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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Em mais uma noite marcada por homenagens a Monarco, a Portela realizou, no úlitmo domingo, a primeira eliminatória da segunda fase da disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027. As 20 obras classificadas foram divididas em dois grupos de dez composições cada. A chave branca abriu esta etapa do concurso na quadra de Madureira, enquanto a chave azul se apresentará no próximo dia 16 de agosto. A escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Ao Mestre, com Carinho”, uma homenagem ao eterno baluarte Hildemar Diniz, o Monarco. A seguir, a análise do CARNAVALESCO sobre o desempenho das seis parcerias que se classificaram.

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Parceria de Valtinho Botafogo: Responsável por abrir a disputa da chave branca, o samba da parceria de Valtinho Botafogo, Madalena, Xande de Pilares, Savanna, Cardosinho, Dinny Peçanha e Bernini iniciou a noite com uma apresentação segura, mesmo sem a presença do intérprete defensor da composição, Evandro Malandro. O samba percorre diferentes momentos da vida de Monarco, da infância na Baixada Fluminense à consagração como um dos maiores símbolos da Portela, valorizando sua trajetória de forma linear e de fácil compreensão. A letra apresenta boas referências ao universo do homenageado, com destaque para os versos “No cavaquinho dedilhou tantos amores, partido alto, ala de compositores”, que sintetizam sua relação com a música e com a escola. O refrão do meio reforça o vínculo do mestre com Oswaldo Cruz antes da chegada do ponto alto da composição. O grande momento está no refrão principal. Com um desenho melódico envolvente e de fácil assimilação, o trecho “Voa, minha águia, mostra a essa gente que Monarco da Portela está presente” proporcionou um dos melhores instantes da apresentação. No conjunto, o samba manteve regularidade durante toda a exibição e cumpriu bem a missão de abrir a disputa.

Parceria de Samir Trindade: A parceria de Samir Trindade apresentou um samba de forte apelo afetivo, construído como uma carta dedicada a Monarco. A narrativa em primeira pessoa aproxima o compositor do homenageado e conduz o enredo por lembranças da infância, da trajetória no samba e da ligação com Oswaldo Cruz, criando um clima de emoção sem perder a identidade portelense. A melodia acompanha esse caráter contemplativo, com desenvolvimento fluido e valorizando os momentos mais sensíveis da letra. O refrão do meio é um dos pontos altos ao estabelecer uma bonita conexão entre Monarco e Paulo da Portela, reforçando a continuidade da tradição da escola. Outro momento marcante surge no trecho “Na imensidão desse enredo, brilha o azul que te eternizou, um dia haverá reencontro… Olinda, seu grande amor”, que acrescenta delicadeza à homenagem ao citar a companheira do baluarte. O refrão principal sintetiza com eficiência a essência do personagem ao destacar sua elegância, seu comportamento e a forma como representava a Portela. Durante a apresentação, o samba manteve regularidade nas quatro passadas, sustentado pelas interpretações de Marquinho Art’Samba e Gera e pelo canto empolgado dos segmentos da escola.

Parceria de Cecília Cruz: A parceria de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes Gêmeos, Osmar Fernandes e Júlio Pagé protagonizou uma das apresentações mais consistentes da noite, conduzida por Pixulé. O samba aposta em uma narrativa afetiva para retratar diferentes fases da vida de Monarco, desde a infância até sua consolidação como um dos maiores compositores e guardiões da história da Portela. A letra se desenvolve de forma natural, alternando passagens descritivas e referências marcantes, enquanto a melodia equilibrada sustenta o crescimento da composição. O samba ganha força à medida que avança. O refrão do meio recria o ambiente das feiras e das tradicionais rodas de samba, trazendo leveza e excelente comunicação com o público. Na reta final, versos como “Hoje o lenço enxuga a saudade que mora no meu coração, te devo afeto e carinho como retribuição” sintetizam o sentimento de gratidão ao mestre e preparam a chegada de um refrão principal de grande impacto. As repetições crescentes de “Se eu for falar de Monarco”, aliadas a um caminho melódico envolvente, funcionam como um convite ao canto e potencializam a emoção da obra, prontamente acompanhada pelos segmentos da escola.

Parceria de Naldo: Interpretado por Serginho do Porto, o samba da parceria de Naldo, Bororó, Waguinho, Marcelo Fernandes, Mario Carvalho, Paulo Beckham e William Ramos presta uma homenagem direta a Monarco, ressaltando sua importância como guardião da tradição portelense. A letra se desenvolve de forma clara e valoriza o legado do homenageado. O refrão do meio figura entre os melhores momentos da composição. Os versos “No solo sagrado de Oswaldo Cruz, talento menino, a flor que seduz, com a melodia beijando o poema, é mestre Monarco entrando em cena” unem boa construção poética a um desenho melódico agradável. Outro destaque aparece na reta final da segunda parte, quando a Velha Guarda é reverenciada antes da referência ao célebre verso “Se for falar de você não vou terminar”. O refrão principal sintetiza com eficiência a proposta do enredo ao transformar a homenagem em uma carta de amor da Portela para Monarco. De fácil assimilação, foi bem conduzido por Serginho do Porto e acompanhado pelos segmentos da escola. O samba manteve bom rendimento, andamento regular e deixou uma impressão positiva ao longo da apresentação.

Parceria de Jorge do Batuke: Interpretado por Zé Paulo Sierra, o samba da parceria de Jorge do Batuke, Márcio Carvalho, Luiz Matos, João Menna Barreto, Lucas Alves, J. Ferreira e Araguaci foi um dos destaques da noite. A composição desenvolve sua homenagem a partir da profunda ligação entre Monarco e a Portela, transformando o enredo em um desfile de referências à história da escola e aos seus principais baluartes. A letra costura nomes e símbolos da agremiação de forma orgânica, valorizando a memória coletiva da azul e branca de Oswaldo Cruz. A melodia mantém bom rendimento e cresce na reta final. O trecho que antecede o refrão principal é um dos pontos altos da composição ao repetir a mesma estrutura melódica para citar Casquinha, Candeia, Marçal, Paulinho da Viola, Paulo da Portela, Natal e Manacéa, criando um momento de grande identificação com a comunidade. Na sequência, o refrão principal, construído em um único verso repetido, preserva a força melódica e encerra a apresentação em alta.

Parceria de Diogo Nogueira: Interpretado por Tinga, o samba da parceria de Diogo Nogueira, Claudio Russo, Raphael Gravino, Julio Alves, Adolpho Konder, Laura Romero e Gabriel Simões aposta em uma abordagem criativa ao colocar Dona Olinda como voz condutora da homenagem a Monarco. A escolha oferece uma perspectiva intimista e confere identidade própria à letra, que intercala lembranças da vida do compositor com referências ao universo portelense. A composição reúne passagens de grande carga poética, especialmente nos versos em que Olinda declara seu amor ao marido sem deixar de reconhecer a devoção compartilhada com a escola: “Meu nego… eu só divido o seu amor com a Portela”. Outro momento sensível aparece no desfecho da segunda parte, quando a personagem afirma: “Poeta, este ano a Águia é linda… da tua, sempre tua, Olinda”, reforçando o caráter afetivo da homenagem. O refrão do meio é um dos grandes trunfos do samba. O trecho “Vou pra Portela que o samba mandou me chamar” apresenta balanço, fácil assimilação e excelente comunicação com a comunidade. Já o refrão principal preserva a proposta mais lírica e emotiva, encerrando a composição com consistência. Soma-se a isso o bom andamento do samba, que flui naturalmente do início ao fim. A interpretação segura de Tinga, aliada à forte resposta dos segmentos, evidenciou o alto poder de canto da parceria.