O presidente da Liesa, Jorge Perlingeiro, revelou para o site CARNAVALESCO que a apuração dos desfiles das escolas de samba seguirá acontecendo no Sambódromo, na Praça da Apoteose. A ideia era levar para Cidade do Samba, mas não será ainda esse ano. Vale lembrar que a leitura das notas será feita na terça-feira, dia 26 de abril, com transmissão da TV Globo. Após o Grupo Especial acontecerá a apuração da Série Ouro.
Foto: Divulgação/Liesa
“Eu tinha um projeto para a Cidade do Samba, já estava praticamente preparado, mas a TV Globo conversou com a gente e eu concordei que esse ano fosse ainda no Sambódromo, na Praça da Apoteose. Terá nova roupagem, com tenda, com bancos novos, com outra cara, aquilo que estava eu não gostaria mais, enquanto eu for presidente, aquilo não acontece. O horário será às 16h, terça-feira, dia 26 de abril”, revelou Perlingeiro.
O presidente da Liesa falou também sobre a divulgação das justificativas das notas dadas no Carnaval de 2022 no Grupo Especial. “Vamos divulgar após 48 horas após os desfils. Vão ser publicadas na quinta-feira. Pela primeira vez e não mais 90 dias depois do resultado”.
Perlingeiro respondeu sobre o andamento da venda de ingressos. “Está indo bem. Melhorou depois dos ensaios técnico. É o nosso divisor de águas, faltava iniciar os ensaios técnicos para dar credibilidade que vai ter carnaval. A casa cheia aqui na Marquês de Sapucaí, a gente estava precisando disso. Aqueles que nós devolvemos, já recuperamos e agora a tendência é terminar alguns detalhes na Sapucaí, enfim, as coisas estão caminhando, eu acredito que nós vamos fazer um grande carnaval”.
Confiante na missão que chamou de “empretecer o pensamento”, a Beija-Flor de Nilópolis cruzou a Marquês de Sapucaí neste domingo, em seu ensaio técnico para o Carnaval de 2022, homenageando diversas personalidades pretas importantes para a história da azul e branca, das escolas de samba do Rio de Janeiro e para o Brasil.
Fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação Beija-Flor
Diretores da agremiação entraram na Avenida vestindo camisas produzidas especialmente para o treino e estampadas com os rostos de figuras como Tia Ciata, Dona Zica, Jamelão, Paulo da Portela, Fernando Pinto, Ney Vianna e Jorge Lafond, entre outros. Monarco, baluarte portelense, e Maria Helena, porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, perdas recentes para o mundo do samba, também foram lembrados na Avenida. Houve ainda menção a Laíla, eterno diretor de carnaval da “Deusa da Pasarela”, lembrado especialmente durante o ensaio na camisa vestida por Gabriel David, hoje diretor de marketing da Liesa.
A iniciativa é parte das ações que a Beija-Flor têm promovido em prol da exaltação, do respeito e da memória da intelectualidade e da cultura negra do Brasil. As iniciativas estão inseridas no enredo “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, que será apresentado ao público do Sambódromo em abril — com uma “palhinha” neste domingo.
“Entendemos que seria importante trazer essas pessoas para a Sapucaí de alguma maneira nesse ensaio, o primeiro que fazemos no “templo do samba” depois dos adiamentos do Carnaval. Tínhamos que exaltar cada um deles com o samba, que cura as dores das perdas e cicatriza as memórias. Vão ser lembrados eternamente pelo povo da Beija-Flor”, explica Almir Reis, presidente da escola e idealizador do tributo.
A Beija-Flor será a sexta e última escola a se apresentar em direção à Apoteose no dia 23 de abril, sábado. O enredo é desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada, em busca do 15º campeonato da história da agremiação.
Como brincou o perfil da Unidos da Tijuca, a noite do último domingo (28) foi o encontro de milhões. Unidos da Tijuca, Beija-Flor e Salgueiro ensaiaram no Sambódromo com excelente evolução e canto, sem falar nas arquibancadas lotadas. Com tantos pontos positivos, o site CARNAVALESCO e o Guaracamp tiveram a árdua missão de escolher os destaques dos ensaios técnicos.
Os premiados foram o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Phelipe e Denadir, que enfim puderam estrear na Avenida. Lá em Nilópolis o prêmio ficou para a bateria Soberana, de mstre Rodney. Enquanto o Salgueiro recebeu o destaque pelo carro de som, comandado por Emerson Dias e Quinho.
Há mais de um ano na escola, mas passando pela avenida pela primeira vez com o casal da Unidos da Tijuca, Phelipe e Denadir, destacaram a parceria e o carinho entre eles, elogiaram a nova tinta da pista e pediram ajuda ao síndico da passarela para ajustar alguns desníveis em frente as cabines 2 e 3.
“Eu sou uma porta-bandeira que não tinha prêmios até hoje, são 31 anos e é uma alegria ganhar esse destaque”, disse Denadir. Já Phelipe agradeceu ao site CARNAVALESCO e ao Guaracamp. “Esse é o primeiro de milhões que a Denadir vai receber. Também fiquei muito feliz com o reconhecimento, mas a maior felicidade é ter a Denadir comigo”, exaltou o mestre-sala.
Depois foi a vez dos 250 ritmistas da Soberana botarem a Deusa da Passarela para sambar e cantar muito, sem falar das arquibancadas. O mestre Rodney se disse feliz com a homenagem, destacou a alegria de ver vários meninos do projeto social, que estiveram na bateria durante o ensaio técnico, chorando quando saíram da pista. “A bateria do ensaio teve até mais gente do que vai ter no desfile, mas eu vou dividir esse prêmio com todo mundo, ao todo são 280 pessoas, vai cada um beber um golinho”, brincou.
Fechando a noite foi a vez da dupla mais diferente e irreverente do carnaval mostrar o que mestre Sabiá ensinou. O Salgueiro levantou a Sapucaí com um esquenta longo, com sambas tradicionalíssimos da agremiação. Emerson e Quinho conduziram a escola com o bom humor e energia que já são tradicionais e por isso foram os destaques da noite.
A dupla se disse machucada pela série de críticas que o samba vem recebendo e se sentiram orgulhosos de mostrar que o samba é na Avenida. “É muito gratificante, dentre tantos quesitos fortes que o Salgueiro tem Patrick Carvalho, Sidclei e Marcella, mestres Guilherme e Mestre Gustavo, a gente se destacar é uma alegria. Muito obrigado ao site CARNAVALESCO pelo reconhecimento”, explicou Emerson.
Em 2022, a Unidos de Padre Miguel vai levar o enredo ‘Iroko – É tempo de Xirê’ para a Marquês de Sapucaí. E, na última segunda-feira, a escola deu mais um passo rumo ao desfile no próximo mês. A bateria do mestre Dinho ensaiou no setor 11 do Sambódromo e mostrou entrosamento, eficiência e criatividade. O comandante da Guerreiros da Unidos celebrou o retorno à Avenida e revelou que está guardando duas novidades que serão mostradas no ensaio técnico do dia 9.
“Esses dois anos parado foram muito difíceis, mas que bom que podemos estar voltando agora pra fazer o que amamos. É aqui na Sapucaí que tudo se resolve. Temos esse teste agora no setor 11 e ainda o ensaio técnico. Então, estamos sempre melhorando. Acho que até o dia da entrega da fantasia a gente vai estar melhorando alguma coisa. Eu trabalho sempre com três bossas e gosto de fazer aquele paradão para dar uma incentivada na comunidade. E tem mais duas novidades aí que estão no sapatinho e vamos colocar no ensaio técnico”, disse Dinho, antes de emendar:
“Eu já estou fazendo 10 anos de Unidos de Padre Miguel e nesse período acho que fomos a escola que mais estampou a capa do CD do acesso. Foram vários vices, um terceiro, um quarto. Agora só falta pra gente ganhar. Tenho certeza que quando esse título chegar, o que acho que deve acontecer esse ano, vai ser a única escola que não vai ser contestada, e sim aclamada pelo povo, por todos os últimos carnavais que vem fazendo. Estamos prontos para o Grupo Especial”, completou o mestre.
Como dito por Dinho, a Unidos de Padre Miguel tem batido na trave nos últimos anos. Nos últimos seis carnavais, a escola ficou na segunda colocação da Série Ouro em quatro oportunidades. A bateria da UPM é uma das forças da escola em busca do título e fez ótimo ensaio. Em uma das bossas, a escola vai destacar os atabaques e agogôs, enquanto outra apresenta uma paradinha que ressalta o refrão. A agremiação também levou para o treino a comissão de frente, casal e carro de som.
“Dois anos sem cantar aqui. É sempre um prazer voltar. Retomamos nossos ensaios de rua há um mês, mas aqui é jogar no campo de jogo. Esse ensaio aqui ajuda a gente na preparação e mata a saudade também. É um treino para a bateria, mas acaba sendo para todos os segmentos que vem aqui também. Temos que estar sempre polindo o trabalho. A energia conta muito, então estar aqui na Sapucaí, mesmo que só no setor 11, já dá uma ideia do que vamos fazer no dia 9 e no desfile oficial”, disse o intérprete Diego Nicolau.
“A preparação para tentar o título está sendo perfeita. Eu estive no barracão esses dias e a escola está linda. Mas vale o dia, o que a gente fizer aqui. Vamos entrar aqui com muita força e muita vontade, cruzando aquela linha de chegada com sorriso no rosto e muita emoção. Expectativa é a melhor possível. Estou bem confiante”, completou o cantor.
Com enredo em homenagem a Castor de Andrade, grande patrono da Mocidade e personalidade ímpar do Rio de Janeiro, a Unidos de Bangu voltou à Sapucaí na última segunda-feira. A escola pisou novamente no Sambódromo para o ensaio de bateria da Caldeirão da Zona Oeste, que vem com variadas bossas para 2022. O mestre Léo Capoeira comemorou o retorno e analisou a importância de treinar no setor 11 da Avenida.
“Depois de dois anos estamos aqui novamente para fazer o que mais gostamos. O mais importante é que estamos vivos depois dessa pandemia. Eu tive covid-19 duas vezes, mas hoje estou bem. Esse ensaio aqui é importante principalmente por a gente poder estar agrupando todos os ritmistas no palco principal, que a Sapucaí. Para os que jogam futebol, é o reconhecimento do gramado. Agora é trabalhar para dia 9 voltar aqui e fazer um grande ensaio técnico”, disse Léo, antes de completar:
“A gente teve um pouco de dificuldade nos últimos meses para juntar todo mundo. Tivemos que trabalhar muito por vídeo, por whatsapp, youtube. Eu fazia coisas no estúdio e mandava pro pessoal. Mas a expectativa é muito boa, porque a gente está trabalhando em cima do que o Castor de Andrade merece. Quando ele pisava aqui, era mágico, então o trabalho está baseado nessa alegria e irreverência dele no Carnaval. Vamos fazer jus ao nosso maio homenageado”, complementou o mestre.
A Unidos de Bangu vai levar 230 ritmistas para a Sapucaí no desfile oficial, e Léo Capoeira não vai economizar nas bossas. De acordo com o mestre, seis serão realizadas na Avenida no dia 20 de abril. As bossas são das mais variadas, desde a paradinha no refrão para o canto de ‘Vai dar Bangu na cabeça’, até outras com pratos e agogôs. Além da bateria, a escola também levou para o treino, passistas e o carro de som, comandado por Thiago Brito.
“Foram dois anos de muita apreensão e agonia para a gente que ama o Carnaval. Desde moleque eu sempre curti o Carnaval, e no dia que seria o desfile, em fevereiro, eu fiquei muito triste. ‘Essa hora era para estar me arrumando’, ‘agora estaria entrando na Sapucaí’. Fique pensando nisso. Mas respeitamos, tomamos todas as doses da vacina e podemos estar aqui novamente”, disse Thiago, antes de finalizar:
“Agora fica a expectativa para o ensaio técnico e o desfile no próximo mês. Ainda não pude ir no barracão, mas pelo que tem sido me passado, o Carnaval da Bangu está pronto. Tem um grande enredo e uma comunidade aguerrida. Expectativa é a melhor, vamos brigar nas cabeças. Vou vir com minhas loucuras de roupas diferentes, vai ser legal, vamos trazer algumas coisas bacanas para a Sapucaí”, encerrou o intérprete.
A Mocidade Independente fez no último domingo, o segundo ensaio de rua de 2022. Durante o percurso entre a praça de Guilherme da Silveira até a quadra em Padre Miguel pela rua Coronel Tamarindo. Uma chuva fraca apareceu antes do ensaio. Mas, assim que a Não existe mais quente começou a aquecer, a chuva foi embora. Como de costume, tanto a praça quanto a rua estavam repletas de Independentes. A torcida da escola também sempre presente fez a costumeira festa na passarela que cruza a linha férrea com as faixas e bandeiras, a escola fez o seu treino em 1h13.
Samba-Enredo
Um dos mais badalados e cotado como um dos melhores sambas da temporada de 2022 e que promete deixar toda a Sapucaí “areretizada”, que já deixou um gosto na apresentação na Cidade do Samba, desta vez no ensaio deste domingo, deu mais uma demonstração de sua força. A obra de Carlinhos Brown, Diego Nicolau e Cia foi embalada por Wander Pires e toda a equipe do carro de som da Mocidade. Desde 2017, a escola tem escolhido sambas que encaixam com o andamento da bateria. Este detalhe fundamental facilita o canto da comunidade. Samba, bateria e comunidade em sintonia fazem com que o já aclamado samba-enredo tenha um desempenho bastante satisfatório.
A arrancada do samba tem uma energia incrível, Wander canta e é acompanhado por ritmistas que tocam agogô de duas bocas e timbal. A primeira do samba é acompanhada pelas cordas, depois entram os timbales e por último os agogôs de duas bocas. É possível perceber o canto forte da comunidade. Na subida para a cabeça a bateria entra.
O desempenho do samba foi bastante satisfatório durante o ensaio. O experiente cantor, Wander Pires usa com maestria a melodia para dar um jeito todo especial para a levada do samba. O uso de cacos durante o ensaio foi bastante aceitável. Este é um ponto em que os jurados estão sempre atentos e são passíveis de desconto de décimos preciosos na apuração. Logo, o uso com moderação é fundamental para a correta execução da obra. Outro ponto a se destacar da execução do samba foi os microfones das três cantoras de apoio: Milena, Viviane e Débora. Eles estavam mais altos em comparação com os microfones dos outros apoios. Roninho e Roger Linhares. De acordo com o diretor de carnaval da escola, Marquinho Marino essa foi uma escolha proposital para equalizar o carro de som. “Ttivemos mais atenção com a equalização do carro de som. As questões do grave e o agudo das meninas”.
Na avaliação de Wander Pires, está dando tudo certo com o samba e o rendimento está dentro do esperado. “O rendimento do samba está sendo maravilhoso graças a Deus. Está dando tudo certo. Tudo conforme a gente esperava”.
Ainda segundo o cantor, é uma tendencia natural que o samba de 2022 tenha um rendimento melhor que o samba de 2020. isso se dá pelo entrosamento do time da Mocidade. Já que Wander, Dudu Capoeira e Marino são pratas da casa e estão todos juntos desde 2017. “Eu espero sim, que o samba de 2022 renda mais que o de 2020. Porque o do último desfile tinha momentos diferentes que o samba desse ano . São sambas muito diferentes. A tendência é essa”.
Harmonia
Nos últimos quatro anos, a comunidade verde e branca é uma das que mais cantam. Bem verdade que facilitado pela continuidade do cantor, Wander Pires, da direção de bateria, comandada por mestre Dudu e direção de harmonia de Wallace Capoeira. Esse entrosamento facilita o trabalho com a comunidade. O canto da escola foi coeso, com bastante energia e vigor. Sobretudo, nos refrões e na passagem do samba “Quem é de Oxossí é de São Sebastião”. Mesmos com o carro de som e a bateria o canto dos componentes era bastante forte. O principal aconteceu justamente quando toda a harmonia para e deixa a comunidade como protagonista no canto. É algo impressionante. Mesmo o samba tendo palavras afros e no refrão do meio trocando os Orixás “Ogum” e Exú” não foi notada dificuldade ou troca de palavras no momento do canto dos componentes.
Ornamentação das alas: Como virou costume nos ensaios/desfiles da Mocidade, a ala Loucos de Paixão é sempre a primeira ala da escola. os componentes usaram um bastão com luz de led verde que deu um belo visual para o ensaio de rua. As alas 18 e 19 serão alas coreografadas. A 18 usou lança e escudo e a 19 veio com uma madeira em cada uma das mãos. Outro destaque, foram as guardiãs do segundo casal Jeffinho e Isabella Moura. Elas estavam vestidas com uma saia azul e amarela, turbante azul e amarelo, blusa azul e faziam uma coreografia em volta do casal.
Na avaliação de Marquinho Marino, o ensaio foi bastante proveitoso. Após o primeiro ensaio do ano realizado na quinta tiveram alguns problemas técnicos e os mesmos foram corrigidos para o treino deste domingo. “Muito proveitoso. Na quinta fizemos um ensaio e tivemos algumas falhas técnicas, não foram falhas de desfile e de ensaio. Mas, é bom acontecer no treino para a gente poder corrigir. E hoje foi mais claro e tivemos mais atenção com a equalização do carro de som”.
Evolução
O quesito que por anos foi uma espécie de calcanhar de Aquiles da escola, hoje com o trabalho feito pela direção de carnaval, comandada por Maquinho Marino e pela harmonia da escola, vem passando sem grandes sustos. Pelo contrário, a escola literalmente desfila. Sem correr e nem ficar muito tempo parada. Pelo que foi explicado pelo diretor de carnaval, no ensaio deste domingo, foi inserida uma espécie de flutuação.
“A escola não pode ficar estática esperando. Então, ela balança. Faz um movimento lateral faz com que a escola flutue na avenida. A explicação para este movimento é que fazemos três paradas técnicas ao longo do ensaio/desfile. Com isso, a escola precisa ficar parada para que o casal, comissão de frente e bateria façam suas apresentações para os jurados. Mas, os componentes não podem ficar estáticos neste momento. Eles precisam se movimentar dentro de suas alas sem que invadam a ala da frente ou de trás”.
Antes do ensaio, notamos que vários representantes da harmonia fizeram reuniões com algumas alas. E durante o ensaio identificamos a presença dos “harmonias” no interior das alas para garantir esta “flutuação” citada pelo Marino. Por exemplo, o casal se apresentou usando uma passada exata do samba. A execução do movimento não gerou desconforto, invasão de alas ou espaçamento na saída e entrada da bateria no recuo.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O primeiro casal Diogo Jesus e Bruna Santos, que vai para o segundo carnaval juntos, está cada vez mais entrosado. Diogo estava calça verde, camisa verde, cinto brano e sapato com brilhos. Bruna usou uma bota verde, saia verde e branca que ao rodar deu um belo efeito e camisa verde. Usaram bastante o samba para fazer coreografias, como por exemplo, a flecha certeira, na parte em que o samba cita “quem rege meu Orí” eles apontam para a cabeça e na parte que cita Exú, Diogo cruza os braços para trás, na parte “Quem é de Oxossí é de São Sebastião” o casal estende os braços lembrando a imagem do padroeiro da escola e da cidade do Rio. Como os dois são altos, a coreografia de Diogo e Bruna ganha bastante profundidade. A dupla baila com bastante vitalidade e força física. Também é possível notar o contato visual de ambos.
Bateria
A “Não existe mais quente”, de mestre Dudu, sofreu um duro golpe no carnaval passado. Foram 3 notas 9,9 e duas notas 10. O que fez a bateria perder 0,2 décimos na nota final. A bateria virá com 276 componentes para o Carnaval 2022. Usará o andamento entre 142 e no máximo 144 BPM (batidas por minuto). Pois, de acordo com o diretor acima de 144 descaracteriza a bateria da escola. “Bateria vai desfilar entre 142 e 144. É o andamento da escola. Aqui não compete colocar o andamento 148 ou muito pra trás”.
A bateria fará ao menos quatro bossas executadas dentro da melodia do samba. Pelo que mestre Dudu conversou com nossa reportagem, ele já usou sete bossas e isso trouxe um desconforto por deixar a bateria exposta para os jurados. “Eu estou cansado de tomar porrada de jurado eu tentei fazer muitas bossas complexas. Para este ano eu fiz um trabalho um pouco diferenciado”.
Ao longo do ensaio de rua, a Mocidade usou seis timbales para execução das bossas. Para o desfile, Dudu pretende levar 10. Sendo que irá ter uma mescla entre os instrumentos de percussão, seja o timbal ou seja o atabaque. Vai depender de como estará o tempo no dia do desfile. Em caso de chuva, a tendência é que a bateria desfile somente com timbal. Por conta da afinação dos atabaques.
“Quem trabalha com bateria sabe que é um trabalho árduo. Trabalhar esse tempo todo com atabaque, chover na hora e acabar com a afinação. Com quatro timbales da uma boa sonoridade. Já o atabaque precisaria de pelo menos seis”.
Foram realizadas duas coreografias durante o ensaio. Em ambos os casos os ritmistas param de tocar todos os instrumentos e viram para o público dos dois lados da pista. Em uma delas eles fazem as flechas de Oxossí e no “Arere Komorodé” estendem os braços.
Giovana Angélica, rainha de bateria, esteve presente no ensaio de rua e mostrou muita simpatia e samba no pé. Em uma das bossas executadas pela bateria, existe uma interação entre a rainha e a ala de chocalhos. Os componentes saem da bateria e fazem a coreografia.
A Mocidade será a terceira escola a desfilar na segunda noite de desfiles do Grupo Especial no dia 23 de abril. Levará para a avenida o enredo “Batuque ao caçador”, do carnavalesco Fábio Ricardo.
Fechando o final de semana de ensaio técnico no Anhembi, a Rosas de Ouro fez seu segundo e último ensaio na pista do Sambódromo. A escola trará um enredo muito atual, rituais de cura, e mostrando que o samba também tem o seu poder de curar, é o ‘Sanitatem’ da roseira. Em um dia chuvoso de São Paulo, a Rosas de Ouro manteve organização, evoluiu com tranquilidade e também de modo geral na harmonia. Porém, o canto não foi tão intenso como no primeiro ensaio. Enquanto a presidente Angelina Basílio trocou a roupa de Madre Tereza e veio como uma roupa indígena.
Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP
Harmonia oscilou no canto, mas nível é alto
A harmonia da escola não foi o principal destaque como no primeiro ensaio. Desta vez os componentes cantaram um pouco menos. Mas vale lembrar que naquele ensaio foi um coro muito intenso. E, segundo o diretor de carnaval, Evandro do Rosas, em entrevista para o site CARNAVALESCO isso pode ter um motivo. “Talvez seja porque hoje a gente também tem mais componentes novos. Talvez deva ter acontecido essa oscilação no canto. Mas agora temos quase um mês para o desfile, a gente consegue unir mais a escola e reforçar o canto”.
Sem ensaios técnicos no Anhembi, a Rosas de Ouro agora trabalhará um mês dentro da quadra e nos ensaios em sua comunidade para vir pronta para o carnaval e trazer a cura ao Anhembi. “Agora todas as semanas tem ensaio de rua, todos os domingos, com alas, bateria, escola completa, para a gente suprir essa perda de um ensaio técnico que temos aqui. Então é se preparar lá e chegar aqui para tentar conquistar o título do carnaval”.
A comissão de frente fez uma apresentação com um elemento cenográfico, já projetando o abre-alas. Enquanto as baianas estavam mescladas, algumas toda de branco, outras com a barra da saia amarela, e ainda com a bandana amarela na cabeça, dançaram bastante. Foram vistos muitos destaques no que serão alegorias, de símbolos religiosos variados como indígenas, africanas, umbanda, candomblé, entre outros. Destaco uma ala da escola, a de inclusão social do projeto ‘Inclui Sampa’ com componentes de cadeira de rodas e deficientes visuais. E no canto, foi a Ala Amantes da Madrugada. As alas vieram com adereços nas mãos como bexigas.
Mestre-sala e porta-bandeira fizeram ensaio leve
Carregando o pavilhão, o casal Everson Sena e Isabel Casagrande manteve o seu bailado com muita tranquilidade. A chuva deu uma trégua durante o desfile da Rosas, ao menos não foi intenso como de outras escolas da noite. E com isso conseguiram executar seus movimentos, treinar em frente as cabines do jurado e bailar para delírio das arquibancadas.
Samba-enredo manteve bom nível
Sob comando de Royce do Cavaco, o samba-enredo funcionou novamente no ensaio técnico. A escola cantou principalmente no refrão e na hora que a bateria fazia suas brincadeiras, intensificava mais. O carro de som mais uma vez é um ponto positivo da Rosas de Ouro, o samba está na ponta de língua, e como diz a letra é “o povo cantando em oração”.
Bateria tirou onda
Com comando do mestre Rafa, a Bateria Com Identidade roubou a cena com suas interações. Desfilou com mais leveza que no primeiro ensaio. As bossas funcionaram, fez a escola explodir no canto quando fizeram paradões, inclusive foi notável ver os integrantes cantando bastante neste ensaio. Vale ressaltar que o mestre Rafa usou um artificio de fumaça nos momentos que a bateria agachava e parava de tocar, ou seja, foi legal de ver. Após desfile, mestre Rafa mostrou dever cumprido.
“Cara, eu nem sei mais de nada. Está legal pra caramba. Estamos muito felizes com o trabalho. Não é prepotência. A gente sabe o que faz, sabe o trabalho que tem feito e tudo mais. Achar que estamos a mais, está se sentindo, não é nada disso. A gente sabe o trabalho que faz e para nós mais uma vez foi bom. Tomara que a galera, que o povo que assistiu tenha gostado também, e espero muito mais que no dia (do desfile) o jurado goste, né?. Alguns ajustes fizemos, em um andamento, afinação. Tinha uma bossa que corria, e ela correu menos. Em alguns lugares correu, mas bem menos que no primeiro ensaio. Tem bastante ensaio ainda para fazer. Não sei se a gente chega lá perfeito, mas no topo, no auge, a gente chega”.
Sobre o ponto alto do desfile, Rafa disse para o site CARNAVALESCO: “Gostei e gosto de ver a alegria do meu povo, do meu pessoal. A gente estava há dois anos sem sentir isso aí e voltar aqui em alto nível, tocando mesmo, alegre, sem perder muitas pessoas para a pandemia. É uma felicidade imensa poder estar com saúde e pisar aqui nesse solo que para a gente, para o sambista de verdade, é um solo sagrado”.
Ao lado da bateria vieram jovens mulheres com rostos pintados e com roupa branca, formaram um corredor. Destaco também duas fileiras no início da bateria da roseira com camisa da denominação ‘Gazelas’, formado por sua maioria mulheres, e são um show à parte.
Evolução progrediu, mas sempre tem ajuste
Neste ensaio, a evolução da roseira seguiu o mesmo padrão. Mesmo desta vez mais sério, já que no primeiro foi dito para o componente brincar mais, ficar leve, desta vez foi um treino definitivo para o dia do desfile. E mesmo assim, a agremiação foi tranquila no quesito evolução, passou tranquilamente pela pista, mas sempre tem ajustes. O diretor de carnaval, Evandro do Rosas, avaliou: “Ainda estamos analisando. Tivemos alguns probleminhas que eu acho normal. Coisas que dá para arrumar, tranquilo. O ensaio foi bom, a escola cantou. Termos de evolução tem algumas coisinhas para melhorar, mas estamos indo pelo caminho certo”.
Outros destaques
A rainha da escola, Ana Beatriz Godoi veio com uma roupa azul, e em um estilo indígena. A musa da escola, Thais Bianca, sempre roubando a cena com seu look prateado. Fernanda Catanoce também marcou presença e rosas pela roupa, na cabeça, e uma trança enorme.
As passistas vestindo rosa e azul claro, e os passistas de azul bebê sambaram muito. Atento, o carnavalesco Paulo Menezes acompanhou tudo do desfile pelo lado da pista, no espaço da imprensa. Do lado de fora da pista, vale ressaltar a participação da Torcida Furacão que acendeu sinalizadores, ergueu bandeiras de mastro e interagiu junto com a escola.