h, levando cestas básicas dentro do meu carro, para levar até as casas das pessoas. Era estar fazendo um pouco por quem sempre faz muito por nós. Por quem se dedica e tem amor pela escola. Ter compaixão, era o mínimo que a gente poderia fazer”, falou o comandante da Invocada.

Sobre as rainhas, muita ajuda e uma ação de natal. Sim, as rainhas: a atual Paolla Oliveira e Ana Furtado, que um dia reinou na frente da bateria da Grande Rio. Em vídeo, Paolla e Ana convocaram os ritmistas para uma surpresa que aconteceria no barracão. O presente: as duas doaram juntas doaram 280 cestas básicas para a Invocada.

Funcionário tranquilo é qualidade de vida

A tranquilidade chegou para os profissionais da Grande Rio, quando foi feito o anúncio de que seriam mantidos os pagamentos acordados com toda a equipe. Embora o susto tenha sido grande, o impacto foi muito mais de projetos que econômicos, em alguns. O mestre Fafá, por exemplo, teve viagens e trabalhos em outros países cancelados. Um projeto para revelar novos ritmistas também foi deixado para depois. Com todas as atividades paradas, ele foi se dedicar a arrecadar mantimentos para os mais necessitados.

“Essa pandemia prejudicou muito o meu trabalho. A gente estava em um projeto bem bacana de revelar ritmistas da escolinha. A bateria estava bem equalizada e, para mim, foi bem prejudicial porque eu gostava muito de ensaiar, de me dedicar. Um dos projetos profissionais que eu deixei de lado foi o de dar aulas em outros países. Esse projeto começou na França, no ano passado, e conseguimos estender para o México e alguns estados daqui do Brasil, que também tínhamos fechado”, disse Fafá.

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Já o cantor Evandro Malandro aproveitou a quarentena para se reinventar. Sendo um dos destaques do carnaval 2020 e com a situação financeira resolvida pela escola, ele não quis saber de ficar no ócio e se dedicou a cursos online para se profissionalizar ainda mais. Com direito a aulas de inglês e espanhol, o futuro poliglota da Sapucaí contou quais projetos esteve desenvolvendo.

“Pelo fato de eu ser músico, tanto no pessoal, quanto no profissional, eu me apeguei aos meus cursos online, aos meus trabalhos e estudos com música. Comecei a fazer muita aula online e aulas de edição de vídeos e áudio. Embora eu já trabalhe com estúdio, há pelo menos 11 anos, reatei um curso de violão de sete cordas. A melhor forma para passar esse momento, foi continuar a me profissionalizar. O profissional do carnaval, o músico, não pode parar”, explicou o intérprete.

Além dos cursos, apesar de não ter eventos com público, Malandro teve compromissos em lives organizadas pelas escolas de samba e também particulares, mas não pode contar com seu time do carro de som completo. Lamentando a ausência dos colegas, ele exalta o trabalho dos músicos que o auxiliam:

“Por mais que não tenham eventos, uma grande evolução que acontecem nesse tempo de pandemia, foram as lives. E nem sempre era o mesmo grupo do carro de som. Então, fizemos muitas reuniões online para organizar repertório. A gente conseguiu manter a Grande Rio em um ponto bacana de excelência e a gente não pode perder isso”, contou Malando.

A volta da Invocada e a explosão da peste

Seguindo as restrições de espaço e os protocolos de segurança sanitária, imaginou-se que as atividades paradas poderiam voltar aos poucos. A Grande Rio pensou que seria possível retomar os ensaios da bateria. Afinal, eram 9 meses sem uma batucada em Caxias e todos estavam com saudade. Mas, como se via diariamente, o vírus não foi embora e nem muitas pessoas permitiram que isso fosse possível. Em novembro, a Invocada bateria voltou aos ensaios, a princípio diariamente e depois seriam a cada 15 dias. Mas, com a explosão de casos de Covid-19 e a falta de leitos em hospitais, a direção da escola e o mestre Fafá decidiram recuar.

“A pandemia estava um pouco mais calma, então a gente fez uma reunião e definimos retomar. Como o número de casos aumentou, agora em dezembro, foi dada uma parada de novo. Fizemos esses ensaios para tentar movimentar um pouco. Nos preocupamos com distanciamento, para todos terem segurança. E agora, a gente dá uma parada”, explicou Thiago Monteiro, diretor de carnaval.

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Os ensaios eram preparados com um protocolo de distanciamento, limpeza dos instrumentos e o uso de máscara obrigatório. Fafá chamou atenção para o quanto o desempenho dos ritmistas nos primeiros ensaios estava afetado, mas minimizou a questão do distanciamento em uma bateria de escola de samba que toca com os componentes bem juntos.

“Eu costumo dizer que a bateria é como se fosse um time de futebol: quanto mais o jogador entra em campo, mais ele desenvolve técnica, mais ele tem preparo e mais ele está condicionado a fazer aquilo. E ritmista é a mesma coisa: quanto mais ensaio tem, mais você leva a perfeição e consegue atingir o bom desempenho. Sobre o distanciamento, tem uma diferença sim. Mas, quando a gente começa mesmo os nossos ensaios, a gente faz com os naipes separados, para todo mundo se ouvir e entender a equalização que a gente quer. Acabou que esse distanciamento não causou tanto efeito negativo”, falou o mestre.

A Grande Rio espera carnaval em paz

Após dois resultados ruins no carnaval, sendo um desastroso 2018, a Grande Rio desfilou em 2020 deixando qualquer estresse para trás. Após o vice-campeonato e organizar um carnaval barato, aos olhos da escola, planejar 2021 ficou um pouco mais fácil. Organizada, a escola tem o projeto artístico pronto e aguarda a definição de datas para abrir o barracão e começar a montagem das alegorias e fantasias.

“Uma coisa é você tentar manter a equipe, com todo esforço, outra coisa é você custear a produção de um desfile. Então, a gente só vai poder começar a meter a mão na massa, efetivamente, quando tiver algo mais concreto de ter desfile em julho ou não. A Liesa tem uma responsabilidade muito grande. Eu tenho a certeza de que ninguém vai agendar uma festa sem saber se terá”, disse Thiago Monteiro.

Até saber quando poderá abrir o barracão, a Grande Rio tem o desafio de escolher o samba. Nesse tempo também, acontecerá o que seria o carnaval de fevereiro. Em meio a perguntas de se a tricolor fará algo na data, Thiago Monteiro explica:

“A gente ainda precisa ver como vai estar a pandemia em fevereiro. Uma coisa que a pandemia nos ensinou é que não dá para fazer planejamento a longo prazo. Tem que fazer os planejamentos de tarefas, para a gente conseguir realizar algo. É claro que a gente não quer deixar passa em branco, mas tem que ver as possibilidades e ainda não podemos determinar nada. A gente está em uma incerteza muito grande”, falou o diretor de carnaval.

Sobre a volta, Evandro Malandro sonha este dia e tranquiliza os torcedores e simpatizantes sobre o processo de planejamento do carnaval. Segundo ele, tudo está sendo organizado de forma online, sem prejuízos para a desorganização dos trabalhos. Ao falar da integração do carro de som com a bateria, fundamental para o desempenho do samba-enredo, ele fala:

“É claro que a bateria depende de um tempo um pouco maior. Mas, o Fafá é um cara muito bom e está fazendo reuniões online para encontrar a melhor forma de lidar com isso. E da mesma forma, eu vou seguindo aqui. O pessoal do carro de som tem um grupo no WhatsApp e a gente vai se falando também”, falou Evandro.

Com calma, esperando a vacina e prometendo muita garra, o Acadêmicos do Grande Rio prepara seu carnaval. Com o enredo “Fala, Majeté: Sete Chaves de Exu”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, a escola será, até então, a quinta a desfilar na segunda-feira do novo carnaval, 12 de julho.

Cláudio Vieira: ‘Leva um samba aí!’

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Aldir Blanc entrou num boteco da Muda, reduto de sambistas da Império da Tijuca. Esbarrou, sem querer, no violão de um sujeito que estava cantando. O cara pensou que fosse provocação e se estourou com o poeta.

Com o seu jeitão de boa-paz, Aldir pediu desculpas e disse que também gostava de fazer sambas. O do violão arregalou os olhos, desconfiado, e desafiou o barbudo:

– Então, leva um samba aí!

Apesar da timidez, Aldir pigarreou, limpando a garganta, e puxou:

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– Caííía… a tarde feito um viaduto/ E um bêbado trajando luto/ Me lembrou Carliii…

O do violão interrompeu, bruscamente, mostrando-se mais zangado ainda:

– Peraí, ô! Esse samba é de um tal de Aldir, que mora ali na Rua Garibaldi!

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