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Netos de Martinho da Vila, Raoni e Dandara lançam primeiro EP pela Sony

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Eles foram chegando devagar, devagarinho, com a bênção do avô, o gingado e a inspiração que já atravessam três gerações de grandes sambistas. Três anos após formarem uma dupla de samba e começarem a trilhar os próprios caminhos musicais, Raoni e Dandara lançam, pela Sony Music, o EP Atravessando Gerações, primeiro da carreira sob a chancela de uma gravadora. As cinco músicas do EP estão disponíveis em três das principais plataformas de streaming musical: *Spotify, Deezer e Apple Music.

raoni dandara
Foto: Fernanda Assis/Divulgação

Mart’nália e Thiago da Serrinha assinam a produção do EP, que aposta na verve de compositor de Raoni, autor de inéditas quatro das cinco faixas do trabalho – duas delas com parceiros. Completa o repertório uma regravação de Namoradeira, composição lançada por Martinho da Vila em 1995, no disco Tá Delícia, Tá Gostoso, estrondoso sucesso do artista, com mais de um milhão de cópias vendidas.

“Esse EP é a realização de alguns sonhos: o primeiro, o de fazer dupla com minha irmã, o que começou de maneira despretensiosa até que a gente foi sonhando cada vez mais alto; o segundo sonho é como compositor, tendo minhas primeiras músicas gravadas profissionalmente; e tem a ‘cereja do bolo’, que foi o meu avô cantando uma música minha”, revela Raoni.

“Este momento é uma síntese de tudo o que a gente viveu nesses três anos, desde o início da dupla, e também de como a gente enxerga essa missão e essa honra de ser a terceira geração da nossa família cantando e representando o samba, algo tão forte e genuíno para nós”, completa Dandara.

ATRAVESSANDO GERAÇÕES, FAIXA A FAIXA

Que preta é essa, segunda faixa do EP, é a música de trabalho. Raoni e Dandara escolheram um partido alto que versa sobre o empoderamento feminino ao afirmar, com o contagiante ritmo da palma da mão, que “Hoje o lugar dela é em qualquer lugar!”.

Primeira e segunda gerações da família marcam presença com as participações especiais do avô Martinho e da mãe Analimar Ventapane em Atravessando Gerações, música-título que abre o trabalho da dupla. A poética interpretação da letra e melodia de Raoni exalta a importância das raízes, tradições e do poder de transformação social do samba.

A tia Mart’nália e o produtor Thiago da Serrinha são parceiros de Raoni na terceira faixa, Meu enredo, interpretada por Dandara. A atual primeira porta-bandeira da escola de samba Paraíso do Tuiuti – que já teve passagens pela União da Ilha e Unidos de Vila Isabel – é visceral ao cantar “eu entrego minha vida na Sapucaí”, bailando entre a exaltação e o lamento no desfile de versos compostos em plena pandemia de Covid-19, que levou ao cancelamento do carnaval de 2021.

A quarta faixa surge com um arrojado arranjo de Namoradeira, assinado pelos produtores do EP, que fazem uma releitura do samba de roda baiano da gravação original de 1995, acrescentando um som africanizado incrivelmente dançante.

Fechando o EP, a faixa Seja Feliz é o resultado da primeira parceria de Raoni com Ana Costa, madrinha musical da dupla. Raoni e Dandara interpretam um samba de belas melodias para falar de amor e despedida.

Federação é criada para dar suporte para escolas de samba

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A Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro (FICCCERJ) é o que estava faltando para dar suporte ao segmento Samba, Escolas de Samba e Carnaval, sem a intenção de lucrar com isso. De fato, o seu lucro maior, é o resultado de sua existência e atuação no cenário do Carnaval de todo estado do Rio de Janeiro. Sua colaboração está intimamente ligada ao Carnaval do interior do estado do Rio de Janeiro.

A Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro – FICCCERJ é uma recém criada organização da sociedade civil pública, sem fins lucrativos, e seu objetivo específico é apoiar e maximizar soluções no âmbito da indústria criativa cultural do Carnaval, em especial as Escolas de Samba, em todo o estado do Rio de Janeiro. Admitida através da reunião das principais lideranças do Carnaval do Rio de Janeiro, justifica sua criação com o apelo de organizar,  fomentar, orientar, discutir o melhor desempenho das Escolas de Samba e do Carnaval fluminense. Empoderada pela presença de profissionais do cenário do Carnaval, a FICCCERJ defende a formação de um modelo diferenciado na relação com o segmento – Samba, Escolas de Samba e Carnaval.

Na premissa de que o Carnaval não é apenas uma efeméride fluminense, enquanto grande evento, torna-se irrefutável a criação da FICCCERJ, com especial atenção a presença das Escolas de Samba, jóias de imenso valor cultural, criativo, social, de inclusão das desigualdades e gênero, meio ambiente, sustentabilidade, espaço propício para crianças, jovens, adultos e idosos de qualquer religião ou crença. A Escola de Samba possui esta capilaridade de receber qualquer um do povo, que esteja pronto para perceber a grandiosidade criativa e cultural que define uma Escola de Samba.

A finalidade da FICCCERJ não é a de inventar a roda, pois a roda  já foi inventada. Esta importante parceria das Escolas de Samba, nasce, portanto, para incentivar, ensinar, criar discussões, fomentar ideias, apresentar profissionais, ajustar-se ao  “compliance” e governança da iniciativa privada, ainda de pífia participação no processo fabril em torno  da Escola de Samba.

A Federação não é uma captadora de recursos, no entanto, está em busca deles, tampouco é uma incubadora.

A FICCCERJ é uma ferramenta inteligente, criada pelo próprio dirigente do segmento do Carnaval, capaz de propor soluções, resultantes da problematização desenvolvida pelos próprios atores envolvidos diretamente no segmento da indústria do Carnaval  e sua preocupação de buscar pessoas, mecanismos, técnicas e acadêmicos, à disposição de otimizar o universo criativo e econômico que será ofertado ao turismo, a educação, a cultura, ao trabalho, a economia das cidades, criando de fato, este ciclo virtuoso, transversal, muito necessário, principalmente no pós-Covid19.

Uma das missões da FICCCERJ, enquanto incentivadora da geração de valores compartilhados, é trazer à luz a importância de transmitir a cultura do Samba, da Escola de Samba e do Carnaval para a sociedade, que se mostra  às vezes cética a sublime presença da Escola de Samba, como fonte de criação, capacitação, trabalho e renda e do que se pode trabalhar a transversalidade a partir dessa realidade.

A facilidade em atender em tempo as demandas da Federação, está no contato diário de seus dirigentes, e nas discussões já realizadas a partir deste ano da pandemia do novo coronavírus. De fato, a ausência do carnaval em 2021, contribuiu para a criatividade do segmento em criar a FICCCERJ, como mecanismo poderoso de defesa em atenção especial às populações que vivem do Carnaval em todo estado.

A FICCCERJ poderá atender perfeitamente ao modelo dinâmico de uma “Startup”, sua flexibilidade diante das experiências dos associados, mantém viva a entrega de seu produto principal. Apoiar incondicionalmente as Escolas de Samba e outras formações e movimentos culturais do segmento do Carnaval,  sem a intuição natural de estar envolvida financeiramente no processo. A instituição pertence a todas as lideranças de Carnaval do estado, portanto sua simplicidade e capilaridade original, ultrapassam, qualquer empresa ou instituição conhecida. Seu empoderamento está em realizar todo processo das relações com a iniciativa privada, governos, instituições financeiras, assembleia legislativa, câmaras municipais, mídia, universidades, escolas públicas e particulares, enfim, tudo isso para facilitar e reverberar o poder realizador das Escolas de Samba, através da larga experiência dos associados da Federação, no segmento do Carnaval.

O Carnaval do estado do Rio de Janeiro, principalmente dos municípios do interior, terá uma representante à altura de sua grandiosidade cultural e econômica até aqui pouco observado, diante do Carnaval da capital, sem dúvida exuberante, e ainda não superado no estado ou no Brasil.  Sua contribuição já foi anunciada, através da adesão de todas as agremiações de Carnaval do interior do estado, inclusive das Escolas de Samba Mirim, que possuem, atenção especial pela FICCCERJ.

Sérgio Almeida FirminoPresidente da Federação da Indústria Criativa Cultural do Carnaval do Estado do Rio de Janeiro – FICCCERJ. Assessor Especial de Economia Criativa do Carnaval da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa-SECEC. Diretor Conselheiro do Instituto Cultural Cravo Albin. Criador do Instituto Cultural Candonga e ex-diretor de Planejamento e Projetos da instituição. Graduando em História da Universidade Veiga de Almeida.

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Marcelo Guimarães

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Compositores: Marcelo Guimarães, Rogério da Mata, Tubarão, Almir Mendonça, Leandro Rato e Drédi

SOU OBRA PRIMA QUE NASCEU DE OBATALÁ
NA MELANINA, AFRICANO, VENCEDOR
O ÉBANO, VIGOR EXUBERANTE
A MENTE BRILHANTE SIM, UM PENSADOR
REJEITO A ESTREITA VISÃO DO PASSADO
APRENDA QUE ALÉM DO SORRISO NO OLHAR
VALENTE, ORGULHOSO, E O PUNHO CERRADO
CORRENTES VOU SEMPRE QUEBRAR
A SABEDORIA LIBERTA, O VERBO DESPERTA
A FORÇA DA COR
SOU NEGRO BEIJA FLOR, SOU NEGRO E BEIJA FLOR

CABANA Ê CABANA, CABANA MEU KALAMBA
PRETO VELHO ME DIZIA POESIA SOBERANA
NEGRITUDE ALUMIA, RAÇA NILOPOLITANA

AFRO BRASIL EMPRETECER É SEU CAMINHO
À VOZ QUE ECOA DE UM MESTRE NEGUINHO
ESTRELAS QUE BRILHAM NOS PALCOS E TELAS
GUETOS, CAMPOS, FAVELAS…
RESPEITEM QUEM SOMOS
NA LUTA DE NOVOS QUILOMBOS
O DOM É SEMENTE QUE NASCE NA GENTE
PRETOS SIM, IRMÃOS GENIAIS
PRETOS SIM, E SOMOS IGUAIS
PELOS CAMINHO DA LUZ E AOS OLHOS DO PAI

OGUNHÊ, NO ORUM AYÊ, DUDUTI LÊ, ODARA

METE A MÃO NESSE TAMBOR, O DIA VAI RAIAR
A LUZ DO GRIÔ SEMPRE A NOS GUIAR
TENHO ORGULHO DO QUE SOU E QUERO MUITO MAIS
POR MEU BEIJA FLOR, POR MEUS ANCESTRAIS

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Lucas Gringo

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Compositores: Lucas Gringo, Julio Page, Ney Baiano e Beatriz Quintino

EU SOU O POVO DA BAIXADA
MINHA VOZ ESTÁ CANSADA
MAS É HORA DE GRITAR
PRETO, TANTAS VEZES OPRIMIDO
CHAMADO DE PRIMITIVO
MAS EU SEI O MEU VALOR
NO OLHAR A FÉ QUE NUNCA SE APAGOU
E AS MARCAS DE UMA FALSA ABOLIÇÃO
NÃO SOU SÓ MAIS UM BRAÇO FORTE,
POIS É DA MENTE O PODER DE VENCER A OPRESSÃO
NEGRA VOZ QUE NUNCA SE CALA
QUILOMBO VALENTE DECLARA:
LEVANTA, QUE A LUTA AINDA NÃO ACABOU!

“AUÊ, MEU IRMÃO CAFÉ”,
MESMO EM MEIO À BALAS PERDIDAS E TANTO DESCASO ESTAMOS DE PÉ
EU SOBREVIVI, “MEU IRMÃO CAFÉ”
ENTRELINHAS, RASURA, CENSURA MINHA GENTE NÃO QUER

ÓH MÃE ÁFRICA, REVIVER, ILÊ IFÉ
SE ERGUE NO PALCO DO SOLO SAGRADO, HERANÇA DA COR
A EXCELÊNCIA É DOM ANCESTRAL
INSPIRAÇÃO QUE ME FAZ IMORTAL
ỌBA CABANA, IÊ VIVA MEU MESTRE CAMARÁ
RETINTA MÃO QUE BORDA ESPERANÇA
E FAZ REVOLUÇÃO AO RESSOAR
O GRITO FORTE NILOPOLITANO É REI
DESSA AVENIDA, VENCEDOR!
BEIJO A FLOR DA IGUALDADE
NO TERREIRO A LIBERDADE!

ABRE O XIRÊ, BATE O TAMBOR
ÌYÁLÓDE, ALÁMOYÊ, AGÔ
QUANDO OUVIR A VOZ É ELA
AGBARÁ DÙNDÚN É BEIJA FLOR NA PASSARELA

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Lia de Itamaracá

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Compositores: Lia de Itamaracá, Jorginho Moreira, Marcelo Lepiane, Rafael Gonçalves, Maurício Amorim e Vieira
Part. Especiais: Walnei Rocha e Rocco

Balança o tumbeiro (ôôô)
Hoje é dia de batalha
Quem não aceita migalha
Empretece o pensamento
Marcado, ferido nas dobras do tempo
Bravura trançada de fibra ancestral, firma ponto, ritual
Nos tambores a essência
Entre espinhos, resistência
Meu axé semeou…
Em cada tom de preto há liberdade, armadura da verdade, a memória de um griot

Sou eu, o verso mais livre da cena retinta
Escrito na pele que a noite habita
Do ventre africano eu sei que herdei, sangue de rei
(Do ventre africano,
Sangue de rei)

No aye, uma flor ao relento corteja o vento, feito mestre-sala
Não resistirá feitor nenhum, quando a cor do orum desfilar em suas alas
Sim… ainda ouço os versos de cabana
Carrego a alma nilopolitana no sorriso da porta-bandeira
Comunidade, eu sou
A maior razão do meu cantar
Nunca desafie um beija-flor
Quando ele voa sabe aonde vai chegar

(Legbàra) Ô Legbàra, o meu canto é por justiça
Identidade na cor
Preta é a voz que não se cala
Ouça a voz da Beija-flor

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Ailson Picanço

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Compositores: Ailson Picanço, Guga Martins, Abílio Jr. Davison Jaime, Prof. Zé Ricardo, Clairton Fonseca

TALHA DE UM BAOBÁ
PENSAMENTO MILENAR, RESISTÊNCIA DA COR
OUÇA O QUE VOU CONTAR
À LUZ DO LUAR, AO SOM DO TAMBOR
COMO FAZIAM MEUS ANCESTRAIS
EM ANTIGOS RITUAIS JEJE-NAGÔ
LAMENTOS E DORES NO LIVRO DA ESCOLA
NOSSOS VALORES NÃO ENSINAM, PORQUÊ?
A TINTA PRETA QUE ESCREVE A HISTÓRIA
PAPEL EM BRANCO NÃO PODE ESCONDER

A MARÉ NÃO VAI LEVAR DO TEU COLO, YAÔ
ESPERANÇA IORUBÁ, SONHO DE UM BEIJA-FLOR
QUANDO A LUTA FOI SEMENTE ATABAQUE NÃO CALOU
O SUOR DA CORRENTE NESSA TERRA GERMINOU

(NA GIRA! NA GIRA!)
NA GIRA DO ORIXÁ
NUM VERSO À BEIRA- MAR…
IRMÃO TE PEÇO, AGÔ! ÔÔÔ
O VERBO NÃO FOI EM VÃO
O PALCO DA LIBERTAÇÃO REVELOU
PALMARES E O QUARITERÊ RESISTEM A CADA ESTAÇÃO
EMPRETECER É SABER QUE OS POETAS
PODEM TER A CARA DA NAÇÃO
CABANA! ONDE ABRIGUEI MEU SAMBA
NAS GUIAS DA BAIANA MEMÓRIAS DO GRIÔ
NA PELE AS MARCAS DO TEMPO
RAÇA, RAIZ, SENTIMENTO
LUGAR DE FALA QUE MEU POVO CONQUISTOU

FIRMA O CANGERÊ, TOCA O ADARRUM
FESTA NO AYÊ, ALMA NO ORUN
A BEIJA-FLOR É NOSSA VOZ
O SAMBA É PRETO
E SEMPRE LUTOU POR NÓS

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Sidney de Pilares

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Compositores: Sidney de Pilares, Ribeirinho, Domingos PS, Claudio Gladiador, Thiago Savanna e Claudio Mattos
Participação especial: Thiago Meiners e Marquinho Mineiro

BATUQUE DE JÊJE E NAGÔ
SOU QUILOMBOLA. DESCENDENTE DE ZUMBI
TENHO A GRANDEZA DE DAOMÉ
MEU SOBRENOME É RESISTIR
SE EU E VOCÊ…
O MESMO SANGUE E A MESMA DOR
MINHA DEUSA MOSTRA SEU VALOR
CORREM NAS VEIAS TANTOS IDEIAIS
QUEM DERA, IRMÃO…
A LIBERDADE FOSSE BEIJA-FLOR
E ECOASSE AO TOQUE DO TAMBOR
HERANÇA QUE VEM DOS MEUS ANCESTRAIS

SE A JUSTIÇA DE XANGÔ PUDER REINAR
OS SABERES DE NANÃ VÃO PERMITIR
QUE AS ÁGUAS DE OXUM LAVEM TODA INTOLERÂNCIA
SÓ OXALÁ PODE ENTENDER O QUE SOFRI

MORDAÇAS NÃO CALARAM PENSAMENTOS
É PRETA A POESIA DA FAVELA
MEU VERSO É ARMA QUE DESARMA A OPRESSÃO
E O SAMBA, MEU RETINTO SENTINELA
LEVANTE BRASIL!
CARREGA A ALMA DE ANGOLA E SOWETO
RESPEITO É O CLAMOR QUE VEM DO GUETO
CHEGA DESSA FALSA ABOLIÇÃO
SOU FILHO DE OGUM!
TUA ESPADA ILUMINA O MEU CAMINHAR
NO TERREIRO DE NEGUINHO E CABANA
EMPRETECER É REVOLUCIONAR

SALVE OBATALÁ, UMA LUZ ANUNCIOU
VENCER DEMANDA É O ORGULHO DA NOSSA COR
MEU CANTO É RAÇA, É VOZ QUE NÃO CALA
MEU LUGAR DE FALA, BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Bruno Ribas

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Compositores: Bruno Ribas, Thiago Alves, Alan Vinícius, Adilson Brandão, Fábio Braga e Junior Trindade
Part. Esp. Lohan 77

Cabana nos traga sua poesia
Pra gente falar de um novo dia
E acender a chama dos nossos ancestrais
São reis , pensadores e poetas
A consciência desperta
Eu vou em frente ao olhar pra trás
Voa meu amor, ao beijar a flor
Luanda está sorrindo
O banzo já passou
É lindo … seguir de novo as estrelas
E me encontrar nas veredas
Que a cicatriz não apagou

Forjado por Ogum
Guiado por Xangô
Me impuseram memórias
Mudei a história ,me fiz professor

Axé, filosofia aprendi nos terreiros
Ifé, sabedoria de irmãos pretos
No palco enfim, brilham Mercedes, Abdias
Nos versos de mil Carolinas
Arte refletida em mim
Meu Beija-flor, minha casa , meu quilombo, meu Nilo
No seu tambor resistir é meu maior motivo
Vem desse chão negras entidades
Neguinho é voz da liberdade

É canto de griô , reparação de fala
De um povo vencedor, Deusa da raça
O preto Beija-flor da lágrima sentida
Representa meu valor, escola de vida

Beija-Flor 2022: samba da parceria de Dr. Rogério

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Compositores: Dr. Rogério, Ronaldo Nunes, Luiz Pião, Márcio França, Rodrigo Sarmento e Carlinhos Ousadia

Chega! Não julgue se não sente a minha dor
Tantas vezes já provei o meu valor
Um beija flor com sua raça
Congrega a massa por onde for
Basta! Já protestei mas ainda contrasta
Cansei da sua falsa simpatia
Não preciso mais da sua aceitação
Sou preceito e “fundamento”
Punho cerrado contra a opressão!

Quem vem na frente é Exú!
(Exú!) Nessas andanças…
Na minha “sorte” é Ogum! (Ogum)… Quem forja a lança!
A ignorância tem o mesmo “tom” do preconceito
Mas no caminho da luz, todo mundo é preto!

É hora de empretecer a opinião
Fazer da arte o nosso grito:
“Favela armada de ilusão”
Me livro de armas, me armo de livros
Meu povo tem a graça de Pinah
Rainhas são raíssas nesse chão
Aqui nascem claudinhos e selminhas
O futuro da nação
Preto, seja o que quiser
Pois não há país sem cor
Cabana, sua herança está de pé
Brasil não é Brasil sem Beija flor

Iererê ierê, minha vida meu amor
Pelo som do tambor é ela
Vem ser mais um neguinho da Beija Flor
E desfilar um sorriso na passarela