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Análise da bateria da União da Ilha no desfile

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A Baterilha dos Mestres Keko e Marcelo fez uma grande apresentação. A afinação de surdos proporcionou uma base de sustentação rítmica sólida, fazendo com que o balanço formidável dos surdos de terceira fosse percebido. As caixas de guerra com acentuação rítmica característica tocaram de forma ressonante. O complemento das peças leves se deu de modo sublime.

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A ala de tamborins produziu uma sonoridade coesa exemplar. O naipe de chocalhos ecoou com firmeza, dando volume a cabeça da bateria. As paradinhas tem alto grau de complexidade e uma concepção musical acima da média. A utilização de um sino em duas bossas tocado por Mestre Keko empolgou o público, além de contar visualmente com a simpatia dos jurados.

A subida identitária na cabeça do samba em forma de breque acrescentou valor sonoro a apresentação da bateria da União da Ilha. A execução das paradinhas nos módulos de julgadores ocorreu de forma precisa. Infelizmente no último módulo de julgador, com o tempo próximo do estouro, a apresentação contemplou somente uma paradinha, com a bateria seguindo adiante para encerrar seu desfile.

Análise da bateria do Porto da Pedra no desfile

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A bateria Ritmo Feroz do excêntrico Mestre Pablo fez uma ótima apresentação. A boa afinação de surdos serviu de base para o ritmo. O swing proporcionado pelos surdos de terceira embalaram a bateria da Unidos do Porto da Pedra, inclusive utilizando duas macetas nas paradinhas. O acompanhamento das peças leves auxiliou a preencher a musicalidade. A ala de chocalhos desfilou com uma só fila na cabeça da bateria e os demais ritmistas perfilados dentro cozinha.

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O naipe de tamborins executou o desenho rítmico de forma segura, com coesão e produzindo uma sonoridade notável. A convenção rítmica dos agogôs também merece menção positiva, se baseando nas nuances da obra. As bossas foram executadas com precisão, mesmo possuindo grau extremo de dificuldade. Tudo com uma concepção musical marcada pela complexidade e pautada pela ousadia rítmica.

A paradinha de maior destaque sonoro foi a do refrão do meio, onde era possível ouvir um solo envolvente de ritmistas que tocaram timbal. O timbal, inclusive, tem participação fundamental na musicalidade da bateria, assim como em bossas. As apresentações da bateria da Porto da Pedra nos módulos de jurados ocorreram sem problemas evidenciados da pista de desfile.

Análise da bateria da Unidos da Ponte no desfile

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A estreia de Mestre Branco Ribeiro na bateria Ritmo Meritiense foi excelente. A boa afinação de surdos foi notada. Marcadores tocaram com firmeza, ditando o andamento do samba. O arranjo musical envolvendo os surdos no final da primeira do samba propiciou uma fluidez musical, tudo pautado na melodia do samba.

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O balanço produzido pelas terceiras merece menção positiva. O acompanhamento de peças leves ocorreu de forma sólida. A ala de tamborins executou a convenção rítmica de modo preciso, produzindo bom volume e agregando na musicalidade da bateria da Unidos da Ponte. Chocalhos tocaram de forma firme, assim como cuícas e agogôs auxiliaram no preenchimento musical do ritmo.

Foi possível notar a bateria tocando de forma mais leve na segunda, valorizando ritmicamente os traços melódicos do samba da Ponte. As paradinhas aliaram concepção musical acima da média, além da execução irretocável de frente para os jurados. As passagens da bateria pelos módulos de julgadores aliou precisão, boa musicalidade e certa ovação popular.

Análise da bateria da Em Cima da Hora no desfile

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A bateria Sintonia de Cavalcante de Mestre Wando fez uma boa apresentação na abertura dos desfiles. Surdos de terceiras deram balanço ao ritmo, além de executarem paradinhas usando duas macetas. As frigideiras no meio da bateria acrescentaram molho, ampliando a sonoridade. Agogôs executaram o desenho rítmico pautados pela melodia do samba. Cuícas corretas preencheram a musicalidade com solidez, bem como a ala de chocalhos segura deu valor sonoro ao ritmo da bateria da Em Cima da Hora.

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O naipe de tamborins executou o desenho rítmico com limpeza e exatidão, dando bom volume à parte de frente do ritmo. As paradinhas tiveram boa execução em frente aos módulos de julgadores. Assim como as passagens pelos julgadores ocorreram sem problemas evidenciados na pista de desfile.

A bossa principal da escola, que era mais extensa, foi desmembrada em outras duas, configurando um acerto musical que proporcionou dinamismo ao som produzido pela bateria da tradicional Em Cima da Hora. O destaque musical acabou sendo a paradinha com alusão à batida funk.

Análise da bateria do Cubango no desfile

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A bateria Ritmo Folgado (RF) de Mestre Demétrius fez uma apresentação muito boa. A afinação privilegiada de surdos deu sustentação e amparo musical aos demais naipes. O bom balanço dos surdos de terceira foi notado. O toque destacado das caixas de guerra da bateria da Cubango serviu como base rítmica. O acompanhamento das peças leves auxiliou no preenchimento da sonoridade, elevando a qualidade do ritmo.

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Uma ala de tamborins com toque chapado, limpo e ressonante foi conduzida por um diretor de impressionantes quinze anos de idade. Tudo sincronizado com um naipe de chocalhos que tocou de forma firme e segura. As paradinhas misturaram complexidade de execução e boa concepção musical. A execução das bossas nos módulos de julgadores esteve ritmicamente impecável.

As passagens da bateria da Cubango por todos os jurados foram consistentes e equilibradas. O destaque musical ficou com a paradinha com solo de atabaques e agogôs de duas campanas (bocas), tanto pelo som quanto pela proposta cultural. Os atabaques tocavam com baquetas, o que remete ao Aguidavi, vareta de aspecto sagrado para percussão nos rituais de Candomblé.

Fotos: desfile do Porto da Pedra no Carnaval 2022

Ponte estoura tempo e evolução apresenta problemas em desfile irregular

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Terceira escola a pisar na Sapucaí na primeira noite de desfiles da Série Ouro, a Unidos da Ponte apresentou um desfile irregular, alternando bons e maus momentos. Com problemas de evolução e erro na apresentação do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Emanuel Lima e Camyla Nascimento, a escola meritiense atravessou a pista em 56 minutos, um a mais que o permitido no regulamento. Outrora criticado, o samba da escola apresentou desempenho satisfatório na avenida. * VEJA FOTOS DO DESFILE

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Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O desfile da escola começou com certo atraso, devido ao acidente ocorrido na dispersão da Em Cima da Hora, o que pode ter ocasionado um certo esfriamento nos componentes. Em seu esquenta, a Unidos da Ponte relembrou sucessos antigos, como “Oferendas” e “Eles verão a Deus”.

Comissão de Frente

Coreografada por Valci Pelé, a Comissão de Frente da Unidos da Ponte veio representando o “O Anjo Bom da Bahia”. O grupo contava com 11 componentes homens e 4 mulheres, sendo uma representante da própria homenageada do enredo, Irmã Dulce, com as vestes características da mesma. Além da homenageada, outros integrantes da comissão representavam os desfavorecidos, com quem a Santa sempre teve relação, ao longo da vida.

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Na apresentação, a Comissão de Frente da escola meritiense apostava na dramaticidade, com uma apresentação muito expressiva, na busca de impactar pela emoção. Os desfavorecidos faziam gestos expressivos que remetiam a sofrimento e fome, sendo esses ajudados pela componente que representava a Santa Dulce. O ponto alto da coreografia ocorria quando quatro componentes, anteriormente vestidos com tiras de saco plástico pretas, se transformavam em anjos, com uma bela roupa branca brilhosa e abriam as asas. Além disso, ao final da apresentação, a Irmã Dulce saia pelo alto do tripé, com luzes de led nas mãos.

Entretanto, no desenrolar da apresentação da Comissão, ao longo da avenida, ocorreram algumas falhas de execução na coreografia. No setor 6, a sanfona carregada pela Irmã Dulce, em um dos momentos da coreografia, ficou presa na porta do elemento cenográfico. Na última cabine, na hora da troca de roupas dos anjos, a asa de um dos componentes agarrou e não abriu.

O elemento cenográfico trazido pela Comissão, um barraco de palafitas que, no final se transformava em uma igreja, se mostrou bastante funcional na ideia. Porém, ao longo das apresentações, a cruz da igreja foi tombando para trás.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Ponte, Emanuel Lima e Camyla Nascimento, vestia uma bela fantasia em tons de branco com bege, que representava a santíssima trindade cristã, “Em nome do pai, do filho e do espírito santo”. Emanuel, que era o segundo mestre-sala da escola, assumiu o posto principal há poucos dias do desfile oficial, já que o antigo ocupante da posição, Yuri Souza, sofreu um acidente.

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A dupla, que já desfila junta como segundo casal da Portela, no Grupo Especial, fez uma apresentação bem irregular ao longo da avenida, com falhas na execução. Logo na primeira cabine, do setor três, a mais grave das falhas, na qual a porta-bandeira se desequilibrou e caiu, na frente dos jurados. Nas outras cabines, talvez devido ao ocorrido, o casal apresentou certa insegurança na execução dos movimentos, com algumas falhas na sincronia.

Harmonia

A Harmonia da Unidos da Ponte também apresentou desempenho irregular na Avenida Marquês de Sapucaí, com muitas alas passando com componentes mudos ou cantando apenas o refrão do samba. Além disso, a escola apresentou certo esfriamento na avenida, talvez pelo atraso no início do desfile. De destaque positivo no quesito, a ala 18 da escola da Baixada, que representava “A Bahia de Todos os Santos”, com muita animação e cantando o samba.

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O carro de som da escola de São João de Meriti, capitaneado por Charles Silva, teve bom desempenho na avenida. Os cantores conseguiram dar animação ao samba da Ponte, apesar de sua característica muito melódica, como em forma de oração.

Enredo

Com o enredo “Santa Dulce dos Pobres- O Anjo Bom da Bahia”, a Unidos da Ponte propunha contar a história de Irmã Dulce, baiana canonizada recentemente pela Igreja Católica. Ao longo do desfile, o enredo da escola mostrou uma certa dificuldade de compreensão, com algumas alas, sobretudo a partir do segundo setor, dando um certa “embolada” no enredo, perdendo um pouco da linearidade da história a se contar.

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Evolução

O quesito evolução foi mais um problema para a escola meritiense. Com os carros apresentando alguns problemas de condução na pista, a escola alternou momentos muito parada, com buracos e momentos de correria.

No setor 4, o abre-alas da escola travou na pista, precisando ser empurrado por diversas pessoas. Com isso, as baianas avançaram, abrindo buraco na frente do módulo de julgadores.

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No fim do desfile, mesmo sem a bateria entrar no recuo, devido aos momentos em que ficou excessivamente parada, a escola precisou apertar o passo e correu. Mesmo assim, no fechamento do portão, a Unidos da Ponte ultrapassou um minuto do tempo máximo permitido.

Samba

O samba da Unidos da Ponte, composto por Diego Nicolau, Richard Valença, Sandra de Sá e parceiros, teve bom desempenho no desfile da escola da Baixada. Apesar de sua característica mais “pra baixo”, a obra conseguiu sustentar o desfile da escola durante todo o tempo. O refrão principal da escola, sobretudo o trecho com referência mais clara à homenageada do enredo, “Santa Dulce dos pobres, Maria”, foi bem cantado na avenida.

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Fantasias

As fantasias da Unidos da Ponte também mostraram certo desnível entre si, ao longo da avenida, com algumas alas contrastando fantasias com soluções mais elaboradas, como a ala do Sagrado Coração de Jesus e outras mais simples, como a segunda ala, “O vaso escolhido por Deus”.

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Outra fantasia a se destacar foi a da ala das baianas da Unidos da Ponte, representando o ingresso de Irmã Dulce na congregação das Irmãs Missionárias, com uma bela roupa em tons de laranja e amarelo e a imagem de uma santa na saia. A ala das passistas de escola da Baixada Fluminense representou as “Pombas da Paz”, na Avenida Marquês de Sapucaí.

Alegorias

As alegorias da Unidos da Ponte, de forma geral, apresentaram bom nível no desfile, sobretudo se contrastadas com o último desfile da escola, em 2020. Ainda assim, algumas falhas de acabamento podiam ser notadas na pista.

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O abre-alas da escola, representando os primeiros contatos de Irmã Dulce com a religião, majoritariamente em tons de dourado, com belas composições, sobretudo os elementos que representavam Jesus Cristo, com muita teatralidade nos gestos.

A segunda alegoria, “Estenda as Mãos para Acalentar os Filhos Teus”, representava o início do trabalho social de Irmã Dulce, no subúrbio da cidade de Salvador, onde a santa chegou a transformar um galinheiro em hospital.

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A última alegoria, representando “A Bênção Senhora de São Salvador”, que aborda a canonização de Irmã Dulce, com referência a cidade de origem da homenageada e representa a pluralidade de religiões. No carro, os carnavalescos da escola fizeram uma homenagem ao ator Paulo Gustavo, falecido em decorrência da Covid-19, que era devoto da santa e doador para o mantimento das Obras Sociais da Irmã Dulce. Entretanto, nessa alegoria, ocorreram as principais falhas de acabamento, com uma escultura passando, inclusive, com a cabeça “amassada”

Outros destaques

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A bateria da Unidos da Ponte, comandada por mestre Branco Ribeiro, representou Santo Antônio, de quem Irmã Dulce era devota. Os ritmistas estavam com uma roupa de fácil leitura e comunicação com o público, devido a popularidade do santo. Ao longo da avenida, na realização de uma das bossas, era lançada uma “chuva de fogo” no meio dos ritmistas.

Porto da Pedra traz importante morada de Xangô em alegoria

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PP Aleg03Com a segunda alegoria representando “Morada de Xangô”, que fala sobre o Ilê Axé Opô Afonjá, a casa da força de Xangô. Com esculturas do orixá e de seus 12 obás, o carro alegórico veio com detalhes em vermelho, branco e dourado como cores predominantes.

Axé! É o que se aplica no significado do segundo carro da Porto da Pedra. Com um trecho do samba dizendo: “Seis para defender, seis para julgar”. Houve uma cisão com o Candomblé da Barroquinha e o Candomblé da Boa Morte, e Mãe Aninha foi quem fundou o Opô Afonjá. Dividindo o poder masculino dentro do terreiro, ela criou o ministério de Xangô tendo 12 ministros.

Para um dos componentes da alegoria, o artista plástico Gustavo Trelling, de 33 anos, desfilar na Porto da Pedra é uma grande felicidade. Com a fantasia representando guerreiros africanos, ele explica sobre a sua função no carro: “Venho como guerreiro africano. Aqui estamos em quatro semi-destaques e um destaque central”.

PP aleg02Animados, era isso que definia o estado dos integrantes que estavam neste carro alegórico. A energia que emanava dos mesmos estava muito forte e a administradora Marcele Bizzo, de 36 anos, era uma dessas pessoas. “A mistura de culturas, a energia do espírito carnavalesco é algo imprescindível e muito legal de se ver também”, conta a integrante. A fantasia da administradora representava a realeza de Xangô.

A tradição dos 12 ministros de Xangô se mantém no Axé Opô Afonjá até hoje. Em entrevista para a equipe do site CARNAVALESCO, a professora de indumentária da Escola de Belas Artes da UFRJ, Samile Cunha, de 61 anos, é destaque da alegoria “Morada de Xangô” e vem representando uma ekedi de Xangô.

Ela revela o conhecimento sobre os ministros de Xangô: “Temos vários artistas e escritores que foram ministros do orixá. Muniz Sodré, Iltásio Tavares que faleceu recentemente também era ministro de Xangô e intelectuais ao longo de todo o século que foram ogãs”.

Ala das baianas da Porto da Pedra traz para a avenida o axé de Mãe Menininha de Xangô

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PP Baiana01A Unidos do Porto da Pedra levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Caçador que traz alegria”, que retrata a trajetória da líder religiosa e defensora da cultura negra: Mãe Stella de Oxossi. Quarta escola a desfilar nesta noite de quarta-feira, a Vermelho e Branco de São Gonçalo tem as mesmas cores do Ilê Axé Opô Afonjá, o terreiro de Mãe Aninha de Xangô, responsável pela iniciação de Mãe Stella nas tradições do Candomblé.

Mãe Aninha de Xangô é a matriarca do Ilê Axé Opô Afonjá e foi representada na ala das baianas da Porto da Pedra. A yalorixá dedicou boa parte de sua vida ao sagrado, à família e às questões sociais, servindo de inspiração para a trajetória de Mãe Stella, a grande homenageada da escola neste carnaval.

Maria Inês, de 69 anos, aposentada, contou ao site CARNAVALESCO que começou a desfilar como baiana da Porto da Pedra há 20 anos. Ela revela um pouco da emoção de estar de volta à avenida do samba: “Pra mim tá sendo ótimo, voltando a sair de baiana depois de quatro anos sem desfilar. A fantasia é uma maravilha, levíssima. Vai dar pra evoluir legal”.

PP Baiana02A indumentária das senhoras da Porto da Pedra trazia tons quentes de vermelho e laranja sobre o tecido branco. Formas geométricas tribais faziam parte das saias, remetendo à temática afro. Nas costas, um esplendor com penas artificiais em degradê vermelho e branco, as cores da escola. No chapéu, as baianas carregavam ainda muito brilho em aljofre vermelho e dourado, com pedrarias vermelhas no centro.

Maria Hilda, de 81 anos, empregada doméstica, estava empolgada para representar Mãe Aninha de Xangô na passarela do samba, depois de dois anos de pandemia de covid-19. “Desde criança eu sempre gostei de brincar de carnaval. Com essa epidemia a gente ficou triste em casa, não podia fazer nada. Só morrendo gente… Agora que deu uma treguazinha, a gente aproveita”, confessou Maria, que desfila na escola há 5 anos.

Sônia Costa, 70 anos, enfermeira aposentada, veio de São Paulo especialmente para desfilar de baiana na Porto da Pedra. “Acho maravilhoso, porque eu sou do candomblé, sou filha de Oxóssi. Então pra mim está sendo uma benção, um axé muito grande”, revelou a baiana da escola, que disse ainda estar confortável com o peso da fantasia.

Mestre Pablo desfila de tigre guerreiro à frente da bateria da Porto da Pedra

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Pablo02A Unidos do Porto da Pedra foi a quarta agremiação a desfilar nesta noite de quarta-feira pela Série Ouro do carnaval carioca. O tigre de São Gonçalo levou para a avenida o enredo “Caçador que traz alegria”, contando a história da líder religiosa e defensora da cultura negra: Mãe Stella de Oxossi.

O primeiro setor do desfile, chamado “Assim aconteceu o encantamento”, falou da iniciação de Mãe Stella nas tradições do candomblé. A bateria Ritmo Feroz, comandada por mestre Pablo, veio representando os ogãs, que são responsáveis por diversas funções nos terreiros, entre elas o bom andamento do xirê, da roda e da dança.

Mestre Pablo, que costuma vir caracterizado em algum personagem na avenida, estava inteiramente fantasiado de tigre guerreiro. A indumentária utilizada por ele teve direito a garras nas unhas, maquiagem facial realista com bigode e até dentes de felino. O corpo da fantasia do mestre era de pelúcia laranja com detalhes em branco, imitando com fidelidade a pele rajada de um tigre.

“É uma mistura de tigre guerreiro com o tigre de Oxóssi, que eu vou estar lançando flechas na avenida. Eu liguei pra minha carnavalesca e falei que eu queria fazer parte do enredo, queria que representasse a comunidade de São Gonçalo… Ela sugeriu essa roupa, eu achei super massa e abracei a ideia”, revelou mestre Pablo.

Pablo01Ele contou ao site CARNAVALESCO que apesar do processo de confecção da fantasia ter sido demorado, valeu a pena por conta do resultado final do figurino apresentado na passarela do samba.

“Hoje foi rápido, mas foram quatro dias seguidos… Um dia só para montar a roupa, outro dia para (montar) a espuma, outro dia para pintar. Meu maquiador Jorge Abreu foi muito feliz na escolha do figurino”.

Ao lado de mestre Pablo, a rainha de bateria Tati Minerato desfilou com a fantasia Agbara, representando a potência e a força necessária para os ritmistas dobrarem o couro dos instrumentos de percussão. A Porto da Pedra busca o retorno ao Grupo Especial do carnaval carioca após 10 anos.