
A Dragões da Real apresentou na última segunda o seu enredo para o Carnaval 2027. O evento de lançamento foi realizado no Sambódromo do Anhembi, mais precisamente na parte oposta ao Setor B (Monumental), onde se localiza o camarote Espaço Cidade nos dias de desfile — um local com vista privilegiada para a pista. A escola escolheu um palco de tamanha grandeza, pois o tema da agremiação da Vila Anastácio homenageia um dos maiores sambistas da história.
Com o título “Sob as bênçãos de Xangô; a coroação do príncipe Reinaldo”, a Dragões da Real fará um tributo ao príncipe do pagode, Reinaldo, que tem uma grande trajetória dentro do samba e fez muito sucesso na cidade de São Paulo. Para prestigiar a festa, cantores de sucesso como Dodô, Billy SP, Marquinhos Sensação, Santaninha e a eterna Leci Brandão estiveram presentes e cantaram músicas do artista. O intérprete Igor Vianna também fez participação especial e exaltou sambas-enredo da escola de samba carioca Em Cima da Hora, pavilhão do coração de Reinaldo. O carnavalesco Jorge Freitas, responsável mais uma vez pelo projeto da escola, conversou com o CARNAVALESCO sobre as suas expectativas para o desfile de 2027.
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‘Coroação na passarela do samba’
O carnavalesco, que vai para o quinto carnaval seguido na Dragões da Real, falou sobre a importância e a grandiosidade de confeccionar um enredo sobre Reinaldo, o príncipe do pagode. “Estamos sempre inovando. Fomos pioneiros ao realizar o lançamento na Fábrica do Samba e também aqui no Anhembi. Escolhemos o palco do maior espetáculo da Terra para coroar esse grande artista. A ligação de Reinaldo com a Dragões é muito forte, e era essencial prestar essa homenagem depois de um desfile tão grandioso como o de 2026, com um tema à altura. Sob as bênçãos de Xangô, Reinaldo terá sua história contada por meio de suas obras e do legado que deixou. Prova disso são os inúmeros artistas do samba brasileiro que cantam Reinaldo em nossa festa. Tudo isso mostra que não apenas a Dragões, mas todo o carnaval de São Paulo está prestando uma bela homenagem a esse grande artista, que se eterniza por suas obras e por essa coroação na passarela do samba”, declarou.

Contando a história
De acordo com o artista, dentro da narrativa, o próprio Reinaldo, como filho de Xangô, contará a sua história por meio de suas obras. Jorge também falou do processo de escolha do enredo. “Na verdade, esse é o gancho que utilizamos: ele é filho de Xangô. A Dragões resgata essa ideia de justiça ao prestar uma homenagem, com a permissão e as bênçãos de Xangô, a esse grande artista. Na narrativa, é ele quem conta a própria história, por meio do legado que deixou, que são suas obras.”
“Os enredos da Dragões são definidos pela diretoria, a partir de algumas ideias apresentadas. Quando essa proposta apareceu, houve unanimidade: faríamos essa grande homenagem ao samba por meio de Reinaldo”, contou.

Arte deve ser prioridade
Em relação ao último carnaval, Freitas disse que não gostaria de questionar os critérios, mas enfatizou que a arte deve ser sempre valorizada, fazendo um questionamento ao quesito Evolução. “Não questiono os critérios. Eles estão definidos, todos os presidentes assinam e as escolas têm ciência disso. No entanto, acredito que a arte precisa ser mais valorizada. A avaliação não pode se limitar à ausência de erros. A arte vai além disso, mas essa é uma opinião pessoal, como artista, e sei que outros também pensam assim. Não se trata apenas de cumprir protocolo. Sobre o quesito Evolução, prefiro não questionar diretamente, para não parecer que falo por não ter vencido. Mas havia um consenso, inclusive em veículos como o CARNAVALESCO, de que a Dragões da Real apresentou a melhor Evolução do carnaval de São Paulo. Fizemos na avenida exatamente o que ensaiamos, com precisão, e, ainda assim, recebemos a pior nota nesse quesito”, disse.

Maneira de desfilar: mudar ou não o quesito Evolução?
Ainda dentro do seu raciocínio, Jorge reflete e questiona se vale a pena mudar ou não o tipo de Evolução que a Dragões da Real vem propondo na avenida nos últimos anos, ainda mais com um enredo que homenageia um dos maiores sambistas da história. “Isso levanta uma reflexão: vale a pena desfilar de forma engessada, sem alegria e espontaneidade? Mas como nós vamos fazer isso com um enredo tão vibrante, que homenageia o samba? O que nos move é justamente a paixão e a descontração. Por isso, prefiro não me aprofundar em julgamentos. Sou, antes de tudo, artista e admirador do carnaval de São Paulo”, concluiu.
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