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Júlio Alves e Totonho se destacam com apresentações de muita energia em eliminatória da Tijuca

Parceria de Sereno é outro destaque encerrando bem a noite

Pela segunda semana seguida, a Unidos da Tijuca apresentou seis sambas em sua eliminatória e a disputa mais uma vez mostrou estar bastante acirrada. Desta vez, as parcerias de Júlio Alves e Totonho se destacaram em mais uma etapa do concurso que irá definir o samba-enredo da Azul e Amarela do Borel para o Carnaval 2024. O resultado será divulgado nos próximos dias através das redes sociais da agremiação. O site CARNAVALESCO acompanhou tudo através da série “Eliminatórias”, e a análise de cada um você acompanha ao longo do texto.

Foto: Mauro Samagaio/Divulgação Tijuca

Em 2024, a Unidos da Tijuca apresentará o enredo “O Conto de Fados”, assinado pelo carnavalesco Alexandre Louzada, com a intenção de fazer uma viagem a Portugal, destacando diversos aspectos da história do país como fábulas, mistérios e lendas populares. A Unidos da Tijuca será a quinta agremiação a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles do Grupo Especial.

Parceria de Eduardo Medrado: Abrindo as apresentações, a primeira obra na eliminatória tijucana foi a composta por Eduardo Medrado, Kleber Rodrigues, Adolpho Konder, Sandro Nery, André Braga e Luiz Pavarotti, com as participações especiais de André Diniz e Evandro Bocão. O time de vozes da parceria foi comandado pelo intérprete Tem-Tem Júnior, do Império Serrano, que também faz parte do carro de som da escola do Borel. O time de vozes mais uma vez foi um ponto alto da parceria. Com Tem-Tem Jr mais livre, realizando a comunicação com os componentes e o público, o restante do grupo segurou o samba que pela sua qualidade de melodia permitia aos cantores boas intervenções na música. A obra é pautada por uma melodia rica e de letra com qualidade, bastante ilustrativa, com boas soluções métricas. O andamento do samba foi agradável, longe de corrido, um dos mais cadenciados da noite. Na segunda do samba, a parte do verso “Resistindo a invasores”, a animação dava um caída até o refrão principal, quando voltava a energia. O início da composição é um destaque pela qualidade dos versos, a partir de “O azul infinito encontrou o sol” até “E a melodia encontra de fato/ Num conto de fados, lendas, emoções”, que permitiram ao Tem-Tem a utilização de terças, enquanto o restante do grupo seguia reto no canto. Também nessa linha melódica, o trecho na segunda do samba, iniciado pelo verso “Foi quando o mar se abriu pras caravelas”, até “Cantando em oração assim”, é destaque e prepara bem para entrar no refrão principal. A torcida mais uma vez trouxe estandartes com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, padroeira de Portugal e principal temática do refrão principal, e desta vez, também alguns componentes seguravam bastões iluminados. Em termos de canto, o grupo esteve abaixo, algumas pessoas só balançaram as bandeiras. Em relação ao restante da quadra, houve pouco canto, e o envolvimento com a música aconteceu mais para a parte final da apresentação, após começar um pouco mais tímido. No geral, a parceria esteve abaixo das apresentações anteriores, talvez não tenha ajudado a ordem de ter que abrir a eliminatória.

Parceria de Júlio Alves: O samba de autoria de Júlio Alves, Cláudio Russo, Jorge Arthur, Silas Augusto, Chico Alves e D’Sousa foi o segundo a se apresentar em mais uma noite de eliminatória da Unidos da Tijuca. Tinga, da Vila Isabel, foi o responsável por conduzir o samba reforçado por integrantes do carro de som que acompanham o cantor, além do intérprete Charles Silva, da Estácio de Sá. Bastante solto no palco, em casa, afinal, foram cinco anos no Pavão, Tinga chegou brincando com todo mundo e no canto passou a mensagem de estar se divertindo, alegre. Mas, com muita correção, muita energia e sempre com o bom apoio do restante das vozes. A obra teve um andamento nesta apresentação um pouco mais cadenciado o que não prejudicou, ao contrário, facilitou o canto e o entendimento da música, sendo até mais convidativa a dançar, sem perder o caráter explosivo dos refrãos. Como já dito em outras eliminatórias, a obra tem um ar bastante leve na letra, característica que esteve presente em um período muito vitorioso do Pavão. Em termos de melodias,os cincos primeiros versos da cabeça a partir de “Um samba fadado”, se comportam mais retos ajudando a obra a ganhar ritmo até o “Vai buscar” quando há a primeira virada melódica, já com o ritmo da música mais bem encaixado. A torcida trouxe, mais uma vez, além das bandeiras nas cores da escola, um grupo de baianas que foram uma atração à parte pela energia e dança. Os componentes também mostraram muita animação e alegria, ainda que o canto tenha sido mais tímido. Em relação ao restante da quadra, se viu bastante envolvimento de público e de segmentos como, por exemplo, passistas. Uma apresentação bem acima que a anterior, que mantém a parceria forte na briga.

Parceria de Totonho: O terceiro samba da noite de eliminatória tijucana foi o assinado por Totonho, Marcelo Adnet, Fadico, Dudu, Gabriel Machado e Rodrigo Alves. A obra foi conduzida pelos intérpretes Igor Sorriso, da Mocidade Alegre, e Pitty de Menezes, da Imperatriz Leopoldinense. Pitty e Igor incendiaram a apresentação no início, desceram do palco e deixaram a primeira passada para a torcida que sustentou, enquanto pulavam junto. A obra teve o andamento pra frente, talvez, o mais pra frente da noite, mas não chegou a ser corrido. Os refrãos continuam sendo o ponto alto de canto, em algumas vezes há uma queda após eles, também na animação. Algumas pessoas, por exemplo, dançavam mais quando chegava nos refrãos, e depois baixavam o ritmo. Isso porque os dois refrãos “A emoção cruzou o mar…” e “o sol do despertar…” são os pontos altos da obra, carregam muita energia, e a melodia e a letra são fortes, ainda que possuam muita semelhança harmônica. A melodia, inclusive, é muito característica do que a escola vinha trazendo, principalmente antes do carnaval de 2022. Na cabeça do samba destaque para os versos “Pois da sedução a foz do Tejo desaguou/E no velho mundo de mistérios desvendou”, trecho que permitiu a inserção de “terças” no canto. Destaque também para o pré-refrão que começa com os versos “Oh Santa! Oh Santa!”. A torcida foi o ponto alto, tanto na animação, quanto no canto. Teve um dos maiores contingentes da noite. Alguns passistas da escola se juntaram à torcida e estiveram à frente dos torcedores que trouxeram bandeiras nas cores da escola. O envolvimento da quadra foi positivo em relação ao público que acompanhava a apresentação. Nos segmentos foi mais tímido. E o canto ficou em geral mais com a torcida, a não ser nos refrãos. No geral, uma apresentação no nível das anteriores mantendo muito envolvimento com a quadra.

Parceria de Leandro Gaúcho: O samba composto por Leandro Gaúcho, Gustavinho Oliveira, Marcus Lopes, Josemar Manfredini, Aldir Senna e Alexandre Cabeça foi o quarto da noite. A parceria apostou em Bruno Ribas, da Unidos de Padre Miguel, para conduzir a obra, apoiado por Tinguinha, da Em Cima Da Hora, e Tuninho Junior, da Independentes de Olaria. A presença de Bruno Ribas também é um trunfo, já que o cantor emprestou sua voz em um período glorioso do Pavão, com dois títulos conquistados junto com a comunidade do Borel. O intérprete é privilegiado em ter uma voz melodiosa e bem afinada. O cantor estava inspirado e se destacou pela precisão no canto, pelas terças bem desenvolvidas e pelo entrosamento com o restante das vozes. Muita potência de voz também do intérprete Tuninho Junior. Na apresentação, o samba encontrou um andamento mais cadenciado, sem correria, o que privilegiou a excelente e original melodia, trazendo para a “Pura Cadência” uma levada bem agradável e solta. Porém, a obra acabou não explodindo na quadra e acabou sendo uma apresentação morna, principalmente depois da sequência inicial de exibição das parcerias. A música tem em alguns trechos algumas das linhas harmônicas que a Tijuca apresentou em seus carnavais vitoriosos da década de 2010. O refrão do meio é destaque, nele o tom épico presente em boa parte da composição, se converte, claramente também na melodia, em uma característica mais leve, ao falar de cultura e das celebrações com o vinho a partir do verso “A magia dos druidas nos seus bosques e caminhos”. A torcida mostrou animação, trouxe bandeiras, inclusive, as flâmulas de Brasil e Portugal, fez coreografia, mas o canto foi tímido. Na quadra também foi tímido, e entre os segmentos houve pouco envolvimento. Uma apresentação apenas mediana.

Parceria de Gilmar L Silva: O quinto e penúltimo samba a se apresentar na eliminatória tijucana foi o composto por Gilmar L Silva, Mauro Gaguinho de Araruama, Marquinho Bombeiro, Sergio Pires, Fernando Gogó de Ouro e Pires de Praia Seca. A obra foi interpretada por Serginho do Porto, da Águia de Ouro, e Lissandra Oliveira. O time comandado por Serginho mostrou entrosamento e bom ensaio. Destaque para Lissandra que empregou sua voz dando um brilho diferente ao canto com a realização de terças, “oitavando”, e produzindo outras vocalizações. Já Serginho foi muito bem na missão de manter a energia e o peso necessários ao samba. A composição de Gilmar L Silva e Cia tem uma melodia bem intuitiva, e fácil de aprender. E possui uma linha harmônica um pouco mais distinta do que a escola tem trazido nos últimos anos. Mas, com pontos de destaque como o pré-refrão “Abençoe mãe senhora meu destino minha escola” e o refrão do meio “meu olhar marejou..”. O andamento esteve para frente, apostando em manter o samba sempre com a energia lá em cima. Na torcida pode-se ver alguns passistas e um destaque bonito de citar para crianças com muito samba no pé que estava à frente dos componentes. O cantor dos torcedores foi satisfatório, com picos maiores no refrão principal. Já na quadra, o envolvimento com o público, pelo horário, até que foi interessante, mesmo menor que algumas outras parcerias, mas com muita gente dançando. Já nos segmentos foi bem menor e com o canto tímido. Outra apresentação que foi apenas mediana.

Parceria de Sereno: A obra de autoria de Sereno, Dinny da Vila, JB Oliveira, Camila Lúcio, Deiny e Mano Kleber, com as participações especiais de Wagner Zanco e Almeida Sambista, foi a responsável por encerrar as apresentações. Wander Pires, da Viradouro, foi quem comandou o time de vozes da parceria. Wander é sempre muito elogiado pela sua precisão nas notas, seus cacos, sua voz melodiosa. Hoje, além disso tudo, o intérprete colocou muita energia e ajudou a manter a animação da obra, que encerrou muito bem a noite. Excelente desempenho dos cantores. Como já citado, o samba tem uma melodia bastante peculiar, mas também muito rica e com diversos pontos altos. A composição lembra alguns sambas mais antigos da escola, destaque para os dois refrãos neste quesito. Outro destaque é a cabeça do samba, a partir de “Orfeu da Conceição dedilha o fado em sua lira”, também pela beleza da letra. No ponto “Vai buscar Ofiussa contra maré”, Wander “abusava”, no bom sentido, das terças, o que realçou o trecho. O andamento do samba talvez tenha sido um dos mais satisfatórios, para frente, sem correria, bem adequado a “Pura Cadência”, conseguindo manter seu principal trunfo, a qualidade da melodia. A torcida foi uma das mais animadas, e teve um bom rendimento de canto. O envolvimento da quadra foi muito satisfatório, mesmo sendo o último samba da noite, a quadra ainda possuía um bom público. Alguns passistas se uniram à torcida sambando e mostrando alegria. Encerrou bem a noite e mostrou que está crescendo, e que compete firme com outras parcerias para ser o grande escolhido.

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