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Imperatriz faz festa na quinta-feira para o Dia Nacional do Samba com homenagens para personalidades das escolas do Especial

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A Imperatriz Leopoldinense realiza nesta quinta-feira, a partir das 19h30, em sua quadra, uma grande festa para celebrar o Dia Nacional do Samba. Integrantes da verde e branco e de todas escolas do Grupo Especial que apresentarem suas carteirinhas vigentes não pagam entrada. Para os demais, o valor é de R$ 15.

casal imperatriz

Durante o evento, a Imperatriz fará uma homenagem para uma personalidade de cada agremiação do Grupo Especial e relembrará sambas-enredos inesquecíveis do carnaval. Haverá também o ensaio de comunidade gresilense.

“O samba é o grande alicerce do espetáculo que promovemos. É um dever nosso promove-lo e defende-lo a todo custo. Acredito que seja uma homenagem merecida a todas as agremiações do grupo especial que sem dúvida alguma fazem um excelente e necessário papel na promoção e proliferação dessa cultura tão importante”, disse João Drumond, diretor executivo da Imperatriz. que contou mais sobre o evento do Dia Nacional do Samba.

samba imperatrz02 dezembro

“Faremos uma grande homenagem a todas as co-irmãs através de figuras importantes de cada escola e de uma apresentação especial pensando, é claro, nos grandes sucessos de cada agremiação que marcaram gerações de sambistas e admiradores do nosso espetáculo”, finalizou.

Presidentes do Grupo Especial do Rio decidem adotar os mesmos critérios de julgamento usados nos desfiles de 2020

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Os critérios de julgamento que serão adotados nos desfiles das Escolas do Grupo Especial no Carnaval 2022 serão os mesmos que foram utilizados no último espetáculo, em 2020. A decisão foi tomada pelos presidentes das agremiações, que compõem a plenária da Liesa.

jurados
Coordenador de Julgadores Júlio César Guimarães (à esquerda) começa a organizar o Curso de Julgadores, que acontecerá em janeiro. Foto: Henrique Matos

Resultado do Seminário realizado nas últimas semanas, no mesmo auditório, reunindo carnavalescos, diretores de carnaval, julgadores, presidentes e representantes da Imprensa, foram colocadas em votação as principais sugestões de mudanças apresentadas por este colegiado, destacando-se: o fechamento dos envelopes dos julgadores ao final dos desfiles de domingo; a concessão (facultativa) de 0,1 (um décimo) para a escola que o julgador considerasse a melhor entre as melhores no seu quesito, justificando o motivo de sua escolha; e a validade das notas de todos os 45 julgadores, sem descartes. Todas as sugestões foram discutidas, porém nenhuma teve a aprovação da maioria dos presidentes.

“Continuo considerando a iniciativa vitoriosa, pois foi a primeira vez em mais de três décadas, que a Liesa conseguiu reunir especialistas de notório conhecimento para analisar os atuais critérios de julgamento do espetáculo. Várias dessas propostas continuarão criando expectativa e poderão ser aproveitadas em futuros desfiles”, comentou o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro.

Logo após a decisão, o coordenador de Julgadores, Júlio César Guimarães, adiantou que a próxima providência será levar para a aprovação do plenário os nomes dos 45 jurados que atuarão nos desfiles de 2022. Afirmou que o Curso de Jurados acontecerá em janeiro, com palestras de fixação de critérios de julgamento, reunindo julgadores e representantes das Escolas – entre eles diretores de carnaval, coreógrafos de comissão de frente e casais de mestres-salas e porta-bandeiras, mestres de bateria, etc.

O plenário considerou justa a sugestão apresentada ela Liesa de hospedar os julgadores e seus acompanhantes em um hotel do Centro da Cidade, nas proximidades do Sambódromo, nas duas noites de desfiles (Domingo e Segunda-Feira de Carnaval). Esta iniciativa evitará grandes deslocamentos dos micro-ônibus designados para levar os jurados em casa, no final dos dois dias de espetáculo.

Tom Maior ensaia para o desfile e revela entrosamento entre Gilsinho e a bateria

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O site CARNAVALESCO acompanhou o ensaio de quadra da Tom Maior para o Carnaval 2022. O enredo é “O Pequeno Príncipe no Sertão”. Recém-contratado pela escola, Gilsinho falou da volta aos ensaios e o retorno para São Paulo. “Muito prazeroso voltar, ainda mais em uma escola bacana como a Tom Maia. Comecei no Carnaval de 2001 aqui em São Paulo. Temos um samba-enredo muito legal. É embalado, pra cima, a comunidade incorporou bem e a bateria totalmente dentro da obra. O entrosamento é total. O mestre Carlão é muito técnico. Não tem como errar, a gente conversa bastante e está sendo fácil trabalhar”.

Mestre Carlão comentou “É uma sensação muito boa podermos voltar aos ensaios. Todo mundo está muito feliz. Como não temos quadra, a cada ano fazemos parcerias e esse ano fizemos com o Peruche. Começamos o trabalho da bateria há 60 dias e nossa programação está certa. Vamos levar três boas para o desfile. O Gilsinho é um cara muito focado, dedicado e estou muito feliz. É uma parceria para longo prazo”.

Yves Alexeiv, diretor de harmonia, explicou como está o processo de trabalho na escola. “A expectativa está muito grande pela volta dos ensaios. A parte criativa da escola seguiu acontecendo e ficamos pelo menos três meses organizando o retorno. Vamos levar 1700 pessoas por conta do regulamento de 2022. Nossa comunidade canta muito bem e não temos problema disso. O contigente diminiu, mas não vai prejudicar o todo da escola, porque estará bem compacto. A parceria com Carlão, Gilsinho e harmonia deu liga instantaneamente”.

Para Bruno Freitas, membro da comissão de carnaval, a proposta da escola é em dezembro ir para rua. “Caso até lá não seja possível liberar máscaras, vamos em janeiro. Ali, a gente desenvolve canto e evolução”.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Tom Maior, Jairo e Simone, comemorou a volta aos ensaios. “Com muita alegria voltamos. Somos um casal tradicional. Começamos nosso trabalho para os jurados. Temos um enredo muito bonito e vamos dar todo o gás”, citou a porta-bandeira.

Fotos do ensaio

Renascer: miss que venceu mundial de beleza plus size é a nova rainha de bateria

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Renascer Sanucia Pereira 1A Renascer de Jacarepaguá tem nova rainha de bateria. A escolhida para o posto é a cearense Sanucia Pereira, 31 anos, eleita no último dia 20, a nova Mrs Queen Top of the World Plus Size. Por conta da pandemia de covid-19, o concurso internacional foi realizado online, transmitido diretamente da Lituânia e atraindo audiência de diversos países. Com apresentação de forma virtual, Sanucia foi avaliada pelos jurados nos quesitos beleza facial e corporal, simpatia, postura, desenvoltura e talento. Ela foi a vencedora da categoria para mulheres de 29 a 48 anos, superando candidatas da Índia, Bélgica, Rússia, Ucrânia, Aruba, Lituânia, Reino Unido, Noroeste da Europa e Holanda.

Natural de Juazeiro do Norte e moradora da cidade, a atual Rainha Plus Size do Mundo é casada, mãe de duas filhas, Maria Clara e Maria Júlia, e está cursando faculdades de Direito e Investigação Forense Criminal.

Sanucia está vibrando com a oportunidade de participar do Carnaval carioca e diz que já está começando a se preparar.

– Desde pequena, assisto os desfiles pela televisão. Vocês nem fazem ideia de como meu coração está. Sei sambar, aprendi sozinha, mas nada que se compare ao gingado das cariocas, claro! Vou fazer aula com uma passista experiente, porque quero atender a expectativa que a Renascer está depositando em mim.

A nova rainha ressalta a importância de ocupar um posto que pode ajudar a elevar a autoestima de tantas mulheres:

– Conquistar espaços de destaque é muito importante nos movimentos de inclusão. Todas as mulheres podem mostrar sua beleza, simpatia, dedicação e comprometimento. A felicidade e a realização são para todas, que precisam se amar, se orgulhar e ser feliz. Estou muito grata porque a escola tem essa visão e estou adorando começar a fazer parte da Família Renascer de Jacarepaguá.

A escola será a 7ª a desfilar na Intendente Magalhães, na Segunda-Feira de Carnaval, com o enredo “Jacarepaguá – Fábrica dos Sonhos”.

Contra o racismo religioso, Grande Rio divulga ensaio fotográfico que mostra diferentes facetas de Exu

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“Quem sou eu? Quem sou eu?” O refrão principal do samba de enredo de 1994 do Acadêmicos do Grande Rio, “Os santos que a África não viu”, composto por Helinho 107, Rocco Filho, Roxidiê e Mais Velho, começava com uma saudação ao “Povo de Rua”, conjunto de entidades das religiões afro-brasileiras que expressam cruzamentos e hibridações culturais. Este universo tão complexo voltará a ser abordado pela escola, no próximo Carnaval, quando a comunidade de Duque de Caxias cantará, na Marquês de Sapucaí, diferentes facetas daquele que é popularmente considerado o “mais humano dos orixás”: Exu.

Mostrar ao público um pouco do “espírito do enredo” foi a ideia dos carnavalescos, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, quando propuseram à agremiação caxiense a feitura de um ensaio fotográfico que ocupasse diferentes espaços do barracão, na Cidade do Samba, e, através das lentes da agência FotoLegenda / Joana Coimbra, captasse a “essência” do que será mostrado no Sambódromo. Leonardo Bora explica a proposta: “Depois do cancelamento do Carnaval de 2021 e diante da potência de um enredo que fala de corpos expansivos, livres, festivos, que brincam nas ruas e se manifestam nas encruzilhadas, pensamos que seria importante explorar espaços abertos, sem o compromisso de mostrar as fantasias com poses perfeitas e luz artificial. Nos interessava mais entender o espírito do enredo nas dobras e nos movimentos das roupas, nas expressões das pessoas, nos detalhes, nas sombras. Os olhares dos fotógrafos, muito sensíveis, captaram essas sutilezas.”

As fantasias selecionadas para o ensaio expressam um pequeno pedaço do que a Grande Rio mostrará na Avenida. Haddad destaca um ponto importante: “As pessoas que foram fotografadas efetivamente participam do Carnaval da Grande Rio, como o ator e dançarino Rodrigo Bahiano, que representou Joãozinho da Gomeia na Comissão de Frente do último desfile. Algumas, inclusive, participaram do processo de feitura das fantasias, caso do aderecista Lucas Corassa, que vestiu a roupa da Pomba-Gira Cigana, desenhada para a ala LGBTQIA+ da escola. Também é o caso das aderecistas Thuane Araújo e Wellington Szaniesky e do pintor de arte Cety Soledad, que tem uma produção artística incrível, na música e nas artes visuais”.

Além dos citados, participaram do ensaio o designer Antônio Gonzaga, autor da identidade visual do enredo da Grande Rio, artista plástico e membro da equipe de criação dos carnavalescos, a cineasta Érica Supernova e o modelo Murillo Ferreira. A maquiagem é de Guilherme Camilo e as fantasias foram confeccionadas pelo ateliê de Bruno César. É preciso destacar, ainda, a participação de estagiários da Escola de Belas Artes da UFRJ, que trabalharam no barracão da tricolor de Caxias pelo segundo ano. Alguns deles, inclusive, foram alunos de Leonardo Bora, que foi professor da EBA-UFRJ e considera fundamental essa troca: “É preciso que se abram cada vez mais espaços para o diálogo entre o dito “mundo acadêmico” e o Carnaval – no caso, os barracões das escolas de samba, academias tão poderosas. São incontáveis os saberes e os modos de fazer que circulam por um barracão. A universidade de hoje é bastante diferente daquela de 60 anos atrás. Entendemos que o estágio é uma ótima oportunidade para estimular a diversidade e a pluralidade de ideais.”

O que também é uma continuidade com relação ao desfile vice-campeão do último Carnaval é o combate à intolerância religiosa que tem como alvo as manifestações sagradas de origens afro-brasileiras. O racismo religioso, que propaga preconceitos contra as religiões de matrizes africanas, contribuiu para a demonização da figura de Exu, algo que será abordado de maneira indireta, conforme explica Haddad, ao comentar a simbologia das roupas: “O enredo já parte do pressuposto de que Exu não é o “diabo do teatro colonial”, como diz a nossa sinopse. A denúncia está na subversão desse olhar e na afirmação da grandiosidade e complexidade dessa energia. As fantasias dizem que Exu é vibração, cor, movimento, força, potência, circularidade. A ótica é outra. Não se trata de um enredo histórico, mas de uma celebração daquilo que o Luiz Antonio Simas chama de “visão exusíaca de mundo”. Os fundamentos do candomblé, as pluralidades da umbanda, os brincantes e foliões que ocupam e disputam as ruas, as trocas nas feiras, as relações de Exu com o carnaval e as artes em geral, as vozes dos excluídos de um projeto de “civilização” baseado no lucro, na competição, na exploração do outro. Numa “normalidade” que considera “louco” quem não se enquadra em um padrão e que rejeita o que considera “lixo”. Afinal, que “lixo” é esse?”

O historiador e antropólogo Vinícius Natal, um dos autores da pesquisa do enredo, enfatiza os aspectos levantados pelo carnavalesco: “Essas vozes nos ensinam outras filosofias e outras formas de pensar e viver o mundo. Quando Elza Soares canta “Exu nas escolas”, ela está defendendo a importância de se levar esse complexo de saberes para espaços que historicamente excluíram as cosmogonias amefricanas, como dizia Lélia Gonzalez, de seus cadernos. Nós entramos nesse debate e mostramos que o racismo religioso pode se manifestar nas menores coisas, como quando alguém sentencia, em tom de crítica negativa e sem uma leitura cuidadosa, que o nosso enredo é “muito pesado”.”

A Grande Rio foi sorteada para ser a quinta escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu.” Sobre os trabalhos e o cenário atual, os carnavalescos concluem: “Enquanto sambistas e foliões, desejamos que a ciência triunfe sobre o negacionismo e que possamos desfilar com alegria e segurança, depois de tanto sofrimento. Acompanhamos os debates científicos e os seus desdobramentos e trabalhamos com base nessas orientações. Os ataques ao Carnaval muito nos entristecem. São estranhos esses tempos em que é preciso dizer o óbvio, mas seguimos fazendo arte.”

Ficha técnica:

Fotografias: Agência FotoLegenda e Joana Coimbra

Modelos: Antônio Gonzaga, Cety Soledad, Érica Supernova, Lucas Corassa, Murillo Ferreira, Rodrigo Bahiano, Thuane Araújo e Wellington Szaniesky

Maquiagem: Guilherme Camilo e equipe

Confecção das fantasias: Bruno César e equipe (Bernard Souza, Carla Vanessa, Edemilson Fernandes, Lucas Corassa, Marcelo Oliveira, Nete Cândido, D. Nilza, Sheila Martorelli, Thuane Araújo, Wellington Szaniesky)

Estagiários da Escola de Belas Artes da UFRJ: Igor Nascimento, Joana D’Arc Prosperi, Jovanna Souza, Rafael Torres, Sophia Chueke, Theo Neves

Carnavalescos: Gabriel Haddad e Leonardo Bora

Equipe de criação: Antônio Gonzaga, Patryck Thomaz e Vinícius Natal

Direção de Carnaval: Thiago Monteiro

Mauro Cordeiro: ‘O samba e as escolas de samba’

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O samba é um gênero musical, mas também constitui um mundo social, um sistema cultural. Esta afirmação implica a compreensão de que existe um mundo do samba, um universo específico composto de valores, crenças, regras, formas de classificação e de entendimento.

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Foto: Divulgação/Liesa

Dentro do mundo do samba, as escolas ocupam papel de destaque pois são formadoras de sujeitos. Ao participar de uma escola de samba uma pessoa está, ao mesmo tempo, formulando, articulando e criando saberes, práticas e costumes; e sendo forjado por eles. O indivíduo é formado pela cultura, mas é também seu construtor e isto denota que a cultura é viva, está em constante transformação, modificação, relação, justamente por ser uma prática humana.

O samba é um bom exemplo pois se transformou, muitas vezes, para se manter o mesmo. Escola de samba é uma forma de organização social de base comunitária e territorial que surge no Rio de Janeiro no final da década de 1920. São produtos da experiência histórica de negros e negras que, diante da exclusão do pós-abolição, construíram redes e locais de sociabilidade para manutenção de suas formas de vida e manifestação. São potentes formas de expressão, criadoras de identidades que fornecem sentidos aos seus praticantes.

As escolas são criações autênticas de locais de cidadania em um contexto de negação de direitos. Se a luta por cidadania naquele contexto envolvia a afirmação de sua própria existência, hoje o cenário é outro. Mas este ponto, fundamental, nunca se perdeu. Permanecem, atualmente, como pontos importantes, nos territórios que as abrigam como espaços de cidadania enquanto coletivos, associações comunitárias.

Vou trazer um exemplo para ilustrar esse ponto que acho interessante. No ano de 1934, um italiano chamado Emílio Turano, que dá nome a outro morro vizinho também na Tijuca, entrou na Justiça pedindo a destituição de todos os barracos do morro do Salgueiro pois, segundo ele, havia comprado a localidade. Esta ação causaria o despejo de 7 mil moradores, uma massa de imensa maioria negra que irá se organizar para defender seus direitos através da escola de samba do morro chamada Depois eu Digo, tendo como grande liderança o compositor Antenor Gargalhada.

O Gargalhada é o líder deste movimento pois as principais figuras dos territórios eram os sambistas de destaque nas escolas. Isso é fundamental, pensar a dimensão política das escolas no contexto e ainda mais a sua dimensão de coletividade, associação: é através desta organização local, uma escola de samba, que os moradores do morro ganham na Justiça o direito de manter sua residência.

Escola de samba é política! Coletivos periféricos que através da arte e da cultura inscreveram sua presença na cidade que quis sua eliminação física e simbólica. Emergiram dos morros e subúrbios práticas, saberes e modos de vida que constituíram o Rio como ele é. Se o samba é uma forma de ver, interpretar e viver no mundo, as escolas de samba seguem sendo locais privilegiados de socialização nas múltiplas gramáticas que este mundo, o mundo do samba, promove.

Desfile de escola de samba é produto das classes populares, majoritariamente negras, que ofertando sua arte produziram beleza, encanto e poesia forjando a identidade da cidade que tanto os violentou. Inventaram uma manifestação cultural que serviria de síntese do país. Mas escolas de samba é muito mais do que desfile carnavalesco. É produção de cultura e arte, são projetos de educação e inclusão mantidos nos territórios periféricos da cidade onde o Estado só chega através da repressão. Para muito além dos desfiles, as escolas são formas de organização social quase centenárias que formam sujeitos, promovem sociabilidades e constroem visões de mundo.

Quem apenas assiste, acompanha e admira os desfiles não chega nem perto de compreender a pluralidade de sentidos, a riqueza histórica e o conhecimento produzido pelas agremiações pois estas precisam ser vivenciadas, praticadas. Pode entender o que nós produzimos, a partir (inclusive) de valores que nos são alheios, mas não compreendem o que somos.

Através de uma série de rituais, cerimônias, maneiras de ocupação do espaço, técnicas corporais, formas relacionais, hábitos, costumes, regras (jamais escritas) e outras tantas lógicas inerentes as atividades cotidianas, essas associações atuam como força motriz de uma forma específica de ser e estar no mundo. Escolas de samba são pensamento e ação, filosofia e prática.

E assim o são visto que são constituídas por uma sabedoria bem assentada, rica, diversa e original. Sua manutenção se dá pela constante reinvenção que garante a continuidade. Há uma doutrina ancestral que se mantém na tradição que se renova. É o samba.

Mauro Cordeiro – Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 TT: @maurocordeirojr

Beija-Flor anuncia ensaio em conjunto com a Grande Rio para agitar a Baixada

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Beija GRCoirmãs da Baixada Fluminense, as gigantes Beija-Flor de Nilópolis e Acadêmicos do Grande Rio, sediada em Duque de Caxias, estarão unidas em pelo menos dois megaensaios de rua programados para agitar o pré-Carnaval em ambos os municípios. A novidade, anunciada na quinta-feira pela diretoria da azul e branca, promete entrar para o calendário folião e reforçar o engajamento junto às agremiações, que estão a todo vapor rumo a 2022.

De acordo com o comando da Beija-Flor, os treinos estão programados para os dias 12 de dezembro, em Nilópolis, e 19 do mesmo mês, em Caxias. A dinâmica é semelhante a dos “ensaios visita”, já popular na festa carioca, geralmente em eventos de quadra.

A intenção, segundo a equipe do presidente da Beija-Flor, Almir Reis, é fortalecer o Carnaval da Baixada Fluminense e, ao mesmo tempo, o laço entre as duas escolas de samba. Informações sobre horário dos ensaios, bem como os pontos de concentração, serão divulgadas nas próximas semanas.

Liesa festejará Dia Nacional do Samba em 13 de dezembro

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No dia 13 de dezembro, a Liesa promoverá uma festa de confraternização entre diretores e funcionários da entidade, presidentes e representantes das Escolas de Samba do Grupo Especial, e parceiros comerciais que estarão presentes no Carnaval 2022. O evento marcará as comemorações do Dia Nacional do Samba (tradicionalmente festejado em 02 de dezembro) e já tem a presença confirmada do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Neste mesmo dia, às 20h, será inaugurada a nova unidade do Corpo de Bombeiros na Cidade do Samba com a presença do coronel Leandro Monteiro, secretário de Defesa Civil e Comandante Geral do Corpo de Bombeiros.

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Jorge Perlingeiro garante que a Liesa está focada
em todo o planejamento para o Carnaval de 2022. Foto: Henrique Matos

Instalada provisoriamente em contêineres, adaptados segundo as instruções fornecidas pelo Comando Geral da Corporação, com capacidade para abrigar 10 soldados e espaço para estacionamento de viaturas, esta nova unidade atenderá não somente a Cidade do Samba bem como o entorno da Região Portuária do Rio. Os bombeiros permanecerão naquele espaço durante o período de construção do prédio definitivo.

“É motivo de grande alegria e tranquilidade para todos nós, pois, a partir de agora, teremos uma unidade dos Bombeiros funcionando dia e noite no complexo de produção de alegorias e fantasias do Carnaval Carioca”, conta o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro.

A volta do “Botequim da Liesa”

A festa de confraternização marcará também a volta do espetáculo “Botequim da Liesa”, com a participação de sete estrelas da música popular e apresentação das rainhas de bateria do Grupo Especial.

“Antes do show, vamos entregar os certificados aos 51 sócio-beneméritos da Liesa; incluindo os novos 21, que passarão a fazer parte do quadro” – informou o presidente.

Viradouro surpreende e transforma passista em musa durante ensaio

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Foto: Wagner Rodrigues

A Unidos do Viradouro reforçou o time de beldades que vai estar com a escola na Avenida no próximo Carnaval. E o anúncio foi feito no ensaio das alas de comunidade na quadra, na noite desta quarta-feira, 25, e de forma inusitada. Ninguém tinha conhecimento que a escola teria uma terceira musa, nem a própria Bellinha Delfim, a escolhida. Ela passa a dividir o posto com a dançarina Luana Bandeira, que era assistente de palco de Luciano Huck quando ele comandava o Caldeirão, e com a cantora e apresentadora Lore Improta, que já desfilam na vermelho e branco.

No início do ensaio, o presidente Marcelinho Calil chamou Bellinha ao palco, para que ela entregasse um buquê de flores à nova musa. Ele chegou a pedir que a suposta nova integrante da escola entrasse em cena. Minutos depois, como ninguém aparecia, as pessoas da comunidade concluíram se tratar da própria Belinha e começaram a gritar: “É ela!”. Incrédula, a moça ficou esperando que o presidente confirmasse. Quando, finalmente, depois do suspense, veio a confirmação, Bellinha se agachou, cobriu o rosto com as mãos, e chorou.

Com fôlego renovado e ainda tomada pela emoção, a mais nova musa da atual campeã do Carnaval foi econômica nas palavras ao se dirigir à comunidade, que retribuiu com aplausos entusiasmados.

– Não esperava por essa surpresa. Eu tô muito feliz. Sou recém-componente da escola, desfilei como passista aqui em 2020, e pretendo retribuir todo esse carinho, esse amor, esse acolhimento com muita arte e samba no pé – disse a jovem, que foi saudada por Erika Januza, nova rainha de bateria.

Bellinha tem 24 anos e começou no balé clássico aos cinco. Sua formação em dança foi na Escola Maria Olenewa (Theatro Municipal), conquistando vaga através de concurso em 2008, e onde estudou até 2014. Paralelamente, praticava atletismo. Ela também é modelo. Entre os inúmeros trabalhos na área da publicidade, protagonizou uma campanha da Nike. Foi escolhida não só pela beleza, mas por seu desempenho em provas de meio-fundo e fundo, de 800 a 10.000m.

Na pista de desfiles, estreou como passista em 2014, na São Clemente. Em 2019, desfilou pelo Salgueiro, e foi agraciada com o Estandarte de Ouro de Melhor Passista. Já ministrou workshops de samba em países como Inglaterra, França, Espanha, Portugal, Suécia, Polônia, Nigéria, Uruguai e Argentina.

PORTO DA PEDRA: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: Obá Adriano Abiodun, Guga Martins, Passos Júnior,
Abílio jr., Nando Tavares, Wagner Rodrigues, Clairton Fonseca,
Leandro gaúcho e Ailson Picanço para a Porto da Pedra, carnaval 2021.
Intérpretes: Pitty di Menezes

HOJE VAI TER FESTA NO ORUM
MATA VIRGEM DEIXA SERENAR
BRILHA UMA ESTRELA
ASSENTA O ORIXÁ
É O CAÇADOR SEU ELEDÁ

OKÊ ARÔ! OKÊ OKÊ ARÔ!
MENINA VAGUEIA AO SOM DO TAMBOR!
OKÊ ARÔ! OKÊ OKÊ ARÔ!
PISA NA AREIA E BATE O TAMBOR!

CHEFE DA CASA ESCOLHEU YAÔ (Ê KAÔ)
QUEM VESTE BRANCO ABENÇOA IYÁ (EPA BABÁ)
PROTEGE A SENHORA DO OURO
A LEI É O GRANDE TESOURO
SEIS PRA DEFENDER
SEIS PARA JULGAR

O SANTO DANÇA… CÉU RELAMPEJOU!
NÃO TEM DEMANDA! NÃO TEM CATIVEIRO
MEU FILHO, ANTES DE NOS DAREM COR
JÁ ESCUTAVA A VOZ DOS TERREIROS

TEM FITA VERMELHA E BRANCA
ALMA NA PONTA DA LANÇA
ENSINA NOSSAS CRIANÇAS: DESTINO É LUTAR
MEMÓRIAS O VENTO NÃO PODE LEVAR
ESCRITAS À LUZ DO LUAR
RODA YABÁ… É GINGA!
CANTA PRA FIRMAR… CURIMBA!

NO TOQUE DO AGUERÊ CHAMEI O POVO
AGOGÔ MI RO LESE, MÃE STELLA MOTUMBÁ!
FLECHA CERTEIRA DE ODÉ EU QUERO VER SEGURAR
CABEÇA FEITA QUANDO O TIGRE PASSAR