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Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

O primeiro debate do último dia do Seminário Nacional das Rodas de Samba falou sobre como as políticas públicas, o controle e a participação social ajudam no mapeamento dos locais das rodas de samba em todo o Brasil. O sambista baiano Thiago Carvalho falou da dificuldade dos blocos de carnaval de Salvador devido à falta de apoio da iniciativa privada, tendo que contar apenas com as leis de incentivo e com o apoio do Governo do Estado da Bahia.

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“Quando a gente fala de distribuição do dinheiro a partir das leis de incentivo, quando a gente fala sobre financiamento a partir das leis de incentivo, a gente entra num debate que, por exemplo, fala da realidade da minha cidade. Blocos afro e blocos de samba no estado da Bahia têm uma grande dificuldade de captar recursos da iniciativa privada. E uma grande dificuldade, mesmo tendo o apoio do meu estado, mesmo tendo o projeto aprovado nas leis de incentivo. A dificuldade existe porque as grandes marcas que podem patrocinar não querem ter as suas marcas vinculadas a projetos que são voltados para o povo preto periférico. Nos nossos bairros afro na Bahia, a gente vê o Ilê desfilando, a Mudança do Garcia desfilando, a Velha Guarda, Alerta Geral, a própria Congada do Ilê desfilando, mas é uma luta constante. Os grupos dependem muito mais do dinheiro público, do dinheiro do Estado, do que da iniciativa privada, porque a iniciativa privada não quer investir ali”.

O analista técnico do Senai RJ, Anderson Lins, falou do início de um plano desenvolvido pela instituição para analisar as rodas de samba e construir parcerias que possibilitem espaços para a realização das atividades.

“De realização desses movimentos, desde o primeiro ano que a gente tem uma categoria específica, que chama-se Rodas de Samba. Até o ano passado era Rodas de Samba e Choro. E aí a gente tem Rodas de Samba e Choro e os seus, pode ser assim, contextos primos, que é o forró, e daí outras manifestações que estão próximas a ele. Então, específico para a Roda de Samba, a gente tem hoje 14 unidades, mas tem a oportunidade de chegar a 30. Se a gente for pensar que a gente tem uma Roda de Samba por mês em cada unidade, a gente poderia ter esse volume de realização. Isso significa a própria discussão sobre sustentabilidade desses grupos artísticos. Lembrando que a roda de samba não é feita só de artistas. A gente tem articuladores, profissionais importantes que viabilizam a própria existência dessas estruturas. São interlocutores que vão buscar esses encontros e discutir a política cultural para a área, a partir de exemplos, contextos e realizações. Escrever em edital, é claro, é necessário, mas é preciso ter traquejo nessa linguagem. E esse traquejo é importante saber que nem todos têm logo no primeiro contato”.

O diretor da Rede Nacional das Rodas de Samba, Wanderson Luna, falou sobre como o samba é a cara do Brasil e sobre a necessidade de as rodas de samba receberem mais atenção das autoridades públicas.

“O samba é a tecnologia que o nosso povo inventou para poder sobreviver, para poder ter espaço numa sociedade que muitas vezes nos excluiu. É importante acreditar nisso, ter a alma do sambista. Quem chega hoje precisa saber que muita gente perdeu a vida, perdeu a família e enfrentou dificuldades para que a gente pudesse estar aqui. O samba também é entretenimento, a gente precisa ganhar dinheiro, precisa viver da arte, mas tem que ter a responsabilidade de entender a sua importância histórica e social. Foi a tecnologia que o nosso povo criou para sobreviver e conquistar espaço”.

A cantora Marina Íris afirmou que a capacidade de organização espontânea do samba não pode ser usada como argumento para a falta de apoio às rodas.

“Não pode virar argumento para acabar com a gente. Sim, a gente sabe se virar sozinha, mas não pode e não merece se virar sozinha. O samba é feito para dar certo. Se eu começar a batucar aqui, em pouco tempo vão chegar três, quatro pessoas e vai surgir uma roda de samba. Esse é um grande mérito da roda, ser espontânea e ser feita para dar certo. Mas isso não pode ser usado contra a gente. Em vez de potencializar a nossa construção, acabam dizendo que para o samba qualquer coisa serve. A roda de samba é formadora. É formadora da infância, da imaginação, da construção de afeto e do respeito a quem veio antes. Não existe futuro sem explicar quem veio antes e não existe preservação da memória sem falar da infância e da formação”.

O secretário do Ministério da Cultura, Fabrício Antenor, lembrou da ideia de realizar o seminário. Segundo ele, seria possível organizar um encontro apenas com gestores públicos, mas a decisão foi ouvir os sambistas para aperfeiçoar as políticas públicas voltadas às rodas de samba. Também falou sobre os desafios encontrados quando assumiu o Ministério da Cultura ao lado da ministra Margareth Menezes e elogiou o evento pela contribuição ao fortalecimento do setor.

A presidente substituta da Funarte, Aline Vila Real, afirmou no encerramento do debate que representantes de diversos estados manifestaram a intenção de realizar fóruns estaduais sobre as rodas de samba. Ela também lembrou que, durante determinado período, as manifestações culturais e as rodas de samba ficaram impedidas de ocupar espaços públicos e mostrar seu talento para a população brasileira.