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Canto que ecoa e responde: com rua lotada, Mocidade mostra preparo e força da comunidade no último ensaio de rua

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Por Carolina Freitas e Ana Beatriz Campelo

As ruas de Bangu estavam praticamente vazias na noite do último domingo, exceto pela Avenida Ministro Ary Franco, que estava impressionantemente lotada, por conta do último ensaio de rua da Mocidade. Torcedores e componentes não deixaram a ameaça de chuva abalar e mostraram que a Verde e Branca de Padre Miguel tem chão fortíssimo e que a escola está preparada para o primeiro ensaio na Sapucaí. A evolução é nítida. O clima era de confiança, de quem sabe que o trabalho foi feito e entregue.

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“A gente viu um temporal se desenhar durante o dia e olha como está isso aqui, lotado”, comentou, impressionado, o intérprete Igor Vianna, que horas antes havia convocado o público a comparecer ao ensaio pelas redes sociais e teve seu pedido atendido minutos depois, ainda durante a tarde.

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Fotos: Carolina Freitas e Ana Beatriz Campelo/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelo coreógrafo Marcelo Misailidis, a comissão de frente se apresentou em alto nível técnico. Os integrantes executaram a coreografia com precisão, empolgação e bastante concentração, usando apenas capas pretas como figurino, o que despertou uma grande curiosidade sobre como serão as fantasias do desfile oficial, já que o adereço é essencial para os movimentos.

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Misailidis acompanhava cada movimento de perto, corrigindo detalhes em tempo real, enquanto os componentes ajustavam as marcações sem interromper a dança. Foi um ensaio para valer, com cara de desfile oficial. Na simulação para a cabine de jurados, eles deram um verdadeiro show e arrancaram gritos e aplausos do público que foi assistir, sendo uma das alas que mais empolgaram os torcedores.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Com a ausência do primeiro casal, Diogo Jesus e Bruna Santos, coube ao segundo casal, Diogo Moreira e Isabella Moura, a missão de conduzir o pavilhão, e eles corresponderam à altura. Com elegância, precisão e bom entrosamento, a dupla apresentou uma dança segura e empolgada, transmitindo leveza e confiança. A resposta do público veio em forma de muitos aplausos, reconhecendo a qualidade da apresentação.

HARMONIA

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Um dos grandes pontos altos da noite foi, sem dúvida, a harmonia. No início do ensaio, o intérprete Igor Vianna ordenou, em seu discurso, que a comunidade cantasse forte, e o pedido foi atendido com louvor. O canto veio potente e constante, evidenciando o chão da Estrela Guia. A condução de Igor foi firme e segura, mantendo a escola ligada do começo ao fim.

“O balanço é um saldo totalmente positivo. Eu costumo dizer que o samba de 85 é a coisa mais forte e o Independente vai a qualquer lugar. A gente não se prende. Vimos algumas pessoas falarem nas redes sociais: ‘Mocidade é só Padre Miguel’, mas Bangu também faz parte da comunidade da Mocidade. A diretoria optou por um ensaio mais técnico nessa rua, que tem medidas bem parecidas com a Sapucaí. É muito aceitável um certo receio, mas só quem viveu essa pré-temporada sabe o quanto foi acertada a decisão. A nação Independente está aqui em peso esperando o nosso último ensaio. Não tem como não tirar um saldo positivo de tudo isso”, avaliou o cantor.

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Igor também falou sobre as expectativas para levar o próximo ensaio para a Sapucaí e deu seu relato de fã da agremiação.

“São as melhores. Sempre fui um Independente mais espectador. Este ano, está sendo a minha estreia, não só como puxador da Mocidade, mas também como desfilante. Porém, sempre fui à Avenida assistir e prestigiar a minha escola; por isso, sei o poder que ela tem na avenida e que o Independente tem chão. Toda a comunidade do carnaval, em geral, pode esperar um povo apaixonado cantando muito na Marquês de Sapucaí”.

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EVOLUÇÃO

No quesito evolução, a Mocidade apresentou um avanço claro em relação a ensaios anteriores. Problemas pontuais de dispersão e buracos, observados em treinos passados, foram corrigidos. As alas passaram mais bem posicionadas, ocupando corretamente seus espaços e mantendo a fluidez do desfile. A empolgação se manteve até o fim, e a ala coreografada foi um dos destaques, chamando atenção pela sincronia e fluidez dos movimentos.

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OUTROS DESTAQUES

Algumas alas se sobressaíram, como a ala dos passistas, que veio cheia, vibrante e com muito samba no pé. A ala coreografada, mais uma vez, mostrou alto grau de entrosamento.

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A rainha de bateria, Fabíola de Andrade, foi outro ponto de destaque. Esbanjou carisma, entusiasmo e foi muito atenciosa com a comunidade que estava lá para prestigiá-la, além de entregar bastante samba no pé durante todo o percurso.

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A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada por mestre Dudu, mostrou que estava bastante afiada e precisa, apresentando uma condução de qualidade, muito alinhada ao carro de som.

Dudu falou sobre a fase atual vivida pela escola enquanto avaliou o desempenho do trabalho desenvolvido até aqui.

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“Hoje, a Mocidade se encontra em um momento especial. A gente quer realmente fazer o Independente ser feliz. A escola vem há muito tempo batendo na trave pelo não rebaixamento, e a Mocidade não merece isso. Vamos provar que a escola é gigante mesmo, que o Independente precisa torcer e brigar para a escola voltar às campeãs e que seja a campeã do carnaval, obviamente. Mas o trabalho está entregue, os segmentos todos bem reforçados. E, falando de bateria, eu trabalhei bastante as músicas da Rita. Comecei a escutar a cantora para entender um pouco do que era Rita Lee. Tentei botar as bossas dentro das melodias que o samba me entregou, para que o jurado tenha um entendimento melhor também. Agora não tem mais o que mudar, é esperar a oportunidade do dia oficial. Sabemos que vêm dois ensaios técnicos agora, mas a escola optou por fazer esse ensaio na Ministro Ary Franco para que o Independente tenha um ensaio digno. Na Guilherme da Silveira é um ensaio bom, tradicional, mas era uma rua muito apertadinha. Aqui, na Ary Franco, a gente encontrou uma rua até maior que a Avenida; é um ensaio técnico de verdade. Agora é aguardar o nosso momento do desfile oficial e vamos, que eu sei que a Mocidade vai dar a volta por cima. Vamos entregar o melhor para a escola sempre”.

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O mestre também demonstrou empolgação para a estreia do ano no Sambódromo. “As expectativas são as melhores. Vêm dois ensaios aí, e não vai ser diferente. A gente sempre entrega o melhor. Todo mundo tem grande paixão pela Mocidade. O Independente, de fato, é apaixonado de verdade e não vai ser diferente lá embaixo também. Pode ter certeza disso. Vamos entregar sempre o nosso melhor”.

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Beija-Flor leva Nilópolis a Copacabana, transforma a Avenida Atlântica em Bembé e confirma força de rolo compressor

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A orla de Copacabana voltou a ser tomada pelo azul e branco de Nilópolis em um ensaio-desfile que reuniu memória, emoção e projeção de futuro. Mesmo após um tempo sem acontecer, o último ensaio no bairro havia sido realizado em 2018, ano em que a escola conquistou o título do carnaval com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar”, a presença da Beija-Flor na Zona Sul reafirma uma tradição que atravessa décadas e conecta a Baixada Fluminense a diferentes territórios da cidade por meio do samba.

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Fotos: Marielli Patrocínio/CARNAVALESCO

A passagem da Beija-Flor pela orla da praia de Copacabana carrega um forte simbolismo, por ser fora de sua quadra, longe da Mirandela, local onde a escola testa sua força, mede a potência do samba-enredo e estabelece um diálogo direto com um público diversificado, formado por moradores, turistas, sambistas e apaixonados pelo carnaval carioca.

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Para o presidente da escola, Almir Reis, o retorno após sete anos tem um peso emocional e histórico. “Para a gente, é uma emoção muito grande, depois de sete anos, estar aqui novamente. Isso aqui sempre foi um desfile tradicional da Beija-Flor. Em 2018, nós saímos daqui e fomos campeões. Quem sabe isso não acontece novamente?”, afirmou. Em 2025, o ensaio precisou ser cancelado por conta do calor excessivo, o que aumentou ainda mais a expectativa para este reencontro com Copacabana.

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Apesar do clima festivo, o presidente reforça que a escola mantém os pés no chão na preparação para o desfile oficial na segunda-feira de carnaval.

“Independentemente de vir de um campeonato, a gente está fazendo o nosso trabalho. Evolução, harmonia, o barracão praticamente pronto, fantasias encaminhadas. Agora é fazer o correto na avenida, porque carnaval é na avenida”, pontuou, confiante na disputa pelo título.

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O ensaio também evidenciou a força do samba-enredo, uma junção escolhida pela escola para contar, na Marquês de Sapucaí, a história do Bembé do Mercado, que acontece em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, sendo uma das mais antigas e simbólicas manifestações públicas do candomblé no Brasil. O tema conecta fé, ancestralidade e resistência negra, transformando o Carnaval carioca em espaço de celebração e memória afro-brasileira.

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Essa narrativa ganha ainda mais potência com a bateria Soberana, que apresentou uma nova bossa justamente em um dos trechos mais simbólicos do samba, “Yemanjá, alodê no mar, no mar”, com uma variação rítmica marcada por sutileza e impacto, dialogando diretamente com o enredo e criando um momento de forte conexão entre samba e espiritualidade.

Para o diretor de carnaval, Marquinho Marino, a proposta do ensaio foi menos técnica e mais afetiva, sem abrir mão da comunicação com o público.

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“Foi muito produtivo pela alegria, pelo divertimento, por ver o público abraçando a escola. A gente fez um ensaio mais livre, mais espontâneo, sem preocupação técnica, deixando o povo vir atrás da gente”, ressaltou.

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Mesmo com o samba sendo um dos mais ouvidos da temporada nas plataformas digitais, Marino reforça que o verdadeiro teste acontece na avenida.

“O samba tomou corpo, ganhou força e está impulsionando a escola. Mas o samba tem que acontecer na avenida. Aqui fora ele cumpriu o papel dele, agora precisa cumprir lá dentro”, avaliou.

À frente da bateria, o mestre Rodney celebrou o desempenho da escola e o simbolismo de levar a cultura da Baixada Fluminense para a Zona Sul.

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“Toda vez que a gente vem para Copacabana dá coisa boa. O trabalho está fluindo, é gradativo, a escola está criando unidade. Mesmo com chuva, todo mundo se comportou muito bem”, disse.

Para ele, o ensaio também cumpre um papel social importante. “É trazer a nossa cultura da Baixada para o pessoal da Zona Sul ver o que a gente faz. O samba, o carnaval, isso é cultura. Não tem discriminação, somos todos iguais. O samba mostra isso”, afirmou, e destacou ainda a chuva no fim do desfile como uma forma de bênção.

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Ao ocupar novamente Copacabana, a Beija-Flor reafirmou sua identidade como uma escola que entende o carnaval como espetáculo, manifestação cultural e encontro popular. E fez um ensaio que não apenas aquece para a Sapucaí, mas também aponta para um desfile ancorado na força do samba, na precisão musical e na profundidade simbólica de um enredo que conecta fé, história e território.

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Salgueiro faz o samba ecoar alto no Baródromo e aquece comunidade na busca pela décima estrela no Carnaval 2026

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O Salgueiro se apresentou no último domingo, no Baródromo, tradicional reduto sambista da Tijuca, Zona Norte do Rio, em uma performance potente que fez jus ao peso de seu nome. A bateria “Furiosa”, o intérprete Igor Sorriso, o segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Leonardo Moreira e Bárbara Moura, baianas e passistas abrilhantaram a noite, dando uma palhinha do que será o cortejo da agremiação em 2026. O CARNAVALESCO esteve presente e conversou com integrantes da escola e foliões sobre a importância do encontro e as expectativas para o grande dia do desfile.

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Fotos: Gabriel Radicetti/CARNAVALESCO

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O diretor de carnaval do Salgueiro, Wilsinho Alves, celebrou, em um primeiro momento, o serviço prestado pelo Baródromo à comunidade sambista do Rio de Janeiro.

“O Baródromo se tornou um reduto de quem gosta de escola de samba e de samba-enredo. O Baródromo é importantíssimo na cultura do carnaval carioca. Toda vez que o Salgueiro e o salgueirense forem convocados para cá, a gente vai fazer uma festa linda e lotada, no nosso bairro, como a que estamos vendo hoje. Viva o Baródromo, viva o Salgueiro!”, expressou Wilsinho.

Quem também fez questão de reconhecer o valor da iniciativa foi o intérprete Igor Sorriso. “Carnaval é a festa do povo. Eventos como esse de hoje são importantes para interagir e se conectar ainda mais com quem realmente faz essa festa”, disse Igor.

Para o mestre de bateria, Gustavo Oliveira, a importância do negócio está em atender a uma demanda até então ignorada.

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“Aqui no Rio ainda não havia, além da quadra das escolas, um espaço no qual o sambista pudesse vir o ano inteiro tomar uma cerveja e falar de samba-enredo, falar de desfile. Muita gente, quando acaba o carnaval, esquece as escolas de samba e começa a curtir outras coisas, mas tem a galera que vive escola de samba 24 horas por dia durante os 365 dias do ano. O Baródromo entendeu essa necessidade”, pontuou Gustavo.

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A poucas semanas do desfile oficial, o Salgueiro propõe uma homenagem à antológica carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024, em um cortejo que tem tudo para fechar com chave de ouro a temporada carnavalesca de 2026 do Rio de Janeiro.

“Fizemos uma temporada de ensaios muito boa. Chegamos ao carnaval com o samba no ponto máximo de rendimento e, a cada apresentação, a cada ensaio de rua, a gente vê que o samba vai ser um sucesso. Vai ser um arrastão, e todo mundo vai cantar para a mestra. A gente está muito confiante no título. Temos barracão, fantasia e demais quesitos muito fortes”, destacou Wilsinho Alves.

Ainda sob tal viés, o mestre Gustavo defendeu a competência da bateria “Furiosa”, uma das mais esperadas do carnaval carioca.

“Mais da metade da bateria vem de uma geração de antigos ritmistas, de antigos diretores. É uma galera que é salgueirense de berço, como eu e meu irmão, e carrega a escola na alma, no sangue, e se entrega anualmente para fazer um trabalho perfeito, com muita garra, muita vontade e muito amor pelo nosso pavilhão. Podem esperar um Salgueiro forte, vibrante e uma bateria com aquele ritmo maravilhoso e muita novidade”, antecipou o condutor da orquestra salgueirense.

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Já Igor Sorriso elogiou a progressão do trabalho da escola na temporada 2026: “Percebo, nessa reta final, evolução, crescimento e maturidade. Vamos chegar no dia do desfile no auge do nosso envolvimento com o público, da nossa emoção e da nossa energia”.

Embora não tenha se apresentado com a parceira Marcella Alves na noite de ontem, o primeiro mestre-sala da Academia do Samba, Sidclei Santos, esteve presente no evento e compartilhou com o CARNAVALESCO sua análise do desempenho da escola às vésperas do carnaval.

“Não só para o Salgueiro, mas para todas as escolas, o Baródromo é um termômetro, porque aqui realmente tem sambista. A depender da recepção do público, você desenvolve uma noção se o samba vai crescer. É um local onde todo mundo canta o samba, independentemente de para qual escola torce. Se o samba for bom e as pessoas gostarem, elas vão cantar. A receptividade que nós tivemos aqui hoje nos deixou muito felizes, empolgados e esperançosos com nosso samba e com a conquista da décima estrela”, defendeu Sidclei.

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No lugar do primeiro casal, Leonardo Moreira e Bárbara Moura, segundo casal do Salgueiro, conduziram com maestria o pavilhão da escola. Bárbara também contou suas impressões sobre o pré-Carnaval da agremiação.

“Este ano, houve gente duvidando do nosso potencial, mas isso só faz a comunidade ser mais forte e querer mostrar mais trabalho. Hoje, entrar no barracão do Salgueiro é ver Rosa Magalhães em todos os cantos. É muito bonito e emocionante. Tenho certeza de que vai ser um desfile muito emocionante para todo mundo, ainda mais fechando a terça-feira de carnaval”, garantiu a jovem.

Por fim, os foliões que compareceram ao Baródromo neste domingo não deixaram de dividir suas expectativas quanto ao desfile do dia 17 de fevereiro. Cria do Morro do Salgueiro e salgueirense de família, a autônoma Adriana Rodrigues, de 51 anos, reforçou a grandeza da agremiação e convidou a comunidade a mostrar tudo de si.

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“Mais do que vir forte ou não este ano, o Salgueiro é uma escola forte. O enredo da Rosa Magalhães é muito rico; o samba está leve e gostoso; a comunidade tem mostrado sua força. Sempre que puder dar o melhor, temos que dar, porque, assim como o Salgueiro, há outras grandes escolas”, disse Adriana, cuja mãe faz parte da velha guarda e o cunhado é compositor da escola.

Já o estudante de Direito, Jorge Luiz Lopes, de 29 anos, recorreu não só à competência dos segmentos, mas à tradição salgueirense para justificar a aposta na potência da apresentação do Salgueiro.

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“A Rosa Magalhães começou no Salgueiro em 1971, então nada mais justo do que o Salgueiro fazer uma homenagem a essa grande artista do carnaval. Tenho ouvido vários comentários elogiando o barracão. A junção dos dois sambas finalistas ficou perfeita. Estou confiante de que o Salgueiro vai fazer um grande desfile”, colocou o rapaz.

Edilene Palbet, empresária que completou ontem seus 46 anos e desfila pela Academia do Samba desde os 7, também justificou o porquê de a nação salgueirense estar tão otimista com este desfile.

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“O Salgueiro vem forte para disputar o título. Fui a todos os ensaios, e está todo mundo com muita garra para vencer, cantando o samba. Está tudo perfeito”, finalizou a aniversariante.

Mais imagens da festa salgueirense

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Freddy Ferreira analisa bateria da Estácio de Sá no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio técnico da bateria “Medalha de Ouro” da Estácio de Sá, comandada por mestre Chuvisco. Um ritmo estaciano clássico, com a típica levada de partido alto nas caixas tocadas em cima, junto de uma afinação tradicionalmente pesada, dando pressão sonora aos arranjos da vermelha e branca do São Carlos.

Na parte da frente do ritmo da Estácio, uma boa ala de chocalhos se exibiu próxima de um naipe de cuícas de qualidade musical inegável. Um naipe de agogôs apresentou um desenho rítmico pontuando as nuances melódicas com solidez. Uma ala de tamborins de inegável qualidade coletiva foi o destaque entre as peças leves, graças a um carreteiro com levada firme e execução limpa da convenção rítmica.

Na cozinha da bateria estaciana, uma afinação de surdos pesada e característica da escola do Morro do São Carlos foi percebida. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza e precisão. Surdos de terceira deram um balanço irretocável, valorizando o belo trabalho dos graves. Repiques de alta técnica musical se exibiram junto de um naipe de caixas de guerra primoroso, com sua clássica batida de partido alto, tocada em cima. Na primeira fila da parte de trás do ritmo, vieram atabaques que deram molho e foram fundamentais nas bossas.

Bossas com musicalidade diferenciada foram apresentadas. O belo arranjo do refrão do meio demonstrou um profundo casamento com as variações da melodia. Já a paradinha do estribilho, com o luxuoso auxílio dos atabaques, ajudou a conectar o ritmo estaciano ao enredo sobre Tancredo, o Papa da Umbanda. O referido arranjo deixou, sobretudo, o leque de bossas do Velho Estácio bem fundamentado e sincretizado.

Uma grande apresentação da “Medalha de Ouro”, dirigida por mestre Chuvisco. Uma bateria da Estácio de Sá com suas características típicas muito bem definidas, auxiliando o componente estaciano a dançar e evoluir enquanto cantava o belo samba-enredo do Leão. Uma bateria estaciana em bom caminho, visando o desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa bateria da Porto da Pedra no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos do Porto da Pedra, comandada por mestre Pablo. Um ritmo com potência sonora, graças à afinação mais pesada dos surdos. Bossas aproveitando esse impacto musical foram exibidas com firmeza pelos ritmistas.

Na parte da frente do ritmo do Tigre, uma ala de chocalhos ressonante tocou junto de agogôs sólidos, que faziam uma convenção rítmica baseada nas variações da melodia da obra da escola de São Gonçalo. Simplesmente sublime o trabalho dos tamborins. Firmes, precisos e uníssonos, mesmo com um desenho rítmico de difícil execução. Um desbunde musical de tanta qualidade coletiva.

A cozinha da bateria “Ritmo Feroz” contou com sua tradicional afinação de surdos mais pesada. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza. Surdos de terceira foram responsáveis pelo bom balanço do ritmo gonçalense. Repiques coesos tocaram junto de caixas de guerra bem consistentes, preenchendo a sonoridade dos médios com virtude musical.

Bossas com a característica musical já tradicional no trabalho de mestre Pablo foram apresentadas. Os já culturais arranjos mais elaborados, envolvendo a pressão sonora do peso dos surdos, foram exibidos com precisão e qualidade, mesmo tendo certa complexidade de execução. Todos pautados pelas nuances da melodia do ousado samba da Porto da Pedra.

Uma apresentação muito boa da “Ritmo Feroz” de mestre Pablo. Com uma ala de tamborins estupenda e bossas que já fazem parte da cultura musical do mestre, a bateria da Unidos do Porto da Pedra se exibiu de forma impactante, ajudando a impulsionar tanto o samba da escola quanto o componente.

Freddy Ferreira analisa bateria do Império Serrano no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Sinfônica do Samba” do Império Serrano, na estreia de mestre Felipe Santos. Um ritmo com equalização privilegiada foi exibido, sem contar a musicalidade destacada e diferenciada das bossas imperianas.

Na parte da frente do ritmo do Império, uma ala de cuícas sólida tocou junto dos icônicos agogôs, que pontuaram com exatidão e qualidade técnica as nuances melódicas do samba imperiano. Uma ala de chocalhos extremamente acima da média se exibiu integrada a um naipe de tamborins exemplar.

O casamento musical entre tamborins e chocalhos foi impressionante e adicionou nítido valor sonoro às peças leves.

Na cozinha imperiana, uma ótima e tradicionalmente pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza peculiar e segurança. O balanço irrepreensível das terceiras ajudou no complemento dos graves com qualidade. Repiques de alta técnica musical tocaram junto de um naipe bem consistente de caixas de guerra, com a batida rufada cultural da escola da Serrinha.

Um leque de bossas musicalmente atraente foi exibido. Arranjos produzidos pautados pelas variações do samba do Reizinho de Madureira foram apresentados com categoria e extrema precisão. Uma nuance rítmica no trecho “que silencia o fuzil”, fazendo alusão ao barulho de um único tiro, mostrou-se funcional, além de apresentar sonoridade com pressão de surdos e contratempo de peças leves e médios, preenchendo a musicalidade do arranjo com consistência. A paradinha da cabeça do samba também merece menção musical, diante de uma bossa não só bem concebida como também bem apresentada.

Um ensaio técnico exemplar da “Sinfônica” do Império, sob o comando do estreante mestre Felipe Santos. Um ritmo com andamento confortável e fluência plena entre os mais diversos naipes foi apresentado. Um conjunto de bossas dançantes e musicais ajudou a aumentar a sensação de sacode do exímio treino da bateria do Império Serrano.

Freddy Ferreira analisa bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma boa apresentação no ensaio técnico da bateria “Sensação” do Arranco, na estreia da primeira mestra de bateria da história da Sapucaí, Laísa Lima. Trajada de palhaça para entrar no clima do enredo, a mestra ficou visivelmente emocionada quando a bateria do Arranco subiu. O ritmo circense da paradinha do estribilho foi um dos pontos altos da musicalidade da escola do bairro do Engenho de Dentro.

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Na parte da frente da bateria “Sensação”, uma ressonante ala de chocalhos realizou um grande trabalho, acompanhada de um naipe sólido de cuícas. Agogôs pontuaram as variações melódicas do samba com um toque seguro, inclusive na bossa circense do estribilho, onde deram uma luxuosa contribuição musical. Uma ala de tamborins exibiu um desenho rítmico pautado pelas nuances da obra, com eficácia e qualidade. Na cabeça da bateria também vieram alguns pratos, que entravam pelo corredor para a realização do principal arranjo, com direito a clima musical de picadeiro.

A cozinha da bateria “Sensação” contou com uma boa afinação de surdos, além de marcadores de primeira e de segunda precisos. Os surdos de terceira deram um balanço gostoso tanto no ritmo quanto nas bossas. Repiques coesos tocaram integrados a um naipe de caixas de bom volume, ajudando a preencher os naipes médios.

Um conjunto de bossas altamente musical foi exibido. Bastante dançantes, os arranjos se mostraram profundamente conectados ao enredo da escola, principalmente a bossa mais extensa. Iniciado ainda na segunda do samba, o arranjo em questão contou com uma levada circense musicalmente atraente, capaz de cativar o público e impulsionar o componente da agremiação. Uma proposta musical bem vinculada ao tema, mas que ainda carece de execuções mais refinadas, havendo tempo hábil para isso até o desfile oficial.

Uma boa exibição da bateria do Arranco do Engenho de Dentro no ensaio técnico, na estreia da pioneira Laísa Lima como mestra na Avenida. Um ritmo bastante conectado ao tema da agremiação foi exibido, com boa equalização de timbres e musicalidade envolvente nas bossas. Ainda que haja ajustes pontuais a serem realizados, a história do início da revolução feminina do ritmo foi escrita pela nova mestra do Arranco com classe e leveza.

Freddy Ferreira analisa bateria da Inocentes de Belford Roxo no ensaio técnico na Sapucaí

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Um bom ensaio técnico da bateria “Cadência da Baixada” da Inocentes de Belford Roxo, dirigida pelo mestre Washington. Um ritmo que conseguiu imprimir uma musicalidade culturalmente nordestina, com pitadas russas, estando plenamente conectada ao enredo da agremiação. Mesmo diante de um forte dilúvio até a metade do ensaio, os ritmistas não desanimaram nem deixaram a peteca cair, mantendo o bom nível musical.

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Na parte da frente do ritmo da Caçulinha da Baixada, uma ala de cuícas seguras deu seu contributo, junto de um naipe de chocalhos correto e de uma eficiente ala de tamborins. Tamborins e chocalhos exibiram uma convenção rítmica simples, mas tremendamente funcional, inclusive nos arranjos envolvendo as bossas.

A parte de trás do ritmo da “Cadência da Baixada” apresentou boa afinação de surdos, mesmo diante de uma verdadeira tempestade durante o ensaio. O naipe de caixas deu bom volume à cozinha da bateria da Inocentes, junto de uma ala de repiques eficiente. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos no ritmo, além das bossas. Uma sólida ala de surdos de terceira proporcionou um bom balanço aos graves da “Cadência”.

O leque de bossas da Inocentes foi extremamente musical e de muito bom gosto. Uma mistura envolvente de ritmos nordestinos, finalizada com levada russa, foi executada no refrão do meio, em um belíssimo e destacado arranjo dançante. Bom trabalho de criação musical, inclusive envolvendo nuances rítmicas diversas em alguns trechos do samba, impulsionando o componente da escola por meio da sonoridade produzida pela

Caçulinha da Baixada. Uma criação conceitual baseada em simplicidade e eficiência, numa escolha bastante adequada e bem pensada.
Um bom treino da bateria “Cadência da Baixada”, comandada pelo mestre Washington. Um ritmo inserido culturalmente no tema da escola, com variações musicais que vão da nordestinidade até a ousadia de fechar o melhor arranjo de uma bossa com ritmo russo. Tudo pautado pela simplicidade musical, que facilita a assimilação de quem escuta, além de ajudar o componente da escola a dançar e evoluir. Um ensaio bem produtivo da bateria da Inocentes de Belford Roxo.

Opinião! Ensaios técnicos deste domingo no Anhembi

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Impossível enfrentar a Verde e Rosa! Chuva não cala a voz da Mangueira

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O ensaio da Mangueira neste domingo não aconteceu como o roteiro tradicional prevê. A chuva que caiu sobre o Rio de Janeiro impediu o deslocamento da escola pela rua e obrigou a Verde e Rosa a concentrar suas forças em frente à quadra. Ainda assim, o que se viu foi uma Mangueira cantando, dançando e sustentando seu samba com intensidade do início ao fim, provando que evolução também se mede pela permanência da alma, mesmo quando o corpo não avança.

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com os componentes parados, mas em movimento interno constante, o ensaio se transformou em um retrato fiel da proposta do Carnaval 2026: resistência, coletividade e força cultural. A escola segue se preparando para o ensaio técnico da próxima sexta-feira, na Marquês de Sapucaí, levando consigo a segurança de quem sabe o que está construindo.

COMISSÃO DE FRENTE

Mesmo sem a possibilidade de deslocamento, a comissão de frente realizou uma apresentação que permitiu observar claramente o trabalho desenvolvido até aqui. Parados em um ponto específico, os integrantes repetiram movimentos, marcaram entradas e executaram a coreografia com ritmo intenso, evidenciando um bailado treinado e alinhado à narrativa do enredo.

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A leitura corporal deixou clara a conexão com a proposta amazônica da Mangueira para 2026, baseada no enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Ainda que o espaço limitado não permita uma avaliação completa do impacto visual, foi possível identificar precisão, energia e entendimento do que está sendo contado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal não pôde realizar o bailado completo devido às condições climáticas e à impossibilidade de deslocamento. Ainda assim, permaneceu presente, cantando o samba e demonstrando envolvimento com o ensaio, atentos ao ritmo e à condução musical.

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Mesmo sem giros e marcações tradicionais, a postura em frente à comunidade mostrou um casal conectado ao momento e preparado para o próximo compromisso. A expectativa fica para o ensaio técnico, quando será possível avaliar plenamente o desenho coreográfico e a comunicação entre os dois na pista.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos mais evidentes da noite. Mesmo sob chuva, com todos os setores concentrados, o canto da escola se manteve firme e contínuo. As alas cantaram de forma uniforme, com clareza de letra e energia constante, transformando a adversidade climática em elemento de união.

O intérprete oficial, Dowglas Diniz, destacou exatamente esse espírito coletivo ao avaliar a temporada e o ensaio: “O balanço da nossa temporada é o resultado disso aqui: a comunidade, antes mesmo de começar o ensaio, já canta o nosso enredo em claro e bom tom, se diverte e estamos lavando a alma com a chuva de hoje. Acredito que será um carnaval maravilhoso. A Mangueira vem linda e, na sexta-feira, o nosso ensaio técnico será para festejar na avenida”, afirmou o intérprete oficial da Mangueira.

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O canto persistente reforça a assimilação do samba e a identificação da comunidade com a história que a escola levará para a Sapucaí.

EVOLUÇÃO

Mesmo sem deslocamento, a evolução pôde ser analisada a partir da manutenção do canto e da postura coletiva. A escola permaneceu organizada, atenta às orientações e sustentando a energia ao longo de todo o ensaio, sem queda perceptível de envolvimento.

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O diretor de carnaval, Dudu Azevedo, falou sobre o processo vivido ao longo da temporada e a expectativa para os próximos passos: “A Mangueira cumpriu os ensaios da temporada e estamos como queríamos para a Marquês de Sapucaí, cantando e evoluindo. Buscamos a espontaneidade e fizemos muitos ensaios dedicados e, agora, o rumo é aos ensaios técnicos até o grande dia”, explicou o diretor de carnaval.

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A fala reforça a ideia de que o trabalho realizado até aqui priorizou construção coletiva e naturalidade, elementos que se refletiram mesmo em um ensaio atípico.

SAMBA

O samba mostrou força justamente na repetição e na constância. Mesmo sem avanço pela pista, o rendimento permaneceu estável, com a comunidade cantando em volume alto e com clareza de interpretação. A letra, que homenageia mestre Sacaca e exalta a Amazônia Negra, encontrou eco na resposta dos componentes, criando um ambiente em que o samba deixou de ser apenas trilha sonora e passou a funcionar como elo entre escola, território e ancestralidade.

A bateria manteve o ritmo firme do início ao fim, mesmo com o ensaio comprometido pela chuva. A condução segura e a entrega dos ritmistas foram reconhecidas pelo próprio mestre, que destacou o processo de superação vivido ao longo do ano.

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“Foi uma temporada muito satisfatória e boa. Vivemos coisas diferentes, e a galera absorveu, ensaiou, se dedicou e se superou, mesmo com os contratempos. Um ano muito feliz com o ritmista. O público pode esperar a melhor coisa possível, porque a nossa meta é reconquistar os 40 pontos da nossa bateria”, afirmou o mestre de bateria Rodrigo Explosão.

A declaração aponta para um trabalho focado em regularidade e ambição técnica, mirando diretamente a excelência no julgamento.

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A chuva que impediu o deslocamento da Mangueira acabou revelando algo ainda mais valioso: a capacidade da escola de sustentar seu samba mesmo quando a avenida desaparece. Cantando parada, dançando sob limites e transformando contratempos em força coletiva, a Verde e Rosa mostrou que o Carnaval 2026 não será apenas contado em alegorias, mas vivido no corpo e na voz de sua comunidade.

Se o enredo fala de guardiões, saberes ancestrais e resistência amazônica, o ensaio deste domingo foi a prova prática de que a Mangueira sabe proteger aquilo que constrói. A próxima sexta-feira, na Sapucaí, será menos sobre testar e mais sobre celebrar um caminho que já se mostra sólido, pulsante e profundamente conectado à sua essência.