Análise da bateria da Grande Rio no desfile de 2022
A bateria da Grande Rio de Mestre Fafá fez uma apresentação muito boa. Um ritmo marcado pelo andamento cadenciado, que propiciou um pleno equilíbrio de naipes e timbres. É a única bateria do carnaval carioca com mapa de todos os ritmistas, o que ocasionou uma organização notável no ritmo, proporcionando uma musicalidade de equalização ímpar. Uma boa afinação de surdos foi notada. O swing envolvente das terceiras preencheram o balanço da cozinha com consistência.
A ala de caixas ressonantes deu sustentação rítmica, agregando à sonoridade, junto com repiques. A ala de chocalhos tocou de maneira firme e coesa. Sincronizado com um naipe de tamborins de sonoridade exemplar, executando a convenção rítmica com precisão e principalmente coesão. Os agogôs pontuaram a melodia do samba e complementaram a bateria da Grande Rio, junto com uma boa ala de cuícas. Paradinhas com boa concepção musical, explorando movimentos rítmicos baseados em simplicidade, mas com extrema eficácia, além de uma construção sonora que deu valor a melodia do samba da escola.
A bossa da cabeça do samba gerou fluidez na boa conversa rítmica, com direito ao tamborins virando de costas para efetuarem uma subida responsável por pautar a retomada do ritmo. As apresentações em todos os módulos ocorreram sem qualquer transtorno sonoro evidenciado pela pista de desfile, com todas as paradinhas tendo êxito na execução, bem como nas retomadas. Vale ressaltar a bela apresentação no último módulo de cabine dupla.
Análise da bateria da Vila Isabel no desfile de 2022
Na primeira vez pisando na Sapucaí sem Mestre Mug nesse plano, a bateria Swingueira de Noel de Mestre Macaco Branco fez uma ótima apresentação. O andamento cadenciado da bateria da Unidos de Vila Isabel permitiu uma fluência rítmica entre os diversos naipes, num ritmo pautado pelo equilíbrio musical. Uma boa afinação de surdos foi notada. O balanço dos surdos de terceira, com o papel de centrador propiciou uma conversa rítmica entre as peças da parte de trás do ritmo, dando base sonora para o desempenho de repiques, caixas retas e a tradicional batida dos taróis da bateria da Vila.
O acompanhamento das peças leves se deu de forma sólida e consistente. Uma ala de chocalhos firme e coesa tocou sincronizada a um naipe de tamborins preciso e uníssono, preenchendo a musicalidade da bateria, além de auxiliar na perfeita equalização. As paradinhas unem concepção criativa envolvendo bom gosto e complexidade no nível de execução. A bossa da cabeça do samba possui um arranjo musical refinado e bem produzido.
A paradinha de maior destaque sonoro foi a da segunda do samba, possibilitando um molho diferenciado durante sua execução. As passagens da bateria da Vila Isabel por todos os módulos de julgamento foram impecáveis, sendo a melhor apresentação a do último módulo de cabine dupla, onde houve certa ovação popular, além de uma nítida boa receptividade do júri.
Passista da Vila ressalta enredo sobre Martinho: ‘Nunca vi a escola tão envolvida assim’
A Vila Isabel encerrou o desfile das escolas de samba de 2022 com uma homenagem a Martinho da Vila. Personagem icônico da escola e da história da música brasileira, o cantor e compositor foi cantado pela Sapucaí na madrugada deste domingo. O passista Gabriel Cauarú falou sobre a emoção da comunidade com o enredo.
“A comunidade nunca ficou tão envolvida assim, já estou aqui há seis anos e não tinha visto isso ainda. É o enredo dos sonhos, falar do Martinho da Vila é uma coisa que a gente espera há muito tempo e ele mereceu muito essa homenagem”, disse Gabriel, que completou:
“Em um Carnaval importante como esse, depois de dois anos de pandemia, a energia está absurda, duas vezes maior. A última vez que a Vila foi campeã ela fechou o Carnaval, o povo de Noel gosta muito disso. Acho que podemos brigar pelo título”, encerrou o ator de 24 anos.
O advogado Henrique Rodrigues revelou ao site CARNAVALESCO que a escolha da Vila Isabel em homenagear Martinho o motivou a desfilar. O advogado de 30 anos saiu na ala 6, ‘Memórias de um sargento’. Outra componente, Valéria Marques, de 55 anos, também falou sobre o enredo.
“O Martinho da Vila ser enredo da escola esse ano foi o motivo que me fez escolher desfilar aqui. Eu admiro muito a obra dele. Gostei muito do desfile e da minha fantasia. O samba também é lindo e muito animado. Fechamos com chave de ouro. A expectativa é pelo título”, comentou o advogado.
“Martinho é o grande ícone da escola, então a Vila Isabel veio contar desde o início da carreira dele até o fim. Eu acredito no título, somos grandes candidatos ao campeonato, com absoluta certeza”, disse Valéria, que desfilou na ala 2, ‘Raízes da Roça’.
‘Homenagem que a escola esperava há muito tempo’, dizem compositores sobre samba para Martinho da Vila
A Vila Isabel fechou o desfile das escolas de samba de 2022 com a homenagem ao grande ícone da escola. A agremiação passou com pela Sapucaí com o enredo sobre Martinho da Vila, com samba bastante cantado pelos componentes. Autor da obra em parceria com André Diniz, Evandro Bocão falou sobre o processo para escrever a canção.
“A emoção é muito grande em homenagear o Martinho, nosso ícone, o homem que representa o mundo do samba. A gente conhece muito de Martinho, é um samba que emocionou muito ele também. Nós tínhamos que escrever o samba pra escola sim, mas a obra tinha que emocionar ele especialmente. Ele ficou muito feliz, disse que a gente acertou em cheio na história dele. Você canta o samba e você vê o Martinho da Vila”, disse Bocão.
Escolhido em setembro do ano passado, a obra teve também participação de Dudu Nobre, Professor Wladimir, Marcelo Valença, Leno Dias e Mauro Speranza. A ala de compositores desfila com a fantasia ‘Escritores da Liberdade’. Autores de um dos sambas concorrentes, Kleber Cassino e Mano 10 também falaram sobre a homenagem.
“É uma homenagem que a escola já aguardava há bastante tempo, já desejava prestar essa homenagem ao Martinho da Vila. É um enredo maravilhoso. Vamos em busca desse título pra nossa escola. Expectativa pelo campeonato é muito grande”, comentou Kleber Cassino.
“É uma obra fantástica. A eliminatória do samba-enredo foi uma disputa maravilhosa, que nem a gente imaginava que seria tão boa”, completou Mano 10.
Vila encerra seu desfile arrebatador com Martinho tomando sua “gelada”
A última alegoria da Unidos de Vila Isabel, veio representando o Boulevard se enfeitando para celebrar a vida e a coroação do poeta homenageado Martinho. O bairro saúda “O pai da alegria”, que do alto, com sua “gelada”, assiste a sua gente emocionada reluzir.
A alegoria com tons variando entre lilás, dourado e azul, por simbolizar uma grande celebração no estilo Martinho, apresentou uma escultura do homenageado tomando sua “gelada”. Nas laterais, a simulação de um bar, com garrafas adesivadas com o símbolo da escola simulando cervejas.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, Wil Sales estreando não só na Vila, como também no Sambódromo, compartilhou sua emoção e felicidade por estar participando dessa maravilhosa homenagem.
“Eu nunca me senti tão em êxtase. Não dormi, não comi, só chorei. Não tem explicação para a sensação de estar na Avenida homenageando Martinho da Vila. Minha ficha ainda não caiu, estou totalmente anestesiado”, afirmou com a voz trêmula, digna de grande emoção.
“Eu desfilo na Vila faz sete anos, mas o sentimento de hoje é totalmente diferente. Me faltam palavras para dizer o que tô sentindo nesse momento. Gratidão pela escola e por nosso Martinho”, contou Jasmin Angel.
O também estreante na escola Rodrigo Vieira afirmou ser o maior fã de Martinho da Vila, o que o levou a desfilar na escola. Quando questionado sobre a responsabilidade em homenagear um dos grandes ídolos da escola, respondeu: “Meu coração está a mil! Estou aqui conversando com você mas estou com o coração pulando pela boca. Foi lindo, nós vamos ganhar”.
Águia de Ouro apresenta plástica competitiva, mas problemas com evolução podem atrapalhar bicampeonato
Quarta escola da noite de sábado, e atual campeã do Grupo Especial, o Águia de Ouro entrou na avenida com um ritmo cadenciado, e precisou acelerar pra encerrar o desfile dentro do tempo permitido. A escola pode se prejudicar no quesito Evolução, e em outros que possam ser afetados pela correria. * VEJA FOTOS DO DESFILE

Evolução
O quesito sofreu algumas falhas durante o desfile. Na entrada da bateria no recuo, o abre-alas parou pouco antes do momento certo, e os ritmistas precisaram desviar pra entrar no recuo.
No minuto 52, quando o último setor passava pelo setor B, a escola precisou aumentar o seu ritmo de andar. Conforme o tempo ia passando, a velocidade ia aumentando. Mesmo com o tempo apertado, a escola conseguiu fechar os portões com 63 minutos.

Samba
O carro de som da escola teve um desempenho sem complicações, mas as cordas chamaram a atenção. Momentos antes de realizar o apagão do trecho “Senhor”, os surdos param de tocar, enquanto as caixas e repiques seguram o andamento. Nesse momento o vilão 7 cordas aproveita pra fazer um dedilhado. Aliás, a variação do violão foi notado em mais trechos diferentes.

Os cavacos também apresentaram variações criativas dentro do samba. No trecho: Awurê, Awurê, Awurê os cavacos fazem um solinho seguindo a melodia. Os cavacos também solam e arpejam no “Epa Babá… Xeu Epa Babá”.
Comissão de Frente
A comissão, nomeada como “Evocação… O Clamor na Fé em Oxalá na Busca Pela Misericórdia”, mostrou Exu Yanguí evocando a paz em nome da humanidade. Os bailarinos estavam divididos entre dois grupos: Ebomis (Título de Quem Já Fez a Obrigação de 7 Anos) e Emis (Elemento Ar – Força Elementar Sob Domínio de Oxalá). Os personagens principais eram Exu Yangui e Oxalufã.

Coreografada pelo Roberto Mafra, a comissão teve uma apresentação na segunda torre segura e sem complicações.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Foi através da luz de Obatalá que a humanidade surgiu, e Exu Yangui designou a liberdade dos seres vivos. Através disso, o primeiro casal da agremiação, João Camargo e Ana, pisou na avenida com a fantasia nomeada: “A Luz de Obatalá e os Desígnios de Exu Yanguí”.
A parte de cima da roupa era branco, e a parte de baixo, marrom. Conforme olhava de cima pra baixo, o marrom aumentava intensidade (degradê).

Ao finalizar a apresentação ao jurado da segunda torre, ambos deram dois passos pra trás ainda com o olhar fixado. O casal cumpriu com todos os requisitos exigidos no regulamento. João trouxe um leque na mão e cravou os passos com firmeza. Já a Ana esbanjou simpatia e demonstrou leveza.
Harmonia
O canto da escola se destacou, assim como é em todas as atividades da agremiação. A intensidade do canto aumentou conforme a bateria realizava os apagões, no trecho: “Senhor em tua honra tudo se faz lento”.

Enredo
Através do enredo “Afoxé de Oxalá – No Cortejo de Babá, Um Canto de Luz em Tempos de Trevas”, o Águia de ouro faz uma grande homenagem à cultura afro-brasileira, um verdadeiro cortejo de exaltação à diversidade étnica.
O primeiro setor, “Águas de Oxalá… O Ritual Sagrado na Busca de Clemência e Paz”, detalha o ritual das Águas de Oxalá. Seguido pelo segundo setor, “Das Trevas ao Esplendor da Natureza… Sagração à Oxalufã e à Oxaguiã”, um início todo em branco. Porém, ao ver de perto, notou-se elementos que representava a terra na parte debaixo (abre-alas, baianas e casal).

O terceiro, “A Adoração à Oxalá – Awurê, Ao Dono do Saber… Derrame Sobre Nós o Seu Amor, Glorioso Protetor”, mostra como o respeito é um pilar importante as tradições africanas.
“Regozijo em Oxalá… Em Busca de Harmonia, Pompéia Pede Paz!”, é o título do quarto, e último, setor da agremiação. O Águia de Ouro fechou o seu carnaval com um grande pedido de paz.
Fantasias
Num contexto geral, as fantasias da escola apresentaram uma boa diferença nos elementos que continham. Em algumas alas, notou-se adereços de mãos, em outras, fantasias mais leves, sem muitos detalhes como costeiro. A divisão fez sentido com a representação da ala.

O início da escola foi um grande destaque pela presença do branco, que predominou e contrastou com a mensagem. A ala das baianas chamou a atenção pela divisão de cores. Em cima era branco, combinando com a proposta do setor inicial, porém ao ver de perto, o saiote continha um degradê marrom.
A ala 12, “Etnias… Oxalá Criou a Vida, a Humanidade Dividiu as Raças”, chamou atenção pela forma criativa de falar sobre assunto, fugindo de elementos clichês, como: Mãos de diferentes etnias apertando. Outro destaque ficou no quarto setor e a sequência de fantasias que representavam religiões diferentes.

Alegorias
O abre-alas representou “O Ritual das Águas de Oxalá, o Horizonte Veste Branco Para Amenizar a Dor”. A segunda alegoria, “No Esplendor da Natureza, a Grandeza do Pai da Criação”, trouxe componentes nas laterais seguravam um guarda-chuva em formato de flor. Ao abrir e girar, dava um efeito visual que contribuiu pro contexto.
O terceiro, “No Novo Mundo, o Altar dos Deuses Africanos… Louvar e Acreditar”, trouxe várias crianças na composição. E o último, “Regozijo em Oxalá… No Panteão dos Orixás, Pompéia, Pede Paz!”.









