O Império da Tijuca definiu seu samba-enredo para o Carnaval 2023 na madrugada da última sexta-feira na quadra da Unidos da Tijuca. A parceria vencedora é composta pelos compositores Samir Trindade, Ricardo Simpatia, Bachini, Julio Pagé, Wagner Zanco, Osmar Fernandes e Almeida Sambista. A escola do morro da Formiga será a penúltima a desfilar no sábado de carnaval, pela Série Ouro, com o enredo “Cores do Axé”, de autoria dos carnavalescos Júnior Pernambucano e Ricardo Hessez. * OUÇA AQUI O SAMBA

Compositor premiado no mundo do samba, Samir Trindade chegou a sua terceira vitória pelo Império da Tijuca e desejou que para o próximo ano a escola do morro da Formiga possa voltar para o grupo especial. Sobre a parte que mais gosta do samba, ele disse ser o refrão do meio. Ainda afirma que falar sobre africanidade e negritude é falar de carnaval.

“É sempre uma sensação especial estar no Império da Tijuca. Uma escola que tem muita história e que vai muito além do que a gente imagina. É uma conexão de almas com a agremiação. Tive a oportunidade de vencer dois sambas aqui, perdi outros sambas também. Espero que no próximo ano o Império da Tijuca consiga estar no lugar dela, que é no grupo especial. O samba fala sobre a ancestralidade, sobre africanidade e a negritude, e o carnaval é isso”, disse Samir.

Fotos: Ingrid Marins e Luan Costa/Site CARNAVALESCO

Ricardo Simpatia, um dos autores do samba, estava bastante emocionado após o resultado, para ele essa vitória significa não desistir de seus sonhos, em anos anteriores ele escreveu sambas para o Império, mas não conseguiu sair vencedor.

“Essa vitória aqui no Império significa demais, a gente sabe que o carnaval não tem barreiras, eu sou diretor de carnaval na Santa Cruz e sou compositor da Mocidade, o carnaval é algo mundial, é aberto, é brasilidade. Ano passado eu disputei, outro ano também, chegamos perto mas não ganhamos, as pessoas falavam que era difícil ganhar samba aqui, mas pra gente não existe barreira, reunimos os parceiros, conversamos com os carnavalescos e fizemos essa obra maravilhosa pra Império da Tijuca ter grande sucesso no carnaval”, declarou Ricardo Simpatia.

Sobre a parte que mais gosta no samba, Ricardo afirma que tem carinho por toda frase que constitui a obra, mas que o refrão principal o emociona quando diz para Caribé fazer de seu pincel o Ofá da escola.

“Cada parte desse samba, cada frase a parceira criou com amor, então eu gosto de todas as partes, mas o que mais emociona é esse legado que o Caribé deixou pra gente, então a gente faz ele subir o morro da Formiga e fazer do seu pincel o Ofá da escola”, pontuou Simpatia.

Após os trabalhos elogiados do carnavalesco Guilherme Estevão, Júnior Pernambucano, retorna ao Império da Tijuca para fazer dupla com o jovem talento Ricardo Hessez, juntos eles levarão o enredo “Cores do Axé”, que fará uma homenagem ao artista Carybé, pintor argentino que apaixonado por Salvador e suas manifestações culturais, fez sua obra em cima das expressões de fé, e sua relação com o axé. Os dois artistas falaram sobre o convite para dividirem os trabalhos, o enredo para o próximo ano e como está sendo essa parceria.

“Eu fui embora, mas a gente namorou, é uma escola que eu gosto muito e tenho um carinho muito grande, pra mim foi muito satisfatório essa volta. O enredo surgiu dessa ideia de querer falar sobre o axé, e aí junto minha proposta do axé com a do Ricardo que é falar do artista plástico Caribé, aí a gente faz essa junção e foi super válida, tem tudo a ver com o Caribé e com o Axé. Trabalhar com o Ricardo tem sido muito bacana, somos dois aquarianos, as coisas fluem de uma maneira muito tranquila”, citou Júnior Pernambucano.

“O convite pra eu vir pro Império veio de um outro convite, do Guilherme Estevão, que hoje está na Mangueira, meu amigo que já sabia do meu trabalho e me apresentou pro presidente Tê e pro Luan (Teles, diretor de carnaval). Está sendo maravilhoso estar no Império da Tijuca, já tenho uma experiência do carnaval da Sapucaí, fui assistente muito tempo do Jorge Silveira, hoje tô dividido o carnaval com o Júnior e tá sendo incrível, o nosso enredo nasce da junção desse tema que é o axé com o enredo contando as histórias das telas do Caribé, são as manifestações de axé através das obras de arte dele, foi uma junção perfeita, uma sintonia perfeita entre o trabalho do Júnior e o meu”, declarou Ricardo Hessez.

‘Império da Tijuca não faz desfle para permanecer’, diz presidente

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Tê falou sobre a expectativa para o próximo carnaval, ele afirmou que o Império sempre faz carnaval para ganhar e não apenas disputar a permanência.

“Nós fazemos desfiles para ganhar, a Império da Tijuca não faz desfile para permanecer em grupo, agora quando entra na avenida é outra história, é diferente, nós temos jurados, então quem errar menos fica na frente e quem erra mais fica mais atrás, certamente vamos fazer um belíssimo carnaval em 2023”, conta o presidente.

Sobre a final de samba, ele disse que assume sempre a responsabilidade de escolher a obra vencedora, e que o samba campeão foi sem dúvida uma ótima escolha que proporcionará um grande carnaval para a escola. “Geralmente, eu procuro analisar com os carnavalescos, com o pessoal da escola, mas não deixo eles julgarem ou votarem em nada, quem define o samba campeão sou eu. Certamente entre os quatro finalistas esse sobressaiu mais, acabou sendo campeão, é um grande samba e com certeza vai permitir que a gente faça um grande desfile”, pontua Tê.

Protótipos com mais de 80% prontos

Para o diretor de carnaval, Luan Teles, o Império da Tijuca levará para a avenida um grande samba, sobre o próximo carnaval ele afirma que os protótipos já estão quase finalizados, e que o problema da falta de espaço afeta o início dos ensaios, mas que em breve terá datas.

“Estamos vindo com um enredo forte, foi uma escolha dos carnavalescos, ou seja, um enredo autoral. Hoje conseguimos apresentar quatro lindas obras e sei que a escolhida é a melhor que vai fazer com que a gente consiga ter um desfile belíssimo na avenida para o carnaval de 2023. A gente está na fase de 80% dos protótipos sendo realizados. Vamos começar o barracão agora na próxima segunda-feira. Os ensaios ainda estão com o problema de quadra, com isso estamos no processo de conseguir espaço para podermos prosseguir com os treinos. Em breve teremos uma data pronta para isso. Ainda estamos saindo do forno desse carnaval de 2022″, disse Luan.

Caminho certo na bateria

Ao site CARNAVALESCO, o mestre Jordan analisou o desfile de 2022, revelou detalhes para o desfile de 2023 e disse estar muito feliz com o samba escolhido, ele ainda revelou que o enredo afro permite muitas possibilidades de bossas. “Em 2022 nós fizemos um grande desfile, graças a Deus tudo o que planejamos nos ensaios funcionou bem na avenida. Infelizmente, o resultado não foi o esperado, mas nós vamos persistir porque nossa bateria está no caminho certo e vem grandes novidades para 2023. Depois do samba escolhido como esse, uma obra prima que foi feita, se Deus quiser no ano que vem vamos vir com tudo novamente e voltaremos ao grupo especial. O enredo afro é algo que deixa muitas possibilidades para a gente trabalhar em cima. É uma coisa de raiz e nossa escola já está acostumada a abordar esse tipo de enredo. E com certeza teremos diversas novidades até o ano que vem. O enredo permite muitas bossas, ele é muito rico e vamos ter treinos e com direito a coisas novas também”, contou o mestre.

Daniel Silva ressalta que enredo fala com ancestralidade

Intérprete do Império da Tijuca e marca registrada da escola, Daniel Silva, disse que sempre espera o melhor samba para a escola, o objeto da escola é melhorar a posição do último carnaval, quando ficou em nono lugar e para isso ele acredita que esse enredo é fundamental, Daniel disse ainda que para a final deste ano o carro de som aprendeu todos os sambas finalistas.

“A gente sempre espera o melhor. E tenho certeza que o próximo carnaval será diferente. A energia é outra, a escola está bem feliz e focada, querendo fazer um desfile mais forte do que o de 2022. Com todo respeito as co-irmãs, mas esse nono lugar não teve motivo. Vamos procurar com muito afinco, treinar e ensaiar bastante para entregar o melhor para toda galera do carnaval. Falou da nossa ancestralidade, eu topo tudo. Esse enredo é de mexer com a curimba, nossas cores do axé. Para a final, nós do carro de som aprendemos os quatro sambas finalistas. Acredito que mais uma vez o Império da Tijuca irá estar com um belíssimo samba na avenida e que vai dar o que falar. E que também vai entrar para a história”, disse Daniel.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Renan Oliveira e Laís Lúcia, disseram estar felizes com o desempenho no último carnaval e demonstraram também muito entusiasmo com o enredo escolhido para o próximo ano, segundo eles, a presença de dança afro estará ainda mais forte em sua dança.

“O enredo afro mais uma vez gera uma expectativa muito boa, os ensaios já começaram, a preparação afro também, a gente pretende colocar uma pitada a mais, queremos nos superar a cada ano, podem esperar que se Deus quiser vai ser sucesso”, disse Renan.

“Estou muito feliz pelo nosso último carnaval, estou muito feliz pelo carnaval que ainda virá, a gente já está com algumas coisas prontas, já começamos os nossos ensaios, já vamos começar nossa aula de afro também porque o enredo pede. Estou esperançosa, expectativa lá em cima, mais um enredo afro que eu adoro, eu acho que tem a nossa cara e a cara da escola, tô feliz”, pontuou Laís.

Como foram as apresentações dos finalistas:

Parceria de Paulinho Bandolim: a primeira parceria a se apresentar teve como ponto alto a presença do intérprete Pixulé no comando do carro de som. Apesar do desempenho avassalador de Pixulé, o mesmo não foi visto na torcida, que apesar de estar com alguns balões, não demonstrou muito entusiasmo, durante a passagem foi possível perceber muitas pessoas com a letra do samba nas mãos para poder acompanhar.

Parceria de Samir Trindade: a segunda parceria da noite começou arrepiando, o refrão do meio foi cantado repetidas vezes antes do início da apresentação, mostrando que estava na ponta da língua, comandado por Nino do Milênio e Bico Doce, o samba foi cantado por todas pessoas presentes, não só pela torcida. Durante a apresentação os torcedores carregaram muitas bandeiras nas cores da escola, além de um grupo de homens dançando balé afro, foi um show do início ao fim. O refrão do meio explodiu na quadra e tem tudo para ser um dos destaques deste carnaval.

Parceria de Tinga: a terceira parceria da noite começou sua apresentação de forma muito forte, principalmente por conta da voz e experiência de Tinga no comando do samba, o refrão principal foi o mais cantado pela torcida e também pelos presentes na quadra. A parceria foi a que mais fez uso de pirotecnia durante a apresentação, o que causou um bom efeito.

Parceria de André Diniz: a última parceira da noite encerrou com chave de ouro, o samba empolgou e foi cantado de maneira firme pela torcida que levou balões coloridos para quadra e bandeirões. Emerson Dias comandou o samba e animou todos os presentes.

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