Embalada pela nostalgia, a Portela iniciou no último domingo sua eliminatória de sambas-enredo para o Carnaval 2027. A águia de Oswaldo Cruz e Madureira recebeu a numerosa quantidade de 36 obras que se apresentaram na quadra exaltando a figura de Hildemar Diniz, o Monarco. Destes, 20 sambas seguem na disputa para a próxima eliminatória (domingo que vem), que será dividida nas chaves azul e branca. A Portela apresentará o enredo “Ao mestre, com carinho” na terça-feira de carnaval, 09 de fevereiro. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre as apresentações das parcerias classificadas.

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Parceria de Lídia Gaúcha: O samba de Lidia Gaúcha, Eduardo Marinho, Fernando Mendes, Eduardo Silva, Jurema Matos, Jurandir dos Santos e Vitor Leite foi defendido com uma boa apresentação do intérprete Pingo Sargento. O samba teve um desempenho mediano, com crescimento após o refrão central culminando num refrão principal com uma variação melódica que quebrou o rendimento do mesmo. Um trecho de destaque envolve os versos finais “compasso, herança cultural, legado, te fez imortal, elegância e andar soberano, orgulho de ser suburbano”.

Parceria de Moisés Santiago: Danilo Cezar comandou o samba de Moisés Santiago, Dinho PQD, Jurandir Terra, Marcelo Vieira, Marquinho Bombeiro, Ricardo Mendonça e Aurélio. Um refrão principal de letra simples, fácil assimilação e bom funcionamento com os versos “chamo o Zeca Pagodinho e Paulinho da Viola, reuni a velha guarda, pra cantar a sua hisforia, pra minja aguia sua alma é imortal, na festa do divino carnaval”. A letra segue uma linguagem mais descritiva, o destaque são os versos finais antes do refrão principal, “hoje a nossa escola vai passar, em cada rosto vejo seu olhar.. emocionar, se eu for falar de você, sei que não vou terminar, meu grande mestre, por seu legado, meu muito obrigado”. O rendimento foi agradável durante as duas passadas.

Parceria de Diogo Nogueira: O samba de Diogo Nogueira, Claudio Russo, Raphael Gravino, Julio Alves, Adolpho Konder, Laura Romero e Gabriel Simões trouxe Tinga como intérprete. Um samba que une poesia e funcionalidade, optando com uma construção que traz Dona Olinda, esposa de Monarco, sendo o sujeito que faz a narrativa da obra, subvertendo a estrutura original da sinopse. O refrão central “vou pra Portela que o samba mandou me chamar, vou-me embora pra Portela, ja é hora de sambar, bota fogo na panela, Madureira sabe bem, tem feijao da Vicentina com tempero da Neném” é gingado e passou muito bem. O refrão principal é mais poético e também obteve um bom rendimento.

Parceria de Cecília Cruz: Uma ótima passagem do samba de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes Gêmeos, Osmar Fernandes e Júlio Pagé, que contou com Pixulé como voz principal. A primeira parte da obra tem uma boa narrativa lembrando da criação e da vivência de Monarco. A segunda parte reverencia o Monarco compositor e portelense, com um bonito trecho final “hoje o lenço enxuga a saudade que mora no meu coração, te devo afeto e carinho como retribuição”, emendando com o refrão principal que foi o ponto alto da apresentação. De melodia dolente e com uma repetição tripla no verso “se eu for falar de Monarco”, o trecho tem um apelo emocional e funcionou com maestria.

Parceria de Gerson PM: A obra de Gerson PM, Sergio Oliveira, Luiz Rangel, Beto da Portela e Carioca da Rosa teve uma passagem correta com Paulo Bispo no microfone principal, com destaque para o refrão central que cita o passado de Monarco como vendedor de peixe, “olha o peixe, olha o peixe, Freguesia, pelas feiras da cidade no dia a dia, olha o peixe, olha o peixe, Freguesia, cantando ele vendia’. Um samba de estrutura mais simples e com uma levada animada.

Parceria de Lico Monteiro: Pitty de Menezes comandou o samba de Lico Monteiro, Flavinho Bento, Rogerinho Azevedo, Salgado Luz, Rafael Santos, Nederson Iglas e Rafa V. Souza TK. A obra passou com força nas duas passadas, com uma letra bem construída e uma melodia redonda. Destaque para os versos finais da primeira parte “vai menino, o corpo é Estandarte, quem corteja o talabarte, com o lenço entre as mãos, de certo já conhece o caminho, mesmo que em desalinho se aventure o coração”. O refrão principal “Não há nada que explique este sentimento, por todos os tempos, por onde for, a águia quando ve voar um filho, lembra que lá em seu ninho, Monarco me ensinou o que é o amor (Portela me ensinou o que é o amor)” também obteve ótimo rendimento.

Parceria de Ruan Lucena: Juan Reis defendeu a obra da parceria de Ruan Lucena, Pablo Nunes, Brian Ramos, Cristiano Anjos e Elias Sant’Anna. O samba tem como narrativa Monarco recebendo a carta enviada pela Portela e descrevendo sua história. A sacada gera uma narrativa calcada no amor de Monarco pela Portela como nos versos que abrem a primeira parte “Portela, eu às vezes meditando, refletindo quanto amo o seu pavilhão, por você me apaixonei, ah como eu lutei”. A melodia se mostrou mais convencional e sem maiores arroubos, contribuindo para uma apresentação correta sem um ponto de maior ápice.

Parceria de Charles André: A parceria de Charles André, Celso Lopes, Marcos Lauriano, Thiago Maciel e Rogerio Lobo veio com Emerson Dias liderando o samba. Com seu estilo o intérprete contribuiu para uma apresentação aguerrida, com ponto alto para o refrão principal que é emotivo, porém com uma pegada pra cima, com os versos “se eu chorar ao cantar é porque me faltam palavras pra agradecer, com todo carinho, por todo legado, aplausos, eterno Monarco”. A segunda parte é mais extensa que a primeira e teve uma leve queda de desempenho na passada com a bateria.

Parceria de Naldo: Serginho do Porto conduziu o samba de Naldo, Bororó, Waguinho, Marcelo Fernandes, Mario Carvalho, Paulo Beckham e William Ramos. O refrão principal sintetiza o enredo e passou bem. O refrão central tem boa letra com os versos “no solo sagrado de Oswaldo Cruz, talento menino, a flor que seduz, com a melodia beijando o poema, é mestre Monarco entrando em cena” e também teve um rendimento agradável. Em um todo foi uma boa passagem da obra.

Parceria de Wanderley Monteiro: A parceria de Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Orlando Ambrósio e W.Corrêa teve Wander Pires no microfone principal. O intérprete comandou uma apresentação de muita força, calcada num bonito refrão principal, “E por falar de amor, dos que não vão terminar, falar de Monarco, meus olhos vão marejar, a velha guarda, teu sorriso na lembrança, eu sou Portela desde os tempos de criança”. A melodia mostrou bastante qualidade e sustentou muito bem a obra. A segunda parte retratou a eterna ligação entre Monarco e Portela com bons versos como “na voz que me transmite a paz, oh! linda inspiração, é o samba em devoção”. O refrão central foge um pouco da poética presente na letra, mas obteve bom rendimento.

Parceria de Dudu Nobre: Carlos Junior e Nêgo defenderam o samba de Dudu Nobre, Rubens Gordinho, Rafa Cria, Mano Presida, Bruno Dallari, André Ricardo, Katar e Minuetto Moreira, que teve uma passagem animada apesar de irregular. A letra é bem construída, com bons destaques como “te agradeço, não é segredo, um grande amor sempre dá enredo”. O refrão central é lírico e se destacou na obra com os versos “E você compositor, virou mestre no caminho, te abracei, dei colo de mãe e carinho, ensinei e aprendi, que toda águia tem que voltar pro ninho”.

Parceria Luiz Carlos Máximo: Wantuir foi a voz principal da parceria de Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuica, Buchecha, Belle Lopes, Ximeninho, Regis e Heitor César. Uma melodia com a cara da parceria, como no gostoso refrão central “cocorocou, o galo já cantou, levanta nego pra buscar o caraminguá, e você ia numa estrada dessa viva, vender peixe pra Lili, vender peixe pra Iaiá”. Em outros trechos o samba não sustentou o mesmo desempenho, o refrão principal não teve um grande rendimento e a passagem acabou sendo irregular.

Parceria de Jamys Ferraz: A obra de Jamys Ferraz, Robertinho Sorriso, Luciano Leal, Marcelo Paulista, Roberto Nascimento, Serginho JC e Léo Vicente mostrou boa pegada durante sua apresentação, com um refrão principal de bom apelo e uma primeira parte de bastante beleza em sua letra como no trecho “tem cheiro de infância, de terra molhada, onde o samba acordava na madrugada”. A segunda parte cai um pouco nos passeios melódicos.

Parceria de Valtinho Botafogo: Evandro Malandro conduziu o samba da parceria de Valtinho Botafogo, Madalena, Xande de Pilares, Savanna, Cardosinho, Dinny Peçanha e Bernini. O refrão principal tem o melhor momento melódico da obra e foi muito bem executado por Evandro, com os versos “Voa minha águia mostra a essa gente, que Monarco da Portela está presente, em Madureira floresceu sua raiz, o filho da majestade Hildemar Diniz”. A letra é correta em sua proposta com destaque para versos como “No cavaquinho dedilhar tantos amores, partido alto, ala de compositores”. No geral o samba alcançou uma apresentação de boa qualidade.

Parceria de Edynei: A obra de Edynei, Marcio Oliveira, Professor Cleiton, Flora Aguiar, Liane Harmonia, Professora Tânia e Marli Jane foi comandada por Ciganerey. Uma obra com uma pegada nostálgica e passou de forma agradável, com uma boa sustentação durante as duas passadas. Um trecho de destaque está nos versos que preparam para o refrão principal “e agora uma enorme paixão nos devora, numa estrada dessa vida, meu povo vem cantar a sua história”.

Parceria de Marcello Luz: Tem-Tem Jr. e Guto comandaram a obra de Marcello Luz, Fred Lima, Zé Roberto, Wagner Escóssia, Hebinho da Portela, Ricardo Simpatia e Léo Lopes e conseguiram uma boa apresentação. A segunda parte em ovação à trajetória de Monarco na azul e branco é o destaque da obra ao lado do refrão principal que mostrou bom potencial, “Oh! Minha águia abre as asas sobre o céu, traz o Monarco pra Portela de novo, quem é raiz atravessa o véu, e vive eterno no canto do povo”.

Parceria de Noca Neto: Rodrigo Tinoco comandou o samba da parceria de Noca Neto, Queiroga, Maralhas, Luciano Lopes, PC Lopes e Filipe Zizou. A obra alcançou um bom desempenho nas duas passadas, sobretudo com a bateria. Os dois refrãos renderam muito bem, o principal com uma letra sutil e bem feita, o central mais swingado, “Vai à luta num grito de liberdade, faz da vida Estandarte pro samba florescer, madrugada, rainha e companheira, tem festa em Madureira até o amanhecer”.

Parceria de Toninho Geraes: A obra de Toninho Geraes, Paulo Cesar Feital, Eli Penteado, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Marcele Salles e Juninho Luang teve Igor Vianna e Dowglas Diniz como intérpretes. O samba tem uma construção bastante poética, principalmente na segunda parte. O refrão de cabeça “Enxugue o pranto, diga a Deus e vem embora, traga seu lenço pra essa gente que lhe adora, viva Monarco, Portela canta feliz, eternamente Hildemar Diniz” é excelente e levantou a apresentação que foi de ótimo nível. Outro ponto de destaque são os versos “comunhão de gente bamba, a fé em Nossa Senhora e São Sebastião, embala toda gratidão nos braços da majestade do samba”.

Parceria de Jorge do Batuke: Zé Paulo conduziu o samba da parceria de Jorge do Batuke, Márcio Carvalho, Luiz Matos, João Menna Barreto, Lucas Alves, J. Ferreira e Araguaci. Outra obra com ótimo rendimento, com um refrão principal que é apenas um verso em bis mas antecedido por um trecho que repete a estrutura melódica com versos distintos. O trecho é um dos destaques do samba, “chamei Casquinha pra versar um bom partido, mestre Candeia para nos iluminar, os batuqueiros de Marçal são atrevidos, deixa a Portela passar, alô, Paulinho, mete a mão nessa viola, lá vem a águia de Paulo e Natal, com Manácea apresentando a velha-guarda, da maior campeã do carnaval, da maior campeã do carnaval” O refrão principal também passou bem e manteve a qualidade da obra. O samba foca quase que integralmente na relação entre Monarco e Portela, aproveitando para lembrar de outros grandes baluartes da agremiação. Mais um desempenho de destaque na noite.

Parceria de Samir Trindade: Uma boa apresentação do samba de Samir Trindade sob o comando de Marquinho Art Samba e Gera. Uma obra com ar saudosista e que retrata Monarco não apenas como um eterno baluarte da Portela, mas como um exemplo a ser seguido, um espelho de comportamento é do que é a própria Portela em sua elegância, como explicita o refrão principal “era a forma de andar, de compor e vestir, no cantar, no sentir, sou a Portela, taí velha guarda pro samba entender, me fiz majestade no jeito de ser”. A melodia adiciona lirismo ao samba e casa bem com a escrita proposta. Outro bonito trecho é ‘Na imensidão desse enredo, brilha o azul que te eternizou, um dia haverá reencontro, Olinda seu grande amor”. O samba teve um desempenho linear nas duas passadas.