Início Site Página 1203

‘Minha mãe sempre fez promessa para Aparecida’, revela porta-bandeira Danielle Nascimento

0

Ilha CasalCom o enredo ‘O Vendedor de Orações’, a União da Ilha, quinta escola a desfilar na noite de quarta-feira, brilhou na Marquês de Sapucaí. O
primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Marlon Flores e Danielle Nascimento representaram a fé do escravo Zacarias, semente que espalhou por
todo País, não apenas um grito de liberdade, mas um apoio àqueles que acreditam nas forças no bem e nos poderes. Com roupas adornadas com fitas, medalhas, crucifixos, terços e outros símbolos de devoção, o casal representou a fé do povo.

A Porta-Bandeira Danielle Nascimento não esconde a emoção ao homenagear a senhora do Brasil, que leva uma multidão de devotos ao Santuário para pedir, agradecer e colocar as intenções.

“A minha relação com Nossa Senhora é muito linda e especial. Minha mãe faz promessa a Aparecida e pede que eu cumpra. Sou muito devota dela e da minha Exú, ela sempre esteve comigo e me abençoou. Em 2017 fui abençoada na Portela e tenho certeza de que vai me abençoar esse ano outra vez”, declarou Daniele Nascimento.

Ilha Casal01O pavilhão encarna a bandeira, que pode mover céu e terra, unido a padroeira do Brasil. “Viemos falando um pouquinho do milagre que ocorreu
com Zacarias, que a partir desse acontecimento ficou responsável por transmitir a fé em Nossa Senhora Aparecida e falar sobre a história dela. Não era muito devoto, depois que a escola escolheu esse tema como enredo, pesquisei mais sobre
ela e tenho muito carinho”, revelou Marlon.

Vendedores de oração, guardiões de relíquias, oferendas, romarias e outras alas renderam homenagens à Mãe Preta. Com a fé em Nossa Senhora Aparecida, a Ilha celebrou a vida, ao derramar samba e religião.

“A relação samba e carnaval é muito importante, pois o contato com a religião é algo natural”, opinou Marlon. “Eu trabalho e desfilo com muita fé, isso me fortalece no carnaval”, ressaltou Danielle com um brilho no olhar.

Ala das baianas da Ilha presta homenagem a “Mãe Preta” exaltando a beleza negra de Aparecida

844

Ilha Baiana03 1A grande aposta da União da Ilha para a ala das baianas foi “Mãe Preta”. As baianas representam o que há de mais sublime no sincretismo, incorporando simultaneamente, a beleza negra de Aparecida, extraída da argila do Paraíba, com a pureza da ancestralidade africana, latente na pele de Oxum.

Na parte superior da cabeça, o adereço alterna entre o azul e o dourado. Quanto a roupa, apresenta um laço amarelo no centro e uma saia leve de cor predominantemente azul com alguns detalhes em laranja.

A baiana Maria Josemar de 73 anos, se mostrou bastante satisfeita com o resultado final de seu figurino. Alegou leveza da fantasia e com isso, uma maior facilidade para evoluir.

Ilha Baiana02 1“Tenho uma ótima relação com Nossa Senhora e estou sempre pedindo proteção a ela por mim e pelos meus”, concluiu a doméstica.

Coopera de 63 anos, Vera Lúcia dos Santos, também baiana da escola, similarmente pontuou sobre a leveza de sua fantasia, que foi de seu total agrado.

“Nossa ala representa bastante alegria, a fantasia leve acaba ajudando na empolgação. Ano retrasado a nossa fantasia estava bem pesada. Sou devota de Nossa Senhora, então me encontro muito ansiosa para desfilar e almejar o Grupo Especial”.

Ilha Baiana03 1A baiana Damiana Maona de 58 anos, não mediu palavras quando também questionada sobre o enredo da escola e a representatividade de sua fantasia. Defensora do enredo, a advogada acredita que o tema reacende a fé das pessoas mesmo em época de folia, carnaval.

“Com essa pandemia, senti que as pessoas ficaram muito egoístas, então desfilar com esse enredo maravilhoso e regado de amor e carinho é maravilhoso, principalmente para a nossa ala das baianas. Essa fantasia foi tudo o que eu pedi durante os meus cinco anos como baiana. Leve e belíssima, estou encantada ainda”, contou.

“Sou espiritualista, não sou devota de Nossa Senhora Aparecida, mas sou devota de Nossa Senhora da Conceição. Acredito que a representatividade esteja ligada ao fato de todas serem Nossa Senhoras. Temos que amar todas elas, mães daquele que morreu para nos salvar e que até hoje não damos o devido valor”.

União da Ilha: abre alas faz referência ao memorável milagre de Zacarias

0

Ilha Aleg014jpgCom o enredo “O vendedor de orações”, o carro escolhido pela União da Ilha para abrir o desfile da escola foi “O milagre de Zacarias”. O abre-alas retrata o negro Zacarias, que depois de fugir e ser novamente capturado e levado de volta ao cativeiro, pediu para rezar aos pés da imagem de Nossa Senhora, até então encontrada por pescadores dali. Após a reza, por milagre, as correntes de Zacarias se quebraram, uma vez que santa teria lhe dado tal liberdade.

A alegoria composta por componentes em ambos os lados e na sua parte superior, chama atenção por seus tons vermelhados e ótimo acabamento. O abre alas conta com componentes fantasiados de Nossa Senhora Aparecida, além de apresentar uma escultura da santa na sua parte central.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, a componente do carro Aline Grassano de 40 anos, revelou a ansiedade em estar de volta a Sapucaí depois de dois anos. Antiga moradora da Ilha do Governador, a policial civil que desfila há 15 anos na escola, contou um pouco sobre a representatividade de sua fantasia e juntamente do enredo.

Ilha Aleg07“O carro é uma homenagem a Nossa Senhora Aparecida, por isso viemos com a santa na cabeça. Eu nasci dia 12 de outubro, não tinha como eu deixar de participar desse desfile. Sou devota de Nossa Senhora, é uma santa que fez muito milagre e que vai proteger e iluminar o desfile da nossa União da Ilha”.

Kátia Lepletier de 49 anos, também integrante do carro, contou que a escola está bem confiante nessa retomada do carnaval pós pandemia.

“Parece que é a primeira vez que to desfilando. O rapaz da escola disse que eu fui a primeira do carro a subir e eu sigo aqui intacta graças a minha enorme vontade de desfilar e representar Nossa Senhora Aparecida – Oxum”, desabafou a advogada.

Ilha Aleg06Quando questionada quanto a representatividade do enredo, afirmou: “É um enredo que retrata a padroeira do Brasil. Temos muita fé e devoção, e eu acredito que tudo que é feito dessa forma, tem tudo para dar certo”, concluiu.

O componente Paulo Junior de 39 anos, também mostrou opinião quanto ao quesito representatividade.

“É um enredo forte que retrata a espiritualidade do brasileiro. Depois de dois anos longe da Sapucaí, estou muito emocionado e com o coração batendo muito forte, principalmente por ser a minha primeira vez desfilando na União da Ilha”, revelou o documentalista.

Porto da Pedra se destaca em conjunto alegórico e samba, mas abre-alas apagado pode comprometer briga por acesso

0

A Porto da Pedra foi a primeira escola na noite em que as bandeirinhas começaram a tremular na arquibancada. Muito esperada por ter um dos melhores sambas da safra de 2022, o Tigre apresentou alegorias de destaque, uma comissão de frente com coreografia forte e de marcante caracterização, além do já destacado primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Rodrigo e Cintya. Mas, a iluminação do Abre-alas da escola que passou apagado em todos os módulos, deve fazer a Vermelha e Branca de São Gonçalo perder décimos preciosos. Com o enredo “O caçador que traz alegria”, a Porto da Pedra foi a quarta agremiação a desfilar, encerrando seu desfile com 55 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILES

desfile porto pedra 2022 26
Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de frente

A comissão de frente do coreógrafo Paulo Pina, representou a ancestralidade do candomblé, preservando a essência da religião pelas palavras dos mais sábios. O figurino se chamava “partículas de ancestralidade” e o tripé, grande e imponente, significava as raízes que alimentam os galhos, as folhas e os frutos de uma árvore. O tripé apresentava em palha a imagem da homenageada que se mexia, segurando “a flecha de Odé”, que acendia em um LED verde. A coreografia dos bailarinos fez algumas referências a palavras que o samba citava como “flecha”, “cabeça” e havia uma transformação na roupa em que a saia marrom subia e aparecia o verde das folhas, os componentes se transformavam em caçadores retirando flechas do elemento alegórico. O único ponto negativo foi o fato de que estas flechas eram para emitir um laser verde, mas em todos os módulos o efeito não funcionou com alguns componentes.

desfile porto pedra 2022 60

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Rodrigo França e Cintya Barboza, representou as raízes do candomblé que atravessaram além-mar e trouxeram a ancestralidade das terras africanas para São Gonçalo do Retiro na Bahia. Na coreografia Cintya girava inúmeras vezes e impressionava pela intensidade e vitalidade, ainda que com bastante classe. No primeiro módulo, quase que a bandeira deu uma pequena enrolada, mas a porta-bandeira conseguiu evitar a tempo e manteve a continuidade da apresentação. Já Rodrigo, acompanhava os movimentos da porta-bandeira com entrosamento, mantendo sempre o contato no olhar. A dupla fez um passo de religião de matriz africana no trecho do samba “Roda Yaba´”.

desfile porto pedra 2022 65

Harmonia

Como era esperado pela qualidade da obra e pelos ensaios, a comunidade cantou a plenos pulmões o samba. Com destaque para diversas alas como as alas do primeiro setor 3, “retiro de São Gonçalo”, e a ala 4 “encantamento”. Do segundo setor, o destaque de canto foi para a ala 6 “Oxum”, e no quarto setor as alas “eterno aprendiz” e “Títulos e Honrarias”. Não se viu alas com grande quantidade de componentes que não cantavam o samba.

desfile porto pedra 2022 58

Enredo

O enredo “O caçador que traz alegrias” apresentou a vida de Mãe Stella de Oxóssi, usando da oralidade e da memória da mãe de santo. Dividida em quatro setores, a Porto da Pedra reconstruiu a trajetória da pequena Stella de Azevedo com o dia que recebeu a maçã do pé do fruto do Orixá, a presença de Xangô em sua caminhada e o dia de sua consagração como Mãe de Santo, além de seu legado como enfermeira sanitarista, defensora da educação e cultura, e sua luta na libertação do candomblé às narrativas homogêneas. A escola apresentou o enredo de forma cronológica e linear.

desfile porto pedra 2022 67

Evolução

A evolução da Porto da Pedra em geral se deu sem correrias em um ritmo fluido, durante boa parte da Sapucaí, mas próximo ao setor 3, aconteceu um buraco entre a ala de passistas e a bateria, próximo às cabines 1 e 2 de julgamento. Na entrada da bateria no segundo recuo, houve uma pequena demora para a ala “Renascimento-Yaô”, que vinha logo atrás, preencher o espaço, por pouco não se tornando um problema maior para a escola. Por fim, na parte final do desfile, a agremiação evoluiu com um pouco mais de rapidez para não estourar o tempo, finalizando no tempo máximo de 55 minutos.

desfile porto pedra 2022 70

Samba-enredo

O samba, um dos trunfos da Porto da Pedra para 2022 se confirmou na Sapucaí com grande atuação do intérprete Pitty de Menezes e seu carro de som. Entre as partes mais cantadas pelos componentes e que geraram maior integração com as arquibancadas , o refrão do meio “O santo dança, o céu relampejou…”, e os últimos versos anteriores ao refrão principal “Roda yabá é ginga!Canta pra firmar curimba!”, além, é claro, do refrão principal “No toque do Aguerê…”.

desfile porto pedra 2022 97

Fantasias

As fantasias estavam um pouco mais abaixo da qualidade que foi vista nos carros, ainda sim, de fácil leitura, apesar de o enredo ser um pouco mais denso e tocando em algumas nomenclaturas mais específicas das religiões de matriz africana. Destaque para as fantasias no último setor que traziam soluções criativas para homenagear a intelectualidade de Mãe Stella de Oxóssi. As baianas, segunda ala do desfile, representaram Eugênia Anna dos Santos, Mãe Aninha de Xangô, a matriarca do Ilê Axé Opô Afonjá. Já a ala de passistas veio fantasiada como “Folhas e Ervas de Oxóssi”, festejando a iniciação de Stella de Oxóssi. A ala de compositores “o dom das palavras” trouxe os ensinamentos importantes para compor os mais belos sambas em homenagem à Mãe Stella de Oxóssi.

desfile porto pedra 2022 79

Alegorias

Ao mesmo tempo, trunfo e calcanhar de aquiles da escola, a Porto da Pedra trouxe boas soluções e elementos alegóricos com boas soluções e de fácil entendimento, mas o carro Abre-Alas “Mata virgem deixa serenar”, que trazia o Tigre de São Gonçalo como Odé Kayodé, o ser mais puro e profundo das florestas, passou em todos os módulos apagado. Destaque para o terceiro carro alegórico “Legado de Mãe Stella” apresentando Mãe Stella de Oxóssi, mulher negra, determinada, reservada de olhar sereno. Nela, estava presente a velha-guarda, “os griôs”. Como surpresa, a alegoria tinha o efeito de soltar balões e apresentava muitas referências à paixão de Mãe Stella aos livros com algumas frases da mãe de santo.

desfile porto pedra 2022 38

Outros destaques

O mestre Pablo, comandante da Ritmo Feroz, veio fantasiado de Tigre, devidamente maquiado, inclusive, chamando atenção pela beleza da caracterização. A bateria veio representando os “Ogãs”, responsáveis em zelar pelo andamento do Xirê, os cuidados dos iniciados, a comunicação entre zeladores, Iaôs e os Orixás.A rainha de bateria Tati Minerato, que interagia bastante com o público e era lembrada em alguns momentos pelo intérprete Pitty de Menezes veio de “Agbara dos Ogãs” representando a potência e a força necessária para os ritmistas do Tigre de São Gonçalo dobrarem o couro dos instrumentos. O intérprete Wantuir, com passagem marcante pela Porto da Pedra no passado, esteve presente no desfile próximo ao carro de som.

desfile porto pedra 2022 74

Análise da bateria da União da Ilha no desfile

0

A Baterilha dos Mestres Keko e Marcelo fez uma grande apresentação. A afinação de surdos proporcionou uma base de sustentação rítmica sólida, fazendo com que o balanço formidável dos surdos de terceira fosse percebido. As caixas de guerra com acentuação rítmica característica tocaram de forma ressonante. O complemento das peças leves se deu de modo sublime.

desfile uniao ilha 2022 11

A ala de tamborins produziu uma sonoridade coesa exemplar. O naipe de chocalhos ecoou com firmeza, dando volume a cabeça da bateria. As paradinhas tem alto grau de complexidade e uma concepção musical acima da média. A utilização de um sino em duas bossas tocado por Mestre Keko empolgou o público, além de contar visualmente com a simpatia dos jurados.

A subida identitária na cabeça do samba em forma de breque acrescentou valor sonoro a apresentação da bateria da União da Ilha. A execução das paradinhas nos módulos de julgadores ocorreu de forma precisa. Infelizmente no último módulo de julgador, com o tempo próximo do estouro, a apresentação contemplou somente uma paradinha, com a bateria seguindo adiante para encerrar seu desfile.

Análise da bateria do Porto da Pedra no desfile

0

A bateria Ritmo Feroz do excêntrico Mestre Pablo fez uma ótima apresentação. A boa afinação de surdos serviu de base para o ritmo. O swing proporcionado pelos surdos de terceira embalaram a bateria da Unidos do Porto da Pedra, inclusive utilizando duas macetas nas paradinhas. O acompanhamento das peças leves auxiliou a preencher a musicalidade. A ala de chocalhos desfilou com uma só fila na cabeça da bateria e os demais ritmistas perfilados dentro cozinha.

desfile porto pedra 2022 04

O naipe de tamborins executou o desenho rítmico de forma segura, com coesão e produzindo uma sonoridade notável. A convenção rítmica dos agogôs também merece menção positiva, se baseando nas nuances da obra. As bossas foram executadas com precisão, mesmo possuindo grau extremo de dificuldade. Tudo com uma concepção musical marcada pela complexidade e pautada pela ousadia rítmica.

A paradinha de maior destaque sonoro foi a do refrão do meio, onde era possível ouvir um solo envolvente de ritmistas que tocaram timbal. O timbal, inclusive, tem participação fundamental na musicalidade da bateria, assim como em bossas. As apresentações da bateria da Porto da Pedra nos módulos de jurados ocorreram sem problemas evidenciados da pista de desfile.

Análise da bateria da Unidos da Ponte no desfile

0

A estreia de Mestre Branco Ribeiro na bateria Ritmo Meritiense foi excelente. A boa afinação de surdos foi notada. Marcadores tocaram com firmeza, ditando o andamento do samba. O arranjo musical envolvendo os surdos no final da primeira do samba propiciou uma fluidez musical, tudo pautado na melodia do samba.

desfile ponte 2022 044

O balanço produzido pelas terceiras merece menção positiva. O acompanhamento de peças leves ocorreu de forma sólida. A ala de tamborins executou a convenção rítmica de modo preciso, produzindo bom volume e agregando na musicalidade da bateria da Unidos da Ponte. Chocalhos tocaram de forma firme, assim como cuícas e agogôs auxiliaram no preenchimento musical do ritmo.

Foi possível notar a bateria tocando de forma mais leve na segunda, valorizando ritmicamente os traços melódicos do samba da Ponte. As paradinhas aliaram concepção musical acima da média, além da execução irretocável de frente para os jurados. As passagens da bateria pelos módulos de julgadores aliou precisão, boa musicalidade e certa ovação popular.

Análise da bateria da Em Cima da Hora no desfile

0

A bateria Sintonia de Cavalcante de Mestre Wando fez uma boa apresentação na abertura dos desfiles. Surdos de terceiras deram balanço ao ritmo, além de executarem paradinhas usando duas macetas. As frigideiras no meio da bateria acrescentaram molho, ampliando a sonoridade. Agogôs executaram o desenho rítmico pautados pela melodia do samba. Cuícas corretas preencheram a musicalidade com solidez, bem como a ala de chocalhos segura deu valor sonoro ao ritmo da bateria da Em Cima da Hora.

em cima hora desfile2022 28

O naipe de tamborins executou o desenho rítmico com limpeza e exatidão, dando bom volume à parte de frente do ritmo. As paradinhas tiveram boa execução em frente aos módulos de julgadores. Assim como as passagens pelos julgadores ocorreram sem problemas evidenciados na pista de desfile.

A bossa principal da escola, que era mais extensa, foi desmembrada em outras duas, configurando um acerto musical que proporcionou dinamismo ao som produzido pela bateria da tradicional Em Cima da Hora. O destaque musical acabou sendo a paradinha com alusão à batida funk.

Análise da bateria do Cubango no desfile

0

A bateria Ritmo Folgado (RF) de Mestre Demétrius fez uma apresentação muito boa. A afinação privilegiada de surdos deu sustentação e amparo musical aos demais naipes. O bom balanço dos surdos de terceira foi notado. O toque destacado das caixas de guerra da bateria da Cubango serviu como base rítmica. O acompanhamento das peças leves auxiliou no preenchimento da sonoridade, elevando a qualidade do ritmo.

desfile 2022 cubango 046

Uma ala de tamborins com toque chapado, limpo e ressonante foi conduzida por um diretor de impressionantes quinze anos de idade. Tudo sincronizado com um naipe de chocalhos que tocou de forma firme e segura. As paradinhas misturaram complexidade de execução e boa concepção musical. A execução das bossas nos módulos de julgadores esteve ritmicamente impecável.

As passagens da bateria da Cubango por todos os jurados foram consistentes e equilibradas. O destaque musical ficou com a paradinha com solo de atabaques e agogôs de duas campanas (bocas), tanto pelo som quanto pela proposta cultural. Os atabaques tocavam com baquetas, o que remete ao Aguidavi, vareta de aspecto sagrado para percussão nos rituais de Candomblé.

Fotos: desfile do Porto da Pedra no Carnaval 2022