
Vice-campeã do Grupo de Acesso II do carnaval de São Paulo em 2026 e de volta ao segundo pelotão da folia paulistana, a X-9 Paulistana fez, no dia 27 de setembro, a gravação do audiovisual da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) para a próxima temporada. A agremiação da Zona Norte fará a reedição de “Pi, iê, rê, Jeribatiba ou Pinheiros. A deusa dos rios clama pela preservação: Se ela muda o curso, pode mudar sua história”, apresentado originalmente em 2003. Sempre presente em eventos importantes das escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO acompanhou a gravação da X-9 Paulistana na Fábrica do Samba e conversou com pessoas importantes ligadas à faixa.
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Preservação
Se o histórico enredo da X-9 Paulistana de 2003, terceiro colocado no Grupo Especial daquele ano, passa também pela defesa e manutenção do Rio Pinheiros, dos mais importantes da cidade de São Paulo, a reedição do samba-enredo também preservará muito da faixa original. Quem afirma é Bruno Carvalho, arranjador da gravação: “Eu sou da opinião que a gente tem que preservar ao máximo uma obra que é reeditada. Essa é uma responsabilidade muito grande. Os sambas reeditados geralmente são históricos, a gente não pode estragar uma coisa que já é boa. A gente procura preservar, valorizar aquilo que o samba já oferece”, destacou.

A gravação original também norteou outra opção em 2027, a de não ter novas predileções musicais na obra: “A gente optou por não priorizar naipe de bateria nem instrumento de corda algum. A gente está bem tradicional, mesmo. Estamos preservando a obra e valorizamos ela como uma obra que já é gigantesca. Por isso a gente vem tradicional, mesmo”, comentou o arranjador.
Há, entretanto, uma importante mudança: a bateria. Bruninho explica: “O Keel e a ‘Pulsação Nota Mil’, na minha visão, conseguiram colocar a identidade dele. O carnaval de 2003 era um, o de 2027 é outro. As baterias evoluíram, a galera está mais aplicada musicalmente, mas eu notei que ele conseguiu colocar a característica do carnaval de hoje preservando tudo em cima da melodia e da métrica que o samba oferece. A gente tem algumas inovações sem deixar de prejudicar a obra, digamos assim”, comentou.
Data e hora
A X-9 Paulistana fez a gravação do audiovisual em um domingo, com horário iniciado às 11h. A escolha da combinação, que pode não agradar a todos, foi explicada por Reginaldo Tadeu Batista de Souza, popularmente conhecido como Mestre Adamastor, presidente xisnoveano: “Eu tenho que ser honesto: só tinha esse horário nesse nessa data. O que nos restou por ordem de escolha pela nossa colocação no desfile anterior foi esse horário, e nós optamos pelo domingo porque é um dia tranquilo. Obviamente, unimos o útil ao agradável. A comunidade gosta também, fizemos um café comunitário aqui. Está todo mundo se divertindo, está todo mundo alegre, estava todo mundo com uma expectativa muito grande para a gravação. Foi um grande trabalho. Quero parabenizar à Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo por esse trabalho grandioso que ela está fazendo e a gente espera contribuir bastante”, destacou.

A escola da Zona Norte é conhecida por, historicamente, ser muito técnica e ensaiada. Tal qual aconteceu em anos anteriores, a X-9 Paulistana fez a gravação válida logo na primeira tentativa. O presidente pontuou que tal situação não foi por acaso: “A gente se preparou muito! Eu, como mestre de bateria, sei que tem as questões técnicas; e a gente, obviamente, quis cumprir a cartilha e fazer uma boa apresentação sem tomar tanto tempo. Para isso, para não tomar tanto tempo, a gente teve que vir ensaiado. Nós marcamos ensaios, tivemos nossos ensaios, os arranjos também estavam muito bem ensaiados. Tenho certeza que foi um grande trabalho”, orgulhou-se o presidente.
Logística facilitada
A Arena X-9 Paulistana, local onde a escola realiza os próprios ensaios, fica a menos de dez minutos de carro da Fábrica do Samba, com os cinco quilômetros e as três pontes sendo facilmente percorridas pelo fato de que os dois locais estão à margem da Marginal Tietê, um em cada lado do principal rio do estado. Devair Francisco, diretor de carnaval da instituição, destacou a tranquilidade logística para realizar a gravação: “A X-9 tem uma facilidade: gente estar localizado muito próximo à Fábrica do Samba. A nossa convocação foi muito simples. Nós fizemos alguns ensaios com a galera que veio fazer a gravação e fizemos uma convocação para que a gente fizesse um café da manhã aqui na Fábrica. Esse café foi feito, o pessoal veio, fizemos a nossa resenha, fizemos o nosso último ajuste e aconteceu tudo como deveria acontecer. Foi muito tranquilo”, comentou.

O número de componentes também foi destacado pelo dirigente: “A quantidade de pessoas já é mais ou menos determinada pela organização da Liga-SP. Nós estávamos com mais ou menos umas 100 pessoas distribuídas entre comunidade, bateria, casais, destaque e passistas”, afirmou.
Ritmistas e lembranças
Keel Silva, mestre da “Pulsação Nota Mil”, trouxe detalhes técnicos da bateria na faixa: “Na gravação tivemos duas bossas, mas já temos três prontas para a avenida e estamos vendo se faremos uma extra, estamos elaborando mais uma. Temos que agradecer a esse samba. Já o BPM foi de 144, que é o mesmo andamento que nós pensamos para a pista. É um andamento confortável tanto para a bateria quanto para a escola pensando no canto e na Evolução. É um trunfo nosso esse BPM por combinar bem tanto para a gravação quanto para a pista”, comentou.

O ritmista-mor da X-9 Paulistana também destacou a sensação e gravar um dos grandes sambas da história da escola: “A gente teve vários ensaios para fazer esse audiovisual e eu falei para o pessoal da bateria e eu sempre falava para o pessoal que, para a gente, reeditar esse samba é um privilégio, uma honra, um orgulho. É um samba aclamado por São Paulo, é um samba que eu ouvia com seis anos de idade e, vinte e quatro anos depois, a gente vai estar quando a escola optou por reeditar. Quando veio a decisão da reedição, tomei a decisão de engrandecer esse samba ainda mais, sempre mantendo o respeito pela obra, mas trazendo a nossa identidade”, destacou.
Intérpretes satisfeitos
A conhecidíssima dupla de cantores da X-9 Paulistana também mostrou muita felicidade com a reedição da obra. Intérprete oficial da escola tanto em 2003 quanto em 2027, Royce do Cavaco fez a gravação se recuperando de um Acidente Vascular Cerebral e destacou a participação em tal obra como uma vitória: “É especial regravar esse samba, de fato. Nessa vez, infelizmente, eu tive esse infortúnio de uma intercorrência médica. Eu estou participando com toda emoção, com todo o coração e me recuperando. Quero estar na avenida para interpretar novamente com o Daniel Collete. Esse samba marcou a minha história, marcou a história da X-9. É um momento maravilhoso para ele por conta do resgate, de homenagem ao Rio Pinheiros, que tem tanta história. Ele mudou de curso, teve influência indígena, dos escravos que já estavam em São Paulo e tentavam fugir, usando o Rio Pinheiros para travessia e tudo mais. A gente vai relembrar tudo isso no enredo. O avanço de hoje em dia, aquele espetáculo que é o visual da Marginal Pinheiros, aqueles edifícios, o mercado financeiro, as indústrias. E também resgatando o clamor pela recuperação da natureza e da essência do Rio Pinheiros. Apesar de ter uma vida nativa muito grande hoje lá, que sobrevive à sujeira do rio. A gente clama pela recuperação não só do Rio Pinheiros como também do Rio Tietê, a cidade merece isso. É uma luta que começa desde 2003 e nós vamos manter essa luta”, prometeu.

Já Daniel Collete, companheiro de microfone principal de Royce, fez uma analogia para destacar como se prepara para gravação tão importante: “O cuidado é geral, mas o cuidado não é só na véspera e no dia, com maçã, água e sono bom. A gente tem um cuidado constante. Como diz o sertanejo, a minha garganta é a minha enxada, é o meu material de trabalho. Água sempre. É natural que a gente faça uma negligência aqui e outra ali, um geladinho, uma comida que não é compatível e etc. Mas a gente tentou ao máximo regrar pra poder chegar hoje e dar o resultado que deu, graças a Deus”, destacou.

O cantor também aproveitou para elogiar todos os nomes ligados à parte musical da X-9 Paulistana: “Uma coisa bastante importante é que a gente tem que exaltar os caras que trabalham conosco. Não vou falar o nome dos músicos para não esquecer ninguém de corda e de canto. O trabalho do mestre, que é toda a bateria ‘Pulsação Nota Mil’. A gente se preocupa muito com os detalhes. Por sermos músicos, a gente está sempre ligado e passando musicalmente aquilo que a gente quer. Com essa intenção. Tem aquele porém bastante importante também: o sentimento, o que vai emocionar. Para isso a gente conversa, mas tem uma parada que eu vou fazer e que eu não posso falar senão não vai emocionar, que está na parte da introdução. A minha resposta para o que o pessoal estava cantando é pra poder tocar dentro do coração por meio do ouvido de maneira automática. É fazer motivar o componente para ele acreditar cada vez mais”, comentou.










