A inauguração do destacamento do Corpo de Bombeiros – instalado provisoriamente em contêineres na Cidade do Samba, adaptados segundo as instruções fornecidas pelo Comando Geral da Corporação, com capacidade para abrigar 10 soldados e espaço para estacionamento de viaturas, acontece na próxima segunda-feira.
Foto: Divulgação/Liesa
Os bombeiros permanecerão naquele espaço durante o período de construção do prédio definitivo, com alojamentos e demais instalações.
“É motivo de grande alegria e tranquilidade para todos nós, pois, a partir de agora, teremos uma unidade dos Bombeiros funcionando dia e noite no complexo de produção de alegorias e fantasias do Carnaval Carioca”, comentou o presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro.
Se a historiografia oficial não confere o devido valor e reconhecimento a lideranças populares, cabe a nós disputarmos o rumo da produção da memória e louvar os nossos heróis. Enquanto os livros escolares seguem prestando reverência a colonos, bandeirantes, militares e escravocratas, silenciam sobre o papel de personagens comuns na construção do país. O samba brasileiro, neste sentido, é um universo repleto de grandes figuras, de feitos vultuosos que permanecem na memória coletiva embora não constem nos livros. Esta coluna é sobre a genialidade de um dos maiores intelectuais deste país: Paulo Benjamin de Oliveira, o nosso professor.
Foto: Reprodução
Quando nasceu, naquele 18 de junho de 1901, os frutos da abolição tardia e incompleta, então recém conquistada, constituíam barreiras (quase) intransponíveis. Não houve qualquer política de acesso à terra, de educação, formação ou qualquer garantia das mínimas condições de subsistência para a negritude brasileira. Também vivenciamos um período em que efetivamente havia uma política pública de embranquecimento do país: quer seja pelo incentivo a vinda de imigrantes, quer seja pelo abandono e exclusão da massa de libertos e seus descendentes.
Se depois da abolição veio a liberdade, junto a esta vieram categorizações, classificações e construções sociais sobre a negritude que se transformaram em obstáculos materiais para o desenvolvimento dos libertos, para sua integração na sociedade de classes como mão de obra assalariada e até da manutenção das suas vidas. Este era o Brasil daquela virada de século.
Paulo nasceu em uma família negra e pobre de uma cidade que queria se transformar. Aos moldes de Paris, o Rio de Janeiro almejava uma remodelação urbanística que a inserisse na lógica da “modernidade”. Na prática, este processo empurrou as camadas populares, de ampla maioria negra, para os subúrbios e favelas através das reformas de Pereira Passos. Assim ocorreu com a família Oliveira, que migrou da região central da cidade para o subúrbio de Oswaldo Cruz.
Filho de pai não reconhecido, tinha dois irmãos. Sua mãe, Dona Joana, teve que enfrentar todas as dificuldades e desafios de ser uma mulher negra, separada, com filhos para criar e sustentar no Brasil de 1900. Paulo começou a trabalhar cedo para ajudar no orçamento familiar, de trampo em trampo, até se estabilizar na profissão de lustrador. Assim como seus irmãos, estudou pouco, tendo feito apenas o primário. Antes de migrar com a família para região de Oswaldo Cruz, nasceu e cresceu no bairro da Saúde, circulando na região da Pequena África onde teve contato com todos aqueles bambas da primeira geração do samba carioca: Donga, Ciata, Pixinguinha…
Na década de 1920 se estabelece para Oswaldo Cruz e é justamente neste local que vai construir-se como um baluarte da cultura popular brasileira. Paulo passa a frequentar as rodas de samba e o candomblé de Esther Maria Rodrigues, a Dona Esther, liderança de uma estrutura comunitária que tecia as relações do bairro. Este era um espaço de efervescência cultural que reunia políticos e sambistas de outras localidades, sendo um espaço privilegiado de contato, central na vida daquele bairro até então rural onde moravam operários que, através do trem, iam trabalhar no centro da cidade. Junto a sambistas como Caetano e Rufino, Paulo funda o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, que depois se transforma no Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz, precursor da gloriosa Portela.
Paulo foi o líder de uma construção específica: das escolas de samba como forma de disputa por melhores condições de vida aos negros da cidade. Através da arte buscou dialogar, se relacionar com outras camadas sociais pelas brechas e frestas de um projeto nacional em curso. Para Paulo, escolas de samba eram formas de as comunidades negras mostrarem que podiam fazer parte da modernidade que aquela sociedade pretendia construir. Independente da sua educação formal, se constituiu em uma grande liderança do seu tempo pela sua inteligência, articulação e criatividade.
Esta liderança era exercida interna e externamente: ao mesmo tempo que liderava a Portela, ajudando a construir um modelo de escola de samba e de desfile, Paulo frequentava redações de jornais e os círculos da intelectualidade carioca construindo pontes e combatendo a velha ideia do carnaval popular como espaço de brigas e violência que servia para ampliar a marginalização dos sambistas. Isto é o papel de um intelectual orgânico.
Escola de samba, para Paulo, é uma expressão política, e, inegavelmente, a tese de Paulo foi vitoriosa: o carnaval das escolas de samba contribuiu para alterar as visões da negritude no Brasil. Se o racismo permanece, também é verdade que a cultura produzida por negros e negras deixou de ser caso de polícia e passou a ser entendida como símbolo nacional, em um processo ambíguo, mediado e negociado. Com todas as contradições que este processo de mediações e negociações implica, é importante compreender que, dentro daquele contexto, foi uma grande vitória possível apenas pela capacidade intelectual e a habilidade política de figuras como Paulo Benjamin de Oliveira.
Na minha perspectiva, o samba se configurou historicamente como uma forma de sociabilidade e expressão negra, mas também como uma forma de estabelecer diálogo; ou seja, foi também através do samba que esta população negra historicamente marginalizada e perseguida buscou a sua integração na sociedade.
Dizer isto, de forma alguma, pressupõe que os desafios da negritude brasileira estão solucionados; longe disso. O Brasil é um país absolutamente desigual e essa desigualdade é profundamente marcada por uma brutal associação entre classe e raça. Ainda assim, é preciso pensar que só o fato desses corpos negros e negras ainda existirem é um ato de resistência daqueles que insistiram não apenas em sobreviver, mas também em preservar os seus valores, a sua memória, cultuar sua ancestralidade e expressar suas visões de mundo. As expressões da negritude brasileira persistem como forma de valorização histórica de manutenção de hábitos, crenças, pensamentos e práticas que se perpetuaram através da oralidade e da força dos coletivos. Isto só foi possível graças a genialidade e a ação de sambistas, intelectuais negros que souberam construir para preservar, negociar para existir. Gênios como Paulo da Portela, nosso professor.
Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 e TT: @maurocordeirojr
Compositores: Gustavo Clarão, Thiago Meiners, Arlindinho, Igor Leal, J.R. Fragga e Cláudio Mattos
Intérprete: Evandro Malandro
BOA NOITE, MOÇA; BOA NOITE, MOÇO…
AQUI NA TERRA É O NOSSO TEMPLO DE FÉ
“FALA, MAJETÉ!”
FAÍSCA DA CABAÇA DE IGBÁ
NA GIRA… BOMBOGIRA, ALUVAIÁ!
NUM MAR DE DENDÊ… CABOCLO, ANDARILHO, MENSAGEIRO
DAS MÃOS QUE RISCAM PEMBA NO TERREIRO
RENASCE PALMARES, ZUMBI AGBÁ!
EXU! O IFÁ NAS ENTRELINHAS DOS ODUS
PRECEITOS, FUNDAMENTOS, OLOBÉ
PREPARA O PADÊ PRO MEU AXÉ
EXU CAVEIRA, SETE SAIAS, CATACUMBA
É NO TOQUE DA MACUMBA, SARAVÁ, ALAFIÁ!
SEU ZÉ, MALANDRO DA ENCRUZILHADA
PADILHA DA SAIA RODADA… Ê MOJUBÁ!
SOU CAPA PRETA, TIRIRI, SOU TRANCA RUA
AMEI O SOL, AMEI A LUA, MARABÔ, ALAFIÁ!
EU SOU DO CARTEADO E DA QUEBRADA
SOU DO FOGO E GARGALHADA… Ê MOJUBÁ!
Ô LUAR, Ô LUAR… CATIÇO REINANDO NA SEGUNDA-FEIRA
Ô LUAR… DOBRA O SURDO DE TERCEIRA
PRA SAUDAR OS GUARDIÕES DA FAVELA
EU SOU DA LIRA E MEU BLOCO É SENTINELA
LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!
É POESIA NA ESCOLA E NO SERTÃO
A VOZ DO POVO, PROFETA DAS RUAS
TANTAS ESTAMIRAS DESSE CHÃO
LAROYÊ, LAROYÊ, LAROYÊ!
AS SETE CHAVES VÊM ABRIR MEU CAMINHAR
À MEIA-NOITE OU NO SOL DO ALVORECER… PRA CONFIRMAR
ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!
Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!
LÁ NA ENCRUZA, A ESPERANÇA ACENDEU
FIRMEI O PONTO, GRANDE RIO SOU EU!
ADAKÊ EXU, EXU Ê ODARÁ!
Ê BARA Ô, ELEGBARÁ!
LÁ NA ENCRUZA, ONDE A FLOR NASCEU RAIZ,
EU LEVO FÉ NESSE POVO QUE DIZ
Está chegando mais um fim de semana com muito samba! Nesta edição do Sextou Portela, a azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira recebe o Paraíso do Tuiuti em seu ensaio show. A festa começa às 22h. Os ingressos já estão à venda e podem ser adquiridos na bilheteria da agremiação, de segunda a sexta, das 10h às 18h, ou pelo site www.ingressocerto.com.br. Informações: (21) 3217-1604.
O público pode esperar sambas que marcaram época na Portela, além de grandes obras do Tuiuti, entre elas, a de 2018. O evento contará ainda com o show completo da Majestade do Samba com a presença das baianas, Velha Guarda, passistas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, apresentação da Tabajara do Samba, no comando de Mestre Nilo e outros segmentos. Além é claro, da apresentação do samba da Portela para o Carnaval 2022, quando levará para a Avenida o enredo “Igi Osè Baobá”, desenvolvido por Renato Lage e Márcia Lage, que retrata a simbologia e a história dos baobás. Já o Tuiuti, vai apresentar o enredo KA RÍBA TÍ YE – “Que nossos caminhos se abram”.
O Sextou Portela será realizado respeitando todos os protocolos sanitários de segurança estabelecidos pela Prefeitura do Rio. Será necessário comprovar a vacinação para participar do evento. A comprovação poderá ser feita através do certificado de vacinação digital – disponível no aplicativo ConecteSUS -, pela caderneta de vacinação ou ainda pelo comprovante de vacinação, seguindo o calendário oficial do município, disponível em: https://coronavirus.rio/comprovacao/31196/.
Serviço:
Sextou Portela
Atrações: Tuiuti e Elenco Show da Portela
Data: Sexta-feira, 10 de dezembro
Horário: a partir das 22h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira)
Ingressos
Ingresso Individual Antecipado– R$ 15,00
Ingresso Individual na Hora – R$ 20,00
Mesas – R$ 100,00
Camarotes Superior – R$ 600
Camarotes Inferior – R$ 400
Desde 2016 sem voltar no sábado das campeãs, e sem brigar de verdade pelo título desde aquele ano, a Tijuca vai apostar na energia do guaraná para contagiar a Sapucaí e adoçar um pouco a avaliação dos jurados e voltar a estar entre as melhores do carnaval carioca.
Leandro Ribeiro/Divulgação TV Globo
“Waranã – a resistência vermelha” foi desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos que chega à Tijuca para o carnaval 2022. O enredo pretende apresentar a lenda do guaraná, trazendo a disputa entre o bem e o mal, sintetizada na cultura Mawé entre o embate de Tupana, as forças do bem, e Yurupari, a energia do mal. Conflito que atravessa o tempo e ressurge nos dias atuais, com Yurupari aterrorizando a vida nativa através de colonizadores, caçadores, garimpeiros, madeireiros ilegais, grileiros de terra e etc.. Esta é também uma mensagem que a Unidos da Tijuca pretende deixar com o enredo, a resistência pela preservação da natureza, da vida indígena e seus costumes. Trazendo a certeza de que o espírito do amor é muito maior que o ódio semeado por Yurupari, como é citado na sinopse do enredo.
A Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. O samba é de autoria de Eduardo Medrado, Anderson Benson e Kleber Rodrigues. O compositor Eduardo Medrado explicou um pouco sobre a oposição entre o bem e o mal do enredo que é bastante explorada também pela obra.
“A gente tentou aproveitar bastante essa tensão entre o bem e o mal que está presente na sinopse do Jack (Vasconcelos, carnavalesco). Essa tensão é representada na lenda indígena entre o equilíbrio de Tupana, criador das coisas boas, e Yurupari, que representa as forças do mal. E isso é muito atual, porque a gente vive em uma sociedade bastante polarizada, enfim, e também sempre que se tem uma expectativa muito aguçada de melhoria das condições de vida, sob que perspectivas forem essas, sempre há um aumento da expectativa de que o bem vai vencer o mal. E acho que esse é o recado positivo do enredo”, esclarece o compositor.
O site CARNAVALESCO, dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático”, conversou com o compositor Eduardo Medrado que explicou um pouco mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Unidos da Tijuca para o carnaval de 2022.
ALTO CÉU /DE TUPANA E YURUPARI / DUAS FORÇAS QUE VÃO FLUIR/ A ENERGIA DE MONÃ / QUE EQUILIBRA O BEM E O MAL
“Esse segmento apresenta Tupana e Yurupari, duas forças que representam a tensão, na lenda indígena, entre o bem e o mal. Tupana, o criador das coisas boas, e Yurupari, que representaria as forças do mal. Essas duas forças que o equilíbrio, a convivência entre elas, na verdade, rege o equilíbrio cósmico. Tudo isso, a energia de Monã, Monã seria o Deus supremo, criador de todas as coisas. Essa tensão entre o bem e o mal está presente em toda a sinopse”.
UM LUGAR ONDE AS PEDRAS PODIAM FALAR/ONDE IRMÃOS DESFRUTAVAM/A BELEZA SINGULAR/ANHYÃ, BELA E HABILIDOSA/MAS A COBRA ARDILOSA USA A FLOR PRA LHE TOCAR
“Aí, a gente está falando sobre de Nusokén, essa floresta, esse ambiente paradisíaco, onde, inclusive, as pedras podiam falar, onde viviam três irmãos, dois homens e uma mulher, essa mulher é a Anhyã, que a gente fala em seguida ao dizer ‘bela e habilidosa’. A Anhyã era a protagonista desse ambiente, era amada por todos os animais, ela era habilidosa porque ela dominava as artes medicinais daquela floresta. Isso causava grande inveja nos dois irmãos. Na verdade, uma cobra se enamora de Anhyã e usa de um ardil, atrai Anhyã de um perfume de uma flor e quando Anhyã se aproxima de uma flor para cheirá-la, a cobra toca no pé e engravida Anhyã. Esse fato, gera grande revolta nos dois irmãos, ela é expulsa de Nusokén e acaba concebendo Kahu’ê distante do paraíso.
E NASCE KAHU’Ê O CURUMIM/DE OLHOS ALEGRES SEMPRE ASSIM PRESENÇA TÃO BREVE/A INGENUIDADE SUCUMBE À MALDADE
“Essa questão dos olhos de Kahu’ê é importante porque mais à frente a gente vai ver que um dos olhos do curumim é que vem dar origem segundo a lenda do bom guaraná. Kahu’ê morre, é assinado por mando de seus tios. Então, Kahu’ê come um fruto, a castanha de uma castanheira sagrada e esse fruto, era proibido, e Yurupari, forças do mal, são invocadas pelos dois tios e travestido de uma serpente Yurupari mata Kahu’ê. A gente resolve atenuando a questão da morte dele, a gente cita presença tão breve, de forma indireta, mais leve, e depois ” a ingenuidade sucumbe a maldade”. A ingenuidade em comer a castanha sagrada, em ir a terras proibidas”.
RENASCE KAHU’Ê O CURUMIM/ SEUS OLHOS ALEGRES NÃO TÊM FIM POIS O BEM É MAIOR, VAI REEXISTIR
“A gente queria positivar e que o refrão não fosse marcado pela perda. Por isso a gente volta no “renasce Kahu’ê”. Pois o bem é maior, vai reexistir. De fato, segundo a lenda, Kahu’ê morre, há uma grande comoção, e seus olhos são enterrados e de seu olho direito, nasce o verdadeiro guaraná. E de suas entranhas, surge o povo Maué, que vem a ser chamado de povo do guaraná”.
VIDA LIGEIRA, PASSAGEIRA / PLANTADA NO SOLO DA PURA EMOÇÃO
“Na segunda do samba a gente fala um pouco mais sobre a reexistência de Kahu’ê. Vida ligeira, passageira, que é a própria vida do curumim, mas também é a nossa. Traz uma atualidade a esse samba, até por esse momento de pandemia teve momentos de reflexão bastante agudas sobre a vida”.
DE PELE VERMELHA, OS FRUTOS DE UMA NAÇÃO
“Aqui tem uma duplicidade de interpretação. De pele vermelha, o próprio fruto do guaraná, tem a sua coloração vermelha e os peles vermelhas, povo originários Maués”.
VIDA INOCENTE, VIRA SEMENTE /E AO SOM DE UMA AVE A CANTAR/ FLORESCE IMPONENTE O POVO DO GUARANÁ
“De fato, a sinopse descreve que o ressurgimento do Kahu’ê, como primeiro membro do povo Mawé, se dá ao som de uma ave cantando a sua mais bela melodia”.
E SE A COBIÇA E O FOGO CHEGAREM NA ALDEIA/DEIXA A FORÇA MAWÉ RESSURGIR/E SORRIR QUANDO O SOL RELUZIR/NESSE DIA ELES VÃO TEMER/E O AMOR VAI VENCER
“A gente procura valorizar ao final do nosso samba a atualidade da defesa dos povos originários do Brasil. Esses povos que recebem ataques desde sempre, mas que nesse momento em especial vivem uma série de contratempos, e a sociedade brasileira, e aqui, o Carnaval, a escola se posicionando a favor desses povos. Quem se mantém íntegro, quando o dia renasce, é porque tem a força, tem o poder da resistência. O mal vai temer e o amor vai vencer. A gente termina sintetizando e usando o termo amor, uma palavra que representa na nossa cultura, tudo que é bom, toda a positividade, e notar que é um fecho alinhado com a sinopse, pois isso é sempre deixado claro, que o amor vai vencer”.
ERÊ, ESSA MATA É SUA/ERÊ, VEM PROVAR DOCE MEL/WARANÃ DA TIJUCA/VEM BRINCAR NO BOREL
“A gente faz a referência aos Erês, a gente achou importante tocar nos Erês, oportuno porque são esses espíritos infantis que gostam de tomar guaraná nos rituais, enfim aqui a gente valoriza os Erês, afirma que a mata é deles e faz uma brincadeira com a referência a nossa escola e ao Borel”.
Dezembro é o mês do samba. Para não deixar a data passar e os compositores não serem reverenciados pelas obras produzidas para o Carnaval de 2022 a Beija-Flor de Nilópolis faz na próxima quinta-feira, dia 16 de dezembro, em sua quadra de ensaios, uma noite de homenagens para todos os vencedores do Grupo Especial do Rio de Janeiro.
“A nossa intenção primeiro é cada vez mais valorizar o samba. Ultimanente, não tem sido feito, mas a gente não perde essa essência. Vamos valorizar os compositores. Uma forma da Beija-Flor reconhecer os grandes compositores de todas escolas. A Série Ouro foi muito feliz com a festa na Cidade do Samba, valorizando o trabalho das agremiações. O troféu que vamos dar os compositores levará o nome do querido J. Velloso. A Beija-Flor não vai deixar passar em branco o mês do samba. Estamos fazendo nossa parte”, revelou Almir Reis, presidente da Beija-Flor.
Quem tiver a carteirinha de comunidade de sua escola de samba vigente do ano terá acesso livre. Para quem não tiver a entrada custará apenas R$ 20 para pista.
“Vamos fazer uma noite dos campeões. Homenageamos os compositores vencedores. Será o troféu Jorge Velloso. A ideia é todos se apresentarem e depois teremos o ensaio normal da Beija-Flor. O mês de dezembro é do samba, vamos fazer uma festa para sambista”, disse Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Beija-Flor.
A pouco menos de três meses para o carnaval, a Mocidade Independente de Padre Miguel começa a intensificar o seu calendário de ensaios rumo ao próximo desfile. Nesta semana a agremiação realiza um treino geral nesta quinta-feira, dia 09 de dezembro, a partir das 20h30, na quadra histórica da Vila Vintém. E inaugura o seu tão aguardado ensaio de rua, no próximo domingo, dia 12 de dezembro, a partir das 17h, na Praça Guilherme da Silveira.
“Chegou a hora de começar a trabalhar a nossa evolução e colocar em prática o ótimo canto que os componentes já vêm apresentado nos ensaios de quadra. É um cronograma que estamos seguindo junto à direção de harmonia, comandada pelo Wallace Capoeira, e que vem dando muito certo nos últimos anos. Estávamos ansiosos para voltar a ensaiar na rua e ter esse contato com o nosso povo com muita responsabilidade”, afirmou o diretor de carnaval, Marquinho Marino.
A grande novidade fica por conta do pós-ensaio de rua de domingo. Como ele se encerra na quadra da Vila Vintém, uma grande roda de samba liderada pelo intérprete Wander Pires acontecerá no local. A entrada é franca! Todos os componentes estão convocados para os dois ensaios.
Vale lembrar que os integrantes da verde e branca da Zona Oeste só conseguem realizar inscrições nas alas e participar dos ensaios depois de comprovar a vacinação em dia, de acordo com a faixa etária e o calendário da Prefeitura do Rio de Janeiro.
A quadra histórica da Mocidade fica na Rua Coronel Tamarindo, 38, Padre Miguel. Em busca do sétimo título de sua trajetória, a Estrela Guia da Zona Oeste será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de folia com o enredo ‘’Batuque ao Caçador’’, tema que será desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Ricardo.
Após meses sem reencontrar com a comunidade tijucana nas ruas, devido à pandemia de Covid-19, o Império da Tijuca recomeça firme seus ensaios. A verde e branca convoca todos os seus componentes para o primeiro ensaio de rua, que acontecerá neste domingo, dia 12 de dezembro, às 17h, na rua Conde de Bonfim, esquina com rua José Higino.
O vice-presidente, Luan Teles, ressalta a importância de recomeçar imediatamente os treinos de canto da comunidade: “Temos um excelente enredo e um samba contagiante. Nosso hino para o próximo carnaval vem sendo extremamente elogiado pelos sambistas e pela mídia. Agora o papel é da comunidade, de emocionar a Avenida. Estamos focados em conseguir dos nossos componentes, a mesma dedicação que toda a equipe que planeja o carnaval tem. O sucesso do nosso carnaval dependerá do esforço de todos e o trabalho da Harmonia é um dos fatores essenciais para que nós alcancemos o nosso objetivo”, disse.
Os treinos já acontecem todas às terças-feiras, a partir das 20h, na quadra da escola, no Morro da Formiga, agora, serão estendidos à uma das principais ruas da Tijuca, por sete domingos: 12 e 19 de dezembro; 09 e 23 de janeiro; 06, 13 e 20 de fevereiro.
Todos os segmentos têm presença obrigatória. Os interessados em desfilar pelo Império da Tijuca devem se apressar pois as vagas para vestir as cores da agremiação em 2022 estão acabando. Basta acessar o site www.imperiodatijuca.com.br e entrar em contato com o responsável pela ala de interesse.
A Império da Tijuca brigará pelo retorno ao Grupo Especial com o enredo “Samba de Quilombo – a resistência pela raiz”, de desenvolvimento do carnavalesco Guilherme Estevão. A agremiação será a sétima escola a pisar forte na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval, dia 26 de fevereiro de 2022. A quadra do Império da Tijuca fica localizada na Rua Medeiros Pássaro, nº 84 – Tijuca.
Compositor: Gabriel Melo
Intérpretes: Arthur Franco e Bruno Ribas
EU AINDA ERA MENINO
À LUZ DE UM NOBRE DESTINO
O DOM DE TOCAR CORAÇÕES
E VOCÊ ERA MENINA, SUSPIRANDO POESIAS
ENTRE VERSOS E ESTAÇÕES
QUANDO A MÃO DO GRANDE PROFESSOR
NOSSO CAMINHO EM OURO ENFEITOU
FUI DA RIBALTA À AVENIDA
VOCÊ TÃO LINDA, FOI CENÁRIO DE AMOR (Lá lá lá lá lauê) FIZ DA ORQUESTRA DA FOLIA
O MANEQUIM DAS FANTASIAS
QUE JOÃO NOUTRO TEMPO RASGOU
PEGA NA SAIA RENDADA! PRA VER O QUE EU VI
NO ESPELHO DA RAÇA ENCARNADA… XICA E ZUMBI! E DESCOBRIR NOVOS BRASIS NA IDENTIDADE
CANTA SALGUEIRO, Ô, SALVE A MOCIDADE!
LEMBRO QUE O IMPERADOR
ME LEVOU PRA SER REI EM SUA ASSÍRIA
AMANHECEU E NÓS DOIS
FOMOS UMA SÓ VOZ NO ALTAR DA BAHIA
BRILHEI… NO SEU PALCO ILUMINADO
DANCEI… SABIÁ CANTOU MEU APOGEU
NUMA DERRADEIRA SERENATA
SONHEI COM DALVA E FUI MORAR COM DEUS
SEU SAMBA NASCENDO NO MORRO
ECOA DO POVO E RESSOA NO CÉU
DESPERTO EM SEUS BRAÇOS DE NOVO
NO MAIS BELO TRAÇO DA FLOR NO PAPEL
SE A SAUDADE É CERTEZA
UM DIA A TRISTEZA SERÁ CICATRIZ
ETERNA SEJA! AMADA IMPERATRIZ!
VEM ME ENCANTAR!
VOLTA PRO SEU LUGAR!
SEU MANTO É MEU BEM QUERER
E LÁ DO ALTO O PAI MAIOR MANDOU DIZER
QUEM VIVEU PRA TE AMAR, SEGUIRÁ COM VOCÊ
A perda do ator Paulo Gustavo pela Covid-19 ainda está recente em todos os corações daqueles que amam a arte, que amam o humor. A justa homenagem da São Clemente ao ator vem enfatizar a semelhança entre o artista e uma das principais características da escola, a irreverência. A escola buscará celebrar a vida e obra de Paulo, não esquecendo de mostrar suas amizades sinceras, seu relacionamento com Thales e os filhos, mas principalmente, a agremiação da Zona Sul espera destacar a relação entre Paulo e sua mãe Dona Déa, que abençoou a escolha do enredo, relação enfatizada na própria carreira do ator e em seus personagens.
O enredo ”Minha vida é uma peça” faz alusão a um dos maiores sucessos do ator “Minha mãe é uma peça”, do teatro para os cinemas, que faz de Dona Hermínia, inspirada em Dona Déa, a maior mãe da dramaturgia dos novos tempos. Dona Déa é citada, inclusive, na sinopse do enredo, como um fundamental apoio modelo feminino que molda um libertário espírito para semear a caridade e aceitar a diversidade, que afinal de contas também virá como uma pauta importante nesta homenagem da São Clemente. Daí também a inclusão do companheiro de Paulo Gustavo, Thales e seus filhos Romeu e Gael, citados na letra do samba inclusive.
A São Clemente será a quarta escola a desfilar no domingo de carnaval em 2022, em sua décima primeira participação seguida no desfile do Grupo Especial, desde que subiu em 2010, sonhando em dessa vez conseguir estar pelo menos entre as seis primeiras colocadas, repetindo sua melhor colocação alcançada em 1990, e voltar no sábado das campeãs.
O samba foi assinado pelos compositores Arlindinho Neto, Braguinha, Caio Tinguinha, Cláudio Filé, Colaço, Danilo, Gustavinho, James Bernardes, Kaike Vinícius e Igor Leal. Filé contou à reportagem do site CARNAVALESCO que o samba foi composto observando bastante da ótica da mãe de Paulo Gustavo.
“Paulo Gustavo é um artista popular de sucesso meteórico, um ícone do humor contemporâneo, cuja sua partida precoce enlutou o país. Nesta merecida homenagem em forma de carnaval, o samba da São Clemente canta os ‘multi’ papéis que Paulo exerceu ao longo da vida, seja como um grande ator dos palcos e na frente das câmeras, seja como um ser humano que sua família e seus amigos puderam conhecer mais de perto. Considerando seu principal personagem Dona Hermínia, seus trabalhos de sucesso, a franquia ‘Minha mãe é uma peça’ foram inspirados em sua relação com sua mãe. Optamos por elaborar a letra do ponto de vista da Dona Déa que, por tanto, assume a posição do eu lírico da construção poética. A obra também possui elementos que unem Paulo Gustavo e São Clemente como a irreverência, a alegria e a crítica social”, explicou o compositor.
O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático” pediu à Cláudio Filé também para explicar um pouco mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da São Clemente para o carnaval de 2022:
“O CÉU ME SORRIU / A IRREVERÊNCIA ME CHAMOU, EU VOU/ IMORTAL A NOSSA RELAÇÃO”
“O nosso samba o tempo todo transita entre a alegria que o Paulo espalhou e a saudade que ele deixa. A gente consegue botar já nesses primeiros versos quando ‘o céu’ que metaforicamente representa o Paulo, sorri pra Dona Déa. Ao mesmo tempo que a irreverência, que é característica que distingue a São Clemente, convida, através dessa homenagem, celebrar a imortalidade de uma relação entre mãe e filho”.
“ATUAR COM OTELO E DERCI”
“Em um gesto de amor, a mãe abençoa a chegada do Paulo ao paraíso da comédia nacional. Um lugar de alegria, de sorriso. E, chega a lembrar a primeira vez que ele e a São Clemente cruzaram os destinos em 2013. Aí a gente fala ‘pra você vestir preto e amarelo e sorrir’. O céu é um palco cenário onde o Paulo ia lá contracenar com outros grandes nomes do humor como Otelo e Derci”.
“DONA HERMÍNIA MANDOU AVISAR QUE PODE/ BRINCAR NA AVENIDA E DIZER NO PÉ/ MULHER COM MULHER, TUDO BEM /HOMEM COM HOMEM, TAMBÉM/O NEGÓCIO É AMAR ALGUÉM
“O refrão do meio é da Dona Hermínia, o personagem principal do Paulo, como a gente fala, é a dona do palco, o centro das atenções. Então, é dela. É a mãe das mães, que chega mandando e construindo uma linguagem popular que era popular como a obra do Paulo. Esse refrão tem a característica em comum com a São Clemente e a ele. A alegria e convidar todo o público para cair no samba, a crítica social, um pilar de identidade da agremiação, aqui formulada como libertária e grito de luta, de visibilidade lgbtqia+. Uma temática ainda rara nos enredos do carnaval carioca. E o fazemos sem papas na língua, sem meias palavras, para que a mensagem seja direta, como é da personalidade da Dona Hermínia, seja mulher com mulher, seja homem com homem, vale qualquer manifestação de afeto, pois o negócio é amar alguém”.
“VAI QUE COLA / ESSE MEU DESPEDAÇADO CORAÇÃO”
“Obviamente, a referência a um dos principais trabalhos do Paulo na televisão, que é ‘O vai que cola’. Nesse verso, a gente também aproveita para dar vazão a saudade de fãs, amigos, familiares. Ainda é difícil lidar e os corações estão despedaçados. O sentimento acentuado na repetição da palavra ‘ coração’. Mas, acreditamos que sim, as boas lembranças, as boas ações, o contato com as amizades e a obra do Paulo podem colar os corações”.
“A NOSSA VIDA É UMA PEÇA / GRAÇAS A VOCÊ, MEU FILHO”
“A gente tomou a liberdade de unir o título da obra que é do Paulo, ‘minha mãe é uma peça’, e o título do enredo, ‘minha vida é uma peça’. Quando a gente fala que a nossa vida é uma peça, é para celebrar a imortal relação que já foi cantada na primeira estrofe, essa relação é o espetáculo homenagem que a São Clemente apresenta como a Dona Déia descreve em uma fala íntima ao filho que encerra a estrofe”.
“SÃO CLEMENTES AQUELES QUE AMAM /QUE CUIDAM, QUE SENTEM/ MOSTRANDO A CARA DA NOSSA GENTE”
“E o refrão principal, ‘São clementes’ que é um substantivo e se transforma em adjetivo para celebrar a bondade do Paulo, que ele demonstrou ao longo da vida dele. Seja levando alegria aos lares brasileiros, seja através dos atos de caridade. Paulo era daqueles que amam, que cuidam, que sentem. Assim como a nossa gente brasileira, assim como a nação clementiana, que vão mostrar a cara nesse desfile. E rir é resistir, seguir em frente, Paulo Gustavo pra sempre”.