À frente do carro que evocava as margens do Rio Beberibe, a Ala das Baianas da Acadêmicos do Grande Rio transformou a Sapucaí em extensão simbólica de Peixinhos. Representando “As lavadeiras do Beberibe”, as componentes deram corpo e voz às matriarcas que sustentam comunidades inteiras à beira d’água. Com trouxas de roupa, bacias, redes de pescador, folhas e flor de bananeira compondo a fantasia, elas entoaram o samba-enredo “A Nação do Mangue” como quem canta à beira do rio, misturando devoção, memória e resistência.

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Baianas da Grande Rio
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

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Elizabeth Avellar 66 advogada
Fabiana de Paula, 44, diarista.
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Ao CARNAVALESCO, componentes da ala destacaram que a conexão entre as lavadeiras e as baianas vai além da fantasia utilizada por elas durante o desfile. “Vejo muita semelhança, ambas são guerreiras e conseguem ludibriar o dia a dia”, afirmou Elizabeth Avellar, de 66 anos. Ela completou ainda dizendo que: “A sabedoria e o conhecimento que podemos passar para as novas gerações são enormes”.

Rosaria Linhares 67 manicure
Rosaria Linhares, manicure, de 67 anos
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Já Rosaria Linhares, manicure, de 67 anos, falou sobre o jeitinho de dar conta de tudo e contou sua experiência na Avenida: “Baiana sempre tem seu jeito de lavar uma roupinha, criar os filhos, cuidar da casa, somos um pouquinho de tudo. A nossa experiência é grande, tenho 17 anos como Baiana e aprendi com muitas outras que vieram antes de mim e tem muitos anos de casa”.

Fabiana de Paula 44 diarista
Fabiana de Paula, 44, diarista
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

O acolhimento com a nova geração e a similaridade entre Baianas e Lavadeiras foi unanimidade entre as componentes, a emoção tomou conta de algumas ao relembrarem suas trajetórias e expressar como o samba é também um lugar de escape e calmaria em meio aos problemas cotidianos.

“Esse é um lugar onde muitas usam como escape em meio aos problemas que tem em suas casas, mas não deixam o seu lado mulher de lado, mesmo com a correria, assim como em toda profissão. Eu sempre procuro me cercar das mais experientes como, elas têm muita sabedoria para passar para gente”, concluiu Fabiana de Paula, 44 anos, diarista.