Após a primeira noite de apresentações da Série Ouro na quarta-feira, nesta quinta, feriado de Tiradentes, mais oito escolas passam pela Marquês de Sapucaí para concluir os desfiles do grupo em 2022. A noite promete reunir grandes favoritas ao posto de abrir os desfiles do Grupo Especial ano que vem. Apenas uma terá essa honraria, apesar de 15 escolas comporem o grupo atualmente.

A Lins Imperial abre a noite, seguida das apresentações de Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel, Vigário Geral, Império da Tijuca e Império Serrano. As apresentações começam às 21h desta quinta no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

Para acompanhar cada desfile e seguir o que mudou no regulamento para os desfiles de 2022, a reportagem do CARNAVALESCO preparou um guia com os principais pontos do texto que rege as regras dos desfiles desta quarta e quinta da Série Ouro.

* Tempo de desfile: Mínimo de 45 e máximo de 55 minutos. Caso alguma escola ultrapasse o tempo de 55 minutos, haverá a perda de 0,1 décimo por minuto excedido. Em contrapartida, caso alguma escola encerre seu desfile com tempo inferior a 45 minutos, terá a perda de 0,2 décimos por cada minuto faltante;
* Obrigatoriedades: Pode acarretar a perda de 0,1 décimo por descumprimento;
* Número mínimo de componentes: 900;
* Baianas: mínimo de 35. Não sendo permitida a presença de componentes do sexo masculino. Exceto diretores;
* Comissão de frente: Mínimo de 10 e máximo de 15 componentes aparentes;
* As comissões de frente podem usar elemento cenográfico. Porém, não pode ultrapassar 36 metros quadrados;
* Ritmistas: Mínimo de 130 componentes;
* Não pode ter na bateria instrumento com a marca de outra agremiação;
* Alegorias: Mínimo de duas e no máximo de três alegorias. Sendo permitido um tripé ou quadripé. Punição de 0,1 décimo pelo descumprimento;
* Tripé/ Quadripé: Não pode passar de 6 metros de largura e somente pode ter no máximo 02 pessoas;
* Não pode ter alegoria acoplada;
* As alegorias tem que ter uma escultura artística. Não pode ter apenas elementos vivos.

LINS IMPERIAL

De volta ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí após 10 anos de hiato, a Lins Imperial prepara uma grande homenagem para o próximo carnaval. “Mussum pra sempris – traga o mé que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé!” é o enredo que será desenvolvido pelos carnavalescos Eduardo Gonçalves e Raí Menezes. O retorno da escola para o templo sagrado do carnaval carioca significa o reencontro da agremiação com o seu público. Nos últimos anos a escola segue uma linha de reverenciar grandes figuras negras, em 2020 ela faturou o título da antiga Série B, na Intendente Magalhães, com uma apresentação que homenageou Pinah, a “Cinderela negra”, além de já ter contado a história de Bezerra da Silva no carnaval de 2019. A ideia do enredo surgiu do pertencimento do Mussum ao Morro da Cachoeirinha, comunidade em que a Lins está situada, a escola pretende mostrar a identificação dele com essa comunidade.

INOCENTES DE BELFORD ROXO

A Inocentes de Belford Roxo vem de um carnaval que empolgou todos que estavam na Marquês de Sapucaí. Com um enredo desenvolvido por Jorge Caribé, homenageando uma das melhores jogadoras de futebol feminino no mundo, a rainha Marta, a escola fez um desfile vibrante. Para o carnaval de 2022, a Caçulinha da Baixada fez algumas mudanças e apostou no jovem carnavalesco Lucas Milato. Ele juntamente com seu amigo pesquisador, Leandro Thomaz, desenvolveram o enredo: “A Meia-Noite dos Tambores Silenciosos”. Curiosidade! É a palavra que define como chegaram no processo de desenvolvimento do enredo. Por meio de uma música do Lenine, o carnavalesco começou a pesquisar sobre “a noite dos tambores silenciosos” já emergindo na temática. Que tem como um dos objetivos buscar entender o que é essa noite e retratar o povo preto, mas não da forma convencional.

ESTÁCIO DE SÁ

“Parabéns dessa galera, campeã da nova era”, a modificação nos versos antes do refrão principal, realizada pela Estácio de Sá dá o tom de que a releitura do enredo de 1995 traz atualizações importantes, principalmente, ao se falar de um clube que de 2019 para cá ganhou títulos importantes e está hoje no pedestal do futebol brasileiro. A Estácio está longe de apenas querer celebrar as grandes conquistas no âmbito esportivo de Gabigol e companhia. É também a intenção do enredo, mas acrescentar a paixão da torcida pelo rubro-negro que aguardou alguns anos de “vacas magras” sem abandonar o time, enquanto o clube se ajeitava financeiramente. A dupla de carnavalescos Wagner Gonçalves e Mauro Leite trabalha junta pela primeira vez com a missão de reconduzir a Vermelha e Branco de volta ao Grupo Especial depois do rebaixamento em 2020.

SANTA CRUZ

Após um sétimo lugar no carnaval passado, a tradicional Acadêmicos do Santa Cruz, presidida por Moysés Antônio Coutinho Filho, o Zezo, está com o barracão pronto para apresentar o desfile sobre o enredo “Axé Milton Gonçalves! No Catupé da Santa Cruz”, desenvolvido pelo carnavalesco Cid Carvalho. Ator, poeta, articulador, são muitas as competências ligadas ao nome do artista Milton Gonçalves. Saído de uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, ele vai para São Paulo junto de sua família na busca de melhor condições de trabalho e vida, enfrenta barreiras e opressões na capital paulistana e antes de se tornar uma das maiores referências artísticas do país, é ainda em São Paulo que ele encontra o caminho para mudar sua realidade e a realidade de seus amores.

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Cinco anos depois de encantar a Marquês de Sapucaí em um desfile sobre o orixá Ossain, o carnavalesco Edson Pereira retornou à Unidos de Padre Miguel. Para o carnaval de 2022, o Boi vermelho quer fazer um novo xirê na avenida, em homenagem a Iroko, a árvore-orixá. Com a promessa de um desfile carregado de emoção, a UPM quer mostrar sua grandeza para o mundo do samba, como revelou Edson, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

VIGÁRIO GERAL

Desde 2020 desfilando na Marquês de Sapucaí pela Série Ouro, a Acadêmicos de Vigário Geral surpreendeu o público com o seu último carnaval. O desfile, que foi carregado de críticas políticas ao governo, teve uma grande repercussão. Com o enredo, “O conto do vigário”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Marcus do Val e Lino Sales, a escola ficou na 11ª colocação. Para o carnaval de 2022, os carnavalescos optaram por um enredo afro em que falam sobre a região da Pequena África. Com o enredo “Pequena África: Da Escravidão ao Pertencimento – Camadas de Memórias entre o Mar e o Morro”, desenvolvido também pelo trio, a escola pretende levar para a avenida a história dessa região e também falar sobre a chegada dos negros africanos no Rio e tudo o que foi surgindo a partir disso na região da zona portuária carioca.

IMPÉRIO DA TIJUCA

O Império da Tijuca desde o carnaval de 2013, vem arrancando muita expectativa e curiosidades do público quanto aos seus desfiles. Depois da merecida subida ao Grupo Especial com o enredo: “Negra, Pérola Mulher”, a escola vem mostrando um ótimo trabalho e desempenho, que muito se deve também à sua administração e ótima escolha de profissionais. Apesar da chegada triunfal ao Grupo Especial no carnaval de 2014, a escola logo foi rebaixada novamente ao Grupo de Acesso, atual Série Ouro. O rebaixamento foi tão inesperado que repercute comentários até hoje, não só dos componentes da escola, mas sim por todos os sambistas. O jovem carnavalesco Guilherme Estevão é o responsável pelo desenvolvimento do desfile de 2022. O enredo “Samba de Quilombo – A Resistência pela Raiz” gerou muita expectativa não só na comunidade, mas também no próprio artista.

IMPÉRIO SERRANO

Apesar de sua última participação no Grupo Especial ter sido em 2019, que acabou levando a escola de volta à Sério Ouro, o Império Serrano nunca chegou a deixar de ser uma das escolas mais esperadas na avenida. De cara nova e apostando em um carnavalesco renomado, Leandro Vieira, a escola promete fazer o possível e o impossível para realizar um desfile lindo na Marquês de Sapucaí. Com enredo autoral, Leandro Vieira, carnavalesco consagrado graças a seus trabalhos na Estação Primeira de Mangueira e o título na Imperatriz em 2020, estreia na escola esse ano com o enredo ‘Mangangá’.

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