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Apesar da forte chuva, Tom Maior realiza grande ensaio técnico

No fim da tarde e começo da noite de domingo, a Tom Maior realizou o seu primeiro ensaio técnico no Anhembi com o objetivo de se aprimorar para o seu desfile em abril. O treino foi marcado pelo temporal que ocorreu no meio do treino e que lavou a alma dos componentes da comunidade vermelho e amarelo. Nada abalou o ânimo dos desfilantes, pelo contrário, parece que foi um gatilho para incendiar ainda mais o canto, que já era muito bom. Vale
ressaltar que mesmo com as fortes ameaças de chuva e o horário não tão comum de ensaio (18h), a Tom Maior conseguiu levar um ótimo contingente de pessoas. As alas compareceram em peso. Isso mostra o comprometimento da comunidade.

Harmonia

Até pelo ótimo número de pessoas levadas ao ensaio, o canto foi o destaque neste primeiro ensaio. Sem hesitar, toda a  comunidade foi muito bem. A entrega das alas foi ótima. As duas últimas estrofes do samba, são as mais cantadas, juntamente ao refrão principal. Também tem o detalhe da chuva. Sempre se diz que atrapalha tudo, e é um fato, mas nesse caso foi diferente. Na hora que começou o temporal, os desfilantes se empolgaram ainda mais. A alegria da comunidade de Sumaré era nítida e tudo foi demonstrado dentro do canto.

O diretor de harmonia, Yves Alexeiv, analisou a performance da Tom Maior. “Sensacional. Voltar aqui ao Anhembi depois de dois anos de ausência, reencontrar os nossos componentes e conseguir fazer o ensaio técnico. A largada foi emocionante. Ouvir o nosso hino aqui de novo foi marcante. Tivemos um bom contingente, com praticamente todas as alas completas, e do jeito Tom Maior. O jeito descontraído, alas soltas, sem marchar, que é o jeito que a gente, gosta, o jeito que a gente estipula para o nosso desfile. Dentro do que a gente se propôs a fazer achei que foi muito bom. Tem alguns erros a corrigir, e é por isso que fazemos ensaios, né? Mas temos pelo menos aí vinte e poucos dias para o carnaval e ainda dá tempo para corrigir os problemas, inclusive para o segundo ensaio técnico. Mas eu saio com um sentimento muito bom e com expectativa muito boa para o desfile”, disse.

Yves também falou das péssimas condições de enfrentar uma forte chuva. “O andamento foi prejudicado pela forte chuva que caiu no meio do ensaio. Toda parte de comunicação de rádio pifou, cronômetro pifou, foi meio caótico. Foi uma chuva muito forte. Mas o dia que não chover no ensaio da Tom Maior não é ensaio da Tom Maior. A gente já tem uma tradição aqui com chuva e então vamos nos preparar inclusive pra isso, né? Vai que no dia do desfile acontece a mesma coisa, então a gente tem que estar sempre preparado. Não pode falhar o cronômetro, não pode falhar a comunicação. É o tipo de coisa que temos que corrigir para os próximos ensaios’, completou.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O longevo casal Jairo Silva e Simone Gomes, que está indo para mais um ano juntos na comunidade do Sumaré, desempenhou um papel satisfatório dentro do possível. Antes do ensaio começar, já havia caído alguns pingos de chuva, o que foi suficiente para deixar a pista molhada e, perto do recuo, começou a tempestade. A porta-bandeira até tirou o salto para desfilar descalça. Na chuva, o quesito que se mais complica é o casal. O pavilhão fica pesado, o vento aumenta e a pista fica molhada.

Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

“Se não cair essa chuva nesse horário, não é a Tom Maior. É lógico que atrapalha. Tem que redobrar os cuidados na avenida. O chão é escorregadio, tanto que eu tirei a sandalha. Achei que ia melhorar e não melhorou, mas é bom também que te dá aquela energia
gostosa”, disse a porta-bandeira.

Simone Gomes analisou sua atuação individual. “Graças a Deus consegui executar tudo direitinho a nossa coreografia. Nós estamos há muito tempo trabalhando isso. Deu tudo certo’, finalizou.

Samba-enredo

É um fato que o samba da Tom Maior caiu nas graças da comunidade. O enredo do ‘Pequeno príncipe do sertão’, remete a algo muito mais alegre. Essa é a característica da escola. Quase todos os anos vitoriosos da agremiação vermelho e amarelo, foram seguindo a linha de contar uma história de forma lúdica. Sempre que a Tom Maior fizer isso, a tendência é a comunidade acatar a ideia e contribuir para o sucesso dos desfiles e ensaios.

Também vale destacar a atuação do intérprete Gilsinho, que está estreando no carro de som da Tom Maior e já está se mostrando adaptado à nova casa. O cantor conduziu muito bem o samba durante todo o percurso de ensaio.

Gilsinho, intérprete da escola, exaltou a comunidade. “Achei muito bom. Achei que a comunidade se comportou muito bem e cantou o samba. A harmonia ajeitadinha, fazendo o trabalho dela. Bateria não tenho nem o que falar, a bateria do Carlão é top de linha, chega quase à perfeição. Ninguém chega à perfeição, mas a gente chega bem perto disso. E, claro, eu estou super feliz, a escola passou bem, passou com tempo bom, entramos no box com tranquilidade, saímos com tranquilidade, e a escola passou toda tranquila. Carro de som maravilhoso, todo mundo cantando muito bem, com energia, mas sempre com a técnica apurada. Foi muito bom, os casais se apresentaram muito bem. Foi bom, eu gostei demais. De onde vi, do que eu vi, foi bom demais. No segundo ensaio a gente pode dar um pouquinho a mais. Se chegamos a 80% hoje, no próximo ensaio daremos tudo pra chegar ao 100%. A chuva, quando caiu, eu senti que a escola deu aquela descansada, mas acordou e veio todo mundo no embalo, foi super legal. Tomara que no dia 9 não chova”.

Bateria

A bateria ‘Tom 30’ teve uma atuação satisfatória. Dá para notar uma mistura de andamento cadenciado com uma certa aceleração em alguns momentos, o que casou com que o samba pede. Destaque para a bossa do refrão do meio, onde as caixas se sobressaem e ditam o ritmo de tudo. Pegando o gancho, tal instrumento é destaque. A afinação desse naipe é o que sustenta e dá o tom de toda a bateria.

O diretor de bateria, mestre Carlão, avaliou o desemprenho da Tom 30. “Avaliação nossa é a melhor possível. Nós começamos sem chuva, ensaiamos debaixo de temporal. Depois terminamos sem chuva. Nós tivemos tudo hoje, as três estações climáticas, ou duas pelo menos, que possam acontecer, nós encaramos hoje. Foi um bom desfile que o pessoal teve, a comunidade, as alas, fico feliz, a bateria se comportou bem, vamos trabalhar, dia 9 tem outro. Os instrumentos estavam bem preparados, para a chuva, a previsão era de chuva. E correu tudo bem, bom ensaio” analisou.

Evolução

Nem a chuva atrapalhou a evolução da Tom Maior. Tirando a porta-bandeira Simone, que teve de tirar o salto e desfilar descalça após o temporal, os componentes conseguiram cumprir o seu dever. Houve uma sincronia muito bacana entre os integrantes da harmonia e as alas. Os componentes sabiam e acatavam os deveres de posicionamento no mesmo instante. Com certeza, isso se deve aos ensaios de rua da agremiação. A Tom Maior ensaia constantemente no Bom Retiro e isso dá uma noção maior de espaço que deve ser imposto dentro da pista.

Outros destaques

Vimos uma comissão de frente com uma dança bem alegre, trazendo um grande elemento alegórico e com uma vestimenta de quadrilha. Todos com camisas quadriculadas e chapéus de palha. Na dispersão, Gilsinho mostrou a alegria de desfilar com a sua filha, Maria Eduarda. “‘E eu tive a honra de desfilar com a minha filha, Maria Eduarda, que é a segunda princesa infantil do carnaval. Tirou a maior onda comigo aí hoje, e a gente está super feliz com isso”, disse. Maria Eduarda também se mostrou bastante feliz em estar ao lado de seu pai. “Eu estou muito feliz. É a primeira vez, né, então eu estou muito feliz, e vamo que vamo que aqui é Tom Maior, hein. É tudo nosso, “brincou.

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