A Unidos do Peruche realizou seu ensaio técnico no último sábado, no Sambódromo do Anhembi, e promete apresentar ao público um desfile de leitura clara e acessível. Com o enredo “Oi… esse Peruche lindo e trigueiro… terra de samba e pandeiro”, o Peruche propõe uma mescla entre a celebração de seus 70 anos de história e a trajetória do pandeiro na cultura popular brasileira.
Na pista, a Filial do Samba apresentou um conjunto que permite a quem está na arquibancada identificar rapidamente as referências propostas. As alas dialogaram diretamente com a história da agremiação, sempre marcadas pelas cores tradicionais da escola, o que reforça identidade e pertencimento ao longo de todo o ensaio.
O enredo é desenvolvido pelo carnavalesco Chico Spinosa e será apresentado no sexto desfile do sábado, 7 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso 2.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apresentou uma proposta que combinou coreografia no chão e sobre um elemento alegórico, trazendo uma criança como figura central, além de um personagem posicionado em destaque no topo, que remetia à imagem de um rei, portando um cajado e sugerindo algum tipo de autoridade simbólica.
A criança executou movimentos coreográficos tanto no chão quanto sobre o carro, sempre com um pandeiro nas mãos, erguendo o instrumento repetidas vezes ao longo da apresentação. O gesto reforçou o pandeiro como eixo narrativo do enredo. Os integrantes estavam caracterizados como onças, com maquiagem elaborada, indicando uma aproximação estética com o que será apresentado no desfile oficial, especialmente considerando que este foi o único ensaio técnico da escola no Anhembi.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O novo casal Daniel Vitro e Taiene Caetano apostou em uma apresentação baseada nos movimentos clássicos e obrigatórios do quesito. Vestidos com trajes predominantemente amarelos, mantiveram uma dança tradicional, priorizando a execução correta dos fundamentos.
Daniel utilizou leque e chapéu como parte da composição visual, elementos que dialogam com a simbologia cultural do malandro brasileiro, figura historicamente associada ao samba, ao choro e ao pandeiro. A relação entre o chapéu e o instrumento remete à boemia, à resistência cultural afro-brasileira e à estética popular que permeia o enredo da escola.
HARMONIA
Embora o samba tenha sido bem conduzido pelo novo intérprete Juninho Branco, que mostrou firmeza na puxada e boa comunicação com a escola, nem todas as alas responderam com a mesma intensidade de canto.
Foi possível observar alas com participação vocal mais tímida, o que chama atenção diante da importância histórica da Unidos do Peruche no samba paulistano.
A ala que mais cantou foi a ala de ciganos, após a comissão de frente. Os componentes surgiram com pandeiros em formato de meia-lua e figurinos coloridos inspirados na cultura cigana. A referência dialoga com o significado do pandeiro nesse contexto cultural, em que o instrumento simboliza celebração e proteção. Eles estavam decorados com fitas coloridas que representam raios de sol e caminhos abertos na cultura cigana.
EVOLUÇÃO
A evolução da escola se mostrou organizada, com alas bem identificadas e deslocamentos claros. A leitura do desfile foi facilitada pela coerência entre figurinos e proposta narrativa, permitindo que o público compreendesse rapidamente o que cada ala representava.
Não foram observados grandes embolamentos, e a escola manteve uma progressão constante pela pista. Ainda assim, a menor resposta de canto em parte das alas impactou a percepção de energia da agremiação.
SAMBA
O samba foi bem sustentado pelo intérprete Juninho Branco, que conduziu a obra com segurança e boa projeção. A composição dialoga diretamente com o enredo e favorece a identificação imediata do tema, reforçando a proposta de um desfile de fácil leitura.
OUTROS DESTAQUES
A bateria, uma das mais tradicionais de São Paulo, apresentou bons arranjos e não teve pontos negativos evidentes durante o ensaio. A rainha de bateria, Tata Soares, chamou atenção ao desfilar tocando pandeiro, elemento central do enredo.
Sua fantasia fez uma releitura em homenagem a Nani Moreira, histórica rainha de bateria da Mocidade Alegre. Em 2004, Nani se destacou ao desfilar tocando tamborim, com figurino marcado por fitas e adereços em formato de relógios. Tata incorporou esses elementos, trazendo relógios e o pandeiro como extensão do discurso visual da escola.
Outro destaque foi a presença de Herivelto Scaife, um dos nomes mais conhecidos do carnaval paulistano, que desfilou como passista de pandeiro, figura cada vez mais rara nas escolas de samba.
Também chamou atenção uma ala mirim que apresentou uma roda de capoeira no meio da avenida, com palmas ritmadas e jogo real. A cena dialoga diretamente com a história do instrumento, já que foi a população negra quem incorporou o pandeiro às festas e rodas, tornando-o hoje o segundo instrumento mais importante da capoeira.
Por Luiz Gustavo, Júnior Azevedo, Juliana Henrik e Matheus Morais
A União de Maricá foi a quarta escola a pisar na Marquês de Sapucaí no último sábado, em mais uma noite de ensaios técnicos da Série Ouro. A escola realizou um excelente ensaio, com diversos pontos fortes, sobretudo um samba que obteve ótimo rendimento e uma comissão de frente de alto nível, comandada por Patrick Carvalho. A empolgada e confiante comunidade de Maricá fez bonito, cantando com vontade, e mostrou que a escola vem para brigar pelo acesso ao Grupo Especial no próximo carnaval. A agremiação veio com um bom contingente e passou de forma organizada e confortável pela avenida. A escola desfilará no sábado de carnaval, sendo a sexta a entrar no sambódromo, trazendo o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.
COMISSÃO DE FRENTE
Patrick Carvalho apresentou uma bela comissão com 14 mulheres, todas negras, representando as mulheres que usavam os balangandãs, conjunto de enfeites e correntes douradas. Uma coreografia com a cara de Patrick, com muita dança, marcações precisas e dinamismo nos passos. Elementos de danças afro muito bem realizados, trocas de posição constantes entre as componentes e teatralização executada com categoria. Uma apresentação que manteve o vigor do início ao fim, sem morosidade. A base da coreografia será utilizada no desfile oficial, tornando o desempenho ainda mais destacado.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
“Estamos trazendo a coreografia oficial mesmo, a energia do dia do desfile. Temos esse trato, junto com o presidente Matheus, de treinar tudo o que temos para fazer, para não ficar nada pelo caminho. Então, já viemos hoje fazendo a coreografia oficial. Está faltando um carro lindo, que vai ser um tripé de nível muito forte. O mais difícil tem sido conciliar toda a estrutura que eu tenho, com dinâmica de hidráulica, luz e coreografia. Isso é muito rico, muito grande. Tenha certeza de que está vindo uma comissão para competir com todas as que eu já coloquei nessa avenida. A execução nas três cabines foi muito forte, porque ensaiamos muito para chegar até aqui. Maricá me dá uma estrutura fortíssima para o melhor trabalho possível”, comentou o coreógrafo.
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Fabrício e Giovanna realizaram uma apresentação segura, aproveitando-se da experiência e do entrosamento do casal, já que dançam juntos há sete anos. A série foi marcada pela precisão nos passos e pela boa sincronia entre ambos. Foi uma apresentação mais livre, com poucos elementos coreográficos inspirados na letra do samba e sem tanta explosão, mas com boa técnica na dança, como na sequência de giros de Giovanna no início da segunda parte do samba, sendo acompanhada por Fabrício na sequência, com bons torneados.
Uma das coreografias, por conta do samba, acontece no trecho “eu peço aos meus orixás e entrego todo axé”. No refrão principal, mais uma sequência de giros de Giovanna e um bailado convencional de Fabrício. Faltou mais agilidade em alguns movimentos, mas a boa técnica esteve presente em toda a série.
“Foi muito positivo, principalmente porque já fizemos dois ensaios com a fantasia e trouxemos hoje um bailado para testar a dinâmica com ela. Já estamos usando esse parâmetro da fantasia, e foi muito interessante perceber que a leveza que a gente espera para o desfile conseguimos trazer para a avenida. Então, o balanço é superpositivo, faltando apenas ajustes de velocidade e de tempo. Acho que é só ajuste mesmo de tempo, principalmente por causa da roupa, que não é pequena; é uma fantasia de muita imponência. Então é ajustar o tempo, porque o restante está bem encaixado”, disse o mestre-sala.
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO
“Para mim também foi muito positivo, até porque, quando você já colocou a fantasia no corpo e fez os ajustes, ao vir para a avenida você sente toda essa vibração, essa emoção. A vibração da Bahia, dessa comunidade de Maricá e de todos vocês que fazem parte desse grande show que é o Carnaval. Vocês podem esperar da Maricá uma escola diferente, uma escola de comunidade, uma escola que canta, uma escola que está unida”, completou a porta-bandeira.
EVOLUÇÃO
Precisa, Maricá avançou pela pista com muito volume, tranquilidade e pegada de desfile. Algumas alas coreografadas, como a primeira ala, deram mais corpo à escola, que preencheu muito bem toda a largura da Marquês de Sapucaí. Além das alas coreografadas, as alas livres vinham com marcações, como no refrão central, em que praticamente todas balançavam os braços.
Por conta dessas marcações, em alguns momentos se fez ausente uma evolução mais solta e espontânea por parte dos componentes; algumas alas conseguiram cumprir melhor esse papel. No que tange ao andamento, foi irretocável, sem correria, sem sobressaltos, com uma constância rítmica agradável, mesmo com a força do samba, que poderia acelerar a escola em alguns momentos. Foi uma evolução de escola madura, ciente do que precisa fazer na pista.
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
“Acho que a gente rendeu o que vem rendendo nos ensaios em Maricá. Foi forte, foi potente, teve evolução. A galera tem compreendido a importância desse processo da Maricá neste ano, e a comunidade comprou esse enredo, esse samba. Viemos para fazer a parte técnica, mas hoje também foi show: teve fogos, paradão, então também aproveitamos para brindar o público que veio até aqui. Deu tudo certo”, analisou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
Maricá apresentou um patamar acima de canto em relação aos anos anteriores e realizou um ensaio com muita potência no quesito. O ótimo samba certamente impulsionou o desempenho, e os componentes corresponderam à altura, com um canto em uníssono, não só no refrão de cabeça, que foi uma explosão, como em outras partes também levadas com extrema energia pela comunidade, como o refrão central e o trecho “eu peço aos meus orixás e entrego todo axé, a nega pode e vai ter o que quiser”. O refrão “balangandãs, berenguendéns, canta Maricá o que a baiana tem” teve um rendimento espetacular durante todo o ensaio.
No meio do ensaio, rolou uma paradona da bateria por uma passada inteira, com vários trechos sendo cantados apenas pelos componentes. Em outra bossa, era jogado para os desfilantes o verso final “vá dormir com esse barulho”. Algumas alas coreografadas apresentaram um canto mais irregular, como a ala de abertura da Maricá, com alguns componentes bem calados. O desempenho do samba como um todo foi excelente; o carro de som, liderado por Zé Paulo, sustentou bem, e o intérprete apostou em uma interpretação aguerrida para manter o samba em uma pegada forte, tendo êxito. A obra mostrou suas credenciais como uma das melhores da Série Ouro em 2026.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Estou muito feliz e acho muito bacana fazer parte do amadurecimento de uma escola, ver como ela está crescendo, como está evoluindo, como está se doando, com trabalho sério em uma escola de samba. A gente encerra esse desfile aqui muito ciente do que fez. Hoje fizemos mais um ensaio; a gente não desfilou, trabalhamos como ensaio, e acho que esse é o grande segredo. Toda vez que a gente faz as coisas de forma consciente, no final vai colher um bom fruto. Estou muito feliz em ver o amadurecimento dessa escola, o entendimento de desfile, do que tem que ser feito, do que a gente fez nos ensaios e do que foi repetido aqui. É claro que eu não tenho a visão do todo, mas o que vi passar foi o que a gente fez no ensaio. Faltam mais dois ensaios lá em Maricá, e a gente tem que manter esse foco, manter essa pegada, para que possamos chegar ao nosso objetivo, que é subir”, afirmou o intérprete Zé Paulo.
OUTROS DESTAQUES
A bateria do mestre Paulinho Steves teve ótimo rendimento e esquentou o ensaio da Maricá com várias bossas, principalmente a do refrão central, executada apenas com atabaques e timbaus.
Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO
“Achei que foi um ensaio técnico maravilhoso. A escola mostrou que está muito preparada, com a comunidade cantando muito forte e os segmentos muito bem ensaiados. Foi um momento importante para sentirmos o chão da avenida e vermos que o projeto que planejamos está sendo bem executado. Saio daqui muito feliz com o que a União de Maricá apresentou hoje. A gente sempre tem pequenos detalhes para ajustar, como o espaçamento entre as alas e o tempo exato de evolução em frente às cabines dos jurados. O ensaio serve justamente para isso: para errarmos aqui e chegarmos no dia oficial com tudo corrigido. Vamos reunir a direção agora, assistir às gravações e pontuar onde podemos ser ainda mais precisos para buscar a nota máxima. Espero um desfile histórico da União de Maricá. Estamos vindo com um projeto muito grandioso, muito pé no chão, mas com muita vontade de vencer. A comunidade abraçou o enredo, e a escola vai entrar na Sapucaí para mostrar que quer o seu lugar entre as grandes do Carnaval carioca. Podem esperar uma escola muito organizada e emocionante”, concluiu meste Paulinho Steves.
A rainha de bateria, Rayane Dumont, reina por mais um ano à frente da “Maricadência” e se destacou no ensaio técnico com seu samba e carisma.
Por Luiz Gustavo, Juliana Henrik, Matheus Morais e Júnior Azevedo
A União da Ilha fechou a segunda noite de ensaios técnicos da Série Ouro, na Marquês de Sapucaí, no último sábado, e exibiu algumas de suas marcas eternas. Um chão de muito fundamento, uma escola com identidade própria e uma alegria que contagia quem assiste à Ilha passar. Mesmo com um samba que não está no topo das obras do grupo neste ano, os componentes honraram as tradições da agremiação insulana e deram uma aula de canto e de evolução leve, brincante, sendo a mola mestra da apresentação no sambódromo. Outro destaque foi a “Baterilha” comandada pelo mestre Marcelo, em mais uma grande exibição dentro de suas características, como a batida de caixas e o andamento confortável. Outros quesitos, como o jovem casal formado por João Oliveira e Duda Martins, também exibiram pontos positivos. Faltou um desempenho melhor do samba, que foi cansando e mostrando queda de rendimento com o passar do ensaio. A União da Ilha será a sexta escola a entrar na avenida na sexta-feira de carnaval, com o enredo “Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Ferreira.
Junior Scapin elaborou uma comissão com componentes vestidos com uma malha azul e uma saia na mesma cor, com estampa de estrelas amarelas, uma indumentária que, esteticamente, poderia ser melhor resolvida. Uma coreografia com muitos elementos, principalmente movimentos envolvendo as mãos. Alguns passos simulavam como se os componentes fossem máquinas.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
Na primeira metade da apresentação, os elementos de dança eram maioria, temperados com interpretações de expressão facial. Na segunda metade, a teatralização ganha protagonismo, com o momento de maior clímax da apresentação: cenas de sedução e entrega física entre os componentes, uma síntese do “viver o hoje” falado pelo enredo. Uma comissão que cresce com a teatralização.
“A gente trouxe 70% do que vai levar para a avenida. A gente depende muito do nosso carro; é nele que vai acontecer muita coisa da apresentação. Estamos trazendo um carro bem grande, em proporções de Grupo Especial. Eu queria que, este ano, a comissão da Ilha viesse muito grandiosa e fiquei muito feliz, porque as nossas fantasias estão praticamente prontas. Já estamos ensaiando no nosso carro, e isso é muito bacana. Considero que essa comissão de frente seja polêmica, porque, em um determinado momento, vai acontecer uma coisa que as pessoas não esperam e podem ficar, de certa forma, espantadas, mas acredito que de uma forma engraçada. Foi bacana ensaiar com a pista molhada, pois isso pode acontecer no dia; então eles já sentiram. Até pedi para que não tirassem o sapato, pois no desfile oficial não poderão tirar. Fiquei feliz com a resistência dos meninos. Tenho essa coisa de colocar muita coreografia, e todo mundo terminou bem; isso é o que importa”, disse o coreógrafo.
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O jovem casal João Oliveira e Duda Martins realizou um bom ensaio técnico no sambódromo. Na primeira cabine, a apresentação foi mais contida, e o casal não pareceu 100% à vontade; inclusive, em um determinado momento, eles esbarraram os braços após um passo coreográfico. Nas demais cabines, o casal se soltou um pouco mais e o desempenho cresceu.
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO
Duda realizou alguns giros curvando um pouco o pescoço e os braços, emendando com giros com o corpo mais ereto, mostrando versatilidade e boa execução. João mostrou um bom trabalho de pernas no bailado cruzado e um ótimo cortejo. A melhor sequência do bailado de ambos foi na parte final, no refrão de cabeça. Uma apresentação de um casal inexperiente como principal na Marquês de Sapucaí, mas que exibe um imenso potencial.
“A minha análise é muito simples. Eu sou humilde, então, para mim, a emoção de estar com o pavilhão da União, com a minha escola, com a minha sala, é tudo. Acho que a análise é essa: amor, união. Estou até sem palavras, perdoa. Eu acho que sempre tem o que melhorar. Até a nota 40 tem observação, tem justificativa, e este ano isso vai ser muito importante. Mesmo que seja 10, vai ser justificado. Hoje eu me sinto pronta para entrar e fazer tudo o que eu preparei para o Carnaval deste ano. Melhorar? Sempre”, disse a porta-bandera.
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO
“É muito amor transbordando. Não é suor, é amor. O suor é resultado de tanto trabalho. A gente fica aqui, às vezes, de segunda a segunda, vocês acompanham isso. E chegar aqui hoje, conseguir realizar tudo o que a gente organizou e até um pouco mais, esbanjar emoção, porque aqui é diferente. Quando a bateria começa, quando o canto vem forte, a gente se sente na obrigação de entregar um trabalho mais do que perfeito. Espero que a gente tenha conseguido fazer isso com toda humildade. Eu também estou extremamente satisfeito e concordo com o que minha parceira falou. Sempre tem um detalhe, uma mão, uma respiração para ajustar. A perfeição absoluta não existe, mas acredito que estamos firmes, fortes e preparados para entrar na avenida. Podem esperar surpresa, emoção e a alegria insulana que todo mundo associa à União da Ilha. A Ilha é feita disso: grandes sambas, grandes momentos. E a gente vai, mais uma vez, fazer história”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO
A Ilha dominou a pista do Sambódromo com a alegria peculiar e uma evolução marcada pela leveza. Uma escola que soltou seus componentes para se mexerem com mais liberdade dentro de suas alas, buscando mais lateralidade e preenchimento de espaços. Uma das primeiras alas da tricolor insulana segurava bastões infláveis e desfilou com muita energia, marca da agremiação em todo o ensaio, sem militarismo ou engessamento, em uma evolução contagiante. Em relação ao andamento, a escola seguiu a toada da bateria comandada pelo mestre Marcelo e evoluiu sem correria, aproveitando para brincar carnaval. Muito gostosa a evolução da União da Ilha.
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
“Em relação ao ensaio de hoje, devido à pista molhada, dei uma segurada no andamento da escola para que viesse um pouco mais devagar. Como hoje não tivemos as alegorias, conseguimos ganhar esse tempo dentro da avenida. Dei uma segurada, mas fiquei muito feliz, primeiramente com a evolução e depois com o canto da escola, defendendo esse samba que a comunidade abraçou. Em relação ao Carnaval da Ilha, hoje estamos com a totalidade das fantasias já ensacadas, prontas para serem entregues, as roupas dos casais já prontas, as roupas da comissão já entregues, e estamos terminando de fazer o último carro para que possamos estar com o Carnaval totalmente pronto em, no máximo, cinco dias. A gente sabia o que poderia esperar dessa comunidade, mas ainda temos mais dois ensaios de rua, que pretendemos fazer ainda melhor, para que, no dia do desfile, não deixemos dúvidas sobre a nossa harmonia e evolução”, analisou Junior Cabeça, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
Desempenhos díspares nos dois quesitos. O canto da escola seguiu a leveza da evolução e funcionou muito bem em vários momentos do ensaio. Principalmente após o samba ter uma queda de rendimento, ficou ainda mais visível que o canto da comunidade segurou o ensaio e o potencializou. Uma energia da velha Ilha, uma ancestralidade presente ali naquela pista. A insulana não parou de cantar e cumpriu seu papel com louvor. Até alas que costumam ter um canto mais morno, como a ala de passistas, mostraram que estão com o gogó em dia. Mais um show de canto da União da Ilha.
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ
O canto poderia ter sido ainda mais visceral caso o samba tivesse apresentado um rendimento mais linear. Começou forte na Sapucaí, mas, depois de alguns minutos, a obra já dava sinais de que não aguentaria o desfile inteiro em alta e acabou caindo rapidamente. O samba é melhor em letra do que em melodia, que possui poucas variações. Um dos trechos mais inspirados do samba está no refrão central, com os versos: “Descobri um Rio de Janeiro bom vivant, rebuliço carioca dura até de manhã, poesia nas calçadas, festa, batucada, partideiro versejando pelas madrugadas.” Tem-Tem Jr. se esforçou, junto com seus auxiliares, para manter a pegada do samba, mas não obteve êxito, e a obra foi perdendo força ao longo do ensaio. Mesmo com o canto da escola a mil, a questão técnica do samba influenciou no desempenho irregular.
“Sou suspeito para falar: desde o primeiro dia em que cheguei a essa escola, eu me apaixonei por ela. Você vê no semblante de cada componente a vontade de vencer, a vontade de voltar para o nosso lugar, que é o Grupo Especial. E não foi diferente: pisamos forte, e hoje a chuva caiu para abençoar. Não vou reclamar com Papai do Céu, que é a honra dele, a vontade dele. E cantamos o samba até o final. Não vou julgar também; sabemos dos erros técnicos de som. Hoje é um teste. Espero que, no dia do desfile, não aconteça da mesma forma. Para ali, volta aqui… A gente sabe que não foi só para a Ilha; foi para outras escolas também. Está sendo uma adaptação, está sendo um teste. O nome já fala: é ensaio técnico. Então, é esperar melhorar, no caso, o produto, a proporção do que foi montado para ser esse espetáculo grandioso que é. E a gente se sente pronto, preparado para voltar ao Grupo Especial, se Papai do Céu abençoar”, garantiu o intérprete Tem-Tem Jr.
OUTROS DESTAQUES
Impressiona a constância e a educação musical da bateria comandada por Marcelo Santos. Várias escolas jogariam o andamento para frente para manter o samba mais vivo, mas a Ilha manteve seu padrão de conforto e musicalidade dentro da bateria.
Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
“Foi um ensaio técnico maravilhoso. A escola veio muito bem, a bateria veio dentro do que a gente esperava, mantendo a cadência e executando bem as bossas. É muito gratificante ver o trabalho de meses ser colocado em prática aqui na avenida e receber esse retorno positivo da comunidade e do público. Sempre tem o que melhorar. O ensaio serve exatamente para a gente pontuar esses detalhes. Vamos ajustar um pouco mais o equilíbrio dos naipes, dar uma atenção especial à afinação para o dia oficial e garantir que a entrada e a saída do recuo sejam perfeitas. O objetivo é chegar aos 100% para não dar margem a nenhum erro perante os jurados. Eu espero um desfile de resgate, a União da Ilha sendo a Ilha que todo mundo ama: alegre, vibrante e técnica. A bateria vai vir com tudo para sustentar o canto da escola e emocionar a Sapucaí. Estamos trabalhando para fazer um Carnaval inesquecível e colocar a Ilha no lugar de destaque que é dela por direito”, garantiu mestre Marcelo Santos.
Gracyanne Barbosa veio à frente dos ritmistas e, no final do ensaio, interagiu com a ala de crianças que vinha logo antes, em mais um momento de leveza do ensaio da tricolor insulana.
A Imperatriz Leopoldinense conseguiu afastar a chuva ao iniciar o seu último ensaio de rua, na Rua Euclides Faria. Os componentes concluíram essa etapa do pré-carnaval com muita emoção e divertimento, sensibilizados com a homenagem ao cantor Ney Matogrosso. Com o enredo “Camaleônico”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, a verde e branca de Ramos tomou a rua com todos os signos que representam o homenageado, seus trejeitos, sua alegria e sua expressividade.
Antes do ensaio, o vice-presidente João Drumond fez uma avaliação sobre o pré-carnaval da escola, analisando o desempenho do barracão, a plástica a ser apresentada e as críticas ao samba-enredo de 2026.
“Foi um pré-carnaval de muita organização no barracão. É um projeto ousado. Na minha concepção, é o maior projeto de alegorias que a escola já teve. Esteticamente, eu não tenho dúvida de que está no nível, ou acima, do ano passado, que, para mim, foi o grande projeto artístico do carnaval que passou. E, em nível de samba-enredo, que desde o início foi muito discutido, eu acho que quem acompanhou os ensaios da Imperatriz, tanto na quadra quanto na rua, sabe a força do samba que a Imperatriz vai levar para a avenida, e eu não tenho a menor dúvida de que, mais uma vez, a Imperatriz terá um dos maiores sambas do carnaval”, definiu o vice-presidente.
João Drumond também antecipou suas expectativas quanto aos ensaios técnicos das próximas duas semanas. A escola ensaiará na Avenida Marquês de Sapucaí nos domingos, dias 1º e 8 de fevereiro.
“Eu acho que ensaio técnico é a festa do povo. Pretendemos dar um grande espetáculo para quem está nos assistindo, mas cientes também de que o ensaio técnico é o desfile para nós. Temos que executar tudo de maneira perfeita para que, quando a gente chegue lá no dia do desfile, as coisas saiam como a gente planeja”, declarou.
Os gresilenses provaram que estão disputando no topo da tabela do Grupo Especial. O carisma e a excelência da comissão de frente de Patrick Carvalho e do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, aqueceram a escola para a empolgação que os desfilantes apresentaram em seguida. Além disso, o desempenho do intérprete Pitty de Menezes e do mestre Lolo evidenciou a integração da escola e elevou a energia contagiante do ensaio.
Diferentemente dos ensaios de rua anteriores, desta vez o ensaio fez uma curva na Rua Teixeira Franco e subiu em direção à quadra, na Rua Professor Lacé, para a celebração acompanhada da Roda de Samba e Pagode do Mestre Lolo.
COMISSÃO DE FRENTE
O coreógrafo Patrick Carvalho apresentou uma performance muito condizente com as performances do artista Ney Matogrosso. A expressividade do rosto e do corpo, os trejeitos e a sensualidade do cantor foram interpretados com garra e precisão pelos componentes da comissão de frente.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O mestre-sala Phelipe Lemos e a porta-bandeira Rafaela Theodoro se apresentaram com garra e elegância, em uma coreografia bem próxima da corte tradicional. A abertura para a irreverência acontece no refrão do meio, em referência a “Homem com H”. Phelipe e Rafaela reforçaram o quanto estão conectados ao longo desses anos de trabalho conjunto, assim como evidenciaram a capacidade que têm de levantar o público a cada movimento preciso.
HARMONIA E SAMBA-ENREDO
Pitty de Menezes conduziu o carro de som com excelência e emoção. O intérprete lidou com respeito e divertimento com a composição animada de Hélio Porto, Aldir Senna, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Marcelo Vianna, Wilson Mineiro, Gabriel Coelho, Alexandre Moreira, Guilherme Macedo, Chicão, Antônio Crescente e Bernardo Nobre. Pitty conversou com o CARNAVALESCO sobre o desempenho da noite.
“Foi um ensaio assim, como vocês dizem, avassalador! Foi um ensaio maravilhoso! A comunidade desceu em peso, cantou muito com a escola. A escola está gritando o samba e está preparada para ganhar essa décima estrela. Está preparada para a guerra e para ganhar esse campeonato. Foi uma noite de muita emoção, uma noite de muita entrega, de alegria, de celebração, de encontro com a sua comunidade. Foi um ensaio inesquecível”, destacou o intérprete.
O final do desfile foi marcado pela celebração dos gestores e de sua comunidade, e Pitty de Menezes chorou de emoção com o desempenho da escola e refletiu sobre sua trajetória.
“É meu quarto ano na escola. É uma escola que acreditou no meu trabalho e no meu talento, apostou no jovem. E hoje passou um filme na minha cabeça, de quando eu cheguei aqui. Estamos com uma energia muito parecida com a do Lampião (2023). É uma escola de que muitos não falam como candidata ao campeonato, mas vai surpreender. Eu olhei o Mestre Lolo ali e não consegui me controlar. É uma emoção muito grande estar aqui nessa família. A gente construiu uma grande família, mais do que colegas de trabalho. É uma celebração muito grande. A emoção não tem como, né? A gente sente o samba, porque o samba é isso, o samba é união, o samba é de todos os povos. Foi muito bom hoje, foi um ensaio maravilhoso, e eu não tive como: chorei”, comentou Pitty de Menezes.
Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
Como relatou o intérprete, a escola mostrou que se apropriou devidamente do samba. Cantou alto e integralmente a letra e suas referências a Ney. Todos os refrões foram entoados com muita força, além de trechos como “Canto com alma de mulher / Arte que sabe o que quer”, “O bicho, bandido, pecado e feitiço / Pavão de mistérios, rebelde, catiço” e “O sangue latino que vira / Vira, vira lobisomem”.
EVOLUÇÃO
A comunidade gresilense desfilou com animação e fluidez pela Euclides Faria. Para além das alas performáticas e coreografadas, os desfilantes movimentaram o corpo com os trejeitos e a expressividade de Ney Matogrosso. Dançaram bastante, brincaram carnaval e fizeram um cortejo colorido.
OUTROS DESTAQUES
Impossível ignorar a energia da bateria Swing da Leopoldina, do mestre Lolo, e da rainha Iza. Além da boa execução das bossas já presentes na gravação do álbum de sambas-enredo de 2026, há o diferencial da bossa que reproduz o ritmo de bloco de rua, animando bastante a escola. A empolgação foi tanta que o mestre decidiu encerrar o desfile descalço e ajudou a soltar os fogos que encerraram a apresentação.
Foto: Wagner Rodrigues/Divulgação Imperatriz
A cantora Iza, reinando à frente da bateria, trouxe um look inspirado em um visual clássico de Ney Matogrosso e esbanjou carisma: cantou trechos do samba ao lado de Pitty de Menezes e mostrou seu samba no pé e seu ritmo.
O brilho no olhar da presidente Cátia Drumond e do vice-presidente João Drumond, além da alegria nítida do diretor de Carnaval André Bonatte e dos demais diretores, também evidenciaram o espírito de dever cumprido e a disposição para a briga pela décima estrela em 2026.
Um bom ensaio da bateria “Ritmo Alvinegro” da Botafogo Samba Clube, na estreia de Marfim como mestre na agremiação. Uma sonoridade simples, mas funcional, foi apresentada, com bossas que se aproveitam das variações melódicas do samba, com pressão sonora dos surdos, além de um trabalho destacado entre tamborins e chocalhos.
Na parte da frente do ritmo da Botafogo, uma boa ala de cuícas exibiu um toque sólido. Uma ala de chocalhos acima da média apresentou-se de forma integrada a um consistente naipe de tamborins. O carreteiro firme de ambos os naipes foi um dos pontos altos de toda a bateria, assim como seus desenhos rítmicos simples e funcionais, com destaque para um trecho da segunda, em que tamborins e chocalhos tocam de forma entrelaçada.
A cozinha da bateria “Ritmo Alvinegro” contou com boa afinação de surdos, além de marcadores de primeira e de segunda firmes, mas precisos. As eficientes terceiras ficaram responsáveis pelo balanço entre os graves. Um naipe de caixas, com bom volume, tocou integrado a repiques coesos.
O arranjo bem elaborado do refrão do meio, contando com levada nordestina, casou muito bem com o que solicitava o trecho do samba, mostrando-se eficiente quando apresentado. Já a paradinha do estribilho prossegue pela cabeça do samba, aproveitando-se das nuances da melodia para consolidar seu toque, com destaque para a pressão sonora dos surdos.
Um bom treino da bateria da Botafogo Samba Clube, sob o comando do estreante mestre Marfim. Um conjunto de bossas baseado na simplicidade foi exibido de modo eficaz, impactando positivamente o samba-enredo da escola alvinegra.
Um excelente ensaio técnico da bateria da União da Ilha do Governador, comandada pelo mestre Marcelo Santos. Uma “Baterilha” com sublime equalização entre os timbres, aliada a uma educação musical diferenciada.
Na parte da frente do ritmo, uma boa ala de cuícas tocou junto de um agogô de nítido valor sonoro, que executou um desenho rítmico baseado nas nuances da melodia do samba insulano. Uma ala de tamborins esplêndida tocou interligada a um naipe de chocalhos primoroso. Sensacional o desempenho de ambos, contribuindo com uma sonoridade diferenciada e sendo o ponto alto do belíssimo trabalho envolvendo as peças leves.
Na cozinha da “Baterilha”, uma afinação de surdos extremamente acima da média foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza, mas de modo seguro. O balanço irrepreensível dos surdos de terceira também deixou sua contribuição entre os graves. Uma batida rufada de caixas impecável tocou junto de uma ala de repiques de alta técnica musical.
Bossas altamente musicais foram percebidas, todas pautadas pelas variações melódicas da obra para consolidar seu ritmo. Algumas se aproveitando da pressão dos surdos para efetuar o toque, como é o caso do trecho “Coração insulano bate dentro do peito”, em que os surdos simulam com eficácia a batida de um coração. Arranjos, em sua maioria, pautados pela simplicidade, mas que se mostraram, na prática, profundamente eficientes.
Uma apresentação exemplar da “Baterilha”, sob o comando do mestre Marcelo Santos. Um ritmo bastante equilibrado e equalizado, com excelência musical simplesmente em todos os instrumentos da bateria da tricolor do bairro da Ilha do Governador. Um ensaio técnico que deixou os insulanos esperançosos por mais um desfile para pleitear pontuação máxima, além de garantir uma grande exibição.
Um ensaio técnico muito bom da bateria “Fora de Série”, da União do Parque Acari, comandada pelos mestres Daniel e Erik. Um ritmo profundamente bem equalizado foi exibido, graças a uma afinação de surdos acima da média e à boa educação musical dos ritmistas. Impressiona o preenchimento da sonoridade em todos os mais diversos naipes, deixando leves, médios e graves ressoando, em qualquer ponto de onde se ouça a bateria da Acari.
Um naipe de tamborins sólido exibiu integração musical com uma boa ala de chocalhos, demonstrando um grande trabalho em conjunto na cabeça da bateria da Acari. Cuícas eficientes também contribuíram com a musicalidade da parte da frente do ritmo.
Uma parte de trás do ritmo condizente com o apelido da bateria, totalmente “Fora de Série”. Uma afinação de surdos bem acima da média auxiliou os marcadores de primeira e de segunda a serem precisos e firmes, tirando som sem dar pancada no instrumento. Os surdos de terceira, com balanço envolvente, também complementaram os graves, assim como caixas de guerra consistentes e repiques, que tocaram com coesão, preenchendo a sonoridade dos médios com virtude musical inegável.
Bossas que se aproveitavam das nuances melódicas para consolidar seu ritmo foram exibidas. Um leque de bossas com caminhos musicais distintos, mas todas buscando imprimir a sonoridade dos arranjos por meio das variações da obra da União do Parque Acari. Destaque para a musicalidade cativante da paradinha iniciada na segunda parte do samba, que termina no estribilho, com direito a uma subida progressiva com tapas dos mais diversos naipes, utilizando a melodia do trecho “No cordão de Acari”.
Uma apresentação muito boa no ensaio técnico da bateria “Fora de Série”, da Acari, dirigida pelos mestres Daniel e Erik. Um ritmo com equalização diferenciada, brilho sonoro em todos os naipes e um andamento confortável foi exibido. Um baita show de coletividade musical.
Um ensaio técnico muito bom da bateria da União de Maricá, sob o comando do mestre Paulinho Steves. Um ritmo envolvente, com balanço baiano e africano nas bossas, que possibilita que os componentes dancem e evoluam impulsionados pelo belo trabalho da bateria “Maricadência”.
Na cabeça da bateria da Maricá, logo na primeira fila, um naipe com ritmistas tocando timbal acrescentou seu molho à sonoridade da parte da frente do ritmo. Cuícas sólidas e um bom naipe de agogôs também contribuíram para o preenchimento musical das peças leves. Uma ala de chocalhos de qualidade acima da média tocou interligada a um naipe de tamborins técnico e ressonante.
Na cozinha da bateria “Maricadência”, uma boa afinação de surdos foi percebida. Os marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e precisão. Os surdos de terceira deram um balanço bem envolvente à parte de trás do ritmo. As caixas tocaram de modo consistente, junto de repiques coesos. Atabaques vieram ao meio do ritmo, mais precisamente no corredor, sendo utilizados de forma luxuosa na paradinha do refrão do meio.
Bossas baseadas nas variações melódicas do samba da escola foram apresentadas, desde uma levada com direito a ritmo baiano até um arranjo no refrão do meio exaltando a ancestralidade africana por meio do toque dos atabaques. Vale ressaltar que os atabaques são tocados no arranjo utilizando baquetas, o que religiosamente conecta ao uso do aguidavi sagrado.
Uma apresentação muito boa da “Maricadência” no ensaio técnico, dirigida pelo mestre Paulinho Steves. Um ritmo de nítida virtude sonora foi exibido. Com bossas dançantes, é possível dizer que a bateria da Maricá ajudou a impulsionar tanto o samba da escola quanto a evolução de seus componentes, coroando sua grande exibição nessa noite.
Uma boa apresentação da bateria “Caldeirão da Zona Oeste” (CZO), comandada pelo mestre Dinho em sua estreia na Unidos de Bangu. Um ritmo com conceito musical de simplicidade foi exibido. Em vez de complexidade musical nos arranjos, a opção escolhida foi produzir bossas objetivas, didáticas e altamente funcionais.
Na cabeça da bateria “CZO”, uma ala de agogôs tocou um desenho rítmico baseado nas nuances melódicas com eficiência. Um bom naipe de cuícas também auxiliou no preenchimento musical das peças leves. Uma ala de chocalhos de virtude musical fez uma convenção rítmica simples, com qualidade sonora. Impressionante demais o carreteiro uníssono e impactante dos chocalhos. O naipe de tamborins, também com desenho rítmico pautado pela simplicidade, apresentou-se com solidez. O trabalho musical de ambos, em conjunto, pode ser considerado um ponto alto da parte da frente do ritmo da Unidos de Bangu.
Uma parte de trás do ritmo da “Caldeirão da Zona Oeste” contou com uma boa afinação de surdos, além de um bom trabalho dos marcadores de primeira e de segunda. Os surdos de terceira deram bom balanço aos graves. Um naipe de caixas com bom volume tocou em conjunto com repiques de técnica diferenciada.
Bossas simples, funcionais e eficientes foram apresentadas com precisão. Destaque para o arranjo do final da segunda parte do samba, em que a bateria da Bangu utiliza a levada rítmica da Mangueira. Mesmo com um conceito musical simples, na prática o desempenho foi excelente, além de ser de fácil assimilação para o público, para os ritmistas e ótimo para impulsionar os desfilantes.
Um bom ensaio técnico da bateria “CZO”, da Unidos de Bangu. Do alto de sua experiência, o mestre Dinho revelou sua sagacidade na escolha conceitual de criar bossas simples, funcionais e objetivas. Isso impactou positivamente não só o ritmo, como também o próprio clima da bateria da Bangu, que pôde fazer seu ritmo sem deixar de lado sua espontaneidade. Uma atuação segura e que dá esperança para um grande desfile oficial.