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Com tripé e parte de alegoria, Tom Maior engrandece ensaio técnico no Anhembi

Escola foi a única até o sábado a trazer elementos alegóricos; recuo de bateria teve solução que inusitada

Com um dos sambas mais elogiados da grande safra do carnaval paulistano em 2023, a Tom Maior fez o primeiro ensaio técnico da escola visando os desfiles da temporada neste sábado. Mostrando bastante organização e com ao menos dois componentes alegóricos na avenida, a agremiação mostrou bastante eficiência em quesitos nos quais depositava-se muita confiança na instituição. A apresentação da vermelho-e-amarelo da Zona Oeste apresentará o enredo “Um Culto às Mães Pretas Ancestrais”.

Samba-Enredo

O enredo foi abraçado de cara pela escola e elogiado desde o início pela comunidade do samba paulistano. Ao ser escolhido, a canção, mais uma vez, ganhou comentários bastante elogiosos. No primeiro ensaio técnico, a potente canção teve desempenho bastante satisfatório. Gilsinho sequer precisou fazer muitos cacos: ocupou-se em sustentar o samba com o brilhantismo conhecido e fez grande tabelinha tanto com o restante do carro de som quanto com a Tom 30, comandada por mestre (e, agora, presidente da agremiação) Carlão.

Sobretudo os dois refrãos eram cantados com força pelos integrantes da escola, que crescia quando a bateria fazia alguma convenção. Por diversas vezes a arquibancada ajudou no canto, reconhecendo a qualidade da obra.

Cartão avaliou positivamente o ensaio técnico, sem deixar de destacar que sempre é possível ter evolução. “Senti a escola bem e a bateria bem, tal qual nos dois últimos ensaios de rua. Isso é trabalho. Sempre tem coisas a se melhorar e vamos continuar trabalhando até o dia do desfile. Mas nada preocupou, é que a apresentação é momento. Temos que ensaiar, são exercícios de repetição. Temos que executar com excelência no dia do desfile”, pontuou.

A referência da Tom 30 também destacou que a potente exibição dos ritmistas no primeiro ensaio técnico será a base da escola daqui até o dia da folia oficial. “Nós fizemos aqui hoje o que vamos fazer no dia do desfile. Não tem essa de esconder nada, não. Vamos para cima, vamos fazer um grande desfile. A Tom Maior está preparada, é grande, competitiva e é dos quatro cantos da cidade e adjacências”, destacou.

Na visão do intérprete, o samba foi muito bem defendido pela equipe responsável. “Nosso carro de som e ala musical se comportou muito bem. Senti um pouco de falta de mais pressão do equipamento, mas, como é assim para todo mundo, não tenho muito do que reclamar. O desempenho foi muito bom, a gente fez exatamente o que queríamos, todo mundo cantando, afinação perfeita, não teve sobra nem ninguém passando por cima do outro. Todo mundo estava junto e coeso em relação a mim e a eles próprios. Os músicos foram sensacionais! Não tenho do que reclamar, foi só elogio. Tenho escutado muita gente falando que foi muito bom, então eu posso acreditar nisso”, destacou.

Comissão de Frente

A Tom Maior foi a primeira escola a levar elementos além dos componentes para o Anhembi em ensaios técnicos. Se outras escolas marcavam o espaço para tripés com fitas, cordas ou com espaços predeterminados, a vermelho-e-amarelo trouxe um tripé para simular a evolução dos componentes no dia do desfile – e, claro, empolgou os presentes.

Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Na coreografia, que pareceu ser mais curta que o de outras escolas, muita expressão e garra foi vista, com uma componente de destaque (provavelmente emulando uma das mães pretas ancestrais citadas no enredo) sempre em pose de superioridade ante alguns homens. A dança também tinha outras mulheres, em grupo, que interagiam com os demais componentes.

Na roupa, muitos detalhes em amarelo e algumas texturas zebradas – que remetem à África. Sobretudo as mulheres possuíam adereços, como palha e espelhos cenográficos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

No primeiro ano na agremiação, Ruhanan e Ana Paula mostraram-se bastante à vontade ao longo de toda a apresentação. Com vento menos forte que em outras noites de ensaio técnico, o casal pode focar na dança sem se preocupar ao desfraldar o pavilhão para as arquibancadas e para as cabines de jurados – e, ambos, com bastante graça e sorrisos largos.

Chamou atenção a quantidade de passos dados por Ruhanan ao fazer o bailado, bastante rápido e dançando no limite, aparentemente – Ana Paula aproveitava para girar de forma mais acelerada, mostrando sincronia com o parceiro. Certamente uma das grandes atenções de casais de mestre-sala e porta-bandeira em ensaios técnicos até aqui.

Com bastante bom humor, Ruhanan revelou um segredo dos bastidores entre a dupla: “Um ensaio muito quente. Ana Paula me fez vir com uma roupa de moletom, gente. Essa é a primeira observação que eu tenho. Estou preparado para desfilar de fantasia, porque eu vou te falar, essa garota… mas um ensaio com muita energia gostosa. Muita energia gostosa aqui nessa Tom Maior. Você que não sentiu, venha aqui sentir. Vem ver a Tom Maior”. Citada, Ana Paula se “defendeu: “Mas isso é preparação para a fantasia mesmo! Ele dançou de verdade, o ensaio todo. Foi por isso que ele esquentou, entendeu? Foi um ensaio valendo. Teríamos trazido a nota aí”, divertiu-se. Logo depois, eles deixaram escapar que a roupa a ser utilizada é quente, mas não é do mesmo tecido.

O mestre-sala foi extremamente sincero ao falar da exibição: “Ah, sempre tem coisa a melhorar. Sendo bem franco, tivemos um probleminha na terceira cabine. Sendo bem honesto, porque não gostamos de ser hipócritas, é algo muito simples que a gente resolve quando estiver com a fantasia. Porque a gente sem roupa a gente fica em outra vibe. A gente muda o ritmo, os dois se empolgam, e de fantasia vai dar certinho. A gente ensaia aqui com muito peso. A Ana Paula vai sair no Anhembi no desfile com 17 quilos. Hoje, sem quilo nenhum, claro que ela vai vir num gás”, pontuou.

Ambos destacaram a energia que sentiram na passarela. “Na concentração eu estava um pouquinho nervosa, mas quando passei a faixa amarela eu gostei de tudo”, pontuou Ana Paula. Ruhanan buscou recordar outros ensaios técnicos: “Eu acho que foi um dos ensaios técnicos que a gente mais se divertiu dançando. Estava muito gostoso”, finalizou.

Evolução

Com poucas alas coreografadas, a Tom Maior teve Evolução destacada por conta da alegria dos componentes com o samba levado à avenida e, também, pela utilização de adereços, sobretudo de balões de festa nas cores da escola. O dinamismo criado trouxe vida à agremiação. Nas alas coreografadas, destaque para a que veio antes do último carro, que veio trazendo cordas e com componentes bailando com movimentos bastante valentes. Em determinados momentos do samba, porém, a escola inteira executa alguns passos.

O quesito, porém, teve um deslize considerável no recuo da bateria. Os ritmistas entraram rapidamente, mas alguns permaneceram ainda na passarela, como se impedissem a passagem da ala subsequente – aparentemente, de maneira premeditada. Antes de toda a bateria se colocar na área recuada, alguns integrantes vestidos com roupa social passaram a interagir com as destaques da bateria. A criativa entrada, porém, teve comentários advindos da ala da frente, que seguia evoluindo – ainda que em passo mais contido. Uma pessoa do staff da escola foi flagrada pela reportagem falando “Isso não pode acontecer” para um dos responsáveis pela Harmonia da ala à frente.

Harmonia

Como dito anteriormente, o samba da escola é bastante forte, dolente e elogiado pelo universo do carnaval. No Anhembi, entretanto, os componentes não interagiram com ele na totalidade. Os refrãos eram cantados com força, e os presentes cresciam em outras partes da canção apenas quando a bateria executava alguma bossa/convenção/paradinha. Em uma delas, feita apenas com atabaques, tanto os desfilantes quanto o público cantavam de maneira bastante forte.

Bruno Freitas, um dos diretores de Harmonia da Tom Maior, comemorou o resultado do primeiro ensaio técnico: “Nós temos alas com componentes de todos os cantos da cidade e de gente que vem do Brasil inteiro. São poucas as oportunidades que a gente tem de unir os mais de dois mil componentes da Tom Maior que entram na avenida. Quando isso acontece e dá certo como deu, e você ver que o trabalho picado que a gente teve, ensaiando até em outras escolas e cidades, está dando resultado, é satisfatório. Tudo que estava bom aqui vai ser melhorado e tudo que erramos vai ser consertado”, pontuou. Gerson Silverstone, que faz a dupla com Bruno, concordou: “Entregamos um bom desfile e um bom ensaio. Sabemos que precisamos melhorar um pouco em algumas partes, mas também sabemos que fizemos um bom trabalho. Podem esperar uma Tom Maior muito forte no dia do desfile. É um sentimento gratificante pelo trabalho que a gente vem fazendo, que é árduo. Não é fácil ensaiar e fazer a coreografia toda inteira da escola. Dias e dias, noites e noites. Quando a gente chega no final de um bom desfile como foi esse, a emoção é gratificante”.

Gerson aproveitou para citar Yves Alexeiv, que começou o trabalho para o carnaval 2023 mas não permaneceu na escola. “O nosso parceiro e amigo fez muita falta para nós hoje. Não é fácil trabalhar tanto tempo junto com o Yves e, hoje, eu e o Bruno conduzirmos uma escola só nós dois”.

Por fim, ao revelar que se reuniu com Gerson até mesmo no dia 25 de dezembro, Bruno destacou que mais surpresas podem vir no dia do desfile. “Quando treinávamos coreografia na rua, a gente sabia que a explosão viria depois, talvez esse fosse o grande objetivo: explodir ainda mais o pessoal. Hoje, com uma arquibancada já um tanto cheia, e o pessoal vindo de volta e indo junto na hora do apagão… vai ter coreografia e vai ser muito lindo”, imaginou.

Intérprete da agremiação da Zona Oeste, Gilsinho pontuou que os componentes ainda passam por um trabalho de reflexão sobre a importância do canto para um desfile de sucesso: “É um trabalho de conscientização que a gente tem feito. Estamos conversando bastante com os componentes e com a comunidade para termos uma escola mais feliz, com mais satisfação de cantar o samba. Sem dúvida alguma, temos que dar todo mérito ao samba, que é um sambaço. Um bom samba ajuda demais a escola a cantar e evoluir bem, fazer tudo o que tem que fazer com mais energia e vigor. Vem sendo um trabalho de formiguinha, ano passado já trabalhamos isso, a escola já teve uma mudança bem significativa no ano passado. E, agora, estamos mostrando que estamos vindo cada vez mais fortes. Para os próximos anos, queremos vir com mais força, energia e determinação”

Outros destaques

– A parte dianteira do carro da Tom Maior de 2022 (aparentemente) também veio para a avenida, tal qual o tripé da comissão de frente.

– O último carro da escola terá a presença da ala das crianças e da Velha Guarda. Um desfecho interessante para um enredo que fala sobre mães ancestrais.

– Falando de questões mais administrativas da escola, assumidas por ele após a renúncia de Luciana Silva, Carlão preferiu focar na qualidade da equipe concentrada na agremiação. “Antes, eu já ocupava algumas funções. Lógico que agora ficou mais puxado, mas eu tenho uma diretoria muito boa, uma equipe e Harmonia muito boas. Todos são bons, altamente competitivos e responsáveis. Isso facilita pra caramba o nosso trabalho”, finalizou.

– Gilsinho queixou-se sobre a potência de carro de som disponibilizado para as escolas no Anhembi – ele é padrão e nada tem a ver com a Tom Maior: “Vejo uma necessidade de termos um som com mais pressão, mais forte. Mas, como é algo comum a todas as escolas, a gente não pode exigir mais para a gente e não exigir para os outros. Mas eu sinto que um caminhão de som com mais pressão iríamos pressionar ainda mais, fazendo escolas e componentes cantando mais”.

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