Início Site Página 101

Portela faz do último ensaio de rua um ‘grande xirê’ com canto impactante da comunidade

0

Por Lucas Santos e Bianca Faria

Nem a chuva que ameaçava cair sobre o Rio de Janeiro minutos antes do ensaio da Majestade do Samba afastou o povo que lotou as calçadas da Estrada do Portela. E a força de ancestralidade, de espiritualidade e de legado que a Portela por si só tem, somada ao enredo de 2026, pareceu ter impedido que os portelenses enfrentassem muito mais do que uma pequena garoa. Com os últimos brilhos de claridade do domingo, a Azul e Branca de Madureira começou o ensaio cantando o excelente samba deste ano a plenos pulmões até o final do treino, já com o frescor da noite. Sabendo que os próximos passos já serão no solo sagrado da Sapucaí, a Portela mostrou que todos estavam contagiados pela energia de deixar uma última e excelente impressão para a comunidade de Oswaldo Cruz e Madureira, a fim de mostrar a alegria de ser portelense em um ciclo de carnaval que não foi dos mais fáceis. Não dá para não pensar em como Gilsinho estaria feliz e satisfeito ao ver a comunidade cantando essa obra da forma como foi hoje. A bateria do mestre Vitinho ajudou muito, com bossas e convenções totalmente dentro do samba e abrilhantando-o ainda mais. Rendeu muito bem! No mais, uma evolução bem espontânea e livre, casal com muita vontade e comissão mexendo com a comunidade e apresentando bem o que vinha depois na escola.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

O diretor de carnaval, Júnior Schall, e o presidente Júnior Escafura destacaram o quanto a apresentação da Portela e esse final de ciclo de ensaios de rua da escola não dizem respeito apenas à técnica, apesar de passar muito por ela, mas também à energia, à emoção acima de qualquer coisa.

portela rua2501 2

“Mais uma vez, a Portela trouxe felicidade para o terreiro da Estrada do Portela, e com essa felicidade que ela construiu ao longo dessa caminhada. A construção da felicidade passa pela questão técnica, pois nós precisamos ter técnica. Mas ela passa primordialmente pelo coração. Hoje, entendo que a Portela não ensaiou, a Portela não encerrou com um ensaio. Ela encerrou com uma celebração de felicidade, celebração de intensidade na sua felicidade, celebração de conexão entre todos os segmentos, núcleos e setores da escola. A gente hoje trouxe para a Estrada do Portela tudo o que a gente plantou na quarta-feira, na sexta-feira, no domingo e está plantando no barracão. Hoje nós começamos a colher”, entende o diretor Júnior Schall.

“A gente viu o povo feliz. O portelense cantando com alegria, com felicidade, se divertindo. Eu sempre falo: carnaval é sobre alegria. E a Portela está com essa alegria, com essa energia. Vamos fazer isso na Sapucaí. Vamos brincar, vamos nos divertir; óbvio, vamos cumprir tudo o que a gente tem que fazer tecnicamente falando. Mas a emoção não pode faltar. A diversão não pode faltar. A alegria, a felicidade… Vai ser uma escola solta, sem aquela coisa de fila, não. Será uma Portela energizada, uma Portela cantando forte, uma Portela com garra, com vontade de buscar esse campeonato”, sentenciou o presidente da Majestade do Samba, Júnior Escafura.

Em 2026, com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, a Majestade do Samba será a terceira escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandados pelos coreógrafos Cláudia Mota e Edifranc Alves, estreantes na Portela no próximo carnaval, os componentes trouxeram uma coreografia muito marcada por pontuar os trechos do samba, mas com muita dança e muito sincronismo. Como no trecho “O príncipe herdeiro da coroa de Bará”, em que os componentes faziam o gesto de segurar uma “coroa” acima da cabeça, ainda no refrão principal. E também no trecho “Não há demanda que o povo negro não possa enfrentar”, em que os integrantes encerram o passo com o punho erguido da resistência.

portela rua2501 5

Em outros trechos, como no refrão do meio, “Vai ter Xirê ao toque do tambor”, a comissão chamou a atenção pelas danças e pela sincronia dos movimentos, já que os componentes se mantêm sempre próximos em uma falange, alternando alguns passos com os elementos das pontas e os integrantes do meio. Um dos momentos mais bonitos acontece no trecho “Portela, tu és o próprio trono de Zumbi”, quando os componentes erguem os braços enaltecendo a escola, virados para a comunidade que assistia, fazendo essa referência ao seu povo. Uma comissão que, apesar de não ter mostrado um grande clímax, soube ganhar a comunidade pela dança, pela sincronia dos movimentos, com os componentes extremamente bem ensaiados, e por alguns movimentos de muito carisma ao citar partes mais sensíveis e emocionantes do samba. Abriu muito bem este último ensaio, recebendo uma boa resposta da comunidade que assistia.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marlon Lamar e Squel Jorgea realizaram este último treino na Estrada do Portela sem nenhum receio da pista molhada. Completamente de branco na vestimenta, a dupla começava as coreografias nas “cabines”, já mostrando muita garra, com olhar intenso. Na cabeça do samba, com alguns passos mais voltados para o afro, até os rodopios que os levaram à área de apresentação.

portela rua2501 3

Após algumas mesuras e a apresentação do pavilhão para a comunidade, no refrão do meio o casal iniciava uma série de movimentos mais intensos, com grandes giros de Squel e passos mais característicos de Marlon, inclusive aquela “jogadinha de perna” bem charmosa. Squel parecia que não ia parar de girar nunca mais; a porta-bandeira só parava já no meio da segunda do samba, quando os dois voltavam ao contato, fazendo mais algumas referências, até voltar aos giros, agora de mãos dadas. E finalizam com Squel brilhando mais um pouco entre giros e a bandeirada final, para a dupla seguir em deslocamento.

Uma boa apresentação, sem nenhum erro aparente, cumprindo bem os requisitos que se espera de um casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas, principalmente, destacando os movimentos que a dupla faz de melhor e colocando a personalidade do casal na dança.

HARMONIA E SAMBA-ENREDO

É notável o quanto a obra vem crescendo a cada ensaio. Muito rica melodicamente, permitiu à bateria do mestre Vitinho explorar essa musicalidade. Tudo muito bem encaixado e com uma razão de existir. Não tem nenhum som que esteja sobrando ou que não faça parte do arranjo da obra. A Tabajara está realmente tocando para o samba. E, claro, isso faz com que a música cresça e se destaque ainda mais. Refrão principal com muita ginga e alegre; refrão do meio mais denso e carregado de espiritualidade. Nas estrofes, a cabeça mais épica, cantando a história, e a estrofe de baixo mais emocionante, trazendo elementos que mexem com o brio do portelense e do carnaval como um todo, porque exalta a negritude.

portela rua2501 4

A comunidade foi espetacular hoje. Nesse ponto, nada a tirar em harmonia. E o carro de som, comandado por Zé Paulo Sierra, fez o seu trabalho de forma muito consciente, chamando a comunidade ao canto e trazendo potência na execução, principalmente pelo bom trabalho das vozes de apoio que auxiliavam Zé. Ótimo rendimento e boa expectativa de como essa obra será recepcionada por um público não totalmente portelense nos próximos dois finais de semana na Sapucaí. O intérprete Zé Paulo Sierra falou dessa expectativa e lembrou mais uma vez de Gilsinho.

“Foi uma temporada incrível e de muito trabalho, e hoje a expectativa é a melhor possível. Hoje a gente encerra o ciclo aqui na rua. Falta um de quadra, mais dois na Sapucaí, né, com um teste de som e luz. A Portela fez um grande pré-carnaval. Tem a comunidade feliz, eu como portelense estreando aqui, tendo essa missão de estar exaltando e carregando o legado do Gilson, que era um irmão para mim, um amigo. A gente está fazendo por ele também. Então, eu estou muito feliz com tudo isso”, entende o cantor.

portela rua2501 1

EVOLUÇÃO

A escola mostrou uma evolução bastante espontânea e livre, que resultou em uma energia muito alta para o ensaio. Com um grande contingente nas alas, mesmo assim não se observaram problemas de organização. As alas não estavam enfileiradas marcialmente, porém também não se observavam buracos ou grandes espaçamentos, nem alas se embolando. Ao contrário, o andamento foi muito bom, cadenciado, sem correria, com a comunidade se movimentando no ritmo do ótimo samba, brincando carnaval. Destaque também para algumas poucas alas coreografadas, como a que vinha já no final da escola, em que os componentes carregavam coloridos leques, fazendo alguns passos marcados e gerando um bonito efeito também no uso desses leques.

portela rua2501 6
Fotos: Lucas Santos e Bianca Faria/CARNAVALESCO

OUTROS DESTAQUES

A Tabajara do Samba, do mestre Vitinho, não só se conformou em apresentar uma sonoridade muito rica, como chamou a atenção por coreografias pertinentes e que não atrapalhavam em nada no toque e na correção musical. A rainha Bianca Monteiro, hoje descalça mais uma vez, teve um momento de ainda maior brilho quando entrava no meio da bateria para dançar nas bossas, vendo os ritmistas se abaixando para que Bianca tivesse ainda mais destaque. No discurso antes do treino, o presidente Júnior Escafura agradeceu à comunidade pela temporada de ensaios, projetou o ensaio técnico do próximo sábado e afirmou que “a campeã voltou”, reforçando a promessa e o desejo de a Portela voltar a ser protagonista do carnaval.

Botafogo mostra bateria segura e canto consciente em ensaio na Sapucaí

0

Por Matheus Morais, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

A Botafogo Samba Clube abriu a segunda noite de ensaios técnicos da Série Ouro na Sapucaí. A escola demonstrou muita animação ao passar pela avenida, com bom desempenho da bateria Ritmo Alvinegro e do casal Diego e Beatriz, realizando um ensaio seguro e consistente. Mesmo com um contingente não tão grande de componentes, os presentes soltaram bem a voz em diversos momentos do samba, principalmente nos refrões e nas subidas dos mesmos. A Botafogo levará para a Passarela do Samba o enredo “O Brasil que floresce em arte”, em homenagem ao paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx, falecido em 1994, um dos nomes mais prestigiados da história do Brasil em sua área de atuação.

COMISSÃO DE FRENTE

Com a figura do paisagista como destaque, rodeado de diversos outros bailarinos em ternos com bordados relacionados a figuras de plantas, a comissão de frente comandada por João Pedro Santos teve boa apresentação nos dois primeiros módulos, com uma coreografia moderna e delicada. Os movimentos de pés e mãos, em alguns momentos iguais e em outros distintos entre os bailarinos, ainda assim se mostraram bem sincronizados e executados, contando de forma eficiente a história do homem que amava profundamente a biodiversidade. Destaque para a coreografia na segunda parte do samba, em que as plantas envolvem seu cuidador para demonstrar amor, utilizando tecidos verdes para envolvê-lo na cintura, criando um efeito interessante.

botafogo et26 7

O figurino também ajudou bastante na compreensão da apresentação. A roupa do paisagista se destacou por remeter a algo mais antigo, porém de maneira lúdica dentro da proposta, assim como os figurinos dos outros bailarinos, vestidos com ternos e paletós grandes que davam muito movimento à dança, fazendo alusão às plantas espalhadas pelo figurino, inclusive no chapéu-cuco.

“O ensaio técnico é a base para o que vamos apresentar na avenida e é extremamente importante. Hoje, a Botafogo trouxe um pouco do que será mostrado no desfile oficial, mas não completamente. Quem assistiu, tanto de casa quanto aqui na avenida, pôde ter um gostinho do que vem por aí. Ainda estamos em fase de testes, e teste é para acertar. No caso da comissão de frente, acredito que a dosagem de energia e o andamento podem ser mais assertivos, sabendo onde segurar e onde avançar para chegarmos às cabines com tranquilidade e realizar um bom trabalho. Acho que as pessoas ainda não estão esperando a Botafogo que está vindo, porque ela virá completamente diferente, pronta para colorir a avenida e surpreender no desfile oficial”, garantiu o coreógrafo.

botafogo et26 4

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Diego Moreira e Beatriz Paula teve uma performance correta e segura durante a apresentação nos dois primeiros módulos. Com uma dança tradicional, Beatriz demonstrou bastante segurança no bailado, nos giros e na manutenção do pavilhão sempre aberto, mostrando bom entrosamento com Diego e um cortejo bem executado dentro do espaço da cabine. O mestre-sala também foi muito bem durante a exibição, dançando com animação e apresentando vários movimentos com pequenos saltos e riscados bem executados.

botafogo et26 1

Ambos se apresentaram com confiança diante das cabines do júri desde o início, com destaque para um movimento que acompanhava uma bossa com toques nordestinos da bateria durante a execução do refrão do meio, além de um grande momento na abertura do ensaio da Botafogo. O figurino do casal também acertou ao seguir uma linha tradicional, com o preto como cor principal.

“Saio daqui com um saldo positivo. A gente vem de uma semana intensa de ensaios e conseguiu corrigir algumas coisas antes de chegar aqui, horas antes, na verdade. A avaliação é positiva, um saldo bacana. A pista não está do jeito que a gente gostaria, mas avalio como um ensaio positivo, principalmente pelo som, que não atrapalhou como em outros anos. Antes, quando a gente se distanciava um pouco, o som ficava baixo para executar a coreografia. No geral, acredito que tivemos um desempenho bacana e espero que a nossa escola também tenha feito um bom ensaio junto com a gente”, disse o mestre-sala.

botafogo et26 2

“Agora a gente vai avaliar todos os vídeos, ver o que pode melhorar, o que talvez possa ser ajustado. O ensaio serve justamente para ver se está tudo certo para o desfile. Vamos sentar com mais calma nesta semana, junto com o nosso coreógrafo Adhão, analisar os vídeos e entender onde pecamos e o que pode ser melhorado para ajudar a escola a buscar os 40 pontos”, completou a porta-bandeira.

SAMBA E HARMONIA

Nego teve desempenho consistente e firme durante o ensaio da Botafogo, com destaque para a ala musical da escola, que o auxiliou com precisão ao longo de todo o tempo, demonstrando entrosamento e coesão do time responsável pela parte musical da alvinegra. A maioria dos componentes veio cantando o samba com animação e defendeu bem o hino da agremiação, principalmente nas alas do meio da escola. Alguns poucos, porém, mostraram menor intensidade no canto, apesar de conhecerem bem a obra, com exceção dos refrões e de suas subidas, como “O traço que encanta e cativa / Viva a natureza viva!”, antes do refrão do meio, e “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval / O teu legado é patrimônio mundial”, que antecede o refrão principal, quando a comunidade enche os pulmões e leva o samba às alturas.

botafogo et26 3

“Foi bom! A harmonia funcionou, a bateria funcionou… É isso que a gente quer: que tudo funcione dentro da escola, porque a escola de samba é um todo. Se não funcionar tudo, não adianta. Como a gente tecnicamente desfilou muito bem, e considerando de onde a gente vinha, é um bom início. Mas a gente vai vir muito melhor no desfile. Vamos surpreender muita gente”, afirmou o intérprete Nêgo.

botafogo et26 6

EVOLUÇÃO

A evolução da agremiação, de forma geral, foi consistente, sem correria ou tempo excessivo parada na avenida. Os componentes vieram soltos, movimentando-se com fluidez nas alas e evoluindo com animação em muitos setores, com poucos componentes mais contidos no ensaio deste sábado. Destacaram-se os gestos que acompanhavam os versos “Botafogo Samba Clube / Vem cantar, é carnaval”, com movimentos dos braços para a frente realizados por todas as alas nesse trecho, lembrando gestos de incentivo comuns no futebol. Algumas alas vieram coreografadas, enquanto outras indicaram que utilizarão objetos de mão para a realização das coreografias.

botafogo et26 8
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

“Fizemos o dever de casa e entregamos o que precisávamos aqui. Agora, vamos alinhar alguns pontos para acertar tudo para o desfile oficial. Acredito que a Botafogo está pronta: temos um Carnaval grandioso nas mãos, uma unidade de chão que nos permite sonhar alto. Viemos para fazer um grande desfile e brigar pelo título. O ensaio de hoje foi 100%, e a nossa comunidade correspondeu. Ainda temos mais dois ensaios de rua até o Carnaval para ajustar os últimos detalhes e chegar fortes na disputa”, analisou Luiz Carlos Amancio, diretor de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

botafogo et26 9

A bateria do mestre Marfim realizou um grande ensaio, sendo um dos principais destaques da escola, com bossas, ritmo e força proporcionados pela “Ritmo Alvinegro” aos componentes da Botafogo que desfilavam nas primeiras horas da noite, conduzindo bem o samba em parceria com a ala musical. Outro destaque foi a presença, à frente da Velha-Guarda, de um casal de mestre-sala e porta-bandeira pertencente à ala, valorizando os mais velhos da agremiação.

botafogo et26 5

“O ensaio técnico é um teste fundamental para nós. É literalmente treinar no campo de jogo: é quando executamos todas as bossas, sem guardar segredo, e temos a oportunidade de experimentar tudo e entender como a escola se comporta nesse novo processo. Quando retornei à Botafogo Samba Clube, encontrei uma escola ainda muito crua, assim como o Mestre Marfim. Hoje, nos reencontramos mais experientes, eu, o mestre Marfim e a Botafogom e vamos nos ajustando para que, no dia do desfile, estejamos 100%”, disse o mestre.

Bangu tem evolução e rendimento do samba como destaques do ensaio técnico

0

Por Allan Duffes, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

A Unidos de Bangu fez seu ensaio técnico na Sapucaí e comprovou a qualidade e a força do seu samba. A boa evolução da escola não foi acompanhada pela harmonia, que se mostrou irregular, com muitos componentes cantando apenas o refrão ou não cantando. A comissão de frente fez boa apresentação, mas o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira precisa de mais conexão na dança. Bangu será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, uma homenagem a Leci Brandão, desenvolvido pelos carnavalescos Lino Sales, Alexandre Costa e Marcus du Val.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

COMISSÃO DE FRENTE

Apostando no samba no pé, a comissão de frente da Bangu levou 19 componentes para o ensaio técnico, revelando uma possível troca de elenco no desfile, uma vez que 15 é o número máximo de pessoas aparentes na apresentação do quesito.

A coreografia, assinada por Fábio Costa, não teve um ápice ou confetes explodindo, como está na moda, mas mostrou muito sincronismo entre os componentes. Até na troca do elenco masculino, tudo funcionou muito bem.

Um grupo de sete homens samba com sete mulheres, com roupas vermelhas, enquanto outros cinco homens ficam parados, de costas, no fundo da cena, com terno branco. Na metade do samba, o elenco masculino é trocado. Boa apresentação.

bangu et26 8

“A gente traz um pedacinho da coreografia oficial para testar a movimentação. Muita coisa não dá para fazer porque a gente depende de elementos alegóricos e de toda essa estrutura, mas foi uma passagem muito boa, com um andamento bom da galera, cantando o samba, se divertindo e trazendo essa alma do sambista, que é o que queremos apresentar para homenagear a Leci. Foi um desfile muito bom, e estou muito satisfeito com o resultado. Mesmo com a pista molhada por conta da chuva, a gente até pede para eles pegarem um pouquinho mais leve, mas foram com garra e aproveitaram a chuva para refrescar. Foi uma bela apresentação”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Os movimentos de Leonardo Moreira e Bárbara Moura foram bem executados, a coreografia foi interessante e não enfrentaram nenhum problema nos módulos. O ponto de maior destaque foi no final da apresentação, quando fazem a saudação para Ogum, na virada para o refrão principal.

bangu et26 4

Individualmente, Leonardo e Bárbara cumpriram a missão. Porém, ainda pode interagir mais e ficarem mais próximos. O mestre-sala corteja a porta-bandeira de forma distante, apesar do sorriso constante e simpático de Leonardo.

A indumentária de Bárbara, com a tentativa de saia rodada, não ajudou o desempenho da artista. No primeiro módulo, o efeito do rodado até funcionou, apesar de algumas vezes enroscar nas pernas. No segundo módulo, quando havia mais vento, a saia grudou em suas pernas e pouco fez o efeito rodado, exceto quando a própria Bárbara levantou a saia. Porém, não atrapalhou a evolução.

“Foi um ensaio técnico proveitoso. Viemos com a proposta de testar o que já vínhamos treinando, e acho que o teste foi válido. A escola se comportou bem, a gente também se sentiu bem na avenida, e agora é só ajustar os detalhes para o grande dia. O ajuste é constante. A gente busca a excelência e, para isso, precisa estar atento a tudo: ao tempo da música, ao espaço da avenida e à nossa conexão. O que falta é esse polimento final que só o treino exaustivo proporciona. Para o desfile, espero que a Bangu venha com a garra que sempre teve, que a gente consiga transmitir toda a alegria e o trabalho que estamos realizando no barracão e na quadra. Espero um desfile impecável, em que cada componente dê o seu melhor para a gente alcançar o nosso objetivo”, disse o mestre-sala.

bangu et26 2

“Eu achei um ensaio muito produtivo. Conseguimos colocar em prática o que planejamos para hoje, sentimos a vibração da escola e a recepção do público. Saímos daqui com a sensação de dever cumprido por essa etapa, mas cientes de que o trabalho continua. A gente sempre busca algo a mais. Acho que o ajuste agora é no detalhe, no olhar, na sintonia fina que o ensaio técnico permite perceber. Vamos assistir aos vídeos, analisar a nossa postura e o entrosamento com a escola para chegar ao dia do desfile sem nenhuma dúvida. Espero um desfile emocionante. A comunidade está vindo com muita vontade e dedicação. Meu desejo é que a gente consiga fazer uma apresentação linda, que encante os jurados e o público, e que a escola brilhe muito na avenida”, completou a porta-bandeira.

SAMBA

O ponto alto da escola. Bangu tem um bom samba, e a obra rendeu bem no ensaio técnico deste sábado. Fredy Vianna e Pipa Brasey conduziram bem a obra e foram fundamentais para o desempenho da evolução da escola, que se mostrou alegre e empolgante.

bangu et26 7

O samba, de autoria de Dudu Nobre, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Binho Teixeira, Laura Roméro, Junior Falcão, André Baiacu, Geraldo M. Felicio, Valtinho Botafogo, Gilsinho da Vila, Fábio Bueno, JV Albuquerque, Jonas Marques e Juca, tem letra forte e boa melodia. Os trechos mais cantados foram os refrões, entoados com força por toda a comunidade.

HARMONIA

Quesito que exige atenção da Bangu. Apenas uma ala cantava o samba inteiro e vinha atrás da indicação do primeiro setor. Todas as outras alas apresentaram problemas no canto. A ala posicionada atrás dos dois banners indicativos do segundo e do terceiro setores ensaiou sem cantar. Um quesito irregular que pode fazer a escola perder alguns décimos pela avenida.

bangu et26 6

“Acho que a gente casou muito, porque a Pipa tem um timbre puxado para o grave, é um timbre pesado, bonito, de mulher empoderada, e eu tenho esse timbre mais fechado, com o médio também mais fechado. Então, papai do céu casou bonito as nossas vozes, e vamos dar frutos. A Pipa, além de uma cantora espetacular, é uma pessoa fora do comum. Falei para ela na primeira vez que nos encontramos que a energia já tinha casado ali; quando há essa energia, tudo dá certo”, garantiu Fredy Vianna.

“Nossa passagem foi perfeita porque o som está bom, a gente conseguiu se escutar legal e estávamos com uma energia muito grande, positiva, para fazer um grande ensaio, e a escola teve um desempenho maravilhoso. A gente estava no recuo e viu uma parte da escola passar cantando bastante. Vamos abalar, nosso carro de som está todo harmonioso, todo gostoso. A gente tem uma energia maravilhosa um com o outro, e estou muito feliz com esse momento”, comentou Pipa.

EVOLUÇÃO

Ótima evolução da Bangu. As alas realizaram o ensaio se movimentando, mostrando empolgação, e nenhum problema comprometeu a apresentação da escola, apesar de o segundo tripé ter apresentado dificuldades no deslocamento. Dentro do tempo de desfile, Bangu passou tranquila e mostrou estar organizada.

bangu et26 5

“É lógico que o nosso objetivo é alcançar o acesso ao Grupo Especial. E uma escola que busca o acesso tem que se corrigir a cada momento e a cada instante. É dentro do barracão, é dentro do ateliê, é dentro do ensaio técnico. Fizemos um ensaio espetacular. Isso a gente viu no reflexo da reação popular, da reação das outras torcidas e da reação do público que gosta de carnaval. A Sapucaí cantou o samba, e esse foi o primeiro contato desse samba com a Sapucaí. Acho que, no segundo contato, que é o desfile oficial, vai ser avassalador, com a gente trabalhando certinho e buscando não errar. Acredito que temos tudo para alcançar o nosso objetivo, que é chegar ao tão sonhado acesso ao Grupo Especial”, revelou o diretor de carnaval, Marcelo do Rap.

OUTROS DESTAQUES

A bela fantasia da rainha de bateria Camila Prins merece destaque. Homenageando Oyá e com borboletas remetendo a Iansã, a fantasia em vermelho e dourado exibiu beleza e entregou conceito.

bangu et26 3
Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

A bateria do mestre Dinho, em seu primeiro ano no comando da “Caldeirão da Zona Oeste”, deu ainda mais beleza ao samba banguense. Uma apresentação para levantar o público.

“O ensaio técnico é para isso, é o termômetro. A bateria se comportou muito bem, a escola, em si, veio com uma harmonia muito forte, e acho que o teste foi fundamental para a gente ver o que precisa ser ajustado e o que já está no caminho certo. Saio daqui muito satisfeito com o rendimento dos meus ritmistas hoje. Sempre tem o que ajustar, né? A gente busca a perfeição, e ela é difícil, mas o trabalho é para isso. Vamos ajustar a questão do andamento em alguns pontos, a entrada e a saída do recuo, para que, no dia oficial, não tenhamos susto nenhum e consigamos os 40 pontos que a escola merece. Espero uma Bangu guerreira, como sempre foi: uma bateria pesada, cadenciada e que vai ajudar a escola a subir de degrau. A gente está trabalhando muito para fazer um desfile histórico e levar a Unidos de Bangu para o lugar que ela merece estar”, analisou mestre Dinho.

bangu et26 1

União do Parque Acari aposta alto no ensaio técnico e brilha com casal e comissão de frente

Por Júnior Azevedo, Matheus Morais, Luiz Gustavo e Juliana Henrik

A União do Parque Acari foi a segunda escola a se apresentar neste sábado e deixou uma impressão majoritariamente positiva em seu ensaio técnico. A agremiação da Série Ouro leva para o Carnaval 2026 o enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, apostando na valorização da cultura popular e do teatro brasileiro. Terceira escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, a Acari mostrou organização, bons momentos estéticos e teve como grandes trunfos da noite o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a comissão de frente. Mesmo com pontos a ajustar, especialmente no canto da comunidade, o ensaio evidenciou que a escola tem bases sólidas e destaques capazes de sustentar um bom desfile na Sapucaí.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal foi, sem exageros, o maior destaque da União do Parque Acari no ensaio. Amanda Poblete está de volta à Sapucaí como primeira porta-bandeira após a ausência no ano passado e fez um retorno em altíssimo nível. Com um bailado exuberante, leve e tecnicamente refinado, Amanda brilhou em cada giro. Renan, por sua vez, passou com extrema segurança, elegância e domínio dos movimentos. O entrosamento da dupla impressiona: para um casal estreante, a sintonia é rara. Quem os viu dançando juntos durante o ensaio facilmente apostaria que já dividem a função há muitos anos. Deram um verdadeiro show e elevaram o nível técnico da apresentação da escola.

acari et26 6

“Costumo ver vídeos e estudar bastante, mas o sentimento do ensaio, quando ele é bem feito e bem executado, no sentido de que tudo o que foi proposto foi colocado em prática, é gratificante. Cruzei a linha final muito feliz e com a certeza de que estamos prontos para o desfile. Agora é realmente só contar os dias que faltam. Como a Amanda falou, a gente sempre busca o ápice, o nosso melhor momento para o desfile, tanto físico quanto mental. Sabemos que não vamos alcançar a perfeição, então esperamos chegar à perfeição de sentimento com quem está nos assistindo. Queremos que o público sinta o que tentamos transmitir: esse amor e carinho que temos pela nossa arte. A gente se cobra muito ao longo do ano e do processo, e a nossa maior preocupação é o que as pessoas vão sentir ao ver a nossa arte, porque a arte não é para a gente, é para os outros”, disse o mestre-sala.

acari et26 4

“É um sentimento de muita satisfação, alegria e recompensa pelo trabalho. A gente vem trabalhando intensamente durante todos esses meses, vindo à Sapucaí incansavelmente e treinando fora dos ensaios para ter preparo físico e psicológico. Chegar aqui e conseguir executar tudo o que propusemos, de forma redondinha, envaidece no sentido positivo, por mostrar que o trabalho está no caminho certo. Como dançarinos, a gente sempre busca a perfeição, sabendo que nunca vai chegar nela. O caminho certo é continuar tentando acertar ainda mais em cada ensaio e em cada movimento. O ‘100%’ é sempre o melhor que a gente pode fazer, sabendo que estamos respirando juntos, nos olhando e seguindo o compasso certo. Isso é muito prazeroso para a gente”, completou a porta-bandeira.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente assinada por Fábio Batista mostrou que sua contratação foi um acerto. Especialista em danças de matrizes africanas e com passagens por escolas como Imperatriz Leopoldinense e Paraíso do Tuiuti, o coreógrafo desenvolveu uma performance potente, bem executada e fluida, dialogando diretamente com o enredo “Brasiliana”. Os componentes exibiram belas fantasias e pinturas corporais, reforçando a africanidade da proposta com muita intensidade. A coreografia trazia um rei central portando seu cetro, organizando a narrativa cênica, e teve como grata surpresa a participação da atriz Jennifer Dias, que surgiu durante a apresentação com precisão e contundência nos movimentos, acrescentando força dramática ao conjunto.

acari et26 2
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

“Nunca saí tão feliz da Marquês após um ensaio técnico. É tudo muito tenso, mas esse elenco com o qual estou trabalhando é completamente novo, com muita energia. Sem desmerecer os outros elencos, com os quais sempre fiz trabalhos maravilhosos, neste eu me encontro muito por causa da homenagem ao show brasileiro. Eu me vejo nessa ancestralidade que o brasileiro emana para nós, que somos artistas de devoção. É um lugar que me emociona, que me motiva. É um desafio diferente, porque parece uma zona de conforto, mas não é. Trabalhei com o show brasileiro grande parte da minha vida, viajando por vários países. Quando a gente traz isso para um show inaugural da profissão que um dia escolhi, é lindo de fazer, é muito gostoso. A gente vai melhorar muito a dinâmica e também o impacto do cansaço, porque é uma coreografia de muito vigor. Tem salto, tem pegada, tem padedê, tem chão, tem balanço, e a gente está praticamente sem figurino. Vamos para casa fazer alguns ajustes, tirar excessos, reduzir repetições. Vou acrescentar agora uma coreografia de andamento e descanso, para que a comissão consiga chegar melhor ao jurado. Acredito que, este ano, a Acari vem com a proposta de ampliar sua participação dentro do grupo da Série Ouro. É uma associação nova, fruto da junção de duas comunidades, e acho muito bonito juntar forças para somar. A escola vem caminhando para um amadurecimento maior no conceito dos desfiles, e eu também venho para ajudar, de alguma maneira, a encontrar uma característica própria para a Acari e contribuir com essa perspectiva de futuro dentro do carnaval”, afirmou o coreógrafo Fábio Batista.

acari et26 3
Foto: Juliana Henrik/CARNAVALESCO

HARMONIA E SAMBA

Este foi o ponto mais frágil do ensaio da União do Parque Acari. A harmonia sofreu com a falta de empolgação dos componentes no canto do bom samba assinado por Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão. Enquanto as primeiras alas até apresentaram um canto razoável, as últimas alas mostraram desânimo evidente. Já na parte final do desfile, era possível ver componentes completamente calados e até mexendo no celular durante a apresentação, o que comprometeu bastante o quesito. O samba tem beleza melódica, mas não consegue contagiar a escola como um todo. Nem mesmo o bom trabalho dos intérpretes Leozinho Nunes e Tainara Martins foi suficiente para levantar a comunidade. Houve momentos pontuais de maior fervor, sobretudo nas alas iniciais, mas essa energia não se espalhou. Em contrapartida, a escola manteve um bom ritmo de desfile, sem correria, e apresentou organização satisfatória entre as alas.

acari et26 1

“A comunidade cantou, todo mundo muito entrosado. O carro de som é unido, a gente está com uma equipe maravilhosa entoando esse samba, que é lindo. Ele fala de cultura, e é só isso que a Acari sabe fazer: cultura, falar sobre redes culturais. Eu me entreguei, me entrego de corpo e alma para essa comunidade, que merece sempre mais e mais da gente. A gente não consegue ver a escola inteira da posição em que fica, mas, no canto, deu para sentir. A galera se entregou de corpo e alma. Foi o melhor ensaio técnico que eu já fiz aqui na Marquês de Sapucaí. Foi bacana. Faltam poucos dias e, não é modéstia, mas acho que, se melhorar a pista, como o Léo falou, a gente consegue enxergar melhor a desenvoltura do ensaio e do desfile. Mesmo assim, estamos tranquilos, certos de que temos uma equipe maravilhosa, com pessoas profissionais e competentes, para melhorar ainda mais e entregar algo muito mais bonito do que foi apresentado hoje. O Acari está ocupando um lugar que já era dele há muito tempo. Agora estamos aqui podendo honrar e representar a nossa comunidade”, comentou a intérprete Tainara.

acari et26 8

“Pode-se esperar uma escola muito aguerrida, muito forte, buscando sempre os lugares mais altos da colocação. Estar aqui já é especial. Claro que, se for para o Especial, amém, glória a Deus, é para isso que a gente trabalha. Mas estar na Marquês de Sapucaí já é especial”, completou Leozinho Nunes.

EVOLUÇÃO

No quesito evolução, a União do Parque Acari não apresentou problemas graves. A escola desfilou de forma relativamente coesa, com espaçamento adequado e boa leitura visual. As alas avançaram de maneira organizada, sem buracos significativos ou atropelos, permitindo que o conjunto fluísse com naturalidade. Ainda há margem para ajustes finos, especialmente na padronização de andamento entre os setores, mas o desempenho geral foi seguro e consistente para um ensaio técnico.

acari et26 5

“Foi o segundo passo para o nosso carnaval; o primeiro foi no minidesfile, em que fizemos uma bela apresentação. Agora, no ensaio técnico, eu gostei. A escola estava empolgada. Faltaram algumas pessoas por causa do tempo, já que ontem choveu muito e hoje também ameaçou, então o pessoal ficou um pouco receoso. Mesmo assim, foi positivo. Temos que melhorar e vamos fazer mais ensaios para isso, mas o saldo foi positivo. Repito o que o Yago falou: a gente precisa melhorar no canto, e a gente sabe disso. Hoje foi o segundo passo para o nosso Carnaval, mas sabemos que há pontos a acertar, e um deles é o canto. Vamos ajustar isso ainda mais, mas estou muito satisfeita. A comunidade está cantando, precisa melhorar, mas foi muito positivo. Para o dia do desfile, podem esperar um espetáculo. Nossos carros estão maravilhosos, nossas fantasias estão belíssimas. O Guilherme é um carnavalesco muito competente, jovem e talentoso. Sabemos que os carnavais dele são sempre um grande espetáculo, e vem surpresa aí no Acari”, prometeu Cida, uma das diretores de carnaval.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelos mestres Daniel Silva e Erik Castro, foi um dos pontos altos da apresentação. Com bom ritmo, bossas bem encaixadas e execução precisa, contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento do samba. O carro de som também merece destaque, funcionando de maneira eficiente ao longo de todo o ensaio. Leozinho Nunes e Tainara Martins tiveram bom desempenho, valorizando a obra e evidenciando a beleza do samba, mesmo diante das dificuldades de resposta da comunidade.

“O que vai para o desfile é o que foi apresentado hoje. Estou satisfeito. A bateria entregou o que era esperado. A gente trabalha muito, ensaia muito, sempre em busca do objetivo, que é garantir os 40 pontos para a escola”, comentou mestre Daniel.

acari et26 1

“Estamos nos adaptando a esse novo sistema de som; é um formato novo. O pessoal da equalização está com um pouco de dificuldade de comunicação, acho que pode ser isso que está gerando um pouco de delay, mas o formato é bom, vem para melhorar. Tudo o que vem para atualizar o carnaval é sempre bem-vindo”, citou mestre Erik.

No balanço final, a União do Parque Acari mostrou que tem destaques importantes e um conjunto promissor. Ajustando o canto e buscando maior envolvimento dos componentes com o samba, a escola tem tudo para transformar potencial em um desfile competitivo.

“Foi um ensaio muito positivo. Como minha diretora falou, temos pontos a melhorar e a acertar, mas só tenho a agradecer a essa comunidade, principalmente à minha harmonia, à nossa comissão e ao nosso casal, que foram sensacionais. Colocar o Acari na avenida vai ser maravilhoso. Acredito que precisamos, principalmente, de muito mais ensaios, colocar a comunidade para cantar e trazê-la para mais perto da escola, de certa forma. Esse é o ponto principal e é pelo que estamos batalhando bastante, junto com a presidência e com toda a comunidade, para alcançar. Para o desfile, acredito que a gente vem para surpreender. O Acari é uma escola que chegou à Sapucaí fazendo bons desfiles, como com o Ilê e o Cordas de Prata. Agora a gente vem para fortificar o nosso lugar aqui dentro”, garantiu yago, diretor de carnaval.

Andamento do samba marca ensaio de alto nível técnico da Nenê de Vila Matilde

0

Por Lucas Sampaio, Ana Carla Dias, Gustavo Mattos e Will Ferreira

A Nenê de Vila Matilde realizou, no último sábado, seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. O bom andamento do samba e a consistência técnica foram os principais destaques do ensaio da azul e branco, encerrado após 60 minutos na Passarela do Samba. A Águia da Zona Leste será a quinta escola a desfilar no dia 15 de fevereiro pelo Grupo de Acesso I, com o enredo “Encruzas – Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo”, assinado pelo carnavalesco Danilo Dantas.

nene anhembi et26 7

A Vila Matilde já vinha de um ensaio que passou a sensação de retorno aos tempos áureos. Uma comunidade vibrante como há muito não se via, muito bem tecnicamente e mostrando força para brigar pelo sonhado retorno à elite da folia paulistana, da qual é uma das maiores campeãs. Da despedida da temporada de ensaios gerais no Sambódromo, a escola trouxe pontos de melhoria, mas também alguns elementos com os quais não se pode dar ao luxo de retroceder. A manutenção do elevado nível é fundamental para que as pretensões da Águia sejam alcançadas.

COMISSÃO DE FRENTE

nene anhembi et26 5

Um grande elemento alegórico exaltando a maior encruzilhada do país e homenageada do enredo, que é o cruzamento da Avenida Ipiranga com a Avenida São João, se destaca na passagem do quesito preparado pelo coreógrafo Celso Arruda, que ocorre ao longo de uma passagem do samba. Damas e malandros dançam alegremente até que recebem o protagonista maior: Exu, autoridade máxima das encruzas, que, em dado momento, é o único personagem a descer da alegoria para interagir com o público. É uma apresentação funcional e que cumpre bem o papel de representar o enredo, sendo a facilidade de acompanhamento por parte do público seu ponto forte. Uma maneira positiva de iniciar o desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

nene anhembi et26 6

O primeiro casal da Nenê, formado por Edgar Carobina e Graci Araújo, participou do ensaio com imponentes fantasias que abrilhantaram uma atuação segura, mesmo com a pista escorregadia devido à chuva que caiu ao longo da noite. Os balizamentos foram cumpridos com maestria nos módulos em que foram observados, e chamou atenção, especialmente, o vigor da dança, condizente com o alto astral que o samba da escola proporciona. Grandes chances de o quesito ser um fator diferencial positivo no dia do desfile oficial.

“Hoje a gente se desafiou a vir com a fantasia completa, chovendo ou não. A gente se dispôs a colocar para jogo. E isso foi importante porque já conseguimos administrar a evolução com o jogo de fantasia, abrindo novos campos de visão. Deu para concretizar o nosso plano de pista, e a gente entende que a missão foi cumprida”, explicou a porta-bandeira.

“Missão cumprida e dever cumprido. Foi um ensaio bem gostoso, bem leve. A gente ensaiou bastante com a fantasia, também tivemos essa pitadinha da chuva em cima da gente que foi a cereja do bolo. Então está tudo certo, estamos ansiosos para o dia do nosso desfile oficial”, contou o mestre-sala.

HARMONIA

nene anhembi et26 1

No primeiro ensaio, a Nenê surpreendeu pela alegria intensa e contagiante que tomou conta do ambiente do Anhembi. Não que esse vigor tenha sumido, mas ficou ligeiramente aquém daquilo que já ficou claro que a Águia consegue entregar. O mais importante, porém, é a manutenção da constância: todas as alas cantaram bem o samba, e não havia ninguém passando apenas por passar. Consciência da missão a comunidade da Vila Matilde tem, bastando apenas manter em mente que a disputa do Grupo de Acesso I em 2026 pode ser uma das mais acirradas da história. Não há espaço para deslizes este ano.

“Se eu não vejo um componente que não está cantando, eu já vou para o meio da ala pra fazer cantar, para incentivar. O primeiro ensaio foi muito satisfatório superou todas as expectativas. Chegamos hoje muito confiantes e acredito que fizemos um excelente ensaio”, comentou o intérprete Tiganá.

EVOLUÇÃO

nene anhembi et26 3

Em um ensaio já contando com os cronômetros de pista instalados, chamou atenção o fato de a escola só ter começado a cantar o samba após 10 minutos do início da contagem de tempo. Esse detalhe torna o fato de a escola não ter estourado o limite regulamentar ainda mais impressionante, fechando os portões no limite dos 60 minutos. A fluidez do andamento na avenida foi constante, os desfilantes brincaram o Carnaval sem preocupação, e até mesmo a bateria se aproveitou disso e aplicou bossas e apagões sem receios. Tecnicamente, a escola está bem assessorada, e essas peculiaridades observadas apenas deixam claro que dificilmente a Nenê terá problemas com o quesito no dia do desfile oficial.

SAMBA-ENREDO

Quesito que teve o melhor crescimento de desempenho em relação ao ensaio anterior, a ala musical comandada pelo intérprete Tiganá mostrou-se ainda mais à vontade com o samba e imprimiu um andamento de alto nível e constante. A obra ajuda muito a bateria a ser mais ousada, favorecendo bossas criativas e apagões, haja vista que a letra de fácil assimilação facilita o canto da comunidade. Uma obra que só cresceu desde o dia em que foi escolhida e que tem boas chances de proporcionar um grande espetáculo no dia do desfile oficial.

OUTROS DESTAQUES

nene anhembi et26 4

A “Bateria de Bamba”, comandada pelo mestre Matheus Machado, também esteve em grande noite. A criatividade das bossas animou o público, e os apagões permitiram perceber a capacidade da comunidade de responder no andamento correto. A rainha Gabriela Ribeiro chamou atenção por ter desfilado descalça, mas sem perder a postura em meio à pista escorregadia do Anhembi.

Harmonia abrilhanta conjunto irretocável no segundo ensaio dos Gaviões da Fiel

0

Por Lucas Sampaio, Ana Carla Dias, Gustavo Mattos e Will Ferreira

Os Gaviões da Fiel realizaram, no último sábado, seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile no Carnaval 2026. Um treinamento de altíssimo nível, no qual o conjunto da obra se fez valer e o canto da comunidade foi a estrela principal da passagem da agremiação, encerrada após 60 minutos na Passarela do Samba. A Fiel Torcida será a quarta a desfilar no dia 14 de fevereiro pelo Grupo Especial, com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, assinado pelos carnavalescos Júlio Poloni e Rayner Pereira.

gavioes anhembi et26 7

As arquibancadas foram tomadas pelo negro dos mantos corinthianos durante a passagem dos Gaviões. A soma da presença massiva de torcedores com o que se viu na pista são sinais claros de uma comunidade carregada de uma confiança que não se via, talvez, desde os tempos dos últimos títulos da escola. É um senso de compromisso que se reflete em técnica irretocável, canto arrebatador e boa comunicação de todos os quesitos avaliáveis até o presente momento. Como diria um samba antigo da escola, a sensação que ficou é a de que a Fiel Torcida está com uma grande saudade de ganhar o Carnaval e fará de tudo para que, em 2026, isso não seja um mero sonho antigo. Se o nível for mantido, aliado ao visual e a um enredo bem contado, as chances de bordarem a quinta estrela no pavilhão são realmente altas.

COMISSÃO DE FRENTE

A coreografia ensaiada por Helena Figueira ocorre ao longo de duas passagens do samba e vem representando o “Ritual de Yakoana”. É uma apresentação que acontece com quatro elementos alegóricos empurrados individualmente por componentes, mas que, apesar de ocuparem cada um uma pequena área da pista, são bastante altos e têm uma função quase de composição de cenário, pois a coreografia ocorre praticamente toda no chão.

gavioes anhembi et26 2

É uma dança impactante, visível no fato de que, no início, uma parte dos dançarinos se junta em marcha e canta o refrão do samba com muito vigor. As movimentações características da temática originária se fazem presentes para a evocação do ritual, que evolui para, no segundo ato, um componente pegar um tipo de cabaça da qual sai um fumaceiro. Daquelas alegorias mencionadas, aparecem pessoas no topo dessas estruturas, sendo possivelmente uma referência aos Xapiris, os espíritos da floresta evocados no ritual.

A abertura do desfile dos Gaviões promete ser impactante, com todos os componentes demonstrando estar em perfeita sintonia e prontos para buscar a nota máxima no quesito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Wagner Lima e Carolline Barbosa precisaram ser guerreiros para superar o vento que surgiu durante o ensaio da escola, mas, diante do clima, conseguiram se sair bem. Nos pontos da pista em que foram observados, o primeiro casal dos Gaviões da Fiel cumpriu todos os balizamentos exigidos pelo quesito e ainda terá tempo para aperfeiçoar ainda mais e chegar pronto para o dia do desfile oficial.

gavioes anhembi et26 8

“No nosso primeiro ensaio, na semana passada, sentimos que ainda tínhamos algumas coisinhas que precisávamos ajustar, em questão de tempo e de entradas e saídas de jurados. Hoje, saímos de um ensaio muito felizes porque conseguimos colocar esses pequenos ajustes já em prática. A gente vem com força e com garra, querendo vencer, indo para brigar, claro, com o pé no chão, mas com o nosso sonho, que a gente nunca pode deixar de sonhar e de acreditar naquilo que busca. A escola está buscando essa quinta estrela”, celebrou a porta-bandeira.

“Hoje é aquele negócio de arrumar detalhezinhos, ver onde o braço entra certinho, afinar detalhes. A gente conseguiu ajustar esses detalhezinhos e colocar tudo em prática hoje, o que estava no papel. Estamos com o pé no chão, mas a gente vem fazendo um bom Carnaval já há alguns anos, então estamos em busca da quinta estrela e de mais um título. Muito foco no enredo, que fala dos povos indígenas, sobre essa terra que é deles. Estamos falando de ancestralidade indígena e, com certeza, o povão vai cantar junto com a gente. Queremos também fazer um bom desfile para o corintiano apaixonado, para quem ama o Gaviões, para quem ama o carnaval. A gente quer colocar tudo o que está no papel em prática e fazer o povão feliz”, conto o mestre-sala.

HARMONIA

Em um ensaio em que o elevado nível do conjunto da obra dificulta apontar qual quesito se destacou mais, fica a menção honrosa para o espetáculo que foi o canto da comunidade dos Gaviões da Fiel. Por muitos anos, as pessoas tendiam a fazer pouco caso do empenho dos componentes na hora de cantar, com a escola sendo criticada com alegações de que só sabiam cantar os refrões. Pode ser reflexo das ótimas colocações alcançadas nos últimos carnavais, mas o que se viu não apenas no último sábado, como também nos dois ensaios técnicos, é que a Fiel Torcida se vê como um time compromissado e que trabalha em prol do objetivo maior.

gavioes anhembi et26 5

Um vigor constante se espalhou por todos os segmentos, impactando até mesmo alas com passos marcados e outras que não costumam, no geral, cantar forte, como baianas e crianças. A confiança que esse nível de canto proporciona estimula outros quesitos, em especial a bateria, que sente coragem de fazer apagões, pois sabe que a comunidade vai responder à altura e manter o andamento. Parabéns ao trabalho dos diretores dos Gaviões, mas, em especial, à determinação da nação corinthiana. Que continuem assim, com gana de vencer, daqui em diante e por muitos anos.

“Esse daqui já foi melhor que o outro. Já estamos chegando perto daquilo que a gente pretende no desfile. Escola coesa, tudo perfeito, todo mundo cantando o samba, que é o principal. É muito legal, só tenho a agradecer o trabalho de todos. A gente almeja fazer um grande espetáculo. Porque aqui ainda não temos as fantasias, ainda não temos as alegorias. Essa é a cereja do bolo do dia do desfile principal. A gente quer fazer um desfile para agradar e marcar no coração de todo mundo”, garantiu o intérprete.

EVOLUÇÃO

Tecnicamente irretocáveis, os Gaviões da Fiel passaram pelo Sambódromo do Anhembi de forma constante, compacta e em um ritmo que permitia aos desfilantes brincarem o Carnaval com muita tranquilidade. O ensaio se encerrou aos 60 minutos, mesmo com a escola fazendo uma pequena parada próximo ao setor final do desfile, apenas para a bateria realizar mais um dos apagões praticados pela avenida. Carnaval é para se divertir, e a Fiel Torcida conseguiu fazer isso sem comprometer o andamento do desfile.

SAMBA-ENREDO

Um samba que, na primeira versão divulgada, gerou preocupações, mas que, desde os ajustes feitos para a faixa oficial do CD, foi amadurecendo e ganhando cada vez mais confiança. Os Gaviões souberam lapidar o diamante e, com a ala musical comandada pelo baluarte da voz Ernesto Teixeira, a escola fez do canto mais um grande momento da noite. O andamento foi agradável de se acompanhar e, em nenhum momento, se perceberam quedas de desempenho, sendo essa mais uma arma poderosa da Fiel Torcida para o dia do desfile oficial.

gavioes anhembi et26 4

OUTROS DESTAQUES

A mais badalada das rainhas estava lá de novo. Sabrina Sato reinou imponente à frente da bateria “Ritimão” e deslumbrou nos olhares o que, nos ouvidos, já estava sendo um show à parte. Os comandados pelo mestre Ciro estavam mais ousados que de costume, muito favorecidos pelas boas oportunidades de bossas que o próprio samba proporciona, mas, como já citado, encorajados também pelo canto vigoroso da comunidade para aplicarem apagões deslumbrantes.

“Achamos muito boa a evolução, principalmente em relação ao primeiro ensaio que a gente fez só de bateria. Para este, houve uma evolução muito grande, e a gente está preparado para apresentar isso aos jurados e conquistar as notas, convencê-los de que a bateria se preparou bem, está afinada, as bossas estão bem encaixadas, e o carro de som também, junto com as bossas, está funcionando. É trazer essas notas para o Gaviões brigar novamente pelo título. É isso: no geral, o Gaviões vai brigar pelo título. Acho que dá para ver pela energia, pelo clima, está todo mundo querendo buscar. Essa questão de, nos últimos dois anos, ter voltado para as campeãs mostra uma evolução em todos os sentidos. Eu fui ao barracão e fiquei extasiado com o acabamento de tudo, com o capricho das fantasias. A gente, como bateria, também, e é o que costumo falar para os ritmistas, tem que corresponder a tudo isso à altura. E todo mundo entende muito bem esse recado: veste a camisa, vai de corpo e alma e vamos buscar, se Deus quiser”, disse mestre Ciro.

Barroca Zona Sul mostra grande evolução no seu segundo ensaio técnico

0

Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Lucas Sampaio e Will Ferreira

A Barroca Zona Sul realizou no último sábado o segundo ensaio técnico rumo ao Carnaval 2026. O treino foi marcado por uma considerável evolução em relação ao primeiro ensaio, realizado há duas semanas, principalmente pelo vigor no canto e por uma evolução mais solta e alegre. Outro destaque vai para a comissão de frente, liderada pelo coreógrafo Chris Brasil. Trata-se de uma leitura possível de ser decifrada, mas que ainda guarda muitos pontos a serem desvendados e que serão revelados apenas no dia do desfile oficial. É uma escola madura, que ainda precisa de ajustes para não errar no Anhembi no grande dia, além de outras questões envolvendo o barracão. A Barroca Zona Sul terminou o ensaio técnico em um tempo satisfatório, com 59 minutos.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

barroca et26 2 1

A escola será a última a desfilar na sexta-feira de Carnaval, com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, assinado pelo carnavalesco Pedro Magoo.

COMISSÃO DE FRENTE

A ala, coreografada por Chris Brasil, apresentou uma coreografia complexa, mas com pontos que já permitem uma boa leitura. A maioria dos bailarinos estava vestida de dourado. Oxum reluz muito ouro e, também no tripé utilizado na coreografia, quatro ou cinco componentes vestiam as cores azul, interpretadas como os rios, cachoeiras e águas de Oxum, bem conhecida por ser a entidade desse elemento.

barroca et26 2 3

Um pouco abaixo do topo do tripé estava a figura da própria yabá, que realizava movimentos típicos da entidade e, em determinado momento, descia e puxava uma espécie de pano que ficava dentro de uma gaveta. Ainda não é possível saber exatamente o significado da ação, mas é certo que tudo será compreendido no desfile oficial. Fato é que, por ser o tema da escola, Oxum é muito exaltada na comissão de frente e aparece em diversos momentos da apresentação.

Entretanto, aqui vale um ponto de atenção: o topo do tripé é alto, e a cabine localizada no Setor H é praticamente térrea, o que inviabiliza a visão. Resta ver como isso será julgado no dia do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Cley Ferreira e Lenita Magrini foi o único a ensaiar com a pista molhada, já que houve uma leve chuva no começo do treino. Ainda assim, não sentiram esse percalço e ensaiaram normalmente. Destaque para a porta-bandeira, que não se intimidou com as condições do chão e executou os giros horário e anti-horário com a intensidade que lhe é característica.

Na análise em frente ao Setor D, foi possível observar que a dupla cumpriu todos os balizamentos exigidos pelo manual do julgador, apostando na técnica e sem dar tanta ênfase à coreografia dentro do samba. Com isso, Cley e Lenita realizaram um ensaio seguro, mesmo estando juntos pela primeira vez. O mestre-sala atuava como segundo e foi promovido para dançar com a primeira porta-bandeira, que está há muitos anos na verde e rosa do Jabaquara.

barroca et26 2 2

“A chuva veio e trouxe um presentinho para nós, mas, graças a Deus, conseguimos concluir o primeiro ensaio e nele atingimos 95%. Neste, saímos com 98%, e ainda há algumas coisinhas simples para ajustar. O importante é que conseguimos concluir os dois técnicos com mais da metade do projeto já realizada. Saímos bem tranquilos com isso. Quando falamos em mais da metade do projeto concluído, é porque nunca achamos que está bom o suficiente. Temos que praticar todos os dias para melhorar. O trabalho foi entregue, mas ainda temos muito a evoluir no quesito técnico e profissional”, comentou Lenita.

“A escola veio mais forte, cantando mais, e daqui para frente é melhorar sempre. Não podemos deixar isso se tornar algo comum. O Carnaval é um jogo, e ninguém entra querendo perder. Tenho certeza de que nossa comunidade está vindo com força total para entregar o melhor e buscar uma estrela para o nosso pavilhão”, afirmou o mestre-sala.

HARMONIA

O canto da comunidade da Barroca Zona Sul melhorou consideravelmente em relação ao primeiro ensaio, a ponto de apresentar um desempenho em nível semelhante ao do Carnaval 2025. É verdade que a melodia dos dois sambas é diferente, mas a régua da verde e rosa subiu, e a expectativa é alta para as apresentações na quadra e no Anhembi.
Os componentes cantaram forte durante todo o percurso e não deixaram o ritmo cair, algo muito importante para a avaliação na cabine final. Não há versos ou estrofes que destoem dos demais, fato que deve ser comemorado pela escola. Destaca-se também a facilidade dos desfilantes em cantar as palavras de origem afro, que aparecem com maior frequência em relação à obra de 2025.

EVOLUÇÃO

barroca et26 2 7

Os componentes evoluíram de um lado para o outro de maneira leve e descontraída. Não houve registro de buracos ou divisão de alas e, portanto, nenhuma ocorrência que precisasse ser solucionada durante o ensaio. Vale ressaltar a saída da bateria do recuo, feita de maneira limpa, rápida e sem erros.

Trata-se de um grande ponto positivo para o time de harmonia e para o mestre Fernando Negão. Não houve necessidade de parar a escola por muito tempo para realizar a manobra, que foi executada de forma objetiva. Isso merece destaque, pois uma das cabines de evolução fica em frente a um dos jurados, localizada na parte térrea do Setor C.

SAMBA-ENREDO

A dupla Dodô Ananias e Rafael Tinguinha mostrou bom entrosamento durante o ensaio. Foi interessante ver Dodô fazendo cacos e brincando com o mestre Fernando Negão a cada bossa executada. O entrosamento fica evidente pelo fato de não atropelarem um ao outro, respeitando o tempo de cada um.
Para uma dupla formada recentemente e que pisa no Anhembi pela segunda vez, esse aspecto merece destaque. O carro de som e seus apoios ajudam bastante, assim como o entrosamento com a bateria Tudo Nosso.

“O que posso dizer é que estamos em uma crescente. Viemos do último ensaio ajustando algumas coisas, chegamos aqui com um sentimento positivo e agora foi ainda melhor. Saímos com a sensação de dever cumprido. Claro que sempre há algo para ajustar, mas agora são detalhes mínimos. Vamos com tudo para fazer o melhor desfile da Barroca Zona Sul dos últimos anos”, disse Tinguinha.

barroca et26 2 6

“No último ensaio tivemos alguns problemas de oscilação de andamento, e acredito que neste corrigimos isso. O som da avenida favorece, pois conseguimos ter a massa sonora e a escola cantando no mesmo andamento. Sanamos bem nossas dificuldades e chegamos bem preparados. Gostei bastante do resultado desse ensaio”, declarou Dodô.

OUTROS DESTAQUES

A bateria Tudo Nosso, comandada pelo mestre Fernando Negão, executou as bossas buscando precisão nos compassos, com destaque para a do refrão principal, em que os leques dos chocalhos aparecem novamente.

“A gente avançou um pouco em relação ao que ensaiamos no sábado passado e na quarta-feira. Faltam alguns detalhes e ajustes, mas já estamos cerca de 90% encaminhados. O samba é muito bom e a galera gostou bastante, assim como aconteceu no último ano. Estamos vivendo uma boa safra de sambas, seguindo uma linha afro, e esse é o caminho. Isso exige dedicação, ensaio e empenho meu e da minha rapaziada, que é a minha diretoria”, avaliou o mestre Negão.

Unidos da Tijuca ensaia na rua Conde de Bonfim neste domingo

Aproveitando ao máximo os últimos dias antes do carnaval, a Unidos da Tijuca, visando se preparar para o desfile oficial no qual almeja o campeonato do Grupo Especial, treinará na principal rua do seu bairro, a Conde de Bonfim, no coração da Tijuca, neste domingo. A concentração acontece a partir das 17h, na esquina da Rua José Higino.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Juliana Alves
Foto: Jullie Abreu/Divulgação Tijuca

O ensaio tem início às 19h, e o cortejo segue até a Rua Uruguai. Participam do treino todos os segmentos e todas as alas. Já na próxima sexta-feira, a Unidos da Tijuca será a última escola a ensaiar na Marquês de Sapucaí. A concentração acontece a partir das 23h, ao lado do Edifício Balança Mas Não Cai. A escola convoca toda a sua comunidade e torcida.

A Unidos da Tijuca será a última escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, dia 16 de fevereiro, com o enredo “Carolina Maria de Jesus”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira. As fantasias estão esgotadas.

Data: 25/01/2026
Concentração: 17h / Ensaio: 19h
Endereço: Rua Conde de Bonfim (entre as ruas José Higino e Uruguai) – Tijuca
Ingressos: Entrada franca

Com canto potente, evolução segura e resposta exemplar da comunidade, Mocidade Alegre mantém alto nível no segundo ensaio

0

Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Lucas Sampaio e Will Ferreira

A Mocidade Alegre realizou, no último sábado, mais um grande ensaio nesta temporada de 2026. A impressão que se tem é de que a escola voltou ao seu auge após alguns percalços no Carnaval 2025, entre problemas nos ensaios e no desfile. É incrível o vigor das alas no canto, a garra na evolução, a resposta nos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”, comandada pelo mestre Sombra, além do fácil entendimento da comissão de frente e da força do casal de mestre-sala e porta-bandeira, sobretudo de Natália Lago. É até difícil elencar um segmento ou quesito de destaque no ensaio. Foi tudo muito completo, e isso mostra que a Morada do Samba pode brigar pelo título no dia do desfile. Claro que tudo pode acontecer de forma diferente no dia oficial, mas os ensaios técnicos são os principais termômetros para tirar conclusões sobre as postulantes ao caneco.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A escola fechou o ensaio no tempo de 1h01. Ainda em tom de brincadeira, a bateria voltou para a pista e retornou novamente à dispersão. Tal manobra já se tornou tradicional.

A Mocidade Alegre será a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval, com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Caio Araújo.

morada et26 2 5

COMISSÃO DE FRENTE

A ala, coreografada por Jhean Allex, aparentemente apresentou novos elementos neste ensaio. Havia bailarinos homens e mulheres. Os homens vestiam roupas vermelhas com brilho, enquanto as mulheres usavam roupas brancas com detalhes dourados. Assim como no ensaio passado, havia um tripé com bailarinos simbolizando diferentes papéis de Léa Garcia em sua carreira. A coreografia era realizada, em sua maior parte, no chão e consistia, inicialmente, na execução de movimentos obrigatórios, como estender os braços para saudar o público e apresentar a escola.

morada et26 2 4
Ainda no chão, os bailarinos faziam movimentos teatrais, com danças cênicas, como se estivessem em um palco. Ao final, eles escalavam o tripé, como se tentassem alcançar o topo, onde estavam as personagens de Léa Garcia, a protagonista no pavilhão da Mocidade Alegre.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Se na última sexta-feira os casais sofreram com o forte vento, com o casal Diego Motta e Natália Lago não foi diferente. A cada giro realizado pela porta-bandeira, aumentava o risco de ocorrer algum problema com a bandeira e o mastro, mas Natália foi guerreira e não se intimidou. Lutou contra as forças da natureza e manteve o pavilhão intacto, conseguindo realizar o ensaio de maneira satisfatória.

A dupla novamente foi à pista vestindo a fantasia do Carnaval 2026 e, assim, a adaptação à nova indumentária tende a ser melhor. Os principais requisitos, como giros horários e anti-horários, coreografia e o ato de estender o pavilhão para a cabine de jurados e para o público, foram cumpridos corretamente. Diego e Natália optaram pela técnica. Talvez essa tenha sido a estratégia mais adequada diante das circunstâncias do vento e do sereno que se fizeram presentes até a metade do ensaio.

morada et26 2 8

“No comparativo, o primeiro ensaio até foi produtivo, por mais que a gente estivesse ainda um pouco confuso nessa questão de cabine, que tinha a alteração da primeira; a última tinha sido alterada um dia antes, que chegou no mapa para nós, mas fizemos aquilo que estamos acostumados a fazer. Determinamos pontos de jurado e batemos a coreografia como se fosse a cabine naquele lugar. Hoje foi o dia em que conseguimos botar exatamente no ponto de visão dele, para entender o andamento, onde termina a coreografia. Mas a Mocidade tem muito dinamismo nessa questão de andamento devido à parte da bateria, coreografia, então isso facilita de certa forma para nós, porque estamos preparados para qualquer coisa. Eu e a Natália temos esse hábito de conseguir ir se virando dentro das possibilidades, então, para mim, hoje foi como se fosse valendo mesmo, e eu acho que estávamos muito bem”, comentou o mestre-sala.

“Ainda é um pouco estranho, mas, comparado ao primeiro ensaio, que para nós foi no susto realmente, hoje foi muito bom, superou as nossas expectativas. Falta pouco, vamos continuar trabalhando mais e mais, porque realmente ainda é diferente. As duas últimas cabines serem muito próximas é estranho, não tem jeito. É estranho, mas não só para nós; todo mundo está trabalhando muito em cima disso, está focado nisso, e, se Deus quiser, vai dar certo para todo mundo. Que dê tudo certo, que consigamos conquistar o nosso objetivo. Torcemos demais”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

Impressionante como cantou a comunidade da Mocidade Alegre. A impressão é de que os componentes se cobram cada vez mais por uma melhora na harmonia, mesmo após um ensaio anterior considerado mais do que satisfatório. O canto da comunidade, junto com a bateria e o carro de som, foi executado de forma correta. Claro que houve necessidade de ajustes devido à ausência do sistema de som do Anhembi, mas isso foi nitidamente corrigido neste treino.

morada et26 2 2

Vale destacar um momento em que o som apresentou uma falha e, por poucos segundos, a comunidade precisou sustentar o canto a uma só voz. É justamente isso que deve acontecer, pois sempre existe o risco de o som falhar no dia do desfile. Outro ponto positivo foi a constância no canto. Se a comunidade mantiver esse padrão, provavelmente não será penalizada no último módulo, localizado no final da pista. Por fim, destacam-se as ótimas respostas nos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”.

EVOLUÇÃO

Notou-se uma escola evoluindo de forma ainda mais leve, realizando movimentos de um lado para o outro com descontração e fluidez. Se há um ponto a ser destacado em relação ao primeiro ensaio técnico, é justamente esse: um andamento mais solto entre os componentes das fileiras, o que resultou em um treino alegre, assim como o anterior.
Vale ressaltar também o posicionamento da escola na pista. Aquela Mocidade Alegre compacta, que sempre deu aula de evolução, volta a ser vista, sem riscos de buracos ou divisão de alas. A entrada para o recuo de bateria foi tranquila e certamente agradou todas as lideranças da agremiação. Por fim, destaca-se novamente a presença de alas coreografadas com adereços de mão, que deram um belo contraste na pista. As cores diferentes, sem dúvidas, agradaram o público presente no Anhembi.

SAMBA-ENREDO

morada et26 2 1

O intérprete Igor Sorriso costuma repetir durante o ensaio a frase “Que show, comunidade!”. Mas quem também sabe proporcionar um verdadeiro espetáculo é o próprio cantor. Igor, junto da ala musical, executou perfeitamente os apagões com a comunidade, e a arquibancada respondeu, com destaque para o refrão principal.
Ainda sobre o intérprete, ele busca constantemente a animação e a interação com o público para motivar os componentes da escola. A frase “Ô malunga ê” ecoa de forma arrepiante, extremamente abraçada pela comunidade e pelo mundo do samba.

OUTROS DESTAQUES

Se a harmonia foi um dos grandes destaques da escola no ensaio, isso passa diretamente pelos apagões realizados pela bateria “Ritmo Puro”, liderada pelo mestre Sombra. Foram vários momentos marcantes, com respostas fortes da comunidade e participação ativa da arquibancada.

“O ensaio foi legal, estamos na nossa média e sempre há algum ajuste a ser feito, nunca está tudo perfeito, mas ainda vamos trabalhar bastante, vamos continuar trabalhando. Sempre dá para melhorar, para fazer o melhor em uma competição acirrada. Sabemos que temos grandes concorrentes, várias escolas fazendo bons ensaios, então vamos à luta, porque o trabalho ainda não acabou”, disse o mestre Sombra.

MocidadeAlegre et MestreSombra 4

“Vamos tentar fazer o melhor carnaval possível, tanto para quem é da comunidade quanto para quem é simpatizante da gente. Vamos passar o recado da Léa, que deixou a luta da mulher preta e do ator preto na televisão e no cinema brasileiro. A gente vai atrás do nosso objetivo, ela merece isso, e nós vamos trabalhar muito para que todo o resultado dê certo”, finalizou o músico.

A rainha Aline Oliveira segue como uma das protagonistas, chamando atenção por onde passa. Samba muito e interage bastante com o público, principalmente com quem acompanha de perto no Setor B (Monumental).

Destaca-se também a ala das passistas, bem coordenada, que, por onde passou, virou-se para as arquibancadas e arrancou aplausos do público, com muito samba no pé.

Quando o samba tempera a avenida: Vila Maria transforma o Anhembi em um banquete cultural

0

Por Gustavo Mattos, Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

O último encontro da Vila Maria com o Sambódromo do Anhembi antes do desfile oficial foi marcado por fluidez, entrega e entendimento coletivo da proposta que a escola levará à avenida em 2026. A agremiação apresentou no último sábado um ensaio técnico consistente, com o conjunto funcionando de maneira coesa do início ao fim, reforçando a identidade do enredo “Do chão que alimenta à culinária que encanta: Brasil, um banquete de sabores”, assinado pelo carnavalesco Vinicius Freitas.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Com tempo cravado em 58 minutos, contando a partir do início do canto do samba-enredo 2026, a escola mostrou preparo para cumprir seu papel como a 2ª escola a desfilar no domingo pelo Grupo de Acesso I, no dia 15 de fevereiro, quando retorna oficialmente ao Anhembi para o desfile competitivo.

COMISSÃO DE FRENTE

Com assinatura de Taiana Freitas, a comissão de frente apresentou uma leitura cênica clara e bem estruturada do enredo, apostando na relação entre gerações como fio condutor da narrativa. A cena central trouxe uma criança apresentando uma feira a um idoso, simbolizando a transmissão de saberes, memórias e tradições ligadas ao alimento, à terra e à cultura brasileira.

vilamaria et26 2 4

Os integrantes utilizaram fantasias que remetiam a frutas, reforçando visualmente o conceito da feira e facilitando a compreensão imediata da proposta. Durante a apresentação, quatro tripés foram incorporados como elementos cênicos fundamentais da coreografia. Quatro integrantes ficaram responsáveis pela condução desses tripés, realizando deslocamentos coordenados ao longo da avenida, criando desenhos coreográficos que dialogaram diretamente com a evolução do samba e com a narrativa apresentada.

A coreógrafa optou por trabalhar com duas coreografias distintas, cada uma ocupando uma passagem inteira do samba-enredo. Na primeira, os movimentos evidenciaram a organização da feira, com gestos que simulavam a exposição e a oferta dos alimentos, enquanto os tripés eram movimentados de forma sincronizada, marcando espaço e ampliando o impacto visual da comissão. Na segunda passagem, a coreografia ganhou contornos mais afetivos, reforçando a troca simbólica entre a criança e o idoso, com movimentos mais fluidos e interação direta entre os personagens e os elementos cênicos.

Mesmo em ensaio técnico, a comissão demonstrou controle espacial e domínio dos recursos utilizados, com os tripés sendo conduzidos de forma funcional, sem comprometer o andamento da escola. A movimentação dos elementos manteve alinhamento, tempo musical e leitura clara da proposta, evidenciando um trabalho coreográfico pensado para dialogar com a avenida e com o desenvolvimento do enredo ao longo do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Carlos Eduardo (Kadu) e Camila Moreira apresentou uma performance marcada por sintonia e entendimento mútuo. A dança fluiu com naturalidade, com giros bem distribuídos, conduções seguras e constante diálogo corporal entre os dois. Os olhares se mantiveram presentes durante toda a apresentação, reforçando a conexão exigida pelo quesito, assim como os sorrisos, que surgiram de forma espontânea e coerente com a proposta do ensaio.

vilamaria et26 2 6

Tecnicamente, a porta-bandeira realizou evoluções com boa amplitude de pano, mantendo a bandeira sempre bem aberta e distante do corpo do mestre-sala. Kadu executou proteções precisas, com deslocamentos que respeitaram o espaço da parceira, evitando cruzamentos ou momentos prolongados de costas. Não houve registros de interferências externas nem falhas de condução, o que reforça a segurança do casal neste estágio da preparação.

“Analisando esse nosso último ensaio técnico, o segundo com a escola, já saímos muito satisfeitos no primeiro, porque foi um ensaio incrível. Por ser o primeiro, sempre fica a sensação de que pode ter alguma coisa a mais. O primeiro ensaio foi fantástico, e esse segundo também. Não é porque a gente fez o trabalho, mas saímos muito satisfeitos. Se hoje fosse o dia do desfile, estaríamos completamente tranquilos. Foi um ensaio seguro, com tudo o que planejamos. Conseguimos executar todas as apresentações para os jurados nas cabines; foram quatro cabines para nós. A gente está se preparando desde maio para chegar bem, com resistência tranquila, para, no dia do desfile, estar tudo entregue”, disse o mestre-sala.

“A gente já estava acostumada com a mudança das cabines, porque estamos ensaiando desde o começo de janeiro. Já sabíamos dessas duas últimas, que são as mais difíceis, porque vêm uma seguida da outra. Há um pequeno respiro da terceira para a quarta cabine. Para nós, está tudo bem, porque estamos ensaiando justamente para esse preparo. Então a mudança foi tranquila nesse sentido. É um pouco mais difícil, mas está tranquilo. A minha análise é de um ensaio seguro e feliz. Primeiro, porque estamos na nossa escola. Segundo, porque o trabalho que desenvolvemos foi 100% perfeito. Não houve problema de espaçamento. Conseguimos garantir a coreografia na frente do jurado e também o tempo de descanso fora da cabine. O planejamento saiu 100%; não tem como não estar muito feliz hoje. A gente estava muito segura. Essa segurança trouxe mais tranquilidade para trabalhar. No primeiro ensaio foi muito bom, mas ainda havia algumas dúvidas em relação às cabines. Hoje estávamos seguras em todas elas, do começo ao fim do desfile. A gente sai daqui dançando, feliz, e depois foi comemorar junto com a escola”, completou a porta-bandeira.

HARMONIA

Sob a condução de Clayton Reis, a harmonia da Vila Maria apresentou regularidade ao longo de todo o ensaio. O intérprete sustentou o samba com firmeza, mantendo o andamento estável e estabelecendo comunicação constante com a bateria, fator determinante para a manutenção do canto coletivo.

vilamaria et26 2 2

As alas responderam de forma positiva, com destaque para a homogeneidade do canto nos setores iniciais. Em alas posicionadas mais ao fundo do ensaio, especialmente no segundo setor, houve pequenas oscilações de intensidade vocal, prontamente corrigidas com o apoio do carro de som. Não foram identificados desvios significativos de letra, e o canto se manteve distribuído ao longo da escola, sem quedas bruscas de rendimento. A atuação da ala musical evidenciou entrosamento e leitura precisa do samba-enredo.

vilamaria et26 2 5

“O clima para este ano é de diversão, e tem que ser assim, porque é carnaval. Acho que Carnaval é alegria, descontração, e todo mundo tem que vir com essa alegria e vibração para passar para o povo da arquibancada; assim, eles vêm junto com a gente. Para o dia do desfile, o coração está a mil. Fizemos um primeiro ensaio bom e um segundo ensaio ótimo; agora, para o grande dia na avenida, espero ainda mais dessa comunidade maravilhosa. A gente vive um clima maravilhoso, e o Vinícius arrebentou nas alegorias, que estão muito lindas. Não tem nem o que falar: está tudo maravilhoso. Acho que esse clima daqui de dentro do barracão também está perfeito”, comentou o intérprete Clayton Reis.

EVOLUÇÃO

A evolução, conduzida por Julio Cesar e pela Comissão de Harmonia, transcorreu de maneira organizada. As alas avançaram de forma constante, sem registros de embolamentos, mantendo boa ocupação da pista e atenção aos intervalos entre os segmentos da escola.

vilamaria et26 2 1

A movimentação ocorreu sem a formação de buracos evidentes, e não foi necessária a realização de retornos excessivos para correção de espaço. Um ponto que merece destaque foi a postura das alas, que desfilaram de maneira mais solta, sem dependência exclusiva de fileiras rígidas, mantendo o samba no pé e leitura leve da evolução. Alas coreografadas executaram seus movimentos de forma sincronizada, sem comprometer o deslocamento da escola.

SAMBA

O samba-enredo 2026 da Vila Maria apresentou rendimento consistente durante o ensaio técnico, sustentando a narrativa do enredo ao longo de toda a apresentação. A obra, assinada por Alemão do Pandeiro, Anderson Magrão, Mazinho Argenta, Renne Campos e Márcio Biju, demonstrou bom encaixe com a bateria e com a interpretação de Clayton Reis.

Trechos como “Explode, dá água na boca / Despertando sonhos e inspiração” ganharam força com a resposta do coral, enquanto partes mais descritivas do samba exigiram maior condução do intérprete para manter a intensidade, algo bem administrado pelo carro de som. O samba cumpriu seu papel como fio condutor do desfile, permitindo evolução contínua e leitura clara da proposta.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Cadência da Vila”, sob o comando de Marcel Bonfim, apresentou atuação segura e bem alinhada. Com três bossas distribuídas ao longo do samba, a bateria manteve o BPM estável do início ao fim do ensaio, respeitando a dinâmica da obra e dialogando diretamente com o intérprete. Os naipes mostraram equilíbrio sonoro, com diretores atentos às entradas, saídas e à limpeza rítmica.

vilamaria et26 2 3

“Sobre hoje, tivemos um balanço bem positivo, porque o primeiro ensaio foi bom. Tivemos um segundo só de bateria, no qual detectamos alguns problemas, mas, graças a Deus, esse último que acabamos de fazer foi ótimo, graças a Deus, maravilhoso. A gente ainda tem mais um tempinho para trabalhar e, se Deus quiser, vai dar tudo certo. A bateria está confiante. Trabalhamos muito forte uma transição, e isso também tem que ser ressaltado, porque é sempre uma responsabilidade muito grande. A Vila Maria é uma escola gigantesca, e assumir uma bateria por onde passou o Mestre Moleza durante 13 anos não é tão fácil. Então, a gente passou por esse processo ao longo desses anos juntos; agora estamos seguindo um legado e, se Deus quiser, vamos conseguir entregar o melhor para a escola. As expectativas são as melhores, já que a escola está trabalhando muito forte, assim como a nossa direção de Carnaval e de harmonia. A gente, com a bateria, também está tentando resgatar esse canto forte da Vila Maria, que é muito importante para o carnaval. Graças a Deus, está rolando. Se Deus quiser, neste carnaval vai dar tudo certo”, afirmou o mestre.

A rainha de bateria, Nathany Piemonte, marcou presença com interação constante com o público e com os ritmistas. Durante o ensaio, cantou o samba, acompanhou as bossas com leitura corporal precisa e utilizou figurino leve, adequado à dinâmica do treino técnico, permitindo liberdade de movimentos e conexão direta com a bateria.

Com um ensaio técnico que evidenciou organização, leitura de enredo e maturidade coletiva, a Vila Maria encerra sua preparação no Anhembi confiante para o próximo e decisivo encontro: o desfile oficial no dia 15 de fevereiro, quando levará à avenida um Brasil servido em forma de samba, tradição e identidade cultural.