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Beija-Flor nega ter dado camisa do enredo de 2022 para o presidente Jair Bolsonaro

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Uma imagem do presidente Jair Bolsonaro com a camisa do enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval de 2022, “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, mexeu com os sambistas nas redes sociais. No país polarizado, houve elogios e reclamações. A escola informou que “não enviou camisetas da escola de samba a autoridades públicas, uma vez que as atividades da instituição são exclusivamente culturais”.

Veja abaixo a nota completa da Beija-Flor:

“A Beija-Flor de Nilópolis informa sua legião de apaixonados que não enviou camisetas da escola de samba a autoridades públicas, uma vez que as atividades da instituição são exclusivamente culturais. Imagens com teor político não têm caráter oficial da instituição. Destacamos ainda a nossa tradição de respeito máximo às lutas por igualdade entre os brasileiros, de todas etnias e pluralidades, conforme reforçado pelo nosso enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”.

bolsonaro camisa

Gabriel David, empresário e conselheiro da escola, também se pronunciou nas redes sociais. Veja o post abaixo:

Em 2003, a Beija-Flor foi campeã com o enredo “O Povo Conta a sua História: Saco Vazio Não Pára em Pé. A Mão que Faz a Guerra Faz a Paz”. Na época, o presidente Lula foi homenageado na última alegoria da escola e até recebeu uma camisa alusiva ao enredo. Depois, a amizade entre o ex-presidente e o intérprete Neguinho da Beija-Flor terminou. O cantor explicou o caso em uma entrevista no programa “Conversa Com Bial”, feita em 2019.

lula neguinho

“O Boca Nervosa fez uma sátira e eu gostei. Cantei junto com ele e tinha uma sobrinha com celular gravando. Quando foi 5h30, o celular toca e era a Benedita da Silva: ‘O que você arrumou com o Lula”. Após isso, Neguinho disse que Lula não aceitou as desculpas pelo vídeo.

Portela faz feijoada delivery neste sábado

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A próxima edição da ‘Feijoada da Portela em Casa’ será realizada neste sábado, 13 de março, com opção de delivery e drive thru. Para garantir a refeição é necessário fazer o pedido antecipadamente pelo site www.sociosdaportela.com.br/feijoada

A escola preparou três combos especiais de feijoada. Um que vem com uma lata de cerveja Praya e um copo personalizado da Majestade do Samba. Há outro combo que inclui a recém-lançada Caipirinha da Portela e o terceiro que inclui copo  personalizado, cerveja Praya, Caipirinha da Portela, camisa oficial do enredo e máscara anti-Covid-19.

feijoada emcasa

Aqueles que optarem pelo drive thru, devem fazer a retirada do pedido na quadra da escola (Rua Clara Nunes 81, Madureira), a partir do meio-dia.

Área de cobertura do delivery

– Região Central do Rio de Janeiro
– Zona Sul
– Barra da Tijuca
– Zona Norte (Tijuca, Grajaú, Maracanã, Vila Isabel e São Cristóvão, Rio Comprido e Praça da Bandeira)
– Madureira e bairros adjacentes (Oswaldo Cruz, Bento Ribeiro, Rocha Miranda, Marechal Hermes, Turiaçu, Vaz Lobo, Irajá, Vicente de Carvalho, Campinho, Vila Valqueire, Praça Seca, Cascadura, Piedade, Quintino, Abolição, Pilares, Engenho de Dentro Méier, Cachambi, Del Castilho, Penha, Vila da Penha e Olaria).

Serviço:
Feijoada da Portela em Casa
Data: Sábado, 13 de março
Horário: A partir das 12h
Opções de combo:
Combo 1 (retirada na quadra): R$ 50 (feijoada + lata de cerveja Praya 269 ml + copo da Portela)
Combo 1 (delivery): R$ 50 (feijoada + lata de cerveja Praya 269 ml + copo da Portela)
Combo 2 (retirada na quadra): R$ 75 (feijoada + Caipirinha da Portela 250ml + lata de cerveja Praya 269 ml + copo da Portela)
Combo 2 (delivery): R$ 75 (feijoada + Caipirinha da Portela 250ml + lata de cerveja Praya 269 ml + copo da Portela)
Combo 3 (delivery): R$ 140 (Feijoada + Caipirinha + Cerveja + Copo + Camisa do enredo 2021 + máscara anti-Covid-19)
Combo 3 (retirada na quadra):  R$ 140 (Feijoada + Caipirinha + Cerveja + Copo + Camisa do enredo 2021 + máscara anti-Covid-19).
Importante: Os pedidos devem ser feitos antecipadamente pelo site www.sociosdaportela.com.br/feijoada. Valor do frete: R$ 10. O pagamento pode ser feito com cartão de crédito (com parcelamento em duas vezes) ou boleto bancário (deve ser pago até três dias antes).

Em ano de jejum do carnaval, musical que conta história de Beth Carvalho volta ao Imperator

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Com o intuito de proporcionar ao público um acalento por não ter tido Carnaval este ano e também matando as saudades da eterna Madrinha do Samba, o musical que faz homenagem a um dos maiores ícones da história de um dos maiores gêneros musicais do Brasil, retornar aos teatros com nova temporada, saudando a carreira musical da eterna cantora e compositora Beth Carvalho, que nos deixou em abril de 2019.

Depois de algumas temporadas durante dois anos em cartaz (de 2015 a 2017), o musical volta aos palcos com texto de Rômulo Rodrigues e a direção de Ernesto Piccolo. Com produção de Thiago Roderich e Prama Comunicação, a direção musical do espetáculo conta com Rildo Hora e de Márcio Eduardo, onde serão exibidas 45 músicas para o público. Nos vocais, a peça conta com Pedro Lima e quem assina a direção do espetáculo, é Sueli Guerra.

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Com atuação de Eduarda Fadini, Stephanie Serrat, Renata Tavares e grande elenco, a peça conta com assinatura de Ney Madeira e Dani Vidal no figurino, colocando em ênfase o conceito realista, respeitando as transições de época que o espetáculo proporciona, coincidindo e respeitando todo o cenário, assinado por Clívia Cohen, que também passa por modificação de tempo pela narrativa da história.

“ANDANÇA – Beth Carvalho, o musical” – A narrativa da peça

Contando com 11 atores e 5 músicos em cena, o musical tem como ponto central a narrativa dos principais fatos da vida pessoal e profissional da ilustre e saudosa Beth Carvalho. Contando todas as fases de Beth, desde da época dos festivais de canção dos anos 60 as apresentações em programas de Rádio e TV, o espetáculo conta as várias descobertas de artistas de Beth, tais como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Jorge Aragão.

Seu amor pelo Carnaval também é abordado, a devoção a sua escola de samba de coração Estação Primeira de Mangueira e por um dos blocos mais famosos do Rio de Janeiro, Cacique de Ramos fazem parte do grande espetáculo. Carioca nata, uma questão bem presente na vida de Beth Carvalho além do Carnaval, era sua paixão por futebol e em especial, por seu time de coração Botafogo, que também é citado na apresentação. Outro ponto abordado é seu lado fã, a grande admiração da cantora por inúmeros nomes da música como Maria Bethânia, Nelson Cavaquinho e Cartola.

O retorno do espetáculo acontecerá no teatro Imperator – Centro Cultural João Nogueira e contará com a presença de alguns nomes ilustres do samba que fizeram parte da carreira da eterna Madrinha do Samba.

Serviços:
ANDANÇA – Beth Carvalho, o musical
Dias: 12 a 14 de março.
Horário: Sexta e Sábado às 20h e Domingo às 19h.
Local: Imperator – Centro Cultural João Nogueira – R. Dias da Cruz, 170 – Méier.
Valor do ingresso: 30,00 reais.
Vendas de ingresso: Sympla.
O espetáculo será realizado respeitando as novas regras exigidas pelo Ministério da
Saúde e Vigilância Sanitária.
Mais informações: (21) 99100-2431.

Quem tem o melhor samba no pé? Competição está com inscrições abertas

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Carnaval não teve, mas o samba resiste. E uma prova disso é o “1° Concurso Carioca de Samba no Pé”, que terá suas inscrições abertas no próximo dia 15 de março – elas vão até 15 de abril. Realizada de forma remota (com previsão de uma final presencial, com transmissão ao vivo pelo YouTube), a competição vai premiar os melhores na arte de sambar, nas categorias, Masculino, Feminino, LGBTQIA+ e Plus Size. As inscrições podem ser feitas pelo site http://sambanope.gruporjbproducoes.com.br/ através do formulário https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeOI0PxFhlBB0Y-Jep1_enx41e9dL_fcEGL4JC3-XJvklpo9w/viewform.

O projeto foi viabilizado via Lei Aldir Blanc e contemplado em edital da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Os vencedores serão escolhidos pelo voto popular. O Concurso terá uma eliminatória (online), quando serão escolhidos cinco candidatos mais votados por categoria.

Os vinte semifinalistas disputarão a grande final, num evento presencial que ocorrerá na quadra do Salgueiro no dia 24 de abril. Por conta da pandemia, o concurso será fechado ao público. Somente quem vai trabalhar e participar do concurso poderá estar no local, pronto para abrigar o evento com todos os requisitos sanitários contra o Coronavírus. Mas tudo será transmitido ao vivo pelo YouTube.

samba carioca

Os campeões de cada categoria ganharão o prêmio em dinheiro no valor de R$ 2 mil cada e troféu, que receberá o nome de alguns dos maiores artistas da arte do samba no pé do nosso carnaval. E todos os participantes receberão o certificado de participação do “1º Concurso Carioca de Samba no Pé – Lei Aldir Blanc”.

A direção geral do evento será do mestre Haroldo Costa. O produtor e idealizador Robson Lo Bianco adianta que esse é apenas um de uma série de projetos que serão lançados em 2021, todos ligados à cultura popular: “Teremos a primeira “História do Samba do RJ em Quadrinhos”, com texto de Haroldo Costa e desenhos de Ykenga; um Concurso Estadual de Samba de Terreiro, um Concurso Estadual de MPB, um Concurso para eleger o melhor tocador de Repique do Estado e o projeto Uma Desconstrução de Ser e Tempo no Carnaval Carioca Através da Fotografia” lista o produtor, lembrando que todos foram viabilizados pela Lei Aldir Blanc.

Câmara aprova o Carnaval como direito de todo cidadão do Rio de Janeiro

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A Câmara dos Vereadores aprovou na terça-feira o projeto de emenda à Lei Orgânica do Município incluindo o carnaval na lista de direitos culturais que o poder público tem o dever de garantir. Com isso, o apoio e o incentivo ao carnaval passam a ser um direito cultural de todo cidadão carioca. O projeto vai agora para sanção do prefeito Eduardo Paes.

“Reconhecer o carnaval como direito é reconhecer o direito à celebração da vida. É essa celebração que faz da nossa cidade um terreiro de resistências fantásticas sempre a nos dizer: outro futuro é possível”, afirmou o vereador Tarcísio Motta (PSOL), que assinou a autoria do projeto com os vereadores Thiago K. Ribeiro (DEM), Veronica Costa (DEM), Jorge Felippe (DEM), Carlo Caiado (DEM), Prof Célio Lupparelli (DEM), Vera Lins (Progressistas), Cesar Maia (DEM), Dr. Marcos Paulo (PSOL), Teresa Bergher (Cidadania), Reimont (PT)e Zico Papera (Republicanos).

Segundo o projeto, a Prefeitura não fica obrigada a aportar recurso financeiro, mas assegura ter o carnaval como direito fundamental do carioca, como acontece em São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades.

carnaval direito

O vereador Tarcísio Motta falou sobre o futuro do carnaval no Rio de Janeiro.

“Sabemos que este ano, escolas de samba e a maioria dos blocos não desfilaram em respeito à vida e muitos estiveram engajados em redes de apoio às suas comunidades. Mas ano que vem, se as condições de saúde pública permitirem, vamos ter um imenso carnaval, com arte, alegria e direito à cultura. Que possamos, em breve, estar juntos, vacinados e celebrando a vida em meio aos confetes e serpentinas que tão bem vestem nossa cidade”.

Raissa de Oliveira e Thiago Diogo contam histórias curiosas que viveram no carnaval

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Um papo diferente entre dois sambistas. Na noite desta quarta-feira, o site CARNAVALESCO fez mais uma edição da live “A sirene tocou” recebendo mestre Thiago Diogo e a rainha de bateria da Beija-Flor, Raissa de Oliveira. A proposta era contar histórias de bastidor.

Ao falar de 2011, quando a Beija-Flor homenageou o Rei Roberto Carlos, Raissa lembrou de um tombo que levou na Marquês de Sapucaí.

“Parecia que todo mundo estava caindo na pista em 2011. O mais engraçado é que estávamos saindo do setor 1, cai e levantei muito rápido. Óbvio que todo mundo viu e começou a aplaudir. Acontece com todo mundo que dança. Caiu, escorregou, levanta a cabeça e da a volta por cima. São 18 anos como rainha de bateria e não era possível que nunca iria cair. Já aconteceu em ensaio”.

Em sua história, Thiago Diogo de um ensaio técnico da Caprichosos de Pilares, em 2006, quando os ritmistas ensaiaram no Sambódromo sem camisa.

“Sempre fui o cara de estar no meio da galera. Em 2006, eu era auxiliar do Louro na Caprichosos. Passamos sem camisa no ensaio técnico. Aí, nós tiramos a camisa e passamos pela pista no Sambódromo sem camisa. A desculpa do presidente era que a bateria estava fazendo homenagem aos índios, mas não tinha isso. Foi isso, o presidente usou a favor dele. A escola não conseguiu fazer camisa e resolvemos em forma de protesto todos da bateria tiraram a camisa”.

Os dois convidados contaram sobre seus desfiles inesquecíveis.

“O meu primeiro desfile em 2003 como rainha foi marcante. O ano do Roberto Carlos também. Áfricas (2007), eu amo desfile. Agora, a fantasia que amo é 2018. Ali, a escola estava em conjunto, tudo dando certo. Amo esse desfile. A partir daí, eu comecei a vir no personagem, brincar nas fantasias e me achar”, disse Raissa.

“Sem dúvida, foi o da Ivete. Em 2018, se não acontecesse de quebrar o carro, a gente (Grande Rio) ia dar trabalho para Beija-Flor”, contou Thiago Diogo.

Veja abaixo como foi o programa completo:

 

Cláudio Vieira: ‘Como se fosse arroz’

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Poetas tem um modo diferente de enxergar a vida e se expressar. Walter Rosa, ídolo de Martinho da Vila e um dos mais iluminados poetas da história portelense, não era diferente. Ao contrário. Adorava burilar as palavras, construir frases com uma engenharia original, e arrancar a admiração de seus interlocutores.

Por isso, gostava de ser sempre o último a se dirigir ao público. Nasceu para encerrar pronunciamentos com chave de ouro.

Era assim também nos programas de rádio. Deixava que os companheiros das Escolas coirmãs dessem o seu recado e, então, fechava a roda.

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Uma noite, na Rádio Nacional, aproveitou o tempo de sua breve participação para anunciar o falecimento da mulher de um compositor:

– … e assim sendo, senhores ouvintes, cumprimos o doloroso dever de informar que a Francelina, senhora esposa de nosso estimado companheiro, Zé Manéu… Azedou.

Paes faz reunião com dirigentes da Liesa e os Bombeiros para liberar a Cidade do Samba

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fez uma reunião nesta quarta-feira com o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, o deputado estadual Chiquinho da Mangueira, e o comandante do Corpo de Bombeiros, Leandro Monteiro, para desinterditar a Cidade do Samba.


Segundo o jornalista, Ancelmo Gois, de O Globo, será feita uma vistoria na Cidade do Samba e depois assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura do Rio, válido por cinco anos, para liberação do local.

Em janeiro de 2021, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Cidadania da Capital, obteve na Justiça decisão determinando a interdição da Cidade do Samba até que as instalações sejam reestruturadas de forma a minimizar os riscos de incêndio. A ação ressalta que vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros em diferentes anos identificaram não só irregularidades no estado das instalações, como também a ausência de plano de controle e prevenção contra incêndios.

“Infere-se, portanto, que estão presentes os requisitos autorizadores do deferimento da tutela recursal, tendo em vista que a farta documentação anexada aos autos demonstra o descumprimento das determinações para implementação de plano de prevenção e controle de incêndios na Cidade do Samba. Além disso, eventual demora no julgamento do feito prolongará a situação de risco a que estão expostos não só os trabalhadores, como todas as pessoas que frequentam o local”, afirma o Juízo na decisão.

Em seu post nesta quarta-feira, mais uma vez, Eduardo Paes defendeu a reeleição de Jorge Castanheira para presidência. O site CARNAVALESCO informou que o pleito está marcado para o dia 18 de março.

Lugar de fala: ‘Quero falar sobre a cultura do nosso povo e lutar pelos direitos ainda não conquistados’, diz Samir Trindade

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“Heróis da liberdade”, “Voa majestade”, entre outros sucessos, acompanham a carreira do compositor Samir Trindade, 37 anos, dos quais 25 são comemorados no percurso da música, com grandes composições e parcerias nas escolas de samba. Pai, compositor, sambista: essas características presentes em um único homem revelam o grande talento que passou por longas batalhas até se tornar um profissional que tem entre outras aptidões pessoais a paixão pelo samba. Com passagens no Império da Tijuca, Unidos de Padre Miguel, Santa Cruz, Beija-Flor e Portela, escola do coração, Samir é o personagem do “Lugar de Fala” nesta semana e recebeu o site CARNAVALESCO para um bate-papo repleto de amor e samba.

O portelense começou a trilhar o caminho na arte com apenas cinco anos, quando era considerado a atração das festas em casa ao chegar cantarolando os sambas, aos 12 anos o passo foi mais largo com direito ao apoio do avô.

“Fiz um samba para disputar num bloco perto de casa e o pessoal brincou que eu seria mesmo sambista, pedi ao meu avô para comprar uma calça branca, era um bloco, o povo na rua de chinelo e eu vestido de sambista”, declara Samir aos risos ao lembrar do sentimento natural que nasceu após um encontro com o samba e a Portela.

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O sonho de criança cresceu com o apoio da esposa Danielli Trindade e dos quatro filhos. A presença da família é fundamental no processo de amadurecimento pessoal e o compositor sentiu essa importância no início da carreira. O cenário de adversidades não estagnou o intérprete que já foi considerado um forasteiro em 2016 ao tentar investir em sambas para Portela e não ser visto, esse foi o alerta que ele precisa para estudar, pesquisar e aos poucos colher os frutos.

“O samba foi me ajudando a construir minha vida, sei que não sou a regra, sou exceção, minha esposa sempre ao meu lado, já torceu para o meu samba sozinha no meio da quadra, hoje minha torcida é uma multidão que viu alguma coisa em mim”.

A trajetória não foi fácil mas contribuiu para um desenvolvimento rápido para enfrentar as dificuldades.

“Tive a minha primeira filha com 18 anos e ainda não tinha me formado profissionalmente, nos primeiros dois anos minha filha morou na casa da minha sogra com a minha esposa, sofria com aquilo e tomei a decisão de morar junto mesmo sem ter condições, ganhava 1 salário-mínimo de R$ 240,00 como ajudante em uma Kombi e pagava aluguel de R$ 200,00 nos fins de semana fazia bicos quando tinha. Os obstáculos podem nos tornar mais resistentes e fortes com um tempo, além de renovar as ideias na hora de compor”.

O envolvimento do compositor desde cedo em competições não o tornou vencedor primário. Samir conheceu as escolas com o apoio do avô, mas durante cinco anos era anônimo na Portela e enfrentou mais dez anos de disputas na quadra da Beija-Flor onde viu os sambas serem cortados nas primeiras fases. Quem o ajudava era o Manelzinho Poeta autor de Menor abandonado da São Clemente, quando ele faleceu, o intérprete resolveu compor sozinho em 2007.

“Tinha visto o Pixulé cantar na final da Beija-Flor em 2002 e resolvi chamar para cantar, ele deu três preços diferentes, fora das condições. Ele pediu pra ir na casa dele cantar o samba e acabou gravando de graça, no ano seguinte indicou outra parceria mais forte, fui aprimorando e em 2010 veio a primeira vitória”.

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Na hora da disputa de samba-enredo o objetivo é claro: vencer. Esse é o prêmio mais cobiçado pelos integrantes que colocam em cada letra o desejo de mudar o pensamento das pessoas, resgatar as raízes do carnaval, a cadência e deixar um legado. Samir foi três vezes campeão no Grupo Especial, é concursado, e se orgulha de ter amigos e a família que construiu, além do apoio da torcida que o acompanha voluntariamente nos eventos. Essas vitórias abrem espaços para quebrar correntes e formar novas lideranças que desejam exercer o protagonismo, uma tarefa que envolve a dedicação, arrepio, choro, ansiedade e outras sensações para deixar tudo perfeito e apresentar o amor ao carnaval.

“Quando faço samba que falam da luta do preto, por tudo que nosso povo passou, muitos dizem que me dou bem fazendo samba com cunho de africanidade, na verdade pouco estudei sobre o assunto e minha religião é católica, mas é algo que vem desde os meus ancestrais, quero escrever sambas que falem da vitória do preto que nos exalte, que nos coloque em lugar de realeza, não quero mais cantar sofrimento e dor, quero escrever sobre o quanto somos lindos, falar sobre a cultura do nosso povo e lutar pelos direitos ainda não conquistados e pensamentos implícitos na sociedade, esse é o meu lugar de fala”.

E tudo começou com o apoio de referências dentro e fora da família. Entre as figuras de grande motivação está o Dom Beto, avô de Samir e modelo de homem no qual o compositor aprendeu a equilibrar a vida.

“Via a importância de compor, mas nunca deixou de lado a família, fazer samba é o que eu nasci para fazer, que dá retorno financeiro e prazer ao mesmo tempo, mas sem a minha família nem teria cabeça pra fazer nada é a minha base e isso e aprendi”.

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Outra pessoa de grande destaque para o sambista foi o cantor David Corrêa, que faleceu em maio de 2020 devido à Covid-19, ele foi homenageado na introdução do samba-enredo.

“Seus sambas alcançaram o povo, eram simples, contagiantes, e ricos em harmonia, ele é um gênio, certamente o maior compositor da história de enredos da Portela”.

Ser negro na sociedade brasileira é lutar para conquistar o reconhecimento e igualdade racial. Com mais de 130 anos da aprovação da Lei Áurea ainda é fácil perceber os grandes obstáculos e a grande necessidade de desconstruir pensamentos antigos que remetem à escravidão. Isso porque mesmo após o término do período colonial, o Brasil não se estruturou para cuidar da população e hoje enfrentamos o que é chamado de racismo estrutural, o que aumenta a necessidade de pensar em políticas públicas para valorizar aqueles que durante muitos anos foram considerados marginalizados e excluídos devido as marcas históricas. O samba, por exemplo, era ligado apenas à cultura negra e malvista na época, hoje é considerado um símbolo nacional.

“O samba me deu a oportunidade de conhecer histórias e personagens que não conheci e sentar na mesma mesa de pessoas de outra camada social, ser ouvido e repeitado, também o embasamento cultural para falar de igual para igual com qualquer pessoa, venho de um segmento muito discriminado que é o de compositor e uma vez ganhamos um prêmio grande no carnaval e fui informado de que não poderia levar nenhum acompanhante comigo, como sou premiado e não tenho direito de sentar na primeira fileira com quem lutou comigo desde o início? Reclamei e fui atendido, senti ali que era uma voz de importância na luta dos compositores do carnaval”.

Em 2019, das 1.075 mortes no estado do Rio entre janeiro e julho 80% das vítimas eram negras. Os números são reais e revelam uma demanda por fiscalizações dos agentes públicos de segurança na ação de policiais. Samir, homem negro e morador da Vila da Penha, Zona Norte, já sentiu na pele as dores do preconceito quando era mais novo e não entendia o tamanho da injustiça que muitas vezes é considerada comum de maneira equivocada.

“Estava voltando do trabalho dentro do ônibus todo sujo na época e só com minha marmita na mochila, o policial entrou e só me revistou, pediu para ver a minha mochila e marmita caiu no chão, ele gritou mandando pegar. Outra vez fui pedir informação a uma pessoa ela começou a correr não entendi nada”.

Mesmo diante de uma realidade adversa e contraditória há figuras importantes de resistência. Na ala de compositores, os históricos fundadores das escolas de samba, o nome Paulo da Portela faz o coração de Samir pulsar de alegria, pois o príncipe negro é lembrado como o herói dos sambistas. Antigamente, o samba era voltado para o terreiro e o dia a dia da escola, hoje as letras das composições evoluíram e ganharam mais importância, assim como a interesse de sair do lugar comum e expandir um olhar crítico na sociedade.

“Sou discriminado no meu segmento por falar o que penso, às vezes estou certo, em outras não, mas nunca deixo de falar o meu pensamento, influenciar pessoas em busca de um carnaval mais forte é mais importante do que ganhar”.

Viver, viver, viver! Esse é o lema do cantor que leva a vida de forma simples, supera as dificuldades e sabe que o importante é ter saúde para prosseguir decididamente. Além de acreditar que a situação atual, seja boa ou ruim não é definitiva e a postura assumida diante da realidade pode ter impacto nos valores pessoais. A trajetória é longa e ter parceiros contribui para o desenvolvimento de novos projetos, composições, eventos e outras iniciativas com o objetivo de enriquecer o carnaval, pensando nisso, Samir, destaca o papel fundamental de carnavalescos em preparar novos sambistas assim como eles foram convidados e influenciados por outras pessoas.

“Temos um legado a carregar, mas não queremos mais ser rei só por um dia como cantou Candeia, quero ver o sambista do morro mandando no carnaval e não só como empregado da festa, aí sim, o pensamento vai ser em prol do samba, das escolas, quero ver carnavalescos pretos de sucesso em destaque, temos poucos. O samba veio dessa negritude, é a raiz dentro de nós, quando faço meu samba de alguma forma me sinto herdeiro de Candeia, mas quando brigo pelo samba, quando peço importância para as escolas, me sinto mesmo que ainda tenha muito o que aprender um cara que ama, estuda e orgulha o legado de Paulo da Portela”, finaliza o compositor.

Eleição na Liesa está marcada para o dia 18 de março

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A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) realiza no dia 18 de março sua eleição presidencial. O pleito deve confirmar, por unanimidade, a vitória de Jorge Perlingeiro, que ocupará o lugar de Jorge Castanheira, no comando desde 2007.

Votam no pleito os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, além dos representantes das escolas fundadores e grandes beneméritos. O próximo presidente comandará pelo triênio 2021-2024.

jorge castanheira

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro foi fundada em 1984. Além de gerir o Grupo Especial, desde a criação do regulamento, manual e escolha dos julgadores, a Liesa é a responsável pela venda de ingressos e representa todas agremiações nos contratos firmados com os patrocinadores e o poder público.

É função da Liga também administrar o funcionamento da Cidade do Samba e ser a responsável pela organização de toda a infraestrutura do Sambódromo para a realização dos desfiles do Grupo Especial, Série Ouro e da Associação das Escolas Mirins.