Entre as assinaturas dos sambas-enredos que o Salgueiro já apresentou na Avenida, a mais curiosa fez parte da parceria de 1986, quando a Comissão de Carnaval prestou uma homenagem a Fernando Pamplona com o enredo “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso”.

O título traduzia uma característica do carnavalesco e cenógrafo da TVE, que preenchia com inteligência as lacunas que, fatalmente, seriam abertas pela falta de dinheiro. Foi por isso, inclusive, que a agremiação tijucana assumiria de corpo e alma o slogan “Nem melhor, nem pior; apenas uma Escola diferente”, criado pelo próprio Pamplona.

Diferente era também a parceria do samba, que trazia no selo do disco oficial do Carnaval daquele ano os nomes de Jorge Melodia, Paulo Emílio, Marcelo Lessa e… Bicho de Pena!

Quem seria o iluminado poeta que fazia a sua estreia na galeria salgueirense com o inusitado pseudônimo? Ou teria sido um erro do revisor da gravadora que em vez de digitar Bico de Pena acabou acrescentando um inoportuno “h”?

Não houve erro. O correto era Bicho de Pena mesmo, o novo apelido de Pedro Correia de Carvalho, o Pedro Marreco, o todo-poderoso do Morro do Salgueiro. O filho de Valdir, poeta de raiz, também resolveu mostrar as suas qualidades.

OBS – No Carnaval de 1986, Salgueiro, Caprichosos, Ilha, Estácio e Unidos da Tijuca recusaram a proposta da BMG e gravaram um LP independente.

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