O artista Carlinho de Jesus informou nesta segunda-feira que não seguirá no comando da comissão de frente da Em Cima da Hora para o Carnaval 2022. Confira abaixo a publicação do coreógrafo.
“Aproveito minhas redes sociais para comunicar minha saída da Comissão de Frente da Em Cima da Hora com desfile previsto para o dia 20/04 na Marquês de Sapucaí – Grupo Ouro. Declaro que tal decisão é de ordem estritamente particular. Aproveito pra agradecer a toda família Azul e Branca de Cavalcanti pela confiança e lembrança do meu nome para conduzir a Comissão de Frente! Lamento muito por essa decisão pois a ECDH sempre foi e será minha Escola do coração, origem, minha raiz a qual tenho muito carinho e respeito!!!”.
No início da noite desta segunda-feira, o diretor de marketing da Liesa, Gabriel David, revelou que há um mês se afastou da Liesa. Ele citou ter motivos particulares. Confira abaixo a publicação.
“Agora que a poeira baixou sobre toda polêmica dos ensaios técnicos e que tudo deu certo a partir da segunda noite. Eu só queria dizer que por motivos particulares eu me afastei da Liesa a cerca de um mês. Não abandonei o barco completamente e segui tocando poucas pautas a distância”, citou.
Gabriel David também falou sobre a organização dos ensaios técnicos e a transmissão ao vivo pelo canal Rio Carnaval, no YouTube.
“Para concluir, não participei da organização dos ensaios técnicos, apenas conclui a parceria com a Fita Amarela e o Milton Cunha para a transmissão. Enfim, que bom que no final todos saíram felizes e que assim possa ser ate o dia 10 de abril”, finalizou.
A direção da Liga-RJ que comanda a Série Ouro celebrou o primeiro fim de semana dos ensaios técnicos no Sambódromo. Passaram pela Avenida, no sábado, a Em Cima da Hora, o Império Serrano e a Lins Imperial. Confira abaixo o texto.
Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ
“Gratidão!
A LIGA-RJ só tem a agradecer pela primeira noite de ensaios técnicos no Sambódromo! Foi mágico!
Parabéns às escolas que passaram pela primeira noite. Parabéns aos sambistas que vieram prestigiar o evento, foi um prazer poder voltar a pisar no solo sagrado do samba!
Gostaríamos de agradecer imensamente ao presidente da LIESA, Jorge Perlingeiro, ao diretor de marketing, Gabriel David, ao diretor de carnaval, Elmo José dos Santos. Nosso agradecimento vai também para os incansáveis Edson Marcos, Gustavo Mostof e a toda a equipe da LIESA por toda a parceria, além de ter nos ajudado para que os ensaios fossem realizados.
Agradecemos também ao nosso querido amigo e parceiro, Almir Reis, presidente da Beija-Flor, por todo o suporte, ao Coronel Celso, ao Major Medeiros.
Agradecemos ainda a toda a equipe de segurança que nos auxiliou durante todo o evento, assim como a Guarda Municipal, CET-Rio, RIOLUZ, Polícia Militar, Centro de Operações do Rio, Águas do Rio e toda a imprensa.
Tivemos erros e acertos e já estamos trabalhando para melhorar ainda mais o evento para a próxima semana!
Por fim, agradecemos a vocês, sambistas! Sem vocês nada disso seria possível”.
Mais de 25 foliões foram ao Sambódromo na noite do último domingo para matar a saudade dos ensaios récnicos das escolas do Grupo Especial. O público cantou, sambou, agitou bandeiras e vibrou com as apresentações de Imperatriz Leopoldinense, São Clemente e Portela, que foram praticamente completas para a Avenida.
Foto: Divulgação/Liesa
Além do animado público da Passarela, milhares de pessoas assistiram à transmissão dos ensaios ao vivo pelo canal do Rio Carnaval no Youtube. O pico da transmissão registrou mais de 5.700 internautas conectados simultaneamente. O apresentador e comentarista Milton Cunha comandou o espetáculo. As entrevistas na pista foram feitas por Júlia Rodrigues, Laíza Bastos e Viviane Martins.
Permitido o acesso com alimento e bebida
O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, usou o carro-de-som para reafirmar que as pessoas estão autorizados a levar alimento e bebida para as arquibancadas e frisas, abertas ao público. Agradeceu a presença maciça de foliões e prometeu ensaios tão bons como os apresentados neste domingo para os próximos finais de semana. Para ter acesso aos setores de frisas e arquibancadas as pessoas tiveram que mostrar o comprovante de vacinação em dia, de acordo com o calendário da Secretaria Municipal de Saúde – o que também acontecerá nos ensaios dos próximos domingos.
Segunda agremiação da noite de domingo a ensaiar na Sapucaí, a São Clemente conquistou o público logo de início com a apresentação da sua comissão de frente, comandada pelo coreógrafo Junior Scapin. A coreografia dinâmica, teatral e muito expressiva deu show de irreverência e arrancou aplausos pelos setores onde passou. Tudo a ver com o homenageado da escola neste carnaval de 2022: o ator Paulo Gustavo, que sabia conquistar uma plateia como ninguém. Destaque também para a Fiel Bateria e para o carro de som de Leozinho Nunes e Maninho. O ensaio durou 60 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Todo o primeiro setor da São Clemente veio cantando forte o samba-enredo, com muita alegria e animação. As alas dos setores seguintes mantiveram a empolgação, executando um bom canto durante o ensaio todo, sem ninguém precisar ficar lendo a letra do samba.
“O canto da escola está muito bom, considerando que na avenida só tem um carro de som, o que você escuta na frente, que é justamente onde eu venho. Fizemos um ótimo aquecimento, ensaio técnico é para isso, ensaiar, apurar e melhorar para o desfile principal. Hoje foi um aquecimento, onde sem fantasia e alegoria, nós passamos. Já retomamos o gosto e o carinho de atravessar a passarela do samba, agora é aguardar um desfile maravilhoso da São Clemente para abril. Pela primeira vez, a São Clemente está com muita expectativa. Brigaremos para ficar entre as seis melhores”, prometeu Roberto Almeida Gomes, da direção clementiana.
O casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Pessanha e Jack Pessanha deu um show de simpatia e sincronia em sua apresentação. A coreografia construída em cima do samba-enredo foi muito bem executada pela dupla que se entende muito fácil, já que são irmãos. Jack esbanjou leveza em seus giros, enquanto Vinícius riscava o chão da Sapucaí nos 2m17s de exibição. Os dois estavam trajados inteiramente de preto. A saia da porta-bandeira chegou ao último módulo de desfile com parte do tecido arrastando na avenida, e enganchando no salto do sapato dela, o que não chegou a comprometer a belíssima passagem do casal clementiano.
“Pra gente é muito gratificante, emocionante. Depois de estar esse tempo todo parado e sem pisar na Sapucaí. Homenageando Paulo Gustavo e ao lado do meu irmão, agradeço a toda a nação clementiana por me dar a oportunidade de defender esse pavilhão. Nós estamos muito felizes e muito gratos pela oportunidade de estar aqui”, disse Jack.
“Costumo dizer que sou uma pessoa muito decidida, porque faço o que amo, no lugar que amo e com a pessoa que mais amo no mundo. É impossível não estar emocionado, é impossível não se emocionar com a nação clementiana, com esse samba e com Paulo Gustavo. Não preciso dizer mais nada, pois só minha alegria e minha ansiedade já basta por si só”, contou o mestre-sala.
E foi “mostrando a cara da nossa gente” que a São Clemente conquistou o público do Sambódromo. O samba-enredo funcionou muito bem entre os componentes, como também foi cantado pelas arquibancadas, especialmente nos refrões: “Dona Hermínia mandou avisar que pode…” e “São clementes aqueles que amam/ Que cuidam, que sentem…”. Os intérpretes Leozinho Nunes e Maninho, assim como todo o carro de som da escola, fizeram uma apresentação impecável, impulsionando o canto dos clementianos. O compositor Marcelo Adnet participou ativamente do ensaio.
“Eu achei o rendimento do samba maravilhoso, o povo cantando nas arquibancadas. O povo queria escutar o Paulo Gustavo e aí está ele com muito amor, alegria e irreverência. Tenho certeza que ele está lá de cima vendo a São Clemente muito feliz, assim como todo o povo que também está carente de felicidade, de samba. Tenho certeza que vai funcionar e será muito mais emotivo por conta dos carros alegóricos, fantasias, iluminação. O povo está esperando por isso há dois anos. Será emocionante e o samba vai render ainda mais do que hoje no ensaio”, afirmou Leozinho Nunes.
“Vamos vir com tudo. Nos preparamos muito para conseguir entregar um excelente desfile e se papai do céu abençoar, voltarmos entre as seis primeiras colocadas. É isso que o presidente tanto almeja e é o nosso objetivo esse ano. Foi um ensaio maravilhoso, a
escola veio muito bem. Como sempre, a bateria também se superou. A escola precisava de um momento como esse: cantar um samba que a arquibancada correspondesse da mesma forma. Agora vamos trabalhar mais e mais para que em abril possamos fazer um excelente desfile que é a nossa ideia”, completou Maninho.
A Fiel Bateria, de mestre Caliquinho, foi mais um dos pontos fortes da escola da Zona Sul carioca. Executando bossas elaboradas em cima da melodia do samba, os ritmistas passaram ‘tirando onda’ na avenida. Foi possível ouvir com clareza cada naipe de instrumentos durante a passagem da bateria. Raphaela Gomes reinou à frente da bateria e estava deslumbrante.
“Melhorar um pouco o andamento, o andamento que eu digo é a harmonia, mas foi bom pra caramba. O andamento no início tava muito rápido, mas deu pra levar e as bossas encaixaram certinho do jeito que a gente vem ensaiando, fazendo festa, fazendo apresentações em outras agremiações, aquele show que demos lá na Cidade do Samba, hoje foi a mesma coisa, falei pra galera tocar com alegria, descontraído. Somos uma escola que não tem apito do primeiro mestre até o último mestre, então deu pra levar, só vamos ter que ajustar algumas coisas, no dia vamos usar fantasia por exemplo, mas hoje é nota 10 pra bateria”, afirmou o mestre, que terá 270 ritmistas no desfile.
De modo geral a São Clemente mostrou uma boa evolução ao longo do ensaio. As alas vieram compactas na maior parte da avenida, dançando e “dizendo no pé”. O único deslize ocorreu na entrada da bateria no segundo recuo, quando os integrantes das alas que vinham a frente da bateria acabaram ficando muito ‘espaçados’ entre si, o que provocou um buraco. Depois disso a escola se acertou novamente, dando continuidade ao seu ensaio com muita alegria.
A ala dos passistas era uma das mais animadas, transparecendo muito samba pé. A frente da ala dos passistas, com uma fantasia toda preta, veio Thelma Assis, a Thelminha, ganhadora do BBB20, sambando e atraindo olhares do público. Foi uma exibição memorável da escola do bairro de Botafogo.
A empolgação estava nítida nos componentes da escola, de todos os segmentos. A São Clemente veio muito leve, alto astral e irreverente para homenagear “Paulo Gustavo pra sempre”. Tudo indica que o desfile será emocionante. A escola é a quarta a desfilar no dia 22 de abril, sexta-feira, com o enredo “Minha Vida É Uma Peça”.
Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Allan Duffes, Eduardo Frois, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Luan Costa, Ingrid Marins e Isabelly Luz
A Rosas de Ouro entrou no Sambódromo do Anhembi, na noite do útlimo domingo para o seu primeiro ensaio técnico em 2022 e com um canto forte dos componentes, harmonia e evolução fluíram, com a bateria conduziu a escola. O samba da cura funcionou entre comunidade e carro de som. A escola entrou com uma faixa com o principal trecho do samba: “Entenda que o samba também tem o dom de curar”. Foram vistos componentes representante diversas religiões, já uma mostra do que virá no desfile, inclusive, a presidente Angelina, representando Madre Teresa (foto).
Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP
Harmonia é o principal destaque
De ala a ala, a Rosas de Ouro cantou muito forte o samba-enredo ‘Sanitatem’, e passou com muita tranquilidade pelo Anhembi. Deu para sentir o astral, a empolgação e a leveza da escola neste retorno ao palco do samba. A escola fluiu muito bem no quesitoe também em a evolução. As alas fizeram coreografia, leve, em momentos fazendo o sinal de reza e fé, também utilizaram paradinha com aplausos e canto forte da comunidade.
Fica até difícil destacar uma ala, afinal, a roseira funcionou muito bem neste ensaio. Sem pedir que evolução e harmonia cobrassem rigidamente, a comunidade estava afiada. A ala Raça veio cantando, coreografando, assim como a D’Boemia mostrou. Ala das baianas também cantou, e na roupa alternaram algumas com branco e outras de rosa, contraste bonito.
O diretor de carnaval, Evandro do Rosas, comentou sobre o ensaio: “A gente sai daqui com o saldo positivo. Depois de dois anos praticamente parados. Hoje conseguimos juntar todos os segmentos. A gente deu um primeiro passo muito importante para aprimorar até o desfile. E o canto da escola me agradou bastante”.
Em outro momento, o diretor falou: “Temos que acertar um pouco a questão de evolução da escola. Mas que dá para se entender por conta de dois anos parados, primeira vez que a gente encontra o pessoal. Mas mesmo assim foi muito bom, mas a gente sabe que pode ser muito melhor, a escola pode render muito mais”.
Por fim, Evandro relatou o que pode melhorar: “Saldo positivo, bom, pode chegar no ótimo, dá para melhorar bastante. Mas é muito bom o que a gente fez aqui. A questão da parada com o recuo, a gente precisa acertar, pois é muita gente envolvida neste momento em setores diferentes da avenida, então são acertos pequeninhos para no dia passar perfeito na avenida”.
Mestre-sala e porta-bandeira
O primeiro casal da roseira, Everson Sena e Isabel Casagrande, mostrou desenvoltura e entrosamento ao carregar o pavilhão, cumprindo os requisitos em cada módulo. Fizeram seu bailado vestindo dourado, vermelho e laranja. Simularam apresentação para todas as cabines, e foram aplaudidos pelo público presente no ensaio. Um momento legal, mas antes de entrar na pista, foi a união dos mestres salas e porta bandeiras na concentração. Misturaram os pavilhões, deram as mãos e fizeram uma dança entre eles.
A porta-bandeira Isabel Casagrande fez uma análise sobre o primeiro ensaio neste retorno: “Fazia tempo que a gente não fazia esse ensaio técnico geral e tem bastante que coisa que precisamos ajustar. Hoje a gente pode errar, mas no dia do desfile, não. Porém, o que pesa mesmo é a resistência. Muito tempo parado, judiou de nós. Eu não me daria 10, mas estamos no caminho dos 40”.
Enquanto o mestre sala também elogiou desempenho, Everson Sena avaliou: “Acho que a gente veio bem. A fantasia ajudou para ajudar na resistência e então depois de dois anos, sentir o chão da escola no Anhembi, faz toda diferença para nós. Então, eu acredito que foi interessante, mas no próximo, com certeza vai ser melhor. A partir de segunda-feira, a gente começa os ensaios técnicos aqui no Anhembi. Já ajuda a gente entender e sentir o chão”.
Samba-enredo pegou
Neste primeiro ensaio, a escola mostrou que o samba-enredo tende a funcionar. Com uma temática muito atual, rituais de cura, foi cantada da concentração até a dispersão com muita força dos componentes. O carro de som comandado por Royce do Cavaco também desenvolveu sua parte positivamente. O começo do samba é o que chamou mais atenção: “Vem celebrar, é festa no terreiro Tem Identidade, meu batuque curandeiro Saudade de te abraçar Rosas, a mais linda flor num gesto de amor”.
Royce do Cavaco avaliou o primeiro ensaio técnico: “A atmosfera foi muita boa. O samba ajuda, a bateria é sensacional, estamos com o carro de som redondo, é só acertar algumas coisas e, na minha humilde opinião, foi muito bom. É um samba que saiu da mesmice. Buscou um caminho diferente, tanto em letra, como em melodia e abusou de um artifício que é subida lá no ‘coqueiro’ da melodia e descidas lá embaixo. A gente tem que ter muito cuidado e muita inteligência para subir no agudo e descer no grave”.
De domingo a domingo, a Rosas saiu do ensaio de rua para o do Anhembi, e o intérprete relatou: “Aqui no Anhembi é tudo diferente da quadra, porque não se tem visão da evolução e de comunhão. Muitas alas ensaiam até fora, mas aqui na passarela chegam mais pessoa. Isso é Roseira”.
Bateria
A bateria comandada por mestre Rafa brincou na avenida. Como o mesmo disse em conversa na última semana na quadra: ‘é uma bagunça organizada’. E foi justamente isso, um show à parte. Em alguns momentos na última estrofe do samba, os ritmistas agachavam, e depois levantavam. Também em um determinado momento, acendiam uma espécie de sinalizador no meio da bateria.
De modo geral junto com a harmonia, foi ponto alto da escola. Souberam fazer o que pede o regulamento, e junto trouxeram entretenimento para a escola, público, ou seja, muito bem conduzido com seu ritmo e realizando ao menos quatro bossas. A rainha Ana Beatriz Godoi estava toda de dourado e reinou. E, atrás da bateria, jovens com roupa clara, com pintura semelhante a indígena, maioria de mulheres. Só um detalhe é a movimentação dos componentes, que acaba sendo bem interativa entre a própria bateria e a escola, mas que acaba chamando atenção do diretor de carnaval relatado a cima.
Mestre Rafa fez sua análise: “Foi bacana. Pequenos detalhes mesmo. Coisa bem básica assim para arrumar. A gente conseguiu entregar 95% do que a gente queria, que a gente vem ensaiando, afinal de contas são dois anos ensaiando. Tinha uma obrigação de apresentar um bom trabalho no meu ponto de vista. Se a minha comunidade, meus ritmistas, minha diretoria está feliz, eu estou feliz também e satisfeito, completo. Porque na hora que passamos naquela faixa amarela ali a gente vê no olhar de cada um, no sorriso de cada um, a gente vê que entregou um trabalho, as pessoas parabenizando, e isso para nós é sem preço, independente de nota. Nota é muito importante mas o reconhecimento do povo é “fo..”, não tem preço”.
O comandante da “Bateria Com Identidade” que contou com componentes de pintura facial no estilo indígena. “No geral a escola pode cantar mais. O andamento da escola, de evolução, deu uma oscilada. Isso eu posso fazer porque a gente andou rápido, um pouquinho devagar, mas é tudo detalhes que a gente tem que ajustar. Na bateria mesmo hoje, no meu ponto de vista eu não vi muita coisa. Agora eu vou conversar com meus diretores, com a rapaziada, e no mais o que senti assim foi 95% mesmo, pouquíssima coisa. O único problema mesmo foi lá no começo mesmo, na chamada, na hora que começou mesmo deu aquela “rateada”, mas a gente contornou e veio tirando onda, do jeito que a gente gosta”.
Por fim, mestre Rafa disse o ponto máximo do ensaio: “A energia da rapaziada. Não vou nem fala de bossa grande, nem de nada. A energia deles, a energia da rapaziada, do meu povo. A energia deles é tudo para mim, a troca de energia que a gente tem é foda. Esse é o ponto forte da Bateria com Identidade”.
Evolução
Como citado acima, a evolução da Rosas de Ouro funcionou dentro do que é pedido no regulamento. Fez um desfile dentro do tempo, sem correr, pelo contrário, passou com muita tranquilidade e harmonia. A comissão de frente veio de branco, com emblema da Rosas nas costas uma apresentação protocolar e discreta, deixando o mistério maior para o dia do desfile…
Outros pontos
A escola teve presença da musa Thais Bianca que veio com uma fantasia que chamou muito atenção. No início interagiu bastante com a bateria, depois esteve de destaque de chão. Outra destaque é a passista do Salgueiro, e musa da Rosas, Fernanda Catanoce. A ex-BBB, Munik Nunes também esteve presente com um visual colorido. Temos que destacar a presidente Angelina Basílio, vestida de Madre Teresa, e mostrou muita força no antes e depois do desfile no recado dado para a comunidade. Ou seja, a escola teve caracterizações ao tema, teve pessoas ligadas as diversas religiões entre musas e destaques que estarão nos carros alegóricos. A roseira contou com a força da torcida que marcou presença, acendeu sinalizadores, tremulou bandeiras, e foi onde a escola mais mostrava empolgação.
Os Gaviões da Fiel fizeram seu primeiro ensaio técnico na tarde do último domingo (13), no Sambódromo do Anhembi. Se preparando para o desfile oficial, a “Torcida que Samba” será a segunda escola a se apresentar no dia 23 de abril. Quesitos muito fortes da agremiação, a bateria Ritimão ditou a trilha da marcante dança do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Wagner Lima e Gabriela Mondjian. Por outro lado, a Harmonia precisará trabalhar nos componentes das alas a intensidade da transmissão do recado que seu forte enredo exige.
Apostando em uma composição de alas mais convencional, houve um grande esforço dos diretores em alavancar os ânimos dos desfilantes, que em geral pouco cantaram e atendiam a comandos, ao mesmo tempo que se preocupavam em não desacelerar a evolução. A ala “Luta Indígena” se destacou positivamente, com pessoas cantando forte e bem animadas por todo percurso. Será importante para a escola dar uma chacoalhada no seu pessoal para o próximo ensaio.
Thiago Dionísio, diretor de carnaval dos Gaviões, fez uma análise do ensaio. “É o carnaval da vida, é um ano atípico e está bem diferente. Foi difícil trazer o componente, apesar de toda essa fase de pandemia. Hoje, trouxemos quase 700 componentes e, com chuva e todas as barreiras, fizemos um ensaio limpo. A gente espera na semana que vem fazer um ensaio melhor para 2022, passar muito bem”, disse.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Falando em chuva, a mesma não foi capaz de tirar o brilho do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira dos Gaviões. Com roupas deslumbrantes e muita disposição, Wagner e Gabriela deram grande mostra de vigor e entrosamento em sua dança magistral, e saíram muito satisfeitos do ensaio. Os guardiões do pavilhão alvinegro não esconderam a satisfação com seu desempenho na avenida.
“Como teve a pandemia, a gente vem em um trabalho árduo desde outubro. Pela volta do Anhembi, emoção, psicológico, a saudade do Anhembi, acho que foi a nossa volta, foi mais que a nossa expectativa. A gente supriu tudo, nosso desenho de pista foi perfeito e só tende a melhorar. O clima do Gaviões também ajudou. Foi perfeito nosso rendimento”, disse Gabriela.
“Mesma opinião da Gabi. É difícil vir nesta pista quando tá molhado, é perigoso. A gente deu uma economizada, mas a emoção tira o que se tem de segurança, e deixa o coração levar. Mas foi um ensaio bem produtivo. Tirando depois de um tempo enorme da pandemia. Conseguimos o desenho que a gente colocou no papel, desenhamos na pista. Estamos felizes neste primeiro ensaio”, completou Wagner.
Sobre acertos a serem feitos, a dupla apontou pequenos detalhes a serem aprimorados. “Coisas mínimas, coisas que todos os casais passam. Questão mais de limpeza de movimento, mas coisa muito pouca. Como a gente já está em reta final do carnaval, nosso trabalho já está pronto. Só limpar uma coisa ou outra, mas não é nada grave não”, analisou a porta-bandeira. “A gente é chato, somos dança. Para nós nunca está perfeito tudo, mas de 100%, a gente está 9,9 de se acertar algumas coisas, é tudo detalhe, dança é tudo detalhe. Então esse detalhe a gente deixa que teve surpresinha. Nem tudo que está papel a gente desenhou na pista”, ressaltou o mestre-sala.
Contagiados pela alegria de estarem de volta ao Anhembi, o casal apontou seus momentos preferidos do ensaio. “(A arquibancada) Monumental com certeza. É onde a gente pega energia da nossa torcida. A energia corintiana. A gente bota na pista, em cima do trabalho”, exaltou Gabriela. Tirando o monumental que é a nossa raiz, a gente saiu da torcida. Então a gente vê a festa na arquibancada, a festa nos nossos corações a mil. A volta de tantos, amigos e familiares que se foram nesta pandemia, mas está de volta aqui com saúde, fazendo o que ama e ver nosso pavilhão tremular é uma enorme satisfação”, completou Wagner.
Samba-enredo
O samba, que é a trilha sonora do enredo tão marcante da Fiel Torcida, casou perfeitamente com o gabaritado time de canto. Uma união primorosa de samba e bateria se fez presente. Considerado por muitos um dos melhores sambas do ano, esse deve ser um quesito com o qual a escola não precisará se preocupar.
Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP
Lenda viva do carnaval de São Paulo, o intérprete Ernesto Teixeira avaliou positivamente o desempenho do samba dos Gaviões. “Da onde estou ali, foi tudo maravilhoso. É claro que iremos ver as gravações agora para analisar direitinho o canto da escola, que eu acredito ser tudo 100%. Mas tenho que falar ali do ambiente que eu vivo, que é a bateria e as alas que passam na frente da gente, próximo ao recuo. Gaviões vem para fazer um grande desfile. E a gente foi muito feliz no enredo. O enredo é atual, é o que enredo que o povo tá clamando, a gente está caminhando para uma guerra. E a gente tem que protestar contra tudo isso. O carnaval é uma fonte para a gente mudar o mundo”, exaltou o cantor.
Sobre os pontos a serem acertados, Ernesto explicou as diferenças entre ensaio e desfile oficial para valorizar o desempenho da escola. “De som a gente precisa esperar. Aqui é um ensaio técnico, é só um carro de som, como eu disse, a gente precisa pensar tudo com positividade. Hoje todo mundo estava aqui depois de anos, com todo mundo parado, sem poder pisar no Sambódromo. Não tem nada para melhorar. Hoje aqui foi aquele 100%, positividade total, a gente analisa e para o próximo vê como vem”.
Sobre o que mais gostou de ver nesse ensaio, a voz dos Gaviões exaltou a presença da comunidade. “Presença do povo. Ver gente na rua, bateria tocando. E esse carinho do povo no final, abraçando, tirando foto”, concluiu.
Bateria
A Ritimão mostrou no Sambódromo que nem mesmo os dois anos longe da avenida foram capazes de comprometer um dos melhores quesitos historicamente dos Gaviões da Fiel. Com uma apresentação irretocável, repleta de bossas de alto nível, as chances de alcançar os 40 pontos na apuração são muito boas. Grande destaque para o retorno poderoso e sem desandar no momento em que os ritmistas param de tocar nos versos finais do samba. Se bem trabalhado, levantará o público no dia do desfile principal ao som dos seus 220 comandados. Encarregado de liderar essa respeitável equipe, mestre Ciro Castilho falou da importância de se tirar o peso da ansiedade das costas ao falar de suas impressões sobre o ensaio.
“Gostei bastante. Todos nós estávamos ansiosos depois de tanto tempo sem vir pro Anhembi. Acho que foi bom pra tirar a ansiedade. E agora semana que vem fazer o nosso último (ensaio) que será o segundo último geral. Acertar alguns detalhes e se Deus quiser vir bem pra avenida pra trazer a nota”, disse.
Projetando o segundo ensaio no Sambódromo que será já no próximo sábado, Ciro demonstra despreocupação com acertos a serem feitos. ”Sempre dá pra melhorar alguma coisa. Acredito que tenham algumas coisinhas pra melhorar. Mas no geral foi bacana, foi importante esse ensaio depois de tanto tempo. Semana que vem vamos com tudo. O ponto alto é a garra de sempre dos Gaviões. Esse casamento com a ala musical que a gente está achando bem interessante esse ano. Estamos com uma expectativa boa pro desfile”.
Evolução
O quesito que é bastante técnico teve uma atenção especial dedicada de toda equipe da escola. O rigor foi explícito, com comandantes das alas observando cautelosamente os espaços entre cada conjunto de alas. A rigidez das exigências pode garantir uma evolução nota 10, mas por outro lado pode ter influenciado o pouco vigor visto em boa parte das alas dos Gaviões. Deixar o componente mais solto, curtindo o desfile, é algo que pode ajudar a dar aquele gás que se faz necessário na hora de se apresentar para valer. A ala da Luta Indígena, citada no começo do texto, pode ser um bom exemplo a ser seguido por toda escola.
Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP
Os passistas e destaques de chão da escola mostraram a determinação que se espera desse enredo tão esperado que será apresentado no Anhembi. Uma observação interessante a ser feita é o número expressivo de componentes dentro dos espaços delimitados para os dois primeiros carros alegóricos da escola. Seria uma herança deixada por Paulo Barros, que iniciou o projeto? Eis um mistério a ser desvendado até o grande momento de cruzar a passarela do samba.
Outros Destaques
A comissão de frente é um quesito que nos últimos carnavais tem sido grande destaque da escola pelo impacto causado em todos que assistem. Com um enredo tão poderoso é de se esperar que não seja diferente, e nesse ensaio tivemos uma amostra do que será apresentado. Ainda será preciso aprimorar o encaixe que cada elemento cenográfico usado pelos dançarinos fará, mas não parece ser algo com o qual a escola tenha que se preocupar. Na dramatização está explícito o esforço dos componentes em transmitir o recado do enredo, podemos esperar um grande desempenho vindo por aí.
Os Gaviões da Fiel têm tudo para fazer uma excelente apresentação. Os pontos negativos são solucionáveis e, conforme a hora for chegando, a disposição de toda comunidade tende a aumentar. O grito de “Basta!”, que é o enredo da escola, tem tudo para ser cravado nos corações de quem comparecer ao Anhembi no dia 23 de abril. A hora da luta está chegando, e é o momento certo de fazê-la sair do papel.