O Acadêmicos do Tucuruvi apresentou na noite da última sexta-feira o samba-enredo para sua comunidade na Avenida Vila Mazei, Zona Norte de São Paulo. A escola vai homenagear a malandragem, a periferia, o samba e o rap, ou seja, as raízes paulistanas a partir de um personagem marcante Bezerra da Silva, ou como diz o enredo: ‘Da Silva, Bezerra’.

A comunidade do Tucuruvi marcou presença em peso na quadra em um evento que contou com a presença dos intérpretes históricos Agnaldo Amaral, Vaguinho e Royce do Cavaco, participando de uma homenagem ao recém chegado Carlos Junior. Além deles, o filho do Bezerra da Silva, esteve presente e chegou a cantar um trecho de uma das músicas do seu pai. O site CARNAVALESCO esteve presente e registrou todos os momentos do evento. Os compositores Carlos Jr, Paulo César Feital, Rodrigo Minueto, Marcelo Casa Nossa e Rodolfo Minueto assinam o samba-enredo para 2023. * OUÇA AQUI O SAMBA

Com quadra cheia e apresentação oficial do novo intérprete, Carlos Junior, a escola pulsou durante todo o evento na noite de sexta. Um momento marcante foi a presença do Carlos Jr, vindo do camarote e descendo pelo chão da escola, contato forte com a comunidade e muita emoção para ele.

“Tive no Tucuruvi uma coisa que nunca tive na minha vida. Uma recepção calorosa, com 100% de carinho. Ainda mais desta época que a gente viveu pós-pandemia. Fui uma das pessoas que ficou doente, depressão, e ter uma receptividade igual à de hoje. Foi difícil segurar emoção, consegui segurar, pois já vivi diversas emoções em outras oportunidades, na avenida, coisas de lembrar da mãe, momentos que mexem com nosso coração. Mas assim, com certeza vai ser um dia que nunca mais vou esquecer”, afirmou o cantor.

Porta-bandeira dança, apresenta e mexe com comunidade

Toda a equipe foi apresentada no palco, os quesitos que defenderão o Tucuruvi em 2023, e com apresentação do evento, Waleska Gomes, porta-bandeira que cruza e faz o gol? Pois é, apresentou boa parte do evento, trazendo a comunidade para perto. E depois, estava com seu pavilhão junto com o mestre-sala Luan Caliel dançando para comunidade.

“É um desafio imenso, você não imagina o nervoso que é. Desde que deu certo, a nossa Super Live, comecei a fazer lives. A diretoria me convoca para fazer esse papel do pessoal que vai intermediar e ter uma forma mais popular de conversar com a comunidade. E uma pessoa que a comunidade acabou gostando muito, porque eu acho incrível, quando não sou eu, quando não vou falar, eles falam: ‘A Wal tem que falar, tem que ser a Wal’, fico muito feliz, honrada. Mas é um trabalhão, antes da festa, na festa, hoje, acho que nem tomei uma água”, contou a porta-bandeira.

Por fim, Waleska Gomes exemplificou sobre a missão de apresentadora da escola: “O dançar é uma coisa da minha vida. Mas essa coisa de apresentar, é muito nova para mim, que estou amando, mas não posso deixar de te falar, e você como jornalista sabe, é muito difícil”.

Nova rainha

Outra novidade do Tucuruvi foi o anúncio da rainha de bateria Carla Prata. A ideia da escola era apresentar com coroação e tudo, mas não foi possível devido a um compromisso particular. Mas sua imagem já aparecia ao lado da bateria. Que inclusive contou com presença da Valeska Reis, ex-rainha de bateria do Império de Casa Verde, antiga casa do intérprete Carlos Junior.

Efetivado como carnavalesco

Junto com Dione Leite, Yago Duarte foi efetivado para conduzir o carnaval do Tucuruvi em 2023, e falou sobre o desafio: “A pressão sempre teve, nunca foi diferente. Mas recebo essa nomenclatura com muita honra. Realmente senti que estava no caminho certo, de estar trabalhando em algo que mais amo nessa vida que é fazer carnaval. Ter oportunidade de dividir com o Dione que é uma pessoa que eu aprendo, que tenho uma amizade muito grande. Assim como com o Rodrigo, gratidão é gigantesca”.

Enredo pelos carnavalescos

Com um enredo que desperta olhares, Bezerra da Silva, o carnavalesco Yago explicou o que a escola pretende apresentar ano que vem no Anhembi: “Como sempre falo, a Tucuruvi tem uma identidade de brasilidade, cada vez mais a gente quer reafirmar essa brasilidade que a escola tem, sempre de falar de alguém do Brasil, ou sobre o próprio país. Bezerra da Silva talvez seja a homenagem mais importante da nossa história para reafirmar essa brasilidade. Ele era um homem do povo, e a gente fala do povo brasileiro em histórias que se encontram e levam essa mensagem que a riqueza maior é o nosso povo. Então a Tucuruvi mais do que nunca reafirma identidade dela. Escola de samba como cultura, uma agremiação social e cultural”.

Renovado na escola, Dione revelou uma adaptação crucial no nome do enredo: “Complementar é que quando falamos de Da Silva, isso é muito interessante no título do enredo e está muito claro. O Da Silva dizer, vem primeiro do Bezerra, pois Bezerra é Da Silva, ele cantou a mazela, resistência, a luta contra opressão, contra deboche da sociedade. A sociedade sempre fez, e faz até hoje se a gente for falar claramente com o povo que vive com a periferia, povo que é menosprezado. A maior massa no Brasil é feita por pobres, não é classe média, ricos, a gente pega porcentagem, e o que sobe de população nas favelas do Brasil é muito grande”.

“É muito atual falar de Bezerra, o discurso dele é pertinente, quando falamos ‘Da Silva, Bezerra’, estamos falando de mim, Yago, de você, de todas as pessoas. Foi até uma sacada de mestre do Diretor de Carnaval e vice-presidente, o Rodrigo, que nos sugeriu que o Da Silva abrisse esse nome, e a gente aqui no Tucuruvi, o mais legal de tudo isso, nas minhas experiências de carnaval, é que nós estamos em uma escola que tem pluralidade, tem discurso e realmente discutimos sobre carnaval diariamente. Tudo que fazemos, não sou eu, Yago, Rodrigo, estamos todos juntos, afinco para ter resultado. Em busca de identidade, que é o mais importante”.

Dione finalizou refletindo sobre o momento: “A gente tem feito esse trabalho de mudança de mentalidade da escola e tem sido fenomenal. E nós estamos entendendo o nosso espaço de fala, então ter um enredo como esse é pertinente, neste momento que o Brasil atravessa, é demais. Estamos à beira de uma eleição, país extremamente polarizado, que não é novidade para ninguém, já não é a primeira eleição. Mas precisamos lembrar que somos o lado de cá, nós não somos o lado de lá. E eles insistem em ludibriar o povo, em enganar. Então você que está aí, não esqueça que somos do lado de cá, do lado de quem é oprimido, acusado, tirado de besta. É assim que o povo é tratado, e o carnaval, os enredos de escola de samba tem o dever muito grande, desses discursos voltados às suas comunidades”.

Casal opina sobre o enredo e representa olhar da comunidade

A escola inteira é Bezerra da Silva, a fachada foi pintada com todo o estilo do artista, uma homenagem sobre o tema. Músicas dele foram tocadas e comovendo a comunidade que abraçou o tema.

O mestre-sala, Luan Caliel, é bem jovem, mas demonstrou muito entusiasmo com o tema: “Como todos sabem, o Bezerra é um dos maiores malandros. É o malandro precursor do nosso país e ter ele como enredo, representar nós, a comunidade, o povo, é uma das melhores coisas. Não tinha enredo melhor do que ser ele. É o Bezerra, todo mundo acho que desde pequeno já ouviu ‘o meu vizinho jogou’, quem jogava Counter Strike, tinha um mapa que tocava direto. Tem que puxar um pouco de videogame, que jogo. Todo mundo sabe, os sambistas conhecem as músicas ‘malandro é malandro, mané é mané’, é o Bezerra, não tem o que falar, vamos com tudo”.

Enquanto a porta-bandeira, Waleska disse que Bezerra é porta-voz de tantas pessoas: “Eu amei. Um dos maiores malandros, um dos maiores sambistas, é um cara que é porta voz do povo pobre, do povo preto, do carnaval, do samba, da periferia, da favela. Bezerra representa o carnaval, tem vários hinos, que são icônicos no Carnaval. Me traz uma memória afetiva do meu pai, da minha mãe, que sempre no domingo de manhã, quem não gosta de ouvir um Bezerra. Hoje vim contando aqui, não só um pouco da história dele, mas como vocês viram, o nosso enredo vem falando um pouco de crítica, do nosso país, do momento que a gente vive, falando que precisa ter fé para viver nesse país. É incrível poder estar homenageando e fazer parte da criação dos nossos carnavalescos, direção de carnaval, nossa fantasia já vimos, é um presente. É um carnaval que estamos ansiosos para começar, e está sendo tudo incrível e maravilhoso”.

Escolha do samba

Um samba com raízes das malandragens, gírias, presença até mesmo de um rapper e do filho de Bezerra da Silva no palco do Tucuruvi, comoveu toda a comunidade, que já cantavam músicas da artista com todo fervor durante todo o evento. Para chegar no samba, não foi um processo simples.

“Foi difícil fazer, porque a Tucuruvi não é uma escola que uma pessoa só escolhe. São diversas pessoas que participaram da escolha. Tivemos que fazer uns quatro sambas para agradar o pessoal lá. E é uma galera grande, mas eles no final gostaram, depois de muita briga entre nós compositores, teve muita briga para agradá-los. É um samba encomendado, tinha que ser em benefício deles, chegamos em um final positivo. A gente nunca teve pretensão, na primeira vez que a gente conversou, nunca quisemos ter um samba melhor que o outro, pelo menos a maioria dos compositores ou de qualquer outra escola. Mas de ter um samba que a escola pudesse alavancar o melhor lugar possível, de preferência entre as campeãs. Fizemos isso, sem contar a homenagem que é da malandragem, da minha época, anos 80”, explicou Carlos Jr.

O cantor disse que o samba buscou referência dos anos 1980, Carlos Junior reforçou: “Ver os caras abraçando o samba, que fala da minha época, anos 1980, eu rezo para que essa nova geração entenda a linguagem, é muita gíria, malandragem, é de morro, periferia, rap, misturada com samba, que não é intelectual, linguagem de rua, espero que saibam entender. Bezerra não era intelecto, ele batia de frente com polícia, política, milícia, é o que está acontecendo agora, é um artista contemporâneo. Vamos retratar isso, malandragem, homenagear o morro, as quebradas, que é onde tudo acontece e ninguém vê”.

Do outro lado, o carnavalesco Dione Leite comentou sobre o samba: “O samba é uma obra, sintetiza de uma forma muito grande nosso enredo. Que é muito rico de informação, vocês vão ter acesso ao enredo mais para frente, pois estamos trabalhando. É uma época de muito trabalho com o enredo, que é fechado há muito tempo. Mas trabalhamos muito para chegar a um samba de enredo para que conseguisse passar o sentido do que era para tocar as pessoas. Chegamos a um samba de enredo que quando escutamos, sentimos ele de verdade, junto com Rodrigo e está aí a obra. Um dos grandes sambas do carnaval de 2023”.

Quesitos em preparação para nota máxima

Em relação a preparação, o casal Luan Caliel e Waleska Gomes já está trabalhando há algum tempo, como disse o mestre sala: “Já começamos há bastante tempo nossa preparação. Nossa preparadora Daniela Reinzo e o Matheus Zumba, vamos vir em uma pegada um pouco diferente esse ano, mudamos a coreografia, estamos tentando colocar alguns passos novos, que case com o enredo. Que lembra um pouco da malandragem do Bezerra, então esse ano vamos vir sim diferente. É um ano atípico para nós, mas sempre dentro do regulamento, respeitando nosso critério, nunca com aquelas maluquices, e sempre vindo certinho para trazer os 40, 30, e se Deus quiser trazer o título para a escola”.

Já a porta-bandeira recordou nota 9.9 no primeiro jurado no carnaval de 2022 e prometeu surpresas: “Não acredito, não posso falar que a gente vai colocar algo para mudar, para consertar, pois ao meu ver esse nosso desfile, não erramos nada. Independente que a gente tenha perdido um décimo no pavilhão que para mim foi injusto. Mas a nossa dança ensaiamos muito já, antes de conhecer o samba, pois aqui não é em cima do samba. A gente tem uma coreografia montada, a fantasia também é bem diferente do que vocês estão acostumados de ver eu e o Luan, e a escola inteira vai vir em uma pegada de uma Tucuruvi renovada. Pegada que agora o mundo do carnaval já percebeu que novos ventos sopram aqui na Cantareira, e a gente vem uma pegada de se transformar, crescente muito grande da escola, tenho certeza que não só eu e o Luan, mas toda escola, principalmente a cabeça da escola vai surpreender muita gente”.

O mestre de bateria, Serginho, ainda prepara seu quesito para a próxima temporada e explicou: “Semana passada que o pessoal fez o samba. A gente espera terminar toda parte da composição e ajuste de letra para a gente não comer bola. Vamos esperar, provavelmente essa semana, mais tranquilo depois do lançamento e vamos resolver tudo como vai ser. O pessoal está querendo mexer no andamento, colocar um andamento mais para trás, vamos ver, se o pessoal falar isso aí, vou curtir muito”.

Por fim, Serginho estuda novidades e mostrou otimismo aproveitando Bezerra da Silva: “Sim (tem a ver com Bezerra), tem umas coisinhas lá, vamos ver no que vai dar. Agora a gente só solta para a rapaziada da criação. Eles fazem um churrasco, senta todo mundo e começa a fazer as coisas, vai indo. Vai ficar legal”.

Aprovação

O sentimento é que a comunidade aprovou e muito o enredo do Bezerra da Silva. Os diretores da escola estão confiantes com o trabalho e falam de uma ‘Tucuruvi renovada’, sob novo olhar e trabalho. Tanto carnavalescos quanto casal e mestre de bateria, citaram sobre novidades. Enquanto o samba é uma viagem no tempo e leva para os anos 1980 com gírias, tentando realmente trazer Da Silva, Bezerra para o Anhembi.

Vale lembrar que o Zaca será a segunda escola a desfilar no sábado, dia 18 de fevereiro, e busca uma melhor colocação do que no último carnaval na qual ficou na 11ª colocação.

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