Encerrando a homenagem a Ney Matogrosso, a ala 22, “Bota pra ferver (Eu quero é botar meu bloco na rua)”, levou à Marquês de Sapucaí diferentes performances e caracterizações do cantor em uma grande celebração popular. Cada personagem apresentou um estilo próprio, unificado pela defesa da liberdade estética e corporal, transformando a festa em espaço de encontro, expressão e pertencimento.

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Integrantes das ala “Bota pra ferver”. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Gerente de 35 anos, Rodrigo Madeira, 35 anos, gerente, desfilou pela primeira vez na Imperatriz motivado pela homenagem. Sua fantasia fazia referência ao traje sadomasoquista de inspiração militar, associado à estética gay power. Para ele, a identificação com o enredo passa pela trajetória de Ney na defesa da liberdade de expressão, especialmente da população LGBTQIAPN+.

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Rodrigo Madeira, 35 anos, gerente. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“Para quem é gay, como no meu caso, é uma forma de realmente poder ser quem você é, sem medo, sem pudor. Quem vem da década de 80, um período mais complexo do que o nosso, poder mostrar numa festividade dessa quem você é… isso é gostoso, porque não tem julgamento”, afirmou.

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Mônica Tavares, 46 anos, Técnica em enfermagem. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Técnica em enfermagem, Mônica Tavares, 46 anos, desfila na escola há quatro anos. Ela destacou a emoção de unir dois afetos: a Imperatriz e Ney Matogrosso. Sua fantasia representava um cigano sensual, com calça em camadas, moedas douradas e lenço na cabeça.

“O nome do enredo já diz tudo: ‘Camaleônico’ é mutação, transformação, é o direito de se expressar sem medo de ser feliz, de se jogar mesmo”, declarou.

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Luzimar Aragão, 50 anos, é integrante da Imperatriz há 16 anos. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luzimar Aragão, 50 anos e integrante da escola há 16, ressaltou o significado político da homenagem. Sua fantasia remetia à maquiagem burlesca com adornos de pelo, evocando as múltiplas imagens de Ney ao longo da carreira.

“Representar esse artista multifacetado, que sempre levantou a nossa bandeira, é um orgulho enorme. Não só pela comunidade LGBT, mas por todos que enfrentam o preconceito em um país como o nosso”, disse.

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Ariane Oliveira, 27 anos, maquiadora. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Ariane Oliveira, 27 anos, maquiadora, desfila na Imperatriz há cinco anos e surgiu caracterizada como cigana de saia vermelha volumosa e elementos dourados. Ela também destacou o trabalho do carnavalesco Leandro Vieira na renovação estética da escola.

“É uma escola que está sempre se reinventando, como o próprio camaleão. O Leandro gosta da novidade, de mostrar o que sabe fazer, e ele está transformando a Imperatriz”, afirmou.

Na Avenida, a ala reuniu sensualidade, teatralidade e diversidade visual em releituras marcantes dos figurinos de Ney Matogrosso, convertendo memória artística em celebração coletiva da liberdade.