
Na dianteira da ala que surgiu como as borboletas de Oyá durante o show da final de samba-enredo da Mangueira, Emelyn Bastos desponta com luz própria. A passista deu seus primeiros passos na Mangueira do Amanhã aos quatro anos, foi rainha da escola mirim e chegou à escola-mãe aos 13 anos, há oito anos. A trajetória arraigada na Verde e Rosa é fruto de um legado familiar. De uma família de mulheres mangueirenses, Emelyn tem na mãe, que foi rainha de bateria da escola nos anos 1980, uma referência. Agora, sua irmã, Evelyn Bastos, reina à frente da bateria “Tem Que Respeitar Meu Tamborim”.
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“A inspiração começa dentro de casa. Eu venho de uma família de mulheres mangueirenses. Então sempre foi um sonho participar da ala de passistas da Mangueira Mãe. Desde a Mangueira do Amanhã, eu também cresci passista e sou passista até hoje”, afirmou.
Apesar da trajetória construída ainda tão jovem, Emelyn segue buscando conselhos e novas formas de se aprimorar no samba. A experiência acumulada desde a Mangueira do Amanhã não a leva à acomodação. Pelo contrário, ela entende que a evolução faz parte da vivência como passista e que sempre há algo a aprender, inclusive com os conselhos da irmã, Evelyn.
“Todos os dias é conselho. Às vezes, eu mesma peço porque o samba nunca é uma zona de conforto. É sempre uma evolução constante. Ter a simpatia, carinho, sorriso, o vigor no samba. É tudo isso”, compartilhou.
A inspiração vai além da Avenida e da relação entre irmãs. Evelyn Bastos amplia o significado do papel de uma rainha de bateria em sua comunidade. Além da beleza e do samba no pé, é formada em Educação Física pela UERJ e em História, além de ocupar atualmente o cargo de diretora cultural da Liesa. A artista também é conhecida por aliar suas vivências ao conhecimento acadêmico ao se posicionar sobre temas sociais e culturais.
Emelyn trilha um caminho semelhante ao conciliar o mundo acadêmico com o samba. Estudante de Psicologia na UERJ, ela explica que leva suas experiências na escola para os debates universitários sobre autoestima infantil.
“O tema que eu levanto muito dentro da UERJ é sobre crianças, autoestima de crianças faveladas dentro de escola de samba, o impacto que isso causa e a mudança que isso causa na vida das crianças. Como estudante preta da UERJ, cotista, eu levo muito do que eu aprendo na escola de samba para a universidade”, afirmou.
Mesmo com sua própria trajetória, Emelyn tem um sonho em comum com outras jovens da comunidade: reinar à frente da bateria da Mangueira. A passista já teve um gostinho dessa experiência ao ser coroada rainha de bateria da Unidos do Engenho da Rainha, em 2024. Agora, sonha em seguir os passos da irmã, Evelyn, e de Raíssa, rainha de bateria da Beija-Flor.
“Todas as meninas como eu, de comunidade, que são crias da Mangueira; tanto as que moram, quanto as que fazem samba, têm sim esse sonho de um dia estarem como a Evelyn conseguiu e como outras, como a Raíssa, da Beija-Flor, também reinaram à frente da bateria”, declarou.










