
Por Gustavo Lima e Pedro Ribeiro
Do alimento mais presente na mesa dos brasileiros a símbolo de fé. É por meio dessa narrativa que a Tom Maior pretende buscar seu primeiro título no Grupo Especial de São Paulo. A escola da Zona Oeste apresentou oficialmente o enredo “Eu Sou o Pão da Vida”, que será desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello para o Carnaval 2027. A proposta da agremiação é contar a trajetória do pão ao longo da história da humanidade, explorando não apenas sua importância alimentar, mas também seus significados sociais, culturais e religiosos. O desfile percorrerá diferentes períodos históricos e civilizações, destacando a relação do alimento com o desenvolvimento dos povos e seu papel no combate à fome.
O lançamento do enredo aconteceu em um evento reservado para integrantes da comunidade, parceiros e profissionais da imprensa. Além da apresentação oficial do tema, a Tom Maior colocou em prática seu repertório de sambas históricos e apresentou novos integrantes da ala musical. Para revelar a narrativa do Carnaval 2027, a vermelho e amarelo montou um palco em formato de passarela que conduziu o público por diferentes épocas da história, da Antiguidade aos dias atuais. A encenação teve como ponto alto o ato final, em que o personagem central era um mendigo, interpretado pelo mestre-sala Ruhanan Pontes, que recebia o pão e encontrava nele um símbolo de acolhimento. Ao lado do carnavalesco Flávio Campello, a temática foi sendo revelada enquanto o vídeo oficial de divulgação era exibido. Após a apresentação, Flávio Campello conversou com o CARNAVALESCO sobre a construção do enredo. A Tom Maior será a quarta escola a desfilar no sábado de carnaval, dia 6 de fevereiro.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Tema rico
O carnavalesco comentou a escolha do tema e disse que terá liberdade para desenvolver o desfile da escola no próximo carnaval.
“Nós tínhamos três propostas de enredo na escola e acabou surgindo o pão como a quarta proposta. A gente topou na hora. A partir do momento em que conversamos com a galera que estava chegando com essa ideia, percebemos que poderíamos construir esse enredo da maneira que queríamos, porque a nossa primeira preocupação é a liberdade, e eles nos deram isso. Isso facilita muito a construção de um projeto. O pão é um tema que não é tão inédito assim, mas o caminho que construímos para esse enredo foi pensado por uma vertente mais social e histórica, mostrando esse paralelo e a importância do pão na vida do povo. Afinal de contas, quem constrói a história da humanidade é o povo. Então, fazemos uma homenagem a esse alimento que não só sacia a nossa fome física, mas também a nossa fome espiritual. É um enredo que acabou se transformando, mais uma vez, em um grande presente para mim como carnavalesco, porque me dá inúmeras possibilidades de desenvolvimento”, contou.

Promessa de investimento
Flávio Campello exaltou o presidente Carlão. De acordo com o profissional, o dirigente não mede esforços para ver uma Tom Maior visualmente impecável no Anhembi.

“A gente começa contando, na abertura do nosso carnaval, a Revolução Francesa. Isso vai me render um visual incrível. Tenho certeza de que será algo surreal, com a proposta que a gente tem. O Carlão é um presidente que compra a ideia. É muito gostoso trabalhar na Tom Maior por isso. Ele pensa sempre no visual que esse enredo pode proporcionar e de que maneira esse carnaval pode ser conduzido. O Carlão tem uma preocupação com a avenida. Isso me deixa muito tranquilo para trabalhar, porque a gente gosta de luxo. Carnaval é isso. Acho que o Joãozinho Trinta, quando dizia que quem gosta de pobreza é o intelectual e que o povo gosta mesmo é de luxo, tinha total razão. Até porque eu acho que carnaval é isso: é para a gente poder mostrar uma realidade totalmente diferente daquela que o povo vive no dia a dia”, explicou.
Religiosidade dentro do enredo
Entrando em detalhes da narrativa, Flávio explicou a abordagem do tema, em que, além do lado social, o enredo irá abordar momentos importantes da presença do alimento na humanidade, especialmente dentro das religiões.

“A gente fala de povos e civilizações que caminharam lado a lado com esse alimento. A gente fala do encontro de todas essas religiões que têm o pão como alimento sagrado. Na pesquisa, percebemos que isso não fica limitado apenas ao islamismo, ao judaísmo e ao cristianismo. Tem o budismo, tem o hinduísmo. Há tantas religiões que consideram o pão um alimento sagrado, cada uma com a sua cultura. Por exemplo, os hindus preparam um pão feito à base de arroz. Então, eles oferecem esse pão aos seus deuses. Se a gente parar para pensar, o pão tem uma história muito forte, tanto do ponto de vista histórico quanto religioso e espiritual. A gente vai unir esses dois caminhos para construir o nosso projeto de carnaval de 2027”, declarou.
Resultado almejado
Flávio relembrou o resultado do Carnaval 2026 e disse que quer brigar pelo título, que seria inédito para a Tom Maior.
“Por um décimo, a gente não esteve dentro do Desfile das Campeãs. Na verdade, empatamos no resultado final com a Barroca e, no critério de desempate, eles ficaram à nossa frente. Este ano, o presidente está com a mentalidade de realmente ir para cima, de lutar pelo título, até porque a escola ainda não tem essa estrela que ele tanto sonha conquistar. A gente está batalhando muito por isso, logicamente respeitando as coirmãs, que também trabalham pelo mesmo objetivo. A gente vai fazer um projeto para disputar esse título e trazer para a Tom Maior algo que ela ainda não tem em sua história: essa estrelinha dourada no pavilhão”, concluiu.










