
Por Pedro Ribeiro
O Senai Bom Retiro foi o palco na última quinta-feira de uma importante iniciativa do carnaval paulistano: o Carnaval Sustentável SP. O projeto, encabeçado pela Liga-SP, em parceria com o SENAI-SP e a UESP, oferecerá um novo e gratuito curso para a comunidade sambista das escolas da Liga-SP e da UESP: o curso Economia Circular e Sustentabilidade no Carnaval. A união das entidades ultrapassa 100 instituições, algo inédito no campo da sustentabilidade no carnaval. Em seu discurso no evento, o presidente da LIGA-SP, Renato Remondini, o Tomate, afirmou que é “uma oportunidade que, se Deus quiser, São Paulo vai exportar para todo o Brasil”. O evento contou também com a presença do presidente da UESP, Alexandre Magno, o Nenê, que explicou ao CARNAVALESCO o quão significativo foi receber o convite da Liga-SP para aderir ao projeto.
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“A união dessas casas faz com que as escolas de samba entendam a importância desses termos para o mundo. Um exemplo formidável e impactante de reutilização são os itens descartados pelas escolas do Grupo Especial da Liga-SP, que para a UESP são como “ouro”. As entidades precisam reconhecer isso. Precisam saber que esse ouro é muito valioso e, na hora, vai ser transformado em espetáculo nas pistas de barro da UESP”, disse.
Mas como essas palavras se encontraram? E o que economia circular e folia têm em comum? A dimensão e a potência que o Carnaval paulistano atingiu em 2026, com mais de 80 milhões de visualizações digitais e transmissão para 193 países, trouxeram a necessidade de avançar no tema da sustentabilidade, tão pertinente quanto confuso para o cotidiano, como contou ao CARNAVALESCO a idealizadora do projeto e diretora cultural da Liga-SP, Lúcia Helena.

“Eu ouço muito técnicos e acadêmicos falarem em sustentabilidade (…), mas, no dia a dia, como é que eu posso contribuir? E aí nós resolvemos simplificar: afinal de contas, quem tem mais capacidade que o carnaval de descomplicar um tema?”.
Ela conta que, atualmente, dos 17 objetivos do desenvolvimento sustentável, a Liga-SP já pratica 11, como reuso de água, inclusão, diversidade, uso de placas solares, coleta seletiva de lixo, entre outras ações. Pode passar despercebido, em meio à festa, todos os impactos industriais que circundam a folia. Nesse contexto, o SENAI-SP está inserido no carnaval intrinsecamente.
O CARNAVALESCO ouviu o professor Carlos Alberto Pereira Coelho, diretor do SENAI Bom Retiro, para entender essa relação: “Essa mesma indústria é a indústria que também faz o carnaval. Não tem carnaval sem isopor, você não tem carnaval sem tecido, você não tem carnaval sem ferragem, e todo esse material é feito na indústria”, afirma.
A fusão entre a indústria e o desenvolvimento sustentável é uma exigência contemporânea, ética e global. Segundo ele, o uso desses materiais para a realização do carnaval também é responsabilidade da indústria, porque “para a indústria também é importante que esses materiais tenham o destino correto, porque faz parte da cadeia de fornecimento dela. O tema é trabalhado em toda a cadeia: circularidade”, disse ele.

No lançamento do curso, foi apresentada a explicação conceitual da economia circular, baseada em três princípios: eliminar resíduos desde a origem; manter materiais em circulação; e regenerar a natureza, produzindo melhorias do ponto de vista ambiental, social e econômico.
O curioso dessa história é que o carnaval paulistano já praticava lógicas de economia circular, ainda que não as nomeasse assim. Lúcia Helena, mais uma vez, elucidou ao CARNAVALESCO.
“O nosso pessoal já fazia muita coisa de forma intuitiva. Aproveitando o tecido, aproveitando pedra e reutilizando escultura; sem a técnica. Fazendo por necessidade, muitas vezes. Mas sem a consciência de que, com aquela prática, ele estava fazendo muito mais do que reaproveitar uma pedra ou reaproveitar um tecido. Ele estava também trabalhando na economia circular e cuidando do planeta um pouquinho”.
Ainda segundo ela, a inserção do carnavalesco Igor Carneiro no projeto foi decisiva para solucionar o desafio de intermediar a linguagem técnica do SENAI-SP com a linguagem popular dos integrantes da folia paulistana.
A apresentação acerca da estruturação do curso para o público presente foi dinâmica, moderna e incisiva. A flexibilidade de acesso ao conteúdo coloca a teoria para caminhar com a prática da vivência dos sambistas e suas realidades, porque poderá ser feito de forma online. A abordagem está centrada em conhecer os tipos de materiais, identificar os impactos sociais e ambientais, organizar o ambiente de trabalho, aplicar ferramentas de avaliação e aprender novas estratégias de negócio.
Abaixo, tudo o que você precisa saber para participar:
• Início do curso: 08 de junho de 2026
• Prazo de conclusão: 21 dias
• Duração: 16 horas
• Ao final do curso, todos receberão certicado do SENAI Bom Retiro









