O intérprete Celsinho Mody, voz oficial do Acadêmicos do Tatuapé, tomou conta do microfone da escola desde 2016. Com seu jeito ‘brincalhão’, engraçado e, obviamente, considerado um grande cantor de samba-enredo, conquistou a comunidade de uma forma unânime. Em 2023, Celsinho vai para o oitavo ano na agremiação, sendo o sétimo carnaval, visto que em 2021 não tivemos a festa em decorrência da pandemia. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele falou um pouco de sua trajetória e de como se sente dentro da entidade.

Foto: Magaiver Fernandes/site CARNAVALESCO

“No Tatuapé nós somos um só coração. Eu acredito que é uma ligação tão gostosa, que quem vê entende o que acontece. Nós estamos irmanados e abraçados em prol do grande projeto que em primeiro lugar é fazer as pessoas felizes e, depois, conquistarmos o melhor carnaval das nossas vidas. Tanto eu como o Tatuapé estamos juntos nesse projeto. A gente se abraça e usa tudo que a gente pode. Nosso talento, nosso carinho, nossa galhardia para conquistar isso. É essa sinergia que se vê. Esse samba para 2023 é o que eu mais estou me divertindo, é o que mais se encaixa na minha voz. Acredito que vai ser o carnaval das nossas vidas”, contou.

O intérprete falou da sua ligação com a direção da escola. Segundo ele, se sente grato por respeitar o jeito dele de ser. “Eu me sinto lisonjeado e muito grato ao carinho que a diretoria tem comigo, porque eles me respeitam e gostam de mim do jeito que eu sou. Eu sou um sambista, um negro brasileiro, trabalhador da música e eu tenho meu jeito de ser e cantar. Eles gostam de mim dessa forma. Então até o momento que estivermos juntos e irmanados nisso, nós vamos conquistar grandes coisas. Assim como eu também gosto do jeito que eles são e trabalham. Me sinto honrado. O presidente Eduardo Santos é um cara muito carinhoso e maravilhoso. Você vê também que a escola gosta, a escola grita junto. Nós estamos irmanados para fazer o carnaval das nossas vidas e tudo isso faz parte. Agradeço a minha diretoria, meus cinco presidentes e essa agremiação maravilhosa. Enquanto eu tiver voz, contem comigo”, disse.

O cantor, apesar de ser um dos mais jovens, já tem uma certa bagagem no carnaval paulistano. Passou por escolas como Mancha Verde, Nenê de Vila Matilde e Pérola Negra. Também ganhou vários prêmios e troféus. Porém, o intérprete pregou humildade ao falar de grandeza. “Não tenho noção, não tenho grandeza. Deus me deu o dom de cantar e me presenteou com grandes momentos. No Rio de Janeiro e em São Paulo. Então não existe grandeza. Existe um grande presente que Deus me deu. Existe uma galhardia que eu tenho de trabalhar. Eu trabalho muito. Você vê que eu tenho uma ala musical espetacular aqui. Nos anos em que eu estive no Tuiuti também tive alas musicais espetaculares. Então quando se joga só com jogadores bons, se tem a certeza de bons trabalhos, mas o resultado vem das mãos do criador. Me sinto agraciado com isso e a frase é ‘presente de Deus’. Mas não tem grandeza. Eu sou como todo mundo. Igual a velha baiana, igual a nova passista, igual ao ritmista. O que eu quero é cantar e ser feliz com as pessoas”, afirmou.

Celsinho teve uma grande experiência e destaque no Rio de Janeiro. Em 2018, chegou ao Paraiso do Tuiuti, onde ficou até o último carnaval. O cantor enalteceu sua passagem de cinco anos na agremiação carioca. “Foi tudo lindo. Tudo muito maravilhoso. Sou muito grato a uma pessoa muito especial, chama-se Renato Thor, que é um grande visionário, um cara maravilhoso e que me deu de presente esses cinco anos de interpretação em uma escola de samba que é maravilhosa. Logo nós veremos o Tuiuti ser campeão do carnaval. Eu fiz o que eu podia, fiz o meu melhor nesses cinco anos. É muito complicado juntar duas escolas de samba. Tatuapé trabalha muito e o Tuiuti também. Fui ao meu limite. Eu vivi esses cinco anos e foi o máximo dentro dessa proposta. Então sou muito grato. Sou apaixonado pelo Tuiuti. Então, no futuro vem coisas maravilhosas, mas a Deus pertence”, declarou.