Dando continuidade à série “Barracões” do carnaval de São Paulo, o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Unidos de Vila Maria e teve o conhecimento do projeto da escola para o carnaval de 2022. A ‘Vila mais famosa’ irá para a avenida com o enredo: Se o mundo precisa de cada um de nós, a Vila é porta-voz”, desenvolvido pelo carnavalesco Cristiano Bara.

O autor do enredo conversou com a equipe do CARNAVALESCO e explanou o tema, que surgiu a partir de um samba-enredo feito durante a pandemia, com autoria do cantor e compositor, Dudu Nobre. A Vila Maria está entre as escolas que mais produz projetos sociais do Brasil. Essa questão. A agremiação ajuda as pessoas mais carentes da região da Zona Norte de São Paulo, comunidades e proporciona aulas de músicas e os mais variados esportes, além de ter uma das maiores escolinhas de bateria do carnaval brasileiro.

“A gente tinha um samba pra transformar em enredo e, em uma conversa com o presidente Adilson José, achamos um caminho muito legal de mostrar da melhorar forma o que tem de essência na Vila Maria, que é falar de ser humano. Foi uma felicidade muito grande em ter uma composição do Dudu, que já é parceiro da escola e pudemos transformar isso em um enredo que mostra bem a cara da Vila Maria, que é bem dedicada àquilo que produz. O bem-estar do ser humano”.

Dentro da pesquisa para desenvolver o desfile, o carnavalesco comentou que foi um misto de emoções para achar um algo que o mais fascinou.

“Esse enredo é um misto de emoções e sensações que a gente vai causar na avenida. A gente vai falar do início do império romano que sucumbiu, mas que deixou legado. Vamos falar do lado negativo, mas também do lado positivo. Em um outro momento, abordaremos a religiosidade, que a gente sabe que é importante para o auto conhecimento do homem e auto encontro de si mesmo e, o caminho da fé, equilibra muito as pessoas e o cotidiano. Depois vamos falar da realidade do dia adia, onde diamantes são revelados. A gente mostra que as classes menores ensinam bastante. Vivemos em uma pandemia em que a solidariedade foi muito grande dentro da comunidade e mostraremos que mesmo com falta de saúde, saneamento básico, se tem alegria. Tem o funk, tem o samba, gafieira e muita coisa legal”.

A religião é muito citada dentro do samba-enredo e, Cristiano Bara, falou das religiões que serão abordadas dentro do desfile. “O nosso samba já diz: ‘axé, amém, shalom, salve a Rainha’, onde temos o islamismo, budismo, catolicismo e as religiões de matriz africanas, quando a gente pede agô ao velho atotô, ao Obaluaê. Pedimos clemência e que ele nos dê um futuro sem as mazelas do mundo”.

O artista também disse que o objetivo da Vila Maria não foi pensar em um desfile luxuoso ou simples e, sim, de passar a mensagem de uma forma correta. “Tivemos um pensamento de que precisávamos informar o enredo com sensações para que as pessoas olhassem e entendessem o nosso espetáculo audiovisual. As pessoas vão ficar muito surpresas com a imagem que tem no centro do carro e na frente. É tudo muito informativo e claro. É uma didática muito boa que as pessoas vão ver, se identificar e interagir com a escola, vendo que só o amor pode salvar”.

Perguntado sobre o grande trunfo para a Vila Maria dentro do desfile, o carnavalesco disse que os componentes vão fazer a diferença. “Quando o mundo precisa de cada um de nós, carnavalesco não faz carnaval sozinho. Temos uma grande equipe. Nós temos um grande enredo, mas a cereja do bolo é o componente da Vila Maria, que fazer toda essa história que a gente transformou em alegoria e fantasia tomar vida e virar realidade na avenida, sendo dançada e cantada para entender a mensagem que a escola quer passar durante todo o desfile”.

O carnavalesco está indo para o quarto carnaval na escola e já tem uma grande identificação com a agremiação. Tanto é que desses desfiles, 2019 e 2020, a Vila Maria conseguiu colocações nos desfiles das campeãs.

“Uma identificação e uma coisa de amor. É complicado um profissional de carnaval falar dessa coisa de amor, mas eu tenho pela Vila Maria. Quando eu saí da Beija-Flor e vim para a Vila Maria, foi uma escolha e consegui realizar essa vontade, porque via que a escola tinha um social muito grande e que eu com o meu passinho de formiga, contribuir para que esse espetáculo ficasse grandioso e é uma felicidade muito grande participar de tudo isso. Gosto muito de São Paulo e acho que o espetáculo cresceu muito”.

A Vila Maria é conhecida por fazer muito enredo “CEP”, que é homenagear cidades e países. O carnavalesco disse que não concorda muito com isso. “Eu não concordo muito com esse rótulo de enredo CEP. Mas assim, a Vila Maria já fez vários países e tem a chancela que pode fazer esses enredos que pode realmente falar. Mas nesse enredo atual, a gente sente que é a essência da escola. Falar de religiosidade, de biodiversidade, de pessoas que são destemidas dentro do nosso país. Então, esse é o enredo que tem a cara do Cristiano, da comunidade e da diretoria”.

Conheça o desfile

Setor 1
“A gente começa falando do império romano. O samba diz que o ‘império segregou, Roma sucumbiu, pra civilização deixou legado’. Nesse setor, falamos do império romano e da principal causa da queda dele. A questão da ganância, o auto enfrentamento do ser-humano, a gente mostra isso como exemplo ruim, mas em contrapartida, a gente tem exemplos bons, onde falamos da arquitetura, que deixou legado, de organização política e do sistema de governar, como senadores”.

Setor 2
“Nessa parte, entramos no momento de religiosidade. A integração das religiões para que possamos viver em comum acordo, que é o equilíbrio interno do ser-humano, onde algumas religiões como ‘axé, amém, shalon, salve a rainha’, são representações do samba”.

Setor 3
“Depois a gente passa por momentos de realidade, onde a gente fala dos destemidos do nosso Brasil, como os idosos e os profissionais da educação. São pessoas que vivem tantas situações adversas em nossos país e, mesmo assim, eles continuam vivendo bem. No carro, a gente fecha o raciocínio que vários diamantes são revelados, vamos mostrar que nossa comunidade em que ali, a gente tem gente que é revelada na arte, cultura e no esporte. Temos o funk integrado com o samba. Mesmo com tantos problemas sociais, vamos mostrar que de lá é produzido muitas coisas boas”.

Setor 4
No último setor, a gente fala de amor. Na batida da cadência, a cura pra dor é o amor. Temos o amor cibernético, essência do amor e o amor eterno. A gente fecha o raciocínio com a biodiversidade do planeta e as raças integradas e com a mensagem de que realmente o mundo precisa de cada um de nós. Os animais, os microrganismos para que possamos manter o ecossistema do planeta a nossa grande casa e o bem maior. Nesse setor, a mãe terra está lá. Vamos mostrar que Gia foi generosa demais com o nosso planeta e que o Brasil é uma terra onde tudo o que se planta dá”.

Ficha técnica
2500 componentes
17 alas
4 alegorias
1 tripé
Chefe de Parintins e decoração de alegorias – Roberto Reis
Decoração de fantasias – Vânia Machado

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