A Estação Primeira de Mangueira homenageou, neste domingo, o curandeiro e líder comunitário do Amapá, Mestre Sacacá. A Velha-Guarda finalizou o desfile com a presença do Xamã Babalaô, para finalizar o ciclo espiritual iniciado no começo do desfile. O legado da velha guarda se conecta com o legado do homenageado, uma vez que ambos carregam vivências, saberes e aprendizados que formaram uma tradição. Enquanto Mestre Sacacá foi um guardião de uma medicina alternativa, a Velha Guarda é guardiã da cultura popular.

Velha guarda da Mangueira
Velha guarda da Mangueira
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luquinha da Mangueira de 63 anos
Luquinha da Mangueira, de 63 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O filho do fundador da Velha Guarda da Mangueira e atual presidente da ala, Luquinha da Mangueira, de 63 anos, aposentado, desfila pela agremiação há 51 anos e contou que a ala surgiu porque, apesar de não terem mais condições físicas de auxiliar no trabalho pesado da escola, o amor pela escola se mantia e a necessidade de continuar ajudando também, dessa forma, criá-la foi a solução.

“Ser Mangueira é diferente, é a maior escola de samba do planeta. Somos nascidos e criados na comunidade. Eu nasci e me criei dentro da Mangueira, e tudo que eu tenho hoje eu devo à escola, aos projetos sociais, à Tia Neuma e Tia Zica”, contou Luquinha.

Maria Emilia Fernandes de 77 anos
Maria Emília Fernandes, de 77 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Maria Emília Fernandes, de 77 anos, desfila na agremiação há 12 anos. Segundo ela, é a mais “recente” na escola. Maria conta que se sente orgulhosa por participar da velha guarda, principalmente por fazer aniversário no mesmo mês que a agremiação comemora a data de fundação.

“A Velha Guarda é o passado e o presente. A gente tem que passar nossa mensagem pros jovens de modos, elegância e educação”, destacou Maria Emília.

Celso Luiz de 75 anos
Celso Luiz, de 75 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O eletricista aposentado, Celso Luiz, de 75 anos, desfila na agremiação há 57 anos. Ele contou que seu maior aprendizado na Mangueira foi o amor. Esse sentimento inspirou um projeto social na comunidade, o “Papo de Roda”, onde seu grupo de amigos, com a presença de uma psicóloga, fez um espaço seguro para dialogar com os jovens moradores da periferia com intuito de passar esse amor adiante.

“A gente ama a escola e procura passar para os nossos sucessores o que é ser Mangueira. Ser Mangueira não é só vir na Avenida, vestir uma fantasia e defender a bandeira. Ser Mangueira é se preocupar até com as ações sociais da comunidade, onde a gente consegue resgatar alguns jovens que estão no fio da navalha para vir para o lado certo da coisa”, declarou Celso.