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Série Barracões: Inocentes de Belford Roxo e ‘A Meia-Noite dos Tambores Silenciosos’

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A Inocentes de Belford Roxo vem de um carnaval que empolgou todos que estavam na Marquês de Sapucaí. Com um enredo desenvolvido por Jorge Caribé, homenageando uma das melhores jogadoras de futebol feminino no mundo, a rainha Marta, a escola fez um desfile vibrante. Para o carnaval de 2022, a Caçulinha da Baixada fez algumas mudanças e apostou no jovem carnavalesco, Lucas Milato. Ele juntamente com seu amigo pesquisador, Leandro Thomaz, desenvolveram o enredo: “A Meia-Noite dos Tambores Silenciosos”. Curiosidade! É a palavra que define como chegaram no processo de desenvolvimento do enredo. Por meio de uma música do Lenine, o carnavalesco começou a pesquisar sobre “a noite dos tambores silenciosos” já emergindo na temática. Que tem como um dos objetivos buscar entender o que é essa noite e retratar o povo preto, mas não da forma convencional.

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“Um dos principais objetivos é retratar o povo preto, porém não da forma convencional e sim com as heranças que eles trouxeram para o Brasil com a diáspora africana. Óbvio que tem toda uma história de luta e resistência que será mostrada, mas vamos mostrar todas essas histórias por meio dessas heranças”, conta o carnavalesco.

Ele também ressalta que é importante compreender e entender o que são essas heranças e a importância desse enredo. “É impossível não falar disso, é um enredo que tem como norte, direcionamento e principal fundamento a ancestralidade. Tivemos um estudo muito forte da ancestralidade presente na noite dos tambores silenciosos. É isso que eu achei muito importante durante toda a pesquisa e desenvolvimento do tema”.

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Mesmo com algumas dificuldades que a escola enfrenta para realizar o carnaval, Lucas Milato considera todo o trabalho feito como algo muito especial. Desde a confecção de fantasias, a montagem e preparação dos carros alegóricos. Segundo o artista, o conjunto do desfile é considerado o grande trunfo do que está sendo realizado. Desde do início da preparação, eles buscaram tentar colocar tudo no mesmo nível de qualidade, do abre alas até o último carro.

“Obviamente, o abre-alas vem maior e com mais detalhes, mas estamos tentando dentro do possível e dentro das dificuldades que são inúmeras, deixar o desfile bem compacto em nível de qualidade. A gente tem o abre alas muito bem detalhado, mas o carro que vem lá no final do setor também é especial e muito bem cuidado”, afirma Lucas.

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Além disso, ao falar dentro da temática do enredo, Lucas também contou que gosta muito do tripé, pois ele vem retratando duas matriarcas da noite dos tambores silenciosos. São elas: Dona Santa e Mãe Badia, que eram as filhas de Oxum. Em entrevista para o site CARNAVALESCO, ele diz que o último carro é o que mais fala sobre o que é o enredo, pois sintetiza na leitura deles do que é o “Pátio do terço”. Esse carro possui um pertencimento grande e conta com todo um tipo de iluminação e detalhes para acontecer na avenida.

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O carnavalesco da agremiação deixa muito claro ao ressaltar a importância da equipe de trabalho na Inocentes: “Todo mundo trabalha na mesma sintonia, no mesmo objetivo que é fazer com que o desfile da escola aconteça com louvor e que dê muito orgulho para a comunidade belforroxense. É uma escola que tem uma ligação muito forte com a comunidade e tudo isso culmina para o resultado final. É uma responsabilidade grande, pois a escola vem de um desfile grande, e a ideia é manter o mesmo nível e também tentar fazer até melhor em conjunto de desfile. A Inocentes não fazia um enredo afro bem forte já faz algum tempo. A comunidade abraçou muito o enredo e o samba. Estamos sentindo uma diferença muito grande no canto, porque ele melhorou muito”.

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A pandemia de covid-19 fez com que todas as escolas de samba parassem com as suas atividades e funcionamentos dos barracões. Ficar um ano sem carnaval foi algo que mexeu com milhares de sambistas e profissionais deste segmento. Quando tudo foi liberado, mas mesmo assim mantiveram os adiamentos dos desfiles, se tornou um desafio desenvolver o que estava planejado. Para as escolas da Série Ouro, as dificuldades foram muitas, desde o financeiro até o desgaste mental de todas as pessoas envolvidas para fazer dar certo este carnaval. A Inocentes de Belford Roxo, mesmo com uma boa estrutura, passou por alguns apertos. O carnavalesco da agremiação, Lucas Milato, desabafou sobre essa questão de dificuldade.:

“Foi muito complexo, porque além da dificuldade financeira que existe na Série Ouro, os adiamentos mexem muito com o psicológico dos profissionais e com as estruturas das escolas. Porque tivemos que nos adaptar e readaptar diversas vezes”.

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Por conta dos adiamentos, a maioria das escolas também teve que diminuir o quadro de funcionários e com a Inocentes não foi diferente. De acordo com o carnavalesco, o carnaval foi muito difícil porque tiveram que lidar com adiamentos e isso influencia diretamente na vida das pessoas que dependem disso para sobreviver. “Estávamos com o barracão lotado de funcionários e a gente teve que reduzir o quantitativo e fazer toda uma readaptação para esse novo prazo. E não prejudicar nenhum funcionário nosso, pois todo mundo depende muito disso para sobreviver. Acham que o carnaval é só festa, mas não entendem toda a necessidade, todo o fundamento e importância do processo de execução que essa
festa que exerce na vida de milhares de pessoas, relata Lucas”.

Entenda o desfile

Para a montagem deste desfile, a escola rebobinou a fita e buscou entender como tudo aconteceu e surgiu. Mas sem especificar data ou algo do tipo, e sim como a noite dos tambores silenciosos se tornou um grande evento cultural atualmente.

Primeiro setor: “A gente inicia com o ápice do ritual que é meia-noite, quando as alfaias do maracatu se iniciam, com as louvações aos eguns. Esse é o nosso primeiro setor, o ápice do ritual, que é quando se inicia a louvação ao Oiá Ibalé que é o orixá responsável, a deusa dos mortos. Responsável por conduzir os Oguns do iae para Orum. É o setor que a gente faz menção aos ogãs, que falamos justamente sobre essa ligação de ogum e aie e sintetiza todo o desfile. A gente tem a figura de Oiá Ibalé, dos babalorixás que rege todo esse ritual. Falamos muito sobre essa ancestralidade presente nesse momento do ritual”, explica Milato.

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Segundo setor: “Retratamos a chegada do povo negro aqui no Brasil com a diáspora africana. Como é retratado? Falando sobre as heranças que trouxeram com eles aqui para o país. É o setor que citamos o sincretismo religioso, a irmandade dos homens negros, as coroações dos reis do congo. Por meio dessas heranças, a gente dialoga com a chegada deles aqui no Brasil e todo o processo de resistência e luta que eles enfrentaram”.

Terceiro setor: “Falamos sobre a evolução dessas heranças, que culmina com o surgimento das Maracatu Nações que são de extrema importância para a noite dos tambores silenciosos. Caracterizamos nas nossas alas e no nosso carro, o Maracatu Nação. É um setor que a gente busca elementos dos maracatus pra contar um pouquinho da história deles. Trazemos a figura da Calunga, falamos do porta estandarte, do rei e da rainha do Maracatu”.

Tripé: “O tripé que fala sobre a Dona Santa e Mãe Badia. Dona Santa, rainha do maracatu e gigantesca. Ele retrata a Dona Santa que é de extrema importância para a noite, uma das matriarcas das noites dos tambores silenciosos. E tentamos retratar nesse tripé, a passagem de bastão dela para Mãe Badia. Como diz no samba: ‘Chama Dona Santa o espelho de Badia’. Mãe Badia tinha Dona Santa como uma referência, porque quando Dona Santa se foi ela passou o bastão para Mãe Badia tocar essa parte mais ancestral da noite”.

Quarto setor: “A gente retrata a noite dos tambores silenciosos como ela é hoje, falando dessa ligação do sagrado e do profano presente na noite. A gente fala de toda a luta do povo negro atualmente, citando esse grito que rompe o silêncio da manifestação. Esse grito pedindo o fim de todo esse preconceito que permeia a história do povo negro. É o setor que clamamos por dias melhores e tudo isso exaltando o negro. Finalizamos com o último carro, o “pátio do terço” como disseminador da cultura afro-brasileira, que é o que ele é hoje”.

Ficha Técnica
Número de alegorias: 1 tripé na comissão de frente, 1 tripé durante o desfile, e 3
alegorias.
Número de alas: 17 alas
Carnavalesco: Lucas Milato
Diretora de barracão: Sandra Pinheiro
Diretora artística: Luana Rios
Diretor de carnaval: Saulo Tinoco
Pintores: Andrey e Itamar Terra
Ferreiro: Marcelo
Carpinteiro: Bira
Iluminação: Wagner
Equipe de Parintins: Mega e sua turma
Escultor: Kataki

Grande Rio faz ensaio de bateria com quesitos específicos na Sapucaí e Fafá comenta: ‘União em busca do título’

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A Grande Rio deu mais um passo em busca do título inédito no carnaval. Na última quinta-feira, a escola voltou à Sapucaí após mais de dois anos para fazer o ensaio de bateria. No Setor 11, a agremiação de Caxias fez bom trabalho e a bateria promete grande desfile no dia 23 de abril. Mestre Fafá comemorou o retorno ao Sambódromo e falou sobre a importância do treino na Passarela do Samba.

“Sensação é de gratidão de voltar aqui. Eu trabalhei na linha de frente ali na escola no auxílio com cesta básica, então sei o quanto foi difícil e doloroso perder pessoas queridas dentro da escola. Felicidade de estar aqui com meus amigos, ritmistas, que são minha segunda família. Viemos aqui hoje corrigir algo que ficou pendente no ensaio de rua, por conta de acústica e outros motivos. Conversei com a direção de carnaval para que viesse só a bateria, comissão e casal, que são quesitos, para que houvesse essa união. Estamos trabalhando muito em conjunto para alinhar e descobrir o que falta para esse tão sonhado título”, disse, antes de emendar:

“Apesar do setor 11 ser só um pedaço da Sapucaí, é aberto. Ainda bem que temos esse espaço. Abrimos o cabine de jurados, temos uma pessoa lá filmando. Depois vamos ver como o som está chegando até lá, se a bossa está entrando limpa, isso que é o mais importante. Saber como o som está na pista não importa, o que vale é o que está chegando para os jurados. Sobre o metrônomo, acho que temos que esperar para ver como vai ser utilizado, se vai ser na frente, em uma largada, em uma retomada de bossa, abrange muitas coisas. Mas tem a questão do sentimento também, cada bateria tem uma característica. É uma discussão sem fim, mas vamos aguardar pra saber como vai ser usado, e partir daí entender o que temos que fazer na frente dos jurados”, completou Fafá.

No último Carnaval, a Grande Rio bateu na trave novamente e ficou na segunda colocação, assim como em 2006, 2007 e 2010. A tricolor caxiense levará para a Sapucaí 270 ritmistas, com quatro bossas, sendo duas delas para a comunidade soltar a voz. Uma das paradinhas contará com atabaques e timbal. Fafá comentou que os componentes está cantando como nunca para impulsionar a escola rumo ao campeonato.

“A escola está pulsando muito. Deixo aqui uma mensagem de carinho e gratidão pela comunidade, o que eles tem feito pela Grande Rio é surreal. Estamos fazendo duas paradinhas para deixar os componentes cantarem, literalmente. A comunidade está ensaiando três vezes por semana, e estamos revezando ritmistas para poder ensaiar junto com eles. A Grande Rio vem com muita humildade e temos a total noção que o Carnaval vai ser muito mais disputado que o de 2020. Os dias de desfiles estão muito equilibrados. Acho que para escola ser campeã, tem que estar unida, não adianta eu pensar na bateria, Hélio e Beth pensarem na comissão, Evandro pensar no carro de som. Se a gente estiver unido, tenho certeza que vai ser mais fácil almejar o campeonato. Já conversei com a diretoria para não deixar o oba-oba desse bom samba tomar conta, na minha bateria não tem salto alto. Vamos com muita humildade tentar beliscar esse caneco, acho que chegou a nossa hora”, encerrou o mestre.

No Setor 11, os segmentos presentes deram show e mostraram a força da agremiação de Caxias para 2022. Quem também fez grande trabalho na Sapucaí na última segunda foi Evandro Malandro. O intérprete conduziu o samba com maestria e mostrou mais uma vez a potência da voz no Sambódromo. O cantor também falou sobre a emoção de retornar à Avenida e projetou o desfile da Grande Rio no mês que vem.

“É um misto de muita alegria com apreensão. É um lugar de muita choradeira, poder estar aqui na Sapucaí de novo. Todo sambista que passar aqui pela Sapucaí tem que fazer um belo desfile, porque a gente perdeu muita gente no meio da pandemia. É uma responsabilidade ainda maior, de defender esses sambistas que se foram e mostrar que aqui é o nosso lugar”, comentou Evandro, antes de finalizar.

“Aqui é o palco oficial, então é muito importante estar aqui na Sapucaí, foram dois anos sem vir. Temos que pisar aqui, ver como funciona, acústica, carro de som, sentir a estrutura. A gente precisa disso pra deixar tudo ajustado para o ensaio técnico e para o desfile. A Grande Rio vem muito bem. Com todo respeito a nossa co-irmã Viradouro, mas estamos confiantes que vamos buscar esse caneco. Vamos aproveitar esse bom momento que a escola vive, em todos os setores. Nosso barracão está muito lindo. Sabe criança esperando o Natal e Páscoa, sou eu aguardando esse Carnaval, com muita ansiedade e expectativa”, concluiu.

Componentes do Paraíso do Tuiuti vivem expectativa em 2022 por reviver ou superar grande desfile de 2018

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É provável que se você perguntar para dez torcedores do Paraíso do Tuiuti, pelo menos nove vão colocar o desfile de 2018 como o grande carnaval da escola. Isso por diversos motivos: o vice-campeonato, melhor colocação da história da escola, com o título escapando por um décimo. O samba que foi entoado por todo o mundo do samba e até hoje é lembrado e pedido. A volta por cima depois de ter terminado em último lugar em 2017, atrás da Unidos da Tijuca que havia passado por um problema semelhante ao do Tuiuti, e mesmo assim a diferença de 22 décimos, em um ano sem rebaixamento. Ou, o simples fato de aquele carnaval, além de ter sido muito bonito e criativo, ter apresentado discursos muito fortes contra o racismo, a escravidão e a exploração do trabalhador.

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Quatro anos depois, a escola está consolidada no Grupo Especial e vai para o seu quinto desfile seguido na elite do carnaval carioca. E, após o décimo primeiro lugar em 2020 com o desfile sobre o padroeiro São Sebastião, a escola tem diversos motivos para sonhar em voltar a fazer um carnaval não só visando o desfile das campeãs, mas também a disputa do título.

Seja a chegada de mestre Marcão que já começou os trabalhos sacudindo a Cidade do Samba e depois o Sambódromo. Ou, a escolha de uma temática que volte a tocar na valorização das contribuições do negro para a humanidade, em conjunto com o discurso contra todas as formas de racismo. Ou, com certeza, o retorno de um artista consagrado, inovador de desfiles, quatro vezes campeão do Especial, como Paulo Barros, que iniciou sua carreira em 2003 no Paraíso do Tuiuti antes de surpreender o mundo do samba na Unidos da Tijuca em 2004.

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Esse clima de confiança e esse bom astral foi claramente percebido pela reportagem do site CARNAVALESCO ao conversar com alguns componentes da escola de São Cristóvão. Para o passista do Tuiuti, Bruno Ferraz, que trabalha como sushiman, o fato de Paulo Barros nunca ter feito um enredo afro é mais um motivo para que ele faça um trabalho espetacular, mostrando que é capaz de produzir carnaval sobre qualquer tema.

“Eu acho que ele vai trazer bastante inovação, porque ele nunca fez um enredo afro. Então, eu acho que ele apostou tudo nesse enredo para mostrar que ele também é capaz de fazer. Eu acho muito bacana ele voltar para escola depois de estar consagrado, acho ele muito profissional e ele traz uma chance a mais para a gente pensar em título”, declarou o passista.

Já para o senhor Sidney de Oliveira, integrante da velha guarda da escola, de 61 anos, a chegada de Paulo Barros está dando para a escola uma confiança maior pela capacidade criativa do profissional. Ele também entende que o samba de 2022 arrepia e pode funcionar na Sapucaí tanto quanto o de 2018.

“Eu sou da velha guarda, então, pela experiência de desfiles que a gente participa, tem duas coisas importantes, é o enredo e o samba-enredo. Então, o carnavalesco cria o tema, propõe o tema, a escola aceita e o grupo de compositores pega a ideia e transforma tudo em arte, assim como a arte sai em forma de música e o carnavalesco coloca as coisas de forma plástica. Então, está todo mundo feliz com tudo. É muito importante isso. Então, é como um time de futebol, muitas vezes um jogador importante que entra pode mudar a história de um campeonato. Tudo incentiva. Assim a vinda dele (Paulo Barros) pode mudar muita coisa. Todos nós sentimos confiança. A percepção que eu tenho é essa. E há semelhança com 2018 porque o samba arrepia. Se o samba arrepia a gente, provavelmente arrepiou o carnavalesco e ele vai criar muito mais”.

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Dona Noelma Luiza, assistente social e baiana do Tuiuti, que desfila há 7 anos na escola, respondeu sobre se o enredo e o samba de 2022 podem ajudar a escola a igualar ou superar seu melhor carnaval em 2018.

“Com certeza, com certeza, até por conta do samba, dos autores do samba que são os mesmos do carnaval em que nós ficamos em segundo lugar, tem tudo para estar lá em cima, entre as campeãs. E ter o Paulo Barros nos dá as melhores possibilidades possíveis. Espero me surpreender muito com o desfile. Por conta da pandemia a gente não tem tido muito contato, não sabe como está a evolução da escola a nível barracão, mas acho que na Avenida vai superar, vai ser uma surpresa muito grande”, acredita Dona Noelma.

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Outra componente confiante é Dona Maria Vitória, mais conhecida como Vitórinha, presidente da velha guarda do Paraíso do Tuiuti, de 74 anos, que vê semelhanças entre o enredo de 2022 e o de 2018, e tem muita confiança que Paulo Barros possa levar a escola ao título.

“Esse enredo vem falando muito da nossa cor, vem falando dos orixás, uma coisa importante para gente. Esse enredo vai arrebentar. Nós estamos esperando que ele nos conceda o décimo que nós perdemos em 2018. Então, esse enredo é excelente, o Paulo Barros está de parabéns. Ele é o homem da novidade, o homem que está sempre fazendo mudanças nas escolas que ele vai, e acho que na nossa não vai ser diferente. Eu acho que ele voltou para a nossa escola para galgar o campeonato com a gente, porque nós estamos esperando muito”, declarou confiante a presidente da velha guarda.

Com o enredo “Ka Riba Tí Ye – Que Nossos Caminhos se Abram”, o Paraíso do Tuiuti vai abrir a segunda noite de desfiles do Grupo Especial no dia 23 de abril.

Governador do Rio anuncia obras de revitalização da Vila Olímpica do Salgueiro

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O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, esteve na quadra do Salgueiro, na noite da última quinta-feira, para anunciar o início das obras de revitalização da Vila Olímpica. Em publicação nas redes sociais o político comemorou o trabalho social feito pela escola de samba na formação de crianças, jovens e adultos.

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Foto: Divulgação

“É nesse ambiente de muita alegria que anunciamos hoje o início das obras de revitalização da Vila Olímpica do Salgueiro. Quando a gente trabalha sério e com amor, as coisas vão dando certo com projetos que fazem a diferença na vida de cada um, como este importante trabalho social na formação de crianças, jovens e adultos e na revelação de atletas, beneficiando toda a comunidade. É investindo nas pessoas que teremos um Estado cada vez mais forte”, disse o governador.

Através de suas páginas nas redes sociais a direção do Salgueiro também celebrou o anúncio das obras na Vila Olímpica.

“Uma gestão comprometida com suas promessas e com transparência. Foram três anos em busca desta vitória e ela chegou. Vem aí uma Vila Olímpica novinha pra vocês”, publicou o Salgueiro nas redes sociais.

Série Barracões São Paulo: Com Pequeno Príncipe no Sertão, Tom Maior está pronta para o desfile

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O site CARNAVALESCO visitou o barracão da Tom Maior e conheceu de perto o projeto da escola que busca seu título inédito no carnaval de São Paulo com uma temática forte na literatura mundial: “O Pequeno Príncipe”. A ideia de fazer o enredo na Tom surgiu do diretor de carnaval, Judson Sales. O carnavalesco Flávio Campello revelou que também tinha o sonho antigo e tentou fazer no carnaval da X-9 em 2013.

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Apesar de inicialmente ser um enredo da literatura francesa, mas lida pelo mundo inteiro, o carnavalesco adaptou para o Brasil: “Queria transformar a história em algo mais regional, ufanista, e quando peguei esse livro em cordel, do Josué Limeira e Vladimir Barros, que me encantou. Pela linguagem, ilustrações, até o que me inspirou na verdade para conceder toda parte plástica e virtual, foram as ilustrações Wladimir Barros. Até porque a história do José Limeira é a mesma do Saint-Exupéry só que uma linguagem cordelista, ele não mudou nada na história. As ilustrações que nos remetiam ao imaginário mais nordestino”.

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Com essa transformação, o enredo da Tom Maior vem com a temática ligada ao cordel, e a força do Nordeste junto com a importância da história do livro: ‘O Pequeno Príncipe’. E essa junção será interessante: “Na logo utilizamos O Pequeno Príncipe como Vladimir Barros idealizou, com chapeuzinho nordestino, com traje totalmente adaptado ao nordeste, uma casaquinha diferenciada. Utilizamos essa essência que o Vladimir produziu na figura do Pequeno Príncipe em todo viés do nosso carnaval”.

Vantagem no projeto desde 2020

Enredo definido em 2020 e trabalhado desde então, entre dúvidas do carnaval em 2021 de acontecer ou não, Campello vê vantagem: “O lado positivo que é o lado onde você começa a incrementar coisas, tem tempo para isso, até conceder coisas diferenciadas que dois anos atrás não faria. E ao mesmo tempo essa angustia que nós que trabalhamos carnaval, não vemos a hora de ver algo novo”.

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Escola pronta e pequenos ajustes devido adiamento

Sem mexer nas raízes do projeto, o carnavalesco revelou: “Estamos 100% (pronto). Podemos levar a Tom Maior hoje, se quiser desfilar aqui na Fábrica, podemos. Só estamos fazendo algumas alterações no carro da comissão de frente. Que apesar de já estar decorado, pronto, é uma alegoria que a gente está usando sempre para ensaiar com comissão. Ajustes esses que possivelmente que se tivéssemos em um cronograma comum, não seriam possíveis de fazer, e a gente tem tempo para executar isso. Então hoje temos o tempo todo dedicado aos ajustes, ou a incrementar ao projeto”.

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Estreia e busca pelo título

Com dois anos de espera, Campello finalmente vai estrear na Tom Maior que bateu na trave em 2018: “Não tem algo melhor para um carnavalesco de poder proporcionar uma comunidade que nunca teve de ter um título inédito. Tatuapé foi assim em 2017, levar aquela taça de escola campeã para dentro da quadra, você vê as pessoas chorando, sem palavras para demonstrar a gratidão dela por aquilo ali. É algo fantástico, não tem preço, talvez seja a maior experiência em vida para qualquer profissional do carnaval, essa questão do primeiro título”.

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Fantasias feitas quase totalmente no barracão

Produção em casa, toda feita pela Tom Maior na Fábrica do Samba, algo não tão comum, mas que é uma das causas da pandemia nas escolas de samba… Falta de materiais nas lojas, obrigou solução: “Praticamente 100% da escola está com tecidos estampados por nós. Não chegamos na loja e pegamos rolo de tecido pronto e colocou na fantasia, pois não tínhamos. Você consegue comprar hoje em uma loja, 10 metros, 15 metros de tecido. Mas não 150, 300 metros que a gente está acostumado”.

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Com aposta colorida na fantasias, e como disse Campello: “as fantasias, todas estão associadas a um personagem, seja ele vivo, ou da natureza”. Ele contou sobre três fantasias em específico: “A gente tem por exemplo, a ala que representa o baobá, é a maior preocupação do pequeno príncipe, se um dia nascesse baobá dentro do planeta dele, que não deixaria a rosa sobreviver. Colocamos dentro do desfile monstruosos baobás, que foram inspirados em um baobá do Rio Grande do Norte que também inspirou o próprio escritor francês. Em um período da segunda guerra mundial, ele (escritor francês) esteve na base americana aqui no Rio Grande do Norte, Natal, Paramirim. Ele se deparou com esse baobá, então o baobá que ele colocou na história, não é o africano, foi um baobá que ele viu aqui no Brasil. Tenho a fantasia que apresenta o aviador, a bateria, e vem com uma imensidão de cores, vamos formar um arco-íris na avenida com a bateria. Super difícil de fazer, pois temos o segmento do desfile que não tem intenção de participar do desfile, diretamente falando no sentido visual, apenas na constância de ritmo. Conseguimos inserir na bateria, que é o coração da nossa escola, com uma homenagem ao escritor do livro”.

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“A baiana que é uma ala emblemática de todas as escolas, ela representa toda essa questão do feminismo, o acalento. Que a gente fez, pegou grande amor do pequeno príncipe, e a baiana vem representando as rosas, a gente conseguiu transformar no nosso desenvolvimento, esses elementos que tem simbologia forte, marcante, tanto para a história, nos unimos com a simbologia marcante, importante, com a escola de samba”.

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Conheça o desfile:

Mas com alegorias prontas, todas estão totalmente encapadas… Mistério que só na avenida descobriremos! Apostando em movimento nos carros, o carnavalesco diz que a presença do Pequeno Príncipe em todas alegorias foi sua opção. “Nós estávamos falando de uma história onde o protagonista é o pequeno príncipe e o aviador, eu quis manter viva a essência do Pequeno Príncipe em todas alegorias”.

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Com um abre alas gigantesco, como gosta o carnavalesco Flavio Campello, e que pretende entrar para a história, vira como: “O Pequeno Príncipe com a famosa Espadinha dele”.

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Com pássaros nos lados da alegoria e sempre com grandeza. “É o carro da viagem do pequeno príncipe, uma revoada de asas brancas, ele está pilotando uma nave”.

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“A gente tem no carro 3, ele no Nordeste, então ele está apontando para o céu mostrando para a raposa que também está olhando para o céu. Onde era o planeta dele, que a raposa nossa sofreu uma adaptação, que colocamos a raposa como lobo guará que é um animal totalmente brasileiro. Fomos pegando personagens da história e transformando dentro da nossa realidade”, diz o carnavalesco.

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“No último carro, ele está em uma forma diferenciada desses três. Porque como eu falei, é o livro do reencontro, é o carro do reencontro do pequeno príncipe com o aviador. No último carro tem o pequeno príncipe abraçado com o aviador. Ele estará presente em todos os momentos de nosso desfile”.

Ficha técnica
Alegorias: 4
Componentes: 1.700
Alas: 16
Diretor de barracão: Carlos Alves
Supervisão de fantasias: Equipe Ulisses Bara
Ateliê: Equipe Ulisses Bara

Salgueiro treina bateria na Sapucaí e mestre Guilherme projeta: ‘Vamos fazer um grande ensaio técnico no domingo’

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De olho no ensaio técnico do próximo domingo, o Salgueiro treinou a bateria nesta quarta-feira, no setor 11 da Sapucaí. Além da Furiosa, a escola também levou carro de som, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente e a ala coreografada Maculelê. Os mestres Guilherme e Gustavo comentaram comentaram o retorno ao Sambódromo após dois anos e falaram sobre a importância do ensaio dos ritmistas na Avenida.

“Sensação de voltar aqui é boa demais. Estava comentando com pessoal hoje, de quanto tempo a gente não montava o caminhão para vir pra cá. A importância desse ensaio aqui é total, porque fora daqui, a gente não trabalha nas medidas da Sapucaí. Com a bateria completa, pra sentir o peso dela, afinação, desenho, alinhar as fileiras e passar essa energia para os componentes. Expectativa é muito boa pra fazer um grande ensaio técnico no domingo e um ótimo desfile”, comentou Guilherme.

“Foi fo** pra car**! Só parabenizar essa galera que está com a gente. Já se vai quase um ano de trabalho aí. E hoje a gente pode estar aqui é emocionante. Domingo estamos aqui mais uma vez e o bicho vai pegar de novo. Muitos mestres choraram ao voltar aqui, porque a gente vive isso aqui. A gente luta também contra esse preconceito contra o samba. Vai ter Carnaval! Vai ter desfile!. O Salgueiro vai vir pra brigar, pode ter certeza que todo mundo vai se emocionar”, disse Gustavo.

A Furiosa deve levar de 270 a 280 ritmistas para o desfile oficial, no dia 22 de abril, com três bossas programadas. Presente na Sapucaí, Emerson Dias, também falou sobre retornar ao Sambódromo e a expectativa da escola para domingo e para o desfile oficial.

“É de arrepiar poder voltar aqui. Foi uma sensação de solidão todo esse tempo que não estivemos aqui. Estou muito ansioso para o ensaio de domingo. A gente agora já está no ‘campo de jogo’. Viemos ver a reverberação da bateria, como ela vai se comportar aqui dentro, para as arquibancadas. Foi muito importante esse teste hoje, principalmente para os mestres”, disse Emerson, antes de emendar:

“A expectativa para o ensaio técnico é a melhor possível. Durante a semana, nossos grupos de segmentos já estavam ansiosos, falando ‘É a nossa semana’. Tem muita gente falando que o Salgueiro não é candidato a nada. Estamos quietos, fazendo nosso trabalho, da nossa forma, pra fazer um grande carnaval”, finalizou o intérprete.

Unidos de Padre Miguel ensaia sexta na Guilherme da Silveira

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Após realizar dois ensaios no local mais conhecido de Padre Miguel, o Ponto Chic, a Unidos de Padre Miguel levará sua comunidade para treinar em outro ponto do bairro. A partir da próxima sexta, 25 os treinos do Boi Vermelho acontecerão na Guilherme da Silveira. A concentração está marcada para às 21h, na Praça da Guilherme e a direção de carnaval convoca todos os segmentos.

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Foto: Divulgação

Vale lembrar que a agremiação ainda está recebendo inscrições de componentes para suas alas de comunidade. Interessados podem se inscrever todas as sextas, antes do ensaio de rua, com direção de Harmonia, basta levar 2 fotos 3x 4, xerox do RG, xerox do comp. residência e carteirinha de vacinação, além da taxa de R$35,00.

No carnaval de 2022, a Unidos de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “IROKO – é tempo de Xirê”, que contará a história da Árvore-Orixá, de autoria do carnavalesco Edson Pereira. A UPM será a quinta escola a se apresentar, na quinta-feira, dia 21 de abril.

Mangueira oferece 2.100 vagas gratuitas para a prática de esportes

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Oportunidade de vagas gratuitas para a prática de esportes na Vila Olímpica da Mangueira. Através do seu Programa Socioambiental, a Petrobras firmou uma parceria com o Instituto Mangueira do Futuro que irá atender crianças, adolescentes, jovens e pessoas com deficiência. O projeto visa garantir a democratização do acesso ao esporte e o exercício na formação da cidadania.

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Foto: Denise Esteves/Divulgação

São 2100 vagas, para crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, para atender às famílias do Morro da Mangueira e bairros adjacentes, nas modalidades: judô, jiu jitsu, atletismo, levantamento de peso, basquete feminino e masculino, futebol, futsal, ginástica rítmica e dança, natação e natação para pessoas com deficiência.

Os pais e responsáveis interessados em matricular os futuros alunos devem comparecer na secretaria da Vila Olímpica, aberta de segunda à sexta, das 8h às 17h, munidos de cópia da carteira de identidade ou certidão de nascimento do menor, comprovante escolar, uma foto 3×4, atestado médico e cópia da identidade do responsável. Acima de 12 anos apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid-19 (opcional). A Vila Olímpica da Mangueira fica à Rua Santos Melo, 73, São Francisco Xavier.

Feijoada do Cordão da Bola Preta acontece no dia 2 de abril

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O Cordão da Bola Preta abre as portas de sua sede no sábado, dia 2 de abril, para a Feijoada do Bola. O tradicional evento volta a acontecer depois de dois anos de intervalo por causa da pandemia de Covid-19, com uma saborosa feijoada e os melhores shows.

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Foto: Divulgação

Essa edição começa com a roda de samba do Grupo Exaltação ao Samba Enredo, que traz os maiores sucessos das rodas e das quadras. A festa segue com a Banda do Cordão da Bola Preta entoando as tradicionais marchinhas do carnaval. O encerramento fica por conta da bateria da Escola de Samba Império Serrano, levando os clássicos da escola e o melhor do samba.

A Feijoada do Bola é tradicional do bloco Cordão da Bola Preta e faz parte do calendário carioca. Acontece sempre no primeiro sábado de cada mês, na sede do bloco, na Lapa.

Feijoada do Bola:

Sede Cordão da Bola Preta – Rua da Relação, 3 – Lapa. Das 12h às 19h. Ingresso R$ 20 | Mesa com 4 lugares R$ 10 | Feijoada R$ 30. Reservas através do número 21 2221-1162 ou whastapp 21 99558-1918.

Série Barracões: Lins Imperial levará história de Mussum em seu retorno a Sapucaí

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De volta ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí após 10 anos de hiato, a Lins Imperial prepara uma grande homenagem para o próximo carnaval. “Mussum pra sempris – traga o mé que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé!” é o enredo que será desenvolvido pelos carnavalescos Eduardo Gonçalves e Rai Menezes. O retorno da escola para o templo sagrado do carnaval carioca significa o reencontro da agremiação com o seu público. Nos últimos anos a escola segue uma linha de reverenciar grandes figuras negras, em 2020 ela faturou o título da antiga Série B, na Intendente Magalhães, com uma apresentação que homenageou Pinah, a “Cinderela negra”, além de já ter contado a história de Bezerra da Silva no carnaval de 2019. A ideia do enredo surgiu do pertencimento do Mussum ao Morro da Cachoeirinha, comunidade em que a Lins está situada, a escola pretende mostrar a identificação dele com essa comunidade, em entrevista ao CARNAVALESCO, o carnavalesco Eduardo Gonçalves destaca a importância da escola homenagear um dos seus maiores representantes.

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“Lembro de um desfile dele pela Lins em 1993, quando o enredo foi o Beto Carrero, uma repórter chegou para ele e perguntou se ele estava se sentindo em casa por a Lins ter as mesmas cores da Mangueira, na hora ele respondeu que estava feliz porque a Lins de fato era a casa dele, na entrevista ele diz que nasceu na Cachoeirinha, conhece a comunidade, fala o nome das pessoas que ele realmente conhece”, disse Eduardo.

A Lins Imperial quer levar para a avenida todas as vertentes de Mussum, o filho, o pai e o artista. A história desse grande personagem se mistura com a de muitos brasileiros, um homem negro, vindo de origem humilde, que graças ao seu próprio esforço conseguiu conquistar o seu espaço, por esse motivo a identicação tão forte dos componetes da escola com esse enredo. Durante o desfile um momento muito bonito promete emocionar quem estiver acompanhando, Mussum aprendeu a ler e escrever para que pudesse alfabetizar a mãe, Dona Malvina, pensando nisso, as baianas da escola terão um papel fundamental no desfile, a ala representará essa mãe que foi extremamente importante na vida do Mussum, outro simbolismo desse momento é o fato de que quando desfilava, Mussum quase sempre estava próximo das matriarcas do samba.

Durante a pesquisa de enredo para este carnaval, o carnavalesco Eduardo Gonçalves se surpreendeu com o fato de Mussum ter conseguido passar pelas barreiras do preconceito já nas décadas de 60 e 70, sua carreira artística começou com a formação dos Originais do Samba, grupo de MPB que se tornou atração em casas noturnas do Rio de Janeiro, chamando a atenção de músicos e produtores da época, ali, o Carlinhos do Reco Reco começou a chamar atenção do grande público e é isso que a escola pretende mostrar logo nos primeiros setores do desfile.

“Até hoje é muito difícil vermos atores, cantores e artistas em geral conseguirem ter espaço, imagina naquela época, principalmente na televisão, que é um veículo de comunicação que não pede muita licença, Mussum entrava, conquistava e agradava um público que não é tão fácil de se agradar, que é o público infantil. É preciso ter um humor muito próprio, ter coisas próprias e ele tinha isso”, conta Eduardo.

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A lembrança mais forte que os carnavalescos têm do Mussum é justamente no seu início de carreira nos Originais do Samba, o grupo fez sucesso levando algo novo para o cenário musical da época, é o que conta Eduardo Gonçalves. “Eles produziram dentro do samba algo que não muito visto, eram golas exageradas, a calça boca de sino, e propriamente os requebros, as piruetas, o malabarismo que eles criaram com os Originais do Samba foi inédito para aquela época, isso me chamava bastante atenção, as músicas e a linguagem visual que eles me traziam eram diferente de tudo que estava passando, principalmente na televisão. Naquele momento eles eram os reis do visual e do show business, óbvio que amo Os Trapalhões, mas essa época dele como cantor me marcou muito”, pontua Eduardo.

Adiamento dos desfiles e dificuldades no processo de carnaval

A pandemia de Covid-19 pegou todos de surpresa no ano de 2020 e com isso impossibilitou a realização dos desfiles no ano seguinte. As dificuldades de realização de um desfile na Série Ouro já são complicadas por natureza, em um pré carnaval marcado pela incerteza não foi diferente. Para a reportagem do site CARNAVALESCO, Eduardo Gonçalves falou sobre os desafios de se construir um carnaval nessas circunstâncias.

“A dificuldade eu acho que para todas as escolas foi a mesma, primeiro eu acho que ter um tema, ter um projeto há dois anos, a gente sempre teve o costume de fazer o trabalho em oito ou nove meses, entre apresentar o enredo e ter o desfile acontecendo. Esse a gente não apresentou, estamos ajustando até chegar o momento que poderemos mostrar na avenida”, desabafou Eduardo.

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Em janeiro deste ano saiu a notícia de que o carnaval seria adiado para o feriado de Tiradentes, em abril. A decisão causou polêmica no mundo do samba, muitos foram contra, alegando que não havia necessidade visto o controle da pandemia no estado do Rio, já outros viram como uma oportunidade para que as escolas aprimorassem seu barracão. Sobre esse assunto, Eduardo tem a seguinte opinião: “As pessoas falam que teve tempo, eu não sei a questão é tempo, eu acho que primeiramente temos o problema financeiro, tivemos uma pandemia, situação caótica economicamente para todos os profissionais, sejam eles de barracão ou ateliê, principalmente para os gestores. Manter isso tudo em dia não é fácil, prazos de pagamento, fora as dificuldades de verbas que as escolas de samba já passam normalmente. O adiamento causa indecisão, são processos criativos que demandam mais demanda, elaborações que acabamos mudando. Não sei é bom, são coisas que devemos questionar até que ponto isso foi bom ou não”, justificou o carnavalesco.

Proposta visual do desfile

A Lins Imperial promete muito esmero e cuidado em suas fantasias e alegorias, de acordo com os carnavalescos, o conceito do projeto se dividiu em dois momentos, as fantasias possuem uma linguagem vintage, que relembra as décadas de 70 e 80, com uma pegada conceitual de uma época que o Mussum desfilou na Mangueira, carnavais antigos da escola serão representados em fantasias, como “O mundo encantado de Monteiro Lobato”, de 1967, e “Caymmi Mostra Ao Mundo o Que a Bahia e a Mangueira Têm”, de 1986. A linguagem vintage promete formar uma narrativa contemporânea com as alegorias, a ideia é que elas sejam cenários, com uma linguagem moderna. Apesar de todo o conceito, os carnavalescos prometem um carnaval de fácil leitura, segundo os carnavalescos, as pessoas olharão para as alas e logo saberão do que se tratam.

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“De fantasia nós estamos prometendo, estamos com um trabalho muito bom, com o adiamento nós podemos modificar e aprimorar algumas coisas, nosso destaque é a moda da época do Mussum, o detalhe das roupas, as calças boca de sino, os cortes, então eu acho que em matéria de fantasia e alegoria estamos bem, todo nosso trabalho está sendo feito com muito cuidado, com muito capricho, para aquele povão da Sapucaí ver uma grande carnaval”, pontuou Rai Menezes.

Família e presença dos Trapalhões

Assim como Mussum, sua família também possui forte ligação com a Lins Imperial, assim que surgiu a ideia de que ele fosse o enredo da escola a família imediatamente embarcou na proposta, quando o projeto foi apresentado eles se sentiram extremamente felizes. “Eles amaram, ficaram muito felizes, é muito importante lembrar de um membro da família como foi o Antônio Carlos, como foi o Mussum, que se imortalizou, que é sucesso na internet, jovens de 20 anos conhecem ele através dos memes, os filhos estão muito emocionados, todos vão desfilar, afinal de contas é o pai deles que vai estar sendo reverenciado ali”, pontuou Eduardo.

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Antes mesmo de serem convidados, muitos amigos e atores de Mussum se propuseram a desfilar com a Lins neste carnaval, os mais aguardados são Renato Aragão e Dedé Santana, ambos marcaram toda uma geração com os Os Trapalhões, programa de televisão humorístico brasileiro, estrelado pelo grupo cômico de mesmo nome, composto por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, cada um desenvolveu um personagem distinto.

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“Não sei dizer se vão de fato desfilar, mas muitos confirmaram, sei que o Renato Aragão quer desfilar, falou que pretende vir, o Dedé também, assim como todos os que pertencem a esse momento de televisão, de cinema, então eu acho que há essa comoção entre a classe artística e a família”, informou Rai Menezes.

Entenda o desfile:
A Lins Imperial terá a missão de ser a primeira escola a desfilar no dia 21 de abril, quinta-feira, pela Série Ouro. A escola levará para a avenida cerca de 2100 componentes, distribuídos em 24 alas, três alegorias e um tripé.

Setor 1
“O primeiro setor é propriamente o Carlinhos da Cachoeirinha, é o morro sendo retratado de uma forma lúdica, como se os barracos fossem construídos de patchwork de tecidos bordados pelas mulheres costureiras do morro. No final essas mulheres bordam o rosto de seus filhos, é uma surpresa que levaremos para avenida com o intuito de homenagear a mãe do Mussum”.

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Setor 2
“No segundo temos o Carlinhos do Reco Reco, com a criação dos Originais do Samba, tem um tripé que irá representar esse momento, com as músicas de sucesso, as fantasias representam algumas dessas músicas”.

Setor 3
“No terceiro setor temos o Mussum da Mangueiris, o Mussum que representa essa paixão em verde e rosa, e também pelo Flamenguis, é o momento que o público vai se identificar bastante, o povão na hora vai enxergar isso. Neste setor teremos também alguns de seus personagens, como a Branca de Nevis e Tina Tanis”.

Setor 4
“O final é o é quando o Carlinhos vira Mussum, faremos uma ligação com o presente, que é quando muitos jovens passam a conhecer o Mussum através de seus memes, todos esses memes e personagens estarão girando no último carro, causando identificação direta com o público”.