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	<title>Leonardo Antan &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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	<title>Leonardo Antan &#8211; Carnavalesco</title>
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		<title>Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Jan 2023 20:55:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Voltamos para encerrar nosso passeio pelos enredos do Grupo Especial carioca para 2023. Das últimas vezes, tentei reunir os enredos propondo alguns recortes que os aproximavam. No primeiro texto, exploramos os temas que falam de céus e paraísos. Já no segundo, falamos daqueles que exploram regiões brasileiras ao norte e nordeste. Esse último grupo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Voltamos para encerrar nosso passeio pelos enredos do Grupo Especial carioca para 2023. Das últimas vezes, tentei reunir os enredos propondo alguns recortes que os aproximavam. No primeiro texto, exploramos os temas que falam de céus e paraísos. Já no segundo, falamos daqueles que exploram regiões brasileiras ao norte e nordeste.</p>
<p>Esse último grupo de quatros enredos restantes — formado por Grande Rio, Império Serrano, Viradouro e Vila Isabel — não forma exatamente uma seleção homogênea de temas. Pelo contrário, reafirmam a diversidade das escolhas narrativas, apesar de alguns deles se aproximarem também. Um exemplo disso é a dupla formada por Caxias e o Reizinho de Madureira, ambas homenagearão grandes sambistas brasileiros: Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho.</p>
<p><strong>VEJA OS OUTROS TEXTOS</strong><br />
<strong><a href="https://www.carnavalesco.com.br/enredos-2023-as-narrativas-que-vao-explorar-a-riqueza-cultural-brasileira/" target="_blank" rel="noopener">As narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira</a><br />
<a href="https://www.carnavalesco.com.br/enredos-2023-fugindo-da-critica-enredos-passeiam-entre-ceus-e-paraisos/" target="_blank" rel="noopener">Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos</a></strong></p>
<p>Os dois artistas são frutos de uma mesma geração, surgidos na década de 1980 nas sombras da Tamarineira do Cacique de Ramos. Quiseram os orixás que dois amigos tão próximos desfilassem seguidos na Avenida, abrindo a folia deste ano no domingo. Além de tocarem em universos próximos, a condução das narrativas pelos carnavalescos também se aproximou ao optarem por abordagens geográficas.</p>
<figure id="attachment_95343" aria-describedby="caption-attachment-95343" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-95343" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/09/zeca_beija.jpg" alt="zeca beija" width="700" height="440" title="Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida 3" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/09/zeca_beija.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/09/zeca_beija-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/09/zeca_beija-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/09/zeca_beija-668x420.jpg 668w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-95343" class="wp-caption-text">Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação</figcaption></figure>
<p>Na Grande Rio, a narrativa começa exatamente no dia 23 de abril, dia do cortejo campeão da tricolor. Após saudar Exu, a escola segue a gira com Ogum (o segundo a baixar no xirê) e vai até a alvorada de São Jorge para procurar Zeca Pagodinho. O enredo então segue uma busca pelo artista, inspirado na canção “Zeca, Cadê Você?”, a partir de lugares afetivos de sua história: Irajá, Del Castilho, Ramos, Madureira e Oswaldo Cruz, até chegar em Xerém, distrito da cidade de Duque de Caxias, onde o artista fez o seu recanto pessoal.</p>
<p>Desenvolvido por Leonardo Bora e Gabriel Haddad, com pesquisa de Vinícius Natal, o enredo é bem construído exatamente por essa condução inteligente e bem amarrada que foge a uma biografia habitual. Se tivesse que ser encaixado num gênero literário, inclusive, a narrativa não estaria tanto para um texto biográfico, mas sim uma verdadeira crônica do subúrbio e da cultura carioca, que será conduzida a partir da obra do homenageado.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-93488" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/07/arlindo_imperio.jpg" alt="arlindo imperio" width="578" height="379" title="Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida 4" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/07/arlindo_imperio.jpg 578w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/07/arlindo_imperio-300x197.jpg 300w" sizes="(max-width: 578px) 100vw, 578px" /></p>
<p>Quem também trará a devoção por São Jorge logo na sua abertura será o Império Serrano. O padroeiro da agremiação é quem abre a narrativa proposta por Alex de Souza, que também se inspirou numa música. Dessa vez o clássico “Meu Lugar” se expandirá para virar os “Lugares de Arlindo” — explorando a vasta obra musical do marido de Babi Cruz.</p>
<p>Apesar de tantas semelhanças entre os dois enredos — o que não se configura como um problema de modo algum — a narrativa da verde e branco tem um caráter afetivo maior por louvar um nome de sua própria história. Afinal, a própria Serrinha é um dos “lugares” do homenageado, o que garante também um passeio pela história da agremiação e seus baluartes. Já é um trunfo e tanto apostar nessa emoção e afetividade para buscar a permanência no grupo especial. Uma escolha muito mais acertada do que na sua última passagem da Serrinha na elite da folia.</p>
<figure id="attachment_99554" aria-describedby="caption-attachment-99554" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-99554" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14.jpg" alt="viradouro minidesfile23 14" width="800" height="533" title="Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida 5" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/viradouro_minidesfile23-14-630x420.jpg 630w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-99554" class="wp-caption-text">Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Saímos do pagode contemporâneo e voltamos para o período colonial brasileiro. Pois foi no século XVIII que viveu Rosa Maria Egipcíaca, mais um enredo biográfico que vai passar na Avenida em 2023. A história da mulher negra que foi de meretriz a santa aclamada pelo povo será apresentada pelo Viradouro na segunda-feira de carnaval, sob a batuta criativa de Tarcísio Zanon, com desenvolvimento e pesquisa de João Gustavo Melo.</p>
<p>Apesar de ser tratado por alguns como um tema “católico” ou “religioso”, o passeio dos setores terá um recorte bem mais abrangente. Já que a narrativa parte da diáspora africana, segue pelo ciclo do ouro de Minas Gerais e explora ainda outros aspectos que permitem uma abordagem mais histórica. As possibilidades estéticas a serem exploradas são tão ricas que o carnavalesco definiu o tema como “afro-barroco”, prometendo um recorte inovador. Com uma das premissas mais originais do ano, a Viradouro vai cumprir aquele papel importante de uma agremiação: revelar ao público uma personagem pouco conhecida da história brasileira que merece ganhar mais holofotes.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-99475" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29.jpg" alt="vilaisabel minidesfile23 29" width="800" height="535" title="Enredos 2023: as homenagens aguardadas que serão cantadas na Avenida 6" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29-300x201.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29-768x514.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29-696x465.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/vilaisabel_minidesfile23_-29-628x420.jpg 628w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Por fim, temos um enredo que destoa bastante das outras propostas apresentadas. Se falamos de algumas propostas com forte densidade cultural e uma pesquisa apurada, a Vila Isabel deverá seguir por uma viagem mais temática. Celebrações religiosas espalhadas pelo mundo são a condução de “Nessa festa eu levo fé”. Simples assim, já que a peregrinação proposta não tem um desenvolvimento mais cuidadoso ou um fio-condutor definido.</p>
<p>Uma narrativa direta pode ter suas qualidades. A conferir se tal objetividade proposta não será apenas uma premissa de onde sairão os momentos visuais que Paulo Barros quer representar em alegorias, desvalorizando o enredo em detrimento da estética. Se esse tipo de proposta foi eficaz no passado, parece bem menos pertinente atualmente, principalmente em comparação com a variedade expressiva e qualitativa dos demais enredos. Verdade seja dita, a surpresa que o carnavalesco sempre busca atingir poderia ser mesmo a reinvenção do seu estilo já conhecido, que apesar de ter feito história na festa precisa seguir novos caminhos.</p>
<p>Lidas todas as sinopses, investigados os temas apresentados e especulado sobre eles, agora é hora de sair da teoria e conferir como os enredos se darão na Avenida. Pois é lá, na pista da Sapucaí, que as narrativas se concluem e podem ser analisadas de fato, no desenrolar de alegorias e fantasias. Chega logo carnaval!</p>
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		<title>Enredos 2023: as narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Jan 2023 23:04:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Antan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada, começamos nosso passeio com um pouco dos enredos que as agremiações do grupo especial carioca vão levar para a Avenida em 2023. Nele, apontei um &#8220;inconsciente coletivo” — como diria Maria Augusta — envolto dos céus e paraísos que apareceram na criação de alguns artistas. Porém, este não foi o único assunto [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada, começamos nosso passeio com um pouco dos enredos que as agremiações do grupo especial carioca vão levar para a Avenida em 2023. Nele, apontei um &#8220;inconsciente coletivo” — como diria Maria Augusta — envolto dos céus e paraísos que apareceram na criação de alguns artistas. Porém, este não foi o único assunto que se mostrou reincidente na safra de enredos.</p>
<p>Outras quatro narrativas se mostram alinhadas, em algum sentido, ao se aprofundar no regionalismo brasileiro, explorando os aspectos culturais do norte e nordeste. A Bahia, sobretudo, é um lugar que veremos na Sapucaí de diferentes formas em 2023. Mesmo sendo uma região já foi muitas vezes homenageada, ainda é possível ver novos contornos nos temas desse carnaval que irão versar sobre a terra do axé. São três enredos diretamente ligados ao universo festivo e histórico da região, mais uma que sobe um pouco ao norte e chega ao Pará.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-98977" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2.jpg" alt="mangueira mini desfile dia 1 2" width="800" height="533" title="Enredos 2023: as narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira 8" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mangueira_mini-desfile_dia-1-2-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Fazendo a primeira parada na Estação Primeira, a Mangueira foi uma das que mais cedo anunciou seu enredo. A dupla Annik Salmon e Guilherme Estevão terá a difícil missão de substituir Leandro Vieira, após se destacarem na Série Ouro. Acostumada a exaltar a Bahia e o nordeste, a verde-e-rosa vai mergulhar nos cortejos e manifestações afro-brasileiras que acontecem na capital soteropolitana numa proposta autoral dessa dupla, formada para assinar este desfile.</p>
<p>Se a história do carnaval baiano foi poucas vezes cantada na Avenida, o tema ganha ainda mais relevância pelo recorte racial e de gênero que propõe. É assim que a condução de “As Áfricas que a Bahia canta” se dá pelo protagonismo feminino que acontece nessas folias. Apesar da boa premissa, resta saber se essa condução e atuação feminina estará de fato presente e destacada nos setores que irão passear pelos afoxés, cucumbis e blocos. Ainda assim, é um tema muito rico culturalmente e com muitas visualidades a serem exploradas.</p>
<figure id="attachment_94592" aria-describedby="caption-attachment-94592" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-94592" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/08/jack_vasconcelos_tijuca.jpg" alt="jack vasconcelos tijuca" width="700" height="440" title="Enredos 2023: as narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira 9"><figcaption id="caption-attachment-94592" class="wp-caption-text">Foto: Luan Costa/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Um dos melhores enredistas do carnaval nos últimos anos, Jack Vasconcelos se volta à cultura baiana, um assunto até então inédito na sua trajetória. O enredo da Unidos da Tijuca será “É Onda Que Vai… É Onda Que Vem… Serei a Baía de Todos Os Santos a Se Mirar No Samba da Minha Terra”, que vai “mergulhar” na riqueza cultural da bacia hidrográfica que dá nome ao estado nordestino.</p>
<p>A proposta parece ter um “quê” de enredo cep, pois os setores se desenvolvem pela história e cultura das cidades em torno da baía. Porém, mesmo parecendo despretensiosa, a narrativa mostra bem a assinatura de Jack e sua inteligência de arrematar seus trabalhos. A baía não se torna apenas cenário, mas é ela mesma a amarração e condutora da premissa, trazendo a noção aquática e marítima, que poderá ser vista em todos os setores do cortejo. Uma ótima saída para fugir do óbvio.</p>
<figure id="attachment_91420" aria-describedby="caption-attachment-91420" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-91420" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/louzada_andre.jpg" alt="louzada andre" width="700" height="440" title="Enredos 2023: as narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira 10" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/louzada_andre.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/louzada_andre-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/louzada_andre-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/louzada_andre-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /><figcaption id="caption-attachment-91420" class="wp-caption-text">Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Beija-Flor</figcaption></figure>
<p>Diferente dos passeios culturais que prometem Mangueira e a Unidos da Tijuca, a Beija-Flor se volta para a história de luta do estado baiano. Aproveitando ainda o mote do bicentenário da independência brasileira, a narrativa de André Rodrigues e Alexandre Louzada, com pesquisa de Mauro Cordeiro, vai questionar essa celebração patriótica e se voltar para a guerra da independência, acontecida na Bahia entre 1922 até o fatídico 2 de julho de 1923.</p>
<p>O primeiro feito dessa escolha narrativa é revelar um episódio pouco conhecido do grande público, principalmente os sudestinos e de outras regiões, que não conhecem tão bem a luta de nomes como Joana Angélica e Maria Quitéria. Outro valor de como está sendo conduzido o tema é a forma contestadora e contundente que a proposta se coloca, dando um tom de reivindicação e manifesto. É uma característica que se soma ao estilo imponente da própria Beija-Flor e dá um toque bastante único ao enredo, fazendo-o se destacar como um dos poucos temas que têm vertente mais crítica e política dessa safra.</p>
<figure id="attachment_91403" aria-describedby="caption-attachment-91403" style="width: 726px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-91403" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/rosa_joao2.jpg" alt="rosa joao2" width="726" height="444" title="Enredos 2023: as narrativas que vão explorar a riqueza cultural Brasileira 11" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/rosa_joao2.jpg 726w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/rosa_joao2-300x183.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/rosa_joao2-696x426.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/rosa_joao2-687x420.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 726px) 100vw, 726px" /><figcaption id="caption-attachment-91403" class="wp-caption-text">Foto: Divulgação/Tuiuti</figcaption></figure>
<p>Saindo da Bahia e viajando até o Pará chegamos no enredo que o Paraíso da Tuiuti vai contar, sob a batuta criativa de Rosa Magalhães e João Vitor Araújo. A inusitada dupla vai explorar a cultura marajoara em “Mogangueiro da Cara-Preta”. A concepção tem um quê de fábula, típico da professora, e revela uma história bastante curiosa: o naufrágio de um barco que levava especiarias e foi responsável por povoar a Ilha de Marajó com búfalos. Além da sua relevância histórica, a narrativa ainda acerta ao exaltar a cultura popular e revelar nomes como Mestre Mestre Damasceno, responsável pelo inusitado “búfalo-bumbá”, garantindo mais um passeio cultural e bastante rico na folia que se aproxima.</p>
<p>Passeando pelo regionalismo presente nas narrativas de Mangueira, Tijuca, Tuiuti e Beija-Flor, temos um recorte bastante interessante sobre a safra de 2023. São propostas que, apesar de terem nuances parecidas, exploram diferentes vertentes e com os mais diferentes fio-condutores. Vamos descobrir em breve como elas serão abordadas na Avenida! Em breve, voltaremos por aqui para nossa terceira e última análise dos enredos de 2023. Até!</p>
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		<title>Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Jan 2023 00:20:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Antan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Virado o novo ano no calendário, a nossa amada folia se aproxima. Depois de um abril que matou nossas saudades da Avenida, tivemos um tempo mais curto de preparação entre um carnaval e outro nesses últimos meses. Na missão de seguir comentando um poucos dos enredos que serão cantados, como fiz nos últimos anos aqui [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Virado o novo ano no calendário, a nossa amada folia se aproxima. Depois de um abril que matou nossas saudades da Avenida, tivemos um tempo mais curto de preparação entre um carnaval e outro nesses últimos meses. Na missão de seguir comentando um poucos dos enredos que serão cantados, como fiz nos últimos anos aqui no <strong>CARNAVALESCO</strong>, dou início a essa temporada de análise, que vai resultar em três textos que dão conta das doze escolas do Especial carioca.</p>
<p>Para abrir os trabalhos, vale uma contextualização de tudo que vimos em 2022 e seus desdobramentos, principalmente, porque a folia após a pandemia marcou uma quantidade significativa de enredos ligados à cultura afro-brasileira e ao próprio carnaval. É óbvio dizer que a principal “tendência” dos últimos anos foram as narrativas políticas e sociais, tanto porque garantiram alguns títulos mas principalmente por serem tão bem realizadas pela chamada “nova geração” de carnavalescos.</p>
<p>Numa primeira olhada para as temáticas de 2023, pode se dizer que esse tipo de narrativa perdeu força. Se o enfrentamento de questões urgentes era a tônica, notamos agora um movimento contrário: há um significativo número de narrativas que parecem querer fugir da realidade. Esse desejo é expresso em alguns passeios da dimensão divina ou extracorpórea, como o paraíso, o céu e o inferno.</p>
<p>Exemplificando exatamente essa transição do político ao delirante — não que necessariamente esta seja uma dicotomia — está o trabalho de Leandro Vieira e seu enredo na Imperatriz Leopoldinense. Após um já histórico e bem sucedido casamento com a Mangueira, o artista propõe para a Rainha de Ramos algo muito diferente do que havia feito na Verde e Rosa. O enredo se baseia na literatura de cordel para narrar a saga do cangaceiro Lampião em busca de guarida no céu e no inferno.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-100497" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6.jpg" alt="coroacao maria imperatriz 6" width="800" height="533" title="Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos 16" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/coroacao_maria_imperatriz-6-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Trata-se de uma bela narrativa, pertinente e original, que tem tudo para render um bom visual. O texto bem escrito da sinopse detalha a saga do nordestino explorando muito bem suas nuances e personagens, o que foi belamente traduzido no samba-enredo da agremiação. O que mais me chama atenção na narrativa é seu desfecho poético e contundente, afirmando que Lampião vagueia no imaginário de quem construiu a identidade nordestina. É sem dúvidas um dos destaques da safra, tanto por seu aspecto lúdico como por mergulhar por uma face fundamental da cultura brasileira.</p>
<p>Já que falamos de paraíso, não tem como deixar de mencionar “Delírios de um paraíso vermelho”, enredo que o Salgueiro vai apresentar sob a batuta criativa de Edson Pereira. Assim como a proposta da Imperatriz, a fuga da realidade também parece ser uma premissa nesse caso, mas, em comparação, acaba “pecando” — com o perdão do trocadilho — em alguns aspectos. Parece importante contextualizar que ao longo da sua carreira como carnavalesco, Edson sempre se demonstrou um habilidoso criador visual, mas geralmente deixou a desejar na condução de alguns temas. É exatamente essa falha que voltamos a observar no enredo que o Salgueiro nos apresenta até aqui. Parece ser um consenso entre o público geral que não está muito claro do que se trata a narrativa e de como ela se desenvolve.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-96581" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/10/final_salgueiro2223_21.jpg" alt="final salgueiro2223 21" width="700" height="440" title="Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos 17" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/10/final_salgueiro2223_21.jpg 700w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/10/final_salgueiro2223_21-300x189.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/10/final_salgueiro2223_21-696x437.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/10/final_salgueiro2223_21-668x420.jpg 668w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></p>
<p>Após uma leitura da sinopse, a narrativa parece ter o carnavalesco Joãosinho Trinta como fio condutor, num enredo que parte de um paraíso delirante, navega pelos pecados humanos, vê chegar um inevitável apocalipse e busca a redenção com um juízo final que traz a cena marginalizados. Tudo isso, para terminar num outro Éden, agora tomado pela folia carnavalesca, como pregou Trinta em sua “revolução da alegria”. É uma narrativa bastante ousada, em múltiplos sentidos, que tem potencial e que pode até render bons momentos visuais, basta se mostrar mais coesa e clara na Avenida.</p>
<p>Retornando para a região nordeste do Brasil, a antiga rival da Imperatriz na década de 1990 também se voltou para essa cenário tão rico culturalmente.Trata-se de mais um enredo de Marcus Ferreira que passeia por esse campo temático, pois o artista já contou sobre os bonecos mamulengos, a xilogravura e as ganhadeiras de itapuã. Dessa vez, ele se dedica à escultura de barro que também compõe a identidade cultural nordestina.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-99032" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3.jpg" alt="mocidade mini desfile dia 1 3" width="800" height="533" title="Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos 18" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/mocidade_mini-desfile_dia-1-3-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>Para isso, temos a figura do grandioso Mestre Vitalino como guia. Se nas figuras e modelagens na terra estão cenas da cultura local, o enredo também brinca com o universo cósmico. Diferente de Salgueiro e Imperatriz que passeiam pela noção cristã de paraíso e inferno, a Estrela Guia se volta ao céu “real”, o espaço sideral. É daí que vem uma das boas sacadas do enredo, que brinca com o criador e a criatura, fazendo referência ao desfile campeão de 1996 da verde e branco, para falar do ato de criação artística dos escultores. Numa possível interpretação da sinopse, o gesto de olhar o céu é um momento necessário de escapismo da realidade em busca de um acalanto de esperança.</p>
<p>Quem também está olhando para o alto neste ano é a Portela. Aliás, não só para o alto como para o seu passado. A azul e branco se volta ao “além”, a dimensão que ultrapassa o terreno, onde estão os que já desencarnaram. Tudo isso pois é nesse “plano” que estão grandes nomes da agremiação, que merecem ser lembrados no cortejo que irá celebrar o centenário da fundação dos grupos carnavalescos que deram origem à Portela.</p>
<p>A principal dificuldade dessa narrativa é dar conta da complexidade de uma história tão longa quanto múltipla. Fazendo pensar que qualquer condução escolhida para esse enredo poderia gerar controvérsia. De certo, dá para afirmar que temos uma das mais belas sinopses do ano, que apresenta muito bem a contribuição da Portela e de seus artistas para a folia carnavalesca.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-99431" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8.jpg" alt="portela minidesfile23 8" width="800" height="534" title="Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos 19" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8.jpg 800w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8-768x513.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8-696x465.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/12/portela_minidesfile23_-8-629x420.jpg 629w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /></p>
<p>A condução do enredo, na verdade, parece traduzir a própria dificuldade de explicar uma instituição centenária tão relevante para a arte e a cultura brasileira, que também mobiliza tantos torcedores apaixonados. Afinal, como tentaram Monarco e Paulinho em seus versos, como explicar a Portela? O trecho final da sinopse da azul e branco parece sintetizar essa questão, mostrando que apenas olhar para o infinito e cogitar que existe “uma força maior que nos guia” pode ser uma interpretação. Tamanha grandeza de uma escola só pode vir mesmo do infinito, não cabe uma explicação lógica e terrena.</p>
<p>Também sem maiores explicações me despeço por aqui e prometo voltar em breve, dessa vez longe de enredos delirantes e destacando outros pontos em comum entre algumas narrativas para o carnaval de 2023. Até!</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Balanço final de 2022 &#8211; Como os enredos foram julgados&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 May 2022 13:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Antan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O carnaval de 2022 foi atípico em muitos sentidos. Passada, finalmente, a folia é tempo de reavaliar e apontar tudo que deu certo ou errado no nosso esperado retorno à Sapucaí. Em tempo de maturação maior entre as folia de 2020 e 2022, tivemos uma discussão mais aprofundada dos enredos que seriam apresentados pelas agremiações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O carnaval de 2022 foi atípico em muitos sentidos. Passada, finalmente, a folia é tempo de reavaliar e apontar tudo que deu certo ou errado no nosso esperado retorno à Sapucaí. Em tempo de maturação maior entre as folia de 2020 e 2022, tivemos uma discussão mais aprofundada dos enredos que seriam apresentados pelas agremiações do Especial carioca.</p>
<p>Antes do último abril, escrevi aqui para o <strong>CARNAVALESCO</strong> que o que conduzia, para mim, a maioria das narrativas era uma sensação de orgulho e valorização das próprias agremiações. Apesar da notável presença de muitas narrativas entendidas como “afro”, em uma denominação pra lá de genérica, havia um fio que costurava uma auto-exaltação das próprias escolas em seus desenvolvimentos. Um recurso belo e necessário, se não soar gratuito.</p>
<figure id="attachment_90902" aria-describedby="caption-attachment-90902" style="width: 978px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-90902" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032.jpg" alt="grande rio campeas 2022 032" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 26" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_032-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /><figcaption id="caption-attachment-90902" class="wp-caption-text">Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Muito se comentou que havia uma boa safra de enredos, porém é bem verdade que muitos desenvolvimentos deixaram a desejar durante sua passagem na Avenida. Por isso, é válido esperar o cortejo oficial para manter o martelo sobre o que de fato concerne o “enredo” de uma agremiação. Pois por mais que tenhamos noção da ideia a ser desenvolvida, é apenas na pista que tudo se realiza completamente. Um desfile de escola de samba só acontece ali, no conjunto e na força das energias de alas e alegorias em conjunto. Muitas ideias que tinham ótimas premissas podem ser mal desenvolvidas, ou vice-versa.</p>
<p>Partindo da leitura atenta do livro Abre-alas de cada agremiação, temos um vislumbre detalhado dos desenvolvimentos dos temas, a partir de sua setorização, sinopse, justificativa e setorização. Usando ainda como régua o julgamento do quesito, tivemos no geral uma boa avaliação de “Enredos”, mesmo com notas que possam ser questionadas relativamente. Parando para ler as justificativas, a maioria dos membros do júri, nesse quesito, tiveram avaliações coerentes e bem amarradas. A exceção foi o jurado da última cabine, que apenas distribuiu notas dez para onze agremiações, penalizando com apenas um 9,7 a São Clemente.</p>
<p>Justamente, a escola que mais perdeu em enredo, somou apenas 29,8 pontos no quesito, fora os descartes. De fato, a preto e amarelo possuía a narrativa mais frágil do Grupo Especial em 2022. Noves fora a pertinência e a importância da homenagem a Paulo Gustavo, a forma como o enredo foi desenvolvido deixou bastante a desejar. No geral, o júri apontou a falta de coerência e de criatividade no desenrolar da narrativa, assim como problemas na amarração dos setores. A repetição da personagem Dona Hermínia em diversos momentos da apresentação (comissão, segunda alegoria e bateria) foi outro ponto bem percebido e despontuado. Além disso, mais de um julgador criticou o uso de legendas e de siglas mal explicadas nas alegorias e fantasias.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-88129" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083.jpg" alt="desfile tuiuti 2022 083" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 27" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tuiuti_2022_083-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>O segundo enredo que mais perdeu décimos foi o do Paraíso do Tuiuti. A proposta do carnavalesco Paulo Barros de exaltar a cultura negra acabou se tornando uma “lista de chamada” de personalidades negras, relacionando-os com os orixás. Com isso, pecando bastante assim na originalidade e coesão do enredo. No desfile, houve ainda um excesso no desenvolvimento plástico: cada ala possuía a presença de um componente representando literalmente a figura homenageada e um adereço que trazia uma foto do mesmo, sem contar ainda com a própria fantasia da ala. O exagero dessa necessidade de “legenda” foi corretamente descontado algumas vezes pelos jurados. Outro “erro” que também valeu preciosos décimos foi a presença de uma ala em homenagem a uma enxadrista num setor que era dedicado às ciências. Por fim, a coesão do último setor e seus elementos também marcaram um desenvolvimento bem além do esperado.</p>
<figure id="attachment_86676" aria-describedby="caption-attachment-86676" style="width: 978px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-86676" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086.jpg" alt="desfile mangueira 2022 086" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 28" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_086-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /><figcaption id="caption-attachment-86676" class="wp-caption-text">Foto: Site CARNAVALESCO</figcaption></figure>
<p>Outro enredo muito penalizado foi a homenagem tripla da Mangueira aos seus grandes artistas. Apesar de ser um dos principais narradores da festa recentemente, a proposta de Leandro Vieira não agradou o júri e recebeu quatro notas 9,8. Três dos cinco avaliadores sentiram falta de uma conclusão ou desfecho na narrativa, após um setor para cada homenageado. Para outros, faltou também um aprofundamento no desenvolvimento e houve pesos diferentes na condução da forma que as biografias foram abordadas. Por exemplo, uma das justificativas apontou o fato da infância de Jamelão ter sido lembrada, enquanto não houve o mesmo com Cartola e Delegado. Um desacerto veio de um dos julgadores pontuou que faltou registar o legado dos artistas homenageados, como foi proposto no enredo, mas que estava claro em alguns momentos da narrativa.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-90447" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40.jpg" alt="salgueiro campeas 2022 40" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 29" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/salgueiro_campeas_2022_40-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Logo após, tanto Salgueiro e Tijuca acumularam a mesma soma de pontos: 29,7 (com os descartes). No caso da Academia, a agremiação realmente tinha uma boa premissa de enredo, mas que deixou a desejar em alguns aspectos de sua condução. Para uma das avaliadoras, faltou a maior presença do fio condutor que era a ideia de territorialidade, presente, segundo ela, em apenas dois momentos da setorização. A proximidade visual entre as alas “Capoeira” e “Bloco Afro” também foi observada por mais de um jurado. No geral, a falta de criatividade e “carnavalização” foram outros motivos de descontos de décimos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-89053" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132.jpg" alt="desfile tijuca 2022 132" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 30" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_132-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Terminando com a mesma pontuação, a Tijuca foi julgada com um rigor acima da média, mas com um enredo bem mais redondo que o da Academia. Com uma apresentação bastante criativa e ousada, a escola acabou não agradando o júri. As justificativas para tantos decréscimos passaram por um problema conceitual até bem observado no uso cromático do azul, mas uma justificativa menos pertinente que apontou o último setor, em referências às religiões afro-brasileiras, como um problema na amarração do enredo.</p>
<p>A Mocidade foi descontada em dois décimos, nos dois casos foi apontado uma questão cronológica na narrativa, pois as alas que faziam referência a Umbanda estavam posicionadas antes das que traziam o Candomblé. A Imperatriz deixou pelo caminho apenas um décimo, mas foi desapontada duas vezes, tendo uma das notas descartadas. Uma das justificativas apontam uma incoerência no terceiro setor do desfile e outra despontou pela falta de criatividade e a última alegoria. Quem também perdeu apenas um décimo, mas, nesse caso, acabou sendo beneficiada foi a Vila Isabel. O desenvolvimento da homenagem a Martinho da Vila apresentava diversas incoerências narrativas que não foram observadas, como a falta de coesão e algumas quebras no desenvolvimento entre os setores. Para dar um exemplo, uma ala que marcava chegada do música ao bairro de Vila Isabel já adulto, estava a frente da segunda alegoria, lembrando a sua infância na cidade de Duas Barras. Um revés na narrativa cronológica proposta.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-87502" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088.jpg" alt="desfile beija flor 2022 088" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 31" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_088-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Por fim, quatro escolas fecharam a conta com três notas máximas: Viradouro, Portela, Grande Rio e Beija-Flor. De fato, trata-se de algumas das narrativas mais fundamentadas do ano em diferentes aspectos. No caso da vermelho e branco, uma pesquisa histórica muito bem defendida e apresentada no Abre-alas. Vigor de texto e aprofundamento também presente nas escolas da Baixada. A Beija-Flor fez um importante passeio sobre a cultura negra, a partir de teóricos negros e revelou nomes fundamentais da nossa cultura. Já a campeã, mergulhou intensamente numa narrativa cíclica e densa sobre Exu, abrindo chaves interpretativas diversas.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-90514" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13.jpg" alt="portela campeas 2022 13" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 32" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/portela_campeas_2022_13-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Nos três casos, a figura de pesquisador e enredista para dar corpo e densidade aos temas e na feitura do livro Abre-Alas foi fundamental. É um personagem cada vez mais central na construção de um bom enredo, ainda mais quando trazem pertinência ao tema desenvolvido. Talvez tenha sido uma falta sentida na quarta agremiação a fechar as notas máximas, a Portela. O enredo sobre a diáspora africana, centrado na figura do Baobá, se mostrou na Avenida pouco inspirado e genérico. Apesar de bem defendindo, que pode justificar a falta de perda de pontos, algumas alas desfilavam apenas representações de orixás sem maior amarração. Em meio a tantos enredos que repensaram o termo “afro”, a azul e branco seguiu um caminho mais tradicional e pecou na falta de ousadia, com representações já saturadas sobre o tema.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-90970" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101.jpg" alt="grande rio campeas 2022 101" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Balanço final de 2022 - Como os enredos foram julgados&#039; 33" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/05/grande-rio_campeas_2022_101-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Fechando a conta, felizmente, os enredos e os discursos apresentados na Avenida voltaram a ser centrais. Nada de temas patrocinados poucos pertinentes, isso ficou para trás. Para vencer a folia carioca hoje, é necessário força em seu discurso. A vitória da Grande Rio, em sua ousadia, reafirma esse novo frescor. Visualmente e narrativamente, vimos uma escola conectada a seu tempo, que apostou na força da linguagem carnavalesca e toda sua potência.</p>
<p>Axé! Que boas narrativas nos aguardem em 2023!</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Em dia com desfiles históricos, Tijuca e Grande Rio promovem renovação na estética  do carnaval&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 22:34:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vimos a História ser escrita na segunda noite de desfiles do grupo especial carioca. De propostas visuais inovadoras e arrojadas até o ótimo desempenho histórico de sambas e baterias, algumas agremiações presentearam o público com momentos que ficarão na memória da festa para sempre. Em um ano especial pela volta da folia após tanto tempo, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Vimos a História ser escrita na segunda noite de desfiles do grupo especial carioca. De propostas visuais inovadoras e arrojadas até o ótimo desempenho histórico de sambas e baterias, algumas agremiações presentearam o público com momentos que ficarão na memória da festa para sempre. Em um ano especial pela volta da folia após tanto tempo, vimos comunidades emocionadas e pulsando pela pista. Foi histórico!</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-89042" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121.jpg" alt="desfile tijuca 2022 121" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Em dia com desfiles históricos, Tijuca e Grande Rio promovem renovação na estética do carnaval&#039; 36" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_tijuca_2022_121-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Abrindo os caminhos, o Paraíso do Tuiuti reencontrou a Pista sob a batuta criativa do carnavalesco Paulo Barros. O enredo marcou o primeiro enredo “afro” da carreira do artista, que desejou a desejar no desenvolvimento bastante “temático” da narrativa, passaram em alas e alegorias grandes personalidades negras sem maiores fios narrativos que justificassem uma sensação de eterna “lista de chamada”. Outro equívoco da proposta artística foi o uso excessivo de “legendas”: a cada ala havia um estandarte apresentado a foto do homenageado, entre as fantasias que já representavam algo havia ainda os componentes um destaque “fantasiado” como os homenageados. Outro problema do enredo foi privilegiar elementos norte-americanos, falando pouco da cultura negra brasileira. Nas alegorias, os já conhecidos truques de Paulo Barros não se justificaram na busca por ajudar no desenvolvimento do enredo e ainda prejudicaram uma evolução já bastante complicada da azul e amarelo. Faltou comunicação com o público, tão importante no trabalho do artista. Com muita correria, houve estouro no tempo em dois minutos. O destaque positivo do cortejo ficou para a bateria Supersom, comandada por Mestre Marcão, que apresentou um trabalho incrível ao lado de carro de som e ótimo samba da agremiação.</p>
<p>Casa pra se respeitar, a Portela também falou da presença negra na nossa sociedade, mas a partir da diáspora afro-atlântica simbolizada a partir do Baobá, árvore sagrada e síntese da resistência. O enredo, infelizmente, apresentou um desenvolvimento genérico e pouco inspirado, passeando por lugares comuns e sem grandes nuances. Em meio a busca por novas formas de contar a história do povo negro na Sapucaí durante os dias dias, a proposta da azul e branco deixou a desejar. Ainda sim, a qualidade visual do conjunto se destacou na condução brilhante de Renato Lage e Márcia Lage e precisa ser destacada. O conjunto alegórico se sobressaiu pelo estilo requintado e o trabalho artesanal, como no terceiro carro realizado em palha e outros materiais rústicos, que apesar da beleza apresentou problemas de acabamento por problemas na curva da Avenida. Entre o visual em tons terrosos, se destacou o uso bem pontuado de azul, num excelente trabalho<br />
cromático entre a proposta “afro” e as cores da agremiação. Realização que mostrou a competência da Márcia Lage e domínio absoluto da artista na questão cromática. Além de bonito de ver, a Portela também teve um excelente desempenho musical, unindo a bateria primorosa de Mestre Nilo com uma grande atuação de Gilsinho, que garantiram um ótimo rendimento a um samba menos inspirado da safra.</p>
<p>O tributo à Oxóssi da Mocidade Independente foi o terceiro tema “afro” seguido da noite, mas apresentando uma visão completamente diferente das propostas anteriores. A mitologia nagô-iorubá e seus mitos foram contados na Avenida, mostrando ainda a relação entre a bateria da verde e branco com o orixá. Homenageados pelo cortejo, portanto, os ritmistas de Mestre Dudu se destacaram na condução do excelente samba-enredo, que animou a Sapucaí. A potência do desfile da alviverde foi apresentar ao Brasil figuras como Tia Chica, mãe de santo que realizou o “batismo” do ritmo da agremiação ao orixá da caça e seu “aguerê”. O que foi representado na penúltima alegoria do cortejo, uma das poucas que não apresentou problemas de acabamento e belo visual, que lembrou os trabalhos de Arlindo Rodrigues e Renato Lage no início dos anos 1980. No geral, as alegorias apresentavam concepções bem interessantes, mas possuíam várias avarias e problemas de finalização. O conjunto de fantasias se destacou positivamente. Foi uma pena o espetáculo musical não ter sido acompanhado pelo visual, o que deve prejudicar a agremiação na busca por melhores posições na apuração.</p>
<p>Exaltando a cultura indígena, a Unidos da Tijuca mostrou porque desfile se faz na pista. Após uma série de boatos e críticas no período de pré-carnaval, a agremiação fez uma das grandes apresentações do ano. O carnavalesco Jack Vasconcelos se provou mais uma vez um dos maiores enredistas da festa, desenvolvendo com brilhantismo a história mitológica em torno do Guaraná, a partir de um olhar de fábula infantil. Um espírito leve e lúdico tomou conta do cortejo, guiado pela belíssima obra musical e a voz potente de Wantuir e sua filha Wictória, que se alinhou ao trabalho estético. Na pista, as fantasias foram um belo conjunto e um tapete cromático bem desenvolvido, desde o início que explorou as cores do Borel até o setor todo vermelho que trouxe a etnia Sateré-Mawé. A inspiração de Jack no estilo do grande carnavalesco Oswaldo Jardim foi vista na paleta e representações lisérgicas, sobretudo na ala de baianas, coroando um desenvolvimento visual bastante gráfico e que remetia as animações e quadrinhos infantis. Um grande trabalho artístico que trouxe assinatura e identidade artística, aliado a uma importante retomada do orgulho e dos bons desfiles da comunidade do Borel.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-89544" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113.jpg" alt="desfile grande rio 2022 113" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Em dia com desfiles históricos, Tijuca e Grande Rio promovem renovação na estética do carnaval&#039; 37" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_grande-rio_2022_113-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Por falar em personalidade artística, foi o que não faltou no cortejo da Grande Rio. Caminhos abertos pela talentosa dupla Leonardo Bora e Gabriel Haddad, que seguiram uma linha visual revolucionária, deixando brilhos e paetês de lado para apostar em tecidos e sobreposições de formas rústicas. Do tripé da Comissão de Frente à ultima alegoria, vimos um conjunto visual bastante ousado e grandioso, apostando em formas volumosas e no acúmulo de elementos. A reciclagem de materiais também foi uma constante no cortejo, mostrando a potência e transformação de Exu, orixá homenageado pelo desfile. A narrativa se mostrou múltipla e abrangente como deveria, abrindo sete chaves de interpretação do mundo a partir da energia do protetor das ruas. Um conjunto visual de alto nível poucas vezes visto na história da festa, brilhante e inspirado de ponta a ponta. O trabalho visual se somou a uma equipe brilhante, da grande atuação do casal Taciana Couto e Daniel Wenerck até a bateria de mestre Fafá. Foi uma apresentação histórica, tanto do ponto de vista artístico, como em termos simbólicos já que falar de Exu foi um grito contra a intolerância religiosa e vilanização das culturas afro-brasileiras. Mensagem potente que chegou nas arquibancadas, que se encantaram e fizeram uma divertida coreografia com as<br />
bandeirinhas distribuídas pela tricolor no início do desfile. Caminhos abertos para o esperado primeiro título da comunidade de Caxias.</p>
<p>Sem descanso pro público, a Vila Isabel seguiu escrevendo história e mantendo a energia lá em cima, ao celebrar Martinho da Vila, um dos maiores baluartes da arte brasileira. A esperada homenagem promoveu uma catarse do público, embalada por um excelente desempenho da bateria do povo de Noel e o rendimento do samba-enredo da escola. A comunidade engalanada da azul e branco vibrou e se emocionou na Avenida. Infelizmente, assim como na Mocidade, ouve um descompasso entre o visual e o samba. Se no chão, a agremiação emocionou, o enredo desenvolvido a partir da atuação de Martinho deixou bastante a desejar, num desenvolvimento confuso e que utilizou diversos clichês bastante problemáticos, como na terceira alegoria, que representou um “Navio negreiro”, num enredo que deveria celebrar o orgulho do povo preto. Após duas propostas ousadas e arrojadas nas agremiações anteriores, vimos um visual mais tradicional em cores e formas. O estilo opulento de Edson Pereira foi visto desde o abre-alas grandioso e no conjunto de fantasias, que deve ser bem avaliado pelos jurados. Com quesitos fortes, a Vila deve brigar pelas<br />
boas posições.</p>
<p>Após grandes apresentações, resta saber como o júri avaliou os cortejos e como será eternizada a folia. Foi, sem dúvidas, um ano bastante disputado e que promete surpresas na apuração. Várias agremiações cometeram pequenos erros, mas se credenciaram para a briga. De doze agremiações, quase todas se gabaritam a retornar nas campeãs e oito delas possuem reais chances de briga. É tudo tão incerto que tem escola que poderia ficar em terceiro ou oitavo lugar que não seria surpresa. A magia da pista é realmente fascinante.</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 Apr 2022 18:45:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>“Alô mundo, o carnaval voltou!” Parafraseando o grande Neguinho da Beija-Flor, foi com sentimento de felicidade e emoção que os sambistas do grupo Especial voltaram a ocupar a Marquês de Sapucaí nessa sexta-feira, dia 22. Cercado de expectativas, os desfiles levaram para Avenida para enredos fortes e emocionantes. Ainda assim, foi uma noite de enredos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>“Alô mundo, o carnaval voltou!” Parafraseando o grande Neguinho da Beija-Flor, foi com sentimento de felicidade e emoção que os sambistas do grupo Especial voltaram a ocupar a Marquês de Sapucaí nessa sexta-feira, dia 22. Cercado de expectativas, os desfiles levaram para Avenida para enredos fortes e emocionantes. Ainda assim, foi uma noite de enredos que deixaram a desejar em alguns aspectos.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-86437" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_imperatriz_2022_107.jpg" alt="desfile imperatriz 2022 107" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 44"></p>
<p>Retomando sua vitoriosa parceria com a lendária Rosa Magalhães, a Imperatriz homenageou Arlindo Rodrigues contando sua grande contribuição para a história do carnaval. Grandes desfiles de Salgueiro, Mocidade e da própria Rainha de Ramos foram recordados na pista, sob a assinatura da professora que usou o branco, as cores comuns das três agremiações para conduzir o tapete cromático. O enredo estava sendo contado não só em formas e fantasias, mas também nos materiais utilizados. Cada setor trazia um elemento que Arlindo introduziu no carnaval: a ráfia nos anos de Salgueiro, o acetato no setor da Mocidade e os espelhos deram o brilho da alegoria que celebrou o título de 1980 da Imperatriz. Rosa mostrou porque é um dos grandes nomes artísticos da folia, deu o nome com alegorias requintadas e muito bem acabadas, até mesmo grandiosas para seu estilo mais compacto habitual. Nem de longe, a verde e branco parecia ser a escola vindo da Série Ouro, mostrou sua grandeza e deve brigar pelo meio da tabela com tranquilidade.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-86685" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094.jpg" alt="desfile mangueira 2022 094" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 45" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_mangueira_2022_094-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>A Mangueira também chegou lembrando sua história e grandes artistas do seu panteão. A homenagem a Cartola, Jamelão e Delegado começou a emocionar na Comissão de Frente, muito bem elaborada e realizada pelo casal Rodrigo Negri e Priscilla Motta. O enredo abordou aspectos da vida dos homenageados, sob a assinatura de Leandro Vieira, que optou por escolhas bastante pessoais na condução desses elementos do desfile. Por exemplo, no setor em referência a Jamelão, não vimos os grandes carnavais que tiveram o intérprete, mas sim a sua carreira como cantor de samba-canção e de gafieiras que ambientaram a terceira alegoria. Na concepção do artista, Leandro deixou as cores da escola para abusar do vermelho, mostrando assim uma mudança de cenário na narrativa, num claro exemplo de como cor também ajudava a contar o enredo. Por falar nisso, o visual apostou no uso derramado de verde e rosa, como Leandro nunca realizou na Mangueira. Inspirado em Júlio Mattos, grande campeão pela Estação Primeira, o uso de prata deu um ar sofisticado à famosa combinação da escola na abertura. A última alegoria, uma caixinha de música que tinha Delegado como bailarino, foi um dos destaques do cortejo.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-86940" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093.jpg" alt="desfile salgueiro 2022 093" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 46" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_salgueiro_2022_093-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>Lá vem Salgueiro! A academia do Samba mostrou sua potência explosiva ao cantar “Resistência”, o samba guiou um cortejo com muita explosão e forte comunicação com o público. O enredo que versou sobre a presença preta na cultura carioca optou por um tratamento mais cronológico, nesse sentido, Alex de Souza concebeu alegorias bastante cenográficas, que reproduziam épocas e figurinos a rigor. A abertura se destacou visualmente, ao celebrar a clássica estética “afro-geométrica” da Revolução Salgueirense, com destaque para a escultura de Djalma Sabiá como um griô. Já no final, os últimos setores apresentaram formas menos bem resolvidas. A narrativa teve problemas de fluidez ao partir do Teatro Municipal para o Baile Charme em poucos elementos, criando uma ruptura estética na agremiação. Faltando uma amarração geral, que seria avaliada no saudoso quesito Conjunto. Ainda assim, Alex de Souza mostrou porque é um dos artistas mais talentosos e requintados da folia carioca, colocando o Salgueiro na briga pelas Sábado das Campeãs mais uma vez.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-87179" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_sao-clemente_2022_113.jpg" alt="desfile sao clemente 2022 113" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 47"></p>
<p>A São Clemente homenageou Paulo Gustavo no cortejo que marcou a estreia do artista Tiago Martins como carnavalesco solo. Apesar da pertinência e importância do humorista para a cultura brasileira na última década, o enredo seguiu uma linha de condução bastante simplória, que usou de elementos bastantes clichês para guiar seu desenvolvimento. O terceiro setor apresentou um tripé que fazia alusão ao bolo de casamento do artista, seguido pela ala “Dermatologista”, em referência a profissão de Thales Bretas, esses elementos são uma ótima mostra das decisões equivocadas da condução do carnaval. Visualmente, os figurinos eram leves e jocosos, mas o trabalho cromático também deixou a desejar, com uma paleta bastante colorida mas que não conversava entre si. Algumas fantasias e alegorias tiveram problemas de acabamento. Os pontos positivos ficaram por conta da bateria da agremiação e a última alegoria em preto e amarelo, que se destacou no conjunto. De maneira geral, a São Clemente deve brigar pelo rebaixamento.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-87414" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_viradouro_2022_107.jpg" alt="desfile viradouro 2022 107" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 48"></p>
<p>Lá vem a Viradouro, aí! A atual campeã do carnaval carioca comemorou o fim da pandemia lembrando um momento histórico parecido: a folia de 1919, após a gripe espanhola. Um dos melhores enredos da noite, o tema foi desenvolvido com bastante pesquisa e aprofundamento histórico. A abertura abusou das cores escuras e tons de preto, lembrando o lendário cortejo campeão da alvirrubra de 1997, assinado por Joãosinho Trinta. Outra setor que se destacou foi o penúltimo, que lembrou os festejos populares na Praça Onze, permeado por vermelho e branco com toques de palha, dando um belíssimo efeito visual. As alegorias foram irregulares, apresentando algumas combinações mal resolvidas esteticamente. Ainda assim, o grande senão do desfile foi sua parte musical, um andamento acelerado não ajudou o samba-enredo, que acabou rendendo menos do que poderia. Se em 2020, a atuação da bateria em parceria com o intérprete Zé Paulo impulsionou a escola para o título, o mesmo não aconteceu esse ano.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-87487" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075.jpg" alt="desfile beija flor 2022 075" width="978" height="652" title="Leonardo Antan: &#039;Narrativas carnavalescas e negras se destacam em ótimos trabalhos visuais&#039; 49" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075.jpg 978w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075-300x200.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075-768x512.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075-696x464.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2022/04/desfile_beija-flor_2022_075-630x420.jpg 630w" sizes="auto, (max-width: 978px) 100vw, 978px" /></p>
<p>A gigantesca Beija-Flor de Nilópolis encerrou o primeiro dia de apresentações propondo “empretecer” nossos pensamentos. O enredo passeou pela contribuição negra na cultura, mostrando grandes artistas, pensadores, filósofos, escritores e sambistas que produziram saberes fundamentais para o nosso país. Apesar de bastante temático, o enredo era bastante denso, com muitas referências e um trabalho de pesquisa bastante aprofundado. O visual foi concebido com competência, do imponente e ousado abre-alas até as esculturas de Pinah e Laíla no final, cada alegoria apresentou uma proposta diferente em cores e formas. Infelizmente, alguns percalços de execução e ausência de composições no segundo carro podem prejudicar a agremiação. A ala das baianas foi um dos destaques, reproduzindo a obra da artista plástica Rosana Paulino com bastante sensibilidade. Se reencontrando na Pista, a azul e branco fez um cortejo como há tempos não fazia, se destacando pela boa atuação do seu carro de som e sua ala musical. A tradicional comunidade de Nilópolis mostrou sua força e colocou a Beija-Flor na luta pelas primeiras posições.</p>
<p>Entre altos e baixos, a Beija-Flor junto a Viradouro e Imperatriz foram os destaques da noite, com boas apresentações também de Mangueira e Salgueiro em contraste ao mal desempenho da São Clemente.</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Força das escolas nos ensaios técnicos mostra disputa acirrada pro carnaval&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Apr 2022 03:54:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cada fim de semana, desde o dia 12 de março, as escolas de samba voltaram a ocupar o solo sagrado da Marquês de Sapucaí. Reencontro mais que esperado após mais de dois anos de silêncio. Ocupar o centro da cidade com batuque, festa e arte é um ato fundamental. Envolve o grito de resistência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A cada fim de semana, desde o dia 12 de março, as escolas de samba voltaram a ocupar o solo sagrado da Marquês de Sapucaí. Reencontro mais que esperado após mais de dois anos de silêncio. Ocupar o centro da cidade com batuque, festa e arte é um ato fundamental. Envolve o grito de resistência dessas instituições culturais, que há exatos 90 anos estão se transformando e afirmando sua importância a cada folia.</p>
<p>Nos últimos carnavais, os ensaios técnicos foram cancelados algumas vezes. Um erro imperdoável. Já que o evento ajuda a divulgar os cortejos oficiais e a conectar a cidade com suas agremiações. Logo, voltar à Sapucaí tem muitas camadas políticas e culturais também nesse sentido. Ocupar a Sapucaí é voltar para a nossa casa, seja na pista ou na arquibancada.</p>
<p>Lembro até hoje do meu primeiro ensaio técnico, foi em 2007, lembro de chegar cedo na arquibancada com minha mãe no Setor 3. Naquela época, cada agremiação passava pela pista pelo menos duas ou três vezes. Os ambulantes passavam vendendo todo dia de coisa. Desde que foram criados nos meados da década passada, esses treinos são um momento especial onde as agremiações se conectam com um público que não consegue estar nos desfiles oficiais. Uma demonstração de que as escolas de samba continuam instituições populares em muitos sentidos.</p>
<p>A cada final de semana, as arquibancadas são lugares de reencontro, de afeto, de tupperwares recheados de salgadinhos, de isopores cheios de latões de cerveja. Nem só de desfiles podem viver as agremiações, é necessário muitos ensaios, finais de sambas, eventos que a cada dia e semana renovam nosso amor pela festa. Tudo é inesperado, surpreendente, afetivo, mágico.</p>
<p>Mas dito isso. Não é à toa que esses treinos ganharam o termo “técnico” no nome. Para além de toda a afetividade, se tornam um encontro importante entre público e escola, uma espécie de termômetro do dia oficial. Afinal, para que serve reunir todo o contigente de uma agremiação, sem fantasias e alegorias, só cantando o samba e evoluindo na pista? A dúvida nos vale numa questão mais anterior e que é definitiva pra festa e por isso mesmo impossível de responder: o que é uma escola de samba? Que magia faz uma?</p>
<p>Escola de samba é um corpo, uma arte coletiva, uma comunidade, uma rede. Mesmo sem fantasias, há ali uma escola de samba, na voz de seu intérprete, na batida de seus tambores, no bailar do seu pavilhão e seus defensores, no sambar e no evoluir de seus componentes. Pensando isso, diz o senso comum que se pode julgar num ensaio ao menos alguns quesitos, como samba, bateria, harmonia, evolução e um pouco de casal de mestre-sala e porta-bandeira.</p>
<p>Mas talvez esse evento realmente não tenha nada de “ensaio” ou até mesmo de “técnico”. Já que ele derrama tanto afeto, como disse nos parágrafos acima. Para além de marcar um reencontro, um flerte, em voltar a ocupar à Pista. O ensaio tem um caráter simbólico importante. Acho que hoje, a principal pergunta desse tipo de treino é: como tal escola vai se comportar?</p>
<p>É um momento de ver a energia da agremiação, de como ela pode se comportar na pista, tirar dúvidas sobre o rendimento de um samba, ou de o quanto a comunidade está envolvida com enredo e samba. A cada carnaval, diversos fatores vem se tornado decisivos para levar uma escola ao título. É assim, que a cada ensaio temos uma noção do que prepara cada escola ,e do nível de engajamento dos seus componentes.</p>
<p>Passadas as doze agremiações do especial e quinze do acesso também, vimos aqui um nível excelente nos ensaios técnicos. A maioria das agremiações fez ensaios com qualidades, que mostra uma disputa acirrada em todos os níveis da tabela, do campeonato ao rebaixamento.</p>
<p>Esses desfiles serviram para gerar debates e promover reavaliações de algumas agremiações e seus quesitos. Por exemplo, das que tinham seus sambas mais criticados até aqui, Portela e Mangueira, souberam manter um nível de ótimo rendimento nos seus treinos. Em especial, a azul e branco teve um ensaio com uma excelente harmonia. A bateria e carro de som conseguiram tirar do samba tudo de melhor que ele podia oferecer. Já a verde e rosa, mostrou uma garra sobre forte chuva e apostou na força de um enredo que fala de sua própria gente.</p>
<p>Forte chuva que atingiu também a Paraíso do Tuitui, que não desanimou e se valeu de uma boa comunicação com a arquibancada. Foi um dos ensaios mais animados da temporada, pelo menos da arquibancada do Setor 2. Caráter explosivo que também deu a largada pro Salgueiro, quando o público puxou o samba da Academia antes mesmo que ele fosse entoado pelos cantores da alvirrubra.</p>
<p>Salgueiro e Beija-Flor levaram contingentes enormes para Avenida, sendo prejudicadas pela falta de sonorização da pista. Um assunto polêmico a cada domingo, aliás, que eu confesso entender ambos os lados. De um lado, estão os contrários a utilização da sonorização padrão do desfile por matar a possibilidade de ouvir o canto da escola. Do os outros, a críticas de que a qualidade do som e seu alcance prejudica os ensaios.</p>
<p>Da ótima safra de enredos e sambas ninguém duvida, mas o que temos vistos a cada dia é muita garra e vontade dos foliões de ocupar da pista da Sapucaí. A saudade é força motora de cada desfile técnico. A Imperatriz, por exemplo, se valeu dela em seu samba e enredo. Uma agremiação que vem fazendo todos os seus deveres de casa e se posicionando de maneira forte, emocionada e motivada. É bonito ver a escola assim. E não bastasse tudo isso, no último domingo, o Loolamacumba, mostrou a força de duas agremiações com sambas fortes e potentes. Grande Rio e Mocidade fizeram um show.</p>
<p>Encerrando a temporada, a Viradouro se valeu já da sonorização completa da pista e uma nova iluminação, mais cênica, nos setores do meio da pista. A atual campeã mostrou a força da sua comunidade, além do já conhecido entrosamento entre seu carro de som e sua bateria, que imprimiu um ritmo mais acelerado ao seu samba.</p>
<p>É difícil até pontuar a que melhor ensaiou, na minha visão. É impressionante o que as escolas fazem a cada semana na Sapucaí. Até aqui, bons ensaios de todas do Especial, com pequenos erros aqui e ali. Todo mundo matando a saudade da pista com vontade. É uma disputa muito acirrada que se desenha, a ser decidida a cada décimo. Foi uma excelente temporada de ensaios técnicos. E resta chegar os dias de desfiles e a magia que só aquela pista tem.</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Dec 2021 22:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No nosso último encontro por aqui, falamos da importância das escolas falarem de si mesmas e contarem suas histórias. Isso ajuda não só a produzir memória coletiva sobre a festa, mas também afirma a importância cultural das nossas agremiações. Dentro disso, parece também fundamental pensar o próprio carnaval dentro dos cortejos, a chamada metalinguagem. Ao [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>No nosso último encontro por aqui, falamos da importância das escolas falarem de si mesmas e contarem suas histórias. Isso ajuda não só a produzir memória coletiva sobre a festa, mas também afirma a importância cultural das nossas agremiações. Dentro disso, parece também fundamental pensar o próprio carnaval dentro dos cortejos, a chamada metalinguagem. Ao longo da história, diversas formas de artes passaram a refletir sobre seu próprio papel. Enquanto uma linguagem artística bastante singular, nada mais fundamental para as escolas do que reprocessarem sobre quem ajudou a formatar os desfiles. Partindo disso, vale a olharmos com mais atenção os enredos de Imperatriz, Mangueira, Vila Isabel e Viradouro.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-74879" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/coluna_antan.jpg" alt="coluna antan" width="940" height="788" title="Leonardo Antan: &#039;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#039; 55"></p>
<p>O retorno de Rosa Magalhães para Imperatriz já carrega por si só um capítulo importante da história do carnaval. Um reencontro da verde e branco com a sua história. Afinal, a artista foi campeã cinco vezes na agremiação, num dos mais longínquos casamentos da folia brasileira, que durou 18 carnavais. Mas, trata-se de um ano especial para a escola, que retorna ao grupo especial e acabou de perder seu líder máximo, Luizinho Pacheco Drummond.</p>
<p>Acostumada a tecer narrativas sobre a própria folia, a professora agora mergulhará na obra de Arlindo Rodrigues. Vale lembrar que um dos últimos grandes momentos artísticos de Rosa foi homenageando Fernando Pamplona, por isso, o enredo tem alguns desafios. Um deles é de reproduzir a sutileza que a carnavalesca imprimiu no desfile da São Clemente de 2015, mas adicionando alguma novidade, uma vez que a trajetória desses dois mestres se cruza, principalmente, no Salgueiro. Onde Arlindo foi um dos elaboradores da linguagem teatralizada atual dos desfiles das escolas, tendo participação ativa na Revolução Salgueirense.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-59578" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/06/rosa.jpg" alt="rosa" width="766" height="724" title="Leonardo Antan: &#039;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#039; 56" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/06/rosa.jpg 766w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/06/rosa-300x284.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/06/rosa-696x658.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/06/rosa-444x420.jpg 444w" sizes="auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px" /></p>
<p>Arlindo é uma figura discreta, pouca lembrada, mas de atuação fundamental. Pra mim, apaixonado por carnaval e fã confesso de Rosa e Arlindo, é um dos desfiles com mais expectativas do ano. Me dediquei a investigar desfiles do Arlindo no mestrado, por isso, já espero com ansiedade como a mestra vai revisitar a história da festa com seu olhar precioso. Mas não só pra mim, acredito ser esse um enredo bastante afetivo, de Rosa e Imperatriz olhando para si mesmas e buscando se reencontrar.</p>
<p>Por falar em afeto, não dá pra pensar na bela homenagem que Leandro Vieira prepara para a Estação Primeira. Após imprimir sua marca na escola, o artista, que teceu importantes narrativas políticas nos últimos anos, reverencia o próprio morro dos barracões de zinco. Obviamente, contar a história de três homens pretos tem forte subtexto social, mas a força dessa homenagem está justamente no fato da verde e rosa olhar pra sua própria história.<br />
Ao homenagear três grandes artistas da cultura nacional, Leandro procura investigar não a pessoa jurídica por trás de Cartola, Delegado e Jamelão, mas a pessoa física e cotidiana, o que já fica explícito no título do enredo. A simplicidade que envolve a narrativa contada é o seu grande trunfo. Afinal, é bem verdade que cada um daria um enredo por vez.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-57934" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira.jpg" alt="leandro vieira" width="806" height="619" title="Leonardo Antan: &#039;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#039; 57" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira.jpg 806w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira-300x230.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira-768x590.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira-80x60.jpg 80w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira-696x535.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/04/leandro_vieira-547x420.jpg 547w" sizes="auto, (max-width: 806px) 100vw, 806px" /></p>
<p>Trata-se de três grandes forças, que juntam tem mais potência, mas a proposta os engrandece na simplicidade, no detalhe. O grande poeta das letras, a grande voz da Avenida e um dançarino formidável. São olhar para preceitos que formam o carnaval como linguagem. Homenagear quem sobe e desce as ladeiras. É bonito, singelo, uma simplicidade também necessária em tempos de enredos mais elaborados.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-72721" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/edson_pereira.jpg" alt="edson pereira" width="605" height="353" title="Leonardo Antan: &#039;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#039; 58" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/edson_pereira.jpg 605w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/09/edson_pereira-300x175.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px" /></p>
<p>Seguindo a linha da simplicidade, nada melhor que falar do homem que vive como ninguém essa premissa. Martinho José Ferreira é um dos maiores intelectuais negros vivos e também personagem importante da folia carioca. Se na Imperatriz, temos um revolucionário da estética visual da festa, nas letras de Martinho estão um ponto de virada na maneira de compor sambas-enredos. A maioria dessas obras escritas para a Vila Isabel, que transforma o sambista em seu enredo na condução de Edson Pereira.</p>
<p>A azul e branco chega com um daqueles temas tão aguardados que fica até difícil não analisar a proposta sem o teor emocional que ela pede. Tanta emoção dá um peso a ser equilibrado na narrativa, sobretudo pela pluralidade das facetas do homenageado. Grande criador visual, Edson chegou a gerar dúvida no anúncio do tema, sobretudo, após duas narrativas com alguns equívocos nos últimos anos. Apesar disso, a proposta apresentada pela Vila Isabel parece consciente da grandeza em abordar as múltiplas facetas de Martinho: compositor, militante político de esquerda e da causa racial, embaixador de Brasil e Angola, escritor, pensador. Parece até coisa demais para um enredo só, mas que deve ser costurado da melhor maneira.</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-70413" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/06/marcus_tarcisio01.jpg" alt="marcus tarcisio01" width="652" height="413" title="Leonardo Antan: &#039;Reencontro com a folia: o carnaval por ele mesmo&#039; 59" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/06/marcus_tarcisio01.jpg 652w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/06/marcus_tarcisio01-300x190.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 652px) 100vw, 652px" /></p>
<p>Outra narrativa a falar de carnaval diretamente é da Viradouro, mas diferente as outras aqui analisadas, não se trata de uma homenagem a alguma personalidade da agremiação. O curioso é que a proposta dos artistas Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon se desenha mais como um enredo social ao abordar a história folia de 1919.</p>
<p>A relação explícita entre dois contextos históricos, o da primeira folia após a crise da crise espanhola e o atual pode desenhar um enredo interessante. Desde que se diferencie e se aprofunde nessa premissa que o sustenta, não se tornando um simples enredo metalinguístico que passeia por ranchos, blocos e cordões. Para um tema como esse, pede-se leveza, sedução e alegria ao faltar de um momento tão emocionante. A esperar que essa expectativa se confirme na forma que o enredo irá ganhar vida na Avenida.</p>
<p>Tudo posto, fato é que o carnaval que se desenha pós pandemia da Covid também é reencontro e expectativa. Que seja grandioso e bonito olharmos para o que nos forma e nos reencontrar com nós mesmos na Sapucaí.</p>
<p>Ao longo das próximas semanas, eu volto para falar de outros enredos.</p>
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		<title>Leonardo Antan: &#8216;Louvar sua própria história é o grande trunfo das escolas para o retorno da folia&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Leonardo Antan]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Nov 2021 20:45:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Ao longe, acho que já dá para ouvir o rufar das batucadas. Parece distante, é bem verdade, mas não tanto quanto o maior hiato que o desfile das escolas de samba já enfrentou em sua história. Sei lá, talvez eu esteja ficando doido após tanto silêncio. Mas o cenário é favorável para que possamos nos reencontrar com o chão cinza e as arquibancadas de concreto da Marquês de Sapucaí. É um reencontro com quem somos, nossa gente, nosso país e nossas histórias. A cada desfile, somos atravessados pelas subjetividades e emoções que nos fizeram amante dessa festa.</p>
<p>Ao longo de oito décadas de cortejos, nunca tivemos tanto tempo para maturar os enredos a serem desenvolvidos. E pensar que até a década de 1970 era comum agremiações anunciarem seus temas só depois da virada do ano, hoje é algo impensável. Desde março de 2020, já temos enredos e sinopses sendo anunciados e, assim, ao longo dos meses, essas narrativas vão se reconstruindo, ganhando novos sabores e se remodelando até ganharam seu contorno final nos dias da folia. Pra isso, o ritmo na Cidade do Samba aos poucos vai se acelerando, a maioria dos barracões já deu alguma largada para a produção dos seus desfiles.</p>
<p>Mas que cenário é esse que vivem as escolas de samba de 2022? O que dois anos de hiato ensinaram para as agremiações? O contexto municipal é completamente diferente, saí o Bispo e entra o sambista, mas ainda enfrentamos governantes ignorantes da potência da nossa festa em diversas esferas. A crise social e econômica que enfrentamos fez sumir de vez os temas patrocinados e, no contexto artístico, já parece clichê afirmar o surgimento de uma “nova geração de artistas”. Das seis primeiras posições de 2020, a maioria era assinada por artistas que surgiram no Especial há menos de dez anos.</p>
<p>E o que isso trouxe de frescor para os temas a serem desenvolvidos? Tudo. Vivemos hoje um carnaval que se importa muito mais com o “discurso”, mesmo que o artístico e administrativo ainda entrem em conflito, gerando contradições instigantes. Se houve um tempo esteve em moda falar em patrocínio, hoje, parece fundamental falar de pautas socias e cotidianas. Pensando nisso, é impossível não começar falando do carnaval que se aproxima sem apontar a predominância dos chamados “enredos afro”.</p>
<p>O que levanta várias outras questões. Primeiro, a de se debater o que de fato abarca essa terminologia genérica e suas múltiplas possibilidades. O que é um enredo afro? Existe apenas um eixo ou vários? Podem ser as narrativas com foco nas religiões afro-brasileiras, caso de Grande Rio e Mocidade, ou que versam sobre figuras pretas, como Vila Isabel e Mangueira. Há ainda reflexões críticas e que abarcam a questão social, como Salgueiro, Tuiuti, Portela e Beija-Flor. É um leque complexo e instigante, sobretudo por se tratar, em sua grande maioria, de narrativas muito bem desenvolvidas e necessárias.</p>
<p>Temos, sem dúvidas, uma safra forte e potente de enredos a serem levados para a Avenida em 22. Temas que dialogam com o nosso momento histórico, dos casos de racismo que foram discutidos nos contextos nacional ou internacional. E, não, nunca é “demais” temas dessa natureza. Ainda mais quando a própria variedade de oito narrativas chamadas “afro” nos indica diferentes vertentes e prismas para repensar a diáspora africana, as religiosidades brasileiras, questões sociais e, principalmente, a presença negra na cultura brasileira. Definitivamente “enredo afro” não é tudo igual.</p>
<p>O que mais me chama atenção num primeiro olhar dessas narrativas é a forma como algumas agremiações costuraram seus enredos a si mesmas, louvando sua própria trajetória. Fazendo uma analogia básica, a mesma peça de roupa em várias pessoas possui caimentos diferentes. Parece ser o mesmo caso. Uma escola de samba é um corpo coletivo único, com uma identidade forjada ao longo das suas trajetórias, com signos que ajudam a reconhecê-las comunitariamente. Sejam desde signos mais básicos, como cores e mascotes, como os enredos e o tipo de sambas que melhor vestem essas agremiações.</p>
<p>Pensando nisso, é de grande valor quando uma instituição cultural consegue costurar de maneira natural ao seu enredo a sua própria história e seus personagens. É um exercício tanto de memória, que ajuda a consolidar os nossos artistas do carnaval, como de afirmação dos valores que ajudam a consolidar essa noção de pertencimento coletivo. Quase todas as agremiações conseguiram trazer esse valor para os seus enredos. Ou seja, tornar aquela narrativa única a partir do seu próprio olhar.</p>
<p>A Portela é uma escola que ficou conhecida por usar bastante esse tipo de recurso. Seja qual fosse o enredo, geralmente estão lá citações a Paulo da Portela, Candeia, Clara, Natal e tantos outros. Mas em um país que cuida tão pouco da sua memória, quem vai cuidar melhor do seu legado senão ela mesmo? Por mais que as vezes o excesso seja um pecado, quando esse processo é bem feito gera identificação e mais valor ao desfile.</p>
<p>Ao cantar “Igi Osè Baobá”, a Águia de Madureira certamente não deixará de louvar os frutos de sua jaqueira e da sua Velha Guarda. E, dessa vez, nada mais propício do que costurar a resistência da cultura afro-brasileira através do próprio samba e de suas escolas. Esse mesmo recurso narrativo é presente mais visivelmente nos enredos de Salgueiro, Beija-Flor e Mocidade. A verde e branco explora a ligação do orixá Oxóssi com a sua bateria, aproveitando para louvar seus ritmistas e músicos. Desde o lendário Mestre André como nomes que vão ser apresentados ao grande público através do seu cortejo, como Quirino e Tia Chica.</p>
<p>É o mesmo caso de Cabana, um dos grandes intelectuais da Beija-Flor que será louvado pela azul e branco dentro do fio narrativo que envolve “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. O título já deixa claro a intenção de valorizar a voz da própria escola. Isso seja tanto pelos seus artistas em destaque, como Selminha e Neguinho, como toda a comunidade preta que rasga o chão da Sapucaí ano a ano. É um traço que traz originalidade e assinatura para uma escola acostumada a cantar os chamados “enredos afros”, ainda mais após uma mal sucedida auto-homenagem em 2019.</p>
<p>Outra agremiação com tradição nessa linha temática, o Salgueiro não poderá deixar de se incluir como uma das formas de “Resistência” do seu enredo assim batizado. Para isso, podemos aguardar referências aos seus carnavais históricos da década de 1960. E por falar da própria folia, há casos em que contar sua história é o grande trunfo e mote principal da narrativa. Entram nessa categoria, os temas de Vila Isabel, Imperatriz e Mangueira, como o trio “Angenor, José e Laurindo” na verde e rosa; o negro rei Martinho na azul e branco do bairro de Noel e o histórico carnavalesco Arlindo Rodrigues na verde e branco da Leopoldina.</p>
<p>E não para por aí. Em alguns outros exemplos, essa ligação não estão tão explícita, mas também se faz presente. A Grande Rio, por exemplo, busca um elo com a comunidade de Duque de Caxias ao usar como figura-chave a filósofa urbana Estamira, que habitava o aterro sanitário de Gramacho, em seu enredo sobre Exú. No caso da Unidos da Tijuca, o fio que conecta a narrativa de Jack Vasconcelos com história da azul e amarelo é a afirmativa de resgatar os enredos indígenas que foram desenvolvidas por Oswaldo Jardim na agremiação.</p>
<p>Enfim, são múltiplas ligações, múltiplas leituras que nos ajudam a perceber o ponto forte de cada narrativa. Esse texto, serviu apenas como um panorama do que teremos em temos de enredo para o carnaval que se desenha. Ao logo das próximas semanas, eu volto nesse espaço gentilmente cedido pelo Carnavalesco para explorar outras vertentes e potências para 2022, trazendo escolas que ainda não foram citadas e aprofundando outras.</p>
<ul>
<li><em>Leonardo Antan é mestre e graduado em História da Arte pela UERJ, com pesquisas sobre o carnaval carioca. É ainda curador, editor e produtor cultural, ligado ao coletivo multiplataforma Carnavalize. Lançou recentemente o livro “Laroyê Xica da Silva” e a exposição virtual “Sal60”.</em></li>
</ul>
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