Foto: Divulgação/Embratur

A possibilidade de ampliar o Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro de 12 para 15 escolas de samba voltou ao centro do debate carnavalesco depois que tanto o ex-prefeito Eduardo Paes quanto o atual prefeito da cidade, Eduardo Cavaliere, sinalizaram apoio à ideia. E agora a discussão ganhou um novo e importante interlocutor: Marcelo Freixo. O presidente da agência federal de turismo declarou ao CARNAVALESCO que é favorável à expansão, desde que ela venha acompanhada de planejamento, infraestrutura adequada e, principalmente, sem redução do suporte financeiro às escolas já consolidadas na elite do carnaval carioca.

“Eu sou favorável à ideia, mas é claro que isso tem que ser planejado. Você tem que ter barracões iguais para todas as escolas”, afirmou Freixo. “O carnaval tá com o sarrafo muito elevado. Você não pode diminuir os apoios para ter mais escolas. Tem que garantir o mesmo apoio para todo mundo para garantir competitividade, igualdade, e não perder o nível do carnaval”.

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A declaração posiciona o governo federal no debate que, até aqui, havia ficado restrito à esfera municipal e à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa. A Embratur, que responde pelo fomento ao turismo internacional do Brasil, vê no carnaval do Rio uma das suas principais vitrines. Para o Carnaval 2026, a empresa pública destinou R$12 milhões para as escolas do Grupo Especial através de um acordo de cooperação em parceria com o Ministério da Cultura e a Liesa.

Carnaval do Rio é visto por turistas de 160 países

Para Freixo, o financiamento federal ao carnaval não é favor, é estratégia. O presidente da Embratur foi direto ao ponto ao justificar o compromisso do governo Lula com a festa: “O carnaval é a maior expressão de cultura que o Brasil tem e a maior propaganda no mundo que o Brasil tem é o carnaval do Rio de Janeiro. Ele tem que ser financiado pelo governo federal, porque não tem visibilidade maior e melhor do que a gente consegue com o carnaval. São 160 países que assistem o desfile do Rio de Janeiro”.

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Os números dão respaldo à afirmação. Em fevereiro de 2026, segundo dados da Embratur, o Rio de Janeiro recebeu um fluxo expressivo de turistas internacionais: a Argentina liderou o ranking de emissores, com 99.194 visitantes, seguida pelo Chile, com 56.055 chegadas. Os Estados Unidos aparecem em terceiro, com 27.954 turistas, enquanto França e Reino Unido fecham o Top 5 com, respectivamente, 14.868 e 8.620 desembarques.

Para a Embratur, as escolas de samba são, em alguma medida, embaixadoras do turismo no Brasil. É nesse contexto que a eventual expansão do Grupo Especial passa a ter uma dimensão federal, e não apenas local.

Três vagas, três nomes e uma conta para fechar

A ideia de ampliar o Grupo Especial não é nova, mas ganhou força recentemente a partir de um tweet do ex-prefeito Eduardo Paes. Às vésperas de deixar a prefeitura do Rio para se candidatar ao governo do estado, Paes não apenas sinalizou a possibilidade de expansão como foi além: sugeriu que as três vagas fossem ocupadas por Estácio de Sá, Império Serrano e União da Ilha do Governador.

O debate ganhou ainda mais força quando o novo prefeito Eduardo Cavaliere, em entrevistas, reafirmou a proposta e foi categórico: o Carnaval de 2027 terá 15 escolas no Grupo Especial. A declaração, feita nos primeiros dias à frente da prefeitura, transformou o que era uma ideia lançada nas redes sociais em compromisso de governo.

A Liesa, no entanto, levantou questões práticas que precisam ser respondidas antes que qualquer decisão seja tomada. O presidente da Liga, Gabriel David, apontou dois nós centrais: infraestrutura e financiamento. Hoje, a Cidade do Samba abriga 14 barracões, dois a mais do que o número atual de escolas no Grupo Especial, sendo esses espaços extras utilizados pelas 12 agremiações. A chegada de três novas escolas exigiria, portanto, a criação de novos barracões. O outro ponto é o aporte financeiro: ampliar o grupo sem garantir recursos equivalentes para todas as escolas seria, na prática, rebaixar o padrão do espetáculo.

Ainda assim, os sinais mais recentes indicam que o diálogo entre a prefeitura e a Liga avança. Na última sexta-feira, Gabriel David publicou nas redes sociais o registro de um encontro com o prefeito Cavaliere, acompanhado de uma mensagem que soou como aceno: “Sempre uma troca importante visando um futuro cada vez melhor para o nosso carnaval. Sucesso no comando da nossa cidade. Juntos, faremos o maior @riocarnaval de todos os tempos”.

Nenhum acordo formal foi anunciado, e os detalhes operacionais, de onde virão os barracões, como será estruturado o aporte financeiro e qual será o papel do governo federal nessa equação, ainda precisam ser resolvidos.

Abril como prazo, Liesa como chave

A situação segue em aberto. O próximo prazo concreto no horizonte é o sorteio de posição para o Carnaval 2027, previsto para abril. Freixo deixou claro que o governo federal estará junto, mas que a viabilidade da proposta passa pela Liesa e por uma condição inegociável: barracão e suporte equivalente para todas as 15 escolas.

O debate saiu do campo das intenções e entrou no das negociações. Falta saber se o calendário, e a política, darão tempo para que tudo se resolva antes que o próximo carnaval engrene de vez.